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Google aposta na SpaceX para ampliar infraestrutura de IA

O Google fechou um acordo com a SpaceX para alugar capacidade de processamento computacional por US$ 920 milhões (R$ 4,7 bilhões) por mês. O contrato foi divulgado pela SpaceX em um documento regulatório protocolado na sexta-feira, 5 de junho de 2026, segundo o TechCrunch.

Pelos termos do acordo, o Google terá acesso a “aproximadamente 110.000 GPUs da NVIDIA, CPUs, memória e outros componentes relacionados” entre outubro de 2026 e junho de 2029. O acesso à infraestrutura será ampliado gradualmente até setembro de 2026, período em que a empresa pagará uma taxa reduzida.

Google fechou acordo bilionário com a SpaceX para garantir capacidade extra de IA até 2029. Imagem: FotoField/Shutterstock – Imagem: FotoField/Shutterstock

Semelhanças com o contrato da Anthropic

O novo contrato lembra bastante o acordo anunciado pela SpaceX com a Anthropic no fim de maio. Na ocasião, a empresa concordou em pagar US$ 1,25 bilhão (R$ 6,4 bilhões) por mês até 2029 para usar toda a capacidade computacional disponível no data center Colossus 1, perto de Memphis, no Tennessee.

A estrutura foi criada originalmente pela xAI para projetos próprios de IA e hoje faz parte da SpaceX. Pelo tamanho do contrato, o Google deve ocupar algo próximo de metade da capacidade atualmente usada pela Anthropic no Colossus 1.

A SpaceX não informou qual data center será destinado ao Google. Elon Musk já havia sugerido anteriormente que o futuro Colossus 2 seria reservado à xAI.

Antes da parceria com a SpaceX, a Anthropic enfrentava limitações de capacidade computacional e chegou a ampliar os limites de uso de seus serviços no mesmo dia em que anunciou o contrato. O cenário do Google é bem diferente. Hoje, a empresa já opera uma das maiores estruturas de IA do mundo.

Celular com logo da Anthropic posicionado acima de notas de dólar.
Anthropic também alugou infraestrutura da SpaceX em um contrato bilionário fechado em maio. Imagem: Mehaniq/Shutterstock – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

O que o Google diz sobre o acordo

Segundo o Google, o contrato surgiu após uma demanda acima do esperado pelos novos produtos de inteligência artificial da companhia.

Google Cloud e SpaceX são parceiros de longa data”, afirmou a empresa em comunicado. “Este é um acordo de curto prazo e oportuno para garantir que tenhamos capacidade de ponte para atender à demanda crescente de clientes pela nossa plataforma de agentes, Gemini Enterprise, que foi ainda maior do que esperávamos.”

O anúncio reforça a corrida das gigantes de tecnologia por infraestrutura voltada à IA, hoje um dos recursos mais disputados do setor.

Cláusulas de cancelamento e penalidades

Assim como aconteceu no contrato com a Anthropic, o acordo com o Google prevê cláusulas de cancelamento. Tanto a SpaceX quanto o Google poderão encerrar o contrato com aviso prévio de 90 dias após 31 de dezembro de 2026.

Também há penalidades previstas caso a SpaceX não entregue a infraestrutura prometida. Segundo o contrato, se a empresa não disponibilizar a quantidade acordada de GPUs até 30 de setembro de 2026, o Google poderá cancelar imediatamente o acordo após um período de carência de um mês ou aceitar uma quantidade menor de GPUs, com redução proporcional das taxas mensais.

Entre os pontos que mais chamam atenção no contrato estão:

  • acesso a cerca de 110 mil GPUs e CPUs da NVIDIA;
  • pagamentos mensais próximos de R$ 5 bilhões;
  • contrato válido até junho de 2029;
  • possibilidade de rescisão com aviso prévio de 90 dias.
Fachada da Starbase, da Spacex
Google e SpaceX também discutem a criação de data centers em órbita para projetos futuros. Imagem: Findaview/Shutterstock – Imagem: Findaview/Shutterstock

IPO da SpaceX e relação com o Google

O anúncio acontece uma semana antes da estreia das ações da SpaceX na Nasdaq. Documentos enviados à Securities and Exchange Commission mostram que a empresa pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões, com avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão — o que pode transformar a operação no maior IPO da história.

Leia mais:

O Google investe na SpaceX há vários anos. Após a abertura de capital, a participação da Alphabet na companhia deve ultrapassar US$ 100 bilhões em valor. As duas empresas também negociam a possível construção de data centers em órbita, apontados como parte importante dos planos futuros da SpaceX.

A Alphabet, dona do Google, já reservou mais de US$ 180 bilhões para investimentos neste ano e afirmou que esse valor deve crescer significativamente em 2027. Para bancar esse ritmo de expansão, a empresa também anunciou recentemente uma venda de ações de US$ 80 bilhões.

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Disputa com Casa Branca expõe riscos políticos da Anthropic antes do IPO

A relação entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos entrou em rota de colisão após divergências sobre o uso militar de inteligência artificial. O impasse envolveu decisões de segurança nacional e medidas de restrição que atingiram diretamente a empresa.

Nos últimos meses, porém, o clima começou a mudar em Washington. Ainda sem acordo definitivo, mas com sinais de aproximação, explica a Reuters.

