A OpenAI não vai colocar o GPT-5.6 nas mãos de todos os usuários de uma só vez. Atendendo a um pedido do governo dos Estados Unidos, a empresa decidiu iniciar a distribuição do novo modelo de inteligência artificial de forma gradual.
A previsão é que a tecnologia chegue primeiro a um grupo restrito de parceiros. Se essa etapa ocorrer como esperado, o acesso será ampliado nas semanas seguintes.
Governo quer acompanhar a primeira fase
O GPT-5.6 será o novo sistema responsável por alimentar o ChatGPT. Segundo um memorando de Sam Altman obtido pelo The Information, a fase inicial será acompanhada de perto pelo governo americano, que fará a liberação individual de cada cliente autorizado.
O pedido partiu de dois órgãos federais e, de acordo com a publicação, ganhou reforço do secretário de Comércio de Donald Trump, Howard Lutnick, que teria solicitado a participação de outras agências antes de uma liberação mais ampla.
Na prática, a etapa inicial prevê:
acesso restrito a um pequeno grupo de parceiros;
aprovação individual de cada cliente durante a prévia;
acompanhamento do processo por órgãos do governo dos EUA;
ampliação do acesso nas semanas seguintes, caso tudo transcorra conforme o previsto.
Esse formato representa uma mudança na maneira como modelos avançados de IA costumam ser disponibilizados, já que a expansão dependerá do andamento dessa fase inicial.
Antes de chegar ao público, o GPT-5.6 passará por uma fase de testes com um grupo restrito de parceiros selecionados. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
O caso do GPT-5.6 lembra o Mythos, da Anthropic, que também teve acesso limitado por decisão do governo dos EUA. – Imagem: gguy/Shutterstock
Caso da Anthropic ajuda a explicar a decisão
O modelo adotado pela OpenAI lembra o caminho percorrido pela Anthropic, uma de suas principais concorrentes.
A empresa lançou o Mythos em um programa de acesso gradual, mas acabou suspendendo completamente a disponibilidade pública da tecnologia depois que o governo dos Estados Unidos determinou que cidadãos estrangeiros não poderiam acessar o sistema. A medida foi motivada pelas capacidades avançadas de invasão cibernética atribuídas ao modelo.
O Mythos também chamou atenção das autoridades britânicas de segurança em inteligência artificial, que o classificaram como um “salto” em comparação com os modelos de ponta anteriores.
OpenAI diz que prefere outro caminho
Embora tenha aceitado a solicitação do governo, a OpenAI afirma que esse formato não representa seu plano ideal para futuros lançamentos.
No memorando enviado aos funcionários, Sam Altman escreveu: “Deixamos claro ao governo dos EUA que esse não é nosso modelo preferido de longo prazo, e trabalharemos com eles e com outros da indústria para alcançar uma abordagem mais sustentável para lançamentos futuros.”
Para a empresa, a expectativa é continuar discutindo alternativas com autoridades e representantes do setor, buscando um modelo considerado mais adequado para disponibilizar tecnologias cada vez mais avançadas.
Casa Branca muda o discurso sobre IA
A decisão envolvendo o GPT-5.6 ocorre em meio a uma mudança de postura do governo americano sobre inteligência artificial.
Neste mês, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que cria um marco voluntário para permitir que o governo federal avalie novos sistemas de IA antes de seu lançamento.
A medida contrasta com declarações feitas anteriormente pela própria Casa Branca. No ano passado, o vice-presidente JD Vance afirmou que “a regulação excessiva do setor de IA poderia matar uma indústria transformadora”.
O avanço acelerado das capacidades desses sistemas, porém, ampliou o debate sobre segurança e supervisão. Se o cronograma anunciado for mantido, o GPT-5.6 chegará primeiro a um grupo limitado de parceiros antes de ser disponibilizado ao público mais amplo, em um lançamento que poderá servir de referência para futuras estreias de modelos avançados de inteligência artificial.
Um conjunto de análises sobre transações financeiras e interesse educacional indica que o uso pago do Anthropic por meio do assistente Claude vem crescendo de forma consistente entre consumidores nos Estados Unidos. O movimento aparece em dados de milhões de transações de cartões e em plataformas de ensino de tecnologia.
As informações mostram que esse avanço ocorre em um cenário de competição direta com o ChatGPT, que ainda mantém ampla liderança em volume total de usuários e receitas. Apesar disso, os sinais recentes apontam aumento de interesse e de pagamentos relacionados ao produto da Anthropic.
As tendências também são observadas em indicadores de busca e consumo de cursos, além de mudanças no contexto regulatório envolvendo modelos da empresa, o que adiciona pressão e atenção ao desempenho recente da companhia no mercado de inteligência artificial.
Crescimento de interesse e disputa no mercado de IA
Anthropic cresce – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Levantamentos baseados em bilhões de transações anônimas de cartões, analisados pela empresa de inteligência de dados Indagari, indicam que assinaturas e pagamentos ligados ao Claude avançaram de forma contínua ao longo de 2026 nos Estados Unidos. O recorte analisado inclui cerca de 28 milhões de consumidores e mostra aumento relevante no volume gasto com serviços associados ao sistema da Anthropic.
Segundo esses dados, o crescimento acumulado do grupo de consumidores pagantes ligado ao Claude chegou a aproximadamente 75% desde o início de 2026, com expansão mês a mês. O movimento teria persistido mesmo após um pico registrado em março, período associado a uma decisão da empresa de restringir usos militares e de vigilância em certos contextos.
Além disso, uma plataforma de ensino digital, a DataCamp, relatou aumento expressivo na procura por conteúdos relacionados ao Claude. A empresa afirmou que o termo passou a liderar buscas internas e que o interesse em cursos sobre o sistema cresceu significativamente em um curto intervalo de tempo, superando até mesmo buscas gerais sobre inteligência artificial em alguns recortes de usuários.
Comparação com o ChatGPT e consolidação do mercado
OpenAI continua na frente da Anthropic, por enquanto – Imagem: JarTee/Shutterstock
Apesar do avanço, o ChatGPT segue como a principal ferramenta de inteligência artificial voltada ao consumidor final, tanto em número de usuários quanto em receita estimada. Dados de empresas de inteligência de mercado indicam que a base do produto da OpenAI continua muito superior à do Claude.
