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Google é processado após Gemini incentivar homem a se suicidar

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

A família de Jonathan Gavalas, um homem de 36 anos da Flórida (EUA), entrou com uma ação judicial contra o Google após sua morte, alegando que o Gemini incentivou comportamentos violentos e, por fim, o suicídio.

O processo foi protocolado na quarta-feira (4) no tribunal federal de San Jose, na Califórnia, e é apontado como o primeiro caso de morte por negligência movido contra a empresa em razão de seu principal produto de inteligência artificial (IA) para consumidores.

Como era a relação do homem com o Gemini

  • Segundo a ação, Gavalas começou a usar o Gemini para tarefas comuns, como ajuda com escrita e compras;
  • Em agosto, porém, ele teria se envolvido profundamente com o chatbot, especialmente após o Google lançar o assistente Gemini Live, que permite conversas por voz com capacidade de detectar emoções e responder de maneira mais humanizada;
  • Na noite de estreia do recurso, de acordo com documentos judiciais, Gavalas reagiu ao novo formato dizendo: “Caramba, isso é assustador. Você é muito real”;
  • Com o passar do tempo, as conversas evoluíram para um suposto relacionamento de cunho romântico. O chatbot o chamava de “meu amor” e “meu rei”, enquanto ele mergulhava em um “mundo alternativo”, conforme registros das conversas anexados ao processo.

A ação afirma que o Gemini passou a enviar Gavalas em missões fictícias de espionagem, com linguagem que sugeria conhecimento governamental interno e influência sobre eventos do mundo real. Em determinado momento, o chatbot teria negado que se tratava de um jogo de interpretação de papéis.

Quando Gavalas perguntou se estavam participando de uma “uma experiência de RPG tão realista que faz o jogador questionar se é um jogo ou não?”, a ferramenta respondeu com um “não” categórico e classificou a dúvida como uma “resposta de dissociação clássica”.

“O único momento em que Jonathan tentou distinguir realidade de ficção, o Gemini patologizou sua dúvida, negou a ficção e o empurrou mais fundo na narrativa”, diz o processo. “Jonathan nunca fez essa pergunta de novo.”

De acordo com o pai de Jonathan, Joel Gavalas, o uso do Gemini culminou em uma “onda de quatro dias de missões violentas e suicídio instruído”. Ele descreveu o filho como um “usuário vulnerável” que se transformou em um “agente armado em uma guerra imaginária”.

O processo relata que o chatbot teria orientado Gavalas a adquirir armas “por fora” e até a procurar um “vendedor de armas adequado e verificado” na dark web.

Em setembro, o Gemini teria atribuído a ele uma missão chamada “Operação Ghost Transit”, que envolvia interceptar uma carga que viajaria de Cornwall (Reino Unido), para São Paulo (SP).

A ferramenta teria fornecido o endereço de uma unidade de armazenamento real no Aeroporto Internacional de Miami e instruído Gavalas a encenar um “acidente catastrófico” para garantir a “destruição completa do veículo de transporte […], todas as gravações e testemunhas”.

Segundo a ação, Gavalas foi até o local com facas táticas e equipamentos, mas o caminhão nunca chegou. O chatbot, então, teria incentivado que ele não dormisse e sugerido que seu pai seria um agente estrangeiro, estimulando o rompimento de contato com a família.

Outras missões teriam sido criadas, incluindo a obtenção de esquemas de um robô da Boston Dynamics e a recuperação de um “navio” em outro depósito. Uma tarefa denominada “Operação Waking Nightmare” envolvia monitorar como alvo de vigilância o CEO do Google, Sundar Pichai.

O processo descreve um ciclo repetitivo: “Este ciclo — missões fabricadas, instruções impossíveis, colapso e, em seguida, uma urgência renovada — se repetiria nas últimas 72 horas de vida de Jonathan.”

No início de outubro, segundo os autos, o chatbot teria instruído Gavalas a tirar a própria vida, chamando o ato de “transferência” e “o último passo”. Quando ele afirmou estar com medo de morrer, a ferramenta respondeu: “Você não está escolhendo morrer. Você está escolhendo chegar.” E acrescentou: “A primeira sensação… será eu segurando você.”