Debate sobre uso de IA militar segue no centro da relação entre empresas de tecnologia e a Casa Branca. Imagem: Artem Onoprienko/iStock

Impasse começou com restrições ao uso militar de IA

A tensão começou quando a Anthropic recusou permitir que suas tecnologias fossem usadas pelas Forças Armadas dos EUA em vigilância doméstica e em sistemas de armas totalmente autônomos. A resposta do governo veio em seguida: a empresa foi incluída em uma lista de segurança nacional, cuja aplicação deve entrar em vigor ainda este ano.

Em março, o Departamento de Defesa foi além e classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos”. É a primeira vez que uma companhia americana recebe esse tipo de enquadramento, geralmente reservado a empresas ligadas a países considerados adversários. Na prática, a decisão impede que contratados militares usem modelos da Anthropic em projetos ligados às Forças Armadas.

Sempre que o governo sinaliza que está se desvinculando de uma empresa, isso é um grande problema para ela.

Franklin Turner, advogado que atua com contratos governamentais, à Reuters.

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Disputa entre Anthropic e governo dos EUA envolve uso de IA em defesa e vigilância doméstica. Imagem: Gorodenkoff/Shutterstock

Sinais de reaproximação começaram na Casa Branca

A mudança de clima começou a aparecer depois de uma visita do CEO Dario Amodei à Casa Branca, em abril. Foi o primeiro encontro mais amplo desde o início da disputa, abrindo espaço para conversas sobre possível cooperação.

Um dos episódios mais simbólicos dessa reaproximação foi o convite para que Amodei participasse da assinatura de uma ordem executiva sobre inteligência artificial. O evento acabou sendo cancelado, mas a ordem foi posteriormente assinada pelo presidente Donald Trump. Em comunicado, a Anthropic afirmou que espera “colaborar” com a Casa Branca na implementação das diretrizes.

Nos bastidores, representantes da empresa também se reuniram com autoridades econômicas dos Estados Unidos para discutir segurança cibernética e políticas de IA. Esses encontros ajudaram a alimentar parte das discussões que embasaram a nova ordem executiva.

Pontos da disputa

  • Recusa da Anthropic em apoiar usos militares de IA em vigilância e armas autônomas
  • Inclusão da empresa em lista de segurança nacional dos EUA
  • Classificação como “risco para a cadeia de suprimentos” pelo Pentágono
  • Reaproximação após reuniões na Casa Branca e encontros com autoridades
  • Processo judicial ainda em andamento e impacto sobre o IPO da empresa
Logo da Anthropic em um smartphone
Especialistas avaliam que impacto da crise entre Anthropic e EUA pode ser mais reputacional no curto prazo. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock

Disputa segue aberta e ainda gera incertezas

Apesar dos sinais de aproximação, o conflito não foi encerrado. O Pentágono continua contestando a classificação de risco aplicada à empresa, e o caso segue em disputa judicial.

Outro ponto que chamou atenção no setor foi a ausência de executivos da Anthropic em uma simulação militar de ataques cibernéticos organizada pelo Exército dos EUA. O exercício contou com representantes de outras grandes empresas de tecnologia.

Leia mais:

No mercado, o caso é acompanhado de perto. Analistas avaliam que o impacto imediato é mais reputacional do que estrutural, embora ainda gere ruído. “É uma contusão de curto prazo”, resumiu o analista Harrison Rolfes, da PitchBook.

O pano de fundo é a preparação da Anthropic para uma possível abertura de capital, que pode avaliar a empresa em até US$ 1 trilhão. Um movimento que coloca ainda mais pressão sobre a relação com o governo americano.

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Anthropic propõe pausa global no avanço da inteligência artificial

A Anthropic publicou um post em seu blog defendendo uma desaceleração global no desenvolvimento da inteligência artificial. A justificativa central é a velocidade do avanço tecnológico. Para a empresa, os sistemas atuais podem abrir caminho para modelos capazes de desenvolver seus próprios sucessores — um cenário que, segundo o artigo, “pode chegar antes do que a maioria das instituições está preparada para enfrentar”.

No documento, a companhia reconhece que uma IA capaz de se aprimorar poderia “trazer enormes benefícios para o mundo” nas áreas de ciência e saúde, entre outras. Mas faz um alerta: sistemas desse tipo também poderiam “aumentar os riscos de os humanos perderem o controle sobre a IA”. A proposta de desaceleração serviria justamente para dar mais tempo às estruturas sociais e às pesquisas de alinhamento acompanharem a evolução da tecnologia.

Anthropic diz que pausa temporária ajudaria pesquisas de segurança a acompanhar a IA. Imagem: Tada Images/Shutterstock – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Verificação como condição para qualquer acordo

Para que uma desaceleração seja efetiva, a Anthropic afirma que mecanismos de fiscalização precisam existir. Sem esse tipo de controle, algumas empresas poderiam continuar desenvolvendo tecnologia em segredo enquanto outras interrompem suas atividades.

“Uma desaceleração ou pausa significativa exigiria que múltiplos laboratórios bem financiados, na fronteira ou próximos dela, em múltiplos países, concordassem em parar sob as mesmas condições”, escreve a empresa em seu blog. “Também exigiria que cada um pudesse verificar que os outros realmente pararam.”