Relatórios da empresa Sensor Tower mostram que o Claude apresentou expansão relevante em diferentes plataformas ao longo do ano, mas ainda permanece distante em escala quando comparado ao concorrente. A diferença é atribuída ao alcance já consolidado do ChatGPT no mercado global.
Mesmo assim, observadores do setor apontam que a distância pode estar diminuindo em termos de ritmo de crescimento e atenção do público, especialmente entre usuários que buscam ferramentas alternativas para tarefas específicas.
Fatores regulatórios e contexto empresarial
O desempenho recente da Anthropic também ocorre em meio a tensões regulatórias. Informações indicam que autoridades dos Estados Unidos teriam imposto restrições ao uso de modelos mais avançados da empresa em determinados contextos e regiões, o que levou à retirada temporária de algumas versões do mercado.
Entre os modelos afetados estariam versões chamadas Mythos 5 e Fable 5, associadas a capacidades avançadas em cibersegurança. A medida teria impactado a disponibilidade global desses sistemas.
Até o momento, a Anthropic não comentou oficialmente os dados de crescimento nem os efeitos das restrições. Ainda assim, as informações reunidas sugerem expansão simultânea de interesse consumidor e pressão regulatória.
Durante décadas, a principal forma de encontrar informações na internet foi por meio de mecanismos de busca. Usuários faziam pesquisas, escolhiam entre os links exibidos e acessavam sites para ler notícias, comparar produtos ou buscar respostas para suas dúvidas.
Com o avanço da inteligência artificial (IA) generativa, esse processo começa a mudar. Em vez de navegar por uma lista de resultados, um número crescente de pessoas está recorrendo diretamente a ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot para obter respostas prontas, recomendações personalizadas e comparações de produtos.
A mudança já aparece nos números. Dados da consultoria McKinsey mostram que 50% dos consumidores utilizam ferramentas de busca baseadas em IA. O impacto também começa a ser percebido no comércio eletrônico, onde plataformas de IA já influenciam a descoberta de produtos e o tráfego para lojas virtuais.
Mais do que alterar hábitos de pesquisa, a inteligência artificial começa a transformar a dinâmica que sustentou a internet por décadas. À medida que respostas passam a ser entregues diretamente por sistemas de IA, empresas, criadores de conteúdo e plataformas tentam entender como essa mudança pode afetar o tráfego na web, a descoberta de produtos e a produção de conteúdo online.
Estamos saindo de uma internet baseada em busca
A transformação vai além da popularização de novas ferramentas, segundo Edson Alves, CEO da Ikatec. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que a própria lógica de navegação da internet começa a mudar.
Estamos saindo de uma internet baseada em busca para uma internet baseada em respostas. Antes, o usuário fazia uma pergunta, recebia uma lista de links e precisava montar a resposta sozinho. Agora, ele faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta, contextualizada e personalizada.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Segundo Alves, a mudança mais perceptível está no comportamento dos usuários. Em vez de utilizar combinações de palavras-chave para encontrar informações, as pessoas passaram a interagir com a tecnologia de forma mais próxima de uma conversa.
“As pessoas estão deixando de pesquisar por palavras-chave e passando a conversar com a tecnologia. Isso torna a experiência mais natural e reduz drasticamente o tempo necessário para encontrar informações relevantes”, afirma.
Durante décadas, mecanismos de busca como o Google funcionaram como principal porta de entrada para informações na internet – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Uma tendência semelhante é observada por Danilo Fonseca, sócio da Saving. Em entrevista ao Olhar Digital, o executivo afirmou que as buscas estão se tornando mais detalhadas e contextualizadas do que nos mecanismos de busca tradicionais.
As buscas têm sido cada vez mais em linguagem natural, diferente de como fazíamos no Google. Elas deixaram de ser ‘palavras-chave’ e viraram uma conversa.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Na prática, isso significa que o usuário não precisa mais limitar uma pesquisa a termos curtos como “melhor tênis de corrida” ou “melhor notebook”. Em vez disso, pode explicar seu contexto, objetivos e preferências para receber recomendações mais específicas.
De acordo com Fonseca, os modelos de IA conseguem considerar diferentes informações compartilhadas durante uma interação e consultar múltiplas fontes antes de formular uma resposta, aproximando a experiência de uma conversa com um assistente digital.
Quando a IA responde, quem perde o clique?
A mudança na forma de pesquisar começa a produzir efeitos em um dos pilares da internet moderna: o tráfego gerado por mecanismos de busca.
Durante décadas, buscadores funcionaram como intermediários entre usuários e sites. A pessoa fazia uma pesquisa, escolhia um resultado e acessava páginas para consumir notícias, comparar produtos ou buscar informações. Com a popularização das respostas geradas por IA, parte desse processo passa a acontecer sem que o usuário precise deixar a plataforma.
Os dados indicam que essa transformação já está em andamento. Segundo a Similarweb, a proporção de buscas realizadas no Google sem qualquer clique em sites externos passou de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025. Já um levantamento do Pew Research Center mostrou que usuários que recebem respostas geradas por IA clicam em links tradicionais com menos frequência do que aqueles que visualizam apenas resultados convencionais.
Para Alves, o impacto vai além de uma simples mudança tecnológica e levanta questões sobre o modelo econômico que sustentou grande parte da produção de conteúdo na internet.
Grande parte da produção de conteúdo foi financiada pelo tráfego gerado pelos buscadores. Se esse tráfego diminuir significativamente, será necessário encontrar novos modelos econômicos para manter a geração de conteúdo de qualidade.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Os efeitos já começam a aparecer para empresas que dependem desse tráfego. Dados divulgados pela Chartbeat indicam que pequenos publishers perderam cerca de 60% das visitas vindas de mecanismos de busca nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, o crescimento das visitas originadas por plataformas de IA ainda não foi suficiente para compensar essas perdas.
A inteligência artificial também cria novas formas de descoberta de conteúdo. Segundo a Similarweb, plataformas de IA geraram mais de 1,1 bilhão de visitas de referência em junho de 2025, um crescimento de 357% em relação ao ano anterior.
A IA está virando um consultor de compras
A influência da inteligência artificial não termina quando uma pergunta é respondida. Cada vez mais, essas plataformas também participam da descoberta de produtos, da comparação de alternativas e da tomada de decisão dos consumidores.
