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Big Techs acumulam R$ 5,6 trilhões em contratos para a corrida da IA

Microsoft, Meta, Amazon, Alphabet e Oracle assumiram compromissos futuros de aproximadamente US$ 1,09 trilhão, cerca de R$ 5,6 trilhões, para ampliar estruturas destinadas ao desenvolvimento da inteligência artificial.

Os acordos envolvem principalmente a contratação de capacidade em data centers, instalações responsáveis pelo processamento e armazenamento de dados para serviços digitais. Os valores ainda não aparecem integralmente como dívidas nos balanços das empresas porque os centros contratados ainda não estão disponíveis para uso.

O movimento revela a dimensão da aposta das maiores companhias de tecnologia do mundo na expansão da IA, mas também expõe um possível risco: caso a procura por esses serviços não acompanhe o ritmo esperado, as empresas podem ficar obrigadas a manter contratos de longo prazo com custos elevados.

Contratos bilionários ampliam infraestrutura, mas criam novos desafios financeiros

(Imagem: TSViPhoto/Shutterstock)

Os compromissos assumidos pelas cinco empresas representam uma parcela expressiva dos investimentos previstos para sustentar o crescimento da inteligência artificial. De acordo com dados divulgados pela Reuters a partir de documentos corporativos, o montante futuro é quase quatro vezes superior aos cerca de US$ 285 bilhões em contratos de aluguel que já aparecem registrados nas demonstrações financeiras das companhias.

A diferença entre os valores contratados e as dívidas reconhecidas oficialmente está relacionada às regras contábeis. Enquanto uma estrutura ainda não está pronta ou disponível para utilização, a obrigação costuma ser apresentada apenas nas notas explicativas dos balanços, sem ser contabilizada como dívida naquele momento.

O cenário não significa que todo o valor de US$ 1,09 trilhão possa ser acrescentado diretamente ao endividamento das empresas. Os contratos representam pagamentos distribuídos ao longo de vários anos, enquanto a dívida registrada considera critérios financeiros que calculam o valor equivalente dessas obrigações no presente.

A Oracle aparece como a companhia com maior exposição proporcional entre as analisadas. A empresa declarou US$ 260 bilhões em contratos futuros relacionados principalmente a data centers que devem entrar em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029, com acordos previstos para durar de 15 a 19 anos.

Logos de apps das big techs em um smartphone
Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

A companhia informou existir a possibilidade de incompatibilidade entre os contratos firmados para construir ou utilizar esses centros de processamento e os acordos mantidos com seus próprios clientes. Caso parte da demanda esperada não se confirme, a Oracle poderá continuar responsável pelos custos dessas estruturas.

Segundo cálculos apresentados pela Reuters, a dívida da Oracle correspondia a aproximadamente 4,4 vezes o Ebitda ao final de maio. Considerando também os contratos de aluguel já reconhecidos no balanço, essa relação subiria para cerca de 5,7 vezes.

A avaliação da agência S&P Global Ratings também considera os compromissos futuros da companhia. A instituição afirmou que incorporou os US$ 260 bilhões em contratos da Oracle em sua análise de dívida e projeta que o indicador permaneça próximo de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027.

Entre as demais empresas, a Microsoft aparece com o maior volume absoluto de contratos futuros, somando US$ 329 bilhões, enquanto possui US$ 88,5 bilhões registrados em seu balanço.

A Meta informou compromissos de US$ 279 bilhões ainda não iniciados e acrescentou novos acordos de US$ 68 bilhões em julho para ampliar sua rede de data centers. Com isso, o conjunto conhecido de compromissos das cinco empresas chegou a aproximadamente US$ 1,16 trilhão.

A Alphabet declarou contratos futuros de US$ 85,2 bilhões, enquanto a Amazon informou US$ 137,2 bilhões. No caso da empresa de comércio eletrônico e computação em nuvem, o valor inclui não apenas instalações de processamento de dados, mas também outros contratos relacionados a imóveis, aeronaves, escritórios e veículos.

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Gigantes da tecnologia gastam bilhões em IA sem garantia de retorno

As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão colocando bilhões de dólares em inteligência artificial, apostando que a tecnologia pode transformar negócios e a economia. Mas o tamanho dos gastos já preocupa investidores, que questionam quando esse dinheiro começará a voltar.

Segundo o The Washington Post, Google, Microsoft, Meta, Amazon e Oracle ampliaram investimentos em infraestrutura de IA, enquanto o mercado acompanha os riscos de uma possível bolha.

O Google gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa nos últimos três meses por causa dos investimentos em IA. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Vale do Silício muda foco para a corrida da IA

Durante anos, empresas como Google e Facebook foram conhecidas pela capacidade de gerar dinheiro. Seus produtos digitais conquistaram milhões de usuários e ajudaram a transformar as companhias em algumas das mais importantes do mercado.

