Mercado de Trabalho

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Bezos diz que IA não vai tirar empregos — vai criar outro problema

Jeff Bezos afirmou que a inteligência artificial não deve tornar os seres humanos desnecessários. Para ele, a tecnologia tende a ter o efeito oposto ao que muitos imaginam: em vez de substituir pessoas, pode aumentar a falta de trabalhadores em várias áreas.

O debate não é pequeno, explica publicação da Reuters no UOL. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostra que metade dos norte-americanos teme que a IA leve à perda de emprego, seja para si ou para alguém da família. Esse clima ajuda a explicar a preocupação crescente com o avanço da tecnologia.

IA pode aumentar produtividade e criar novas funções, segundo visão otimista de Jeff Bezos. Imagem: patpitchaya/Shutterstock – Imagem: patpitchaya/Shutterstock

Mais demanda do que gente para trabalhar

Na visão de Bezos, o ponto central não é a redução de trabalho, mas o contrário: a sociedade já opera com uma demanda tão grande por produção, serviços e inovação que a capacidade humana acaba ficando limitada.

Discordo totalmente desse ponto de vista. E acho que, na verdade, a IA vai causar escassez de mão de obra.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, em declaração durante a VivaTech.

A fala contrasta com o receio comum de que sistemas automatizados substituam empregos em larga escala.

Ele defende que a inteligência artificial pode ajudar justamente a reduzir barreiras que hoje travam processos, acelerando atividades em diferentes setores e ampliando o que é possível produzir.

Na prática, isso pode significar:

  • aceleração de tarefas industriais e processos criativos
  • aumento da produtividade em áreas técnicas e operacionais
  • redução de gargalos em engenharia e desenvolvimento de produtos
  • criação de novas funções ligadas à própria tecnologia
  • reorganização do trabalho humano em atividades mais complexas
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Pesquisa mostra que metade dos americanos teme perder empregos com o avanço da inteligência artificial. Imagem: 4 PM production/Shutterstock

IA, espaço e novas fronteiras da produção

Bezos conectou essa visão sobre inteligência artificial a outros projetos que lidera, como a Blue Origin e a startup Prometheus. A ideia é usar IA para acelerar o desenvolvimento de produtos físicos e encurtar ciclos de engenharia.

Para ele, a combinação entre tecnologia e automação pode mudar a forma como bens são projetados e fabricados, reduzindo o tempo entre a ideia e o produto final.

No campo espacial, o empresário voltou a defender um projeto antigo: levar parte da indústria pesada para fora da Terra. Segundo ele, isso permitiria aliviar o impacto ambiental no planeta.

“Se as viagens espaciais se tornarem confiáveis e baratas o suficiente… este planeta-jardim poderá retornar ao seu estado anterior à Revolução Industrial”, afirmou.

Bezos também reforçou a ideia de que a Lua deve ser o primeiro passo dessa expansão, antes de qualquer tentativa mais ambiciosa em Marte.

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Bezos conecta inteligência artificial e exploração espacial em uma visão de futuro baseada em expansão humana. Imagem: xphotoz – iStockPhoto – Imagem: xphotoz – iStockPhoto

Um futuro de expansão, não de substituição

O executivo defende que IA e exploração espacial fazem parte do mesmo movimento de expansão das capacidades humanas. Em vez de eliminar o trabalho, a tecnologia abriria espaço para novas atividades e novas necessidades.

A visão dele é otimista: a inteligência artificial ajudaria a liberar o potencial produtivo das pessoas, enquanto a infraestrutura espacial ampliaria o alcance da atividade econômica.

Na avaliação de Bezos, esse cenário não reduz o papel humano — apenas o transforma.

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A Blue Origin pretende competir com a SpaceX, de Elon Musk, no setor de foguetes. O presidente-executivo da empresa, David Limp, que estava ao lado de Bezos no evento, informou que a reconstrução da plataforma de lançamento para os foguetes New Glenn já começou na Flórida, após uma explosão ocorrida em maio.

