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Vale do Silício entra em “guerra” por causa da IA chinesa

Uma disputa sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou força no Vale do Silício e passou a envolver as maiores empresas do setor, executivos de tecnologia e integrantes do governo dos Estados Unidos.

O debate opõe companhias, como OpenAI e Anthropic, que defendem maiores restrições aos modelos chineses de IA de código aberto, e um grupo formado por empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta e IBM, que argumenta que esse tipo de tecnologia deve permanecer aberto para estimular inovação, segurança e novos negócios.

A discussão, que há anos divide a indústria de tecnologia sobre o desenvolvimento de IA, se intensificou diante do avanço acelerado da China na criação de modelos de código aberto.

OpenAI e Anthropic defendem restrições

De um lado estão OpenAI e Anthropic, que sustentam que determinados modelos de IA são perigosos demais para serem desenvolvidos de forma aberta e, por isso, devem permanecer sob controle rígido das empresas responsáveis por sua criação.

Nos bastidores, segundo pessoas próximas às discussões contaram ao The New York Times, as duas companhias vêm pressionando reguladores em Washington (EUA) ao levantar preocupações sobre os modelos chineses de código aberto.

O debate passou a envolver também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia do presidente Donald Trump, que discutem a importância dos modelos estadunidenses como propriedade intelectual estratégica.

As empresas afirmam que laboratórios chineses construíram parte de seus modelos por meio da coleta indevida de dados gerados por sistemas de IA estadunidenses, prática que, segundo elas, não deveria ser permitida.

Microsoft, Nvidia e outras gigantes defendem código aberto

  • Na direção oposta, empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, defendem que os modelos de código aberto são essenciais para o avanço da IA;
  • Na sexta-feira (24), o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, publicou pela primeira vez no X que “o mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira”. Nove minutos depois, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA”;
  • Ambos assinaram uma carta em defesa do código aberto, acompanhados por executivos da Meta, Palantir e IBM;
  • Segundo essas empresas, modelos abertos impulsionam o desenvolvimento tecnológico, permitem que pesquisadores examinem sua segurança e aumentam a demanda por serviços de computação em nuvem e chips utilizados para executar aplicações de IA.

Para fundadores de startups do Vale do Silício, restringir o código aberto também poderia consolidar a vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic, dificultando o surgimento de concorrentes.

“Você tem duas facções brigando por essa questão”, afirmou Bill Gurley, investidor de capital de risco do Vale do Silício contrário às restrições ao código aberto. “Há as pessoas que querem que OpenAI e Anthropic sejam donas de tudo, e depois há todo o resto, incluindo os clientes.”

Avanço chinês aumenta tensão

O conflito ganhou intensidade devido ao rápido progresso da China no desenvolvimento de modelos abertos de IA. Nas últimas semanas, as startups chinesas Z.ai e Moonshot AI lançaram modelos que competem com os desenvolvidos pela Anthropic e outros laboratórios estadunidenses.

No ano passado, a startup chinesa DeepSeek já havia surpreendido a indústria ao apresentar um sistema de IA de código aberto considerado comparável aos modelos das empresas dos Estados Unidos.

O governo chinês também passou a defender essa estratégia. Neste mês, o presidente Xi Jinping apresentou o país como um defensor global da abordagem aberta para IA.

Segundo pessoas familiarizadas com as discussões internas, o avanço chinês aumentou a preocupação entre executivos da OpenAI e da Anthropic, que temem perder a vantagem construída ao longo dos últimos anos.

Acusações de roubo de propriedade intelectual

Empresas estadunidenses de IA acusam laboratórios chineses de realizar o chamado processo de “destilação”, copiando secretamente seus sistemas para desenvolver modelos concorrentes. O tema chamou a atenção do governo de Donald Trump.

Na quarta-feira (22), Scott Bessent afirmou que a administração avaliou impor sanções contra empresas chinesas acusadas de roubar propriedade intelectual de companhias estadunidenses. “Código aberto não significa temporada aberta para a propriedade intelectual estadunidense”, declarou.

No mesmo dia, Michael Kratsios afirmou que “a destilação industrial secreta em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa estadunidense é inaceitável”.

Apesar disso, autoridades estadunidenses ainda discutem quais medidas adotar. Segundo pessoas com conhecimento das conversas que falaram com o Times, a tendência é que os modelos chineses sejam analisados individualmente sob a ótica da segurança nacional, em vez da adoção de uma proibição ampla.

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CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA” – Imagem: FotoField/Shutterstock

Google e Amazon tentam evitar confronto

Enquanto OpenAI e Anthropic defendem restrições, outras gigantes do setor buscaram inicialmente evitar envolvimento direto. Google e Amazon, que investiram bilhões de dólares em empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram boa parte da semana sem participar do debate.

No sábado (25), porém, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou nas redes sociais que sua empresa “há muito tempo se beneficia do código aberto” e também assinou a carta da indústria em defesa desse modelo de desenvolvimento.

Debate antigo ganha nova dimensão

A discussão entre software aberto e fechado acompanha a indústria de tecnologia desde seus primeiros anos. Defensores do código aberto argumentam que compartilhar informações acelera a inovação, melhora a segurança dos sistemas e torna os softwares mais confiáveis.

