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Lei da IA entra em vigor na União Europeia; veja o que muda

A União Europeia inicia neste domingo (2) uma nova fase da implementação da Lei da Inteligência Artificial da União Europeia (AI Act), legislação que regulamenta o uso da IA no bloco. Embora o regulamento tenha entrado formalmente em vigor em agosto de 2024 e algumas regras já estivessem sendo aplicadas desde 2025, a maior parte das disposições passa a valer a partir de agora.

A legislação classifica os sistemas de inteligência artificial conforme o risco que representam e estabelece obrigações diferentes para cada categoria. Com a nova fase da implementação, aumentam as exigências para empresas que desenvolvem e utilizam essas tecnologias, incluindo medidas de transparência para conteúdos gerados por IA e o início da fiscalização de modelos de IA de propósito geral pela Comissão Europeia.

O que muda com o AI Act da UE?

O AI Act é considerado a primeira legislação abrangente sobre IA aprovada por um grande órgão regulador.

A legislação adota uma abordagem baseada em risco, classificando as aplicações de IA em três categorias: sistemas de risco inaceitável (proibidos), sistemas de alto risco (sujeitos a requisitos específicos) e sistemas que não são proibidos nem classificados como de alto risco. Além disso, o regulamento estabelece obrigações de transparência previstas no Artigo 50 para situações específicas, como o uso de chatbots e a geração de conteúdo sintético, independentemente da classificação de risco do sistema.

Sistemas considerados de risco inaceitável, como determinadas formas de pontuação social e algumas práticas de manipulação comportamental, são proibidos. Já aplicações classificadas como de alto risco — utilizadas em áreas como saúde, educação, recrutamento, concessão de crédito e serviços públicos — precisam cumprir requisitos específicos antes de serem disponibilizadas.

A partir de 2 de agosto, entram em vigor também as obrigações de transparência previstas no Artigo 50 da legislação. Ao contrário de outras partes do AI Act, essas regras não se limitam aos sistemas classificados como de alto risco: elas se aplicam a qualquer sistema de IA utilizado nas situações previstas pela norma.

As exigências se aplicam tanto aos provedores desses sistemas quanto às empresas e organizações que utilizam ferramentas de IA.

A legislação europeia estabelece diferentes níveis de risco para sistemas de inteligência artificial e amplia as obrigações de transparência e fiscalização sobre empresas que desenvolvem ou utilizam a tecnologia – Imagem: RaffMaster / Shutterstock

Novas regras para chatbots, deepfakes e conteúdo gerado por IA

Entre as principais obrigações que passam a valer estão:

  • provedores de chatbots, assistentes virtuais e outros sistemas que interagem diretamente com pessoas deverão informar aos usuários que eles estão conversando com uma IA;
  • provedores de sistemas capazes de gerar textos, imagens, vídeos e áudios deverão garantir que esses conteúdos sejam marcados em formato legível por máquina, para que possam ser identificados como produzidos ou manipulados por IA;
  • empresas e organizações que utilizarem IA para criar deepfakes deverão informar que aquele conteúdo foi gerado ou alterado artificialmente;
  • textos gerados por IA publicados com o objetivo de informar o público sobre temas de interesse público também deverão ser identificados, exceto quando tiverem passado por revisão humana e houver responsabilidade editorial sobre a publicação.

As regras também se aplicam a sistemas de código aberto quando eles se enquadram nas situações previstas pelo Artigo 50. Modelos de IA generativa que já estavam disponíveis no mercado antes de 2 de agosto de 2026 terão até 2 de dezembro deste ano para cumprir especificamente a exigência de marcação em formato legível por máquina.

Comissão Europeia poderá fiscalizar e multar empresas

Outra novidade é que a Comissão Europeia passa a exercer poderes de supervisão sobre provedores de modelos de inteligência artificial de propósito geral (GPAI), categoria que inclui grandes modelos de linguagem usados em chatbots e outras ferramentas de IA generativa.

Esses provedores já estavam sujeitos a obrigações desde agosto de 2025, mas a legislação previa um período de adaptação de um ano antes do início da fiscalização. A partir deste domingo, a Comissão poderá solicitar documentação técnica, realizar avaliações, exigir medidas para adequação às regras, restringir a oferta desses modelos e até determinar sua retirada do mercado.

