Brasil e Argentina disputariam a final da Copa do Mundo de 2030 em uma situação improvável. Uma simulação projetou como seria o torneio caso as seleções filiadas à Uefa ficassem fora das competições da Fifa.
Segundo o The Sun, a projeção considera um eventual boicote das 55 federações europeias e mostra como o chaveamento mudaria sem a presença das equipes do continente.
Na projeção, o Brasil eliminaria Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de disputar a decisão. – Imagem: Andre Nery/Shutterstock
Brasil teria sequência de vitórias até a decisão
Produzida pela plataforma CasinoHawks, a projeção parte da hipótese de que as federações da Uefa deixariam de disputar os torneios organizados pela Fifa. O movimento seria uma reação ao projeto da entidade de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais das competições e vender parte dela a investidores privados.
Na campanha simulada, o Brasil passaria por Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de chegar à decisão. A Argentina também avançaria sem derrotas, eliminando Costa do Marfim, México, Marrocos e Uruguai. A projeção não informa os placares, apenas os vencedores de cada confronto.
O caminho da seleção brasileira seria:
16-avos de final: vitória sobre a Coreia do Sul;
Oitavas de final: classificação contra a Colômbia;
Quartas de final: eliminação do Japão;
Semifinal: vitória sobre a Nigéria;
Final: derrota para a Argentina.
Nigéria apareceria como a principal surpresa
Entre os resultados mais curiosos está a campanha da Nigéria. Liderada por Victor Osimhen, a seleção eliminaria Arábia Saudita, Canadá e Argélia antes de perder para o Brasil na semifinal.
Caso esse cenário se confirmasse, seria a primeira vez que o país chegaria entre os quatro melhores de uma Copa do Mundo. Até hoje, apenas uma seleção africana alcançou essa fase: Marrocos, em 2022. Na projeção, os marroquinos passariam por República Democrática do Congo e Estados Unidos antes de serem eliminados pela Argentina nas quartas de final.
A simulação reacende o debate sobre o impacto que um eventual boicote europeu teria na Copa de 2030. – Imagem: Anton Vierietin/Shutterstock
Ausência dos europeus abriria espaço para estreantes
Sem as seleções da Uefa, diversas equipes fariam sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Entre elas aparecem Guatemala, Vietnã, Zâmbia, Bahrein, Uganda, Burkina Faso, Benin, Tailândia, Omã, Palestina, Guiné, Tajiquistão, Síria, Moçambique, Gabão, Madagascar e Guiné Equatorial. Venezuela e Mali também estreariam e avançariam ao mata-mata.
Apesar da repercussão da projeção, esse cenário continua sendo apenas uma hipótese. O boicote das federações europeias não foi colocado em prática e ainda depende do avanço da proposta da Fifa. A Uefa, a Confederação Asiática e a Concacaf estão entre as entidades que se posicionaram contra o projeto de comercialização dos direitos dos torneios.
Acertar o campeão de uma Copa do Mundo nunca foi tarefa simples. Mesmo assim, antes de a bola rolar em 2026, o supercomputador da Opta acertou as quatro seleções que acabariam nas semifinais.
O resultado nasceu de milhares de simulações matemáticas alimentadas por um enorme volume de dados. Nada de bola de cristal: só estatística e poder de processamento.
Cada passe, finalização e desarme pode entrar na conta dos supercomputadores que fazem previsões para o futebol. – Imagem: Anton Vierietin/Shutterstock
O que está por trás das previsões
A ideia de tentar antecipar o resultado de uma partida existe há séculos. A diferença é que, hoje, praticamente tudo o que acontece em campo vira dado. Cada passe, finalização, desarme ou assistência pode entrar na conta.
É aí que entram os supercomputadores. Em vez de apostar na intuição, eles analisam milhões de informações e cruzam estatísticas sobre equipes e jogadores. No caso da Opta, o sistema combina inteligência artificial, modelos estatísticos e um amplo banco de dados para simular o torneio milhares de vezes e calcular as probabilidades de cada seleção.
Entre os fatores avaliados estão:
Desempenho recente das equipes;
Histórico de confrontos entre os adversários;
Estatísticas individuais dos jogadores;
Lesões, suspensões e outros fatores que podem influenciar cada partida.