Para Edson Alves, essa é uma das mudanças mais relevantes provocadas pela popularização dos assistentes de IA. “A IA está se tornando um verdadeiro consultor digital. Em vez de pesquisar dezenas de sites, comparar avaliações e analisar características, o consumidor pode simplesmente pedir recomendações personalizadas”, afirma ele.
Ferramentas de IA começam a assumir tarefas que antes exigiam pesquisas manuais, incluindo comparação de produtos e recomendações de compra – Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock
Segundo o executivo, a descoberta de produtos e serviços passa a ocorrer de forma mais contextualizada. Em vez de depender exclusivamente de anúncios ou resultados de busca, o usuário pode solicitar análises comparativas e sugestões adaptadas às suas necessidades.
Isso reduz etapas da jornada de compra e aumenta a influência dos assistentes inteligentes nas decisões de consumo. A descoberta de produtos passa a ocorrer por recomendação contextual, não apenas por anúncios ou resultados de busca.
Edson Alves, CEO da Ikatec
O avanço dessa tendência coincide com o lançamento de ferramentas capazes de executar tarefas em nome dos usuários. Nos últimos meses, empresas como Google, OpenAI e Microsoft passaram a apresentar agentes que podem pesquisar produtos, comparar opções e auxiliar decisões de compra.
Para Danilo Fonseca, esse movimento foi um dos sinais mais claros de que a relação entre consumidores e marcas está entrando em uma nova fase.
Quando empresas como Google, OpenAI e Microsoft começaram a anunciar agentes capazes de pesquisar, comparar opções e até executar tarefas em nome do usuário, ficou claro que as marcas precisariam ser encontradas não apenas por pessoas.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Os números sugerem que essa transformação já está em andamento. Dados da Adobe apontam que o tráfego gerado por ferramentas de IA para sites de varejo dos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026. Durante a temporada de compras de fim de ano de 2025, o avanço chegou a 693% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na visão de Alves, a tendência é que os consumidores deleguem uma parcela cada vez maior da pesquisa inicial para sistemas capazes de reunir informações, comparar alternativas e apresentar recomendações em poucos segundos. No futuro, segundo ele, será possível pedir a uma IA indicações sobre softwares, veículos, fornecedores ou outros produtos complexos e receber análises prontas para apoiar a decisão.
Empresas tentam se adaptar às novas regras
A mudança no comportamento dos usuários está criando um novo desafio para empresas acostumadas a disputar visibilidade nos mecanismos de busca tradicionais.
Se durante anos a estratégia digital esteve concentrada em aparecer entre os primeiros resultados do Google, agora cresce a preocupação com a forma como marcas são interpretadas e apresentadas por ferramentas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity.
Para Edson Alves, essa mudança está criando uma nova dinâmica de competição no ambiente digital.
A disputa deixa de ser apenas pela primeira posição do Google e passa a ser pela relevância dentro do conhecimento consumido pelas IAs.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Segundo o executivo, fatores como autoridade da marca, reputação digital, consistência das informações e presença em múltiplas fontes tendem a ganhar importância em um cenário em que os sistemas de IA sintetizam conteúdos e destacam apenas algumas referências para os usuários.
Novas estratégias para um novo ambiente
A transformação já impulsiona o surgimento de estratégias voltadas especificamente para esse novo ambiente. O mercado passou a adotar termos como Generative Engine Optimization (GEO) e AI Search Optimization para descrever práticas que buscam aumentar as chances de uma marca ser citada ou recomendada por sistemas de inteligência artificial.
“O motivo é simples: onde existe atenção, existe valor econômico”, afirma Alves. Segundo ele, as empresas perceberam que ser mencionado por um assistente de IA pode ter um impacto semelhante ao de ocupar as primeiras posições em uma busca tradicional.
Empresas começam a adotar novas estratégias para monitorar como suas marcas aparecem em mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock
Na avaliação de Danilo Fonseca, sócio da Saving, a adaptação exige uma abordagem mais ampla do que as estratégias tradicionais de otimização para buscadores. “O jogo parece o mesmo, mas as regras são diferentes”, destaca ele.
Segundo o executivo, empresas precisam fortalecer sua presença em diferentes canais, incluindo sites próprios, veículos de imprensa, redes sociais, fóruns e blogs especializados. Isso porque os modelos de IA utilizam múltiplas fontes para construir respostas e recomendações.
A demanda por esse tipo de monitoramento já começa a aparecer no mercado. De acordo com Fonseca, muitos empresários passaram a pesquisar suas próprias marcas em plataformas como ChatGPT, Gemini e Perplexity para entender como são apresentados aos usuários.
Quando nos procuram sobre esse tema os clientes querem ser mencionados e considerados nas recomendações do ChatGPT e afins.
Danilo Fonseca, sócio da Saving
Uma das iniciativas surgidas nesse contexto é a plataforma ALVO, da Saving, desenvolvida para monitorar como empresas são apresentadas por ferramentas de IA e em diferentes canais digitais.
A nova economia da relevância
Embora as transformações provocadas pela inteligência artificial já sejam perceptíveis, ainda não existe consenso sobre como será a próxima etapa dessa evolução.
Para Danilo Fonseca, diferentes cenários permanecem em aberto. Um deles envolve o avanço dos chamados agentes de IA, capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e executar tarefas em nome dos usuários. Outro prevê uma valorização ainda maior de avaliações, recomendações e conteúdos produzidos por pessoas.
Independentemente do caminho que prevalecer, a tendência é que mecanismos de busca, plataformas de comércio eletrônico e assistentes de IA se tornem cada vez mais integrados.
“A tendência é de convergência”, afirma Edson Alves. Segundo ele, os mecanismos de busca devem incorporar mais capacidades conversacionais, enquanto plataformas de comércio eletrônico passam a utilizar assistentes inteligentes como parte da experiência de compra.
Na avaliação do executivo, a mudança também deve alterar a forma como conteúdos são produzidos e distribuídos na internet. Em vez de depender exclusivamente de técnicas tradicionais de otimização, empresas e criadores de conteúdo precisarão investir cada vez mais em autoridade, especialização e credibilidade.
Acredito que veremos o surgimento de uma nova economia da relevância, onde não basta estar na internet; será necessário ser reconhecido como uma fonte confiável pelas inteligências artificiais.
