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Banco Central Europeu revela impacto limitado da IA sobre empregos e salários nos EUA

Um estudo divulgado recentemente pelo Banco Central Europeu analisou o efeito da expansão da inteligência artificial no mercado de trabalho dos Estados Unidos entre 2019 e 2025. A investigação considera como o avanço dessas tecnologias pode alterar funções profissionais, especialmente em setores mais expostos à automação.

Segundo a análise, apesar das preocupações sobre substituição em larga escala de trabalhadores, o impacto agregado sobre emprego e salários no país ainda não se mostrou significativo no período observado. O levantamento indica que mudanças vêm ocorrendo de forma gradual, com realocação de profissionais entre diferentes áreas.

O documento também observa que funções consideradas de maior risco de substituição por IA perderam participação relativa, enquanto ocupações menos expostas ganharam espaço, sinalizando uma reorganização progressiva do mercado de trabalho norte-americano.

Reorganização gradual do trabalho diante da IA

Banco Central Europeu – Imagem: Todamo/Shutterstock

O relatório do Banco Central Europeu descreve que empresas vêm aumentando investimentos em inteligência artificial nos últimos anos, o que alimentou receios sobre substituição de mão de obra e ampliação de desigualdades. Ainda assim, o estudo indica que, até o momento, os efeitos gerais permanecem contidos.

Entre 2019 e 2025, ocupações com alto risco de substituição por IA cresceram em ritmo menor do que aquelas consideradas menos vulneráveis. Segundo o documento, a diferença chega a cerca de 15 pontos percentuais em termos de crescimento relativo.

O levantamento também aponta queda média superior a 4% no número de empregos mais expostos, como economistas e designers gráficos. Em sentido oposto, funções com menor risco, como eletricistas e professores do ensino médio, registraram alta aproximada de 13% no mesmo intervalo.

A participação desses dois grupos no total de empregos também se alterou: as ocupações menos vulneráveis passaram de 23% para 25%, enquanto as mais expostas recuaram de 35% para 33%, indicando redistribuição no mercado de trabalho.

Ilustração de notas de dólares voando ao redor de quadrado com AI escrito, sigla em inglês para Inteligência Artificial
(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

No campo da renda, o estudo não identificou impacto relevante sobre o crescimento salarial desde 2019. Ainda assim, o documento ressalta que efeitos mais intensos podem surgir no futuro, à medida que ferramentas de IA evoluem para modelos mais generativos e a adaptação do mercado se intensifica.

Em uma das passagens do relatório, o Banco Central Europeu afirma: “Sobretudo entre 2019 e 2025, os empregos com alto risco de substituição cresceram cerca de 15 pontos percentuais a menos do que os empregos com baixo risco de substituição.

Em outra parte, o órgão acrescenta: “O risco de substituição por IA não teve impacto significativo no crescimento dos salários desde 2019.

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Google e estúdio A24 fecham parceria de US$ 75 milhões para criar ferramentas de IA voltadas ao cinema

Nesta segunda-feira (22), o Google e o laboratório DeepMind anunciaram uma colaboração com o estúdio A24 para o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao cinema. O acordo prevê um aporte financeiro de cerca de 75 milhões de dólares, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal, e representa a primeira participação acionária do Google em um estúdio audiovisual.

A iniciativa busca aproximar pesquisa avançada em IA e a produção cinematográfica, com foco em tecnologias capazes de otimizar processos criativos e ampliar possibilidades narrativas. A parceria não é exclusiva e deverá se desdobrar em diferentes projetos ao longo do tempo, sem conceder ao Google acesso ao catálogo de obras do estúdio.

Embora apresentada como um movimento de inovação, a colaboração ocorre em meio a debates da indústria sobre direitos autorais e o uso de dados públicos no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Os envolvidos descrevem o projeto como uma tentativa de equilibrar avanço tecnológico e preservação do controle criativo.

Parceria entre Google DeepMind e A24 aposta em novas ferramentas para cinema

Google – Imagem: ZikG/Shutterstock

Segundo o The Wall Street Journal, o acordo firmado entre Google e A24 prevê atuação em múltiplas frentes ao longo dos próximos anos. A proposta inclui o desenvolvimento de soluções para diferentes etapas da produção e também para a distribuição de filmes, mantendo restrições de acesso ao acervo do estúdio.

Em comunicado oficial, o Google afirmou que a colaboração tem como objetivo aproximar tecnologia de ponta e criação artística, permitindo que os próprios criadores influenciem o desenvolvimento das ferramentas. “Isso garante que as ferramentas do futuro sejam moldadas pelos criadores que as utilizam.”