Essas máquinas nasceram longe do futebol. O CDC 6600, lançado em 1964 e considerado por muitos o primeiro supercomputador, foi desenvolvido para aplicações científicas, como simulações nucleares, previsões meteorológicas e pesquisas aeroespaciais. Só décadas depois esse tipo de processamento passou a ser usado também no esporte.
O sistema da Opta combina inteligência artificial, estatísticas e um enorme banco de dados para projetar cenários. Imagem: NicoElNino/Shutterstock
Por que um PC comum não consegue fazer o mesmo?
Antes do Mundial de 2026, a Opta simulou a competição 25 mil vezes. A Espanha aparecia com a maior probabilidade de conquistar o título, à frente de França, Inglaterra e Argentina.
As projeções mudavam conforme a Copa avançava. Cada rodada acrescentava novos dados ao modelo, que recalculava as probabilidades considerando apenas os cenários ainda possíveis. Depois das quartas de final, a França assumiu a liderança nas estimativas.
Na prática, um computador doméstico conseguiria executar parte desses cálculos. O problema é o tempo necessário e a quantidade de memória exigida. Já um supercomputador divide bilhões de operações matemáticas entre milhares de processadores funcionando em paralelo.
A Opta não divulga as características da máquina que utiliza. Como comparação, o El Capitan reúne mais de 11 mil unidades de processamento, cerca de 1,1 milhão de núcleos de CPU e 46 mil GPUs.
Mesmo com toda a tecnologia, um gol improvável ainda pode mudar completamente o rumo de uma partida. – Imagem: Rost-9D/iStock
O futebol continua desafiando os cálculos
O desempenho da Opta impressionou, mas as previsões trabalham apenas com probabilidades. Elas indicam o cenário mais provável, nunca um resultado garantido.
A própria história do futebol mostra isso. O Fluminense escapou do rebaixamento em 2009 depois de uma arrancada improvável, enquanto o Palmeiras conquistou o Brasileirão de 2023 mesmo quando aparecia atrás nas projeções estatísticas.
Os modelos matemáticos tendem a ficar cada vez mais precisos, mas sempre haverá espaço para uma virada inesperada, um gol improvável ou uma atuação fora do comum. No fim das contas, a decisão continua acontecendo dentro das quatro linhas.
A Copa do Mundo de 2026 está sendo marcada não apenas pelo número recorde de seleções participantes, mas também por uma mudança na forma como as equipes se preparam para as partidas. Pela primeira vez, todas as 48 seleções que disputaram o torneio passaram a utilizar o FIFA AI Pro, ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida pela Lenovo em parceria com a FIFA para oferecer análises táticas avançadas a todas as delegações.
Segundo as organizações, o sistema reúne e analisa milhões de pontos de dados e mais de duas mil métricas para gerar relatórios, gráficos, animações e outros recursos que auxiliam técnicos e comissões técnicas na preparação para os jogos.
Ferramenta de IA busca democratizar a análise de desempenho
De acordo com a Lenovo, o FIFA AI Pro foi criado para ampliar o acesso à análise de dados de alto nível, recurso que até então era restrito, principalmente, às federações com maior capacidade financeira;
A ferramenta foi desenvolvida sobre a plataforma de agentes xIQ da Lenovo e utiliza a infraestrutura Lenovo AI Factory;
Classificado pela empresa como um Knowledge Super Agent (Superagente de Conhecimento), o sistema coordena múltiplos agentes de IA capazes de examinar milhões de informações, analisar mais de dois mil indicadores e produzir insights em poucos minutos;
Segundo a Lenovo, o objetivo é permitir que seleções estreantes ou com menor orçamento tenham acesso ao mesmo nível de preparação tática disponível para as principais potências do futebol mundial.
IA acompanha campanhas surpreendentes no Mundial
A utilização do FIFA AI Pro ocorre em uma edição da Copa do Mundo marcada por resultados considerados surpreendentes.
Entre eles, Cabo Verde encerrou sua participação invicta no tempo regulamentar. A seleção empatou com a Espanha na estreia e foi eliminada apenas na prorrogação diante da Argentina, nas oitavas de final.