Musk também apresentou uma visão para o espaço antes da abertura de capital da SpaceX na semana passada, incluindo planos para criar cidades na Lua e em Marte. Em entrevista com o presidente-executivo do JP Morgan, Jamie Dimon, também na semana passada, ele falou sobre lançar centros de dados de IA ao espaço e passar férias na Lua.

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O que está por trás das demissões atribuídas à inteligência artificial?

Lucros em alta e demissões em massa. Esse contraste tem marcado 2026 no setor de tecnologia, onde a inteligência artificial passou a aparecer com frequência nas explicações para os cortes, explica o TechCrunch.

Segundo a TrueUp, uma plataforma de emprego e recrutamento que acompanha o mercado de trabalho, cerca de 150.000 profissionais foram afetados neste ano, em um ritmo próximo de 974 desligamentos por dia — 44% mais rápido do que no mesmo período do ano passado.

Mais de 150 mil profissionais já foram afetados por demissões no setor de tecnologia em 2026. Imagem: Stock-Asso/Shutterstock – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

IA como justificativa — ou como desculpa?

Nem todos acreditam que a IA seja a verdadeira responsável por essa onda de demissões. O tema ganhou força à medida que empresas lucrativas passaram a associar cortes de pessoal ao avanço da tecnologia.

Um dos casos mais comentados envolve a empresa de pagamentos Block. Após demitir quase metade de seus funcionários no início de 2026 — cerca de 4.000 pessoas —, o fundador Jack Dorsey afirmou que as ferramentas de IA “estão viabilizando uma nova forma de trabalhar que muda fundamentalmente o que significa construir e operar uma empresa”.

Mais tarde, após ser questionado por usuários no X, Dorsey reconheceu que a companhia havia contratado além do necessário durante a pandemia.

O investidor Marc Andreessen também colocou essa explicação em dúvida. Em conversa com o podcaster e investidor Harry Stebbings, ele classificou a IA como uma “desculpa bala de prata” para cortes que teriam outras origens. Segundo Andreessen: “Essencialmente, toda grande empresa está com excesso de pessoal. No mínimo 25%. Acho que a maioria está com excesso de 50%. Muitas, com 75%. Agora todas têm a desculpa bala de prata: ah, é a IA.”

A Uber também acabou envolvida nessa controvérsia. A empresa reduziu cerca de 23% de sua divisão de recursos humanos e recrutamento, afetando menos de 1% de seus 34.000 funcionários. A companhia negou qualquer relação entre os cortes e a IA. Ainda assim, a decisão ocorreu pouco depois de seu diretor de tecnologia revelar que todo o orçamento anual destinado a ferramentas de programação baseadas em IA havia sido consumido em apenas quatro meses.

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Mais de 150 mil profissionais já foram afetados por demissões no setor de tecnologia em 2026. Imagem: TStudious/Shutterstock

Fortunas crescem enquanto vagas desaparecem

Os cortes ocorrem justamente quando empresas ligadas à inteligência artificial vivem um período de forte valorização.

A fabricante de chips Cerebras Systems estreou na Nasdaq com alta de 68% em relação ao preço inicial de suas ações, alcançando valor de mercado de aproximadamente US$ 67 bilhões. O resultado transformou seus cofundadores, Andrew Feldman e Sean Lie, em bilionários.

A SpaceX também simboliza esse momento de valorização acelerada do setor. A empresa alcançou uma avaliação de US$ 2,1 trilhões e pode transformar milhares de funcionários em milionários. Anthropic e OpenAI também aparecem entre as companhias que caminham para avaliações próximas ou superiores a US$ 1 trilhão.

Alguns números ajudam a dimensionar o cenário:

  • Cerca de 150.000 profissionais afetados por demissões no setor em 2026;
  • Aproximadamente 40.000 cortes registrados apenas em maio;
  • A possibilidade de surgirem cerca de 4.400 novos milionários ligados à SpaceX;
  • Empresas que continuaram se valorizando mesmo após anunciar reduções de pessoal.

