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Google apresenta Universal Cart e amplia integração de IA para compras online

Nesta terça-feira (19), durante o evento Google I/O 2026, realizado no anfiteatro Shoreline, na Califórnia, nos Estados Unidos, o Google anunciou uma nova etapa na sua estratégia de comércio digital com inteligência artificial. A empresa apresentou o Universal Cart, um carrinho inteligente que unifica compras feitas em diferentes serviços da companhia e promete automatizar parte da experiência de consumo online.

A novidade foi divulgada como parte do avanço da chamada “agentic commerce”, em que sistemas de IA passam a atuar de forma ativa na organização, comparação e execução de tarefas relacionadas a compras. Segundo o Google, a ferramenta funciona integrada ao Search, ao Gemini e a outros produtos do ecossistema da empresa.

O sistema também promete acompanhar variações de preço, disponibilidade de produtos e oferecer sugestões personalizadas com base em dados do usuário e do mercado.

Para quem tem pressa:

  • Google lança Universal Cart, carrinho inteligente que centraliza compras feitas em diferentes plataformas;
  • Sistema usa IA para monitorar preços, sugerir produtos e identificar compatibilidades automaticamente;
  • Empresa também amplia protocolos de pagamento e prepara expansão global do comércio baseado em agentes.

Universal Cart integra compras em diferentes plataformas do Google

Google lança Universal Cart, carrinho inteligente que centraliza compras feitas em diferentes plataformas – (Divulgação: Google)

O Universal Cart funciona como um carrinho unificado que pode ser alimentado a partir de diferentes serviços, como Search, Gemini, YouTube e Gmail. A ideia é permitir que o usuário adicione produtos enquanto navega por qualquer uma dessas plataformas, sem precisar repetir o processo de compra em cada ambiente.

Após a adição de um item, o sistema passa a monitorar automaticamente fatores como histórico de preços, promoções e disponibilidade em estoque. Essas funções são alimentadas por modelos de inteligência artificial da família Gemini.

Além disso, o carrinho é capaz de antecipar necessidades do usuário, sugerindo ajustes e alternativas com base em possíveis problemas de compatibilidade entre produtos.

IA analisa preços, compatibilidade e benefícios de pagamento

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Universal Cart do Google – (Divulgação: Google)

A ferramenta também utiliza dados de pagamento e benefícios vinculados ao Google Wallet para identificar vantagens adicionais, como programas de fidelidade e ofertas de comerciantes.

Em cenários mais complexos, como a montagem de um computador personalizado com peças de diferentes varejistas, o sistema pode identificar incompatibilidades entre componentes e sugerir substituições mais adequadas.

A proposta é reduzir a necessidade de pesquisa manual, reunindo informações dispersas em uma única interface inteligente de decisão.

Leia mais:

Checkout automatizado e expansão do ecossistema de compras

Quando o usuário decide finalizar a compra, o Universal Cart permite concluir o pagamento por meio do Google Pay ou redirecionar o processo para o site do próprio comerciante. A infraestrutura é baseada no Universal Commerce Protocol, que busca padronizar transações entre diferentes plataformas.

O Google afirmou que o sistema será implementado inicialmente em parceiros como Nike, Sephora, Target, Ulta Beauty, Walmart e Shopify, com expansão gradual para outros mercados.

Expansão global e novos protocolos de pagamento com IA

Além do Universal Cart, a empresa anunciou a expansão do Universal Commerce Protocol para países como Canadá e Austrália, com previsão de chegada ao Reino Unido nos próximos meses. O protocolo também será integrado a novos setores, como reservas de hotéis e entrega de alimentos.

Outro destaque é o Agent Payments Protocol, desenvolvido para permitir que agentes de IA realizem pagamentos com regras pré-definidas pelo usuário, incluindo limites de gasto e restrições de marcas.

Segundo o Google, o sistema cria registros verificáveis das transações para garantir segurança, transparência e controle sobre as ações executadas pelos agentes.

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Google amplia Circle to Search com verificação de imagens geradas por IA

Nesta terça-feira (19), o Google anunciou a expansão de ferramentas de verificação de conteúdo em seus produtos de busca e inteligência artificial, durante a divulgação de novidades do I/O 2026. Entre os destaques está a atualização do Circle to Search, que passa a permitir que usuários identifiquem se uma imagem foi criada ou alterada por inteligência artificial.

A novidade faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas da empresa voltadas à transparência digital, em um contexto no qual conteúdos gerados por IA se tornam cada vez mais comuns e difíceis de distinguir de materiais autênticos. A atualização também se estende ao Search, ao Gemini e ao Chrome.

Segundo a empresa, a ferramenta pode ser acionada a partir de perguntas simples feitas pelo usuário, como verificar a origem de uma imagem ou confirmar se ela foi gerada por inteligência artificial.

Para quem tem pressa:

  • Circle to Search agora permite verificar se imagens foram geradas ou alteradas por IA diretamente na busca visual;
  • Google expande ferramentas de verificação para Search, Gemini e Chrome usando tecnologias como SynthID e C2PA;
  • Objetivo é aumentar a transparência digital e facilitar a identificação da origem de conteúdos na internet.

Circle to Search passa a integrar verificação de conteúdo

Nova atualização do Google permite que usuários possam verificar se uma imagem foi ou não gerada por IA – (Divulgação: Google)

Com a atualização, o Circle to Search passa a funcionar como uma porta de entrada para análise de origem de imagens. O usuário pode circular um conteúdo na tela e solicitar ao sistema informações sobre sua procedência, incluindo se há sinais de geração por IA.

O recurso também se conecta a tecnologias como o SynthID, sistema de marcação digital desenvolvido pelo Google para identificar conteúdos gerados por modelos de inteligência artificial, além de ferramentas baseadas em padrões da C2PA, que indicam se um material foi capturado originalmente por câmera ou editado posteriormente.

A empresa afirma que a funcionalidade busca tornar mais simples o acesso a informações sobre a autenticidade de conteúdos visualizados no dia a dia.

Leia mais:

Busca, Gemini e Chrome também recebem verificação de origem

Captura de tela da página inicial do Gemini
Nova interface do Gemini – Imagem: Reprodução/Google

A expansão da verificação de conteúdo não se limita ao Circle to Search. O Google também incorporou recursos semelhantes ao Search, ao Gemini e ao Chrome, permitindo que usuários consultem a origem de imagens, vídeos e áudios diretamente nessas plataformas.