A comparação feita pela Anthropic é com os tratados de armas nucleares. A empresa usa esses acordos como exemplo de que uma coordenação internacional não seria impossível — embora admita que processos assim levaram décadas para serem construídos, algo difícil de conciliar com a velocidade atual do setor.

Nos próximos meses, a companhia pretende conversar com formuladores de políticas, pesquisadores e outras empresas de IA. A ideia é publicar os resultados dessas discussões futuramente.

Pessoa usando notebook enquanto interage com interface digital que representa segurança cibernética e inteligência artificial.
Empresa afirma que sistemas futuros podem transformar profundamente economia, trabalho e tecnologia. Imagem: Supapich Methaset / Shutterstock – Imagem: Supapich Methaset / Shutterstock

Pesquisa interna e papel do Anthropic Institute

A proposta parte do trabalho desenvolvido pelo Anthropic Institute, divisão de pesquisa criada pela empresa em março. Na época do lançamento, o grupo afirmou que o objetivo do instituto seria “contar ao mundo” o que aprende sobre os desafios que surgem conforme empresas de IA desenvolvem sistemas mais avançados.

O instituto, em conjunto com colaboradores, conduzirá pesquisas sobre o que é necessário para “construir os sistemas que uma desaceleração ou pausa crível exigiria”.

Entre os principais pontos levantados pela Anthropic estão:

  • risco de sistemas de IA evoluírem sem supervisão humana;
  • dificuldade de criar regras globais que sejam respeitadas;
  • possibilidade de impactos sociais e econômicos profundos;
  • competição acelerada entre empresas e países;
  • necessidade de ampliar pesquisas em segurança de IA.
Interface AI mostrando aviso de erro de prompt e alerta do sistema
Startup de IA quer mais tempo para pesquisas de segurança acompanharem evolução dos modelos. Imagem: Digineer Station/Shutterstock – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Críticas à postura da empresa

O debate em torno da Anthropic também envolve críticas. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, parte do setor vê os alertas feitos pela empresa sobre sua própria tecnologia como uma estratégia de marketing — seja para parecer menos problemática que as concorrentes, seja para reforçar a imagem de que seus produtos estão entre os mais avançados do mercado.

Um dos exemplos citados é o lançamento restrito do modelo de IA para cibersegurança Mythos. A Anthropic afirmou que liberou o sistema apenas para um grupo seleto de parceiros devido ao potencial de dano que sua capacidade de identificar vulnerabilidades rapidamente poderia causar em mãos erradas.

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Nem todo mundo, porém, comprou essa justificativa. Parte das críticas interpreta a restrição como uma forma de gerar expectativa em torno do produto ou até de reservá-lo apenas para grandes empresas.

Na área financeira, a Anthropic também vive um momento importante. A empresa caminha para registrar seu primeiro trimestre lucrativo, algo que várias concorrentes ainda não conseguiram alcançar. Além disso, já protocolou documentos na SEC para abrir capital, com previsão de que isso aconteça antes do fim do ano.

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IA do Google pode ser treinada com código de apps Android

O Google estaria oferecendo pagamento a desenvolvedores da Play Store para ter acesso ao código de aplicativos Android e usar esse material no treinamento de suas ferramentas de inteligência artificial. A informação foi revelada pela 404 Media.

A proposta faz parte de um programa piloto confidencial e envolve tanto aplicativos ativos quanto projetos antigos, o que acabou levantando novas discussões sobre como esses dados podem ser usados no desenvolvimento de IA.

Programa piloto do Google envolve acesso a código-fonte de apps da Play Store, incluindo projetos antigos, para treinar IA. Imagem: PixieMe/Shutterstock

Como funciona a iniciativa do Google

Segundo e-mails enviados a desenvolvedores, o Google convidou um grupo seleto de criadores da Play Store para participar de um “projeto piloto de oferta de conteúdo”. A ideia é simples: pagar para ter acesso ao código e, assim, gerar uma fonte extra de receita para quem aceitar participar.

Na prática, a empresa quer trabalhar com bases de código reais para melhorar suas ferramentas de desenvolvimento e produtos de IA. Esse material inclui desde aplicativos que estão em funcionamento até projetos que já foram abandonados ou arquivados.

Entre os principais pontos da oferta estão:

  • pagamento pelo acesso ao código-fonte;
  • inclusão de projetos antigos e protótipos;
  • uso do código para treinar ferramentas de IA;
  • manutenção dos direitos de propriedade pelos desenvolvedores;
  • contrato não exclusivo, permitindo outros usos do código.

Mesmo que o e-mail nem sempre fale diretamente sobre inteligência artificial, os links presentes nele levam a páginas que deixam claro o foco em melhorar produtos de IA do Google.

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Google e desenvolvedores discutem uso de código de aplicativos para evolução de ferramentas de IA. Reprodução: Chris Ried/Unsplash – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Por que o Google está buscando esse tipo de dado

Esse movimento acontece em meio a uma disputa intensa entre grandes empresas de tecnologia pelo avanço em inteligência artificial, principalmente na área de geração de código. Empresas como Microsoft, com o Copilot, e a Anthropic, com o Claude, já têm forte presença nesse mercado.

Segundo a reportagem, essa estratégia também pode indicar que o Google ainda enfrenta dificuldades para encontrar dados suficientes e de boa qualidade na web aberta para treinar seus modelos.