Scott Belsky, sócio do A24 e ex-diretor de estratégia da Adobe, destacou que as soluções em desenvolvimento não seguem o modelo tradicional de geração por comando.

silhueta de homem no celular à frente do logo da google deepmind
(Imagem: Poetra.RH / Shutterstock.com)

De acordo com ele, a proposta prioriza a preservação do controle artístico e o incentivo à experimentação. “Não vai se parecer em nada com o tipo de IA de geração por comandos que deixa as pessoas desconfortáveis” e “há usos melhores que preservam o controle criativo e incentivam a tomada de riscos”, disse em entrevista ao jornal estadunidense.

O cineasta e criador Kane Parsons, associado a produções no YouTube e ao projeto Backrooms, apresentou uma visão crítica sobre o uso de IA generativa. Ele afirmou não ver prazer na utilização dessa tecnologia e a descreveu como reflexo de questões culturais mais amplas.

A IA generativa parece menos uma inovação do que um sintoma de uma decadência cultural e econômica mais ampla” e “não sinto nenhum prazer em usar essa tecnologia em qualquer projeto”, concluiu.

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Sua empresa está atrasada em IA? Um em cada quatro funcionários pode pedir demissão por causa disso

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para o futuro e passou a fazer parte da rotina de profissionais de áreas como direito, contabilidade, auditoria, compliance e gestão de riscos. O problema é que muitas empresas ainda não conseguiram acompanhar essa transformação.

É o que aponta o relatório Future of Professionals 2026, da empresa de conteúdo e tecnologia Thomson Reuters. O estudo foi elaborado com base em entrevistas realizadas com 1.816 profissionais de 62 países, e mostra que a adoção da IA avança em um ritmo superior à capacidade das organizações de incorporá-la de forma organizada.

O resultado é uma combinação de riscos que envolve perda de clientes, evasão de talentos e aumento do uso de ferramentas não autorizadas.

Os dados revelam que 74% dos profissionais já utilizam ferramentas de inteligência artificial semanalmente. Apesar disso, 91% acreditam que suas organizações ainda estão aquém do potencial que a tecnologia poderia entregar.

A distância entre expectativa e execução já tem efeitos concretos. Segundo o relatório, quase um quarto dos profissionais considera deixar o emprego nos próximos dois anos caso não enxergue avanços significativos na adoção da IA dentro das empresas.

Estamos vendo surgir uma divisão clara. Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro.

Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters

74% dos profissionais já utilizam ferramentas de IA semanalmente – mas empresas não acompanham ritmo de adoção – Imagem: ktsdesign/Shutterstock

Clientes estão exigindo IA – e empresas podem perder receita

A pressão não vem apenas dos funcionários.

O relatório mostra que 78% dos clientes corporativos consideram as melhorias de qualidade proporcionadas pela inteligência artificial essenciais ou muito importantes. Mas apenas 6% acreditam que os fornecedores de serviços profissionais já entregam o nível esperado de evolução.

Diante dessa percepção, 32% dos clientes afirmam que pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Nos Estados Unidos, a Thomson Reuters estima que esse movimento pode colocar aproximadamente US$ 143 bilhões em receitas dos mercados jurídico e contábil sob revisão.

A disputa por talentos

A pesquisa indica que o acesso a ferramentas profissionais de IA já começa a influenciar decisões de carreira:

  • Globalmente, 24% dos profissionais que enxergam diferença entre o potencial da tecnologia e o que suas empresas efetivamente entregam afirmam que considerariam deixar seus empregos nos próximos dois anos;
  • Em 13% dos casos, essa decisão poderia ocorrer já nos próximos 12 meses;
  • Ao mesmo tempo, 62% dos entrevistados disseram que o acesso a ferramentas avançadas de IA teria peso na decisão de aceitar uma nova proposta de trabalho.

Os dados sugerem que a inteligência artificial começa a ocupar um papel semelhante ao que outras tecnologias corporativas desempenharam no passado: deixa de ser um diferencial e passa a ser uma expectativa básica por parte dos profissionais.

Ao Olhar Digital, Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters, explicou que os maiores impactados são funcionários em meio de carreira:

O maior risco de saída não está nos profissionais mais jovens; está no meio de carreira. São profissionais operacionalmente críticos, que tocam o dia a dia e gerenciam relações com clientes. Essa parcela do mercado já incorporou IA ao próprio padrão profissional.