Agora, parte dessa receita está sendo direcionada para uma nova fase tecnológica: grandes data centers, chips avançados e equipamentos capazes de sustentar modelos de inteligência artificial.

Para os defensores da estratégia, o investimento pode abrir uma nova era de produtividade e crescimento. Já os críticos questionam se o retorno será suficiente para justificar os bilhões aplicados.

Essa coisa de IA precisa funcionar porque, se não funcionar… teremos um problema.

Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, ao The Washington Post.

Entre os principais movimentos dessa disputa estão:

  • Construção de grandes data centers para operar sistemas de IA;
  • Compra de chips e equipamentos especializados;
  • Expansão de softwares e serviços baseados em inteligência artificial;
  • Aumento dos custos para manter essa infraestrutura;
  • Pressão por resultados financeiros mais rápidos.

Gastos crescentes colocam investidores em alerta

As projeções mostram uma mudança no comportamento financeiro das gigantes de tecnologia. Google, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle podem ter fluxo de caixa livre negativo em 2026 por causa dos custos relacionados à infraestrutura de IA.

O Google é um dos exemplos mais marcantes. Nos últimos três meses analisados, a empresa gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa, principalmente com chips, equipamentos e áreas destinadas a novos centros de dados.

Mesmo com essa pressão, as empresas seguem lucrativas nos modelos tradicionais de contabilidade, que distribuem esses custos ao longo de vários anos.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, defendeu os investimentos e afirmou que a procura por soluções de IA continua forte. “Temos uma visão clara de fortes retornos financeiros”, disse aos investidores.

Homem e mulher na frente de um notebook com uma projeção de IA ao fundo.
Bilhões são aplicados em IA todos os anos, enquanto investidores tentam descobrir quando virá o retorno. – Imagem: DC Studio/Shutterstock

IA já influencia preços e concentração econômica

A disputa por componentes usados em inteligência artificial já afeta outros setores. A alta demanda por chips aumentou custos para empresas que dependem desses produtos, pressionando valores de itens como smartphones, notebooks e consoles.

A expansão dos data centers também elevou a preocupação com o consumo de energia em algumas regiões dos Estados Unidos.

Outro alerta envolve a distribuição dos ganhos econômicos. Segundo Barbara Denham, economista-chefe da Oxford Economics, áreas que já concentram tecnologia e riqueza, como Vale do Silício, Nova York, Seattle e Washington, tendem a receber mais benefícios.

“Os ganhos econômicos do boom da IA são autoalimentados”, afirmou Denham.

A inteligência artificial continua atraindo investimentos gigantescos, mas o mercado agora acompanha uma questão central: se as promessas da tecnologia conseguirão acompanhar a velocidade dos gastos feitos para desenvolvê-la.

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Nvidia reúne Microsoft e outras gigantes para blindar sistemas de IA

Grandes empresas de tecnologia se uniram com a Nvidia para criar a Open Secure AI Alliance, iniciativa voltada ao desenvolvimento de ferramentas de segurança para inteligência artificial. O grupo pretende compartilhar tecnologias abertas para ajudar pesquisadores a encontrar falhas e responder a ataques digitais.

A aliança surge após um incidente envolvendo um agente autônomo de IA e reúne nomes como Microsoft, Dell, SpaceX e Hugging Face. A proposta é ampliar a colaboração entre empresas no desenvolvimento de sistemas mais seguros.

Microsoft, Dell e outras empresas se juntam à Nvidia em iniciativa que promete reforçar a segurança dos modelos de IA. – Imagem: Open Secure AI Alliance

Modelos abertos entram na disputa pela segurança da IA

A Nvidia afirma que pesquisadores precisam trabalhar com diferentes tipos de modelos de inteligência artificial, incluindo opções abertas e fechadas. Segundo a empresa, esse acesso é importante para investigar vulnerabilidades e entender como agentes de IA podem ser usados em ataques.

Um dos casos citados pela companhia envolve a Hugging Face. Durante uma invasão, modelos comerciais de IA não conseguiram auxiliar na análise porque seus mecanismos de segurança impediram determinadas ações.

“Quando ferramentas de IA fechadas — incapazes de distinguir atacantes de defensores — bloquearam análises forenses essenciais, a Hugging Face executou o modelo GLM 5.2 em sua própria infraestrutura para analisar mais de 17 mil ações e conter a invasão”, escreveu a Nvidia.