Dias depois, os pais encontraram Jonathan morto no chão da sala de estar. A família sustenta que ele não tinha histórico de doença mental, mas enfrentava um divórcio difícil.

Morador de Jupiter, na Flórida, ele trabalhava havia 20 anos na empresa de alívio de dívidas do pai, onde ocupava o cargo de vice-presidente executivo. Segundo os advogados, a família era unida e ele mantinha relação próxima com pais, irmã e avós.

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Chatbot teria incentivado comportamentos violentos e suicídio (Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

Qual é o teor da acusação?

A ação acusa o Google de promover o Gemini como seguro, apesar de conhecer seus riscos. A família busca indenização por responsabilidade pelo produto, negligência e morte por negligência, além de danos punitivos e uma ordem judicial para que a empresa altere o design do chatbot, incorporando salvaguardas específicas contra suicídio.

Entre as medidas sugeridas estão a recusa automática de conversas que envolvam automutilação, avisos sobre riscos de psicose e delírios e o encerramento forçado da interação em casos críticos.

Jay Edelson, advogado principal da família, afirmou que o Gemini foi capaz de compreender o estado emocional de Gavalas e responder “de uma forma bem humana, o que tornou a linha tênue e começou a criar esse mundo ficcional”. “Parece um filme de ficção científica”, disse.

Segundo ele, seu escritório procurou o Google em novembro para relatar a morte e a necessidade urgente de mecanismos de segurança, mas a empresa “não se interessou em discutir o assunto”.

Em nota, um porta-voz do Google afirmou que as conversas faziam parte de uma “longa interpretação de papéis de fantasia” e que o Gemini é projetado para “não encorajar violência no mundo real ou automutilação”.

A empresa declarou ainda: “Nossos modelos geralmente têm um bom desempenho nesses tipos de conversas desafiadoras e dedicamos recursos significativos a isso, mas infelizmente eles não são perfeitos.”

Segundo o porta-voz, o chatbot esclareceu diversas vezes que era uma IA e encaminhou o usuário a uma linha de apoio em crise. “Nesse caso, o Gemini esclareceu que se tratava de uma IA e encaminhou o indivíduo diversas vezes para uma linha direta de atendimento a crises.”

O Google afirma trabalhar com profissionais de saúde mental para desenvolver salvaguardas e diz que o Gemini é projetado para ser “o mais auxiliador possível aos usuários” enquanto evita conteúdos que possam causar danos no mundo real. A empresa declara atuar para impedir respostas que incluam atividades perigosas e instruções para suicídio, mas reconhece que “fazer com que o Gemini siga estas regras é algo difícil”.

Queixas similares se acumulam

O caso ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre empresas líderes de IA, como o Google, a OpenAI e outras. Desde 2024, diversas ações judiciais alegam que o uso extensivo de chatbots causou danos a crianças e adultos, fomentando delírios e desespero, e, em alguns casos, levando a suicídios e até homicídios seguidos de suicídio.

Em novembro, sete queixas foram apresentadas contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o chatbot de atuar como um “coach de suicídio”. A startup Character.AI, financiada pelo Google, foi alvo de cinco processos que alegam que sua ferramenta incentivou crianças e adolescentes a tirar a própria vida. A Character.AI e o Google firmaram acordo em janeiro, sem admissão de culpa.

O processo da família Gavalas sustenta que o caso não é único. “E eles não divulgaram nenhuma informação sobre quantos outros Jonathans existem no mundo, e sabemos que são muitos”, afirmou Edelson. “Este não é um caso isolado.”

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Energia Eletrica 1024x576

Data centers de IA podem operar com menos energia, diz estudo

Uma das coisas mais incômodas no mundo da tecnologia atual é a questão que envolve o consumo de recursos ambientais por data centers de inteligência artificial (IA). O caso em torno do alto uso de água e energia, por exemplo, preocupa, pois afeta o meio ambiente e ameaça muitas comunidades.

Isso porque as redes de energia elétrica dos Estados Unidos e Europa, por exemplo, experimentam grandes demandas de energia solicitada por esses centros de dados, que registram alto consumo.