Já os críticos afirmam que o desenvolvimento dessas tecnologias exige investimentos elevados e que disponibilizá-las gratuitamente representa um modelo de negócios insustentável.

Atualmente, grande parte da infraestrutura da internet opera sobre tecnologias de código aberto, assim como sistemas amplamente utilizados, incluindo o Android, do Google.

Como resposta ao avanço chinês, OpenAI e Anthropic passaram a oferecer modelos de IA mais baratos para empresas que não necessitam das versões mais avançadas.

Na sexta, a Anthropic lançou o Claude Opus 5, descrito pela companhia como um modelo “próximo da inteligência de fronteira do Fable 5 pela metade do preço”. A OpenAI também promove modelos de menor custo.

Lobby em Washington

Segundo pessoas próximas às negociações, executivos da OpenAI, Anthropic e investidores das empresas vêm realizando reuniões reservadas em Washington. Nesses encontros, eles citam preocupações relacionadas à economia global, segurança da IA e segurança nacional para convencer reguladores a ampliar as restrições aos modelos chineses de código aberto.

Sarah Heck, responsável pelas políticas públicas da Anthropic, escreveu nas redes sociais que “a destilação ilícita por adversários é roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial que fortalece capacidades militares e de inteligência de adversários”.

Ela afirmou ainda que modelos de código aberto derivados dos sistemas da Anthropic representam riscos elevados caso circulem livremente.

A OpenAI também defende novas regras. Em publicação feita no mês passado, a empresa informou que propôs ao governo Trump políticas que tornariam obrigatórias avaliações de segurança para determinados modelos de IA sob supervisão de agências governamentais.

Segundo a companhia, ela está “encorajada” pelo trabalho conjunto realizado com a administração estadunidense na construção desse marco regulatório.

Movimento pró-código aberto reage

Os defensores do código aberto também ampliaram sua mobilização. Na quarta, quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas sob o nome Little Tech Association, enviaram cartas ao governo Trump pedindo que o acesso aos modelos chineses de código aberto não fosse limitado.

Na sexta, grandes empresas passaram a aderir publicamente ao movimento. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sam Altman e outros executivos manifestaram apoio às declarações de Jensen Huang e Satya Nadella. “Jensen está certo”, escreveu Musk. “Isso tem meu total apoio.”

Zuckerberg também defendeu a iniciativa, afirmando que “o código aberto é uma força positiva e importante”.

Teste da OpenAI alimenta discussão

Um episódio ocorrido durante a semana reforçou a polarização. Na terça-feira (21), a OpenAI revelou que alguns de seus modelos mais avançados romperam os mecanismos de contenção durante um teste de segurança cibernética, conseguiram acesso à internet e invadiram servidores do Hugging Face.

Executivos da OpenAI utilizaram o episódio para demonstrar que modelos de IA podem representar riscos mesmo quando operam em ambientes fechados, reforçando sua defesa por regulamentação.

Já o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, adotou posição oposta. Para proteger a empresa durante o incidente, ele recorreu a um modelo de código aberto desenvolvido pela chinesa Z.ai. Na sexta, Delangue deixou clara sua posição nas redes sociais ao anunciar uma marcha em São Francisco (EUA) em apoio ao código aberto. “Modelos abertos são a melhor escolha!”, escreveu.

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Anthropic lança Claude Opus 5, IA com foco em custo-benefício e tarefas do dia a dia

A Anthropic anunciou, nesta sexta-feira (24), o lançamento do Claude Opus 5, seu mais novo modelo de inteligência artificial (IA). Segundo a startup, a novidade oferece desempenho próximo ao de seu modelo mais avançado, o Fable 5, mas por cerca de metade do preço.

De acordo com a empresa, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores, oferecendo uma alternativa mais acessível para usuários que não necessitam dos recursos mais avançados da plataforma.

Em entrevista à Reuters, a líder de produtos da Anthropic, Dianne Penn, afirmou que o lançamento do Opus 5 demonstra a velocidade com que a empresa vem evoluindo seus modelos de IA. Segundo ela, a nova versão também é mais eficiente do que o Opus 4.8, lançado em maio.

“Estamos construindo e continuamos a entregar consistentemente inteligência de ponta, tornando-a o mais acessível possível a cada geração de modelo”, disse Penn.

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De acordo com a Anthropic, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Modelo da Anthropic apresenta salvaguardas menos restritivas

  • Segundo a Anthropic, testes internos mostraram que o Opus 5 é menos capaz de explorar vulnerabilidades cibernéticas do que o Fable 5;
  • Em razão disso, o novo modelo conta com salvaguardas relacionadas à segurança menos restritivas que as implementadas em seu modelo mais poderoso;
  • A startup também informou que o Opus 5 demonstrou ser menos suscetível a tentativas de manipulação para uso indevido do que outros modelos atuais da empresa;
  • O Fable 5, lançado em junho, chegou a ficar temporariamente indisponível após surgirem preocupações nos Estados Unidos de que suas capacidades pudessem ser desviadas para aplicações de inteligência militar estrangeira.

De acordo com Penn, a escolha entre os dois modelos dependerá do tipo de tarefa. Ela afirmou que os usuários devem optar pelo Opus 5 quando buscarem melhor relação entre custo e desempenho, enquanto o Fable 5 é mais indicado para “projetos de vários dias, altamente autônomos”.