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

relatório future of professionals da Thomson Reuters
Entre os profissionais cujas empresas ou departamentos possuem uma estratégia de IA definida, 35% afirmam que a prática diária não corresponde a essa estratégia. Esses são os motivos mais comuns – Imagem: Thomson Reuters

Quanto mais empresas demoram, mais cresce o Shadow AI

Isso também ajuda a explicar por que muitas empresas enfrentam dificuldades para conter o Shadow AI, quando funcionários recorrem a ferramentas de IA externas para dar conta de demandas de produtividade.

Um dos alertas do relatório envolve justamente o avanço dessa prática. O termo descreve o uso de ferramentas de inteligência artificial sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das empresas. O Olhar Digital deu detalhes sobre os riscos dessa prática nesta outra reportagem.

  • Segundo o levantamento, um terço dos profissionais de direito, contabilidade e compliance em todo o mundo já utiliza ferramentas de IA não autorizadas por suas organizações;
  • Na América Latina, o índice é ainda maior: 46% dos profissionais afirmam recorrer a soluções não homologadas pelas empresas;
  • Entre aqueles que consideram que suas organizações avançam lentamente na adoção da tecnologia, o percentual chega a 55%.

Para o executivo, o problema não é técnico: “é falha de gestão de mudança”. Ele citou as causas mais comuns:

As quatro causas mais comuns no nosso estudo são claras: as ferramentas certas não estão no ponto (47%), as pessoas não foram preparadas para trabalhar do jeito esperado (43%), a estratégia não foi traduzida em prioridades operacionais (32%) e não há entendimento compartilhado da estratégia (30%).

Adrián Fognini, head de Mercados Internacionais da Thomson Reuters

Mesmo com o uso não autorizado, os próprios profissionais demonstram clareza sobre os requisitos necessários para utilizar IA em ambientes corporativos. Na região, 98% afirmam que as ferramentas precisam garantir proteção de dados confidenciais. Outros 98% exigem conteúdo verificado e confiável, enquanto 95% consideram fundamental que os resultados possam ser justificados e auditados.

Apesar disso, muitos recorrem a soluções externas por falta de alternativas corporativas.

Para Kelly Stefani, CRO da Agility, o fenômeno está menos relacionado à má-fé dos funcionários e mais à ausência de direcionamento por parte das empresas:

As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Segundo a executiva, o principal risco surge quando a organização perde visibilidade sobre como essas ferramentas estão sendo utilizadas. “O maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, declarou.

Ela explica que os impactos vão além da segurança da informação e envolvem questões regulatórias, estratégicas e operacionais, como propostas comerciais e planos de negócio. “É capital intelectual sendo colocado fora do ambiente controlado da organização”, explicou.

Para Stefani, o uso descoordenado da tecnologia dificulta auditorias, aumenta riscos de vazamento e impede que as empresas consigam transformar a IA em uma vantagem competitiva consistente. Isso cria não só um problema de tecnologia, mas de governança e até de cultura da companhia.

Robô com IA no mercado de trabalho
Um terço dos profissionais utiliza IA não aprovada pela empresa – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

O desafio não é adotar IA, mas transformá-la em estratégia

Os resultados do estudo indicam que a principal barreira para as organizações não é a adoção da inteligência artificial. Isso porque a tecnologia já está sendo utilizada diariamente pelos profissionais, independentemente de haver ou não uma estratégia formal definida pelas empresas.

O desafio agora é transformar esse uso em processos estruturados e seguros.

Para Steve Hasker, a diferença entre experimentar IA e incorporá-la efetivamente às operações será determinante para o futuro das organizações.

“Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto. Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente.”

Os dados do relatório sugerem que, à medida que a tecnologia se consolida no ambiente corporativo, o risco para as empresas não está mais em decidir se devem usar inteligência artificial, mas em quanto tempo conseguirão fazê-lo de forma estruturada antes que clientes, funcionários e processos sigam por conta própria.

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Chips da Nvidia e IA aberta: o novo acordo bilionário da SpaceX

A SpaceX fechou um acordo de computação com a Reflection AI, startup de código aberto, em um contrato que pode chegar a US$ 6,3 bilhões, segundo documentos citados pela CNBC.

O movimento amplia o uso da infraestrutura Colossus de Elon Musk para atender empresas externas de inteligência artificial.