Edson Alves, CEO da Ikatec
Durante décadas, o principal desafio da internet foi ser encontrado por pessoas. Agora, à medida que ferramentas de IA passam a intermediar parte dessas interações, a disputa começa a incluir outro objetivo: ser reconhecido também pelas máquinas que ajudam a decidir o que os usuários vão ver.
A Getty Images anunciou uma parceria com a OpenAI para integrar seu acervo licenciado ao ChatGPT. Na prática, a mudança deixa a experiência da IA mais visual e fácil de entender no dia a dia.
Mas o impacto vai além disso: o uso de imagens passa a ganhar mais espaço dentro das respostas.
Parceria leva acervo da Getty ao ChatGPT e torna buscas e respostas mais ricas, com apoio de conteúdo visual licenciado. Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital
O que muda dentro do ChatGPT
O acordo permite que imagens da Getty apareçam em buscas e respostas dentro da plataforma. Assim, o usuário deixa de consumir só texto em várias situações e passa a ter apoio visual.
Na visão da empresa, isso melhora a forma como a informação é encontrada e interpretada.
Conteúdo visual licenciado de alta qualidade torna a busca e a descoberta com inteligência artificial mais úteis e confiáveis.
Craig Peters, CEO da Getty Images, em nota.
Uma experiência mais visual no uso diário
A proposta da integração é tornar o ChatGPT mais visual no uso cotidiano, especialmente em temas como notícias, esportes e entretenimento.
Entre os principais pontos da parceria estão:
imagens da Getty aparecem dentro do ChatGPT
buscas e respostas passam a ter mais apoio visual
experiência mais completa no uso da IA
conteúdo licenciado e seguro no acervo
Na prática, isso reduz a dependência de respostas só em texto.
Nova integração entre OpenAI e Getty Images reforça tendência de inteligência artificial mais visual no dia a dia. – Imagem: JRdes/Shutterstock
Estratégia da Getty e avanço da IA
A Getty Images já é uma das maiores plataformas de conteúdo visual do mundo, com milhões de imagens e uma rede global de fotógrafos.
A empresa também reforça sua aposta em inteligência artificial, sempre com foco em uso licenciado e seguro de conteúdo.
É mais um passo na direção de uma inteligência artificial mais visual. E isso muda bastante a forma como o usuário interage com o ChatGPT no dia a dia.
A inteligência artificial virou companheira de estudos para milhões de estudantes. Em segundos, a tecnologia resume textos, explica conceitos complexos e até monta apresentações completas. Mas toda essa praticidade pode ter um custo invisível: a capacidade de aprender e reter conhecimento.
É o que sugere um trabalho publicado na revista científica Science Direct, conduzida por André Barcaui, professor, consultor e pós-doutorado em Inteligência Artificial pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo concluiu que universitários que utilizaram o ChatGPT livremente durante uma atividade acadêmica apresentaram pior retenção de conhecimento do que alunos que recorreram apenas a métodos tradicionais de estudo.
Os participantes que estudaram sem inteligência artificial alcançaram média de 68,5% de acertos em um teste surpresa aplicado 45 dias após os estudos. Entre os estudantes que usaram o ChatGPT, o índice caiu para 57,5%.
A diferença chamou a atenção porque não se tratava de uma avaliação imediata. O objetivo era medir o quanto do conteúdo realmente permaneceu na memória dos alunos semanas após o período de estudo.
“O uso da IA acaba funcionando como uma muleta cognitiva”, afirmou o pesquisador em entrevista ao Olhar Digital. “O problema não é ter acesso a uma fonte extraordinária de informação. O problema é quando ela passa a substituir o seu pensamento”.
Como a pesquisa foi feita
O estudo acompanhou 120 estudantes de Administração de Empresas de uma universidade brasileira.
Metade dos participantes recebeu autorização para utilizar livremente ferramentas de inteligência artificial. A outra metade precisou recorrer apenas a livros, artigos científicos, mecanismos de busca tradicionais e materiais acadêmicos.
Durante duas semanas, todos estudaram temas relacionados a inteligência artificial e machine learning para preparar apresentações sobre o assunto.
A principal diferença veio depois: após 45 dias, Barcaui aplicou um teste surpresa sobre o assunto. A intenção era medir a memória de longo prazo, sem que os estudantes tivessem oportunidade de revisar o conteúdo previamente. Alunos do grupo ‘tradicional’ tiveram vantagem significativa nos resultados.
Um dado ajuda a explicar parte do resultado: quem utilizou IA estudou, em média, 3,2 horas. Já os estudantes do grupo tradicional dedicaram cerca de 5,8 horas à atividade.
O pesquisador destacou que a diferença não se resume ao tempo investido. Segundo o artigo, o uso da IA pode reduzir processos mentais importantes para a consolidação da memória, como a recuperação ativa de informações, a elaboração de respostas próprias e o esforço cognitivo necessário para resolver problemas.
Estudo defende que IA pode criar uma sensação de domínio sem que o conhecimento tenha sido realmente internalizado – Imagem: Gumbariya/Shutterstock
A sensação de aprender sem aprender
Um dos conceitos apresentados por Barcaui é o de “competência emprestada”.
A ideia descreve uma situação cada vez mais comum: o estudante obtém respostas bem estruturadas com poucos cliques, mas nem sempre internaliza o conhecimento necessário para reproduzir aquele raciocínio sozinho.
Barcaui compara o fenômeno a ter um especialista permanentemente ao lado.
É como se você tivesse um adulto disponível para responder qualquer pergunta. Isso não é um problema em si. O problema é usar essa fonte como substituta do seu pensamento, e não como uma ferramenta para ampliar o pensamento.
André Barcaui
Segundo ele, a IA pode criar uma sensação enganosa de domínio sobre determinado assunto. “Você pensa que entendeu. Mas, na verdade, quem entendeu foi o ChatGPT e explicou para você”, declarou.
A hipótese dialoga com preocupações levantadas por pesquisadores de diferentes áreas. Um artigo intitulado “O ChatGPT está nos deixando estúpidos?”, publicado pelo professor Aaron French no site The Conversation, argumentou que ferramentas de IA generativa não apenas ajudam a encontrar informações, mas podem assumir etapas inteiras do raciocínio humano, reduzindo a necessidade de análise crítica e interpretação.