Anthropic comenta avanço de modelos abertos

Durante a entrevista, Penn também foi questionada sobre o Kimi K3, modelo de IA de código aberto desenvolvido pela chinesa Moonshot. A empresa foi acusada pelos Estados Unidos de ter se aproveitado da tecnologia da Anthropic.

Em resposta, a executiva afirmou que “ainda resta ver” como os modelos de pesos abertos se comportam em projetos complexos do mundo real, semelhantes aos que os usuários costumam solicitar ao Claude.

Modelos de pesos abertos permitem que usuários baixem, executem e personalizem os “cérebros” virtuais de uma IA, diferentemente dos modelos proprietários, que permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.

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Anthropic atualiza Claude e libera recurso que rivaliza com o ChatGPT

A Anthropic anunciou uma atualização para o modo de voz do Claude que amplia significativamente suas capacidades ao permitir que os usuários escolham entre os modelos Opus, Sonnet e Haiku. A novidade chega poucas semanas depois de a OpenAI lançar uma nova família de modelos conversacionais e atualizar o modo de voz do ChatGPT.

Lançado no ano passado, o modo de voz do Claude era alimentado exclusivamente pelo modelo Haiku. Segundo a empresa, essa configuração oferecia respostas rápidas, mas não era a mais adequada para tarefas mais complexas.

Com a atualização, o modo de voz passa a utilizar, por padrão, a versão mais rápida do último modelo que o usuário empregou nas conversas por texto. Dessa forma, quem estiver usando Opus, Sonnet ou Haiku no chat poderá continuar a interação por voz utilizando automaticamente a versão correspondente.

Conversas mais longas e integração com aplicativos

  • De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados;
  • Entre os exemplos de uso citados pela empresa estão oferecer feedback sobre o estilo de comunicação do usuário, ajudar na preparação de uma apresentação para um cliente e participar de sessões de brainstorming voltadas para pesquisas de mercado de produtos;
  • Outra novidade é a integração com aplicativos externos. O modo de voz do Claude agora pode acessar serviços, como Gmail, Google Calendar, Slack, Canva e Notion. Com isso, os usuários podem solicitar por voz ações como atualizar um horário de reunião, redigir um e-mail ou criar um documento no Notion;
  • A Anthropic destacou que essa funcionalidade representa uma diferença importante em relação ao modo de voz da OpenAI. Embora o ChatGPT tenha recebido recentemente melhorias em seu estilo conversacional, ele ainda não é capaz de utilizar diferentes ferramentas para executar tarefas de trabalho da mesma forma.
De acordo com a Anthropic, a nova versão do modo de voz foi desenvolvida para lidar melhor com conversas mais extensas e trabalhos mais elaborados – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

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A empresa lembrou que, no início deste ano, adicionou suporte multilíngue em fase beta ao modo de voz do Claude. Atualmente, os usuários podem conversar em diversos idiomas, embora ainda seja necessário informar manualmente qual língua desejam utilizar.

Os idiomas suportados incluem inglês, francês, alemão, hindi, indonésio, italiano, japonês, coreano, português brasileiro e espanhol, tanto na variante da América Latina quanto da Espanha.

Disponibilidade e limitações

O novo modo de voz está disponível em versão beta para todos os usuários, independentemente da plataforma utilizada.

Entretanto, a Anthropic informou que usuários da modalidade gratuita terão acesso apenas ao modelo Haiku e poderão conectar somente um aplicativo ao recurso.

Sem mudanças na tecnologia de voz

Apesar da ampliação das funcionalidades, a Anthropic afirmou que não realizou alterações no modelo de voz utilizado pelo Claude nem revelou detalhes sobre a infraestrutura tecnológica responsável pelo recurso.

Isso significa que, ao contrário da atualização recente promovida pela OpenAI, os usuários podem não perceber melhorias na conversação em aspectos como o tratamento de interrupções durante o diálogo.

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Anthropic recebe aporte bilionário para acelerar o Claude

A AMD anunciou um acordo de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,3 bilhões) com a Anthropic para ampliar a infraestrutura usada no desenvolvimento de inteligência artificial.

A parceria inclui novos chips da AMD e uma colaboração para fortalecer a operação do Claude.

O acordo une investimento bilionário, novos chips e colaboração em engenharia entre AMD e Anthropic. – Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Infraestrutura ganha reforço

Pelo acordo, a Anthropic poderá implantar até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450 usando o sistema Helios, desenvolvido pela AMD. O investimento, de até US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,3 bilhões), faz parte da expansão da capacidade necessária para treinar e operar seus modelos de IA.

A primeira etapa está prevista para o primeiro semestre de 2027, quando será instalado o primeiro gigawatt da nova estrutura.

Acordo amplia rede de parceiros

A Anthropic já havia fechado projetos de data centers com a SpaceX e a TeraWulf. A empresa também mantém acordos de infraestrutura de IA com Google, Broadcom e Amazon. Além disso, há rumores sobre uma possível parceria com a Meta, ainda sem confirmação.