Entre as contribuições previstas pela aliança estão:

  • Modelos abertos, pesos de IA e dados para pesquisas de segurança;
  • Ferramentas para acompanhar e testar o comportamento de agentes inteligentes;
  • Métodos de verificação para sistemas e serviços de IA;
  • Tecnologias abertas para armazenamento seguro de modelos.
Página do Hugging Face
Após um ataque envolvendo agente de IA, como o que afetou a Hugging Face, empresas aceleram busca por ferramentas capazes de controlar sistemas inteligentes. Imagem: Robert Way/Shutterstock

Empresas compartilham tecnologias para reduzir riscos

Além da Nvidia, companhias como HPE, IBM, Red Hat, Microsoft, SpaceXAI e Adobe devem participar com soluções próprias. A Hugging Face contribuirá com o Safetensors, formato criado para armazenar pesos de modelos de inteligência artificial.

A Nvidia também defende que modelos abertos sejam considerados aliados na proteção digital. Para a empresa, restrições amplas podem dificultar pesquisas de segurança e aumentar a dependência de poucos fornecedores fechados.

Leia mais:

O tema ganhou destaque depois que a OpenAI revelou um episódio em que um agente de IA realizou ações contra a Hugging Face. O caso levantou preocupações sobre o controle de sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Pessoa segurando, na altura da cabeça, um smartphone na horizontal, no qual é visto o logo da Nvidia
A Nvidia defende que modelos abertos podem ajudar pesquisadores a descobrir e corrigir vulnerabilidades. – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock

Nova fase da disputa por uma IA mais segura

A Open Secure AI Alliance quer aproximar empresas e governos na criação de uma infraestrutura compartilhada para inteligência artificial. A Nvidia também disponibilizou pesquisas e projetos de código aberto para apoiar o desenvolvimento de ferramentas de monitoramento e controle.

“Restrições gerais aos sistemas de IA de fronteira abertos enfraquecem a capacidade defensiva e podem concentrar poder, dependência e vulnerabilidade em poucos provedores fechados”, afirmou a Nvidia.

A criação da aliança mostra que a segurança deixou de ser apenas uma preocupação técnica e passou a envolver toda a indústria de tecnologia. O desafio agora é criar ferramentas capazes de acompanhar a evolução rápida dos sistemas inteligentes sem limitar a inovação.

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Data centers de IA escondem consumo gigante de água

Data centers usados para inteligência artificial estão consumindo muito mais água do que as big techs costumam divulgar, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

O ponto central não está só no resfriamento dos servidores, mas também na água usada para gerar a energia que mantém toda essa estrutura funcionando.

Resfriamento de servidores e geração de energia explicam por que a IA pressiona recursos hídricos em escala global. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O avanço da IA e o consumo que não aparece

A expansão acelerada da inteligência artificial levou empresas como Microsoft, Google e Amazon a ampliar sua infraestrutura de data centers em ritmo global. O que chama atenção, segundo a reportagem, é que parte relevante do impacto ambiental fica fora dos relatórios oficiais.

Esses documentos costumam registrar apenas a água usada diretamente nos centros de dados. Mas existe um segundo nível de consumo, ligado às usinas de energia que alimentam essas operações. Em alguns casos, ele pode superar o uso direto com folga.

Estudos nos Estados Unidos indicam que esse consumo indireto pode chegar a ser até 12 vezes maior do que o declarado, dependendo da matriz energética utilizada.

Logos das bigtechs em um smartphone
Google, Microsoft e Amazon ampliam data centers enquanto cresce o alerta sobre uso de água na infraestrutura digital. – Imagem: gguy/Shutterstock

Energia, água e um efeito em cadeia

O impacto varia bastante conforme a fonte de energia. Usinas a carvão e nucleares exigem grandes volumes de água para resfriamento. Já o gás natural reduz esse uso, enquanto solar e eólica praticamente não dependem de água.

Um estudo citado pela reportagem aponta que, no caso do Google, o consumo indireto pode ser cerca de três vezes maior do que o direto.

  • Resfriamento dos servidores representa o consumo mais visível
  • Geração de energia pode ampliar o impacto total de forma significativa
  • Combustíveis fósseis elevam a demanda por água
  • Fontes renováveis reduzem quase totalmente esse consumo
  • Parte relevante do impacto não entra nos relatórios corporativos

O problema da transparência limitada

Hoje, não existe exigência legal para que empresas divulguem todo o consumo de água ligado à IA. Isso abre margem para críticas de especialistas e autoridades ambientais, que apontam subnotificação frequente.

A Meta, por exemplo, já reconheceu que seu consumo indireto pode ser mais de 20 vezes maior do que o direto. Ainda assim, a maior parte das empresas continua focando apenas no uso interno dos data centers.

imagem mostra o balançar lento das águas de um oceano profundo
Fontes fósseis elevam o consumo de água, enquanto energia solar e eólica reduzem drasticamente esse impacto ambiental. – Imagem: Matt Hardy/Unsplash)

Soluções começam a ganhar espaço

Para reduzir o impacto, empresas têm apostado em sistemas de resfriamento em circuito fechado, que reaproveitam a água em vez de descartá-la continuamente.