O problema não é a IA
Barcaui fez questão de destacar os benefícios da inteligência artificial e reforçar que ela não deve ser banida das salas de aula.
Pelo contrário. Ele defende que a tecnologia oferece ganhos reais de produtividade e pode desempenhar papel importante no aprendizado quando utilizada da forma correta. “Eu sou um entusiasta da IA. Acho uma tecnologia extraordinária. O problema não é a ferramenta. É o uso indiscriminado dela”, afirmou.
Na visão do pesquisador, a inteligência artificial funciona melhor quando entra no processo após o esforço inicial do estudante. A lógica é simples: primeiro o aluno tenta resolver o problema sozinho. Depois utiliza a IA para obter feedback, revisar conceitos, identificar erros ou aprofundar a compreensão.
Você precisa ter uma base de conhecimento para dialogar com a ferramenta. Quando isso acontece, a IA aumenta o pensamento. Quando não acontece, ela apenas substitui o pensamento.
André Barcaui
Curva de esquecimento ao longo dos 45 dias após o aprendizado. Linha vermelha representa os alunos que estudaram por métodos tradicionais; linha azul representa alunos que usaram IA – Imagem: André Barcaui/Science Direct
O desafio para escolas e universidades
Os resultados também levantam uma questão que começa a preocupar educadores: como ensinar em um mundo em que a inteligência artificial está disponível o tempo todo?
Para Barcaui, a resposta não tem a ver com proibições. “Proibir a IA é um erro. É uma briga perdida. Os alunos vão usar e precisam usar”, declarou.
O desafio, segundo ele, é ensinar como utilizar essas ferramentas de maneira produtiva. Isso inclui desenvolver habilidades que a tecnologia não substitui facilmente, como leitura aprofundada, escrita, pensamento crítico, capacidade de interpretação e a tomada de decisões por conta própria.
Na avaliação do pesquisador, o risco não está na inteligência artificial em si, mas em formar uma geração acostumada a terceirizar etapas fundamentais do raciocínio.
O professor precisa mudar de papel. O mundo mudou. O aluno mudou. A escola e a universidade também terão que mudar. (…) A IA deve fazer parte do processo de aprendizagem. Mas ela não pode ser a protagonista do aprendizado.
André Barcaui
Ele também destacou a importância do letramento para ensinar os melhores usos da tecnologia, bem como limites e questões éticas – o que vale tanto para alunos quanto para professores.
ChatGPT como muleta do aprendizado
O próprio estudo reconhece suas limitações. A pesquisa foi realizada com estudantes de uma única universidade e de uma única área de formação. Além disso, não avaliou outros benefícios que a IA pode trazer, como aumento de produtividade, melhoria na escrita, geração de ideias ou resolução de problemas.
Entre as conclusões, a pesquisa destacou:
O estudo não demonstra que toda forma de uso de inteligência artificial prejudica a aprendizagem;
O que ele indica é que, em um cenário de uso livre e sem orientação pedagógica, estudantes que recorreram ao ChatGPT apresentaram menor retenção de conhecimento após 45 dias do que colegas que estudaram por métodos tradicionais;
Em outras palavras, a pesquisa sugere que a questão central talvez não seja se a IA está tornando as pessoas menos capazes de aprender, mas como ela está sendo incorporada ao processo de aprendizagem.
Nesse sentido, Barcaui reforçou os benefícios da inteligência artificial, mas destacou a importância do pensamento crítico.
O pessoal quer resposta para ontem. E tudo bem, a IA faz esse papel muito bem. Só que o que restou daquela resposta que você deu quando você substituiu o seu pensamento pelo pensamento de uma máquina?
Pela primeira vez desde seu lançamento, o ChatGPT perdeu a marca de 50% de participação no mercado global de assistentes de IA. O movimento reflete o avanço de concorrentes que vêm atraindo cada vez mais usuários, segundo o relatório State of AI 2026, da Sensor Tower.
Embora siga na liderança, o chatbot da OpenAI viu sua fatia de mercado cair para 46,4% em maio. Enquanto isso, Gemini e Claude ganharam espaço em um setor que continua crescendo rapidamente, comenta o TechCrunch.
ChatGPT ainda lidera em usuários, mas já sente a pressão dos concorrentes no mercado global de IA. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock
ChatGPT segue líder, mas vê concorrência avançar
Até janeiro de 2026, o ChatGPT concentrava mais da metade do mercado de assistentes de IA. No fim de maio, sua participação havia recuado para 46,4%. O Gemini, do Google, alcançou 27,7%, enquanto o Claude, da Anthropic, chegou a 10,3%.
Apesar da queda relativa, o ChatGPT continua sendo o assistente de IA mais utilizado do mundo, com mais de 1,1 bilhão de usuários mensais. O Gemini aparece em segundo lugar, com 662 milhões, seguido pelo Claude, com 245 milhões.
O relatório também destaca que os usuários estão mais dispostos a experimentar diferentes plataformas. Um dos fatores observados foi o aumento das desinstalações após o anúncio do acordo entre a OpenAI e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O episódio sugere que muitos usuários levam em consideração não apenas os recursos oferecidos, mas também as decisões tomadas pelas empresas responsáveis pelas ferramentas.
Enquanto o crescimento do Gemini está ligado à integração com o ecossistema do Google, o Claude ganhou destaque em tarefas de produtividade e vem se aproximando dos índices de retenção do ChatGPT.
OpenAI testa anúncios no ChatGPT e amplia estratégia de monetização da plataforma de IA. Imagem: Ascannio/Shutterstock – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Mercado de IA acelera receitas e tempo de uso
A Sensor Tower estima que os usuários baixarão quase 2,3 bilhões de aplicativos de IA no primeiro semestre de 2026. Além disso, os gastos devem superar US$ 4,2 bilhões, acima dos US$ 1,83 bilhão registrados no mesmo período de 2025.
Os principais destaques do levantamento incluem:
ChatGPT abaixo de 50% de participação pela primeira vez;
Crescimento consistente de Gemini e Claude;
Quase 2,3 bilhões de downloads previstos em 2026;
Mais de US$ 4,2 bilhões em gastos com aplicativos de IA;
Maior foco das empresas em monetização.