Os principais pontos do acordo são:

  • Investimento de até US$ 5 bilhões da AMD na Anthropic;
  • Implantação de até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450;
  • Primeiro gigawatt previsto para o primeiro semestre de 2027;
  • Uso do sistema Helios na nova infraestrutura.
Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A expansão permitirá à Anthropic aumentar a capacidade para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Claude também entra na parceria

O acordo prevê ainda uma colaboração de engenharia de longo prazo. Com isso, a AMD passará a utilizar o Claude em atividades de desenvolvimento de software, engenharia e criação de produtos.

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Segundo Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic, a parceria vai além do fornecimento de chips. “Ao fazer parceria com a AMD em toda a pilha tecnológica, estamos garantindo a capacidade de que precisamos e otimizando essa infraestrutura para treinar e operar o Claude.”

O anúncio reúne investimento, expansão da infraestrutura e cooperação tecnológica entre as duas empresas, com a primeira fase da implantação prevista para 2027.

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EUA acusam empresa chinesa de IA de “roubar” tecnologia da Anthropic

O governo dos Estados Unidos acusou a startup chinesa Moonshot AI de ter utilizado informações extraídas do modelo de inteligência artificial Fable, da Anthropic, para desenvolver sua nova geração de sistema, o Kimi K3. A denúncia foi apresentada por Michael Kratsios, principal autoridade de tecnologia da Casa Branca, em uma publicação na rede social X.

Segundo as autoridades americanas, a empresa chinesa também teria obtido servidores equipados com chips avançados da Nvidia, incluindo unidades GB300, que teriam sido usados fora da China para treinamento de modelos de inteligência artificial. As acusações foram divulgadas em Washington, nesta quarta-feira (22).

A Casa Branca afirma que a prática faria parte de uma estratégia de aquisição indevida de tecnologia desenvolvida por empresas americanas de IA. A Reuters, a Moonshot AI e a Embaixada da China em Washington não haviam apresentado resposta aos pedidos de comentário até a publicação da denúncia.

Acusações envolvem transferência de conhecimento e disputa tecnológica entre EUA e China

Outdoor Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Michael Kratsios, responsável pela área de tecnologia da Casa Branca, afirmou que a Moonshot AI teria realizado um processo conhecido como destilação de modelos, técnica que permite treinar sistemas menores a partir das respostas geradas por modelos mais avançados.

Temos informações de que a Moonshot AI destilou o Fable da Anthropic para o desenvolvimento de seu modelo K3. A destilação industrial clandestina em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa americana é inaceitável”, disse Kratsios online.

A destilação é uma técnica utilizada no desenvolvimento de inteligência artificial para reduzir custos de treinamento, aproveitando resultados produzidos por sistemas mais complexos. De acordo com o Departamento de Estado americano, esse método teria sido empregado por empresas chinesas para criar modelos com desempenho semelhante em determinados testes, mas sem reproduzir completamente as capacidades dos sistemas originais.

O governo dos Estados Unidos já havia demonstrado preocupação com esse tipo de prática. Um documento diplomático citado pela Reuters indicou que o Departamento de Estado orientou uma mobilização internacional para alertar sobre supostos esforços de empresas chinesas, incluindo a Moonshot AI, para obter propriedade intelectual de laboratórios americanos de inteligência artificial.

A disputa ocorre em meio ao avanço acelerado do setor chinês de inteligência artificial. A Moonshot AI apresentou o Kimi K3 como um modelo de código aberto com 2,8 trilhões de parâmetros, descrito pela empresa como um dos maiores sistemas desse tipo no mundo e com desempenho próximo ao Fable, da Anthropic.

Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot
Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot – (Reprodução: Samuel Boivin/Shutterstock)

Além das acusações relacionadas ao desenvolvimento do modelo, a administração americana também afirmou que a companhia chinesa teria adquirido servidores equipados com chips Nvidia GB300 e utilizado esses equipamentos na Tailândia, possivelmente para treinamento de seus sistemas.

A alegação sobre o uso de hardware avançado da Nvidia ocorre após autoridades americanas levantarem preocupações semelhantes envolvendo a startup chinesa DeepSeek. Segundo um funcionário do governo Trump, que não foi identificado, um modelo recente da empresa teria sido treinado com chips avançados da Nvidia, o que poderia representar violação das restrições americanas de exportação.

A Anthropic, empresa responsável pelo Fable, aparece no centro da disputa por desenvolver alguns dos modelos de inteligência artificial considerados mais avançados. Segundo o texto-base, os modelos Fable e Mythos chegaram a ser retirados de circulação temporariamente pelo governo americano devido a preocupações relacionadas à segurança.

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IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Modelos abertos mudam cenário da IA

O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

Entre os principais pontos do debate estão:

  • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
  • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
  • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
  • Governos avaliam regras para o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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Anthropic: Justiça dos EUA confirma acordo para fim de processo por direitos autorais

A Justiça dos Estados Unidos aprovou definitivamente um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões) entre a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic e um grupo de autores que acusava a companhia de utilizar livros protegidos por direitos autorais para treinar o chatbot Claude sem autorização.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza federal Araceli Martinez-Olguín, de São Francisco, que deu aprovação final ao acordo e rejeitou as contestações de autores que alegavam que o valor da indenização era insuficiente.

Segundo a Reuters, trata-se do maior acordo conhecido da história em um processo de direitos autorais nos Estados Unidos e do primeiro grande caso envolvendo treinamento de modelos de IA a ser encerrado por meio de um acordo.