As ferramentas utilizam o SynthID para identificar sinais de conteúdo gerado por IA e também passam a incluir suporte aos chamados Content Credentials, padrão que registra como um material foi criado ou modificado.

No caso do Chrome, a integração permitirá que usuários verifiquem informações de mídia enquanto navegam, sem necessidade de ferramentas externas.

Tecnologia de marcação digital ganha escala global

Logo do Google em um smartphone
Google – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

O Google afirmou que o SynthID já foi aplicado em mais de 100 bilhões de imagens e vídeos, além de grandes volumes de áudio gerado por inteligência artificial. A tecnologia insere marcas invisíveis que ajudam a rastrear a origem do conteúdo.

Essas iniciativas fazem parte de um esforço mais amplo da indústria para criar sistemas interoperáveis de verificação de autenticidade.

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Google e Blackstone vão criar nova empresa de nuvem para IA, diz jornal

O Google e a firma de investimentos Blackstone estariam prestes a criar uma nova empresa de computação em nuvem focada em inteligência artificial (IA), segundo informações exclusivas do The Wall Street Journal. A companhia será estabelecida nos Estados Unidos com US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) em capital da Blackstone, que será a proprietária majoritária do empreendimento.

A nova empresa utilizará os chips especializados do Google para competir diretamente com players, como a CoreWeave, no mercado de nuvem para IA. O anúncio oficial deve acontecer ainda nesta segunda-feira (18), segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A aliança combina a expertise tecnológica do Google em chips para IA com a capacidade de investimento da Blackstone, uma das maiores firmas de investimento globais.

A expectativa é que essa união acirre ainda mais a disputa entre Google e Nvidia, que também fabrica chips para inteligência artificial.

O movimento representa uma aposta significativa no crescente mercado de infraestrutura em nuvem voltada para aplicações de IA, setor que tem atraído bilhões em investimentos nos últimos anos.

Leia mais:

Blackstone será dona majoritária da joint venture – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock

Competição no mercado de nuvem

  • A nova empresa visa, no ano que vem, disponibilizar 500 MW de capacidade;
  • Também pretende aumentar, substancialmente, essa capacidade ao longo do tempo;
  • A formação da joint venture se dá em momento em que a demanda por poder computacional para treino e execução dos modelos de IA chegou a níveis jamais imaginados;
  • Hoje, parte das companhias depende da infraestrutura de computação da CoreWeave, cujos chips são da Nvidia;
  • O Google servirá à joint venture, além de hardware, software e serviços;
  • O CEO da companhia será o executivo da big tech, Benjamin Treynor Sloss;
  • O Journal trouxe ainda que já há data centers em construção voltados para a nova empresa.

Blackstone investe além do Google

A Blackstone é reconhecida como a maior provedora de data centers no mundo, além de ser uma das empresas mais ativas em Wall Street, com aquisições da operadora de data centers QTS Realty Trust e da operadora de centros de dados AirTrunk.

Ela também já injetou dinheiro na futura “concorrente”, a CoreWeave, além de Anthropic, OpenAI e outras empresas do setor de IA.

Falando na Anthropic, ainda este mês, a startup fechou, ao lado de outras empresas, uma joint venture de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões) com a Blackstone. A união realizará a venda de ferramentas de IA para outras companhias.

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OpenAI: ChatGPT não é advogado e Justiça deve encerrar ação de seguradora

A OpenAI pediu à Justiça dos Estados Unidos a rejeição de um processo movido pela Nippon Life Insurance Company, que acusa a empresa de prestar consultoria jurídica sem autorização por meio do ChatGPT.

A companhia afirmou em documento apresentado na sexta-feira (15) no tribunal federal de Chicago que o chatbot de inteligência artificial (IA)não é um advogado” e não exerce a advocacia.

Segundo a OpenAI, não existem fundamentos para sustentar a ação da seguradora, que alega que o ChatGPT ajudou uma reclamante a sobrecarregar um tribunal federal com processos considerados sem mérito.

“No processo, a OpenAI afirmou que ‘o ChatGPT não é uma pessoa e não tem nem usa nenhum grau de conhecimento ou habilidade jurídica’.”

Uso de IAs em processos

  • O caso ocorre em um contexto de aumento do número de ações judiciais apresentadas sem auxílio de advogados e com apoio de ferramentas de IA generativa, capazes de redigir e protocolar documentos judiciais;
  • A ação da Nippon está entre os primeiros processos a acusar uma grande plataforma de IA de praticar advocacia sem autorização;
  • A disputa teve origem em um processo anterior envolvendo a ex-funcionária Graciela Dela Torre, que havia acionado a Nippon em razão de benefícios de invalidez de longo prazo. O caso foi encerrado por meio de acordo em 2024.

De acordo com a seguradora, Dela Torre posteriormente abriu um novo processo e utilizou o ChatGPT para inundar o tribunal com dezenas de moções e notificações produzidas por IA que, segundo a empresa, não serviram “a nenhum propósito legal ou processual legítimo”.

Ação da Nippon está entre os primeiros processos a acusar uma grande plataforma de IA de praticar advocacia sem autorização – Imagem: Stock all/Shutterstock

Leia mais:

O que a OpenAI relata sobre o caso envolvendo o ChatGPT

A OpenAI rebateu as acusações e afirmou que “a aparente frustração da Nippon por ter que se defender de um processo não é base para responsabilizar a OpenAI”.

A empresa também definiu o ChatGPT como “uma ferramenta útil e um auxílio à pesquisa que promove o acesso à justiça nos tribunais” e argumentou que os usuários concordam em não utilizar o conteúdo gerado pela plataforma como substituto para aconselhamento profissional.

“Dela Torre tinha o direito de se representar contra a Nippon e tinha o direito de usar o ChatGPT como uma ferramenta para isso”, afirmou a OpenAI ao tribunal.

“Se ela apresentou argumentos apropriados, é uma questão de suas ações, e cabia ao juiz do tribunal distrital que presidia seus casos decidir”, acrescentou a companhia.

Nem a OpenAI nem um advogado da Nippon comentaram o caso.

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Claude Mythos: o que a IA nos diz sobre riscos da dissuasão nuclear

O filme “Jogos de Guerra“, lançado em 1983, imaginou um adolescente que acessava acidentalmente um sistema de computadores do Pentágono e iniciava um programa de simulação interpretado como o prelúdio de uma guerra nuclear.

