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Anthropic paga bilhões à SpaceX e negocia com Microsoft para expandir infraestrutura de IA

A Anthropic, empresa de inteligência artificial, conduz negociações com a Microsoft para acesso a chips de servidores de IA, conforme informações divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo The Information. A iniciativa busca aumentar sua capacidade de processamento para sustentar a demanda crescente por seus modelos Claude.

Em paralelo, a companhia firmou um contrato de larga escala para utilização de centros de dados associados à SpaceX, localizados em Memphis, nos Estados Unidos. O acordo envolve pagamentos anuais estimados em 15 bilhões de dólares.

As duas movimentações indicam a intensificação da disputa por infraestrutura computacional no setor de IA, com contratos que combinam expansão de capacidade e mecanismos de flexibilidade operacional.

Para quem tem pressa:

  • A Anthropic busca ampliar sua capacidade de IA negociando acesso a chips da Microsoft e avançando em novas parcerias de infraestrutura;
  • A empresa também fechou um acordo de US$ 15 bilhões por ano com data centers ligados à SpaceX em Memphis até 2029;
  • Os contratos incluem cláusulas de ajuste e saída rápida, refletindo a disputa global por poder computacional em IA.

Expansão da base computacional e contratos de grande escala

Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

As tratativas com a Microsoft envolvem o uso de chips desenvolvidos para infraestrutura de inteligência artificial, conhecidos internamente como Maia.

Esses componentes fazem parte da estratégia da empresa de tecnologia para reduzir dependência de fornecedores externos e ampliar sua atuação no mercado de hardware para IA. No caso da Anthropic, o objetivo é utilizar esse tipo de recurso para executar seus modelos Claude com maior escala.

No outro eixo de sua estratégia, a empresa fechou um acordo com a SpaceX para acesso a centros de dados conhecidos como Colossus I e Colossus II.

O contrato estabelece pagamentos de aproximadamente 1,25 bilhão de dólares por mês (isto é, 15 bilhões anualmente), com vigência até 2029. O arranjo prevê ajustes de custo durante a fase inicial de expansão da capacidade operacional.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX – Imagem: Findaview/Shutterstock

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O acordo também inclui uma cláusula que permite a qualquer uma das partes encerrar a parceria mediante aviso prévio de 90 dias. Segundo informações vinculadas ao documento regulatório da SpaceX, o volume financeiro do contrato tem potencial para se aproximar ou até superar parte relevante da receita anual da empresa em 2025.

Além disso, o cenário descrito aponta para uma pressão crescente sobre empresas de IA na busca por poder computacional, em um ambiente marcado por limitações de infraestrutura e expansão acelerada de demanda.

Em declarações associadas ao tema, foi mencionado que a oferta de capacidade de processamento em larga escala está se tornando um componente estratégico central nesse mercado.

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Microsoft cancela licenças do Claude Code para desenvolvedores

A Microsoft está cancelando a maioria das licenças do Claude Code da Anthropic e direcionando milhares de seus desenvolvedores para o GitHub Copilot CLI. A decisão marca o fim de um experimento de seis meses que permitiu que funcionários da empresa experimentassem a ferramenta de codificação baseada em inteligência artificial (IA).

A empresa havia aberto acesso ao Claude Code em dezembro, convidando milhares de desenvolvedores internos a usar a ferramenta de codificação da Anthropic diariamente. O objetivo era permitir que gerentes de projetos, designers e outros funcionários experimentassem programação pela primeira vez. Segundo fontes, o Claude Code se tornou muito popular dentro da Microsoft nos últimos seis meses.

Microsoft faz transição forçada para o GitHub Copilot CLI

  • Apesar da popularidade, a Microsoft está planejando remover a maioria das licenças do Claude Code e direcionar desenvolvedores para o Copilot CLI;
  • A ferramenta da Anthropic acabou prejudicando a adoção do novo GitHub Copilot CLI da Microsoft — uma versão de linha de comando do GitHub Copilot que funciona fora de aplicações de desenvolvimento, como o Visual Studio Code;
  • A equipe Experiences + Devices da Microsoft, que inclui engenheiros responsáveis pelo Windows, Microsoft 365, Outlook, Microsoft Teams e Surface, está encerrando o uso do Claude Code até o final de junho;
  • Fontes indicaram ao The Verge que os engenheiros estão sendo encorajados a migrar seus fluxos de trabalho para o GitHub Copilot CLI nas próximas semanas, antes do prazo final.

A Microsoft está comunicando aos funcionários que a decisão visa convergir para o Copilot CLI como principal ferramenta de interface de linha de comando across a divisão Experiences + Devices. No entanto, fontes revelam que a decisão também tem motivação financeira.

“Quando começamos a oferecer o Copilot CLI e o Claude Code, nosso objetivo era aprender rapidamente, avaliar as ferramentas em fluxos de trabalho de engenharia reais e entender o que melhor atendia às nossas equipes”, diz Rajesh Jha, vice-presidente executivo do grupo de experiências e dispositivos da Microsoft, em memorando interno visto pelo Notepad.

“O Claude Code foi uma parte importante desse aprendizado… Ao mesmo tempo, o Copilot CLI nos proporcionou algo especialmente importante: um produto que podemos ajudar a moldar diretamente com o GitHub para os repositórios, fluxos de trabalho, expectativas de segurança e necessidades de engenharia da Microsoft.”

A mudança do uso do Claude Code para o GitHub Copilot promete ser um processo complicado para os engenheiros da Microsoft. Nos últimos meses, a empresa vinha incentivando até mesmo funcionários sem experiência em programação a utilizarem o Claude Code, permitindo que profissionais, como designers e gerentes de projeto, criassem protótipos com a ferramenta.

Em um primeiro momento, a estratégia da Microsoft também previa que os funcionários utilizassem simultaneamente o Claude Code e o GitHub Copilot. O objetivo era comparar o desempenho das duas plataformas e coletar feedback interno sobre a experiência de uso.