Em março, Mark Zuckerberg comprou uma mansão de US$ 170 milhões na ilha conhecida como “Billionaire Bunker”, em Miami. Dois meses depois, a Meta anunciou a demissão de 8.000 funcionários, cerca de 10% de sua força de trabalho, ampliando o contraste entre a valorização do setor e os cortes de pessoal.

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A SpaceX pode criar milhares de novos milionários em meio a uma onda histórica de demissões no setor. Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock – Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock

O custo de vida amplia a tensão

As demissões acontecem em um momento delicado para muitos trabalhadores americanos. Os custos com saúde, moradia e financiamento imobiliário continuam em alta nos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre famílias que já enfrentam um cenário econômico mais difícil.

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Não por acaso, o assunto ganhou destaque. De um lado, empresas lucrativas e investidores ligados à IA acumulam riqueza em velocidade impressionante. Do outro, milhares de profissionais enfrentam um ambiente econômico cada vez mais desafiador.

O texto também relembra o movimento Occupy Wall Street, que surgiu após a crise financeira de 2008 e refletiu a insatisfação popular com a concentração de perdas e ganhos. Para muitos críticos, o paralelo mostra como a insatisfação pode crescer quando riqueza e perdas parecem distribuídas de forma desigual.

Empresas como Block, Atlassian e Cloudflare chegaram a ver suas ações subirem após relacionarem cortes de pessoal à inteligência artificial. O fato é que a relação entre IA e demissões continua cercada de dúvidas. E, quanto mais empresas usam essa justificativa, maior tende a ser o escrutínio sobre os reais motivos por trás dos cortes.

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Empresas estão usando a inteligência artificial como bode expiatório para demissões?

Mais da metade das empresas admite destacar a inteligência artificial ao justificar demissões e congelamentos de vagas. É o que mostra uma pesquisa da Resume Templates realizada com 1 mil gestores de contratação nos Estados Unidos.

O dado chama atenção porque o impacto real da tecnologia sobre o emprego parece bem menor do que o discurso adotado por muitas organizações, explica o G1.

Nem toda vaga cortada foi ocupada por um robô. Pesquisa mostra um cenário mais complexo nas empresas. Imagem: VesnaArt/Shutterstock

Inteligência artificial virou a justificativa perfeita?

A inteligência artificial passou a ocupar um papel de destaque no discurso usado por empresas para explicar cortes de pessoal.

Segundo o levantamento, 59% das empresas admitem destacar o papel da IA ao justificar demissões ou congelamentos de vagas porque essa explicação tende a ser melhor recebida do que razões ligadas a dificuldades financeiras. Entre os entrevistados, 17% afirmaram que suas empresas usam diretamente a tecnologia como justificativa para essas decisões, enquanto outros 42% disseram fazer isso parcialmente.

Somados, os percentuais mostram que quase seis em cada dez empresas reconhecem enfatizar o papel da IA porque essa narrativa costuma ser mais bem aceita por funcionários, investidores e pelo mercado.

O contraste com outros resultados da pesquisa é evidente. Apenas 9% dos gestores afirmaram que determinadas funções foram totalmente substituídas pela tecnologia. Já 45% disseram que a IA reduziu parcialmente a necessidade de novas contratações, enquanto outros 45% relataram pouco ou nenhum impacto no tamanho das equipes.

IA sugere progresso em vez de problemas.

Kara Dennison, consultora-chefe de carreira da Resume Templates, em nota.

E isso, para ela, explica esse comportamento.

Segundo a especialista, associar mudanças à inovação tecnológica transmite uma imagem de modernização e planejamento estratégico. Já atribuir cortes a dificuldades financeiras pode gerar preocupações sobre a saúde da empresa.