A produção causou tamanho impacto no então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, que ele questionou seus assessores sobre a possibilidade de uma invasão semelhante aos sistemas mais sensíveis do país. Uma semana depois, veio a resposta: “Senhor presidente, o problema é bem pior do que o senhor imagina.

Thomas Fraise, pesquisador de pós-doutorado pela Universidade de Copenhague (Dinamarca), diz, em texto publicado no The Conversation, que as políticas de armas nucleares são baseadas em uma série de apostas sobre o futuro da dissuasão nuclear.

Países com arsenal atômico apostam que o medo da retaliação será sempre suficiente para impedir um ataque inicial do adversário e que haverá capacidade técnica e sorte suficientes para evitar explosões acidentais. Também apostam que possuir armas nucleares continuará sendo uma fonte de segurança, e não de insegurança, nas próximas décadas.

O autor afirma, no entanto, que existem cenários plausíveis em que possuir armas nucleares pode gerar mais custos reais do que benefícios potenciais em um mundo afetado pelo aquecimento global. Manter um arsenal considerado seguro e confiável exigiria escolhas orçamentárias que competiriam com outros gastos urgentes relacionados à crise climática.

Além disso, o universo de riscos existenciais que poderiam justificar o uso de armas nucleares estaria se expandindo. Um dos exemplos citados é a preocupação de especialistas de que a escassez de água no Paquistão e na Índia possa criar condições favoráveis para um conflito com potencial de escalada nuclear.

O autor também aponta outra aposta implícita nas políticas nucleares: a de que os arsenais atômicos, formados por sistemas tecnológicos complexos e altamente digitalizados, não possuam vulnerabilidades cibernéticas que possam ser exploradas por agentes interessados em comprometer seu funcionamento.

Países com arsenal atômico apostam que o medo da retaliação será sempre suficiente para impedir um ataque inicial do adversário e que haverá capacidade técnica e sorte suficientes para evitar explosões acidentais – Imagem: mwreck/Shutterstock

Onde a IA Claude Mythos entra nesse assunto?

  • A discussão ganhou força após o avanço do modelo de inteligência artificial (IA) Claude Mythos, desenvolvido pela Anthropic;
  • O sistema de IA foi lançado em 7 de abril de 2026 pela empresa, responsável pela série de modelos de linguagem Claude;
  • O Mythos não foi lançado comercialmente. Em vez disso, foi disponibilizado para um grupo restrito composto por cerca de uma dúzia de gigantes da tecnologia dos Estados Unidos, incluindo Google, Microsoft, Apple, Nvidia e Amazon Web Services (AWS);
  • De acordo com informações divulgadas pela Anthropic, o modelo alcançou uma taxa sem precedentes na identificação de vulnerabilidades em sistemas computacionais. O Mythos teria conseguido detectar falhas “zero-day” em navegadores, softwares e sistemas operacionais;
  • Uma vulnerabilidade “zero-day” é descrita como uma falha crítica de segurança para a qual ainda não existe proteção disponível, permitindo ataques sem tempo de reação. Segundo a Anthropic, o Mythos conseguiu desenvolver métodos para explorar essas vulnerabilidades em tempo recorde — provavelmente em menos de um dia — com taxa de sucesso de 72,4%.

Embora as informações tenham sido divulgadas pela própria empresa, Fraise ressalta que alguns indícios públicos foram apresentados. Sylvestre Ledru, diretor de engenharia responsável pelo navegador Firefox na Mozilla, afirmou que o Mythos ajudou a descobrir um número “absolutamente impressionante” de vulnerabilidades no software.

Entre os exemplos citados está a descoberta de uma falha de segurança com quase 27 anos de existência no sistema operacional de código aberto OpenBSD, amplamente utilizado por serviços de cibersegurança.

IA e o avanço das capacidades ofensivas

Segundo a análise apresentada, o Mythos evidencia um fenômeno mais amplo: a possibilidade de que o desenvolvimento da IA acelere o aumento de capacidades ofensivas no ciberespaço, não apenas entre Estados, mas também entre atores privados, como cibercriminosos.

Ao mesmo tempo, cresce a incerteza sobre a capacidade de agentes defensivos reagirem rapidamente o suficiente para corrigir vulnerabilidades existentes.

Mesmo que o Mythos não alcance integralmente o desempenho anunciado, o autor destaca que os modelos de linguagem avançados evoluíram rapidamente desde o início da década de 2020. Isso indicaria uma aceleração no desenvolvimento de ferramentas ofensivas e também na disseminação dessas capacidades para um número maior de atores.

Como consequência, haveria um potencial aumento tanto da probabilidade de ataques cibernéticos bem-sucedidos quanto do número absoluto desses ataques.

Leia mais:

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Mythos evidencia um fenômeno mais amplo: a possibilidade de que o desenvolvimento da IA acelere o aumento de capacidades ofensivas no ciberespaço, não apenas entre Estados, mas também entre atores privados, como cibercriminosos – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Vulnerabilidade dos arsenais nucleares

O pesquisador afirma que um arsenal nuclear envolve muito mais do que ogivas armazenadas. O funcionamento normal desses sistemas depende de uma ampla estrutura tecnológica composta por ogivas, mísseis capazes de transportá-las, sistemas de comunicação para transmitir ordens presidenciais e mecanismos de alerta antecipado responsáveis por monitorar sinais de um possível ataque inimigo. Todos esses elementos precisam se comunicar entre si para garantir o controle sobre as armas.

O pesquisador Herbert Lin, da Universidade de Stanford (EUA) e autor de um estudo sobre ameaças cibernéticas e armas nucleares, afirma que a metáfora do “botão nuclear” simplifica excessivamente a realidade. Segundo ele, depois que o presidente aperta o botão, uma série de “ciberbotões” também precisa ser acionada para iniciar e administrar operações nucleares.

Cada um desses pontos representaria uma oportunidade de interferência por ataques cibernéticos, como impedir que informações críticas cheguem ao destino.

Fraise aponta diferentes cenários possíveis. O presidente poderia não receber informações suficientes — ou nenhuma informação — para determinar que um ataque está em andamento. Também poderia ser incapaz de transmitir ordens de lançamento para forças submarinas.

Outro cenário mencionado é o pesadelo discutido desde os anos 1950: uma ordem falsa de lançamento ser enviada a operadores de mísseis.

As consequências não precisariam necessariamente ser tão extremas. Uma ordem poderia chegar com atraso ou não ser transmitida a todas as forças, produzindo uma retaliação mais fraca do que o planejado.