Apesar do encerramento, a relação entre Anthropic e Microsoft segue inabalada – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Segundo o Verge, os próprios desenvolvedores da Microsoft passaram a demonstrar preferência pelo Claude Code em vez do GitHub Copilot CLI nos últimos meses. Ainda de acordo com o relato, persistem diferenças e limitações entre os dois produtos que agora precisam ser solucionadas pela companhia.

A Microsoft chegou a considerar a aquisição da Cursor — que, recentemente, fechou acordo de cooperação com a SpaceX — nos últimos meses como forma de diminuir a distância em relação ao GitHub Copilot.

Posteriormente, porém, a empresa teria começado a avaliar outras startups de IA para fortalecer suas ambições no setor e evitar possíveis obstáculos regulatórios. “Estamos trabalhando em estreita colaboração com o GitHub e continuamos a aprimorar o Copilot CLI para engenheiros da Microsoft”, afirma Jha.

“A equipe do GitHub já implementou melhorias significativas com base no feedback da Microsoft, e a Experiences + Devices continuará intimamente envolvida na definição do produto. Essa é uma responsabilidade compartilhada entre o GitHub e a liderança da E+D: tornar o Copilot CLI a melhor experiência de programação orientada a agentes para engenheiros da Microsoft.

Os modelos da Anthropic continuarão acessíveis por meio do Copilot CLI, bem como modelos internos da Microsoft e a gama de modelos da OpenAI. A Microsoft também está incentivando os desenvolvedores a enviar relatórios de bugs e feedbacks sobre o Copilot CLI antes do fim do uso do Claude Code.

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Estreita parceria

A Microsoft se consolidou rapidamente, no início deste ano, como um dos principais clientes da Anthropic e, segundo relatos, chegou até mesmo a contabilizar a comercialização dos modelos de IA da empresa em suas próprias metas de vendas do Azure.

Em novembro, as duas companhias também firmaram um acordo que permite aos clientes do Microsoft Foundry acessar os modelos Claude Sonnet 4.5, Claude Opus 4.1 e Claude Haiku 4.5.

A decisão de cancelar as licenças do Claude Code não afeta o acordo envolvendo o Foundry. Ainda assim, funcionários da Microsoft continuam demonstrando preferência pelos modelos Claude em aplicações do Microsoft 365 e no Copilot, já que essas ferramentas têm apresentado desempenho superior ao das soluções da OpenAI em determinadas tarefas.

Recentemente, a Microsoft também colaborou de forma estreita com a Anthropic para integrar ao Microsoft 365 Copilot a tecnologia utilizada no Claude Cowork.

Com isso, cresce a pressão sobre a equipe do GitHub, pertencente à Microsoft, para aprimorar o Copilot CLI e, ao mesmo tempo, superar o Claude Code. No ano passado, a Microsoft informou que 91% de suas equipes de engenharia utilizavam o GitHub Copilot. Entretanto, o crescimento do uso do Claude Code nos últimos seis meses aparentemente afetou esse índice.

Agora, a empresa busca reverter esse cenário e fazer com que seus próprios engenheiros voltem a concentrar esforços no desenvolvimento de sua ferramenta de programação baseada em IA.

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Claude Mythos descobre falhas de segurança no macOS

Pesquisadores de segurança afirmam ter descoberto uma nova maneira de contornar os sistemas avançados de proteção da Apple utilizando técnicas identificadas durante testes realizados, em abril, com uma versão inicial da inteligência artificial (IA) Mythos, da Anthropic.

A descoberta foi feita por especialistas da Calif, empresa de pesquisa em segurança sediada em Palo Alto, na Califórnia (EUA). Segundo os pesquisadores, o método desenvolvido conecta duas falhas do MacOS a um conjunto de técnicas capazes de corromper a memória do computador e obter acesso a áreas do dispositivo que deveriam permanecer inacessíveis.

O mecanismo é classificado como um exploit de escalonamento de privilégios — tipo de ataque que, quando combinado com outras vulnerabilidades, pode permitir que hackers assumam o controle completo de uma máquina.

Para especialistas do setor, o caso chama atenção porque a Apple vem investindo intensamente para tornar o MacOS um dos sistemas operacionais mais difíceis de serem invadidos.

Michał Zalewski, pesquisador de segurança que trabalhou anteriormente no Google e revisou o estudo da Calif sem participar dos testes, afirmou ao The Wall Street Journal que a técnica é relevante justamente pelo nível de proteção implementado pela empresa.

O que diz a Apple sobre a descoberta

A Apple informou que está analisando o relatório produzido pela Calif para validar as conclusões apresentadas. A companhia também destacou que utiliza modelos avançados de IA para testar e corrigir vulnerabilidades.

Segurança é nossa principal prioridade, e levamos muito a sério relatos de potenciais vulnerabilidades”, declarou uma porta-voz da empresa.

Especialistas em cibersegurança vêm alertando que os modelos mais recentes de IA desenvolvidos por empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram a demonstrar capacidade significativamente maior de identificar falhas de software.

Segundo pesquisadores da área, o avanço dessas ferramentas alimenta temores de um cenário apelidado de “Bugmageddon”, caracterizado por uma explosão sem precedentes na descoberta de vulnerabilidades de segurança.

A preocupação envolve tanto a pressão sobre equipes técnicas responsáveis por corrigir falhas quanto os riscos cibernéticos decorrentes da identificação acelerada de brechas em sistemas amplamente utilizados.

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Apple afirma já estar estudando o relatório para reparar as falhas – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

Em setembro do ano passado, a Apple anunciou uma tecnologia chamada Memory Integrity Enforcement (MIE), apresentada pela empresa como resultado de um esforço de design e engenharia que teria levado cinco anos.

De acordo com a companhia, o sistema foi desenvolvido a partir da combinação de sua experiência em hardware e sistemas operacionais.