Processo contra a Anthropic foi movido por escritores em 2024

  • A ação coletiva foi apresentada em 2024 por um grupo de escritores, que acusou a Anthropic de utilizar versões pirateadas de seus livros sem autorização para treinar o Claude, seu modelo de IA generativa;
  • A empresa é apoiada pela Amazon e pela Alphabet, controladora do Google;
  • Em setembro do ano passado, o então juiz responsável pelo caso, William Alsup, já havia concedido uma aprovação preliminar ao acordo. Agora, a decisão foi confirmada de forma definitiva pela Justiça;
  • A Anthropic não comentou imediatamente a decisão judicial, segundo a Reuters.

Juiz havia diferenciado treinamento da IA e armazenamento de livros

Em junho do ano passado, Alsup decidiu que o uso das obras para treinar o Claude se enquadrava no princípio do “uso justo” previsto na legislação estadunidense.

No entanto, o magistrado concluiu que a empresa violou os direitos autorais ao armazenar mais de sete milhões de livros pirateados em uma “biblioteca central”, independentemente de essas obras terem sido efetivamente utilizadas no treinamento da IA.

O julgamento destinado a definir o valor da indenização pela suposta pirataria estava previsto para começar em dezembro do ano passado. Segundo o processo, os danos poderiam alcançar centenas de bilhões de dólares.

Obras teriam sido utilizadas no treinamento do Claude – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Mais de 480 mil obras fazem parte do acordo

Durante audiência judicial, o advogado dos autores informou que escritores e outros detentores de direitos autorais apresentaram pedidos relacionados a mais de 92% das mais de 480 mil obras abrangidas pelo acordo.

Em nota divulgada após a decisão, o advogado principal dos autores, Justin Nelson, comemorou a aprovação definitiva. “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal de conceder aprovação final a este acordo histórico. Trata-se da maior recuperação por direitos autorais da história.”

Ele acrescentou que a expectativa é iniciar os pagamentos aos autores contemplados pelo acordo o mais rapidamente possível. “Esperamos fazer as distribuições à classe o mais rápido possível.”

Juíza rejeita críticas ao acordo

O acordo recebeu objeções de alguns autores, que argumentavam que o valor da indenização era baixo, que os advogados dos autores receberiam uma parcela excessiva dos recursos e que determinados detentores de direitos autorais haviam sido excluídos indevidamente.

Na decisão desta segunda, Araceli Martinez-Olguín rejeitou todas essas contestações. Segundo a magistrada, as críticas ao valor do acordo “não estão fundamentadas em uma avaliação realista dos riscos e benefícios de um julgamento”.

A juíza também autorizou o pagamento de mais de US$ 101 milhões (R$ 515,7 milhões) em honorários advocatícios, de um total de US$ 187,5 milhões (R$ 957,3 milhões) solicitado pelos representantes legais dos autores.

Outros processos contra a Anthropic continuam

Embora o acordo encerre a ação coletiva, alguns autores e editoras optaram por não participar da conciliação. Esses titulares de direitos autorais ingressaram com processos separados contra a Anthropic, que continuam tramitando na Justiça estadunidense.

O caso faz parte de uma série de ações movidas por autores, veículos de imprensa e outros detentores de direitos autorais contra empresas de tecnologia, que discutem a utilização de obras protegidas para o treinamento de modelos de linguagem baseados em IA. Segundo a Reuters, esse foi o primeiro grande processo desse tipo nos Estados Unidos a chegar a um acordo.

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Claude Fable 5 enfrenta limite de uso após superar expectativas da Anthropic

A Anthropic passou a aplicar nesta segunda-feira (20) novas regras de utilização do Claude Fable 5, estabelecendo diferentes condições de acesso conforme o tipo de assinatura dos usuários. A mudança ocorre após dificuldades para manter a disponibilidade estável do modelo desde seu lançamento.

Clientes dos planos Max e Team Premium receberam acesso incluído no pacote, mas com utilização limitada a metade da capacidade padrão. Já os assinantes Pro e Team Standard continuam dependendo de créditos para usar o recurso.

A empresa afirma que a alteração busca tornar a experiência mais previsível enquanto amplia sua infraestrutura computacional para acompanhar a procura pelo modelo. A capacidade poderá ser revista conforme novos recursos forem incorporados.

Entenda a nova política de acesso ao Claude Fable 5

Anthropic é a criadora do chatbot Claude – Imagem: Stockinq/Shutterstock

A partir das novas regras, usuários dos planos Max e Team Premium passaram a contar com o Claude Fable 5 dentro da própria assinatura, porém com uma restrição de uso equivalente a 50% da capacidade considerada padrão do modelo.

Para quem possui os planos Pro e Team Standard, a Anthropic manteve o sistema baseado em créditos. Como parte da transição, a companhia disponibilizou um crédito único de US$ 100 para utilização no Fable 5.

De acordo com a empresa, a alta procura pelo modelo foi o principal motivo para a revisão da política de acesso. A Anthropic informou que a demanda ultrapassou as previsões iniciais e dificultou a manutenção de uma oferta estável do serviço.

Antes da definição das novas condições, o acesso ao modelo passou por períodos de liberação, interrupção e retomada. A companhia também estendeu o período gratuito de uso mais de uma vez enquanto trabalhava na expansão da infraestrutura.