Outra estreante, Curaçao, empatou com o Equador. A República Democrática do Congo conquistou empates diante de Colômbia e Portugal, enquanto Gana segurou a Inglaterra em igualdade no placar.
Já a tetracampeã Alemanha acabou eliminada da competição após perder para o Paraguai.
Segundo a Lenovo, embora esses resultados sejam consequência de diversos fatores, todas as seleções tiveram acesso à mesma plataforma de análise durante o torneio.
Segundo a Lenovo, embora esses resultados sejam consequência de diversos fatores, todas as seleções tiveram acesso à mesma plataforma de análise durante o torneio – Imagem: Divulgação/Lenovo
Sistema automatiza análise de dados e vídeos
Para Arsène Wenger, diretor de Desenvolvimento Global do Futebol da FIFA, a adoção do FIFA AI Pro representa uma mudança na forma como técnicos e analistas trabalham antes das partidas.
“O sucesso do FIFA AI Pro na Copa do Mundo de 2026 marca o início de uma nova era na preparação e análise de partidas. Ao automatizar a busca, organização e interpretação de volumes massivos de dados e conteúdos de vídeo, os especialistas de futebol agora podem gastar menos tempo procurando informações ou editando vídeos manualmente, dedicando-se ao que realmente importa: insights de desempenho, tomadas de decisão táticas e suporte para que as equipes conquistem uma vantagem competitiva”, afirmou.
Segundo a Lenovo, a plataforma foi desenvolvida em colaboração com analistas de futebol e utiliza a chamada Linguagem de Futebol da FIFA (FIFA’s Football Language), um modelo criado para compreender termos, conceitos e relações específicas do esporte.
A empresa afirma que o sistema é capaz de compreender sinônimos, consultas em diferentes idiomas e conceitos hierárquicos relacionados ao futebol.
Além de responder perguntas, a inteligência artificial realiza cálculos em tempo real, interpreta múltiplas métricas simultaneamente e utiliza raciocínio contextual para fornecer análises mais detalhadas, alternando entre modos de processamento rápido e aprofundado conforme a necessidade.
Respostas incluem vídeos e recriações em 3D
Segundo a Lenovo, o FIFA AI Pro vai além da geração de respostas em texto.
A plataforma entrega análises contextualizadas acompanhadas de recursos visuais, como gráficos, widgets voltados ao futebol, trechos das transmissões oficiais da Copa do Mundo e recriações tridimensionais das jogadas.
Esses materiais permitem visualizar cada lance sob diferentes ângulos e posições do campo, oferecendo mais elementos para a análise técnica.
Lenovo diz que tecnologia nivelou a preparação das equipes
Para Ken Wong, vice-presidente executivo e presidente do Solutions & Services Group (SSG) da Lenovo, o FIFA AI Pro representa a aplicação prática da estratégia da empresa para ampliar o acesso à IA.
“Na Lenovo, estamos comprometidos com nossa visão de ‘Smarter AI for All’, e o FIFA AI Pro é a personificação disso. Estamos fornecendo os mesmos recursos de ponta e ferramentas analíticas para todas as equipes que competiram nesta Copa do Mundo. Isso ajudou a nivelar o campo de jogo neste torneio histórico, em que vimos os desafiantes competirem de igual para igual com os favoritos tradicionais no maior palco do mundo.”
Eficiência impulsionada por inteligência artificial (IA), design focado em engajamento e marketing orientado por dados. Esses foram os pilares da estratégia por trás da viralização da “Brasil com S”. Deu tão certo que, hoje em dia, você talvez conheça esse som como “a música da Copa”. É aquela que inunda feeds de redes sociais – Instagram e TikTok, principalmente – em dias de jogo da Seleção Brasileira.
Quem revelou essa estratégia ao Olhar Digital foi o publicitário Guilherme Maia, de 31 anos. Sob o nome artístico “M4IA”, ele também é produtor musical. Foi ele quem produziu a música e o clipe dela. Também foi ele quem montou o plano para o som tomar conta da internet – isso pouco antes da Copa, tá?