Segundo a Calif, utilizando o Claude — sistema de IA da Anthropic — foi possível desenvolver o código necessário para explorar as duas falhas do MacOS em apenas cinco dias. Apesar disso, os pesquisadores ressaltam que o ataque não poderia ter sido realizado apenas pela IA.

Thai Duong, diretor-executivo da Calif, afirmou que o processo ainda dependeu fortemente da experiência humana dos especialistas em segurança da empresa. Segundo ele, o Mythos demonstra grande capacidade para reproduzir ataques já documentados anteriormente, mas ainda não apresentou habilidade consistente para criar técnicas totalmente inéditas. “Ainda não vimos casos em que ele cria novas técnicas de ataque”, afirmou Duong. “Isso é algo novo.”

Zalewski também avaliou que parte do entusiasmo em torno do Mythos pode ser exagerada, mas reconheceu que as ferramentas mais recentes já permitem realizar “pesquisas significativas sobre vulnerabilidades e auditoria de código”.

Os pesquisadores da Calif ficaram tão entusiasmados com a descoberta que viajaram pessoalmente de Palo Alto até a sede da Apple, em Cupertino, na terça-feira (12), para apresentar um relatório de 55 páginas detalhando as falhas exploradas.

A empresa pretende divulgar os detalhes técnicos do ataque apenas após a Apple corrigir os problemas identificados. Segundo Duong, as vulnerabilidades devem ser solucionadas rapidamente.

Mythos evolui e é cada vez mais testado

  • A Anthropic vem ampliando gradualmente o acesso ao Mythos depois de inicialmente restringir o software a um grupo seleto de empresas e organizações;
  • No início deste ano, uma IA da companhia encontrou mais de 100 vulnerabilidades classificadas como graves no navegador da Mozilla, o Firefox, ao longo de duas semanas;
  • Segundo o texto, esse volume corresponde aproximadamente ao número de falhas que normalmente são descobertas pelo restante da comunidade global de segurança em um período de dois meses;
  • As preocupações relacionadas ao avanço dessas ferramentas de IA também vêm impactando a estratégia do governo dos Estados Unidos para o setor;
  • Segundo o texto, o fenômeno levou a Casa Branca a reavaliar sua abordagem mais flexível em relação ao desenvolvimento de IA;
  • O governo estadunidense agora considera a possibilidade de emitir uma ordem executiva que concederia supervisão governamental sobre os modelos de IA mais avançados.

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Claude Mythos: o que a IA nos diz sobre riscos da dissuasão nuclear

O filme “Jogos de Guerra“, lançado em 1983, imaginou um adolescente que acessava acidentalmente um sistema de computadores do Pentágono e iniciava um programa de simulação interpretado como o prelúdio de uma guerra nuclear.

A produção causou tamanho impacto no então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que ele questionou seus assessores sobre a possibilidade de uma invasão semelhante aos sistemas mais sensíveis do país. Uma semana depois, veio a resposta: “Senhor presidente, o problema é bem pior do que o senhor imagina.

Thomas Fraise, pesquisador de pós-doutorado pela Universidade de Copenhague (Dinamarca), diz, em texto publicado no The Conversation, que as políticas de armas nucleares são baseadas em uma série de apostas sobre o futuro da dissuasão nuclear.

Países com arsenal atômico apostam que o medo da retaliação será sempre suficiente para impedir um ataque inicial do adversário e que haverá capacidade técnica e sorte suficientes para evitar explosões acidentais. Também apostam que possuir armas nucleares continuará sendo uma fonte de segurança, e não de insegurança, nas próximas décadas.

O autor afirma, no entanto, que existem cenários plausíveis em que possuir armas nucleares pode gerar mais custos reais do que benefícios potenciais em um mundo afetado pelo aquecimento global. Manter um arsenal considerado seguro e confiável exigiria escolhas orçamentárias que competiriam com outros gastos urgentes relacionados à crise climática.

Além disso, o universo de riscos existenciais que poderiam justificar o uso de armas nucleares estaria se expandindo. Um dos exemplos citados é a preocupação de especialistas de que a escassez de água no Paquistão e na Índia possa criar condições favoráveis para um conflito com potencial de escalada nuclear.

O autor também aponta outra aposta implícita nas políticas nucleares: a de que os arsenais atômicos, formados por sistemas tecnológicos complexos e altamente digitalizados, não possuam vulnerabilidades cibernéticas que possam ser exploradas por agentes interessados em comprometer seu funcionamento.

Países com arsenal atômico apostam que o medo da retaliação será sempre suficiente para impedir um ataque inicial do adversário e que haverá capacidade técnica e sorte suficientes para evitar explosões acidentais – Imagem: mwreck/Shutterstock

Onde a IA Claude Mythos entra nesse assunto?

  • A discussão ganhou força após o avanço do modelo de inteligência artificial (IA) Claude Mythos, desenvolvido pela Anthropic;
  • O sistema de IA foi lançado em 7 de abril de 2026 pela empresa, responsável pela série de modelos de linguagem Claude;
  • O Mythos não foi lançado comercialmente. Em vez disso, foi disponibilizado para um grupo restrito composto por cerca de uma dúzia de gigantes da tecnologia dos Estados Unidos, incluindo Google, Microsoft, Apple, Nvidia e Amazon Web Services (AWS);
  • De acordo com informações divulgadas pela Anthropic, o modelo alcançou uma taxa sem precedentes na identificação de vulnerabilidades em sistemas computacionais. O Mythos teria conseguido detectar falhas “zero-day” em navegadores, softwares e sistemas operacionais;
  • Uma vulnerabilidade “zero-day” é descrita como uma falha crítica de segurança para a qual ainda não existe proteção disponível, permitindo ataques sem tempo de reação. Segundo a Anthropic, o Mythos conseguiu desenvolver métodos para explorar essas vulnerabilidades em tempo recorde — provavelmente em menos de um dia — com taxa de sucesso de 72,4%.