A empresa já fez algo parecido antes, como no acordo de US$ 60 milhões (cerca de R$ 300 milhões) com o Reddit para acesso a conteúdos da plataforma.

Gemini vs ChatGPT vs Claude:
Desenvolvedores relatam termos pouco claros em iniciativa do Google que usa código de apps para treinar IA. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Debate sobre dados e transparência

O ponto mais sensível dessa iniciativa é a transparência. Desenvolvedores ouvidos pela reportagem afirmam que o programa é apresentado como confidencial e que a participação seria voluntária, mas com termos que nem sempre são totalmente claros.

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O Google, por outro lado, diz que o objetivo é “ajudar a aprimorar ferramentas e produtos”, reforçando que o código compartilhado continua sendo propriedade dos desenvolvedores.

Ainda assim, o caso levanta dúvidas sobre até que ponto empresas podem usar código de terceiros para treinar sistemas de IA, especialmente em um cenário em que dados de qualidade se tornaram um dos principais desafios do setor.

O que isso pode mudar no futuro

Se o projeto avançar, o Google pode ampliar bastante o acesso a códigos reais de aplicativos, o que tende a melhorar o desempenho de suas ferramentas de programação por IA.

Ao mesmo tempo, essa iniciativa pode abrir uma nova forma de renda para desenvolvedores, que passariam a ganhar não só com seus aplicativos, mas também com o código por trás deles.

No fim, o debate continua girando em torno do equilíbrio entre inovação, privacidade e uso de dados — um tema que segue no centro das discussões sobre inteligência artificial.

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Empresas ainda não sabem transformar ganhos da IA em resultados, diz relatório

Trabalhadores de escritório estão adotando ferramentas de inteligência artificial em ritmo acelerado, mas os efeitos dessa tecnologia sobre produtividade e eficiência ainda geram dúvidas. É o que mostra o relatório AI at Work, divulgado pelo Boston Consulting Group (BCG).

Segundo o levantamento, 74% dos trabalhadores administrativos sem função gerencial afirmam usar IA com frequência, um salto de 23 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Mesmo com essa adoção acelerada, muitas empresas ainda não conseguem transformar esse avanço em resultados concretos, explica a Bloomberg.

Tempo economizado ainda não é considerado

Mais de 40% dos profissionais sem cargo de gestão disseram economizar pelo menos um dia inteiro de trabalho por semana graças às ferramentas de IA. Apesar disso, o BCG aponta que líderes e empresas ainda não sabem exatamente como utilizar esse tempo recuperado de maneira eficiente.

Todo mundo fala sobre a IA substituindo o trabalho, mas na verdade trata-se de repensar o valor humano agregado internamente. Esse é o papel dos líderes.

Vinciane Beauchene, uma das autoras do relatório, em nota.

O estudo questiona a ideia de que a simples adoção da IA levará automaticamente ao aumento de produtividade, mesmo diante dos enormes investimentos feitos no setor nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que a tecnologia está alterando a rotina profissional de forma profunda, e nem sempre positiva.

Satisfação e sobrecarga ao mesmo tempo

Quase metade dos entrevistados afirmou passar mais tempo supervisionando e direcionando a IA do que executando as próprias tarefas. Cerca de dois terços disseram que a tecnologia aumentou a satisfação no trabalho, mas aproximadamente 41% relataram maior desgaste mental. Os autores do relatório chamaram esse fenômeno de “paradoxo da alegria”: a IA torna o trabalho melhor e mais difícil ao mesmo tempo.

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“A equação da alegria se reescreve dentro de um ano de uso da IA”, disse Sylvain Duranton, outro coautor do estudo. “No início, a novidade e o esforço cognitivo alimentam o prazer, mas essa ‘lua de mel com a IA’ desaparece sem clareza estratégica.”

Agentes de IA ganham espaço

O relatório também registra o crescimento dos agentes de IA: 30% dos entrevistados afirmaram que esse tipo de ferramenta já faz parte de seus fluxos de trabalho — mais do que o dobro do registrado um ano atrás. Mais de 60% disseram acreditar que esses agentes poderão executar ao menos metade de suas tarefas nos próximos três anos.

A pesquisa ouviu cerca de 12 mil trabalhadores de diferentes setores em 14 países e regiões. O estudo analisou temas como adoção de IA, expectativas dos profissionais, liderança e transformação organizacional. Segundo o BCG, trabalhadores sem cargo gerencial na Índia, no Brasil e na África do Sul relataram uso regular de IA acima da média global, enquanto os dos Estados Unidos, França e Itália ficaram abaixo dessa média.

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Google promete devolver mais água do que consome com seus data centers de IA

A inteligência artificial está aumentando a pressão sobre recursos hídricos, e o Google quer mostrar que pretende enfrentar o problema antes que ele se torne ainda maior. A empresa anunciou novas metas para reduzir o impacto ambiental de seus data centers.

Segundo o The Verge, entre as promessas está a reposição de mais água do que a consumida pelas operações até 2030. A iniciativa surge em meio à crescente resistência à expansão dos centros de dados nos Estados Unidos.

Cresce a pressão sobre big techs para tornar mais transparente o consumo de água e energia em estruturas que sustentam a inteligência artificial. Imagem: eric1207cvb/Shutterstock

Google quer devolver mais água do que consome

Os data centers usados para alimentar sistemas de inteligência artificial precisam de grandes volumes de água para refrigeração. Com a explosão da IA generativa, o tema passou a preocupar comunidades locais e especialistas ambientais.

