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Revolução da inteligência artificial ainda avança mais devagar que o esperado

A inteligência artificial já virou rotina em grandes empresas, mas ainda está longe da revolução prometida por seus maiores entusiastas. Especialistas dizem que a transformação deve acontecer, só que em um ritmo bem mais lento do que muita gente imaginava.

Mesmo com investimentos bilionários e ferramentas cada vez mais populares, obstáculos humanos, técnicos e organizacionais ainda dificultam uma adoção mais profunda da IA no mercado, afirma o The Wall Street Journal.

IA funciona muito bem em tarefas técnicas, mas ainda tropeça em contexto humano e decisões subjetivas. Imagem: Frame Stock Footage / Shutterstock – Imagem: Frame Stock Footage / Shutterstock

IA já está nas empresas — mas ainda sem grande revolução

Pouco mais de três anos após o lançamento do ChatGPT, a inteligência artificial já aparece em quase todos os ambientes corporativos. Funcionários usam IA para resumir reuniões, escrever e-mails, montar apresentações e acelerar tarefas repetitivas.

Na prática, porém, a revolução prometida ainda não apareceu nos números da economia. Os ganhos existem, mas ainda não provocaram mudanças claras na produtividade de forma ampla.

Pesquisas citadas no texto mostram que executivos planejam aumentar os investimentos em IA nos próximos anos. Um estudo da Wharton apontou que três quartos dos 801 executivos entrevistados disseram ter obtido retorno positivo com ferramentas de inteligência artificial.

Os avanços aparecem em diferentes áreas:

  • Varejistas usam IA para ajustar preços em tempo real;
  • Fabricantes aplicam visão computacional para detectar defeitos;
  • Empresas financeiras utilizam IA para analisar pesquisas e investimentos;
  • Ferramentas de programação já escrevem códigos a partir de comandos simples.

“Dizer que estamos presos no modo piloto é uma ideia ultrapassada e errada”, afirmou Ethan Mollick, professor da Wharton que pesquisa a adoção de IA nas empresas.

IA governança corporativa
Muitas empresas ainda enfrentam dificuldades para integrar inteligência artificial no dia a dia. Imagem: Miha Creative/Shutterstock

O maior problema talvez nem seja a tecnologia

Apesar do avanço impressionante, a IA ainda tropeça em situações relativamente comuns. Pesquisadores chamam isso de “fronteira irregular”: em alguns casos, os sistemas funcionam muito bem; em outros, erram de maneira surpreendente.

Segundo o texto, a IA funciona muito bem em atividades estruturadas, como programação, revisão de documentos jurídicos e análises financeiras. Já tarefas mais subjetivas continuam sendo um problema.

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A tecnologia ainda esbarra em contexto humano, interpretação social, regras informais e decisões baseadas em experiência prática. E é justamente aí que muitas empresas encontram dificuldades reais para integrar a IA no dia a dia.

“Seja você um CEO, um gerente, um jornalista, um professor ou um operário da construção civil, vejo suas habilidades como algo que vai além do que a IA pode realizar”, disse Daron Acemoglu, economista do MIT e vencedor do Prêmio Nobel.

Mas os problemas não param na tecnologia. Outro obstáculo importante é a própria resistência das empresas e dos funcionários. Muitos trabalhadores temem estar ajudando a treinar sistemas que podem substituir seus empregos no futuro.

imagem mostra a mão de um robô digitando em um teclado de computador. imagem representa inteligência artificial e robôs no mercado de trabalho
Trabalhadores temem ajudar a treinar sistemas que podem substituir empregos no futuro. Imagem: Taris Tonsa/Shutterstock – Imagem: Taris Tonsa/Shutterstock

A transformação pode levar anos

O texto compara o atual momento da IA com outras revoluções tecnológicas do passado. A eletricidade levou décadas para impactar a produtividade econômica de forma clara. A internet também demorou mais de uma década para transformar empresas e mercados em larga escala.

Leva tempo, em escala humana, para realmente transformar as organizações e desbloquear grandes mudanças.

James Landay, codiretor do Instituto Stanford de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano, ao The Wall Street Journal.

Segundo ele, a adaptação das empresas exige mudanças profundas em processos, cultura e organização interna.

A IA deve transformar muita coisa nos próximos anos. Mas, olhando para o cenário atual, a mudança parece menos imediata do que o mercado imaginava quando o ChatGPT explodiu.

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Empresas ainda não sabem transformar ganhos da IA em resultados, diz relatório

Trabalhadores de escritório estão adotando ferramentas de inteligência artificial em ritmo acelerado, mas os efeitos dessa tecnologia sobre produtividade e eficiência ainda geram dúvidas. É o que mostra o relatório AI at Work, divulgado pelo Boston Consulting Group (BCG).

Segundo o levantamento, 74% dos trabalhadores administrativos sem função gerencial afirmam usar IA com frequência, um salto de 23 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mesmo com essa adoção acelerada, muitas empresas ainda não conseguem transformar esse avanço em resultados concretos, explica a Bloomberg.

Tempo economizado ainda não é considerado

Mais de 40% dos profissionais sem cargo de gestão disseram economizar pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana graças às ferramentas de IA. Apesar disso, o BCG aponta que líderes e empresas ainda não sabem exatamente como utilizar esse tempo recuperado de maneira eficiente.

Todo mundo fala sobre a IA substituindo o trabalho, mas na verdade trata-se de repensar o valor humano agregado internamente. Esse é o papel dos líderes.

Vinciane Beauchene, uma das autoras do relatório, em nota.

O estudo questiona a ideia de que a simples adoção da IA levará automaticamente ao aumento de produtividade, mesmo diante dos enormes investimentos feitos no setor nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a tecnologia está alterando a rotina profissional de forma profunda, e nem sempre positiva.

Satisfação e sobrecarga ao mesmo tempo

Quase metade dos entrevistados afirmou passar mais tempo supervisionando e direcionando a IA do que executando as próprias tarefas. Cerca de dois terços disseram que a tecnologia aumentou a satisfação no trabalho, mas aproximadamente 41% relataram maior desgaste mental. Os autores do relatório chamaram esse fenômeno de “paradoxo da alegria”: a IA torna o trabalho melhor e mais difícil ao mesmo tempo.

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“A equação da alegria se reescreve dentro de um ano de uso da IA”, disse Sylvain Duranton, outro coautor do estudo. “No início, a novidade e o esforço cognitivo alimentam o prazer, mas essa ‘lua de mel com a IA’ desaparece sem clareza estratégica.”

Agentes de IA ganham espaço

O relatório também registra o crescimento dos agentes de IA: 30% dos entrevistados afirmaram que esse tipo de ferramenta já faz parte de seus fluxos de trabalho — mais do que o dobro do registrado um ano atrás. Mais de 60% disseram acreditar que esses agentes poderão executar ao menos metade de suas tarefas nos próximos três anos.

A pesquisa ouviu cerca de 12 mil trabalhadores de diferentes setores em 14 países e regiões. O estudo analisou temas como adoção de IA, expectativas dos profissionais, liderança e transformação organizacional. Segundo o BCG, trabalhadores sem cargo gerencial na Índia, no Brasil e na África do Sul relataram uso regular de IA acima da média global, enquanto os dos Estados Unidos, França e Itália ficaram abaixo dessa média.

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