O autor relembra ainda um episódio de 2010, quando um centro de comando estadunidense perdeu comunicação com cerca de 50 mísseis nucleares durante quase uma hora.

Outra hipótese levantada é a de que um grande ataque cibernético realizado por atores não estatais pudesse criar a impressão de que um adversário estaria mirando um arsenal nuclear, aumentando o risco de escalada involuntária.

Da mesma forma, um ataque a sistemas de comando e controle ligados a operações convencionais poderia ser interpretado como ameaça ao arsenal nuclear de um país caso os sistemas estivessem integrados.

Também é citado o cenário de operações cibernéticas direcionadas às próprias armas, atingindo o hardware em vez do software.

O pesquisador afirma que agentes responsáveis pela segurança nuclear desenvolvem e testam continuamente capacidades defensivas. Ainda assim, a complexidade dos sistemas existentes impediria qualquer garantia absoluta de ausência de vulnerabilidades.

James Gosler, ex-responsável pela segurança de sistemas nucleares estadunidenses no Sandia National Laboratories, afirma que o aumento exponencial da complexidade dos componentes das armas nucleares, a partir dos anos 1980, tornou impossível assegurar que sistemas microcontrolados usados para garantir o funcionamento do mecanismo de detonação fossem totalmente livres de vulnerabilidades.

Segundo Fraise, isso não significa necessariamente que tais vulnerabilidades existam, mas indica que nenhum ator pode afirmar com certeza que elas não existam.

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Aumento exponencial da complexidade dos componentes das armas nucleares, a partir dos anos 1980, tornou impossível assegurar que sistemas microcontrolados usados para garantir o funcionamento do mecanismo de detonação fossem totalmente livres de vulnerabilidades – Imagem: Ministério da Defesa da Rússia

Nova aposta sobre o futuro

A análise conclui que o Mythos revela uma nova dimensão da “aposta nuclear”, impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias e sua integração aos arsenais.

De acordo com o autor, os países apostam na ausência de vulnerabilidades nesses sistemas, embora seja impossível medir essa probabilidade com precisão. Ela mudaria ao longo do tempo conforme sistemas são atualizados, substituídos e conectados a outros.

Caso vulnerabilidades existam, a aposta passa a ser que avanços em capacidades ofensivas sempre serão acompanhados, e em tempo hábil, por avanços defensivos — inclusive na era da IA.

O pesquisador destaca que o desenvolvimento de capacidades defensivas costuma ser reativo, dependendo do conhecimento sobre ferramentas ofensivas e vulnerabilidades existentes, fatores considerados inerentemente incertos.

Nesse contexto, o autor afirma que a segurança baseada em armas nucleares implica apostar que as defesas contra ataques cibernéticos serão suficientes. Caso contrário, a aposta recairia sobre a sorte: a expectativa de que vulnerabilidades existentes não sejam descobertas, como ocorreu com a falha que permaneceu escondida por 27 anos no OpenBSD.

Segundo Fraise, a chegada de modelos avançados de IA capazes de detectar vulnerabilidades e projetar ataques cibernéticos em larga escala e de maneira automatizada tornou mais incerta a capacidade dos mecanismos atuais de controle de continuarem cumprindo seu papel.

Assim, a adoção de políticas de segurança fundamentadas em armas nucleares equivaleria, segundo a análise, a apostar que, no futuro, a sorte continuará sempre do mesmo lado.

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IA nos fará trabalhar menos? Parece que não. Pelo contrário

A adoção acelerada da inteligência artificial (IA) está levando executivos de grandes empresas a tomar decisões estratégicas difíceis sobre o futuro do trabalho. Em meio ao avanço da tecnologia, líderes corporativos se dividem entre duas abordagens principais: reduzir o quadro de funcionários ou manter as equipes e exigir mais produtividade.

O debate ganhou força após anúncios recentes de cortes e reestruturações em empresas de tecnologia e serviços financeiros.

O CEO da Coinbase Global, Brian Armstrong, afirmou ao The Wall Street Journal que a companhia reduzirá 14% de sua força de trabalho à medida que a IA altera “como trabalhamos”. Já o PayPal planeja cortar 20% de seu quadro ao longo dos próximos dois a três anos, como parte de uma estratégia para ampliar o uso da tecnologia.

Na direção oposta, o presidente da Axon Enterprise, Josh Isner, buscou tranquilizar os mais de cinco mil funcionários da empresa ao afirmar que a IA não deve provocar demissões no curto prazo. Em mensagem interna, ele destacou que vê a tecnologia como uma ferramenta para ampliar a capacidade das equipes, e não substituí-las.

“Estou pensando na IA como algo que permite que nossas equipes façam mais, não como algo que as substitui”, escreveu. Mesmo com ganhos de produtividade significativos, ele afirmou que novos problemas continuarão surgindo. “Ignorem o ruído e continuem mandando ver”, acrescentou.

Coinbase é uma das empresas que vê o corte de pessoal como solução – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

O posicionamento de Isner surge em um momento de ansiedade crescente nas corporações estadunidenses, diante do potencial da IA de acelerar tarefas e substituir parte do trabalho de profissionais qualificados. Nesse cenário, executivos enfrentam uma escolha central: usar a tecnologia para enxugar equipes ou expandir a capacidade produtiva dos funcionários atuais.

As duas visões têm sido evidenciadas em teleconferências de resultados e comunicados recentes. Armstrong afirmou que a Coinbase eliminará centenas de postos de trabalho conforme a IA se torna mais integrada às operações da plataforma de criptomoedas. Segundo ele, os funcionários passarão a gerenciar agentes automatizados capazes de executar parte das atividades.

Outras empresas seguem caminho semelhante. O CEO da Bed Bath & Beyond, Marcus Lemonis, afirmou a investidores que a companhia deve enfrentar uma “redução significativa no número de funcionários” com a adoção da tecnologia.

Já a diretora financeira da Meta, Susan Li, questionou quantos empregados a empresa realmente precisará no futuro à medida que a IA avance. “Não sabemos qual será o tamanho ideal da empresa no futuro”, disse.

Por outro lado, há empresas que buscam manter o número de funcionários estável, ainda que sem novas contratações, apostando em ganhos de eficiência. O co-CEO do Spotify, Gustav Söderström, explicou que as companhias podem optar por transformar rapidamente ganhos de produtividade em redução de custos ou, alternativamente, manter o quadro atual e produzir mais.