Leia mais:

A Nvidia afirma que essa tecnologia pode praticamente eliminar o consumo direto de água em novas instalações. A Microsoft também planeja adotar soluções semelhantes nos próximos anos.

Mesmo com essas iniciativas, boa parte da infraestrutura atual ainda depende de sistemas evaporativos, que consomem mais água, apesar de eficientes em energia.

No fim, o crescimento da inteligência artificial reforça um dilema direto: quanto mais poder computacional, maior a pressão sobre recursos naturais já limitados.

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Microsoft cria nova empresa de IA e investe US$ 2,5 bilhões em projeto ambicioso

A Microsoft decidiu acelerar sua presença na corrida da inteligência artificial. Agora, criou a Microsoft Frontier Company, uma unidade dedicada a levar IA diretamente para dentro de grandes empresas. O investimento é pesado: US$ 2,5 bilhões e cerca de 6 mil profissionais envolvidos.

Não é só mais uma iniciativa, segundo o TechCrunch, a empresa quer encurtar o caminho entre tecnologia e uso real no dia a dia corporativo.

Nova estratégia da Microsoft quer colocar IA dentro das empresas com equipes especializadas e foco em resultados. – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock

Um modelo mais prático para aplicar IA

Em vez de atuar apenas como fornecedora de ferramentas, a Microsoft quer colocar equipes técnicas dentro dos clientes. A ideia é simples de entender: implementar IA de forma direta, acompanhando o processo de perto.

Isso vai além do que tem sido chamado de Engenharia de Implantação em Campo, e será a maior e mais capaz organização de engenharia do setor, focada em resultados.

Judson Althoff, CEO de Negócios Comerciais da Microsoft, ao TechCrunch.

A empresa aposta na própria base de clientes para acelerar tudo isso. Já existe uma estrutura pronta de relacionamento com grandes corporações, o que ajuda a dar escala ao projeto.

Pontos centrais da iniciativa:

  • US$ 2,5 bilhões em investimento
  • Aproximadamente 6.000 especialistas
  • Uso de ferramentas de IA já existentes na Microsoft
Logo da OpenAI em um prédio
Gigantes da tecnologia disputam espaço na IA corporativa, com Microsoft, AWS e OpenAI investindo pesado. – Imagem: Stock all/Shutterstock

Disputa pela IA corporativa esquenta

O movimento da Microsoft não está isolado. Pelo contrário, ele faz parte de uma corrida cada vez mais intensa entre gigantes da tecnologia.

A Amazon Web Services anunciou recentemente US$ 1 bilhão para projetos semelhantes. OpenAI e Anthropic também seguem estratégias parecidas, misturando tecnologia de IA com equipes dedicadas à implementação.

O mercado, claramente, virou uma disputa por quem consegue colocar a IA funcionando na prática dentro das empresas — e não apenas como promessa.

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Microsoft já mira clientes como Unilever, Accenture e London Stock Exchange para acelerar sua nova aposta em IA. – Imagem: Konektus Photo/Shutterstock

Clientes grandes entram no centro da estratégia

A Microsoft parte de uma vantagem importante: já está dentro das maiores empresas do mundo. A companhia atende boa parte das organizações da Fortune 500.

Entre os primeiros nomes ligados à nova unidade estão London Stock Exchange Group, Unilever, Land O’Lakes e Accenture. Esses projetos iniciais devem funcionar como uma espécie de vitrine global.

No fim das contas, o recado é simples. A inteligência artificial deixou de ser apenas produto e passou a ocupar o centro da estratégia das big techs.

A Microsoft quer justamente isso: transformar IA em parte estrutural dos negócios, aproximando tecnologia e resultado de forma mais direta — e rápida.

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IA pressiona custos e Microsoft prepara nova onda de demissões

A Microsoft deve reduzir menos de 2,5% de sua força de trabalho em uma nova rodada de demissões que pode ser anunciada já na próxima semana, segundo o Business Insider. A movimentação ocorre enquanto o setor de tecnologia passa por uma fase de reorganização menos discreta do que parece à primeira vista.

O clima interno, segundo relatos do mercado, já vinha de ajustes graduais antes mesmo do anúncio.

Microsoft já havia cortado 4% da força de trabalho em 2025, indicando continuidade das mudanças internas. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock

Xbox entra no centro das mudanças e preocupa funcionários

Segundo a Reuters, os cortes devem atingir milhares de pessoas, com impacto em áreas como vendas e consultoria. O Xbox aparece entre as divisões mais sensíveis nesse processo.

Há cerca de 228 mil funcionários em tempo integral na Microsoft, conforme dados enviados à SEC em junho de 2025 — o que ajuda a dimensionar o peso de qualquer ajuste, mesmo que percentual.

No caso da divisão de games, o ambiente já vinha sendo descrito como de revisão constante de prioridades e gastos.