Embora as informações tenham sido divulgadas pela própria empresa, Fraise ressalta que alguns indícios públicos foram apresentados. Sylvestre Ledru, diretor de engenharia responsável pelo navegador Firefox na Mozilla, afirmou que o Mythos ajudou a descobrir um número “absolutamente impressionante” de vulnerabilidades no software.

Entre os exemplos citados está a descoberta de uma falha de segurança com quase 27 anos de existência no sistema operacional de código aberto OpenBSD, amplamente utilizado por serviços de cibersegurança.

IA e o avanço das capacidades ofensivas

Segundo a análise apresentada, o Mythos evidencia um fenômeno mais amplo: a possibilidade de que o desenvolvimento da IA acelere o aumento de capacidades ofensivas no ciberespaço, não apenas entre Estados, mas também entre atores privados, como cibercriminosos.

Ao mesmo tempo, cresce a incerteza sobre a capacidade de agentes defensivos reagirem rapidamente o suficiente para corrigir vulnerabilidades existentes.

Mesmo que o Mythos não alcance integralmente o desempenho anunciado, o autor destaca que os modelos de linguagem avançados evoluíram rapidamente desde o início da década de 2020. Isso indicaria uma aceleração no desenvolvimento de ferramentas ofensivas e também na disseminação dessas capacidades para um número maior de atores.

Como consequência, haveria um potencial aumento tanto da probabilidade de ataques cibernéticos bem-sucedidos quanto do número absoluto desses ataques.

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Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Mythos evidencia um fenômeno mais amplo: a possibilidade de que o desenvolvimento da IA acelere o aumento de capacidades ofensivas no ciberespaço, não apenas entre Estados, mas também entre atores privados, como cibercriminosos – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Vulnerabilidade dos arsenais nucleares

O pesquisador afirma que um arsenal nuclear envolve muito mais do que ogivas armazenadas. O funcionamento normal desses sistemas depende de uma ampla estrutura tecnológica composta por ogivas, mísseis capazes de transportá-las, sistemas de comunicação para transmitir ordens presidenciais e mecanismos de alerta antecipado responsáveis por monitorar sinais de um possível ataque inimigo. Todos esses elementos precisam se comunicar entre si para garantir o controle sobre as armas.

O pesquisador Herbert Lin, da Universidade de Stanford (EUA) e autor de um estudo sobre ameaças cibernéticas e armas nucleares, afirma que a metáfora do “botão nuclear” simplifica excessivamente a realidade. Segundo ele, depois que o presidente aperta o botão, uma série de “ciberbotões” também precisa ser acionada para iniciar e administrar operações nucleares.

Cada um desses pontos representaria uma oportunidade de interferência por ataques cibernéticos, como impedir que informações críticas cheguem ao destino.

Fraise aponta diferentes cenários possíveis. O presidente poderia não receber informações suficientes — ou nenhuma informação — para determinar que um ataque está em andamento. Também poderia ser incapaz de transmitir ordens de lançamento para forças submarinas.

Outro cenário mencionado é o pesadelo discutido desde os anos 1950: uma ordem falsa de lançamento ser enviada a operadores de mísseis.

As consequências não precisariam necessariamente ser tão extremas. Uma ordem poderia chegar com atraso ou não ser transmitida a todas as forças, produzindo uma retaliação mais fraca do que o planejado.

O autor relembra ainda um episódio de 2010, quando um centro de comando estadunidense perdeu comunicação com cerca de 50 mísseis nucleares durante quase uma hora.

Outra hipótese levantada é a de que um grande ataque cibernético realizado por atores não estatais pudesse criar a impressão de que um adversário estaria mirando um arsenal nuclear, aumentando o risco de escalada involuntária.

Da mesma forma, um ataque a sistemas de comando e controle ligados a operações convencionais poderia ser interpretado como ameaça ao arsenal nuclear de um país caso os sistemas estivessem integrados.

Também é citado o cenário de operações cibernéticas direcionadas às próprias armas, atingindo o hardware em vez do software.

O pesquisador afirma que agentes responsáveis pela segurança nuclear desenvolvem e testam continuamente capacidades defensivas. Ainda assim, a complexidade dos sistemas existentes impediria qualquer garantia absoluta de ausência de vulnerabilidades.

James Gosler, ex-responsável pela segurança de sistemas nucleares estadunidenses no Sandia National Laboratories, afirma que o aumento exponencial da complexidade dos componentes das armas nucleares, a partir dos anos 1980, tornou impossível assegurar que sistemas microcontrolados usados para garantir o funcionamento do mecanismo de detonação fossem totalmente livres de vulnerabilidades.

Segundo Fraise, isso não significa necessariamente que tais vulnerabilidades existam, mas indica que nenhum ator pode afirmar com certeza que elas não existam.

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Aumento exponencial da complexidade dos componentes das armas nucleares, a partir dos anos 1980, tornou impossível assegurar que sistemas microcontrolados usados para garantir o funcionamento do mecanismo de detonação fossem totalmente livres de vulnerabilidades – Imagem: Ministério da Defesa da Rússia

Nova aposta sobre o futuro

A análise conclui que o Mythos revela uma nova dimensão da “aposta nuclear”, impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias e sua integração aos arsenais.

De acordo com o autor, os países apostam na ausência de vulnerabilidades nesses sistemas, embora seja impossível medir essa probabilidade com precisão. Ela mudaria ao longo do tempo conforme sistemas são atualizados, substituídos e conectados a outros.

Caso vulnerabilidades existam, a aposta passa a ser que avanços em capacidades ofensivas sempre serão acompanhados, e em tempo hábil, por avanços defensivos — inclusive na era da IA.

O pesquisador destaca que o desenvolvimento de capacidades defensivas costuma ser reativo, dependendo do conhecimento sobre ferramentas ofensivas e vulnerabilidades existentes, fatores considerados inerentemente incertos.

Nesse contexto, o autor afirma que a segurança baseada em armas nucleares implica apostar que as defesas contra ataques cibernéticos serão suficientes. Caso contrário, a aposta recairia sobre a sorte: a expectativa de que vulnerabilidades existentes não sejam descobertas, como ocorreu com a falha que permaneceu escondida por 27 anos no OpenBSD.