Ela alerta, porém, que a estratégia pode produzir o efeito contrário caso os funcionários não percebam mudanças concretas provocadas pela tecnologia em suas atividades. Nesse cenário, a justificativa pode gerar dúvidas sobre os reais motivos das decisões.

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O mercado segue em movimento: empresas reduzem algumas funções enquanto reforçam áreas estratégicas. Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O mercado continua em movimento

Apesar das preocupações em torno da automação, os dados mostram que as empresas continuam contratando.

Embora 55% das organizações planejem realizar demissões em 2026, 92% afirmam que também pretendem contratar novos profissionais. O cenário retratado pelo levantamento aponta mais para uma reorganização das equipes do que para uma retração generalizada do mercado de trabalho.

Os principais motivos citados para cortes de pessoal foram:

  • Impacto da inteligência artificial (44%)
  • Reestruturações organizacionais (42%)
  • Restrições orçamentárias (39%)

Enquanto algumas funções perdem espaço, outras áreas recebem mais investimentos, especialmente aquelas ligadas à eficiência operacional, tecnologia e crescimento.

“Estamos vendo um reequilíbrio da força de trabalho”, afirma Dennison.

De acordo com a especialista, as empresas estão priorizando “capacidade, flexibilidade e impacto”, em vez de simplesmente manter estruturas tradicionais.

Lupa examinando blocos de madeira com chip de IA e ícone de dinheiro
A familiaridade com ferramentas de IA ficou atrás de competências humanas como comunicação e resolução de problemas. Imagem: patpitchaya/Shutterstock – Imagem: patpitchaya/Shutterstock

As habilidades que seguem em alta

A capacidade de resolver problemas aparece no topo da lista de competências mais valorizadas, sendo citada por 54% dos gestores. Em seguida vêm a habilidade de aprender rapidamente novas ferramentas e tecnologias (44%), a comunicação (43%), a adaptabilidade (39%) e a colaboração em equipe (36%).

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Outro resultado chama atenção. A familiaridade com ferramentas de inteligência artificial foi mencionada por apenas 31% dos entrevistados, ficando atrás de todas essas competências.

O levantamento foi realizado em dezembro de 2025 com 1 mil gestores de contratação dos Estados Unidos. As respostas foram coletadas de forma anônima por meio da plataforma Pollfish.

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Cresce o medo de desemprego ligado à inteligência artificial

A preocupação com o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho já é realidade para boa parte dos americanos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. O levantamento revela que 53% dos entrevistados acreditam que a IA pode provocar desemprego em suas casas.

O dado ajuda a explicar o clima de incerteza nos Estados Unidos, em meio a cortes de empregos em grandes empresas e ao avanço acelerado da tecnologia no cotidiano.

O avanço da IA já aparece como fator de preocupação para a maioria dos entrevistados nos Estados Unidos, segundo levantamento recente. Imagem: Altheas Joni/Shutterstock – Imagem: Altheas Joni/Shutterstock

Medo de perder o emprego cresce nos EUA

A pesquisa foi realizada ao longo de seis dias e concluída na última segunda-feira, ouvindo 4.531 adultos em todo o país. O retrato é relativamente uniforme: a preocupação aparece de forma semelhante entre idades, gêneros e níveis de escolaridade.

No total, 53% dos entrevistados dizem estar preocupados com a possibilidade de perda de emprego por causa da tecnologia. Outros 37% afirmam não ter esse receio, enquanto 10% estão indecisos ou não responderam.

Um ponto que chama atenção é a intensidade da preocupação geral: cerca de 73% dos americanos dizem se preocupar com o avanço da inteligência artificial no dia a dia.