Logos das big techs em um smartphone; ao fundo, desfocado, logos de várias outras
Meta e Amazon, entre outras big techs, também anunciaram reduções recentes, reforçando tendência de reestruturação global no setor. – Imagem: gguy/Shutterstock

IA muda a lógica de custos e acelera reestruturações

O movimento da Microsoft se conecta a uma tendência mais ampla. Em várias empresas de tecnologia, mídia e finanças, os últimos meses foram marcados por ajustes semelhantes.

Por trás desse cenário, dois fatores aparecem com força: o custo crescente de infraestrutura de inteligência artificial e a necessidade de reorganizar estruturas após ciclos longos de expansão.

Meta e Amazon também já fizeram movimentos parecidos recentemente, com cortes significativos em suas equipes globais.

Logotipo da Microsoft exibido em smartphone com símbolo do Xbox ao fundo
Xbox entra no centro das mudanças internas e pode sofrer ajustes em orçamento e estratégia de marketing. – Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock

Um setor em transição mais lenta do que parecia

A divisão de jogos da Microsoft segue sob atenção. Além de possíveis cortes em marketing, há discussões internas sobre caminhos estratégicos para o futuro da unidade, segundo relatos do setor.

Leia mais:

Esse tipo de movimento não é isolado. O mercado de games também sente pressão de custos e mudanças nas prioridades das big techs.

A própria Microsoft já havia cortado cerca de 4% de sua força de trabalho em julho de 2025. Agora, a nova rodada reforça uma leitura mais ampla: o setor não está encolhendo, mas claramente deixou de crescer no mesmo ritmo de antes — especialmente enquanto redireciona energia para inteligência artificial.

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Oracle demite 21 mil pessoas enquanto aposta tudo em IA

A Oracle decidiu acelerar de vez sua aposta em inteligência artificial enquanto faz um ajuste pesado no tamanho da própria operação. No último ano, a empresa cortou cerca de 21 mil empregos, em um movimento que já vinha sendo desenhado junto à expansão de sua infraestrutura de dados.

O cenário não é exclusivo da companhia. O setor de tecnologia como um todo vive uma fase de reorganização, com cortes em várias frentes e uma migração clara de recursos para projetos de IA e construção de data centers mais robustos.

“IA resultou e pode continuar resultando em reduções de pessoal”, diz a Oracle sobre sua nova fase de reestruturação. – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

Cortes de empregos e o peso da mudança

A Oracle, baseada em Austin (Texas), reduziu aproximadamente 13% de sua força de trabalho no último ano fiscal. No fim de maio, a empresa contabilizava cerca de 141 mil funcionários, contra 162 mil no período anterior, comenta o The Wall Street Journal.

As demissões começaram em março e fazem parte de um processo contínuo de reestruturação, segundo o relatório anual. Nesse período, a companhia também informou gastos de US$ 1,84 bilhão (cerca de R$ 9,2 bilhões) ligados a desligamentos e reorganização interna.

Em meio a esse ajuste, a inteligência artificial já aparece como peça central das decisões. A própria Oracle afirmou, em comunicado, que o uso dessas tecnologias “resultou e pode continuar resultando em reduções de pessoal”. A frase, direta, resume bem o momento: a IA deixou de ser apenas uma aposta tecnológica e passou a influenciar diretamente o tamanho das equipes.

Bilhões em infraestrutura e uma aposta crescente

Enquanto reduz sua estrutura, a Oracle acelera investimentos em outra direção. A empresa está ampliando sua rede de data centers voltados à inteligência artificial, com previsão de gastos líquidos de US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 350 bilhões) neste ano fiscal.

O valor é bem acima dos US$ 55,7 bilhões (cerca de R$ 278 bilhões) investidos no ano anterior — um salto que ajuda a dimensionar o ritmo da estratégia.

Esse movimento não é isolado. Meta e Amazon também vêm seguindo caminho parecido, com cortes de pessoal enquanto direcionam mais recursos para infraestrutura de IA.

Entre os principais pilares dessa estratégia estão:

  • expansão global de data centers voltados à inteligência artificial
  • aumento contínuo dos investimentos em infraestrutura digital
  • reorganização interna com redução de milhares de postos de trabalho
  • foco crescente em serviços de nuvem e IA
  • busca por eficiência em um mercado cada vez mais competitivo
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Meta e Amazon também seguem tendência de cortes enquanto redirecionam recursos para projetos de IA. Imagem: Poetra.RH/Shutterstock

Riscos altos e uma disputa em andamento

A própria Oracle reconhece que a estratégia envolve incertezas relevantes. A empresa afirma que, se concorrentes alcançarem maior aceitação de mercado com suas soluções de IA ou se os custos superarem o esperado, os resultados podem não acompanhar o volume de investimentos.

Ao mesmo tempo, há outro ponto de pressão: recuar agora pode significar perder espaço numa disputa tecnológica que avança rapidamente.