Data centers da SpaceX passam a atender clientes externos em nova fase do negócio de tecnologia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock

O que está por trás do acordo bilionário

A SpaceX firmou uma parceria de computação com a Reflection AI, startup focada em modelos de código aberto, para fornecimento de infraestrutura de processamento em larga escala. O acordo envolve o uso de chips Nvidia GB300 e reforça a disputa crescente por capacidade de computação avançada no setor de inteligência artificial.

Se o contrato for cumprido até o fim do prazo, o valor total pode atingir US$ 6,3 bilhões. Na prática, isso coloca a parceria entre as mais relevantes do setor de infraestrutura de IA.

O acordo pode ser encerrado por qualquer uma das partes com aviso prévio de 90 dias após os primeiros três meses.

Infraestrutura da SpaceX ganha outro papel

A SpaceX vem ampliando o uso de seus data centers, especialmente o sistema Colossus, criado em parte para sustentar o Grok, chatbot de IA de Elon Musk.

Leia mais:

Agora, essa estrutura também passa a ser oferecida a clientes externos. É uma mudança importante: de uso interno para um serviço disputado no mercado de computação em nuvem.

A SpaceX já vinha fechando acordos com empresas como Anthropic, Google e Cursor. Aos poucos, vai se consolidando como mais um player nesse mercado de infraestrutura de IA.

Logo da Nvidia em um chip
Chips Nvidia GB300 estão no centro da disputa por poder computacional em inteligência artificial. – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

IA aberta volta ao centro do debate

A Reflection AI aposta no modelo de código aberto em um momento em que empresas e governos questionam a dependência de sistemas fechados de inteligência artificial.

O tema ganhou força depois de episódios envolvendo restrições de acesso a modelos, o que acelerou a busca por alternativas mais controláveis.

Na prática, isso abriu espaço para empresas que defendem mais transparência e flexibilidade no uso de IA.

Entre os principais pontos do acordo estão:

  • Acesso imediato aos chips Nvidia GB300 para IA avançada
  • Pagamento mensal de US$ 150 milhões até 2029
  • Uso da infraestrutura Colossus da SpaceX em escala externa
  • Possibilidade de rescisão após aviso prévio de 90 dias

No fim, o movimento reforça uma tendência mais ampla: o poder computacional virou peça central na disputa global por inteligência artificial — e, cada vez mais, um ativo estratégico disputado por grandes empresas de tecnologia.

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O ChatGPT vai mudar como você vê as respostas na IA

A Getty Images anunciou uma parceria com a OpenAI para integrar seu acervo licenciado ao ChatGPT.
Na prática, a mudança deixa a experiência da IA mais visual e fácil de entender no dia a dia.

Mas o impacto vai além disso: o uso de imagens passa a ganhar mais espaço dentro das respostas.

Parceria leva acervo da Getty ao ChatGPT e torna buscas e respostas mais ricas, com apoio de conteúdo visual licenciado. Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital

O que muda dentro do ChatGPT

O acordo permite que imagens da Getty apareçam em buscas e respostas dentro da plataforma. Assim, o usuário deixa de consumir só texto em várias situações e passa a ter apoio visual.

Na visão da empresa, isso melhora a forma como a informação é encontrada e interpretada.

Conteúdo visual licenciado de alta qualidade torna a busca e a descoberta com inteligência artificial mais úteis e confiáveis.

Craig Peters, CEO da Getty Images, em nota.

Uma experiência mais visual no uso diário

A proposta da integração é tornar o ChatGPT mais visual no uso cotidiano, especialmente em temas como notícias, esportes e entretenimento.

Entre os principais pontos da parceria estão:

  • imagens da Getty aparecem dentro do ChatGPT
  • buscas e respostas passam a ter mais apoio visual
  • experiência mais completa no uso da IA
  • conteúdo licenciado e seguro no acervo

Na prática, isso reduz a dependência de respostas só em texto.

Logo da OpenAI em um smartphone
Nova integração entre OpenAI e Getty Images reforça tendência de inteligência artificial mais visual no dia a dia. – Imagem: JRdes/Shutterstock

Estratégia da Getty e avanço da IA

A Getty Images já é uma das maiores plataformas de conteúdo visual do mundo, com milhões de imagens e uma rede global de fotógrafos.

Leia mais:

A empresa também reforça sua aposta em inteligência artificial, sempre com foco em uso licenciado e seguro de conteúdo.

É mais um passo na direção de uma inteligência artificial mais visual. E isso muda bastante a forma como o usuário interage com o ChatGPT no dia a dia.

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Satya Nadella, da Microsoft, critica concentração da IA e acende alerta no setor

A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.

Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.

E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.

O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock

“Não podemos deixar a IA dominar a economia”

Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.

Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.

Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.

Logo do Microsoft 365 Copilot em um tablet
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock

Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos

Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.

A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.

O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.

Entre as iniciativas estão:

  • modelos de IA mais acessíveis para empresas
  • opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
  • agentes de IA para execução de tarefas mais longas
  • testes com modelos alternativos, como o DeepSeek

A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.

Disputa aberta com os gigantes da tecnologia

Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.

Leia mais:

O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.

Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.

A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.

Ilustração representa monitoramento digital de funcionários por ferramentas de inteligência artificial no ambiente de trabalho.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock

IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura

Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.

A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.

  • IA como apoio direto à produtividade
  • reorganização de funções dentro das empresas
  • organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
  • combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial

A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.

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Gigante da IA derruba Samsung e conquista posto histórico na Coreia do Sul

A SK Hynix alcançou um marco histórico ao superar a Samsung Electronics e se tornar a empresa listada mais valiosa da Coreia do Sul. A mudança no topo acontece em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial.

Há pouco mais de duas décadas, explica a Reuters, um cenário como esse parecia improvável. Na época, a fabricante enfrentava uma grave crise financeira. Hoje, impulsionada pela demanda por chips usados em sistemas de IA, vive uma fase completamente diferente.

SK Hynix quase faliu nos anos 2000, mas hoje lidera o mercado global de chips de memória usados em sistemas de IA. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

A onda da IA virou o mercado

O avanço da inteligência artificial mudou a dinâmica do setor de semicondutores, e poucas empresas aproveitaram tanto essa transformação quanto a SK Hynix. Atualmente, ela é a principal fornecedora de memórias HBM, componentes essenciais para aplicações de IA usadas por gigantes como Nvidia e Google.

Na segunda-feira, as ações da fabricante avançaram 5,6%, elevando seu valor de mercado para 2.080,4 trilhões de won, equivalentes a US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7,3 trilhões). A Samsung, que liderava o ranking desde 2000, ficou logo atrás, com valor de mercado de 2.066,7 trilhões de won.

Segundo Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities, “o surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado”.

Uma reviravolta que parecia improvável

Nem sempre a trajetória foi de crescimento. No início dos anos 2000, quando ainda se chamava Hynix Semiconductor, a companhia quase foi vendida para a Micron após acumular dívidas em uma agressiva expansão. Como o negócio não avançou, a fabricante permaneceu sob controle dos credores por quase dez anos.

Em 2003, suas ações despencaram para apenas 135 won, sendo consideradas uma “penny stock”. Poucos imaginariam naquele momento que a empresa se tornaria a fabricante de chips de memória mais valiosa do mundo anos depois.

O cenário voltou a piorar em 2023, quando a sul-coreana registrou um prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de won. Um ano depois, a situação era completamente diferente. Impulsionada pelo boom da IA, a empresa alcançou um lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de won.

Por trás dessa recuperação, alguns fatores foram determinantes:

  • Foco em chips HBM voltados para IA;
  • Continuidade dos investimentos durante a crise do setor;
  • Crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial;
  • Maior poder de precificação em comparação com memórias convencionais.
Sistemas de litografia EUV para fabricação de semicondutores
O avanço da IA transformou a SK Hynix na fabricante de memória mais valiosa do mundo, superando rivais históricos. – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock

Agora, a pressão está do outro lado

Analistas apontam que a decisão de investir nas memórias HBM foi decisiva para essa ascensão. A tecnologia oferece maior desempenho e menor consumo de energia. Em 2025, a SK Hynix detinha 61% desse segmento global, enquanto Samsung e Micron tinham 17% e 21%, respectivamente.

Leia mais:

O presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, explicou a estratégia em um livro publicado neste ano. “O que eu realmente queria realizar quando adquirimos a Hynix era transformá-la de uma produtora de memória de baixo custo em uma empresa de semicondutores convencional cujos produtos são indispensáveis”, afirmou.

Ele destacou ainda que “o que antes era um componente periférico tornou-se um componente essencial”, referindo-se à importância dessas memórias para os sistemas de IA.

Analistas avaliam que a liderança histórica da Samsung no mercado de DRAM pode enfrentar pressão crescente nos próximos anos. Além disso, a Reuters informou que a SK Hynix está escolhendo a Nasdaq para uma futura listagem nos Estados Unidos, movimento que pode ampliar sua presença entre investidores globais.