  • 53% temem perda de emprego em casa por causa da IA
  • 37% não veem esse risco como preocupante
  • 10% não souberam ou preferiram não responder
  • 73% demonstram preocupação geral com o avanço da tecnologia
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Cortes em grandes empresas e adoção acelerada de IA ajudam a explicar o clima de incerteza no mercado de trabalho americano. Imagem: Andrii Yalanskyi / Shutterstock.com

Cortes e mudanças no mercado acendem alerta

O levantamento da Reuters/Ipsos foi divulgado em meio a uma sequência de demissões associadas à adoção de IA por grandes empresas. Um dos exemplos citados é a Intuit, que anunciou a demissão de 17% de sua força de trabalho global para reorganizar operações e concentrar esforços em iniciativas estratégicas, incluindo inteligência artificial.

O debate também ganhou força em eventos públicos recentes. Em uma cerimônia de formatura na Universidade do Arizona, o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, foi vaiado ao comentar os impactos da IA no futuro do trabalho — um sinal de como o tema já desperta reações mais intensas na sociedade.

Ao mesmo tempo, especialistas e líderes políticos alertam para o uso da tecnologia em áreas sensíveis, como propaganda, entretenimento e até aplicações militares, ampliando o alcance das discussões sobre seus limites.

Diferenças políticas e impacto no mercado

A pesquisa também identificou uma diferença relevante entre grupos políticos. Entre os democratas, 61% afirmam estar preocupados com a substituição de empregos pela IA, enquanto entre republicanos o índice é de 47%.

Outro dado importante mostra como a tecnologia já está mais presente na rotina de quem tem ensino superior: metade dos graduados afirma usar IA regularmente, contra 34% entre pessoas sem diploma universitário e 40% da população geral.

Esse quadro ajuda a entender um ponto central do cenário americano: apesar da preocupação crescente, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de crescimento em diferentes áreas, o que mantém o impacto da IA cercado de incerteza.

Como a IA está abrindo caminho para novas profissões no mercado de trabalho
Ferramentas como ChatGPT e soluções da Anthropic já fazem parte da rotina de usuários e empresas nos Estados Unidos. Imagem: VideoFlow / Shutterstock

IA avança entre ferramentas e decisões profissionais

A discussão envolve o uso cada vez mais frequente de ferramentas como ChatGPT, da OpenAI, e soluções corporativas da Anthropic, que vêm se consolidando tanto entre usuários comuns quanto em ambientes empresariais.

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Esse avanço já começa a aparecer na rotina de trabalho e até em decisões pessoais. Uma escritora freelancer ouvida na pesquisa relatou ter perdido parte de seus contratos e suspeita que a IA tenha influenciado essa mudança.

Outro caso vem da área da saúde mental: uma psicóloga afirmou estar preocupada com pacientes que recorrem à IA entre sessões de terapia, levantando dúvidas sobre limites e qualidade das respostas.

No fim, o levantamento ajuda a traçar um panorama mais concreto: a inteligência artificial já não é apenas uma tendência tecnológica, mas um fator real de ansiedade, adaptação e mudança no mercado de trabalho — especialmente nos Estados Unidos.

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Empresas ainda não sabem transformar ganhos da IA em resultados, diz relatório

Trabalhadores de escritório estão adotando ferramentas de inteligência artificial em ritmo acelerado, mas os efeitos dessa tecnologia sobre produtividade e eficiência ainda geram dúvidas. É o que mostra o relatório AI at Work, divulgado pelo Boston Consulting Group (BCG).

Segundo o levantamento, 74% dos trabalhadores administrativos sem função gerencial afirmam usar IA com frequência, um salto de 23 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mesmo com essa adoção acelerada, muitas empresas ainda não conseguem transformar esse avanço em resultados concretos, explica a Bloomberg.

Tempo economizado ainda não é considerado

Mais de 40% dos profissionais sem cargo de gestão disseram economizar pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana graças às ferramentas de IA. Apesar disso, o BCG aponta que líderes e empresas ainda não sabem exatamente como utilizar esse tempo recuperado de maneira eficiente.

Todo mundo fala sobre a IA substituindo o trabalho, mas na verdade trata-se de repensar o valor humano agregado internamente. Esse é o papel dos líderes.

