Robótica

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Coreia do Sul usa trabalhadores de hotel para treinar robôs humanoides com IA

Em hotéis de alto padrão em Seul, na Coreia do Sul, funcionários estão sendo filmados enquanto executam tarefas do dia a dia, como dobrar guardanapos e organizar mesas. As imagens não têm fins de treinamento humano, mas servem para ensinar robôs humanoides a reproduzir esses movimentos com precisão.

O projeto é conduzido pela empresa de inteligência artificial RLWRLD e utiliza câmeras presas ao corpo dos trabalhadores para registrar detalhes minuciosos, como posição dos dedos, articulações e força aplicada. As informações alimentam sistemas de “IA física”, voltados para máquinas que precisam agir no ambiente real.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da Coreia do Sul para disputar espaço no setor global de robótica, hoje liderado pelos Estados Unidos e pela China. O país aposta na combinação entre indústria, tecnologia e experiência de trabalhadores para transformar habilidades humanas em dados para robôs.

A busca constante pela “IA física”

A RLWRLD cria robôs para executar funções diversas, como lavar, polir, dobrar e escrever – (Divulgação: RLWRLD)

Durante as sessões de captura de dados, os movimentos dos funcionários são registrados em ambientes simulados de hotel, onde robôs tentam reproduzir tarefas como organizar utensílios, levantar copos e dobrar tecidos. Segundo a RLWRLD, o objetivo é permitir que mãos robóticas consigam atingir um nível de precisão próximo ao humano.

Apesar do avanço tecnológico, os próprios desenvolvedores reconhecem limitações. Hoje, robôs ainda levam várias horas para concluir tarefas que um trabalhador realiza em cerca de 40 minutos, como a limpeza de um quarto de hotel.

A empresa afirma que a hotelaria oferece um cenário ideal para treinamento por exigir movimentos delicados e alta precisão. “Por exemplo, com o Lotte Hotel, se você tivesse um robô dobrando guardanapos, uma pinça não conseguiria alcançar as dobras precisas e nítidas esperadas no serviço”, afirmou Hyemin Cho, executiva de estratégia e negócios da RLWRLD.

Além do setor hoteleiro, a companhia também coleta dados em centros logísticos do grupo CJ Group e em lojas da rede japonesa Lawson, onde trabalhadores têm seus movimentos acompanhados durante a organização de produtos e exposição de mercadorias.

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O objetivo final é desenvolver sistemas capazes de operar diferentes tipos de robôs em fábricas, centros de distribuição e, futuramente, em residências. A destreza das mãos humanas é apontada pelos engenheiros como um dos principais desafios da robótica atual.

O movimento integra a estratégia sul-coreana de expansão na chamada “IA física”, que busca criar máquinas capazes de perceber, decidir e agir no mundo real. O governo do país já anunciou um projeto de US$ 33 milhões para registrar conhecimentos técnicos de trabalhadores experientes e convertê-los em treinamento para robôs industriais.

Grandes conglomerados também aceleram investimentos no setor. A Hyundai planeja usar robôs humanoides desenvolvidos pela Boston Dynamics em suas fábricas a partir de 2028, enquanto a Samsung projeta transformar suas unidades produtivas em “fábricas totalmente orientadas por IA” até 2030.

Mesmo com preocupações sobre impacto no emprego, há trabalhadores que veem a tecnologia como complementar. “Acreditamos que os humanoides podem assumir cerca de 30% a 40% do trabalho”, disse David Park, funcionário da hotelaria. “Mas será difícil substituir a parte que envolve interação humana. Nesse sentido, é mais empolgante do que preocupante.

Esse texto contém informações da EuroNews.

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Lenovo apresenta novo “robô corporativo” com IA integrada

A Lenovo apresentou recentemente o Lenovo AI Workmate, uma espécie de robô com “corpo de luminária”, câmera, projetor e inteligência artificial integrada. Exibido durante a feira de tecnologia MWC, em Barcelona, o dispositivo pode adicionar informações a slides e arquivos, além de auxiliar na comunicação interna de empresas.