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Aliança entre Uber, Stellantis e Wayve pode mudar o futuro dos carros autônomos

Uber, Wayve e Stellantis anunciaram uma parceria para avançar no desenvolvimento de robotáxis autônomos de nível 4.

Segundo o New Atlas, o acordo reforça a disputa global por carros sem motorista e aumenta a pressão sobre o setor para acelerar soluções em escala.

Stellantis assume a produção dos carros enquanto a Wayve fornece a inteligência artificial de direção autônoma. – Imagem: Divulgação/Wayve

Uma aliança que divide responsabilidades

O acerto entre as três empresas junta peças bem diferentes de um mesmo projeto. A Uber entra com a plataforma de transporte e a base de usuários. A Stellantis assume a produção dos veículos em escala industrial. Já a Wayve fica responsável pelo sistema de inteligência artificial que controla a direção dos carros.

Hoje, os sistemas de nível 4 ainda dependem de mapas muito detalhados e áreas previamente definidas para funcionar. Isso exige um trabalho grande de mapeamento de ruas e cruzamentos antes que os veículos possam circular. E, no fim, isso acaba limitando bastante onde os robotáxis conseguem operar.

  • nível 4 ainda precisa de áreas mapeadas antes da operação
  • nível 5 busca rodar em qualquer lugar e sob qualquer clima
  • sensores e câmeras trabalham continuamente durante a direção
  • o custo de mapeamento ainda é um dos principais entraves

IA sem mapas e a aposta da Wayve

A Wayve tenta seguir um caminho diferente do que hoje domina o mercado. Em vez de depender de mapas digitais prontos, a empresa aposta em uma IA capaz de aprender com o ambiente em tempo real, interpretando o que vê por câmeras e sensores. É o que ela chama de “IA incorporada”.

Na prática, a ideia é fazer o carro reagir de forma mais próxima ao comportamento humano, lidando com situações novas sem precisar de um mapa prévio do local. Isso pode reduzir etapas e, principalmente, acelerar a expansão da tecnologia para outras cidades.

Esse tipo de abordagem também tenta resolver um problema conhecido da direção autônoma: quando o carro encontra algo fora do padrão, ele pode não interpretar corretamente a situação. Em testes do setor, isso já levou a erros inesperados e ajuda a explicar por que o avanço ainda é mais lento do que o esperado.

Robotáxi da Wayve
IA incorporada da Wayve interpreta o ambiente em tempo real usando câmeras e sensores nos veículos, permitindo nível 4 de autonomia. – Imagem: Divulgação/Wayve

O que muda para os passageiros

Se o plano sair do papel, os robotáxis da Stellantis com tecnologia da Wayve devem ser integrados diretamente ao aplicativo da Uber. O usuário chama a corrida normalmente, mas o veículo já chega sem motorista humano. A Stellantis produz os carros preparados para essa operação, enquanto a Wayve fornece o sistema de IA.

Leia mais:

Com isso, a Uber evita manter um programa próprio de desenvolvimento de veículos autônomos e concentra esforços na operação do serviço. Na prática, cada empresa assume uma parte do risco e do investimento.

O objetivo mais ambicioso do setor continua sendo o nível 5 de autonomia. Nesse estágio, os carros poderiam rodar em qualquer estrada e condição, sem qualquer intervenção humana. Isso eliminaria volante e pedais e abriria espaço para interiores completamente redesenhados.

  • veículos poderiam operar até em estradas rurais ou sem sinalização
  • interior do carro poderia ser usado como escritório ou espaço de descanso
  • ainda não existe sistema comercial com esse nível de autonomia

O avanço dessa parceria mostra que a disputa pelos robotáxis vai além da tecnologia. Ela envolve também estratégia, divisão de custos e quem vai conseguir transformar essa promessa em um serviço viável no dia a dia.

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Zoox entra no mercado de risco e crédito e desafia Serasa e Boa Vista

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Da oferta de Wi-Fi para hotéis, em 2010, a Zoox evoluiu para uma conexão muito mais ampla: o uso desses pontos de internet sem fio para capturar dados, que, por sua vez, passaram a incluir e a alimentar as estratégias de outros setores. De aeroportos e varejistas a bancos, shoppings, hospitais e seguradoras. Agora, esse […]

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Shadow AI: você já usou IA ‘escondido’ no trabalho? O risco pode ser maior do que você pensa

Você provavelmente já usou algum chatbot de inteligência artificial para resumir um texto longo, obter dicas sobre algum assunto ou receber uma ajudinha na hora de escrever um texto complicado. Mas e quando isso acontece dentro do ambiente de trabalho? Assim surgiu o conceito de Shadow AI ou IA paralela.

