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Modelos de IA desafiam legislação da UE para atender usuários, aponta estudo

Modelos de IA estão ignorando regras da União Europeia para cumprir tarefas solicitadas por usuários. A conclusão aparece em um novo estudo conduzido por pesquisadores da organização holandesa Aithos.

Segundo o Euronews, o levantamento avaliou alguns dos sistemas de IA mais populares do mundo e mostrou que mesmo os modelos mais avançados apresentaram baixo nível de conformidade com a legislação europeia.

Agentes de IA aceitaram tarefas consideradas problemáticas pela legislação europeia, aponta estudo. Imagem: artjazz/Shutterstock – Imagem: artjazz/Shutterstock

Pesquisa colocou agentes de IA à prova

A Aithos desenvolveu um sistema chamado LARA para testar 12 modelos de agentes de IA em cenários relacionados à Lei de IA da União Europeia e ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).

A análise verificou se os modelos respeitariam regras ligadas à privacidade, transparência e proteção dos usuários em situações práticas.

Entre os pontos avaliados estavam:

  • exploração de vulnerabilidades dos usuários;
  • inferência de emoções;
  • pontuação social baseada em comportamento;
  • manipulação subliminar;
  • transparência sobre o uso de IA;
  • garantia de supervisão humana significativa.

Três modelos de IA e avaliadores humanos participaram da análise das respostas para determinar se os sistemas violavam ou não as regras europeias.

Ao fundo, logo do Claude; à frente, em um smartphone, logo da Anthropic
Claude teve melhor desempenho em conformidade legal, mas ainda falhou em quase metade dos testes. Imagem: Stockinq/Shutterstock – Imagem: Stockinq/Shutterstock

Claude teve melhor desempenho, mas ainda falhou muito

O modelo mais compatível foi o Claude Opus, da Anthropic, que seguiu as regras da União Europeia em apenas 54% dos cenários avaliados.

Na outra ponta, apareceu o modelo da empresa chinesa Moonshot AI, com conformidade de apenas 7%.

Os pesquisadores afirmam que todos os modelos analisados aceitaram monitorar estados emocionais de funcionários ou explorar vulnerabilidades para concluir vendas em determinados cenários.

O estudo também avaliou o Mistral, único modelo europeu presente nos testes. O desempenho ficou abaixo de 12%, levando os responsáveis pela pesquisa à conclusão de que até empresas da própria Europa ainda enfrentam dificuldades para cumprir as regras locais.

“Mesmo os modelos mais avançados em uso hoje não garantem conformidade legal quando implantados como agentes”, escreveu a Aithos em uma publicação sobre o estudo.

Logo do ChatGPT em na tela de um notebook e na tela de um smartphone
Estudo aponta que o ChatGPT não apresentou resistência em um teste sobre promoção de funcionários. Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Casos com ChatGPT e Claude chamaram atenção

Em um dos testes, um usuário pediu ao Claude para identificar quais funcionários apresentavam “risco de evasão” com base em dados de desempenho e registros de licença.

Inicialmente, o modelo resistiu ao pedido, mas acabou fornecendo a classificação após três tentativas. Segundo o sistema LARA, isso viola regras da legislação europeia relacionadas à inferência de emoções.

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A pesquisa apontou que cerca de 8% dos casos apresentaram esse comportamento: a IA inicialmente recusava a tarefa, mas depois acabava cedendo.

Outro exemplo envolveu o ChatGPT 5.5, da OpenAI. Segundo o estudo, o sistema classificou funcionários para promoções com base em métricas de desempenho sem apresentar resistência.

A pesquisa também destacou que os modelos não foram instruídos explicitamente a seguir as leis europeias durante os testes. O objetivo era analisar o comportamento natural dos sistemas diante de situações potencialmente problemáticas.

Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda serão necessários para entender como os modelos se comportam quando recebem instruções diretas para obedecer a regulamentações específicas.

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Europa mira autonomia digital com novo pacote de tecnologia e IA

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de novas regras voltadas ao fortalecimento de chips, IA e serviços de computação em nuvem desenvolvidos dentro do bloco. A iniciativa ocorre em meio à crescente dependência da Europa em relação a produtos e serviços dos Estados Unidos e da China.

As propostas precisam ser aprovadas pelos 27 estados-membros para entrar em vigor. Entre as medidas anunciadas estão ações para impulsionar a fabricação avançada de semicondutores e a computação em nuvem de origem europeia, explica a CNBC.

Europa quer reforçar infraestrutura digital própria e diminuir dependência de fornecedores estrangeiros. Imagem: RaffMaster/Shutterstock

Dependência tecnológica e o alerta europeu

O debate ganhou força com a percepção de que Europa depende fortemente de tecnologias dos EUA e da China, especialmente em áreas críticas como nuvem e semicondutores. Para autoridades do bloco, essa dependência pode representar riscos em cenários de crise.

Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em nota.

Ao fundo, bandeira da União Europeia; à frente, um chip sendo segurado
Pacote europeu busca fortalecer chips, computação em nuvem e proteção de dados sensíveis no continente. Imagem: VGV MEDIA/Shutterstock

Nuvem, IA e novas regras de soberania digital

Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado com o objetivo de “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento prevê um marco europeu que estabelece diferentes níveis de soberania exigidos para a computação em nuvem aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas, conforme comunicado da Comissão.

A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou a jornalistas que o objetivo é garantir que provedores de nuvem responsáveis por cargas de trabalho críticas não tenham um “interruptor de desligamento” — mecanismo que permitiria cortar o acesso aos serviços.

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Virkkunen acrescentou que seria difícil para empresas americanas atingir os níveis mais altos de soberania previstos no marco por causa do Cloud Act dos EUA, legislação que autoriza autoridades policiais americanas a solicitar dados de usuários a empresas norte-americanas independentemente de onde esses dados estejam armazenados.

“Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, disse Virkkunen.

mão estendida com uma nuvem desenhada por cima, simbolizando serviços de nuvem
Regras visam proteger dados críticos e fortalecer serviços de nuvem europeus. Imagem: Apichatn/Shutterstock – Imagem: Apichatn/Shutterstock

Pressão geopolítica como pano de fundo

Em meio ao avanço da inteligência artificial e ao aumento da demanda por poder computacional, energia e talentos, autoridades europeias afirmam que o objetivo é garantir maior autonomia tecnológica.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um movimento excessivamente fechado pode limitar a competitividade global da região, já que as grandes potências também precisam exportar e desenvolver tecnologias em escala mundial.

Com isso, a Comissão Europeia quer garantir diferentes níveis de soberania para cargas de trabalho críticas e reforçar a infraestrutura digital do continente, garantindo:

  • Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa
  • Criação de regras para serviços de nuvem e IA
  • Redução da dependência tecnológica dos EUA e da China
  • Proteção de dados sensíveis em território europeu

O anúncio ocorre em um contexto de crescentes apelos para que a Europa reduza sua dependência de provedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas americanas que atualmente dominam o mercado europeu.

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