O estudo também aponta que o tempo gasto em aplicativos de IA deve saltar de 17,2 bilhões para cerca de 36 bilhões de horas entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Os três principais assistentes concentram 89% desse total.
As diferenças regionais também chamam atenção. A Ásia registrou queda de 3,3% nos downloads no primeiro trimestre de 2026, puxada por recuos na China e na Índia. Ainda assim, a região segue liderando em volume de instalações.
Anúncios e compras ganham espaço
A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026. Em maio, cerca de 17% dos usuários diários visualizaram publicidade na plataforma.
Ao mesmo tempo, o chatbot ampliou sua atuação no comércio eletrônico, direcionando tráfego para varejistas como Walmart, Target e Costco. Já a Amazon, que bloqueou os rastreadores web do ChatGPT, registrou crescimento estagnado nesse tipo de tráfego.
O relatório mostra que a disputa entre assistentes de IA está entrando em uma nova fase. Além de conquistar usuários, as empresas agora buscam aumentar receitas, fortalecer a retenção e ampliar sua presença em áreas como publicidade e compras digitais.
A Anthropic protocolou em 1º de junho seu pedido confidencial de abertura de capital nos EUA. A OpenAI seguiu no dia 8, uma semana depois. A disputa pelo IPO é só a mais recente batalha entre as duas empresas – e a Reuters revelou nesta quinta-feira (11) a história por trás da guerra.
ChatGPT em duas semanas
Em novembro de 2022, a OpenAI soube que a Anthropic desenvolvia um chatbot. Sam Altman imediatamente ordenou que a equipe acelerasse um produto concorrente, segundo quatro fontes ouvidas pela Reuters.
Duas semanas depois, a OpenAI lançou o ChatGPT. “De repente, era: precisamos lançar isso em duas semanas”, disse um funcionário à agência. O produto se tornou o aplicativo de crescimento mais rápido da história.
A inversão de poder
Por três anos, a Anthropic correu para alcançar a OpenAI. No final de 2025, o cenário virou. A empresa lançou uma atualização poderosa do Claude Code e passou a liderar no mercado enterprise de programação com IA.
A OpenAI redirecionou recursos para o mercado corporativo. Reforçou o Codex, seu produto de codificação, e criou a DeployCo – joint venture com 19 firmas globais para levar engenheiros diretamente às empresas.
A Anthropic, que nasceu como dissidência da OpenAI, agora vale mais que a empresa original. “É uma guerra total entre eles”, disse à Reuters Anastasios Angelopoulos, CEO da Arena, empresa de benchmarking de IA.
A briga pelos números
As duas empresas divergem até na forma de reportar receita. A OpenAI acusa a Anthropic de inflar seus números em bilhões, segundo a Reuters.
A Anthropic contabiliza o valor total pago pelos clientes. A OpenAI registra apenas a receita líquida, já deduzidos os repasses à Microsoft. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.
A corrida pelo IPO
A OpenAI havia comunicado a alguns investidores que pretendia abrir capital em setembro. A Anthropic saiu na frente ao protocolar primeiro – e pode assim definir como empresas de IA reportam resultados para o mercado.
Internamente, Altman pressionou a CFO Sarah Friar pelo cronograma agressivo. Segundo a Reuters, ele disse que ela deveria resolver ou contratar outros banqueiros e advogados capazes de cumpri-lo.
A recusa no palco
A tensão entre os CEOs extrapolou o mundo corporativo. Em fevereiro, em uma cúpula de IA na Índia, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que os executivos presentes se dessem as mãos em gesto de unidade.
Altman e Amodei, lado a lado no palco, recusaram. O momento foi registrado em vídeo e viralizou.
A OpenAI está avaliando reduzir os preços cobrados pelo acesso aos seus modelos de inteligência artificial, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada na quarta-feira, com base em fontes próximas ao tema.
A movimentação não parece casual. Nos bastidores, a companhia estuda cortar de forma relevante o valor cobrado por tokens — unidade usada para medir e faturar o uso de sistemas de IA. A leitura no mercado é de que a decisão mira um ambiente mais competitivo, especialmente com a Anthropic ganhando espaço e pressionando margens.
Disputa entre OpenAI e Anthropic avança e pode impactar custos de acesso à inteligência artificial no mundo. Imagem: Primakov / Shutterstock – Imagem: Primakov / Shutterstock
Preços atuais das duas plataformas
Hoje, a OpenAI trabalha com três faixas de assinatura: US$ 8 (cerca de R$ 40), US$ 20 (aproximadamente R$ 100) e US$ 100 ou mais (em torno de R$ 500) para acesso aos modelos GPT-5.5. A Anthropic segue uma estrutura parecida, com o Claude Pro a US$ 17 (aprox. R$ 85) por mês em plano anual e o Claude Max a partir de US$ 100 (cerca de R$ 500).
Na prática, os valores mostram duas estratégias muito próximas. A diferença real, neste momento, está na disputa por escala e fidelização de usuários.
Guerra de preços na IA pode ficar mais intensa com possível corte de valores pela OpenAI. Imagem: Hamara/Shutterstock
Disputa acirrada entre as empresas
Na segunda-feira, a OpenAI protocolou de forma confidencial um pedido de oferta pública inicial (IPO) junto à SEC, reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos. Pouco depois, a Anthropic avançou em direção semelhante.
Não é coincidência. As duas empresas disputam capital, usuários e influência ao mesmo tempo.
A Anthropic encerrou sua rodada Série H em 28 de maio com avaliação de US$ 965 bilhões (aproximadamente R$ 4,8 trilhões), superando levemente a OpenAI, avaliada em US$ 852 bilhões (cerca de R$ 4,3 trilhões) em março.
Enquanto isso, o ChatGPT atingiu a marca de 1 bilhão de usuários mensais ativos em maio — cerca de três anos após o lançamento. O ritmo supera plataformas como o Google Maps, que levou aproximadamente cinco anos para alcançar o mesmo patamar, segundo estimativas da Sensor Tower.
No fim, o que parece uma disputa de preços é, na prática, uma corrida mais ampla: quem vai definir não só o custo, mas o ritmo de expansão da inteligência artificial no mercado global.