O termo descreve o uso de ferramentas de IA sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das áreas de tecnologia e segurança da informação de uma companhia.

E embora muitas vezes a motivação seja aumentar a produtividade, a prática tem acendido um alerta entre especialistas por envolver riscos que vão desde vazamentos de dados até problemas regulatórios e prejuízos financeiros.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema:

  • Um levantamento da Gartner apontou que 69% das empresas suspeitam ou têm evidências de que seus funcionários estão usando IA generativa sem autorização;
  • Já dados do estudo Value of AI, da SAP em parceria com a Oxford Economics, mostram que 66% das companhias brasileiras admitem que o uso não autorizado ocorre com alguma frequência nas empresas;
  • E piora: a pesquisa “Inovações em Cibersegurança na Gestão de Riscos e Uso de IA 2025”, também da Gartner, revelou que 33% dos funcionários admitem inserir informações confidenciais das companhias em ferramentas públicas ou não aprovadas.

O Olhar Digital consultou especialistas para entender o que é Shadow AI, e como essa prática está afetando o dia a dia das empresas e dos funcionários.

O que é Shadow AI?

De acordo com a empresa de cibersegurança Palo Alto Networks, Shadow AI é o uso de ferramentas ou sistemas de inteligência artificial sem a aprovação, monitoramento ou envolvimento das equipes de TI ou segurança de uma organização.

Na prática, isso acontece quando funcionários recorrem por conta própria a plataformas de IA para realizar atividades relacionadas ao trabalho, sem que a empresa tenha definido regras, controles ou mecanismos de supervisão para esse uso.

Para Samuel Barros, reitor do IBMEC, trata-se de um fenômeno cada vez mais comum dentro das organizações.

Inclusive, o conceito não é completamente novo: ele deriva do chamado Shadow IT, expressão usada para descrever tecnologias utilizadas sem aprovação na área de TI. Segundo a Palo Alto, a diferença é que a IA paralela traz riscos específicos relacionados à forma como os modelos processam dados, geram respostas e influenciam decisões.

Para especialistas, uso de IA sem autorização vem da pressão por produtividade – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Por que os funcionários recorrem à IA sem autorização?

Especialistas defendem que o fenômeno não tem a ver com má-fé do funcionário.

Kelly Stefani, CRO da Agility, avalia que a principal motivação costuma ser a pressão por produtividade somada à falta de orientação das empresas.

As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Segundo ela, muitos funcionários sequer têm clareza sobre os riscos envolvidos ou sobre quais ferramentas são permitidas pela organização. “O colaborador não necessariamente está tentando burlar uma regra. Muitas vezes ele nem sabe que existe uma regra, ou não entende o risco envolvido”, declarou.

Já para Samuel Barros, as empresas ignorarem esse movimento pode ser um erro estratégico. “É muita ingenuidade achar que os times não estão utilizando inteligência artificial, sabendo que ela [tecnologia] agiliza muito as entregas e facilita muito a vida”, afirmou.

Quais são os riscos do Shadow AI?

Para Stefani, o principal problema é a perda de controle sobre informações corporativas: “o maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, resumiu.

Os especialistas costumam dividir os riscos em diferentes camadas.

Exposição de dados sensíveis

Um dos cenários mais preocupantes envolve o compartilhamento de informações confidenciais em plataformas públicas de IA.

Segundo a Palo Alto, funcionários podem inserir dados proprietários, estratégicos ou regulados sem compreender como essas informações serão armazenadas, processadas ou utilizadas pelos provedores dos modelos.

Kelly Stefani alerta que o problema pode envolver desde dados pessoais até ativos estratégicos da organização.

Muitas vezes, o dado compartilhado não é apenas operacional. Pode ser uma proposta comercial, uma estratégia de negócio, uma base de clientes, uma metodologia proprietária, uma análise financeira ou uma informação de pipeline.

Kelly Stefani, CRO da Agility

Uma pesquisa da LayerX Security, citada pela Conversys IT Solutions, revelou que 75% dos funcionários que utilizam ferramentas de IA não aprovadas já inseriram informações sensíveis nessas plataformas.

Robô com IA no mercado de trabalho
Relatórios apontam que mais da metade dos funcionários faz o Shadow AI – mas falta de instrução por parte das empresas também é um problema – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock

Problemas com a LGPD e outras normas

O compartilhamento indevido de dados também pode gerar consequências legais.