A companhia chinesa ainda não informou se dará continuidade ao projeto nem se o produto chegará ao mercado. Mesmo assim, demonstra a busca por um ambiente de trabalho cada vez mais digital.

Para quem tem pressa:

  • A Lenovo apresentou o AI Workmate, um conceito de robô com formato de luminária que reúne câmera, projetor e inteligência artificial para uso em ambientes corporativos;
  • O dispositivo reconhece comandos de voz, escaneia anotações em papel e pode organizar tarefas como reuniões, além de projetar conteúdos em superfícies como mesas e paredes;
  • A empresa ainda não confirmou se o projeto será lançado comercialmente; o conceito levanta discussões sobre o uso de IAs “físicas” no trabalho e questões de privacidade.

Robô pode escanear anotações e criar apresentações

O “parceiro de trabalho” — tradução livre de “Workmate” — pode auxiliar em diferentes tarefas. Capaz de reconhecer comandos de voz, o robô identifica imagens e anotações em papel por meio da câmera integrada.

A projeção também é um dos diferenciais do AI Workmate. O dispositivo pode transmitir telas tanto em grandes superfícies quanto em pequena escala, como diretamente sobre a mesa do usuário. Ele ainda pode criar slides e apresentações.

Como uma espécie de “secretário virtual”, o aparelho consegue marcar e desmarcar reuniões, informar atualizações recebidas e armazenar dados, funcionando também como uma espécie de bloco de notas. Integrado aos sistemas da empresa, ele também pode auxiliar na busca de informações internas.

A tela LCD de 3,4 polegadas adiciona um “rosto” ao dispositivo, exibindo animações e expressões visuais durante as interações.

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Conceito levanta dúvidas sobre privacidade e utilidade

(Imagem: SmileStudioAP/iStock)

De acordo com o Panorama de Sentimento das Lideranças 2026, divulgado pela Newnew, 80% das empresas brasileiras utilizam algum tipo de inteligência artificial em suas operações. Apesar disso, apenas 11% afirmam que a implementação da tecnologia foi bem-sucedida.

Os dados mostram o avanço da IA no mundo corporativo, mas também indicam que sua eficiência ainda gera questionamentos.

No caso do AI Workmate, o compartilhamento de informações internas levanta dúvidas sobre segurança digital e privacidade, além dos desafios envolvidos na adoção de um novo sistema que ainda pode apresentar falhas significativas.

A Lenovo ainda não anunciou a continuidade do projeto nem uma possível data de lançamento, mas o conceito representa mais um sinal do avanço das inteligências artificiais no ambiente de trabalho.

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Nova IA permite que robôs dobrem roupa e organizem objetos mais rápido que humanos

Pesquisadores da Georgia Institute of Technology criaram recentemente um sistema de inteligência artificial capaz de fazer robôs realizarem tarefas típicas do dia a dia com mais rapidez, sem comprometer a exatidão. Entre as atividades demonstradas estão empilhar copos, dobrar roupas e organizar objetos. O principal autor da pesquisa é Nadun Ranawaka Arachchige e você pode conferir o PDF clicando aqui.

O destaque dessa inovação é o SAIL (Speed Adaptation of Imitation Learning), uma tecnologia que permite aos robôs aprenderem a partir da observação de ações humanas. A proposta representa um passo relevante na busca por máquinas que consigam executar tarefas cotidianas com eficiência semelhante — ou até superior — à dos humanos.

Apesar dos avanços, surgem preocupações sobre os efeitos dessa tecnologia no emprego. A possibilidade de automatizar funções comuns, especialmente em áreas como serviços e cuidados, levanta alertas de especialistas sobre o impacto potencial em milhões de postos de trabalho nas próximas décadas.

Para quem tem pressa:

  • Uma nova gama de robôs, alimentados pela inteligência artificial do software SAIL, agora pode realizar tarefas importantes e delicadas tão bem quanto humanos;
  • A novidade é fruto de uma pesquisa da Georgia Institute of Technology;
  • Dentre as atividades possíveis, é possível citar dobrar roupas, empilhar objetos e organizar itens;
  • Apesar de inovadora, essa versatilidade robótica levanta questionamentos sobre possíveis impactos futuros no mercado de trabalho.