Vinciane Beauchene, uma das autoras do relatório, em nota.

O estudo questiona a ideia de que a simples adoção da IA levará automaticamente ao aumento de produtividade, mesmo diante dos enormes investimentos feitos no setor nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a tecnologia está alterando a rotina profissional de forma profunda, e nem sempre positiva.

Satisfação e sobrecarga ao mesmo tempo

Quase metade dos entrevistados afirmou passar mais tempo supervisionando e direcionando a IA do que executando as próprias tarefas. Cerca de dois terços disseram que a tecnologia aumentou a satisfação no trabalho, mas aproximadamente 41% relataram maior desgaste mental. Os autores do relatório chamaram esse fenômeno de “paradoxo da alegria”: a IA torna o trabalho melhor e mais difícil ao mesmo tempo.

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“A equação da alegria se reescreve dentro de um ano de uso da IA”, disse Sylvain Duranton, outro coautor do estudo. “No início, a novidade e o esforço cognitivo alimentam o prazer, mas essa ‘lua de mel com a IA’ desaparece sem clareza estratégica.”

Agentes de IA ganham espaço

O relatório também registra o crescimento dos agentes de IA: 30% dos entrevistados afirmaram que esse tipo de ferramenta já faz parte de seus fluxos de trabalho — mais do que o dobro do registrado um ano atrás. Mais de 60% disseram acreditar que esses agentes poderão executar ao menos metade de suas tarefas nos próximos três anos.

A pesquisa ouviu cerca de 12 mil trabalhadores de diferentes setores em 14 países e regiões. O estudo analisou temas como adoção de IA, expectativas dos profissionais, liderança e transformação organizacional. Segundo o BCG, trabalhadores sem cargo gerencial na Índia, no Brasil e na África do Sul relataram uso regular de IA acima da média global, enquanto os dos Estados Unidos, França e Itália ficaram abaixo dessa média.

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Califórnia quer frear impacto da IA no mercado de trabalho

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, assinou nesta quinta-feira (21) uma ordem executiva para estudar mudanças nas políticas trabalhistas diante do avanço da inteligência artificial (IA). A medida busca preparar o estado para possíveis impactos da tecnologia no mercado de trabalho, especialmente em funções administrativas e de escritório.

Segundo o The New York Times, agências estaduais deverão trabalhar em conjunto com universidades, sindicatos e empresas de IA para analisar formas de incentivar companhias a manter funcionários, em vez de substituí-los por sistemas automatizados. O governo também pretende ampliar programas de qualificação profissional voltados a áreas que podem ser afetadas pela tecnologia.

A iniciativa surge em meio ao aumento das discussões sobre o efeito da IA no emprego. Empresas de tecnologia têm promovido cortes de pessoal enquanto ampliam investimentos em automação e ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Ordem cita treinamento profissional e renda baseada em ativos

A ordem executiva assinada por Newsom prevê a expansão de programas de treinamento profissional, com foco em trabalhadores de áreas como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, marketing e vendas.

O governo da Califórnia também determinou estudos sobre um modelo chamado “capital básico universal”. A proposta analisaria formas de dar aos moradores participação em ativos financeiros, como ações corporativas, títulos e fundos patrimoniais.

Em comunicado, Newsom afirmou que a Califórnia não deve “assistir passivamente” às mudanças provocadas pela IA. O governador disse ainda que o momento exige repensar “como as pessoas trabalham, governam e se preparam para o futuro”.

O NYT afirma que seguros-desemprego e mecanismos tradicionais de proteção podem não ser suficientes diante das transformações provocadas pela tecnologia.

Empresas de tecnologia ampliam debate sobre empregos

A discussão ganhou força após novas demissões no setor de tecnologia. A Meta reduziu seu quadro de funcionários em 10%, cerca de 8 mil pessoas, mencionando uma mudança estratégica voltada à IA.