Como IA, design e marketing convergiram na produção (e viralização) de ‘Brasil com S’
Tudo aconteceu no dia 19 de março. “A Seleção ia jogar contra a França [num amistoso] e existiam algumas trends de música de IA. Tinha uma música francesa que amedrontava brasileiros. A composição chamava os jogadores. Eu fiquei muito incomodado com isso”, contou o Maia.
Pensei: ‘não é possível que a gente vai ficar com medo da França por conta da música’.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Uso da IA na produção
Maia contou à reportagem que, após decidir fazer a música, escolheu usar IA para otimizar o tempo de produção. “Eu sou produtor musical há mais de 15 anos. Decidi usar a IA pra me ajudar a fazer algo rápido porque eu queria lançar essa música antes do jogo”, disse.
“Faltava mais ou menos uma semana do jogo”, relembra o publicitário. “Eu precisava fazer uma música inteira, fazer um vídeo de divulgação, pensar na estratégia de marketing por trás. E a IA me ajudou a conceber isso de forma muito rápida.”
Demorei por volta de duas a três horas para fazer a música e o vídeo. Eu já trabalho com isso, então foi algo bem rápido.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Qual IA o produtor usou? Três plataformas – duas voltadas para “uso geral” e uma para produção musical. “Eu usei o Claude [IA da Anthropic] para varrer a internet em busca de quais eram os maiores hits virais do YouTube. Essa pesquisa densa me levou ao [gênero] phonk”, contou Maia.
Guilherme Maia, publicitário de 31 anos, produziu a “música da Copa” usando bastante IA – Imagem: Reprodução
O que veio a seguir: colocar a IA do Google para trabalhar. “Usei o Gemini porque essa plataforma é muito boa em ‘assistir’ um vídeo e identificar padrões e estruturas. Usei ela para entender as referências de vídeo que eu tinha separado. Com as minhas intervenções e prompts, cheguei na estrutura do call and response e da métrica de 52 segundos”, disse o publicitário.
A IA do Google atuou em outra parte do processo. “Usei o Gemini também para montar a base e a estrutura dos prompts para eu colocar no Suno”. Para quem não sabe: Suno é uma plataforma de IA generativa focada na criação de músicas a partir de comandos de texto, combinando melodia, instrumentos e voz. “Tudo que eu peguei de escalação, de prompts, joguei tudo lá no Suno. É onde eu coloquei todas as minhas músicas também.”
O produtor frisou que o Suno não produziu a música que você ouve nos feeds das redes sociais. “Bem que eu queria que fosse só apertar um botão para fazer o hit da copa”, brincou Maia. “Errei mais de 15 vezes.”
No fim, ele pegou pedaços que deram certo nas tentativas que tinham dado errado e as juntou no FL Studio – software profissional de produção musical usado para gravar, editar, compor, misturar e masterizar músicas digitalmente. Essa foi a parte, digamos, manual e tradicional do processo. Foi quando o produtor colocou a mão na massa.
Em suma, o design pensado por Maia para a “Brasil com S” ter bastante chance de viralizar, conforme explicado por ele ao Olhar Digital, foi:
Estrutura: A música foi composta com 52 segundos, pensada para ser curta, altamente replicável e viciante (o que realmente levou a múltiplas reproduções por ouvinte);
Estilo: Adotou o phonk (ritmo popular em edits no TikTok) com percussão e leads marcantes;
Dinâmica: Inspirou-se na estrutura de call and response (chamada e resposta) da música francesa, adaptando-a para a torcida brasileira;
Ganchos: Inseriu propositalmente elementos como a frase “Respeita o manto, o rei voltou”, focada em Neymar, para criar um senso de urgência e patriotismo que conectou o público à música antes mesmo da convocação do jogador.
Assista abaixo ao clipe de uma versão estendida da música:
Plano de marketing e distribuição
Segundo Maia, sua estratégia focou em monitoramento de trends (IA entrou aqui também), vídeos baseados em comentários e tração orgânica. Vamos por partes, então.
Para começar, onde a IA entrou no monitoramento? “Usei muito o Claude para procurar vídeos hypados de outras seleções e [conseguir] fazer vídeos aproveitando comentários para divulgar a minha [música]”, contou o publicitário.