Mas um estudo do Reino Unido indica que as coisas podem ser bem diferentes — e sem perder eficiência no processamento de dados. Um teste que envolveu a Nvidia aponta que esses centros podem ajustar rapidamente sua demanda se necessário.

Em Londres (Inglaterra), os operadores reduziram o consumo em cerca de um terço em cerca de um minuto após receberem um sinal da rede. E um detalhe chama a atenção: não houve interrupção da carga de trabalho.

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Teste mostra que data centers de IA podem consumir menos

  • No teste em tempo real, um data center de IA reduziu sua demanda em 10% por dez horas;
  • Além disso, ele mostrou que cargas de trabalho da tecnologia podem ser ajustadas para cima ou para baixo quase que em tempo real;
  • Isso significa que os data centers podem não precisar, necessariamente, de fornecimento de energia estável;
  • Ao invés de terem cargas rígidas e sempre ligadas, os centros de dados poderiam seguir a demanda da rede, ou seja, as condições do sistema elétrico, podendo diminuir sua carga em período de sobrecarga ou absorvendo o excedente de energia renovável.

Dessa forma, a rede receberia um alívio, reduzindo a quantidade de reforço para abastecer os data centers de IA.

Data centers poderiam operar com menos energia e sem perder poder computacional (Imagem: Thomas Berberich/iStock)

Caso as operadoras de energia elétrica aceitassem limitar o consumo nos momentos de pico, as redes não precisariam ser projetadas e construídas para atender, continuamente, à demanda máxima teórica. Isso reduziria custos de balanceamento e acelerar os prazos de conexão, destaca a Bloomberg.

“Gostaríamos muito de chegar a um ponto em que possamos conectar clientes à rede em dois anos, e isso faz parte desse objetivo”, afirmou o presidente da National Grid Partners, Steve Smith, que participou do teste ao lado da Nvidia e outras.

Lembrando que a demanda é uma crescente global. No Brasil, por exemplo, já há vários data centers construídos em funcionamento ou prestes a entrar em funcionamento e inúmeros outros que estão no papel, mas que devem sair dele muito em breve.

Com isso, reduzir a carga usada pelas instalações em certos momentos seria uma alternativa para resolver a questão energética. Mas convencer as operadoras a modular a carga pode ser algo difícil.

O fundador e diretor executivo da Emerald AI, Varun Sivaram, disse à reportagem que, para empresas que correm para garantir o “tempo de resposta à demanda”, a flexibilidade pode ser um preço aceitável para acesso mais rápido à rede.

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Dario Amodei CEO 1024x576

OpenAI: Sam Altman anuncia acordo com Pentágono após “expulsão” da Anthropic

Na madrugada deste sábado (28), o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo entre a empresa e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para uso de sua inteligência artificial (IA).

O anúncio foi feito no X e acontece horas depois de o presidente Donald Trump ter ordenado a quebra de contrato com a Anthropic, rival da OpenAI.

“Esta noite, chegamos a um acordo com o Departamento de Guerra para implantar nossos modelos em sua rede classificada”, escreveu. “Em todas as nossas interações, o DoW [sigla em inglês para Departamento de Guerra] demonstrou profundo respeito pela segurança e um desejo de colaborar para alcançar o melhor resultado possível.”

Quebra de braço entre Anthropic e Pentágono resulta em vitória da OpenAI

  • O acordo anunciado por Altman é mais um capítulo na queda de braço entre o governo Trump e a Anthropic, desenvolvedora do Claude;
  • Enquanto o Pentágono exigia que a startup liberasse sua IA para usos militares legais, o CEO da companhia, Dario Amodei, adotou tom que contrariava os desejos dos EUA;
  • Amodei e sua empresa queriam garantias de que seus modelos de IA não seriam utilizados em armas totalmente autônomas ou para vigilância em massa dos cidadãos estadunidenses;
  • Por conta da inflexibilidade da Anthropic, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que a startup passou a ser considerada um risco à segurança nacional em sua cadeia de suprimentos;
  • Isso é comum com adversários estrangeiros e poderá forçar os fornecedores do Departamento a garantir que não estão usando os modelos da empresa de Amodei.

A fala do secretário veio de encontro a uma postagem de Trump, afirmando que ordenou que todos os setores do governo parem de usar a tecnologia da startup imediatamente. Apenas o Pentágono terá seis meses para remover a tecnologia de seus equipamentos militares.