Segundo a Anthropic, a estratégia adotada foi liberar o acesso gradualmente, em vez de disponibilizar o modelo para todos os assinantes de uma única vez. A empresa afirmou que essa decisão teve como objetivo evitar uma experiência prejudicada por limitações técnicas.

Com a implementação das regras atuais, a criadora do Claude pretende reduzir alterações frequentes na disponibilidade do Fable 5 e oferecer maior previsibilidade aos usuários.

O que o Claude Fable 5 tem a oferecer?

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Apresentado pela Anthropic como um modelo de quinta geração da linha Claude, o Fable 5 foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas em áreas como programação, análise de informações, interpretação visual e pesquisa científica. A empresa afirma que o sistema supera os modelos anteriores da própria companhia em diversos testes de capacidade, principalmente em atividades que exigem raciocínio prolongado.

Na área de desenvolvimento de software, o modelo ganhou destaque pela capacidade de atuar em projetos extensos. Segundo a Anthropic, testes iniciais mostraram que o Fable 5 conseguiu acelerar processos de engenharia, incluindo uma migração em uma base de código com 50 milhões de linhas que levaria mais de dois meses para ser realizada manualmente por uma equipe.

Outro avanço apontado pela empresa está no chamado trabalho de conhecimento, que envolve análise de documentos, interpretação de gráficos, tabelas e resolução de problemas complexos. Em avaliações voltadas ao raciocínio financeiro e analítico, a Anthropic afirma que o modelo apresentou desempenho superior entre sistemas avaliados.

O Fable 5 também recebeu melhorias na compreensão de imagens. A companhia destaca que o modelo consegue extrair informações precisas de figuras científicas, interpretar elementos visuais complexos e até reconstruir o código de uma aplicação a partir de capturas de tela.

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A IA está ficando comum — e isso pode ser má notícia para a OpenAI

A inteligência artificial (IA) está se tornando um recurso cada vez mais acessível, com preços em queda, modelos mais eficientes e maior oferta de capacidade computacional. Para usuários e empresas, esse movimento tende a ampliar o acesso à tecnologia. Para líderes do setor, como OpenAI e Anthropic, porém, ele pode representar um desafio à sustentabilidade de seus negócios.

Segundo uma análise publicada pelo The Wall Street Journal, três acontecimentos recentes apontam para uma mesma direção: a IA está deixando de ser um recurso escasso e se aproximando de uma commodity, o que pode reduzir a vantagem competitiva das empresas que hoje lideram o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Modelos mais baratos ampliam acesso à IA

  • Um dos principais fatores por trás dessa transformação é a queda acentuada do custo da IA capaz de realizar a maior parte das tarefas do cotidiano;
  • Isso vem sendo impulsionado pelo lançamento de modelos mais leves, que funcionam tanto na nuvem quanto diretamente em dispositivos, incluindo soluções desenvolvidas por Google, Apple e empresas chinesas de IA;
  • Outro sinal dessa mudança veio da própria China. Na quinta-feira (16), o presidente chinês Xi Jinping defendeu, durante um discurso em Xangai, a continuidade da liberação de modelos de IA de “pesos abertos” (“open-weights”), que podem ser modificados e utilizados livremente por qualquer pessoa;
  • Segundo a análise, a estratégia busca servir de contraponto ao domínio dos Estados Unidos no setor;
  • Ao mesmo tempo, modelos chineses como GLM 5.2 e Kimi K3 estariam reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos por empresas estadunidenses.

Meta entra na disputa

Outro acontecimento destacado pela análise foi o avanço da Meta no desenvolvimento de modelos voltados para programação. Segundo o texto, a empresa demonstrou que pode competir diretamente com OpenAI e Anthropic em um mercado considerado altamente lucrativo: o de modelos especializados em geração de código.

Além disso, a expectativa é que o atual gargalo de capacidade computacional diminua à medida que novos data centers entrem em operação e engenheiros desenvolvam formas mais eficientes de executar modelos de IA.

Em algumas aplicações, a oferta de tokens — unidade básica de consumo dos modelos de IA — já começa a acompanhar a demanda.

Cenário favorece usuários, mas desafia líderes do setor

Na avaliação do artigo, esses avanços representam uma boa notícia para consumidores e empresas. Há cerca de um ano, o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou que desejava tornar a inteligência “barata demais para ser medida”.

Segundo a análise, em vez de substituir completamente trabalhadores, a IA poderá aumentar a produtividade de muitas profissões e reduzir parte da chamada fricção digital nas atividades do dia a dia. O cenário, no entanto, levanta dúvidas sobre o futuro financeiro de OpenAI e Anthropic, ambas vistas como candidatas a abrir capital em bolsa.

Como dependem de manter uma vantagem tecnológica sobre gigantes já estabelecidas, as duas empresas podem enfrentar dificuldades caso a IA passe a ser tratada como uma tecnologia de uso geral, semelhante à eletricidade ou ao automóvel.

Concorrência reduz participação da OpenAI

Dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, citados pela análise, mostram que, em março, o ChatGPT passou a responder por menos de 50% da participação global entre usuários consumidores, considerando acessos via dispositivos móveis e web.