Novo sistema aumenta velocidade e expande habilidades dos robôs

O sistema SAIL foi projetado para que robôs consigam executar tarefas manuais delicadas — como dobrar toalhas, empilhar itens e organizar objetos — de forma mais ágil do que humanos, sem perder precisão. O objetivo é aproximar a robótica da criação de máquinas versáteis, capazes de desempenhar qualquer atividade feita pelas mãos humanas.

Uma limitação importante das técnicas anteriores baseadas em imitação era a dependência da velocidade observada durante o treinamento, o que reduzia a eficiência em contextos práticos. O SAIL supera esse obstáculo ao permitir que os robôs ajustem dinamicamente o ritmo de execução.

A tecnologia integra diferentes recursos, incluindo algoritmos que mantêm a fluidez dos movimentos mesmo em alta velocidade, sistemas de rastreamento preciso e mecanismos de adaptação conforme a complexidade da tarefa. Além disso, considera atrasos típicos do ambiente real ao planejar ações, o que melhora o desempenho fora de condições controladas.

Nos testes realizados, braços robóticos equipados com o sistema atingiram velocidades até quatro vezes maiores em simulações e mais de três vezes superiores em cenários reais. Outro ponto relevante é a capacidade de variar o ritmo conforme a necessidade, acelerando quando possível e reduzindo a velocidade para evitar falhas.

Robô feliz enquanto dobra as roupas de seus humanos – (Reprodução: DALL-E/ChatGPT)

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Essa flexibilidade é fundamental, já que pequenas alterações no ambiente podem afetar o desempenho. Um exemplo é a tarefa de apagar um quadro branco: ao executar movimentos rápidos, o objeto pode oscilar, exigindo correções contínuas — algo natural para humanos, mas historicamente difícil para robôs.

Mesmo com esses avanços, o tema levanta discussões sobre o futuro do trabalho. Projeções indicam que a automação pode substituir entre 400 e 800 milhões de empregos até 2030, exigindo que muitos trabalhadores migrem para novas funções.

Os impactos também podem se estender além dos empregos diretamente afetados. A queda de renda entre trabalhadores tende a influenciar o consumo, provocando efeitos em cadeia em outros setores da economia.

Embora existam debates sobre possíveis vantagens, como o surgimento de novos modelos econômicos, o cenário permanece indefinido. O avanço de soluções como o SAIL evidencia tanto o potencial transformador da robótica quanto os desafios sociais que acompanham esse processo.

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Elon Musk lidera movimento que quer colocar robôs humanoides em funções humanas

A aposta de grandes nomes da tecnologia em robôs humanoides como caminho para transformar o trabalho humano ganha força e levanta debates sobre o futuro do emprego. Liderado por Elon Musk, esse movimento — chamado de “physical AI” (ou IA física, em português) — busca levar os avanços da inteligência artificial (IA) para o mundo físico, automatizando tarefas que hoje dependem de mão de obra humana.

Segundo o The Washington Post, na visão de Musk, esse futuro seria marcado por abundância: bilhões de robôs realizariam todo o trabalho necessário, enquanto uma rede de veículos autônomos e máquinas humanoides, alimentadas por energia solar, garantiria recursos praticamente ilimitados.

Nesse cenário, a pobreza seria eliminada e o trabalho se tornaria opcional. Ao mesmo tempo, o bilionário poderia se tornar o primeiro trilionário do mundo.

Musk e seus planos de robôs humanoides

  • Apesar de seu histórico de promessas ambiciosas, Musk tem direcionado suas empresas para essa meta;
  • A Tesla passou por uma mudança estratégica recente, priorizando o desenvolvimento de robôs em detrimento de alguns de seus modelos de veículos, incluindo um popular sedã de luxo. A montadora também iniciou a criação de uma nova linha de produção voltada ao robô humanoide Optimus;
  • Para acelerar o projeto, a Tesla intensificou a contratação de profissionais de outras áreas da tecnologia, com foco em habilidades específicas, como a reprodução dos movimentos e da destreza da mão humana;
  • Já a SpaceX, empresa espacial de Musk que deve estrear na bolsa em breve, adquiriu a startup de IA xAI, que será responsável por desenvolver softwares em integração com a Tesla;
  • Segundo a empresa, esse exército de robôs faz parte da missão de “construir um mundo de abundância incrível”.