As multas podem chegar a 3% do faturamento global anual da empresa ou 15 milhões de euros, prevalecendo o maior valor, dependendo da infração cometida.

Mapa da Europa em azul, com os dizeres
A partir de 2 de agosto, a Comissão Europeia passa a exercer poderes de fiscalização sobre provedores de modelos de IA de propósito geral, podendo exigir adequações e aplicar multas em caso de descumprimento das regras – Imagem: Ivan Marc/Shutterstock

Como o AI Act foi implementado

A aplicação do AI Act foi dividida em diferentes fases. O regulamento entrou formalmente em vigor em agosto de 2024, mas boa parte de suas disposições teve períodos de transição.

Em fevereiro de 2025 começaram a valer as regras que proíbem determinadas práticas consideradas de risco inaceitável. Em agosto do mesmo ano, passaram a ser aplicadas as obrigações para modelos de IA de propósito geral (GPAI). Agora, em 2 de agosto de 2026, entra em vigor a maior parte das disposições da legislação, incluindo as regras de transparência previstas no Artigo 50 e o início da fiscalização da Comissão Europeia sobre esses modelos.

Empresas brasileiras também podem ser afetadas

Embora o Brasil ainda discuta seu próprio marco regulatório para inteligência artificial, empresas brasileiras que desenvolvem soluções de IA ou prestam serviços para clientes da União Europeia também poderão precisar cumprir as exigências previstas pelo AI Act.

A legislação se aplica aos provedores de modelos colocados no mercado europeu, independentemente do país onde estejam sediados. Isso significa que empresas de fora da União Europeia também podem ficar sujeitas às regras caso disponibilizem seus sistemas para usuários do bloco.

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União Europeia exigirá rótulos para conteúdo de IA com aparência realista

A União Europeia começará a aplicar no próximo domingo (02) uma nova exigência para empresas que disponibilizam sistemas de inteligência artificial no bloco. A medida determina que imagens, áudios e textos produzidos por IA e desenvolvidos para parecerem autênticos sejam identificados por meio de um rótulo digital.

A obrigação integra as normas previstas na Lei de Inteligência Artificial da União Europeia e valerá imediatamente para novos sistemas lançados no mercado europeu. Plataformas e ferramentas já existentes terão um período adicional de quatro meses para se adequar às exigências.

Segundo parlamentares e representantes do setor, a iniciativa busca ampliar a transparência sobre conteúdos sintéticos na internet, ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos para proteger consumidores e reduzir impactos relacionados à circulação de informações falsas.

Regulamentação prevê exceções e punições para empresas

App de IA – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A exigência faz parte da implementação da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia. O regulamento estabelece que conteúdos criados por inteligência artificial com o objetivo de reproduzir situações ou materiais de aparência real deverão receber uma marcação digital. A identificação poderá utilizar o modelo desenvolvido pela própria União Europeia ou sistemas equivalentes criados pelas organizações.

As novas regras não abrangem conteúdos produzidos para uso pessoal, como publicações restritas a conversas privadas entre usuários. Também ficam de fora trabalhos evidentemente artísticos, incluindo produções satíricas e obras de ficção que sejam claramente reconhecíveis como tal.

As empresas que colocarem novos sistemas de inteligência artificial no mercado europeu deverão cumprir as determinações já a partir de 2 de agosto. Para ferramentas que já estavam disponíveis antes desse prazo, a legislação concede mais quatro meses para a adaptação.

Ao comentar a implementação da medida, o eurodeputado Sergey Lagodinsky, que participou das negociações da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia, afirmou que a proposta vai além da proteção ao consumidor.

Trata-se não apenas de proteger os consumidores, mas também de proteger a democracia. Essa informação é algo que precisamos preservar para manter nossa democracia e a autenticidade dos fatos na internet“, ele explicou ao The Guardian.

O descumprimento das exigências poderá resultar em multas equivalentes a até 3% da receita bruta total das empresas responsáveis pelos sistemas.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Boniface de Champris, responsável pela área de políticas de inteligência artificial da Computer and Communications Industry Association, avaliou que muitos consumidores poderão se surpreender ao perceber onde essas identificações passarão a aparecer.

Conforme declarou ao The Guardian, embora as redes sociais já adotem mecanismos para sinalizar parte dos conteúdos produzidos por IA, a tendência é que os rótulos também sejam vistos em setores como publicidade, cinema e mercado editorial, onde essa tecnologia já é amplamente utilizada.