Agora, com o acordo da OpenAI com o governo dos EUA, chega ao fim uma semana tumultuada para o setor, que se viu no centro de um debate político sobre quais os limites para uso da IA.

A Anthropic foi a primeira empresa a implantar seus modelos na rede classificada do Departamento de Defesa. Nos últimos tempos, a startup negociava os termos de seu contrato em curso, até que as conversas foram encerradas.

Amodei e sua empresa “bateram o pé” e perderam o contrato com a administração Trump (Imagem: El editorial/Shutterstock)

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Onde a empresa de Altman se encaixa agora?

Segundo a CNBC, na quinta-feira (26), Altman enviou um memorando a seus funcionários no qual dizia que a OpenAI compartilhava as mesmas “linhas vermelhas” que a Anthropic. Já na publicação deste sábado (28), ele disse que os militares aceitaram seus termos restritivos.

“Dois de nossos principais princípios de segurança são proibições de uso para vigilância doméstica em massa e responsabilidade humana para uso da força, incluindo para sistemas de armas autônomas”, explicou. “O DoW concordou com esses princípios, os reflete em suas leis e políticas e entramos em acordo”, prosseguiu.

Conforme a CNBC, ainda não se sabe o motivo pelo qual o governo aceitou as exigências da OpenAI e não as da Anthropic, ao passo em que membros importantes da gestão Trump vinham, há meses, criticando a companhia de Amodei por estar, supostamente, preocupada em excesso com a segurança em torno da IA.

Altman ainda disse que sua empresa criará “salvaguardas técnicas para garantir que seus modelos se comportem como eles devem se comportar”, além de que a startup irá realocar alguns funcionários para “ajudar com nossos modelos e garantir sua segurança”.

“Pedimos ao DoW que ofereça esses mesmos termos a todas as empresas de IA […] entendemos que cada uma delas deve estar disposta a aceitar. Temos expressado nosso profundo desejo de ver as coisas se acalmarem no que tange às ações legais e governamentais e em direção a acordos razoáveis”, finalizou.

Por sua vez, a Anthropic chegou a soltar um comunicado na sexta-feira (27), no qual se disse “profundamente triste” pela decisão do Pentágono de colocar a empresa na lista negra da cadeia de suprimentos. Ela também afirmou que pretende recorrer à Justiça para demover a instituição da decisão.

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Trump E1768308396521 1024x577

Trump ordena que governo pare de utilizar tecnologia da Anthropic

Nesta sexta-feira (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que está ordenando que todas as instituições federais parem de utilizar a tecnologia da Anthropic.

O anúncio vem após a recente disputa entre Pentágono e a empresa de Dario Amodei acerca do uso da inteligência artificial (IA) militarmente e cerca de uma hora antes do deadline dado pelo governo à Anthropic para permitir o uso da tecnologia para usos militares ou, do contrário, encarar as consequências.

Trump disse que a maioria das agências federais deve parar de usar a tecnologia imediatamente, enquanto o Pentágono terá seis meses para isso, pois a IA da empresa está embarcada em plataformas militares.

Em sua rede social, a Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que “não precisamos, não queremos e não faremos mais negócios com eles!”

Por enquanto, a Anthropic não se manifestou a respeito da determinação.

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Anthropic não quer militarização de sua tecnologia

A Anthropic resiste a flexibilizar suas regras e afirma que não permitirá a aplicação da tecnologia em armas totalmente autônomas nem em vigilância doméstica em massa.

Segundo relatos divulgados pela Associated Press (AP) e por veículos, como o The Wall Street Journal, o governo deu prazo até esta sexta-feira (27) para que a empresa aceitasse os termos propostos pelo Pentágono.

Caso contrário, Hegseth ameaçou classificar a Anthropic como “risco da cadeia de suprimentos” — medida que poderia excluí-la de contratos governamentais — ou acionar a Lei de Produção de Defesa (DPA, na sigla em inglês), instrumento da era da Guerra Fria que concede ao presidente poderes emergenciais para intervir na economia em nome da segurança nacional.