Outras empresas como Intel, Cisco e Amazon também são mencionadas como parte da onda de cortes associada a ganhos de eficiência com inteligência artificial.

O cofundador da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que aproximadamente metade dos empregos de colarinho branco pode desaparecer nos próximos cinco anos. Embora outras lideranças do setor discordem da previsão, o NYT afirma que há consenso de que áreas como comunicação, direito e engenharia devem passar por substituições causadas pela tecnologia.

Debate sobre regulação avança nos Estados Unidos

A ordem assinada por Newsom ocorre enquanto o governo federal dos Estados Unidos discute possíveis regras para modelos de IA.

Na quinta-feira, o presidente Donald Trump cancelou a assinatura de uma ordem executiva que permitiria ao governo avaliar modelos de inteligência artificial antes do lançamento público.

Segundo o NYT, a proposta daria ao governo federal poderes para analisar vulnerabilidades de segurança em novos sistemas de IA e desenvolver mecanismos de proteção contra possíveis ataques cibernéticos.

Trump afirmou que adiou a assinatura porque não gostou de “certos aspectos” da proposta e disse não querer prejudicar a liderança dos Estados Unidos na corrida tecnológica contra a China.

O documento também previa que empresas como OpenAI, Google, Meta, Microsoft e Anthropic compartilhassem voluntariamente seus modelos com o governo antes do lançamento público.

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IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros, diz estudo

O pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, conduziu um estudo que comprova o impacto negativo da inteligência artificial na renda e empregabilidade de jovens brasileiros. Em suma, os mais afetados são os que cogitam trabalhar em áreas onde a tecnologia é fundamental.

A pesquisa foi conduzida via dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Em resumo, os números indicam que brasileiros de 18 a 29 anos que trabalham em ocupações mais expostas à IA têm cerca de 5% menos de chance de estarem empregados do que teriam em um cenário sem esse nível de exposição à tecnologia.

Para quem tem pressa:

  • Uma pesquisa da FGV concluiu que a adesão da IA no mercado de trabalho já impacta a disponibilidade de emprego no Brasil;
  • Principais afetados são jovens entre 18 e 29 anos.

Mais informações sobre o estudo conduzido

Para chegar aos resultados, o estudo comparou grupos de trabalhadores com perfis semelhantes em 2022 — antes do lançamento do ChatGPT — e em 2025.

Carteira de trabalho (Reprodução: GOV) – (Reprodução: GOV)

A diferença entre eles era o nível de exposição à inteligência artificial: parte atuava em profissões mais impactadas pela tecnologia, como serviços de informação e o setor financeiro, enquanto o restante estava em ocupações menos expostas.

O levantamento indica que, após a popularização da IA, os trabalhadores mais expostos passaram a registrar uma perda maior de empregos em relação aos demais grupos.

Além disso, a renda desse grupo mais exposto foi cerca de 7% menor. Segundo o estudo, isso ocorre porque a inteligência artificial se mostra especialmente eficiente na execução de tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e serviços básicos — atividades que, em geral, marcam o início da trajetória profissional de quem está entrando no mercado de trabalho.

Segundo Duque, as funções iniciais de entrada no mercado de trabalho tendem a ser as mais vulneráveis à substituição pela inteligência artificial, uma vez que essas atividades podem ser desempenhadas pela tecnologia de forma mais eficiente e com menor custo.

O estudo indica que o impacto da exposição à inteligência artificial sobre a empregabilidade das outras faixas etárias é bastante reduzido. “O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA“, diz o pesquisador.

Corredor de data center com servidores e chip de inteligência artificial ao centro
Infraestrutura de data centers e processamento voltados a aplicações de inteligência artificial (Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock) – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

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Em relação à queda de renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia vem diminuindo o valor das tarefas mais padronizadas — justamente aquelas que costumam funcionar como porta de entrada para muitas carreiras administrativas.