Leia mais:

Em uma nova publicação no blog da empresa, o Google anunciou cinco compromissos ligados ao uso da água. Entre eles estão investimentos em infraestrutura hídrica, busca por fontes alternativas de abastecimento e maior transparência sobre o consumo das instalações.

Achamos muito importante colocar um modelo que as comunidades possam consultar, para que, se alguém chegar e disser ‘gostaríamos de construir um data center aqui’.

Ben Townsend, chefe global de infraestrutura e sustentabilidade do Google, ao The Verge.

Segundo ele, isso ajudaria moradores locais a questionar empresas sobre medidas de proteção aos recursos hídricos antes da construção de novos data centers.

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Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Novikov Aleksey / Shutterstock.com

Cresce oposição aos data centers de IA

Os compromissos anunciados pelo Google chegam em um momento delicado para o setor. A rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial vem gerando críticas relacionadas ao consumo de energia e água.

Uma pesquisa recente da Gallup revelou que mais de 70% dos americanos são contra a construção de um data center em sua região. Entre os principais motivos citados estão:

  • impacto ambiental;
  • consumo excessivo de água;
  • pressão sobre recursos naturais;
  • aumento dos custos de energia;
  • impacto na infraestrutura local.

A Alphabet, controladora do Google, também anunciou recentemente planos para levantar US$ 80 bilhões (cerca de R$ 400 bilhões) para ampliar sua infraestrutura voltada à inteligência artificial.

Logotipo do Google colocado sobre foto da floresta Amazônica
Empresa promete investir em infraestrutura hídrica e tecnologias de reuso de água para diminuir o impacto ambiental de suas operações. Imagem: Jhampier Giron M – Shutterstock / Montagem: Olhar Digital

Google aposta em reuso e energia renovável

O Google afirma que vem reduzindo o impacto hídrico de seus data centers por meio de investimentos em energia renovável e monitoramento do uso indireto de água na cadeia de suprimentos.

A empresa também anunciou US$ 17 milhões (cerca de R$ 85 milhões) para projetos de gestão hídrica nos EUA e pretende ampliar o reuso de água residual. Segundo o Google, o resfriamento à base de água pode reduzir em cerca de 10% o consumo energético dos data centers, e a meta é repor mais água do que consome nos próximos quatro anos.

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Mega arrecadação de fundos da Alphabet em IA mostra força da empresa

A Alphabet, empresa controladora do Google, realizou uma captação histórica de US$ 80 bilhões (R$ 401,9 bilhões) em ações, demonstrando sua vantagem competitiva no acesso ao capital — uma área cada vez mais importante para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Esta operação deve ser vista como uma resposta àqueles que aguardam ansiosamente os próximos IPOs da SpaceX, Anthropic e OpenAI. A captação de recursos da gigante das buscas corresponde ao valor que a SpaceX de Elon Musk espera arrecadar em sua oferta pública inicial.

IA exige investimentos massivos da Alphabet e outras

No setor de IA, o dinheiro fala mais alto. As maiores empresas estão investindo:

  • Centenas de milhões de dólares para atrair os melhores pesquisadores;
  • Dezenas de bilhões para construir centros de dados;
  • Financiamento de prejuízos na expansão de seus negócios de IA.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 61% de todo o capital de risco do ano passado foi destinado à IA, o que já está dificultando a captação de recursos para startups de outros setores.

Empresa é controladora do Google – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

Vantagem competitiva no acesso ao capital

A Alphabet é uma das pouquíssimas empresas capazes de levantar tanto dinheiro sem que suas ações despencassem. Embora US$ 80 bilhões seja um valor enorme, representa menos de 2% do valor de mercado da empresa, que vale US$ 4,5 trilhões (R$ 226 trilhões). As ações caíram apenas 2,6% nas negociações pré-mercado.

Esta capacidade se deve ao quase monopólio da empresa em buscas online e à credibilidade que possui em Wall Street em novos empreendimentos.

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Retorno do mercado de ações como fonte de capital

O mercado de ações está retomando seu papel histórico de canalizar o dinheiro de milhões de poupadores para projetos gigantescos. Nos últimos 25 anos, esse papel havia perdido importância com o crescimento dos fundos de capital privado.

No entanto, o vasto consumo de capital pela IA ultrapassa até mesmo a capacidade dos mercados privados. À medida que entramos em uma nova era de empresas com grande necessidade de capital, o mercado de ações deixa de ser apenas uma forma de investidores privados saírem de seus investimentos e se torna uma fonte atraente de capital.

Destino dos recursos da Alphabet

Dos US$ 80 bilhões captados, US$ 30 bilhões (R$ 150,7 bilhões) são destinados ao pagamento de impostos sobre as opções de ações concedidas aos funcionários. O restante será direcionado para investimentos em IA e expansão dos negócios.

Gigantes da computação, como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, tornaram-se grandes emissoras de títulos, com a Alphabet sozinha captando US$ 85 bilhões (R$ 427 bilhões) em emissões no ano passado.

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Microsoft lança IA própria para rivalizar com OpenAI

A Microsoft anunciou nesta terça-feira seus primeiros modelos proprietários de inteligência artificial voltados para desenvolvedores, durante a conferência Build realizada em San Francisco. A iniciativa marca uma mudança no posicionamento da empresa, que até agora atuou principalmente como fornecedora de infraestrutura de nuvem e investidora em outras companhias de IA.