Barros destaca que a falta de controle pode colocar empresas em situação de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Você pode estar expondo os dados da companhia, de clientes, de fornecedores, a um ambiente não controlado. O que, por si só, a Lei Geral de Proteção de Dados Brasileira já apresenta como um risco significativo.

Samuel Barros, reitor do IBMEC

A própria Palo Alto Networks aponta que ferramentas de IA paralela podem contornar exigências de proteção de dados e abrir caminho para investigações, sanções e multas.

Decisões baseadas em informações incorretas

Outro risco está relacionado à qualidade das respostas geradas pelos sistemas: sem supervisão adequada, colaboradores podem tomar decisões baseadas em conteúdos imprecisos, desatualizados ou produzidos por modelos que utilizam dados inadequados.

Também há riscos relacionados ao chamado “envenenamento de modelos”, situação em que sistemas treinados com informações comprometidas produzem respostas enviesadas, incorretas ou manipuladas.

Falta de rastreabilidade

Kelly Stefani explicou que, quando cada área adota ferramentas de IA por conta própria, sem critérios comuns, sem integração e sem acompanhamento, o resultado é um ecossistema corporativo fragmentado.

Segundo ela, isso dificulta investigações, aumenta o risco de vazamentos e impede que a organização aprenda com o próprio uso da tecnologia.

Quais áreas são mais vulneráveis?

Embora o Shadow AI possa atingir qualquer setor, algumas áreas exigem atenção especial por lidarem diretamente com dados sensíveis.

Stefani cita recursos humanos, jurídico, finanças, contabilidade, marketing e vendas entre os departamentos mais expostos.

  • No RH, por exemplo, informações sobre salários, avaliações de desempenho e dados pessoais podem ser compartilhadas indevidamente;
  • Já no jurídico, contratos, pareceres e documentos sigilosos representam potenciais riscos;
  • Em áreas comerciais, propostas, históricos de negociação e informações sobre clientes também podem acabar expostos em ferramentas sem controle.
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Riscos envolvem vazamento de dados e perda de controle das empresas sobre sua própria governança – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

De quem é a responsabilidade em caso de vazamentos?

A resposta não é simples.

De acordo com a executiva da Agility, a responsabilização depende das circunstâncias de cada caso.

Se a empresa possui políticas claras, treinamento, ferramentas homologadas e mecanismos de governança, um descumprimento deliberado dessas normas pode ser atribuído ao colaborador. Por outro lado, quando não existem regras, orientações ou controles adequados, a organização também pode ser responsabilizada por não ter adotado medidas suficientes para prevenir o problema.

“Em outras palavras, o colaborador nunca é retirado da equação, mas a empresa também não consegue simplesmente transferir toda a responsabilidade para ele”, explicou.

Como as empresas podem se proteger do Shadow AI?

Para os especialistas, a solução não está em proibir o uso da inteligência artificial.

“O primeiro passo é ganhar visibilidade sobre quem usa, quais ferramentas e em quais contextos”, afirmou Stefani.

A partir desse mapeamento, as organizações devem criar políticas claras sobre quais ferramentas são autorizadas, quais tipos de dados podem ser compartilhados e quais procedimentos devem ser seguidos.

Samuel Barros defende a criação de um código formal de conduta para o uso de IA.

A empresa, por recomendação, deveria construir um código de norma e conduta de utilização de inteligência artificial. Quais são as ferramentas autorizadas? Para que elas podem ser utilizadas? Que tipo de documento você pode compartilhar? Que tipo de documento você não deve jamais compartilhar?

Samuel Barros, reitor do IBMEC

Ele também sugere a criação de repositórios internos de prompts, registros históricos de utilização e mecanismos permanentes de controle.

Outro ponto destacado pelos especialistas é a educação dos colaboradores.

“O colaborador precisa entender o porquê das regras. Quando ele entende que copiar uma planilha de clientes, uma proposta comercial ou um contrato confidencial em uma ferramenta pública pode gerar risco regulatório, financeiro e reputacional, a relação com a tecnologia muda”, defendeu Kelly Stefani.

O desafio da governança

Para os especialistas, o crescimento do Shadow AI mostra que a discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas uma questão tecnológica, mas também de governança e cultura corporativa.

À medida que a IA se integra cada vez mais às atividades do dia a dia, as empresas terão de encontrar um equilíbrio entre inovação e controle.

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