Tracei esse plano para a música pautado numa estratégia na qual eu pegava os comentários mais curtidos de outros vídeos e fazia um vídeo a partir desses comentários.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Em parte por sorte, em parte pela “leitura de jogo” feita por Maia, o sucesso de “Brasil com S” ocorreu de maneira orgânica na internet e, principalmente, nas redes sociais, contou o produtor.
“Internamente, a gente tinha uma estratégia de viralização que não dependia de influenciadores porque o público estava recebendo bem a música”, disse o publicitário. “Lógico que o ‘plus’ da música se daria se os influenciadores começassem a ir atrás. Isso foi muito natural. A gente não precisou ir atrás de ninguém.”
Maia acrescentou: “A música tem esse papel de conectar, de fazer as pessoas comentarem, expressarem as opiniões. E [o artista deve] ouvir da maneira que cada um recebe. Isso é individual. Para mim, como músico, ela estava cumprindo o seu papel.”
No fim, nomes bem famosos, espalhados por diversas áreas, abraçaram trends com a música de Maia envolvida. Entre as celebridades que postaram algo com “Brasil com S” tocando no fundo, estão Virgínia, Neymar e Camila Mendes (atriz americana com raízes brasileiras que está no filme Mestres do Universo – o live-action de He-Man).
Entrevista: os bastidores do hit da Copa ‘Brasil com S’
Além da estratégia de engajamento, a conversa completa com Guilherme Maia detalha desdobramentos comerciais do hit e o debate sobre o uso da IA na arte. O publicitário revela, por exemplo, como o volume de reproduções diárias atraiu o mercado europeu, além do desenvolvimento de fonogramas adaptados para outros 17 países.
O produtor também rebate críticas sobre o uso da IA generativa no ambiente criativo, defendendo o caráter democrático e irreversível dessas plataformas. Além disso, Maia compartilha seus planos de retomar suas apresentações como DJ pelo Brasil.
Quer destrinchar o passo a passo técnico e bastidores desse laboratório digital? O Olhar Digital publicou a versão estendida da conversa com o produtor do hit da Copa.
“É o Brasil! Brasil, Brasil, Brasil”. Você deve ter ouvido esse verso, acompanhado de uma batida forte e marcada, incontáveis vezes ao rolar feeds de redes sociais como Instagram e TikTok. Principalmente em dia de jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
Esse verso é da música “Brasil com S”, produzida por Guilherme Maia (vulgo “M4IA”) e lançada em 19 de março. Como o apelido do produtor musical de 31 anos já sugere, tanto o processo criativo quanto os de produção e divulgação envolveram o uso pesado de inteligência artificial (IA).
O Olhar Digital conversou com Maia, que também é publicitário, sobre como ele usou a tecnologia, quais foram suas referências e o que ele vê no horizonte da sua carreira na música.
‘Brasil com S’: Como a IA ajudou um publicitário a realizar seu sonho na música
Confira abaixo a entrevista completa com Guilherme Maia sobre a “Brasil com S” e outras empreitadas suas no mundo da música (perguntas e respostas foram editadas para facilitar a leitura):
O que te levou a compor a “Brasil com S” e a usar IA para isso?
Eu produzi essa música em 19 de março, quando estava marcado um jogo amistoso entre Brasil e França, após notar que uma canção francesa feita por IA tinha viralizado e intimidava os torcedores brasileiros. Como sou produtor musical há mais de 15 anos, decidi usar a IA para criar uma resposta rápida a poucos dias do jogo. Analisei a estrutura da faixa rival, adotei o formato de call and response (chamada e resposta da multidão) e selecionei o ritmo phonk, muito popular em edits do TikTok. Para aumentar o potencial de viralização, compus a música com 52 segundos de duração. Isso impulsionou a replicação. Dados da gravadora apontam uma média de sete reproduções por pessoa. É um comportamento típico de grandes hits no mercado.
O desenvolvimento técnico exigiu repertório porque a IA precisa de background. Não existe um botão ‘criar hit da Copa’. Eu alimentei um software online de produção musical com mais de cem músicas que eu havia produzido de forma tradicional. Isso forneceu à ferramenta o background da minha sonoridade. Mesmo assim, o sistema falhou em entregar o que eu queria mais de 15 vezes. Então, selecionei os melhores fragmentos entre os resultados gerados pela IA e montei o arranjo e a composição final no meu software de produção. Esse processo de produção da música e do vídeo de divulgação levou entre duas e três horas.