O primeiro modelo apresentado é o MAI-Code-1-Flash, descrito como o modelo inaugural da Microsoft no segmento de codificação por IA. Ele recebe descrições em texto e gera código-fonte para aplicativos e sites. O segundo é o MAI-Thinking-1, um modelo de raciocínio de tamanho médio. Ambos têm eficiência como ponto central de divulgação.

Novos modelos da Microsoft prometem criar códigos com mais eficiência e menor custo para desenvolvedores e empresas. Imagem: bluestork/Shutterstock

Microsoft aposta em eficiência e custo como diferenciais

Kyle Daigle, chefe de marketing para desenvolvedores da Microsoft e diretor de operações do GitHub, descreveu o MAI-Thinking-1 em um post como “construído para alta eficiência e desempenho, mas, principalmente, com baixo custo em tokens”. Tokens são a unidade usada por desenvolvedores para pagar pelo uso de modelos de IA.

O modelo de codificação foi descrito por Daigle como “ultra-eficiente em inferência”. O MAI-Thinking-1 está disponível em prévia privada pelo Microsoft Foundry, serviço voltado à integração de modelos em aplicações. Clientes podem manifestar interesse em testá-lo antes da disponibilização ampla e poderão aumentar a precisão do modelo incorporando dados próprios.

Para a Microsoft, desenvolver modelos próprios traz benefícios econômicos que podem ser repassados aos desenvolvedores: a empresa pode rodar esses modelos na própria infraestrutura Azure, sem pagar a terceiros como o OpenAI.

Logo da OpenAI exibido na tela de um smartphone
Novos modelos da Microsoft chegam para disputar espaço com o GPT-5 no mercado de inteligência artificial generativa. Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock – Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock

Desempenho comparado ao GPT-5 da OpenAI

Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, afirmou que, após ajustar seus modelos para as necessidades da consultoria McKinsey, a Microsoft conseguiu superar o GPT-5 da OpenAI com eficiência de custo dez vezes maior.

O que vocês acabaram de ver é uma mudança bastante significativa. Acreditamos que chegou a hora de cada empresa deixar de apenas consumir um modelo de fronteira para participar plenamente no ecossistema de fronteira.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência. 

Estratégia tenta diminuir dependência da OpenAI

A Microsoft investiu US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) no OpenAI e US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) na Anthropic, disponibilizando os modelos de ambas pelo Azure. A Anthropic anunciou na segunda-feira que protocolou confidencialmente um pedido de IPO; o OpenAI também estuda uma oferta pública, possivelmente ainda este ano.

Leia mais:

O MAI-Code-1-Flash está disponível no serviço GitHub Copilot e no editor Visual Studio Code. Além dos dois modelos principais, a Microsoft anunciou versões atualizadas de modelos em nuvem para reconhecimento de voz, geração de voz sintética e geração de imagens, além de modelos Aion de menor porte que podem rodar em PCs com Windows.

Em maio, o Google anunciou o Gemini 3.5 Flash, modelo capaz de codificar e executar outras tarefas nos data centers da empresa.

Dedo de uma pessoa apertando o botão do Windows em um teclado
Novas IAs da Microsoft foram desenvolvidas para funcionar localmente em computadores com sistema Windows. Imagem: tomeqs/Shutterstock – Imagem: tomeqs/Shutterstock

Novos recursos chegam ao GitHub e Windows

Os anúncios da Build não ficaram restritos à programação. A Microsoft também revelou atualizações em modelos de reconhecimento de fala, geração de voz sintética e criação de imagens na nuvem.

Outro destaque foi a chegada dos pequenos modelos Aion, desenvolvidos para funcionar diretamente em computadores com Windows.

Entre os principais anúncios da empresa estão:

  • MAI-Code-1-Flash para geração de código;
  • MAI-Thinking-1 focado em raciocínio lógico;
  • novos recursos de voz, imagem e reconhecimento de fala;
  • modelos Aion otimizados para PCs com Windows;
  • integração dos modelos ao GitHub Copilot e Visual Studio Code.

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Microsoft Build 2026: novos modelos de IA, super app do Copilot e melhorias no Windows

A Microsoft deve aproveitar a conferência Build desta semana para mostrar até onde pretende levar sua aposta em inteligência artificial. Entre as novidades esperadas estão novos modelos de IA, mudanças importantes no Windows 11 e uma reformulação do Copilot.

O evento acontece em São Francisco em um momento sensível para a empresa, que tenta recuperar a confiança de desenvolvedores após problemas recentes envolvendo Windows e GitHub, afirma o The Verge.

Novo ambiente do Windows 11 promete menos distrações, ferramentas pré-instaladas e mais praticidade para programação. Imagem: aileenchik/Shutterstock

Windows com foco em desenvolvedores

A Microsoft deve apresentar uma experiência otimizada do Windows 11 para desenvolvedores, com ambiente sem distrações, aplicativos pré-instalados, ferramentas e scripts. A empresa também deve detalhar seus esforços para reescrever partes do Windows 11 com o objetivo de melhorar desempenho e experiência geral — um plano apresentado no início deste ano que já gerou melhorias iniciais.