Segundo Fraise, a chegada de modelos avançados de IA capazes de detectar vulnerabilidades e projetar ataques cibernéticos em larga escala e de maneira automatizada tornou mais incerta a capacidade dos mecanismos atuais de controle de continuarem cumprindo seu papel.

Assim, a adoção de políticas de segurança fundamentadas em armas nucleares equivaleria, segundo a análise, a apostar que, no futuro, a sorte continuará sempre do mesmo lado.

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OpenAI lança GPT-5.5-Cyber em resposta ao Claude Mythos

A OpenAI anunciou, nesta quinta-feira (7), o lançamento do GPT-5.5-Cyber, uma variação do seu modelo de inteligência artificial (IA) mais recente, disponível em capacidade de pré-visualização limitada para equipes de cibersegurança selecionadas. O movimento ocorre um mês após a rival Anthropic ter atraído investidores e autoridades governamentais com o Claude Mythos Preview.

A pré-visualização do GPT-5.5-Cyber não pretende ser um grande avanço em termos de capacidade cibernética, mas foi treinada para ser mais permissiva em tarefas relacionadas à segurança, informou a OpenAI em post no blog. A empresa havia anunciado o GPT-5.5 no final do mês passado.

GPT-5.5-Cyber, da OpenAI, chega para rivalizar com Claude Mythos, da Anthropic

Com a versão específica para cibersegurança, equipes aprovadas terão mais facilidade para usar o modelo mais recente da OpenAI em fluxos de trabalho, como identificação e triagem de vulnerabilidades, validação de patches e análise de malware. As proteções integradas ao modelo GPT-5.5 disponível publicamente tornariam essas tarefas mais desafiadoras.

“O GPT‑5.5‑Cyber permite que um conjunto menor de parceiros estude fluxos de trabalho avançados, onde o comportamento de acesso especializado pode importar”, disse a OpenAI no post.

Com a versão específica para cibersegurança, equipes aprovadas terão mais facilidade para usar o modelo mais recente da OpenAI em fluxos de trabalho, como identificação e triagem de vulnerabilidades, validação de patches e análise de malware – Imagem: JRdes/Shutterstock

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Anthropic iniciou corrida com Projeto Glasswing

  • Ao lançar o Mythos no mês passado, a Anthropic decidiu limitar o acesso a um grupo seleto de empresas como parte de uma nova iniciativa de cibersegurança chamada Projeto Glasswing;
  • O CEO da Anthropic, Dario Amodei, reuniu-se com membros seniores do governo de Donald Trump para discutir o modelo e seu potencial poder, mesmo após a empresa ter sido colocada na lista negra pelo Pentágono apenas semanas antes;
  • O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reuniram-se com CEOs de grandes bancos estadunidenses para discutir o Mythos no mês passado;
  • O vice-presidente dos EUA, JD Vance, e Bessent também realizaram uma ligação com CEOs de tecnologia líderes antes do lançamento do modelo.

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Anthropic faz parceria com SpaceX por mais capacidade computacional de IA

A Anthropic fechou um acordo com a SpaceX de Elon Musk para ampliar sua capacidade computacional e atender à crescente demanda por seu software de inteligência artificial (IA) Claude.

A empresa planeja acessar recursos computacionais do grande data center da SpaceX em Memphis (EUA), conhecido como Colossus 1, conforme anunciaram as duas companhias nesta quarta-feira (6).

Segundo a startup, a parceria com a empresa espacial aumentará “substancialmente” seus recursos computacionais e permitirá que eleve seus limites de uso em seus produtos de IA. Os termos do acordo, contudo, não foram divulgados.

Ainda, como parte do novo acordo, a Anthropic disse que “manifestou interesse em firmar parceria com a SpaceX para desenvolvimento de múltiplos gigawatts [GW] de capacidade de computação de IA orbital”.

Nesse sentido, vale lembrar que Musk já demonstrou interesse em instalar data centers no espaço e aproveitar a energia solar para alimentá-los.

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Empresa espacial de Elon Musk vai fornecer acesso ao seu data center – Imagem: Findaview / Shutterstock

Não é só a SpaceX: Anthropic fecha acordos com rivais

Esse não é o primeiro contrato desse tipo que a Anthropic firma. Recentemente, a empresa de Dario Amodei fechou acordo com o Google para fornecimento de chips e serviços em nuvem.

A SpaceX foi recém-fundida com a xAI — startup de IA de Musk e que está atrasada em termos de programação. Mas ela está à frente de algumas empresas na construção de data centers e armazenamento de chips da Nvidia.

Esses contratos da xAI podem posicioná-la como provedora de infraestrutura e impulsionar sua receita, tempos antes de a SpaceX realizar sua abertura de capital.

SpaceX também tem negócios com outras companhias do setor

Antes desse acordo com a Anthropic, a SpaceX chegou a fechar negócio com a empresa de programação de IA Cursor. A xAI está construindo data centers no Estado do Tennessee (EUA) e Mississippi (EUA) e obteve recursos para alugar chips para tais locais.

Recentemente, a SpaceX estimou, em documento, que a fábrica de chips planejada para ser erguida em parceria com sua “empresa-irmã” Tesla custará US$ 55 bilhões (R$ 271,8 bilhões), podendo chegar a US$ 119 bilhões (R$ 588,1 bilhões) caso as fases adicionais do projeto sejam concluídas.

O espaço, que será responsável pela fabricação de semicondutores e computação avançada de última geração e verticalmente integrada, será instalado no Condado de Grimes, no Texas (EUA).

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Anthropic lança 10 agentes de IA para bancos

A Anthropic anunciou nesta terça-feira (5) o lançamento de 10 novos agentes de inteligência artificial voltados para bancos e empresas de serviços financeiros. A iniciativa integra a estratégia da companhia para ampliar sua presença entre clientes corporativos, ao mesmo tempo em que busca crescimento de receita e avança em direção a uma possível oferta pública inicial (IPO) ainda neste ano.