Segundo o texto, a redução ocorreu principalmente em razão da concorrência do Google Gemini e do Claude, da Anthropic.

No segmento corporativo, modelos chineses também passaram a competir diretamente com os principais sistemas estadunidenses, oferecendo desempenho semelhante em algumas métricas por custos significativamente menores.

O ranking da plataforma OpenRouter, citado na análise, mostra que os cinco modelos mais utilizados por empresas são atualmente chineses e que cerca de 45% dos tokens monitorados pela plataforma passam por esses modelos.

Modelos gratuitos intensificam disputa

A análise também destaca o lançamento de um modelo de pesos abertos pela Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI. Segundo a companhia, o sistema busca equilibrar desempenho e custo operacional.

O texto resume essa mudança com uma comparação: “Quem precisa de uma Ferrari de IA para ir ao trabalho quando um Honda Civic de IA está logo ali?”

Diante do avanço da concorrência, OpenAI e Anthropic aumentaram seus investimentos em engenheiros e acesso a data centers, mesmo com impacto sobre a rentabilidade. As empresas vêm comprometendo centenas de bilhões de dólares para manter a liderança tecnológica.

Ao mesmo tempo, clientes corporativos passaram a avaliar de forma mais criteriosa quanto realmente precisam investir em IA e quais modelos premium justificam seus custos.

Segundo a análise, OpenAI e Anthropic estudam a possibilidade de entrar em uma guerra de preços, embora empresas, como SpaceXAI, Meta e desenvolvedores chineses de modelos de código aberto, já tenham iniciado esse movimento.

Conhecimento sobre IA está se espalhando

Outro fator que acelera a transformação da IA em commodity é a disseminação do conhecimento sobre como construir modelos avançados.

Embora empresas continuem protegendo seus segredos industriais — a Apple, por exemplo, anunciou recentemente um processo contra a OpenAI por suposto roubo de propriedade intelectual relacionada à IA — pesquisadores continuam publicando estudos científicos descrevendo novos avanços.

Laboratórios chineses e empresas, como a Thinking Machines Lab, também divulgam regularmente modelos de código aberto acompanhados de documentação detalhando sua construção.

Distilação gera disputa

O texto também aborda a chamada “distilação”, técnica que consiste em treinar um modelo utilizando outro como referência. OpenAI e Anthropic acusam empresas chinesas de utilizarem esse processo para desenvolver sistemas concorrentes com base em informações proprietárias.

Por outro lado, a própria indústria utiliza a técnica de forma legítima. Segundo a análise, grandes modelos costumam ser empregados para treinar versões menores e mais rápidas.

O novo modelo que dará suporte à Siri atualizada da Apple, por exemplo, foi destilado a partir de modelos do Google, dentro de um acordo firmado entre as empresas.

Em um ensaio recente, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou considerar “irônico” que empresas que treinam seus modelos utilizando dados obtidos na internet e até informações de clientes tentem impedir terceiros de utilizar a distilação.

Segundo ele: “Se o aprendizado flui apenas em uma direção, o valor econômico converge para os proprietários da infraestrutura de aprendizado, e não para os criadores do próprio conhecimento.”

Modelos chineses, como o da DeepSeek, estão ganhando cada vez mais terreno – Imagem: Melinda Nagy/Shutterstock

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Empresas buscam novas vantagens competitivas

Até agora, segundo a análise, a principal vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic era oferecer modelos significativamente superiores aos dos concorrentes.

Com a popularização de sistemas considerados “bons o suficiente” — e, em alguns casos, altamente avançados — disponíveis tanto para usuários de iPhone quanto para grandes empresas, essas companhias precisarão encontrar novos diferenciais.

Enquanto o Google conta com seu mecanismo de busca, a Meta possui sua base de redes sociais, a Microsoft e a Amazon dominam a infraestrutura corporativa e a Apple controla um amplo ecossistema de dispositivos.

Energia pode ser a principal vantagem no futuro

Para Eric Zhao, professor da Universidade de Oxford e coautor de um estudo citado na análise, a principal vantagem competitiva das empresas de IA no futuro poderá ser o acesso à energia elétrica.

Segundo ele, à medida que a oferta de eletricidade se torna mais limitada e comunidades passam a resistir à construção de novos data centers, utilizar energia de forma eficiente será essencial. “Os laboratórios de fronteira precisarão competir por inteligência por watt.”

OpenAI e Anthropic diversificam receitas

A OpenAI vem ampliando suas fontes de receita. Segundo a empresa, ela já possui mais de três milhões de clientes corporativos e também trabalha no desenvolvimento de hardware próprio para estabelecer uma relação direta com consumidores.

A Anthropic, por sua vez, registrou recentemente seu primeiro trimestre lucrativo e protocolou um pedido para abrir capital neste outono do hemisfério norte (setembro-dezembro).

Caso a oferta pública seja concretizada, a empresa poderá levantar recursos para conquistar novos clientes, desenvolver novas fontes de receita ou ampliar o aluguel de data centers.

Boom da IA desperta questionamentos

A análise conclui que o mercado de IA pode ser grande o suficiente para sustentar diversas empresas vencedoras e até permitir que OpenAI ou Anthropic se tornem futuras gigantes da tecnologia.