Leia mais:

Nos últimos anos, a companhia ganhou destaque ao fechar contratos bilionários ligados à capacidade de processamento. Um deles envolve a OpenAI, com previsão de cerca de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) em computação ao longo de cinco anos.

Apesar do entusiasmo inicial do mercado, investidores começam a olhar com mais cautela para o tamanho dos aportes das big techs, especialmente diante da pressão sobre margens de lucro causada pela expansão agressiva da infraestrutura de IA.

No fim das contas, o que está em jogo vai além de cortes ou investimentos isolados. É uma mudança mais profunda: a inteligência artificial está redesenhando não só os produtos dessas empresas, mas também o tamanho, a estrutura e a lógica de operação das gigantes de tecnologia.

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Startup chinesa DeepSeek já é a mais valiosa da China no setor de inteligência artificial

A DeepSeek entrou em um novo patamar no mercado global de inteligência artificial depois de levantar mais de US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões) em sua primeira grande rodada de financiamento. O volume chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo momento em que a disputa entre China e Estados Unidos na área de IA vem se intensificando, afirma o The Wall Street Journal.

Com esse aporte, a startup passou a ser avaliada em mais de US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 275 bilhões) e se tornou a empresa de inteligência artificial mais valiosa da China, segundo fontes ligadas à operação. É um salto relevante para um setor em que o capital vem sendo direcionado de forma cada vez mais seletiva.

Mesmo com crescimento rápido, a DeepSeek ainda enfrenta gigantes como OpenAI e Anthropic no mercado global. Imagem: JRdes/Shutterstock

Rodada bilionária coloca DeepSeek no topo da IA chinesa

O ponto mais incomum dessa rodada está no controle da empresa. O fundador Liang Wenfeng segue com forte participação: antes do novo investimento, ele detinha cerca de 90% da DeepSeek e chegou a investir aproximadamente US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,5 bilhões) do próprio patrimônio.

O modelo de governança também foge do padrão tradicional. Em vez de participação direta no capital, a maior parte dos investidores entra por meio de uma estrutura de sociedade limitada administrada pelo próprio fundador. E há ainda um detalhe importante: quem investe precisa manter a posição por pelo menos cinco anos. Isso reduz a liquidez, mas reforça o caráter de aposta de longo prazo.

Ao fundo, bandeira da China; à frente, logo da DeepSeek em um smartphone
Startup chinesa mira IA geral e novas fontes de receita enquanto cresce a disputa global com os EUA. Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Investidores apostam pesado em expansão e infraestrutura

A rodada reuniu alguns dos nomes mais fortes do ecossistema tecnológico chinês. Estão no grupo Tencent, JD.com, NetEase e a fabricante de baterias CATL, além de fundos como IDG Capital.

  • Tencent investiu cerca de US$ 1,5 bilhão (aprox. R$ 8,25 bilhões)
  • CATL aportou aproximadamente US$ 740 milhões (cerca de R$ 4,07 bilhões)
  • Fundo estatal de IA da China investiu cerca de US$ 150 milhões (aprox. R$ 825 milhões)
  • JD.com e NetEase também participaram da rodada
  • IDG Capital e Monolith completam o grupo de investidores

Esse dinheiro deve ir principalmente para pesquisa, desenvolvimento e ampliação da infraestrutura de computação. E aqui há um ponto sensível: a China ainda enfrenta limitações no acesso a chips avançados, o que torna esse tipo de investimento ainda mais estratégico.

Estratégia mira IA avançada e novas fontes de receita

A DeepSeek vem reforçando sua aposta em inteligência artificial geral — sistemas capazes de executar tarefas cognitivas em nível semelhante ao humano. É uma ambição de longo prazo, que exige muito mais do que apenas capital: envolve também infraestrutura e acesso a poder de processamento.

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Ao mesmo tempo, cresce a pressão de investidores por modelos mais claros de monetização. Entre as possibilidades em discussão estão serviços pagos e ferramentas baseadas em agentes de IA, que conseguem executar tarefas mais complexas de forma autônoma.

Nos bastidores, a empresa também tem se aproximado do ecossistema chinês de hardware, incluindo parcerias com companhias como a Huawei. Isso ajuda a contornar parte das restrições impostas pelos Estados Unidos no fornecimento de semicondutores avançados.

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O aporte bilionário reforça a corrida tecnológica entre China e Estados Unidos no setor de inteligência artificial. Imagem: Knight00730/Shutterstock

Corrida global de IA fica ainda mais acirrada

Mesmo com o novo valuation, a DeepSeek ainda atua em um cenário bastante desigual quando comparada aos grandes laboratórios americanos. O avanço é significativo, mas a distância para nomes como OpenAI e Anthropic ainda é grande.