Os novos agentes foram desenvolvidos para automatizar tarefas comuns do setor financeiro, como a criação de pitchbooks, o fechamento de livros contábeis e a elaboração de memorandos de crédito.

Anthropic avança rumo a uma possível IPO em 2026 – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Automação de processos financeiros

Segundo a empresa, os agentes atendem demandas recorrentes de instituições financeiras ao automatizar atividades operacionais. A proposta é facilitar o uso da IA em processos já consolidados no setor, ampliando sua aplicação prática no ambiente corporativo.

A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo da Anthropic para reduzir a distância entre o avanço da tecnologia e a capacidade das empresas de adotá-la. Jonathan Pelosi, chefe de serviços financeiros da companhia, afirmou ao Wall Street Journal que a proposta é ir além de usos básicos de IA, como redação de e-mails ou pesquisas simples, e avançar para aplicações mais complexas, como a montagem de apresentações para bancos de investimento.

Parcerias e expansão no setor

Nos últimos dias, a Anthropic também anunciou uma parceria com a Fidelity National Information Services para desenvolver softwares de IA capazes de monitorar contas em busca de sinais de crimes financeiros. Além disso, revelou uma joint venture de US$ 1,5 bilhão com empresas de Wall Street para comercializar ferramentas de IA, incluindo para companhias apoiadas por private equity.

A empresa também ampliou a integração do seu principal produto, o Claude, com o pacote corporativo da Microsoft, o Microsoft 365, bastante utilizado por instituições financeiras. Houve ainda expansão de parcerias técnicas com plataformas como Dun & Bradstreet e Moody’s.

Mão segurando smartphone com o logo do Claude exibido na tela, sobre fundo com números digitais em azul.
Anthropic trabalha na integração do Claude com o Microsoft 365 – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Corrida por IPO e adoção corporativa

Os movimentos reforçam a importância do setor financeiro para os negócios da Anthropic. A área já representa sua segunda maior fonte de receita corporativa, atrás apenas do setor de tecnologia.

Ao mesmo tempo, a empresa disputa espaço com a OpenAI, que também tem avançado no mercado financeiro e busca ampliar a adoção de suas ferramentas por grandes empresas. Ambas caminham em direção a possíveis IPOs até o fim do ano, dependendo da capacidade de demonstrar crescimento e adesão corporativa.

Durante um evento em Nova York, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que o principal desafio não está no desenvolvimento da tecnologia, mas na sua disseminação entre grandes organizações, que tendem a adotar inovações de forma mais gradual.

No mesmo evento, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, disse que o banco já possui centenas de casos de uso de IA, incluindo aplicações em risco, fraude, marketing e revisão de documentos, destacando que a adoção da tecnologia ainda está em estágio inicial.

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Anthropic firma parceria por agente de IA que combate crimes financeiros

A Anthropic firmou uma parceria com a Fidelity National Information Services (FIS) para desenvolver ferramentas de inteligência artificial (IA) voltadas ao combate de crimes financeiros em bancos.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4) e envolve a criação de agentes de IA — programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem supervisão direta de usuários — que utilizarão a tecnologia Claude, da Anthropic, combinada aos sistemas e dados financeiros da FIS.

Segundo as empresas, a iniciativa poderá permitir que um sistema automatizado monitore milhões de contas bancárias em busca de atividades suspeitas.

A primeira ferramenta em desenvolvimento será um agente de IA dedicado à investigação de criminosos que utilizam o sistema financeiro, incluindo traficantes de drogas, terroristas e outros envolvidos em atividades ilícitas. A informação foi confirmada por Stephanie Ferris, CEO da FIS ao The Wall Street Journal.

De acordo com Ferris, o Bank of Montreal e o Amalgamated Bank estão entre as primeiras instituições que irão utilizar a tecnologia. A expectativa é de que o sistema esteja amplamente disponível para clientes no segundo semestre do ano.

Jonathan Jager-Hyman, chefe da divisão de indústrias da Anthropic, afirmou que engenheiros da empresa já estão integrados às equipes da FIS para o desenvolvimento das ferramentas.

Leia mais:

FIS entra na parceria com seus sistemas e dados financeiros – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

Como vai funcionar o agente de IA de Anthropic e FIS

  • Ferris explicou que o agente de IA será capaz de reunir, de forma independente, evidências para potenciais investigações, incluindo transações, dados de contas e outras informações dispersas em diferentes sistemas;
  • Segundo ela, isso deverá reduzir significativamente o tempo e os custos por caso. Apesar disso, as decisões finais continuarão sendo tomadas por investigadores humanos;
  • O anúncio teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da FIS subiram cerca de 7% no pregão estendido após a divulgação da parceria pelo Journal.

Atualmente, bancos destinam bilhões de dólares anualmente a programas de combate à lavagem de dinheiro, com equipes extensas e softwares especializados em identificar atividades suspeitas. Esses esforços são exigidos pela legislação federal dos Estados Unidos e supervisionados por órgãos reguladores.

No cenário político, autoridades do governo Donald Trump prometeram mudanças na supervisão dessas atividades, com foco em riscos mais elevados e menor ênfase em exigências técnicas de conformidade.

O avanço recente dos modelos de IA também tem gerado preocupações em Wall Street sobre a possível obsolescência de diversos softwares tradicionais. No início do ano, um anúncio de produto da Anthropic provocou reações negativas no mercado, com investidores temendo que empresas passem a desenvolver seus próprios sistemas com base em IA, em vez de adquirir soluções de fornecedores.

A FIS está entre as empresas impactadas por esse movimento, acumulando queda superior a 25% em suas ações ao longo do ano.

A parceria com a Anthropic reflete tendência crescente no setor de tecnologia, em que laboratórios de IA e empresas tradicionais firmam acordos para criar soluções específicas para diferentes indústrias. Segundo as companhias, a proposta é integrar a IA aos sistemas já utilizados pelos clientes, ampliando a eficiência das ferramentas existentes.