Segundo ele, o Spotify escolheu a segunda estratégia. “Estamos mantendo nosso número de funcionários praticamente estável e simplesmente entregando muito mais, mais valor aos consumidores”, afirmou.

Logo do Spotify em um smartphone; abaixo dele, notas de dólar
Spotify vai na contramão de algumas empresas e tenta alinhar trabalho humano com a IA – Imagem: PixieMe/Shutterstock

Leia mais:

Humanos ou IA? Um grande dilema

  • Para especialistas em Recursos Humanos (RH), focar apenas na eficiência pode limitar o potencial da tecnologia;
  • Nickle LaMoreaux, diretora de RH da IBM, afirmou que líderes empresariais podem perder oportunidades se não conectarem o uso da IA ao crescimento. “Nas discussões de liderança, vocês estão pensando nessa ideia de sair da IA para produtividade e da IA para crescimento?”, questionou;
  • Embora seja difícil prever o tamanho da força de trabalho no futuro, ela afirmou que, se pudesse antecipar, seria maior;
  • Ainda assim, nem todas as empresas têm a mesma margem de manobra. Na Meta, investimentos massivos em data centers e infraestrutura de IA estão impulsionando planos de demitir cerca de oito mil funcionários, aproximadamente 10% do quadro, segundo o CEO, Mark Zuckerberg;
  • Cortes em larga escala também são vistos como uma forma rápida de melhorar resultados financeiros e impulsionar o valor das ações. Empresas, como Block e Snap, registraram alta em seus papéis após anúncios de demissões relacionadas à IA.

Tecnologia em prol da produtividade

Uma pesquisa recente da Gartner, com 350 profissionais de nível médio ou superior, indica que cerca de 80% das empresas que utilizam agentes de IA, automação inteligente ou tecnologias autônomas estão reduzindo suas equipes.

Armstrong afirmou a funcionários que, apesar da redução no quadro, a IA permitirá aumentar a produtividade.

Segundo ele, tornar a empresa mais enxuta é necessário em um mercado de criptomoedas em baixa e ajudará a posicionar melhor a companhia para o crescimento. “Ao longo do último ano, vi engenheiros usarem IA para entregar em dias o que antes levava semanas para uma equipe”, escreveu. “Essa é uma nova forma de trabalhar.

A visão, no entanto, não é consensual. Justin Briley, desligado da Coinbase, questionou se menos funcionários realmente permitirão crescimento. “Já éramos uma equipe bem enxuta”, afirmou.

Várias setas desenhadas em vários bloquinhos; entre dois deles, há um bloquinho verde
IA não necessariamente substitui; ela pode aumentar a produtividade – Imagem: Andrii Yalanskyi/Shutterstock

Ele disse que utilizava IA para ganhar eficiência em seu trabalho e acredita que a tecnologia tende a gerar mais trabalho no futuro. “A IA foi vendida como uma solução para o trabalho”, disse, prevendo que ela criará “mais trabalho, não menos”.

Mesmo nas empresas que evitam demissões, mudanças são inevitáveis. Especialistas apontam que muitas funções serão transformadas ou combinadas, reunindo responsabilidades de diferentes cargos.

Na Synchrony Financial, que emite cartões de crédito para empresas, como PayPal, Sam’s Club e Lowe’s, o diretor de RH, DJ Casto, afirmou que já prepara os funcionários para realocações internas, e não para cortes. Em alguns casos, as mudanças poderão ser permanentes; em outros, temporárias. “Teremos que ser muito mais ágeis”, disse. “Precisaremos nos acostumar com um cenário menos definido.”

Na Axon, apesar da mensagem tranquilizadora, gestores reconhecem que há preocupação entre os funcionários sobre possíveis cortes. A empresa, que produz softwares e equipamentos de segurança, como Tasers e câmeras corporais, viu suas ações caírem cerca de 30% no ano, em meio ao receio de investidores sobre os impactos da IA no setor.

Ainda assim, Isner reforçou que a empresa segue forte e continuará precisando de pessoas. “Minha aposta é que ainda precisaremos contratar bastante”, afirmou. Para reforçar o argumento, ele sugeriu que funcionários acessem a página de carreiras da OpenAI. “Há cerca de 800 vagas listadas”, disse.

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Uber entra no ramo hoteleiro com auxílio da inteligência artificial; entenda

Nesta quarta-feira (29), a Uber emitiu um comunicado à imprensa informando sua entrada formal no ramo hoteleiro graças a uma parceria com a empresa de viagens Expedia Group. Agora, usuários dos EUA podem reservar quartos de hotel diretamente pelo aplicativo de transporte.

Segundo a apuração do TechCrunch, só foi possível criar essa integração tão rápida entre a Uber e o ramo de hotelaria devido à inteligência artificial, que atuou como uma programadora para desenvolver a arquitetura de software.

Para quem tem pressa:

  • O aplicativo de transporte Uber agora possibilita, aos usuários dos EUA, a reserva de quartos de hotel;
  • A reserva pode ser feita em mais de 700 mil hotéis;
  • O desenvolvimento da arquitetura de software, a qual permitiu essa integração da Uber com a empresa Expedia Group, ocorreu graças à programação de uma inteligência artificial.

Uber agora também se encontra no ramo hoteleiro

Quarto de hotel (Reprodução: DALL-E/ChatGPT) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O aplicativo de transporte mais famoso do mundo, Uber, agora permite que usuários dos Estados Unidos reservem quartos de hotel diretamente pelo app. Essa realidade é possível graças a uma parceria entre Uber e a Expedia Group, uma empresa que atua há anos no ramo de viagens e hotelaria.

A novidade foi anunciada durante o evento anual da empresa, o GO-GET, onde foi apresentada uma série de novos produtos e reforçou sua estratégia de integrar diferentes aspectos da vida cotidiana em uma única plataforma.

O diretor de tecnologia da Uber, Praveen Neppalli Naga, contou ao TechCrunch que o desenvolvimento da arquitetura de software necessária para fazer essa integração entre as duas empresas, normalmente, levaria até um ano. Contudo, a equipe resolveu utilizar uma inteligência artificial avançada para fazer o trabalho pesado.

Com a programação agora automatizada, a integração dos softwares de ambas as empresas e a adição de recursos com IA ficaram prontas em menos de um ano, o que economizou vários meses na agenda das companhias.