O texto também destaca que grandes plataformas digitais já mantêm políticas voltadas à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, embora esse processo nem sempre seja eficaz.

Entre os exemplos citados está o TikTok, que exige que criadores identifiquem materiais produzidos por IA, mas ainda enfrenta casos em que esse tipo de conteúdo passa despercebido, incluindo vídeos curtos com supostos médicos oferecendo orientações de saúde consideradas duvidosas.

Além disso, empresas como Google e Meta já utilizam tecnologias próprias para facilitar a identificação de materiais sintéticos.

O Google informou que sua ferramenta SynthID já foi empregada para marcar mais de 100 bilhões de imagens e um volume de áudio equivalente a cerca de 60 mil anos de reprodução. A Meta também mantém políticas voltadas à identificação de imagens fotorrealistas criadas por inteligência artificial.

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OpenAI e Anthropic explicam falhas antes da nova Lei de IA

Modelos de inteligência artificial da OpenAI e da Anthropic conseguiram realizar ações inesperadas durante testes de segurança, incluindo ataques cibernéticos simulados. Os episódios chegaram à Comissão Europeia antes da divulgação pública.

Segundo a Reuters, o bloco acompanha os casos enquanto prepara a entrada em vigor da Lei de IA, uma das primeiras regulamentações amplas do mundo para controlar o desenvolvimento da tecnologia.

Durante testes, modelos de IA realizaram ações inesperadas e abriram um novo debate sobre autonomia das máquinas. – Rawpixel.com/Shutterstock

Testes revelam novos desafios para agentes de IA

Os incidentes aumentaram a preocupação sobre ferramentas capazes de executar tarefas de forma autônoma. A Comissão Europeia informou que recebeu detalhes das duas empresas antes que os episódios fossem divulgados.

“Fomos informados pelos dois provedores sobre os incidentes antes de eles se tornarem públicos. Estamos em contato com eles e receberemos mais informações. Também avaliaremos se será necessário dar um encaminhamento mais formal a essas questões”, afirmou um funcionário do órgão.

A análise das autoridades envolve principalmente:

  • Capacidade de sistemas realizarem ações sem comando direto;
  • Riscos de uso indevido em ataques digitais;
  • Monitoramento obrigatório por desenvolvedores;
  • Transparência sobre o funcionamento dessas tecnologias.

Outro representante da Comissão Europeia destacou que “esses incidentes destacam a importância de implementar as atividades de monitoramento exigidas dos desenvolvedores.”

Anthropic e OpenAI relatam comportamentos inesperados

O primeiro caso envolveu modelos da família Claude, da Anthropic. A empresa informou que algumas versões conseguiram invadir sistemas de três organizações durante testes de cibersegurança.

Segundo a companhia, um erro de configuração permitiu o acesso à internet. As atividades foram identificadas após uma revisão de mais de 141 mil sessões de teste, e as empresas afetadas foram avisadas.

Poucos dias depois, a OpenAI revelou que dois modelos próprios encontraram uma maneira de invadir um sistema durante uma avaliação de segurança. A empresa classificou o episódio como um ataque “sem precedentes”.

Interface AI mostrando aviso de erro de prompt e alerta do sistema
Quando a IA começa a agir além do esperado, surge uma pergunta: como garantir controle sobre a tecnologia? – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Nova Lei de IA aumenta pressão sobre empresas

Os casos surgem às vésperas da entrada em vigor da Lei de IA da União Europeia, prevista para 2 de agosto. A regulamentação estabelece obrigações para desenvolvedores de modelos considerados de uso geral e com risco sistêmico.

Leia mais:

Entre as exigências estão ações para reduzir ameaças como ataques cibernéticos, manipulação maliciosa e situações em que uma tecnologia possa agir fora do controle humano.

A legislação também prevê regras de transparência, incluindo avisos quando usuários estiverem interagindo com uma inteligência artificial ou quando conteúdos forem criados ou modificados pela tecnologia.

As multas podem variar de 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões) ou 1,5% do faturamento global até 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 224 milhões) ou 7% da receita mundial, dependendo da gravidade da infração.

Com a nova regra prestes a começar, a Europa terá pela frente o desafio de equilibrar dois objetivos que caminham juntos, mas nem sempre na mesma direção: incentivar avanços em IA e reduzir riscos de tecnologias cada vez mais independentes.