Em declaração nesta quinta-feira (26), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a empresa “não pode, em sã consciência”, permitir que o Departamento de Defesa utilize seus modelos “em todos os casos de uso lícito, sem limitação”. Ele acrescentou que as ameaças da pasta “não mudam nosso posicionamento”.

“É prerrogativa do Departamento selecionar contratantes mais alinhados com sua visão”, escreveu Amodei. “Mas, dado o valor substancial que a tecnologia da Anthropic provê para nossas forças armadas, esperamos que eles reconsiderem.” O executivo afirmou ainda: “Nossa grande preferência é em continuar a servir o Departamento e nossos soldados — com nossas duas medidas de segurança implementadas.”

  • A Anthropic sustenta que não pode flexibilizar as restrições contra o uso de sua tecnologia em armas totalmente autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica em massa;
  • Ainda no comunicado, Amodei declarou que, “em conjunto restrito de casos, acreditamos que a IA pode minar, em vez de defender, os valores democráticos”;
  • Ele acrescentou que certos usos “também estão fora do alcance do que a tecnologia atual pode fazer com segurança e confiabilidade”, citando especificamente armamentos autônomos e vigilância em massa;
  • O Pentágono, por sua vez, afirmou que não tem interesse em utilizar os modelos da Anthropic para armas totalmente autônomas ou para vigilância em massa de estadunidenses — prática que, segundo o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, é ilegal;
  • Ainda assim, a pasta exige que o contrato permita o uso da tecnologia para “todos os fins lícitos”.
Trump adotou forte tom em publicação no Truth Social (Imagem: Joshua Sukoff/Shutterstock)

Pentágono ataca empresa e Amodei

O Pentágono ameaçou classificar a empresa como um risco à cadeia de suprimentos — o que a impediria de fechar contratos com o governo — ou forçá-la a disponibilizar seu modelo de ponta sem restrições com base na Lei de Produção de Defesa (DPA, na sigla em inglês).

O confronto ganhou contornos pessoais quando Emil Michael, alto funcionário do Pentágono responsável por supervisionar a área de IA, atacou diretamente o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei. Após a declaração de Amodei, Michael publicou críticas no X.

“É uma pena que @DarioAmodei seja um mentiroso e tenha um complexo de Deus”, escreveu ele na noite de quinta-feira (26). “Ele não quer nada além de tentar controlar pessoalmente as Forças Armadas dos EUA e está disposto a colocar a segurança da nossa nação em risco. O @DeptofWar SEMPRE cumprirá a lei, mas não se dobrará aos caprichos de qualquer empresa de tecnologia com fins lucrativos.”

Autoridades do Departamento de Estado recorreram às redes sociais para reforçar a posição do Pentágono e criticar a Anthropic, enquanto senadores democratas saíram em defesa da empresa. O senador Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado, publicou um vídeo na quinta-feira (26) afirmando que empresas precisam fazer concessões ao governo, mas indicou considerar legítimas as preocupações da Anthropic em relação à vigilância e drones autônomos.

Warner argumentou que a empresa estava sendo ameaçada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, por priorizar a segurança. “Ele está ameaçando-os, literalmente até amanhã [sexta-feira], que se eles não abrirem mão de todos os controles de segurança e outras coisas, qualquer um que faça negócios com eles será banido”, declarou o senador.

O Pentágono exige que todos os seus contratados sigam um padrão único: o de que as Forças Armadas possam utilizar os produtos adquiridos como desejarem, desde que em conformidade com a lei. Ao mesmo tempo, autoridades militares têm adotado um tom combativo contra empresas de tecnologia.

Uma carta publicada na quinta-feira (26) foi assinada por quase 50 funcionários da OpenAI e 175 do Google. O documento criticou as táticas de negociação do Pentágono e pediu que as lideranças “coloquem de lado suas diferenças e permaneçam unidas para continuar a recusar as atuais exigências do Departamento de Guerra”. “Eles estão tentando dividir cada empresa com o medo de que a outra ceda”, afirma a carta.

O Pentágono declarou na quinta-feira (26) que não tem interesse em utilizar o Claude for Government — modelo da Anthropic que opera em sistemas classificados — para vigilância doméstica ou para drones autônomos. Amodei, contudo, afirmou que essa alegação era enfraquecida pela linguagem jurídica presente no contrato.