Outras gigantes do setor também avançam nessa direção. Empresas, como Amazon, Nvidia e a startup Atoms, criada pelo cofundador da Uber, Travis Kalanick, anunciaram iniciativas recentes em robótica avançada. A missão da Atoms, por exemplo, é promover “automação física para transformar a indústria e movimentar o mundo”.

A startup Figure, referência no setor, chegou a levar um robô humanoide à Casa Branca, onde ele participou de um evento ao lado da primeira-dama Melania Trump.

A ideia por trás da “IA física” é expandir o alcance da IA para atividades que não podem ser realizadas apenas por softwares, como tarefas manuais complexas. Enquanto o boom da IA já impacta empregos de escritório, líderes do setor veem uma oportunidade ainda maior em substituir trabalhos físicos, criando um novo patamar de automação.

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Aposta da Tesla é alta no Optimus (Imagem: Divulgação/Tesla)

IA física?

“A IA física é o maior [mercado endereçável total] da história da humanidade”, afirmou Shay Boloor, estrategista-chefe da Futurum. “Acho que a Tesla está se posicionando para ser uma grande vencedora.”

O termo ganhou força no Vale do Silício, sendo amplamente utilizado por empresas, como a Nvidia. Em comunicado recente, o CEO da companhia, Jensen Huang, declarou: “A IA física chegou — toda empresa industrial se tornará uma empresa de robótica.”

Apesar do entusiasmo, o avanço da robótica levanta preocupações. Nos Estados Unidos, autoridades e especialistas temem que a automação acelere ainda mais o declínio do setor industrial, já afetado nas últimas décadas pela transferência de empregos para o exterior.

O senador Bernie Sanders criticou o protagonismo de bilionários nesse processo e cobrou explicações sobre investimentos massivos em IA e robótica. “Quem está investindo trilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento de IA e robótica?,” questionou. “São as pessoas mais ricas da Terra. São o Sr. Musk, o Sr. Bezos, o Sr. [Mark] Zuckerberg, o Sr. [Larry] Ellison.”

Ele também levantou dúvidas sobre os impactos sociais dessa transformação: “Será que alguém em sã consciência acredita que essas pessoas estão perdendo o sono se preocupando com como essa transformação vai beneficiar as pessoas comuns?”

Embora a IA já esteja avançando sobre empregos de colarinho branco — como áreas de negócios, finanças, engenharia e gestão —, tarefas físicas ainda permanecem, em grande parte, fora de seu alcance. Um relatório recente da Anthropic aponta que atividades, como agricultura, construção, transporte e serviços alimentícios continuam difíceis de automatizar.

“Muitas tarefas… permanecem além do alcance da IA”, destaca o documento, citando desde podar árvores até representar clientes em tribunais.

Ainda assim, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumenta que é um erro considerar o trabalho físico imune à disrupção tecnológica. Segundo ele, sistemas avançados de IA poderão acelerar o desenvolvimento de robôs e controlá-los no mundo real.

Para Musk, o robô Optimus será peça central dessa transformação. Ele acredita que a tecnologia levará a uma “renda alta universal”, resultado do crescimento contínuo da IA e da robótica. Em diversas ocasiões, inclusive recentemente, o empresário afirmou que, nesse futuro, trabalhar será uma escolha, não uma necessidade.

A Tesla afirma estar correndo para colocar o robô em produção em larga escala. Em publicação recente, a empresa declarou: “O Optmius será o maior produto já feito”.

Especialistas, no entanto, alertam para os impactos no curto prazo. Boloor destaca que a transição pode afetar o modelo de negócios atual da Tesla, já que “O antigo negócio está encolhendo, enquanto o novo não é suficientemente grande para preencher essa lacuna”.

Além disso, ele ressalta os efeitos sociais da automação: “A substituição de empregos é uma realidade muito presente”. E conclui: “Haverá perda contínua de empregos.”

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