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A União Europeia quer que você saiba quando um conteúdo foi criado por IA

A União Europeia (UE) começará a exigir, a partir de 2 de agosto, que conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA), como os chamados “deepfakes“, sejam claramente identificados.

A medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA.

As novas regras de transparência entram em vigor inicialmente para empresas que desenvolvem ou oferecem ferramentas de IA.

Como vai funcionar a nova determinação da UE para a IA

  • A partir dessa data, chatbots e outros modelos de IA deverão informar de forma explícita aos usuários que são sistemas automatizados;
  • Da mesma forma, imagens, textos e outros conteúdos gerados por essas tecnologias precisarão exibir um rótulo indicando que foram produzidos por IA;
  • Empresas que deixarem de cumprir essas exigências estarão sujeitas à aplicação de multas elevadas.

A UE afirma que a iniciativa busca conter o avanço da desinformação impulsionada pela IA generativa. Segundo informações de um representante do bloco passadas à AFP, essa tecnologia permite criar conteúdos falsos em uma escala inédita, direcionados a públicos específicos e disseminados rapidamente.

Medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA

“A IA generativa permite criar desinformação em uma escala sem precedentes, direcionada a públicos específicos e disseminada com notável rapidez”, afirmou o representante.

O funcionário acrescentou que, como a IA “está tornando cada vez mais difícil para todos nós distinguir o que é real do que é sintético”, as novas regras pretendem “preservar a capacidade dos cidadãos de confiar no que veem, ouvem e leem”.

Entre as principais preocupações da UE estão os chamados “deepfakes”, que incluem textos, imagens, vídeos e áudios capazes de simular conteúdos autênticos, embora tenham sido gerados ou modificados por IA.

As obrigações previstas pela legislação serão aplicadas apenas a conteúdos produzidos para fins profissionais. De acordo com a UE, pessoas que utilizam ferramentas de IA exclusivamente para uso pessoal não serão afetadas pelas novas exigências.

Além disso, textos destinados a informar o público sobre temas de interesse geral também deverão receber uma identificação quando forem produzidos por IA sem supervisão editorial humana.

A implementação da legislação ocorrerá de forma escalonada. Os sistemas de IA já existentes terão até 2 de dezembro para se adequar às novas exigências. O regulamento também prevê exceções para obras de caráter artístico, criativo, satírico e ficcional.

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Google é obrigado a abrir Android para rivais de IA na Europa

A União Europeia determinou que o Google permita maior acesso de empresas de inteligência artificial ao Android. A medida coloca pressão sobre a gigante de tecnologia e tenta ampliar a disputa por assistentes digitais nos celulares.

A decisão acontece em um momento em que empresas de IA buscam espaço dentro dos smartphones, transformando os aparelhos em ferramentas mais personalizadas para tarefas do dia a dia.

A União Europeia quer ampliar a concorrência entre assistentes digitais, como Gemini e Siri. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Android vira novo campo de disputa da inteligência artificial

Os reguladores europeus exigiram que o Google ofereça “igualdade de condições” para serviços concorrentes de IA. Na prática, a empresa terá de permitir que outras plataformas disputem espaço com o Gemini, seu próprio assistente.

A preocupação da União Europeia é que o domínio do Android, presente em cerca de 60% dos smartphones do bloco, dê ao Google uma vantagem difícil de superar.

Além do acesso a recursos do sistema, a decisão envolve o compartilhamento de dados anonimizados do mecanismo de busca com concorrentes, incluindo empresas que desenvolvem chatbots.

As principais mudanças determinadas incluem:

  • acesso mais amplo de assistentes de IA concorrentes ao Android;
  • possibilidade de usar comandos de voz e executar ações em aplicativos;
  • compartilhamento de dados de busca anonimizados;
  • redução de barreiras para desenvolvedores externos.

A medida faz parte da Lei de Mercados Digitais (Digital Markets Act), que exige maior interoperabilidade entre grandes plataformas de tecnologia.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
A decisão pode mudar a forma como usuários escolhem seus assistentes de IA no Android. – Imagem: jackpress / Shutterstock

Google alerta para riscos de privacidade

O Google afirmou que a decisão pode criar novos problemas de segurança ao permitir que terceiros tenham acesso a informações sensíveis dos usuários.