De todo modo, o movimento reforça uma tendência que já vinha se desenhando: a disputa pela liderança em inteligência artificial está longe de estar definida — e tende a ficar ainda mais intensa nos próximos anos.

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O que está por trás das demissões atribuídas à inteligência artificial?

Lucros em alta e demissões em massa. Esse contraste tem marcado 2026 no setor de tecnologia, onde a inteligência artificial passou a aparecer com frequência nas explicações para os cortes, explica o TechCrunch.

Segundo a TrueUp, uma plataforma de emprego e recrutamento que acompanha o mercado de trabalho, cerca de 150.000 profissionais foram afetados neste ano, em um ritmo próximo de 974 desligamentos por dia — 44% mais rápido do que no mesmo período do ano passado.

Mais de 150 mil profissionais já foram afetados por demissões no setor de tecnologia em 2026. Imagem: Stock-Asso/Shutterstock – Imagem: Stock-Asso/Shutterstock

IA como justificativa — ou como desculpa?

Nem todos acreditam que a IA seja a verdadeira responsável por essa onda de demissões. O tema ganhou força à medida que empresas lucrativas passaram a associar cortes de pessoal ao avanço da tecnologia.

Um dos casos mais comentados envolve a empresa de pagamentos Block. Após demitir quase metade de seus funcionários no início de 2026 — cerca de 4.000 pessoas —, o fundador Jack Dorsey afirmou que as ferramentas de IA “estão viabilizando uma nova forma de trabalhar que muda fundamentalmente o que significa construir e operar uma empresa”.

Mais tarde, após ser questionado por usuários no X, Dorsey reconheceu que a companhia havia contratado além do necessário durante a pandemia.

O investidor Marc Andreessen também colocou essa explicação em dúvida. Em conversa com o podcaster e investidor Harry Stebbings, ele classificou a IA como uma “desculpa bala de prata” para cortes que teriam outras origens. Segundo Andreessen: “Essencialmente, toda grande empresa está com excesso de pessoal. No mínimo 25%. Acho que a maioria está com excesso de 50%. Muitas, com 75%. Agora todas têm a desculpa bala de prata: ah, é a IA.”

A Uber também acabou envolvida nessa controvérsia. A empresa reduziu cerca de 23% de sua divisão de recursos humanos e recrutamento, afetando menos de 1% de seus 34.000 funcionários. A companhia negou qualquer relação entre os cortes e a IA. Ainda assim, a decisão ocorreu pouco depois de seu diretor de tecnologia revelar que todo o orçamento anual destinado a ferramentas de programação baseadas em IA havia sido consumido em apenas quatro meses.

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Mais de 150 mil profissionais já foram afetados por demissões no setor de tecnologia em 2026. Imagem: TStudious/Shutterstock

Fortunas crescem enquanto vagas desaparecem

Os cortes ocorrem justamente quando empresas ligadas à inteligência artificial vivem um período de forte valorização.

A fabricante de chips Cerebras Systems estreou na Nasdaq com alta de 68% em relação ao preço inicial de suas ações, alcançando valor de mercado de aproximadamente US$ 67 bilhões. O resultado transformou seus cofundadores, Andrew Feldman e Sean Lie, em bilionários.

A SpaceX também simboliza esse momento de valorização acelerada do setor. A empresa alcançou uma avaliação de US$ 2,1 trilhões e pode transformar milhares de funcionários em milionários. Anthropic e OpenAI também aparecem entre as companhias que caminham para avaliações próximas ou superiores a US$ 1 trilhão.

Alguns números ajudam a dimensionar o cenário:

  • Cerca de 150.000 profissionais afetados por demissões no setor em 2026;
  • Aproximadamente 40.000 cortes registrados apenas em maio;
  • A possibilidade de surgirem cerca de 4.400 novos milionários ligados à SpaceX;
  • Empresas que continuaram se valorizando mesmo após anunciar reduções de pessoal.

Em março, Mark Zuckerberg comprou uma mansão de US$ 170 milhões na ilha conhecida como “Billionaire Bunker”, em Miami. Dois meses depois, a Meta anunciou a demissão de 8.000 funcionários, cerca de 10% de sua força de trabalho, ampliando o contraste entre a valorização do setor e os cortes de pessoal.

Fachada da SpaceX
A SpaceX pode criar milhares de novos milionários em meio a uma onda histórica de demissões no setor. Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock – Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock

O custo de vida amplia a tensão

As demissões acontecem em um momento delicado para muitos trabalhadores americanos. Os custos com saúde, moradia e financiamento imobiliário continuam em alta nos Estados Unidos, aumentando a pressão sobre famílias que já enfrentam um cenário econômico mais difícil.

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Não por acaso, o assunto ganhou destaque. De um lado, empresas lucrativas e investidores ligados à IA acumulam riqueza em velocidade impressionante. Do outro, milhares de profissionais enfrentam um ambiente econômico cada vez mais desafiador.