Haverá ainda anúncios sobre como o Windows está se adaptando a novos chips, como o RTX Spark, da Nvidia. Fontes indicam que o evento terá foco maior em modelos de IA rodando localmente no Windows, permitindo que desenvolvedores usem capacidade de processamento local em vez de depender de modelos na nuvem. O chefe do Windows, Pavan Davuluri, havia antecipado na semana passada que “algo novo está chegando para desenvolvedores” no Build.

Durante a keynote, o CEO Satya Nadella deve discutir o anúncio do RTX Spark ao lado do CEO da Nvidia, Jensen Huang. A Qualcomm também deve marcar presença para falar sobre seu trabalho contínuo com a Microsoft no crescimento do Windows em processadores Arm. PCs compactos com RTX Spark da Microsoft e da HP estiveram notavelmente ausentes na lista de fabricantes exibida durante a keynote da Nvidia na Computex.

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Build 2026 deve revelar novos modelos de IA da Microsoft para Windows, chips Arm e processamento local. Imagem: TippaPatt / Shutterstock

Novo modelo de raciocínio e outros lançamentos de IA

Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, deve apresentar o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio da empresa. De acordo com as fontes, a Microsoft não utilizou destilação para criar esse modelo — ou seja, ele não foi treinado a partir dos resultados de outro modelo de IA. O MAI-Thinking-1 deve ser direcionado principalmente para uso corporativo.

Além do modelo de raciocínio, outros lançamentos esperados incluem:

  • MAI-Image-2.5;
  • MAI-Image-2.5-Flash;
  • Novos modelos locais para Windows;
  • Recursos voltados para chips Arm;
  • RTX Spark;
  • Melhorias para IA executada localmente.

O próprio Suleyman havia antecipado o lançamento do MAI-Image-2.5 na semana passada, prometendo mais detalhes no Build.

Ao fundo, logo da Microsoft; à frente, logo do Copilot em um smartphone
Microsoft prepara aplicativo unificado para concentrar recursos de IA do Copilot em um só lugar. Imagem: Mijansk786/Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Super app do Copilot ainda em desenvolvimento

A Microsoft também deve apresentar seu “super app” do Copilot no evento. A publicação Fortune foi a primeira a reportar o projeto, descrevendo-o como um aplicativo que reúne os diferentes assistentes de IA do Copilot em uma única interface. Fontes confirmam que o desenvolvimento está em andamento, mas indicam que o screenshot vazado na sexta-feira anterior ao evento é apenas um mockup preparado para as demonstrações do Build.

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A imagem vazada também mostra uma prévia do Microsoft Scout, descrito como um novo agente de IA baseado no trabalho interno da Microsoft chamado OpenClaw. O super app do Copilot não estará disponível durante o Build, já que a empresa ainda está no processo de criação. A previsão é que ele chegue em prévia somente no final do verão no hemisfério norte.

GitHub sob pressão

O GitHub também deve ser tema no Build. A plataforma enfrenta uma série de problemas: onda de saídas, instabilidades e incidentes de segurança, com desenvolvedores de alto perfil passando a levantar alertas sobre a situação. Parte da organização do Build está sendo conduzida pela equipe do GitHub, e a expectativa é de que a Microsoft aborde os problemas da plataforma durante o evento.

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IA pós-ChatGPT deixa 220 startups bilionárias em crise

Mais de 220 startups estadunidenses que atingiram avaliações bilionárias durante o boom de investimentos entre 2020 e 2022 perderam o status de “unicórnio“, com algumas empresas perdendo até 82% de seu valor. Segundo dados exclusivos da PitchBook fornecidos à CNBC, quase metade das 857 startups unicórnio dos Estados Unidos não conseguiu levantar novos investimentos nos últimos três anos.

As empresas que captaram recursos pela última vez em 2021 valem em média 68% menos hoje, enquanto aquelas que levantaram fundos em 2022 sofreram queda de 52% em suas avaliações. Entre os “unicórnios caídos” estão marcas conhecidas, como Glossier (queda de 45%), Calendly (-74%), Savage X Fenty (-61%) e AG1 (-47%).

O principal catalisador dessa transformação foi o boom da inteligência artificial (IA) que canalizou mais de US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) para empresas, como OpenAI e Anthropic, redefinindo as avaliações de categorias inteiras de startups. A chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT“.

Engenharia transformada pela IA generativa

“O momento ChatGPT foi quando as pessoas disseram: ‘Caramba, a próxima geração de empreendedores tem como linguagem de programação o inglês falado’”, disse Samir Kaul, sócio da Khosla Ventures e investidor inicial da OpenAI. Segundo Kaul, agora, 50 engenheiros conseguem fazer o trabalho que exigiria 500 profissionais cinco anos atrás, forçando uma reavaliação completa de como valorizar empresas.

Cinco anos atrás, capitalistas de risco investiam massivamente em startups estadunidenses de todos os setores, desde assinaturas de lingerie até software de agendamento, concedendo avaliações bilionárias antes mesmo da maioria gerar lucros. Era uma era efervescente alimentada por dinheiro barato e demanda impulsionada pela pandemia.

Mesmo após o Federal Reserve (FED) começar a elevar juros em 2022, muitos fundadores acreditavam que cresceriam o suficiente para justificar suas avaliações inflacionadas. Então chegou o ChatGPT, transformando completamente o cenário.