Para o lançamento, adotei uma estratégia de marketing digital baseada nos comentários mais curtidos de outras publicações. A música “estourou” cinco vezes. A primeira ocorreu por meio de vídeos de react. A segunda, com a inserção da música em postagens sobre pacotes de figurinhas nas redes sociais. A terceira, através de uma trend de dança. A quarta, com o retorno de Neymar à Seleção Brasileira. Inclusive, inclui intencionalmente o gancho “Respeita o manto, o rei voltou” três meses antes da Copa, quando ele sequer estava convocado. A quinta veio agora na Copa de 2026, com o compartilhamento orgânico de grandes influenciadores e jogadores, como Virgínia, Lucas Paquetá e o próprio Neymar com a sua família.
Quais plataformas de IA você usou no seu processo criativo e de produção? E qual sua resposta para críticas sobre usar IA em projetos artísticos e criativos?
Combinei diversas plataformas de IA disponíveis on-line. Usei o Claude, por exemplo, para mapear os maiores hits virais no YouTube, o que me direcionou ao estilo phonk. Usei o Gemini para analisar padrões estruturais em vídeos de referência, o que me levou a definir o formato de call and response e a métrica de 52 segundos. Também usei o Gemini para estruturar a base dos prompts que eu enviaria ao Suno, que é uma plataforma voltada para produção musical. Para evitar resultados genéricos no Suno, alimentei o sistema com mais de cem músicas autorais. Isso criou um perfil sonoro personalizado que gerou a identidade autêntica da “Brasil com S”. Por fim, extraí as stems (faixas separadas) e finalizei a produção da música no FL Studio. Já a produção e edição do vídeo viral, que alcançou 2,5 milhões de visualizações no TikTok, foi feita no Adobe Premiere e After Effects. Também sou editor de vídeos há mais de 15 anos.
Após o lançamento, passei a usar a IA, especialmente o Claude, para monitorar vídeos em alta de outras seleções e aplicar estratégias de marketing nos comentários. Esse fluxo ágil me permitiu emplacar três músicas numa única semana, incluindo a “Nunca Serão”, criada após a derrota do Brasil [por 2 a 1 para a França], que também contou com IA na produção visual. Até o videoclipe oficial desenvolvido pela gravadora incorporou a tecnologia. Usamos um modelo humano apenas para a coreografia e substituímos as pessoas digitalmente por meio de IA. Considerei que um clipe com pessoas reais seria incoerente com a proposta de uma música digital produzida com bastante uso de IA.
Inclusive, decidi assumir e defender publicamente o uso da IA para combater o tabu no mercado musical, no qual muitos profissionais já usam a ferramenta, mas omitem isso por receio de retaliação. A tecnologia é uma realidade irreversível em diversos setores e funciona como ferramenta democrática. Ela inaugura uma forma de compor e fazer arte. Embora haja quem diga que a IA desmerece o trabalho artístico, ela foi o que me abriu portas para oportunidades de trabalho e collabs com grandes nomes da cena. A ferramenta não diminui minha experiência profissional. Sem conhecimento técnico e repertório de quem a usa, não sai nada que presta.
Como foi para você ver sua música “estourar” dessa forma? O que você pensou, o que você sentiu?
Desde o lançamento nas plataformas digitais, a forte comoção pública gerou debates intensos sobre o ritmo e a escalação dos jogadores. Atingir a média de 50 mil a 100 mil reproduções diárias cumpriu meu objetivo inicial de viralização. Esse desempenho atraiu a Spinnin Records, grande gravadora holandesa, que entrou em contato pelo meu Instagram. O avanço nas negociações, respaldado por bons contatos, resultou na minha assinatura com a Spinnin e também com a Warner Music da Holanda. Esse marco realizou um sonho de adolescência, após anos de rejeições. E provou o valor de uma faixa 100% digital que, embora produzida com IA, dependeu inteiramente do meu background em marketing e produção musical para funcionar.