O pesquisador destaca que as estimativas devem ser interpretadas com cautela, pois o período de observação ainda é curto e as informações disponíveis sobre a exposição das profissões à inteligência artificial são preliminares.

Ainda assim, ele aponta que já é possível perceber um impacto significativo da IA sobre a empregabilidade, o que considera preocupante, e acrescenta que, ao longo do tempo, todos os tipos de trabalho serão afetados, embora em diferentes níveis.

Ilustração de robô humanoide com inteligência artificial digitando em computador desktop num escritório
Inteligência artificial ‘ocupando’ uma vaga de emprego em um escritório (Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital)

O estudo de Duque aprofunda um levantamento realizado pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV IBRE, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), estimou que cerca de 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum nível de exposição à inteligência artificial generativa no terceiro trimestre do ano passado. Esse número corresponde a aproximadamente 29,6% da população ocupada.

Dentro desse grupo, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais alto de exposição, concentrados sobretudo entre os mais jovens, mais escolarizados, residentes na região Sudeste e atuantes no setor de serviços — com destaque para áreas de informação e comunicação e serviços financeiros.

Segundo o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, a inteligência artificial tem automatizado principalmente “rotinas mais repetitivas”, típicas de “posições iniciais” no mercado de trabalho.

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IA pressiona iniciantes e já afeta empregos nos EUA

A inteligência artificial (IA) começa a apresentar efeitos mensuráveis no mercado de trabalho dos Estados Unidos, segundo levantamento do Goldman Sachs. O estudo aponta que profissionais em início de carreira estão entre os mais impactados por essa transformação.

De acordo com o banco, desde o lançamento do ChatGPT, o avanço da IA reduziu o crescimento mensal da folha de pagamento em cerca de 16 mil vagas. O relatório também indica um aumento de 0,1 ponto percentual na taxa de desemprego associado a esse movimento. As informações foram divulgadas em reportagem da Reuters, que detalha os impactos da tecnologia sobre o emprego no país.

Lançamento do ChatGPT é apontado como marco recente no avanço da IA e seus efeitos no mercado de trabalho – Imagem: Markus Mainka / Shutterstock

Impacto sobre profissionais menos experientes

Segundo Elsie Peng, analista do Goldman Sachs, o peso das mudanças tem sido maior sobre trabalhadores com menos experiência. “Grande parte do custo está recaindo sobre os trabalhadores menos experientes”, escreveu a analista no relatório.

Para chegar às conclusões, o banco desenvolveu um sistema de pontuação que avalia dois efeitos distintos da IA no emprego: a substituição de trabalhadores e a complementação do trabalho humano.

Nos casos de substituição, tarefas antes realizadas por pessoas passam a ser feitas por sistemas automatizados. Esse movimento aparece em áreas como atendimento telefônico, análise de sinistros de seguros e cobrança de contas, onde o estudo observa redução no número de empregados e aumento do desemprego.

A IA como ferramenta de apoio

Por outro lado, a inteligência artificial também atua como ferramenta de apoio em diferentes setores. Nesses casos, a tecnologia contribui para aumentar a eficiência e a velocidade na execução de tarefas, sem substituir totalmente os trabalhadores.

Segundo o levantamento, esse efeito tem impulsionado o emprego em áreas como educação, direito e gerenciamento de obras.

“Os setores mais expostos ao uso da IA como ferramenta registraram aumento no emprego e leve redução nas taxas de desemprego, o que compensou parte das perdas observadas em outras áreas”, afirmou o banco.

Leia mais:

Impacto pode ser menor do que o estimado

O Goldman Sachs ressalta que o impacto total da inteligência artificial pode ser inferior ao indicado nas estimativas. Isso porque os cálculos não consideram plenamente novos postos de trabalho ligados ao desenvolvimento da própria tecnologia.

Entre esses empregos estão vagas associadas à construção de centros de dados e ao aumento da demanda por trabalhadores em setores que podem crescer com ganhos de produtividade impulsionados pela IA.

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