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Anthropic: Mythos acende alerta global sobre riscos na cibersegurança

A Anthropic afirmou que sua nova ferramenta de inteligência artificial (IA), o Claude Mythos, é tão eficaz na identificação de vulnerabilidades em softwares e sistemas computacionais que não pode ser disponibilizada ao público em geral.

Segundo a empresa, a tecnologia foi liberada apenas para um grupo restrito de organizações cuidadosamente selecionadas, devido ao risco de que, nas mãos erradas, possa facilitar o roubo de dados ou a interrupção de infraestruturas críticas.

As preocupações com segurança ganharam força após um episódio em que um pequeno grupo de usuários não autorizados conseguiu acesso ao sistema em um fórum privado online, de acordo com uma fonte com conhecimento do caso e documentos analisados pela Bloomberg.

Diante desse cenário, a Casa Branca se posicionou contra o plano da Anthropic de ampliar o acesso ao Mythos para outras 70 empresas e organizações, segundo um funcionário do governo.

O The Wall Street Journal foi o primeiro a noticiar as preocupações do governo dos Estados Unidos, que também teme que a Anthropic não disponha de capacidade computacional suficiente para atender mais usuários sem comprometer o uso da ferramenta por parte do próprio governo.

Nos últimos anos, empresas de cibersegurança têm defendido que a IA pode acelerar e automatizar a prevenção de ataques digitais. No entanto, hackers e agentes de espionagem também passaram a explorar essas mesmas vantagens.

O surgimento do Mythos e de modelos semelhantes, capazes de identificar falhas complexas sem supervisão humana, indica uma nova fase na corrida armamentista cibernética, marcada por maior velocidade e imprevisibilidade.

Governo Trump está de olho no novo modelo de IA desenvolvido pela Anthropic – Imagem: Chip Somodevilla e Stockinq – Shutterstock

O que é o Mythos, da Anthropic

  • O Claude Mythos Preview é um modelo de IA de uso geral que, segundo a Anthropic, supera significativamente versões anteriores em diversos critérios, incluindo programação e raciocínio lógico;
  • A empresa afirma que alguns modelos já atingiram um nível de capacidade em código que lhes permite superar todos, exceto os humanos mais experientes, na identificação e exploração de vulnerabilidades;
  • Durante testes, o Mythos Preview teria identificado milhares de vulnerabilidades do tipo “zero-day”, inclusive em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web. Essas falhas, desconhecidas pelos próprios desenvolvedores, representam oportunidades valiosas para hackers, já que oferecem acesso irrestrito a sistemas vulneráveis até que sejam corrigidas;
  • A Anthropic destacou que o Mythos foi capaz de identificar essas falhas com ainda menos intervenção humana do que modelos anteriores. “O Mythos Preview demonstra um salto nessas habilidades cibernéticas — as vulnerabilidades que ele identificou, em alguns casos, sobreviveram a décadas de revisão humana e milhões de testes de segurança automatizados”, afirmou a empresa.

Especialistas alertam que, nas mãos de grupos de ransomware ou governos hostis, a tecnologia poderia resultar em ataques cibernéticos mais frequentes e devastadores.

Pesquisadores, no entanto, afirmam não ter acesso suficiente para verificar de forma independente o desempenho alegado do sistema. Gang Wang, professor associado de ciência da computação da Universidade de Illinois (EUA), disse à Bloomberg que é difícil avaliar a relevância do Mythos sem testes práticos mais aprofundados.

Quem tem acesso à ferramenta da Anthropic

A Anthropic concedeu acesso ao Mythos a um grupo limitado de parceiros verificados, em uma iniciativa chamada Project Glasswing — nome inspirado em uma espécie de borboleta de asas transparentes.

Entre os participantes estão Amazon, Apple, Google (da Alphabet), Microsoft, Nvidia, Palo Alto Networks, CrowdStrike, Broadcom, Cisco, JPMorganChase e a Linux Foundation, além de cerca de outras 40 organizações.

De acordo com a empresa, o projeto representa “uma tentativa urgente de colocar essas capacidades a serviço da defesa”.

As organizações participantes utilizarão o Mythos em suas estratégias de segurança defensiva e a Anthropic pretende compartilhar os resultados obtidos para beneficiar outros setores.

Atualmente, muitas empresas realizam testes de invasão, contratando especialistas para identificar falhas antes que hackers as explorem. O Mythos pode acelerar esse processo, permitindo a descoberta de um maior número de vulnerabilidades em menos tempo.

Um “divisor de águas” na segurança digital

A Anthropic classificou o Mythos Preview como um “divisor de águas” para a segurança. Vulnerabilidades do tipo zero-day são, por natureza, difíceis de detectar, e existe um mercado especializado em descobri-las e vendê-las a agências de inteligência por valores que podem chegar a milhões de dólares.

Segundo a empresa, muitas das falhas identificadas pelo Mythos eram “sutis e difíceis de detectar“, incluindo uma vulnerabilidade de 27 anos no sistema operacional OpenBSD, conhecido por seu alto nível de segurança.

O sistema também teria conseguido transformar vulnerabilidades conhecidas, mas ainda não corrigidas, em explorações práticas capazes de permitir a invasão de redes. Em um exemplo citado, o Mythos identificou e combinou diversas falhas no kernel do Linux, possibilitando que um invasor assumisse controle total de uma máquina.

A Anthropic afirmou ainda que usuários sem experiência técnica conseguiram solicitar ao sistema formas de assumir o controle remoto de computadores durante a noite e retornaram, no dia seguinte, com um exploit completo e funcional.

Ferramentas semelhantes também estão sendo desenvolvidas por outras empresas. A OpenAI trabalha no Codex Security, enquanto o Google desenvolveu o chamado “Big Sleep agent“.