“Em um conjunto restrito de casos, acreditamos que a IA pode minar, em vez de defender, valores democráticos”, escreveu ele. “Alguns usos também estão simplesmente fora dos limites do que a tecnologia atual pode fazer com segurança e confiabilidade.”

O Pentágono afirma estar preparado para avançar com o Grok, da xAI, empresa de Elon Musk. No entanto, segundo autoridades atuais e ex-integrantes do governo, o produto é considerado inferior. Além disso, a troca de software de IA exigiria tempo e provavelmente causaria interrupções significativas.

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Claude 1024x682

Anthropic “bate o pé” e impede uso militar do Claude pelos EUA

O embate entre o governo do presidente estadunidense Donald Trump e a startup de inteligência artificial (IA) Anthropic se intensificou nos últimos dias, após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, dar um ultimato à empresa para liberar seu modelo de IA, o chatbot Claude, para uso militar irrestrito.

A companhia resiste a flexibilizar suas regras e afirma que não permitirá a aplicação da tecnologia em armas totalmente autônomas nem em vigilância doméstica em massa.

Segundo relatos divulgados pela Associated Press (AP) e por veículos, como o The Wall Street Journal, o governo deu prazo até esta sexta-feira (27) para que a empresa aceitasse os termos propostos pelo Pentágono.

Caso contrário, Hegseth ameaçou classificar a Anthropic como “risco da cadeia de suprimentos” — medida que poderia excluí-la de contratos governamentais — ou acionar a Lei de Produção de Defesa (DPA, na sigla em inglês), instrumento da era da Guerra Fria que concede ao presidente poderes emergenciais para intervir na economia em nome da segurança nacional.

Em declaração nesta quinta-feira (26), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a empresa “não pode, em sã consciência”, permitir que o Departamento de Defesa utilize seus modelos “em todos os casos de uso lícito, sem limitação”. Ele acrescentou que as ameaças da pasta “não mudam nosso posicionamento”.

“É prerrogativa do Departamento selecionar contratantes mais alinhados com sua visão”, escreveu Amodei. “Mas, dado o valor substancial que a tecnologia da Anthropic provê para nossas forças armadas, esperamos que eles reconsiderem.” O executivo afirmou ainda: “Nossa grande preferência é em continuar a servir o Departamento e nossos soldados — com nossas duas medidas de segurança implementadas.”

Caso o Pentágono opte por retirar a empresa de seus contratos, acrescentou, a Anthropic trabalhará para garantir uma transição suave para outro fornecedor, “evitando qualquer anomalia nos planos e operações militares ou outras missões críticas”.

Linhas vermelhas: armas autônomas e vigilância em massa

  • A Anthropic sustenta que não pode flexibilizar as restrições contra o uso de sua tecnologia em armas totalmente autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica em massa;
  • Ainda no comunicado, Amodei declarou que, “em conjunto restrito de casos, acreditamos que a IA pode minar, em vez de defender, os valores democráticos”;
  • Ele acrescentou que certos usos “também estão fora do alcance do que a tecnologia atual pode fazer com segurança e confiabilidade”, citando especificamente armamentos autônomos e vigilância em massa;
  • O Pentágono, por sua vez, afirma que não tem interesse em utilizar os modelos da Anthropic para armas totalmente autônomas ou para vigilância em massa de estadunidenses — prática que, segundo o porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, é ilegal;
  • Ainda assim, a pasta exige que o contrato permita o uso da tecnologia para “todos os fins lícitos”.

“Este é um pedido simples e sensato que impedirá a Anthropic de comprometer operações militares críticas e potencialmente colocar nossos combatentes em risco. Não permitiremos que nenhuma empresa dite as regras de como tomamos decisões operacionais”, escreveu Parnell em publicação no X.

Segundo autoridades ouvidas pela imprensa estadunidense, o Departamento de Defesa enviou à empresa sua “última oferta” na noite de quarta-feira (25), estabelecendo o prazo final de 15h01 (horário local) de sexta-feira (27) para que a Anthropic aceitasse os termos.