Hoje, as decisões colocam em risco importantes proteções de privacidade e segurança para milhões de europeus.

Kent Walker, conselheiro-geral do Google, em nota enviada ao The New York Times.

A empresa também argumentou que dados armazenados nos celulares e informações do histórico de buscas precisam de proteção contra acessos inadequados.

A União Europeia, porém, entende que consumidores devem ter mais opções de escolha. Pela regra, desenvolvedores externos poderão oferecer alternativas ao Gemini e à Siri, da Apple.

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
O Google diz que a medida pode criar riscos para a privacidade e a segurança dos usuários. – Imagem: TippaPatt / Shutterstock

Empresas disputam o controle dos celulares

O avanço da IA nos smartphones transformou os sistemas operacionais em uma peça estratégica. Assistentes integrados aos aparelhos podem ajudar usuários em tarefas como responder mensagens, interagir com aplicativos e encontrar informações rapidamente.

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Google e Apple possuem uma vantagem porque controlam os sistemas móveis mais populares do mundo. Por isso, reguladores europeus passaram a acompanhar de perto como essas empresas lidam com novos recursos de inteligência artificial.

A Apple também enfrentou dificuldades com a regulamentação europeia. Em junho, a empresa afirmou que adiaria novos recursos de IA da Siri na região por não chegar a um acordo com os reguladores.

O Google terá até julho do próximo ano para implementar as mudanças exigidas pela União Europeia. A empresa ainda não informou se pretende recorrer da decisão.

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Modelos de IA desafiam legislação da UE para atender usuários, aponta estudo

Modelos de IA estão ignorando regras da União Europeia para cumprir tarefas solicitadas por usuários. A conclusão aparece em um novo estudo conduzido por pesquisadores da organização holandesa Aithos.

Segundo o Euronews, o levantamento avaliou alguns dos sistemas de IA mais populares do mundo e mostrou que mesmo os modelos mais avançados apresentaram baixo nível de conformidade com a legislação europeia.

Agentes de IA aceitaram tarefas consideradas problemáticas pela legislação europeia, aponta estudo. Imagem: artjazz/Shutterstock – Imagem: artjazz/Shutterstock

Pesquisa colocou agentes de IA à prova

A Aithos desenvolveu um sistema chamado LARA para testar 12 modelos de agentes de IA em cenários relacionados à Lei de IA da União Europeia e ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR).

A análise verificou se os modelos respeitariam regras ligadas à privacidade, transparência e proteção dos usuários em situações práticas.

Entre os pontos avaliados estavam:

  • exploração de vulnerabilidades dos usuários;
  • inferência de emoções;
  • pontuação social baseada em comportamento;
  • manipulação subliminar;
  • transparência sobre o uso de IA;
  • garantia de supervisão humana significativa.

Três modelos de IA e avaliadores humanos participaram da análise das respostas para determinar se os sistemas violavam ou não as regras europeias.

Ao fundo, logo do Claude; à frente, em um smartphone, logo da Anthropic
Claude teve melhor desempenho em conformidade legal, mas ainda falhou em quase metade dos testes. Imagem: Stockinq/Shutterstock – Imagem: Stockinq/Shutterstock

Claude teve melhor desempenho, mas ainda falhou muito

O modelo mais compatível foi o Claude Opus, da Anthropic, que seguiu as regras da União Europeia em apenas 54% dos cenários avaliados.

Na outra ponta, apareceu o modelo da empresa chinesa Moonshot AI, com conformidade de apenas 7%.

Os pesquisadores afirmam que todos os modelos analisados aceitaram monitorar estados emocionais de funcionários ou explorar vulnerabilidades para concluir vendas em determinados cenários.

O estudo também avaliou o Mistral, único modelo europeu presente nos testes. O desempenho ficou abaixo de 12%, levando os responsáveis pela pesquisa à conclusão de que até empresas da própria Europa ainda enfrentam dificuldades para cumprir as regras locais.

“Mesmo os modelos mais avançados em uso hoje não garantem conformidade legal quando implantados como agentes”, escreveu a Aithos em uma publicação sobre o estudo.

Logo do ChatGPT em na tela de um notebook e na tela de um smartphone
Estudo aponta que o ChatGPT não apresentou resistência em um teste sobre promoção de funcionários. Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Casos com ChatGPT e Claude chamaram atenção

Em um dos testes, um usuário pediu ao Claude para identificar quais funcionários apresentavam “risco de evasão” com base em dados de desempenho e registros de licença.