A OpenAI começou a semana com um movimento que pode mudar sua posição na corrida da inteligência artificial. Na segunda-feira (8), a desenvolvedora do ChatGPT oficializou um pedido de oferta pública inicial (IPO), primeiro passo para abrir capital e vender ações nas bolsas de valores.
Segundo o The New York Times, o pedido foi confidencial e a OpenAI ainda não decidiu quando oficialmente abrirá capital. Em comunicado enviado ao site, a companhia afirmou que “pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”.
A desenvolvedora não é a única em busca de um IPO. A rival Anthropic e a SpaceX também caminham para entrar na bolsa ainda este ano. No entanto, há riscos, principalmente considerando que a criadora do ChatGPT ainda não se tornou lucrativa.
Ao mesmo tempo, ao se abrir para o mercado, a empresa consegue captar financiamento para evoluir ainda mais na corrida da IA, à medida que rivais começam a se tornar importantes nesse setor.
O Olhar Digital mergulhou no que está por trás do IPO da OpenAI, qual deve ser o impacto para a empresa e para o mercado, e se o usuário final do ChatGPT precisa se preocupar.
OpenAI deu o primeiro passo em busca do IPO – Imagem: Melnikov Dmitriy/Shutterstock
ChatGPT foi o pontapé da corrida das IAs
A corrida das IAs é, basicamente, a disputa entre empresas do setor de tecnologia para apresentar ferramentas cada vez mais avançadas de inteligência artificial.
Tudo começou em novembro de 2022, quando o ChatGPT foi lançado pela OpenAI.
Na época, a desenvolvedora era uma empresa de pesquisa em IA respeitada no meio tecnológico (inclusive tendo recebido investimentos da Microsoft), mas desconhecida pelo público. A companhia operava através de uma fundação sem fins lucrativos, que controlava uma subsidiária de “lucro limitado”, criada especificamente para captar investimentos e financiar pesquisas.
Os modelos de linguagem também eram limitados em comparação ao que temos hoje. O ChatGPT foi lançado com o GPT-3.5. Desde então, os modelos ficaram mais confiáveis, multimodais (com capacidade para entender texto, áudio e imagens) e fáceis de usar, incluindo melhorias para conversas em linguagem natural.
Atualmente, estamos no GPT-5.5, que consegue operar computadores e realizar tarefas de forma autônoma, incluindo pesquisas online, análise de dados complexos e explorar diferentes ferramentas.
Voltando a 2022. A inteligência artificial generativa já existia. O diferencial do ChatGPT foi levar a tecnologia a usuários que nunca haviam entrado em contato com ela antes – e tudo de forma simples, em uma linguagem conversacional, sem necessidade de prompts elaborados ou conhecimento de programação.
Naquele momento, outras empresas de tecnologia perceberam que precisavam agir se não quisessem ficar para trás no setor. E a corrida começou: big techs como Microsoft, Google, Meta e Apple, e startups como Anthropic e Perplexity, passaram a correr atrás do prejuízo e desenvolveram suas próprias IAs.
Atualmente, o mesmo setor já está em outra fase, em que a tecnologia não é necessariamente o mais importante. Ao Olhar Digital, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, defendeu que a corrida deixou de ser meramente tecnológica e virou uma disputa por capital. Isso porque o treinamento de modelos avançados exige investimentos – algo que as big techs conseguem financiar por muitos anos.
Já OpenAI e Anthropic, ambas startups, precisam se virar. É aí que entra o IPO. Segundo Flôres, a oferta pública inicial é uma forma de obter financiamento permanente para sustentar o crescimento, as pesquisas, aquisições e expansão global que permitem que as empresas se mantenham relevantes no setor.
O mercado está descobrindo que a inteligência artificial não é só uma revolução tecnológica. É também uma revolução financeira. A próxima disputa entre grandes empresas de IA não vai ser vencida pelos melhores algoritmos. Vai ser vencida por quem vai conseguir financiar mais a evolução mais rápido e por mais tempo.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mas, antes de chegar lá, a OpenAI teve que mudar.
IPO virou uma forma de garantir financiamento para sustentar avanços da corrida de IA – Imagem: jackpress / Shutterstock
A empresa foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que a inteligência artificial beneficiasse a humanidade. Em 2019, veio a subsidiária com fins lucrativos.
Mais recentemente, em outubro de 2025, a desenvolvedora anunciou uma nova estrutura:
A organização sem fins lucrativos é agora a OpenAI Foundation;
A entidade com fins lucrativos agora é uma corporação de benefício público chamada OpenAI Group PBC. Ao contrário de uma empresa tradicional, essa entidade é obrigada a promover a missão original e considerar os interesses de todas as partes envolvidas, sem visar apenas o lucro. A desenvolvedora defende que isso “garante que a missão e o sucesso comercial da empresa avancem juntos”;
A OpenAI Foundation controla o OpenAI Group;
Ambas organizações têm a mesma missão: “garantir que a inteligência artificial geral (AGI) possa beneficiar toda a humanidade”.
Ainda segundo a OpenAI, a capitalização permite “levantar capital e atrair e reter os talentos necessários para promover sua missão, ao mesmo tempo em que mantém a mais forte representação de uma governança orientada pela missão em todo o setor atualmente”.
A nova estrutura demorou mais de um ano para ser finalizada – e veio acompanhada de polêmicas.
Em 2024, Elon Musk, um dos cofundadores da desenvolvedora, moveu um processo acusando a empresa, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman (ambos também são cofundadores) de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade.
O bilionário queria uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e Brockman de seus respectivos cargos de liderança. Ele também tentou reverter a conversão da OpenAI em empresa com fins lucrativos.
A desenvolvedora negou as acusações, defendendo que as ações de Musk foram motivadas pela rivalidade entre os executivos e para beneficiar a própria empresa de IA do bilionário, a xAI.
O julgamento conduzido este ano em tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, terminou em decisão favorável à desenvolvedora. O júri responsável decidiu pela rejeição da ação de Elon Musk, já que ele teria entrado com a ação judicial após o prazo de prescrição para apresentar essa reivindicação ter expirado.
No X, Musk prometeu recorrer. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o desfecho do julgamento neste link.
Troca de farpas entre Altman (esquerda) e Musk (direita) é antiga – Imagem: FotoField/Shutterstock
Enfim, a bolsa de valores
Menos de um ano depois de mudar sua estrutura para permitir um braço com fins lucrativos, a OpenAI vai em busca do IPO.