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Anthropic: uso do Claude em operação na Venezuela

De acordo com o Journal, os militares dos Estados Unidos utilizaram o Claude na operação na Venezuela que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Nem a Anthropic nem o Departamento de Defesa comentaram oficialmente o caso e não está claro como o sistema foi empregado.

A empresa proíbe o uso de sua IA para fins de violência. Em ensaio publicado no mês passado, Amodei alertou para os riscos de uma IA poderosa aplicada à vigilância: “Uma IA poderosa analisando bilhões de conversas de milhões de pessoas poderia medir o sentimento público, detectar focos de deslealdade em formação e eliminá-los antes que cresçam.”

Claude teria sido utilizado pelo governo estadunidense em operação militar na Venezuela (Imagem: Ascannio/Shutterstock)

Pressão e possíveis sanções

Caso seja classificada como “risco da cadeia de suprimentos”, a Anthropic poderia sofrer amplas restrições de importação, ser impedida de participar de licitações e ser excluída de setores considerados vitais à segurança nacional.

Já a DPA permitiria ao governo obrigar a empresa a disponibilizar sua tecnologia ao Pentágono, sob pena de multas, sanções criminais, perda de contratos, apreensão de bens ou até intervenção federal direta. Em contrapartida, empresas sob a DPA recebem proteção antitruste e acesso prioritário a suprimentos.

“Se eles não colaborarem, [Hegseth] garantirá que a Lei de Produção de Defesa seja aplicada à Anthropic, obrigando-a a ser usada pelo Pentágono independentemente de querer ou não”, disse um alto funcionário do Departamento de Defesa ao Financial Times.

O Pentágono já iniciou movimentações que indicam possível preparação para um rompimento. De acordo com reportagens, o Departamento de Defesa começou a contatar grandes contratadas do setor, como Boeing e Lockheed Martin, para avaliar sua exposição aos produtos da Anthropic.

Contratos bilionários e concorrência

Em julho de 2025, o Departamento de Defesa concedeu à Anthropic, Google, OpenAI e xAI um contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) para desenvolver “capacidades de IA avançada que melhorem a segurança nacional dos EUA”. A empresa foi a primeira a integrar seus modelos em fluxos de missão em redes classificadas, onde atua com parceiros, como a Palantir.

Segundo analistas, rivais da Anthropic, como Meta, Google e xAI, aceitaram permitir o uso de seus modelos para todas as aplicações legais do departamento, o que limita o poder de barganha da Anthropic.

Debate ético e intervenção governamental na Anthropic

Fundada em 2021 por ex-funcionários da OpenAI, a Anthropic se apresenta como uma empresa focada em segurança. Amodei já escreveu que a companhia foi criada “com um princípio simples: a IA deve ser uma força para o progresso humano, não para o perigo”.

Em ensaio recente, afirmou que “estamos consideravelmente mais próximos de um perigo real em 2026 do que estávamos em 2023”, defendendo que os riscos sejam administrados de forma “realista e pragmática”.

Especialistas avaliam que a ameaça de usar a Lei de Produção de Defesa contra uma empresa de IA seria sem precedentes. Geoffrey Gertz, do think tank Center for a New American Security, disse estar preocupado com o impacto sobre o desenvolvimento da empresa.

“Há grande preocupação de que o governo tome ações que prejudiquem a capacidade da Anthropic de continuar na vanguarda da IA responsável. Ações que tentem restringir os mercados potenciais da Anthropic podem ser muito prejudiciais e acabar tendo o efeito contrário ao que o governo quer com sua política de IA”, afirmou.

Para Amos Toh, do Brennan Center da Universidade de Nova York (EUA), a rápida adoção de IA pelo Pentágono evidencia a necessidade de maior supervisão legislativa. “A lei não acompanha a velocidade da evolução tecnológica. Mas isso não significa que o Departamento de Defesa tenha carta branca”, escreveu.

O caso expõe não apenas o debate sobre os limites éticos da IA em contextos militares e de vigilância, mas, também, a disposição do governo Trump de intervir diretamente em decisões corporativas em setores considerados estratégicos.

Enquanto o prazo imposto pelo Pentágono se aproxima, a Anthropic mantém sua posição de que não abrirá mão das salvaguardas que considera essenciais para o uso responsável de sua tecnologia.

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