Embora o serviço esteja disponível apenas nos Estados Unidos, os quartos de hotel não se limitam a este território. Isso porque os clientes têm um extenso portfólio de mais de 700 mil hotéis por todo o mundo para realizar uma reserva.

Além disso, a parceria deve ser expandida para outros países no futuro, e haverá integração direta com o aplicativo da Expedia, permitindo que usuários também reservem corridas da Uber ao planejar suas viagens.

Uber
Fachada de um prédio da Uber (Imagem: JHVEPhoto / Shutterstock.com)

Leia mais:

Assinantes do plano Uber One terão 20% de desconto na reserva de um quarto de hotel de uma lista seleta com 10 mil hotéis e ainda receberão 10% de cashback em créditos Uber para cada reserva realizada.

Outra novidade é que os usuários podem realizar a reserva de forma tradicional (dedos clicando na tela) ou via comandos de voz por inteligência artificial. Também, há o lançamento do “modo viagem”, o qual funciona como um guia para pontos turísticos e estabelecimentos locais.

Esse modo inclui recomendações personalizadas, reservas em restaurantes via integração com plataformas como OpenTable e até funcionalidades semelhantes a “serviço de quarto”, com entregas diretamente no hotel.

Não há informação de quando a Uber permitirá que usuários de outros países tenham acesso a um sistema de reserva de hotéis como o de agora. Ainda assim, a empresa já indicou que pretende ampliar gradualmente essas funcionalidades, alinhando-se ao objetivo de se tornar um “aplicativo para tudo”, reunindo mobilidade, entregas e viagens em um só lugar.

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Google: funcionários não querem que Pentágono use IA da empresa de forma confidencial

Segundo informações do The Washington Post, centenas de funcionários do Google encaminharam uma carta ao CEO, Sundar Pichai, nesta segunda-feira (27), na qual pedem ao executivo que impeça o Pentágono de usar a inteligência artificial (IA) da empresa para trabalhos confidenciais.

O pedido vem dois meses após a rival Anthropic ser dispensada pelo Departamento de Defesa por se opor à mesma solicitação do órgão federal. A carta foi assinada por mais de 600 trabalhadores, sendo boa parte dos que trabalham no braço de IA do Google, o DeepMind.

Segundo o Post, eles pedem que Pichai não firme acordos com a Defesa que permitam o uso da IA da empresa de forma restrita. O documento alega que tal uso impediria que os representantes da big tech soubessem como a tecnologia da empresa estaria sendo utilizada.

Na carta, os funcionários dizem o seguinte: “Queremos ver a IA beneficiar a humanidade; não queremos vê-la sendo usada de maneiras desumanas ou extremamente prejudiciais. Isso inclui armas autônomas letais e vigilância em massa, mas vai muito além.”

Carta foi endereçada ao CEO Sundar Pichai – Imagem: photosince/Shutterstock

“A única maneira de garantir que o Google não seja associado a tais danos é rejeitar quaisquer cargas de trabalho classificadas. Caso contrário, tais usos podem ocorrer sem nosso conhecimento ou poder para impedi-los”, prossegue o documento.

Vidas humanas já estão sendo perdidas e liberdades civis estão em risco, tanto no país quanto no exterior, devido ao uso indevido da tecnologia que estamos ajudando a construir”, escreveram, sem especificar qual seria essa tecnologia.

Os trabalhadores citaram uma reportagem do The Information na qual afirmava que o Google estaria em negociações com o Pentágono para obter acordo similar ao costurado com a OpenAI (leia mais sobre o assunto abaixo).

A carta insta o Google a declinar qualquer trabalho classificado de uso restrito para garantir que a tecnologia da empresa não seja utilizada de maneiras que possam prejudicar direitos civis ou humanos.

O Google não respondeu a pedido de comentário do Post. O Olhar Digital também tentou contato com a empresa e aguarda retorno.

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Uso da IA de forma militar é questionado

  • A carta aparece em momento no qual a IA está no cerne das guerras atuais, com a indústria debatendo se as empresas do setor ou seus funcionários devem ter voz ativa sobre como os militares usam a tecnologia;
  • Líderes do Pentágono dizem que precisam de liberdade para utilizar a IA comercial “para todos os usos legais” — expressão que, de acordo com autoridades, permite flexibilidades em várias situações, mas seguindo em conformidade com a legislação e procedimentos militares estadunidenses;
  • Contudo, alguns especialistas em IA alegam que tais garantias são insuficientes;
  • No ano passado, o Claude, modelo de IA da rival Anthropic, foi rapidamente integrado aos sistemas militares dos EUA para análise de dados e identificação de alvos em potencial, segundo o Post;
  • Contudo, em fevereiro, empresa e Defesa entraram em litígio após a startup tentar incluir uma cláusula no contrato que garantisse que seu modelo não seria usado para vigilância em massa, tampouco para alimentar armas autônomas letais.

Essa disputa fez crescer o escrutínio sobre outras empresas do setor, como Google e OpenAI, que também fornecem tecnologia de IA para o Pentágono.

Ainda em fevereiro, pouco tempo depois de o Pentágono ter dispensado a Anthropic, a OpenAI fez um contrato com o órgão para fornecimento de IA para cargas de trabalho confidenciais.

O CEO e cofundador, Sam Altman, disse estar confiante de que o contrato firmado garante que a tecnologia da startup não será usada para vigilância em massa em solo estadunidense nem para equipar armas autônomas letais.

Silhuetas de cabeças humanas com logotipos da OpenAI, do ChatGPT e do Google
Contrato do Google deve ser similar ao da OpenAI – Imagem: JRdes/Shutterstock

Google também vive dilema antigo por uso militar

O Google, por sua vez, é reincidente quando se trata de debater o uso ou não de sua IA de forma militar. Em 2018, a companhia desistiu de renovar um acordo que detinha com o Pentágono, que previa o uso de sua IA para reconhecimento de objetos em imagens de drones. A decisão foi tomada após os funcionários se juntarem (novamente) e criarem uma petição pedindo o fim da parceria.

Após o ocorrido, o Google prometeu que sua IA não seria usada para armas ou vigilância. Mas, nos últimos anos, a empresa fortaleceu sua busca por acordos comerciais com os militares dos EUA. No ano passado, a big tech foi além e removeu suas restrições quanto ao uso de IA para armas e vigilância. Em dezembro, firmou contrato com a Defesa para usar o Gemini.