A estratégia de disseminação foi orgânica e baseada na resposta direta da comunidade. Nem precisou de investimento em grandes criadores de conteúdo. A música explodiu e se reinventou semanalmente em diversas trends nas redes sociais. Atualmente, mantemos três versões da “Brasil com S” online: a original, uma estendida e uma com os atletas atualizados. Mas o público parece gostar mais da primeira opção, mesmo com a escalação desatualizada. Esse engajamento espontâneo escalou até alcançar o topo da pirâmide de influência: o DJ Pedro Sampaio e a influenciadora Virgínia fizeram postagens com a música, Neymar postou um vídeo dançando com a filha Mavi ao som da minha música e até mesmo atores de Hollywood, do elenco do novo filme do He-Man, aderiram à trend brasileira com o meu som.
Eu produzi um fonograma adaptado para 17 países. Desse total, a faixa “estourou” em seis ou sete mercados estrangeiros, por exemplo: Portugal, Argentina, Colômbia e Turquia. Esses países adotaram a minha base musical em suas redes sociais. Consolidar esse projeto como “A Música da Copa de 2026 do Brasil” transformou o que antes era um hobby não remunerado numa guinada na minha carreira. Esse sucesso abriu portas para collabs com grandes artistas da cena. E viabilizou o meu retorno a apresentações como DJ pelo país, agora com o suporte de uma equipe de gestão de carreira.
Guilherme Maia é o produtor musical por trás do hit “Brasil com S” – Imagem: Reprodução/Redes sociais
O que você vislumbra no horizonte da sua carreira?
Além de voltar a me apresentar pelo Brasil, estou fechando parceria com muitas outras pessoas da música que gostaram dos meus sons. Eu já lancei 17 músicas pela Spinnin’ Records. E tem mais um monte que vai vir. Vou fazer collabs com gente muito grande do mercado a partir de agora. A IA me ajudou a retomar um sonho antigo, de adolescente, que era ter uma música relevante, que toca as pessoas, voltar a essa carreira de DJ, de produtor musical, que antes era somente um hobby. Então, a IA me ajudou a realizar o meu sonho, que era viver disso.
De maneira muito tranquila, agora posso falar que eu vou seguir carreira, vou conseguir estar em mais lugares, levar meus novos trabalhos para mais pessoas. E é só o começo. É o começo de uma trajetória nova, na qual vou levantar junto essa bandeira da IA. Não como forma de penalizar quem não usa. Mas no sentido de: se em algum momento existir alguma dúvida, algum bloqueio, se eu conseguir ajudar e mostrar que dá para encurtar algum caminho, que dá para clarear alguma estrada com uso da IA, eu estarei ali para poder ajudar.
Nesta sexta-feira (12), a Universidade de Liverpool, na Inglaterra, divulgou as projeções de um supercomputador desenvolvido por pesquisadores da instituição sobre o resultado da Copa do Mundo Fifa 2026.
A seleção apontada como campeã por esse modelo de inteligência artificial (IA) é a mesma revelada como favorita ao título pelo supercomputador da Opta Analyst, empresa especializada em estatísticas esportivas: a Espanha.
Enquanto o modelo de Liverpool, desenvolvido pelos pesquisadores Benjamin Holmes e Ian McHale, considera variáveis como desempenho individual dos jogadores, lesões, suspensões, condições climáticas e até os efeitos da altitude, a Opta Analyst adota uma abordagem baseada em rankings de desempenho, força das seleções e milhões de simulações computacionais do torneio.
Mais um supercomputador fez previsões nada animadoras para o Brasil sobre quem vai vencer a Copa do Mundo de 2026 – Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
O que o supercomputador projeta para a Copa
Nas projeções, a Opta realizou 25 mil simulações da Copa do Mundo e apontou 16,38% de probabilidade de título para a Espanha. Já o modelo britânico simulou mil cenários e atribuiu ao time comandado por Luis de la Fuente 26,1% de chances de conquistar a taça.
Além da Espanha, o supercomputador de Liverpool coloca a Inglaterra como principal rival na disputa pelo título, ainda que com uma probabilidade menor, em torno de 17%. França aparece logo atrás, seguida pela Argentina, atual campeã, e por Portugal, que também surge como candidato relevante. O cenário desenhado reforça um equilíbrio entre seleções tradicionais do futebol mundial.