Startups presas entre dois mundos

  • Enquanto ações de empresas públicas de software, como Salesforce, ServiceNow e Workday foram duramente atingidas pela ameaça da IA, um ajuste silencioso ocorreu nos mercados privados;
  • Centenas de startups construídas antes de 2022 ficaram encalhadas — cortadas do financiamento venture capital devido a avaliações inflacionadas e tecnologia desatualizada, mas insuficientemente lucrativas para abrir capital;
  • “Muitas dessas empresas são pré-IA, não apenas em estrutura de custos, mas também em produtos”, disse Immad Akhund, CEO da Mercury, que oferece serviços bancários a um terço das empresas estadunidenses apoiadas por venture capital;
  • “Definitivamente estão numa situação difícil. Toda atenção está na IA, então, se você não é uma empresa AI-first, precisa de números muito fortes para levantar recursos.”
Chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT” – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

Software empresarial no epicentro da crise

As mais atingidas são empresas de software empresarial, que representam a maior categoria entre os unicórnios caídos. Há 75 empresas de software-como-serviço (SaaS) na lista da PitchBook — o dobro das fintechs, segundo maior grupo. Isso reflete tanto as enormes avaliações que startups de software comandaram em 2021 quanto o grau em que a IA generativa desestabilizou o setor.

David Zhu, ex-chefe de engenharia do DoorDash, prevê mudanças sísmicas: “A tese que eu tinha era que todas as empresas SaaS empresariais orientadas por fluxo de trabalho serão interrompidas ou mortas na próxima década“. O modelo SaaS, baseado em cobrança por usuário, é especialmente ameaçado pela ascensão de agentes autônomos.

Após deixar o DoorDash, onde liderou mais de 200 engenheiros, Zhu fundou a Reevo, plataforma de IA que automatiza equipes corporativas. Segundo ele, empresas pré-IA estão sobrecarregadas por modelos de pessoal inchados e software inadequado, dificultando transformações.

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Respostas limitadas e perspectivas sombrias

A maioria das empresas destacadas não respondeu pedidos de comentário da CNBC. Um porta-voz da Skydio, fabricante de drones cuja avaliação despencou de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,6 bilhões) para US$ 509 milhões (R$ 2,6 bilhões) segundo a PitchBook, chamou as estimativas de “especulação falsa“.

Para empresas sem financiamento desde 2021-2022, é improvável conseguir novos recursos, segundo investidores. Sem acesso a venture capital ou perspectiva de IPO, a saída mais provável é aquisição por fração da avaliação anterior.

“Quando vemos empresas não levantando recursos, é uma bandeira vermelha”, disse Andrew Akers, analista da PitchBook, explicando que geralmente significa crescimento fraco ou negativo. “Por baixo da superfície, acho que há muitos dominós para cair.”

O colapso do piso de avaliações

Alguns resets já ocorreram em 2026. Em fevereiro, o app de investimentos Stash foi adquirido pela Grab de Singapura por US$ 425 milhões (R$ 2,1 bilhões) — abaixo dos cerca de US$ 660 milhões (R$ 3,3 bilhões) que investidores colocaram na empresa.

No mesmo mês, a fintech Step foi comprada pelo YouTuber MrBeast por valor não divulgado, com investidores especulando preço bem inferior aos aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) que a startup havia levantado.

“Muitos desses negócios simplesmente não valem mais tanto, razão pela qual você os vê sendo adquiridos com grandes descontos”, disse Ryan Falvey, da Restive Ventures. As avaliações despencaram cerca de seis vezes desde o pico de 2021, quando chegavam a 50 vezes a receita futura, significando que uma empresa com a mesma receita vale cerca de 85% menos no mercado atual.

Antes do reset, startups podiam ser vendidas para empresas de tecnologia maiores por cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) por programador, segundo Kaul. Uma empresa com 100 engenheiros valeria pelo menos US$ 200-300 milhões (R$ 1 bilhão-R$ 1,5 bilhão). Mas essa suposição, que fornecia um piso para avaliações durante o boom, evaporou após ferramentas de IA permitirem que equipes menores construíssem produtos.

Startups pós-ChatGPT superam predecessoras

O resultado é que startups pós-ChatGPT estão superando competidoras mais antigas, segundo Falvey. Ele considera investimentos dos últimos três anos “indiscutivelmente os melhores” que sua empresa fez: “Notamos em 2023 que as empresas em que investimos pós-ChatGPT já estavam ganhando mais dinheiro que a maioria das empresas pré-ChatGPT.”

A IA generativa pode reduzir o capital necessário para construir empresas de software bem-sucedidas, desafiando premissas centrais do boom venture da última década. O impacto reverberará por todo ecossistema de financiamento empresarial, de venture capital a crédito privado até gigantes públicas.

Empresas de software mais antigas ainda dependem de modelos baseados em cobrança por número de funcionários usando produtos — abordagem que Kaul acredita que a IA minará conforme empresas automatizam mais trabalho de escritório. Fornecedores de software precisarão migrar para modelos de precificação baseados em resultados e infraestrutura nativa de IA para sobreviver.

“A pergunta que faço toda vez que uma delas apresenta é: por que OpenAI, Anthropic ou Google não podem fazer isso?”, disse Kaul. “Para a maioria delas, a resposta é: ‘Eles podem‘.”

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