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Nvidia se afasta de gamers e prioriza IA, gerando frustração entre fãs

Durante décadas, a Nvidia foi sinônimo de inovação para o público gamer. No entanto, com a ascensão da inteligência artificial (IA), parte dessa base fiel começa a sentir que a empresa deixou suas origens em segundo plano.

Por cerca de 30 anos, a Nvidia não era um nome popular fora do universo dos jogos eletrônicos. Isso mudou recentemente, à medida que a companhia se tornou a empresa mais valiosa do mundo, impulsionada pela demanda crescente por chips voltados à IA.

Segundo Stacy Rasgon, da Bernstein Research, o segmento de jogos já não ocupa o papel central na estratégia da empresa. “O segmento de jogos não é mais a força motriz da empresa. Houve um momento em que claramente era”, afirmou, à CNBC.

Nvidia sempre foi sinônimo de jogatina digital

  • A trajetória da Nvidia está diretamente ligada aos gamers;
  • Em 1999, a empresa lançou a GeForce 256, considerada a primeira GPU moderna, tecnologia essencial para gráficos avançados e altas taxas de quadros em jogos;
  • Na época, a companhia chegou a demitir a maior parte de seus funcionários e quase foi à falência para viabilizar o projeto. O sucesso entre os jogadores, no entanto, ajudou a empresa a se recuperar;
  • Hoje, a realidade é outra. Com a explosão da IA, a maior parte da receita da Nvidia vem de produtos voltados a data centers e computação avançada. A empresa passou a priorizar GPUs mais lucrativas, como as das arquiteturas Hopper e Blackwell;
  • Os números refletem essa mudança: a margem operacional do segmento de computação e redes foi, em média, de 69% nos últimos três anos, enquanto o segmento de gráficos para consumidores registrou cerca de 40%.

Para Greg Miller, cofundador do podcast “Kinda Funny Games Daily”, essa mudança é compreensível, mas dolorosa. “Eu entendo que eles vão perseguir isso. E isso parte meu coração”, disse. “Dance com quem te trouxe. Os gamers te trouxeram até aqui”, completou.

Há ainda a possibilidade de 2026 marcar um ponto simbólico: pode ser o primeiro ano em três décadas sem o lançamento de uma nova geração da linha GeForce voltada ao consumidor, segundo previsões de analistas.

Apesar disso, a Nvidia afirma que os gamers continuam sendo “extremamente importantes” e que a empresa segue inovando em tecnologias voltadas a esse público. A atual série RTX 50 foi apresentada em janeiro de 2025, durante a CES.

Alguns jogadores, no entanto, veem um lado positivo na possível pausa. Tim Gettys, também do “Kinda Funny Games”, afirmou que a ausência de lançamentos frequentes pode aliviar os custos para consumidores. “É difícil acompanhar. Você não consegue atualizar todo ano”, disse.

Domínio da IA transforma estratégia

A base da atual liderança da Nvidia em IA remonta a 2006, com o lançamento do CUDA, ferramenta que permitiu o uso de GPUs para computação geral. Em 2012, a tecnologia ganhou destaque com o AlexNet, sistema de aprendizado profundo que superou concorrentes em um importante concurso de reconhecimento de imagens.

A mudança estratégica ficou ainda mais evidente em 2020, com a aquisição da Mellanox Technologies por US$ 7 bilhões (R$ 34,8 bilhões), reforçando a atuação em computação de alto desempenho.

Desde então, a empresa tem investido em GPUs de alto nível e sistemas completos para IA, como a plataforma Vera Rubin. Segundo analistas, uma única GPU Blackwell pode custar até US$ 40 mil (R$ 199,2 mil), enquanto sistemas completos podem chegar a US$ 4 milhões (R$ 19,9 milhões). Em contraste, as GPUs gamer da série RTX 50 são vendidas entre US$ 299 e US$ 1.999 (R$ 1,4 mil e R$ 9,9 mil).

Mesmo no mercado gamer, os preços seguem elevados. Durante os picos das criptomoedas em 2018 e 2021, GPUs chegaram a custar até três vezes o preço original. Atualmente, modelos, como a RTX 5090, ainda podem ser encontrados por até o dobro do valor sugerido.

Escassez de memória afeta mercado gamer — incluindo a Nvidia

Além da estratégia voltada à IA, outro fator influencia a menor atenção ao público gamer: a escassez de memória. Relatórios indicam que a Nvidia pode reduzir a produção de GPUs gamer em até 40% devido à falta de DRAM, memória essencial para o funcionamento desses componentes.

A escassez impacta diretamente o custo de produção e, consequentemente, o preço final para o consumidor. A consultoria Gartner projeta aumento de 17% nos preços de PCs em 2026, com queda de 10,4% nas vendas. “Com tudo ficando tão caro, é preocupante ver os preços subindo no lado gamer sem sinais de queda”, disse Gettys.

A tendência pode afetar ainda mais o mercado de entrada. Caso esse segmento desapareça até 2028, como prevê a Gartner, a demanda por GPUs mais baratas deve cair. Segundo Rasgon, a prioridade da indústria está clara: “Cada pedaço de memória disponível está sendo direcionado para computação de IA”.

GPUs avançadas utilizam memória HBM, que exige mais recursos para produção, agravando a escassez para produtos de consumo.

Empresa de Jensen Huang tentou tranquilizar fãs, mas não deve fazer atualização na linha de GPUs – Imagem: Ruslan Lytvyn/Shutterstock

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IA nos jogos gera controvérsia

A tensão entre Nvidia e gamers também se manifesta nas novas tecnologias. Durante a conferência da empresa GTC, o CEO Jensen Huang anunciou o DLSS 5, nova versão da tecnologia que utiliza IA para melhorar desempenho gráfico. A novidade gerou críticas. Parte da comunidade teme que o uso de IA generativa altere a estética original dos jogos. “Eu jogo videogame porque é uma forma de arte”, disse Miller. “Quero ver a marca do criador.”

Gettys, que elogiava versões anteriores da tecnologia, foi mais direto: “Mas ao adicionar IA generativa, parece um tapa na cara.” Ele também demonstrou preocupação com o futuro da indústria, temendo que jogos totalmente gerados por IA se tornem realidade.

A Nvidia defende que suas tecnologias são ferramentas para desenvolvedores e não substitutos. Em nota, a empresa afirmou que os jogos são uma forma de arte e que suas soluções visam ajudar criadores a alcançar sua visão.