Além disso, a OpenAI estaria finalizando um produto com capacidades avançadas de cibersegurança para parceiros selecionados. Pesquisadores da startup israelense Buzz afirmam ter criado uma ferramenta autônoma com taxa de sucesso de 98% na exploração de falhas conhecidas.

Anthropic não aumentou o preço de Claude. Ele inventou algo melhor: inflação simbólica
Medo é geral quando se trata da possibilidade de o Mythos facilitar o trabalho de hackers mundo afora – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

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Salvaguardas ainda em desenvolvimento

Segundo a Anthropic, os mecanismos de segurança do Mythos ainda estão em evolução. “Observamos que ele atingiu níveis de confiabilidade e alinhamento sem precedentes. No entanto, em raras ocasiões em que falha ou apresenta comportamento atípico, notamos que ele toma atitudes que consideramos bastante preocupantes“, afirmou a empresa.

Em um teste, um pesquisador incentivou uma versão inicial do sistema a escapar de um ambiente isolado e enviar uma mensagem externa. O Mythos conseguiu realizar a tarefa e, em seguida, executou ações adicionais consideradas preocupantes, desenvolvendo um exploit em múltiplas etapas para acessar a internet.

A empresa afirmou que não pretende disponibilizar amplamente o Mythos Preview devido ao potencial de uso indevido. Ainda assim, planeja no futuro permitir a utilização de modelos semelhantes em larga escala, desde que sejam desenvolvidas salvaguardas capazes de detectar e bloquear os usos mais perigosos.

Para vulnerabilidades consideradas mais graves, especialistas humanos ainda participam do processo, validando as descobertas antes de encaminhá-las aos responsáveis pelos sistemas afetados. Embora necessário, esse procedimento é demorado — algo que pode ser reduzido à medida que a tecnologia evolui.

Vantagem para defensores ou atacantes?

A Anthropic acredita que, no longo prazo, ferramentas como o Mythos favorecerão os defensores. No entanto, esse cenário pode levar tempo para se concretizar. Atualmente, menos de 1% das vulnerabilidades identificadas pelo sistema foram totalmente corrigidas.

Enquanto isso, hackers também utilizam IA para acelerar a exploração de falhas já divulgadas, reduzindo o tempo disponível para correções por parte das empresas.

Em publicação de 30 de março, o CEO da Palo Alto Networks, Nikesh Arora, alertou que a barreira para ataques sofisticados continuará diminuindo nos próximos meses. “Agora, um único agente malicioso poderá executar campanhas que antes exigiam equipes inteiras”, escreveu.

Yair Saban, CEO da Buzz e ex-integrante da unidade cibernética 8200 de Israel, afirmou que sua equipe levou apenas três semanas para desenvolver uma ferramenta de ataque baseada em IA, sugerindo que outros grupos podem fazer o mesmo.

Apesar dos riscos, a Anthropic sustenta que, no futuro, a tecnologia contribuirá para um ambiente digital mais seguro. “A longo prazo, esperamos que as capacidades de defesa dominem: que o mundo emerja mais seguro, com softwares mais robustos — em grande parte graças ao código escrito por esses modelos”, afirmou o grupo Frontier Red Team da empresa. “Mas o período de transição será difícil.”

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Conectores do Claude: o novo jeito de colocar IA no Photoshop, Blender e Ableton

A Anthropic anunciou, na terça-feira (28), o lançamento de um conjunto de conectores que permitem ao Claude integrar-se a softwares da indústria criativa bem conhecidos, como Photoshop, Blender e Ableton.

A nova funcionalidade permite que o Claude acesse plataformas, recupere dados e execute ações como manipular imagens na Creative Cloud da Adobe ou buscar samples no catálogo da Splice.

O objetivo da Anthropic é transformar o chatbot num assistente que atua no fluxo de trabalho dos profissionais, auxiliando na automação de tarefas repetitivas e na expansão de habilidades técnicas.

Claude criativo: conectividade profunda e apoio ao ecossistema de código aberto

A integração com o Blender é um dos destaques. Isso porque oferece uma interface de linguagem natural para a API Python do programa de modelagem 3D. 

Com isso, artistas podem usar o Claude para encontrar erros em cenas complexas ou criar scripts que aplicam mudanças em diversos objetos simultaneamente por meio de uma conversa. 

Como o conector utiliza o padrão MCP (Model Context Protocol), ele é aberto e pode ser aproveitado por outros modelos de inteligência artificial (IA).

Anthropic reforçou que o objetivo da integração do Claude é transferir para a IA o “trabalho braçal” e repetitivo do processo criativo – Imagem: Divulgação/Anthropic

Além do avanço técnico, a Anthropic tornou-se Patrona Corporativa do Fundo de Desenvolvimento do Blender. A empresa se comprometeu a doar pelo menos cerca de US$ 281 mil (aproximadamente R$ 1,3 milhão) anualmente para apoiar a fundação. 

Esse investimento ajuda a garantir que o software permaneça gratuito, independente e focado em ferramentas para artistas.

Outros softwares também receberam funcionalidades:

  • Autodesk Fusion: usuários agora podem criar e modificar modelos 3D ao descrevê-los para a IA;
  • Affinity by Canva: Claude assume o “trabalho braçal”, como renomear camadas e ajustar imagens em lote. 
  • Ableton: integração transforma o chatbot num tutor que tira dúvidas com base nos manuais oficiais do software.

A estratégia de expansão também inclui parcerias com instituições de ensino como a Rhode Island School of Design e a Goldsmiths, no Reino Unido. 

Estudantes e professores desses cursos de artes computacionais terão acesso aos conectores para testar as ferramentas em situações reais de aprendizado.

A Anthropic reforçou que a IA não tem como objetivo substituir talento, repertório ou imaginação humana. A ideia é que a tecnologia assuma o trabalho manual e repetitivo

Ao eliminar esse “ruído” operacional, o profissional ganha liberdade para tocar projetos em escalas maiores e com ideias mais ambiciosas, diz a empresa.

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