Inicialmente, o modelo resistiu ao pedido, mas acabou fornecendo a classificação após três tentativas. Segundo o sistema LARA, isso viola regras da legislação europeia relacionadas à inferência de emoções.

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A pesquisa apontou que cerca de 8% dos casos apresentaram esse comportamento: a IA inicialmente recusava a tarefa, mas depois acabava cedendo.

Outro exemplo envolveu o ChatGPT 5.5, da OpenAI. Segundo o estudo, o sistema classificou funcionários para promoções com base em métricas de desempenho sem apresentar resistência.

A pesquisa também destacou que os modelos não foram instruídos explicitamente a seguir as leis europeias durante os testes. O objetivo era analisar o comportamento natural dos sistemas diante de situações potencialmente problemáticas.

Os pesquisadores afirmam que novos estudos ainda serão necessários para entender como os modelos se comportam quando recebem instruções diretas para obedecer a regulamentações específicas.

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Europa mira autonomia digital com novo pacote de tecnologia e IA

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de novas regras voltadas ao fortalecimento de chips, IA e serviços de computação em nuvem desenvolvidos dentro do bloco. A iniciativa ocorre em meio à crescente dependência da Europa em relação a produtos e serviços dos Estados Unidos e da China.

As propostas precisam ser aprovadas pelos 27 estados-membros para entrar em vigor. Entre as medidas anunciadas estão ações para impulsionar a fabricação avançada de semicondutores e a computação em nuvem de origem europeia, explica a CNBC.

Europa quer reforçar infraestrutura digital própria e diminuir dependência de fornecedores estrangeiros. Imagem: RaffMaster/Shutterstock

Dependência tecnológica e o alerta europeu

O debate ganhou força com a percepção de que Europa depende fortemente de tecnologias dos EUA e da China, especialmente em áreas críticas como nuvem e semicondutores. Para autoridades do bloco, essa dependência pode representar riscos em cenários de crise.

Não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, em nota.

Ao fundo, bandeira da União Europeia; à frente, um chip sendo segurado
Pacote europeu busca fortalecer chips, computação em nuvem e proteção de dados sensíveis no continente. Imagem: VGV MEDIA/Shutterstock

Nuvem, IA e novas regras de soberania digital

Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado com o objetivo de “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento prevê um marco europeu que estabelece diferentes níveis de soberania exigidos para a computação em nuvem aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas, conforme comunicado da Comissão.

A vice-presidente executiva da Comissão, Henna Virkkunen, afirmou a jornalistas que o objetivo é garantir que provedores de nuvem responsáveis por cargas de trabalho críticas não tenham um “interruptor de desligamento” — mecanismo que permitiria cortar o acesso aos serviços.

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Virkkunen acrescentou que seria difícil para empresas americanas atingir os níveis mais altos de soberania previstos no marco por causa do Cloud Act dos EUA, legislação que autoriza autoridades policiais americanas a solicitar dados de usuários a empresas norte-americanas independentemente de onde esses dados estejam armazenados.

“Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, disse Virkkunen.

mão estendida com uma nuvem desenhada por cima, simbolizando serviços de nuvem
Regras visam proteger dados críticos e fortalecer serviços de nuvem europeus. Imagem: Apichatn/Shutterstock – Imagem: Apichatn/Shutterstock

Pressão geopolítica como pano de fundo

Em meio ao avanço da inteligência artificial e ao aumento da demanda por poder computacional, energia e talentos, autoridades europeias afirmam que o objetivo é garantir maior autonomia tecnológica.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que um movimento excessivamente fechado pode limitar a competitividade global da região, já que as grandes potências também precisam exportar e desenvolver tecnologias em escala mundial.

Com isso, a Comissão Europeia quer garantir diferentes níveis de soberania para cargas de trabalho críticas e reforçar a infraestrutura digital do continente, garantindo:

  • Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa
  • Criação de regras para serviços de nuvem e IA
  • Redução da dependência tecnológica dos EUA e da China
  • Proteção de dados sensíveis em território europeu

O anúncio ocorre em um contexto de crescentes apelos para que a Europa reduza sua dependência de provedores não europeus de tecnologias críticas, incluindo empresas americanas que atualmente dominam o mercado europeu.

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