Huang também rebateu críticas de que a tecnologia tornaria os jogos homogêneos. “Eles estão completamente errados”, disse.

Streaming e concorrência

Apesar das críticas, a Nvidia mantém forte presença no mercado gamer por meio do serviço GeForce NOW, que permite jogar via streaming utilizando GPUs em data centers. Segundo Miller, a empresa conseguiu acertar no modelo. Gettys afirmou que a plataforma é a melhor do mercado “com folga”.

A principal concorrente da Nvidia nesse segmento é a AMD, com sua linha Radeon. Ainda assim, especialistas apontam que ambas enfrentam o mesmo desafio de acesso à memória. “Se a Nvidia não consegue memória, a AMD também não vai conseguir”, afirmou Rasgon.

Mesmo com a concorrência, a preferência entre jogadores de PC parece definida. “Existe um favorito claro”, disse Gettys. “Se você joga no PC, vai querer uma placa da Nvidia.”

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Brasil firma acordo com China para desenvolver IA no setor público

O Governo Federal formalizou, na sexta-feira (10), um acordo de cooperação em inteligência artificial (IA) envolvendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a empresa chinesa iFlytek. A iniciativa tem como objetivo o desenvolvimento de capacidades nacionais voltadas ao funcionamento do Estado, com foco em tecnologias sob controle público.

A parceria dá continuidade à cooperação tecnológica entre Brasil e China e posiciona a IA como parte das infraestruturas consideradas críticas para a operação estatal.

Durante a assinatura, o ministro interino do MCTI, Luis Fernandes, destacou o contexto global de transformação tecnológica. “Este protocolo se insere na cooperação estratégica entre Brasil e China em ciência e tecnologia. Estamos diante de uma revolução baseada em inteligência artificial, e os países que não desenvolverem capacidade própria ficarão dependentes de tecnologias externas, em um contexto em que o acesso pode ser limitado”, afirmou.

Segundo o ministro, a iniciativa prevê o desenvolvimento conjunto de tecnologias e a transferência de conhecimento para o Brasil, com impactos relacionados à soberania digital.

O que diz o acordo de IA entre Brasil e China

  • O acordo estabelece diretrizes para cooperação em pesquisa, desenvolvimento e formação de capacidades em IA;
  • Entre os focos estão a criação de modelos de linguagem adaptados ao português brasileiro, sistemas de tradução e acessibilidade, aplicações em cibersegurança e o desenvolvimento de soluções voltadas à infraestrutura de IA no país;
  • A Casa Civil participou da articulação entre os órgãos envolvidos e da integração da iniciativa com outras agendas estratégicas do governo;
  • O secretário-adjunto de Desenvolvimento Produtivo e Inovação, Rodrigo Rodrigues da Fonseca, afirmou que a parceria resulta de esforços conjuntos entre os dois países;
  • “Essa parceria resulta de um esforço coordenado de construção de sinergias entre os processos de desenvolvimento do Brasil e da China. Aqui, estamos estruturando um projeto para o futuro do Brasil, voltado à capacitação de pesquisadores e empresas no desenvolvimento de modelos de linguagem e sistemas de inteligência artificial”, declarou.

A execução técnica ficará sob responsabilidade do Serpro, que atua na operação de sistemas estruturantes e na gestão da infraestrutura de dados utilizada em serviços públicos digitais.

O presidente da empresa, Wilton Mota, afirmou que a instituição exerce um papel de integração entre diferentes frentes do Estado. “O Serpro atua como quem executa a tecnologia no Estado brasileiro, fazendo a ligação entre a pesquisa, a política pública e a entrega para o cidadão”, disse.

De acordo com Mota, o Serpro já conta com mais de 300 soluções baseadas em IA em seu portfólio, o que deve servir de base para a ampliação do uso dessas tecnologias.

“Esse acordo cria condições para avançar de forma acelerada no desenvolvimento dessas soluções, ampliar o uso da IA nos serviços oferecidos à população e garantir que a empresa atenda à necessidade do Estado no que se refere à soberania digital no campo da IA”, afirmou.

Ratificação do acordo visa melhorar o Brasil no setor de IA em todos os seus campos – Imagem: Divulgação/Serpro

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O protocolo também prevê o desenvolvimento de infraestrutura nacional de IA, incluindo data centers, ambientes de nuvem segura e plataformas de dados interoperáveis. Essas estruturas poderão ser integradas e ampliadas a partir de sistemas já existentes.

Além disso, estão previstos programas de capacitação, como intercâmbio de pesquisadores, cursos, visitas técnicas e concessão de bolsas de estudo, com o objetivo de formar especialistas e ampliar a capacidade técnica nacional na área.

Nesse contexto, representantes do Serpro destacaram a importância do domínio completo do ciclo de desenvolvimento tecnológico.

O responsável pelo Centro de Excelência em Ciência de Dados e Inteligência Artificial da empresa, Carlos Rodrigo Lima, afirmou: “Não se trata apenas de utilizar modelos prontos, mas de dominar todo o ciclo de desenvolvimento, da curadoria de dados ao treinamento, avaliação e operação em ambiente de produção. É isso que garante que a inteligência artificial esteja, de fato, a serviço do Estado.”

As ações previstas no acordo dependerão da formalização de instrumentos específicos entre os participantes, permitindo a adaptação da cooperação conforme prioridades técnicas e estratégicas ao longo do tempo.

No âmbito internacional, a parceria com a iFlytek segue iniciativas anteriores de cooperação entre Brasil e China na área de ciência e tecnologia. O vice-presidente da empresa, Ji Lin, afirmou que a colaboração busca impulsionar o desenvolvimento tecnológico.

“A inteligência artificial está no centro da transformação tecnológica global, e é importante que os países desenvolvam capacidades ao longo de toda a cadeia. A parceria com o Brasil é uma cooperação importante para avançarmos em pesquisa e acelerar o desenvolvimento de soluções”, declarou.

O acordo conta ainda com o acompanhamento do Ministério das Relações Exteriores. O diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Propriedade Intelectual, embaixador Eugênio Vargas Garcia, destacou a necessidade de ampliar capacidades nacionais.

“A inteligência artificial está no centro da revolução tecnológica, e o Brasil precisa desenvolver capacidades não apenas em IA generativa, mas em toda a cadeia associada a essa tecnologia. No caso dos modelos de linguagem, esse protocolo é importante para fortalecer a cooperação e ampliar a autonomia estratégica do país”, afirmou.

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