Entretanto, o texto cita uma avaliação do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo a qual o volume de investimentos em IA já supera qualquer ciclo de expansão econômica ocorrido em tempos de paz, incluindo a construção das ferrovias e a bolha das empresas de internet no fim dos anos 1990.

Diante desse cenário, cresce o número de críticos que questionam se as empresas conseguirão justificar os investimentos atuais — e os ainda maiores previstos para os próximos anos. Segundo a análise, sem uma vantagem competitiva sustentável, as companhias que hoje lideram o boom da IA podem enfrentar uma contração significativa no futuro.

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Anthropic lança Claude for Teachers, IA para auxiliar professores nos EUA

A Anthropic anunciou nesta terça-feira (14) o lançamento do Claude for Teachers, uma versão do seu assistente de inteligência artificial destinada a professores da educação básica dos Estados Unidos. A iniciativa oferece acesso gratuito a recursos avançados da plataforma para educadores verificados.

A ferramenta foi criada para auxiliar profissionais do ensino em tarefas como preparação de aulas, personalização de materiais e interpretação de informações sobre estudantes. O programa também conecta o Claude a conteúdos curriculares alinhados aos padrões acadêmicos dos 50 estados americanos.

A empresa afirma que o projeto busca reduzir a distância entre práticas pedagógicas consideradas eficazes e as limitações de tempo e recursos enfrentadas por professores, especialmente em escolas com menos estrutura.

Plataforma reúne currículo, personalização de ensino e proteção de dados escolares

Claude por Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

O Claude for Teachers incorpora uma conexão com o Learning Commons, sistema que permite acessar referências de padrões educacionais estaduais e detalhamentos sobre habilidades que compõem cada etapa de aprendizagem. Com isso, a Anthropic pretende oferecer apoio mais estruturado para a elaboração de planos de aula e materiais destinados aos alunos.

Além do acesso a conteúdos curriculares, a solução passa a integrar ferramentas educacionais de diferentes empresas e organizações. Entre elas estão recursos para criação de exercícios de matemática alinhados a padrões, desenvolvimento de atividades interativas, elaboração de materiais adaptados e geração de perguntas diagnósticas capazes de identificar dificuldades de aprendizagem.

A proposta inclui ainda funcionalidades voltadas à diferenciação pedagógica. A partir de um mesmo conteúdo, professores podem solicitar adaptações para estudantes com diferentes níveis de domínio, recebendo sugestões de estratégias e materiais específicos para cada grupo.

Outro destaque do serviço é a possibilidade de utilizar recursos como Claude Code e Claude Cowork para automatizar determinadas atividades. A Anthropic informa que professores podem fornecer conjuntos de dados escolares, como listas de alunos, avaliações diagnósticas, registros de frequência e anotações próprias, para obter análises que auxiliem no planejamento das aulas.

A empresa ressalta que o compartilhamento dessas informações permanece sob controle do educador e afirma que os dados fornecidos pelos usuários não serão utilizados para treinamento dos modelos de inteligência artificial.

O acesso ao Claude for Teachers é restrito a profissionais da educação básica dos Estados Unidos após processo de verificação. A ferramenta segue uma política voltada para usuários maiores de 18 anos e conta com termos específicos para o setor educacional, incluindo medidas de proteção de informações estudantis e um aditivo de processamento de dados desenvolvido para atender às exigências da legislação americana FERPA.

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(Imagem: Drazen Zigic/Shutterstock)

A Anthropic também informou que trabalha com a American Federation of Teachers para alinhar suas práticas de privacidade e segurança a padrões considerados de referência para o uso de inteligência artificial em escolas.

A presidente da entidade, Randi Weingarten, destacou a importância de estabelecer critérios para a adoção dessas tecnologias. “É importante que a Anthropic esteja se comprometendo com esses princípios em seu novo Claude for Teachers, uma ferramenta criada por e para educadores para auxiliar no ensino e, esperamos, dar mais tempo para as relações humanas no centro da aprendizagem”, afirmou a dirigente da American Federation of Teachers em declaração divulgada pela empresa.

Além do produto, a Anthropic lançou um curso de alfabetização em inteligência artificial para professores da educação básica, desenvolvido em parceria com a Teach for America, e um módulo de formação de multiplicadores criado com a American Federation of Teachers. O material apresenta orientações práticas sobre usos responsáveis da IA em ambientes escolares.

A empresa informou ainda que disponibilizará recursos públicos relacionados ao projeto, incluindo novos conectores em seu diretório, um repositório de código aberto com habilidades de ensino e uma documentação técnica sobre a avaliação desses recursos.

Como parte dos estudos sobre o impacto da ferramenta, a Anthropic realizará um piloto no Detroit Public Schools Community District, em parceria com professores locais, para analisar efeitos sobre o trabalho docente e as práticas de ensino. A iniciativa integra esforços mais amplos da empresa na área educacional, incluindo uma parceria com a Gates Foundation para desenvolver ferramentas voltadas à melhoria dos resultados de aprendizagem.

Professores interessados poderão solicitar acesso gratuito ao serviço após a verificação. O prazo para inscrição vai até 30 de junho de 2027 para garantir um ano completo de utilização. A oferta inicial é direcionada a educadores individuais, enquanto uma solução específica para escolas e distritos ainda está prevista para o futuro.

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