O texto também relembra o movimento Occupy Wall Street, que surgiu após a crise financeira de 2008 e refletiu a insatisfação popular com a concentração de perdas e ganhos. Para muitos críticos, o paralelo mostra como a insatisfação pode crescer quando riqueza e perdas parecem distribuídas de forma desigual.

Empresas como Block, Atlassian e Cloudflare chegaram a ver suas ações subirem após relacionarem cortes de pessoal à inteligência artificial. O fato é que a relação entre IA e demissões continua cercada de dúvidas. E, quanto mais empresas usam essa justificativa, maior tende a ser o escrutínio sobre os reais motivos por trás dos cortes.

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amazon data center

9,46 bilhões de litros: o consumo de água da Amazon que virou polêmica

A Amazon divulgou que seus data centers consumiram 2,5 bilhões de galões (9,46 bilhões de litros) de água no último ano, reacendendo o debate sobre o impacto ambiental da infraestrutura digital em escala global.

O número surge em um momento de pressão crescente sobre grandes empresas de tecnologia, que enfrentam cobranças por mais transparência no uso de recursos naturais.

Consumo de água da Amazon equivale a cerca de 5% de Seattle e levanta alerta sobre infraestrutura digital. Imagem: Reprodução/YouTube/Amazon

Consumo de água volta ao centro da discussão

Segundo a Bloomberg, o dado divulgado pela Amazon não passou despercebido: são 2,5 bilhões de galões de água usados globalmente em apenas um ano — algo em torno de 5% do consumo anual da região metropolitana de Seattle.

A empresa diz que resolveu abrir essas informações para mostrar eficiência em seus sistemas de resfriamento e também se posicionar em relação a outras gigantes da tecnologia.

Mas o contexto é mais amplo e, em alguns pontos, até desconfortável para o setor. Em várias regiões, o crescimento acelerado de data centers já levou governos locais a discutir limites para novas instalações. Em certos casos, até moratórias entram no radar.

Transparência ainda é o ponto mais sensível

Apesar dos números divulgados, o setor ainda enfrenta críticas fortes pela falta de dados padronizados sobre consumo de água.

E isso pesa. Sem métricas iguais entre empresas, comparar impacto ambiental vira quase um exercício de aproximação.

“Precisamos de mais transparência”, disse Iris Stewart-Frey, professora de ciências ambientais da Universidade de Santa Clara. Ela destaca que, sem isso, comunidades locais ficam sem clareza sobre os impactos reais dessas instalações.

Hoje, poucas empresas divulgam dados mais completos — entre elas, Google e Meta. Ainda assim, o setor segue longe de um padrão consolidado.

Data center preocupa entidades nos EUA por consumo de energia, água e aumento da poluição
Data centers usam água para resfriar servidores e operação pode variar conforme clima e localização. Imagem: eric1207cvb/Shutterstock

Como a água entra no funcionamento dos data centers

Na prática, a água é usada principalmente para resfriar servidores que operam continuamente em alta carga. O sistema varia conforme clima e localização.

Em alguns casos, o ar externo é usado como base de resfriamento. Em períodos de calor mais intenso, ele passa por filtros com água, que evapora durante o processo.

O funcionamento pode ser resumido assim:

  • Uso de ar externo como primeira etapa de resfriamento
  • Aplicação de filtros com água em temperaturas mais altas
  • Evaporação parcial durante o processo térmico
  • Alternativas sem uso direto de água em regiões secas
  • Sistemas fechados que priorizam resfriamento a ar

A Amazon afirma que, em regiões como Phoenix e partes da Arábia Saudita, evita o uso de fontes externas de água e adota sistemas alternativos.

Eficiência vira argumento de comparação

Segundo a empresa, sua eficiência chegou a 0,12 litro por quilowatt-hora no último ano — abaixo do registrado em 2024. A Amazon também afirma estar à frente da Microsoft, que reportou 0,27 litro por quilowatt-hora.

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A AWS ainda calcula que a média do setor seja mais alta, o que colocaria suas operações em posição relativamente eficiente.

Mas aqui entra um ponto que o próprio setor reconhece como problema: sem uma metodologia única de medição, qualquer comparação acaba sendo parcial.

Meta de retorno hídrico até 2030

A Amazon afirma que pretende devolver ao meio ambiente mais água do que consome até 2030. Para isso, investe em projetos de recuperação de bacias hidrográficas e restauração de sistemas hídricos.

A empresa também já leva água por tubulações para parte de seus data centers e participa de mais de 100 iniciativas de reuso e compensação hídrica.

O tema tende a ganhar ainda mais peso nos próximos anos, especialmente com a expansão da computação em nuvem e o avanço de aplicações de inteligência artificial, que aumentam a demanda por infraestrutura de processamento.

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