Segundo o NYT, esta pode ser uma das maiores ofertas públicas da história de Wall Street. A empresa foi avaliada em US$ 730 bilhões em uma rodada privada de financiamento este ano, sem contar os valores captados em uma rodada mais recente, de por volta de US$ 122 bilhões.
De acordo com Olívia Flôres de Brás, o IPO da OpenAI é um momento muito relevante para o mercado de tecnologia nesta década.
Estamos falando da primeira oportunidade para que os investidores realmente possam participar ativamente e diretamente do crescimento que colocou a inteligência artificial no centro de uma economia global.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Para ela, a abertura do capital é “uma arma muito competitiva” na corrida de IA.
Mas isso vem acompanhado de desafios.
Mesmo com o valor em alta, a companhia ainda enfrenta uma questão importante: a lucratividade. Ao mesmo tempo que espera gastar US$ 115 bilhões nos próximos quatro anos, divulgou ganhos de cerca de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionados principalmente pela venda de anúncios no ChatGPT e da venda de pacotes de produtos de IA para companhias. Ou seja, a conta não fecha.
Flôres acredita que isso não é um impeditivo. Ela lembrou que, em outras oportunidades, o mercado também financiou empresas que permaneceram anos sem registrar lucro, apenas pela posição de mercado dominante. “A questão central é a capacidade da OpenAI de transformar essa liderança tecnológica em geração sustentável de caixa”, defendeu.
Se por um lado a desenvolvedora garante financiamento constante e mais visibilidade, por outro também deve ser mais cobrada. A executiva explica que aberturas de capital deixam as companhias mais pressionadas para registrar resultados positivos, além de a OpenAI possivelmente perder a flexibilidade que tem enquanto empresa privada.
Para o usuário, o que muda com o IPO da OpenAI?
O movimento da OpenAI em direção à bolsa de valores não deve afetar apenas o mercado.
O IPO coloca mais pressão para a empresa ter crescimento e rentabilidade. Olívia Flôres de Brás defende que isso deve levar a desenvolvedora a realizar mudanças na estratégia comercial, algo que pode afetar os usuários finais dos produtos – como o ChatGPT.
Quando você acelera iniciativas de monetização, você amplia a oferta de planos corporativos, você vai ter que criar novos produtos, que expandir serviços voltados para as empresas. A estratégia de longo prazo provavelmente vai continuar sendo ampliar a base de usuários e ter uma consolidação de sistema, além do crescimento e desenvolvimento de tudo o que permeia a inteligência artificial. Mas o desafio será equilibrar o crescimento financeiro com a adoção de larga escala.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mesmo com crescimento, OpenAI ainda não chegou à lucratividade – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
O volume supera com folga os US$ 75 bilhões que a companhia pretendia levantar, e a procura estaria entre três e quatro vezes acima do tamanho planejado da oferta.
A Anthropic, rival da OpenAI, é outra que quer entrar na bolsa de valores. No início deste mês, a desenvolvedora também protocolou de forma confidencial seu pedido junto ao órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos.
Para Flôres, a ‘onda’ recente de IPOs em empresas de tecnologia tem motivo:
O primeiro deles é que a inteligência artificial inaugurou um novo ciclo de investimentos globais. Ela comparou esse momento ao da chegada da internet e dos smartphones;
O segundo é que o mercado voltou a se interessar por empresas com potencial de crescimento, após longos anos de juros elevados e investimentos restritos;
O terceiro é que muitas empresas precisam de volumes muito grandes de capital. Quando as rodadas de financiamento privadas passam a ser insuficientes, vem o IPO. Trata-se da “forma natural de financiar a próxima fase dessas expansões”.
Vale lembrar que o pedido é apenas o primeiro passo para entrar na bolsa de valores. Nenhuma das três empresas concluiu o processo.
A OpenAI prepara a maior reformulação do ChatGPT desde o seu lançamento. A empresa, avaliada em US$ 850 bilhões, busca novas fontes de crescimento.
O objetivo é transformar o chatbot em um superapp focado em ferramentas de programação e agentes de inteligência artificial. A mudança antecede a abertura na Bolsa (IPO) planejada para este ano.
“Isso transcenderá a superfície… o que estamos construindo é um sistema em que você terá seu próprio agente pessoal capaz de ajudá-lo… em todos os aspectos da sua vida, seja pessoal ou profissional.”, disse Thibault Sottiaux, que anteriormente dirigia o Codex e agora lidera todos os principais produtos e plataformas da OpenAI, ao Financial Times.
Foco em agentes e receita corporativa
A estratégia marca um desvio no modelo atual focado em conversação comum. Fontes internas indicam que a empresa agora prioriza clientes corporativos lucrativos para competir com a Anthropic.
Executivos da companhia acreditam que o futuro do setor está em sistemas que executam tarefas complexas sozinhos. “O chat está morto”, afirmou um funcionário sênior ao Financial Times.
A reformulação começará nas próximas semanas com mudanças na interface do site e dos aplicativos. O novo design vai direcionar os usuários para ferramentas de parceiros externos.
Expansão do Codex e cortes de produtos
A nova fase dará maior destaque ao Codex, a plataforma de desenvolvimento de software da OpenAI. O produto de programação registrou um crescimento expressivo recentemente.
A base de usuários do Codex aumentou seis vezes desde fevereiro, atingindo 5 milhões de usuários ativos semanais. O salto ocorreu após o lançamento de uma versão para desktop.
Cerca de 2 milhões de empresas usam os serviços da OpenAI atualmente. O segmento corporativo gera 40% da receita da empresa, com projeção de atingir 50% até o fim do ano.
Reorganização interna e IPO
Para acelerar a transição, a OpenAI unificou suas equipes de produtos sob o comando de Thibault Sottiaux. Paralelamente, iniciativas voltadas ao consumidor final foram encerradas.
A empresa cancelou um recurso de compras internas no ChatGPT e descontinuou o gerador de vídeos Sora. O encerramento do Sora ocorre menos de um ano após seu lançamento.
A guinada comercial aproxima a OpenAI da rival Anthropic, focada em monetização ágil. Ambas as empresas tentam atrair investidores institucionais, demonstrando capacidade de gerar lucro antes do IPO.