As simulações também projetam possíveis caminhos no mata-mata. A Inglaterra, por exemplo, teria boas chances de liderar seu grupo e avançar com certa tranquilidade. No caminho, poderia enfrentar adversários como o Brasil nas quartas de final e Portugal na semifinal, em um roteiro que já começa a animar torcedores mais ansiosos – e a dar dor de cabeça aos matemáticos.
E aí, quem deve vencer a Copa do Mundo 2026, que promete ser a mais tecnológica da história? – Crédito: Paparacy/Shutterstock
Outro destaque curioso das projeções envolve a Escócia, que aparece como possível terceira colocada em seu grupo, com chance de 11,8% de chegar às oitavas de final. Não é exatamente um favoritismo, mas já seria suficiente para manter viva a esperança dos torcedores britânicos mais otimistas.
A disputa pela Chuteira de Ouro também entrou nas contas do modelo. O norueguês Erling Haaland e o espanhol Mikel Oyarzabal aparecem empatados nas simulações, com média de 5,2 gols cada. A briga promete ser apertada, embora os goleiros certamente não compartilhem do mesmo entusiasmo.
Segundo Holmes, o modelo foi aprimorado com novas variáveis, como a forma de interação entre jogadores em campo. Ele explica: “Desde o Euro 2024, expandimos nosso modelo de simulação com uma série de novos recursos”.
O pesquisador afirma que fatores externos também foram incluídos. “Agora adicionamos simulações de lesões, suspensões e até quem marca os gols. Também modelamos clima e altitude”, disse.
Holmes reconhece que, apesar da sofisticação do modelo, o futebol continua imprevisível. “Embora nosso modelo concorde com as casas de apostas, que apontam a Espanha como favorita”, disse, “o futebol ainda guarda espaço para surpresas”.
Então, não vamos desanimar! Afinal, os números não entram em campo. Por mais avançados que sejam os modelos matemáticos e as simulações feitas por IA, o futebol continua sendo decidido por talento, estratégia e momentos que nenhum algoritmo consegue prever.
Eu não sei se você gosta ou não de futebol. Mas é tempo de Copa do Mundo!!
Então, não tenho outra escolha… precisamos falar sobre…
Sim, a Copa é tech!
Eu poderia compartilhar com vocês minhas previsões, minhas apostas nos bolões e minhas decepções com a convocação da Seleção Brasileira. Mas, neste caso, eu fugiria demais da linha editorial da casa – algo que talvez desagradasse leitores e chefia…
Mas eu tenho a ‘desculpa’ ideal para falar de Copa do Mundo: ela é tech!
Avatares e IA
A FIFA vai usar inteligência artificial na Copa do Mundo para criar avatares de jogadores, analisar lances e apoiar árbitros em tempo real.
A tecnologia promete tornar decisões mais rápidas e melhorar a experiência de torcedores e equipes durante o torneio.
Avatares 3D de todos os jogadores foram criados para auxiliar árbitros e enriquecer transmissões ao vivo com representações digitais detalhadas dos atletas. Imagem: Divulgação/Fifa – Imagem: Divulgação/Fifa
Bola da Copa
A bola oficial da Copa, a Trionda, contará com um sensor de movimento de 500 hertz, capaz de registrar 500 dados por segundo. Isso permite identificar com precisão toques, passes e até possíveis faltas em tempo quase real.
Além disso, a FIFA pretende reduzir erros de arbitragem ao combinar dados da bola com câmeras e sistemas automatizados de impedimento.
A bola Trionda será equipada com sensores de alta frequência capazes de registrar 500 medições por segundo, trazendo mais precisão para lances decisivos. Imagem: Divulgação/Fifa. – Fifa / Divulgação
Assistentes inteligentes
A FIFA também desenvolveu o Football AI Pro, um assistente inteligente que analisa partidas e gera insights táticos para as equipes.
Entre suas funções estão:
Análise de desempenho individual e coletivo
Sugestões estratégicas para treinadores
Resumos em texto, vídeo e gráficos
Acesso democratizado a dados para todas as seleções
O sistema transforma dados complexos em informações práticas, ajudando equipes a se prepararem melhor para cada confronto.
A IA ajudará a identificar impedimentos e jogadas duvidosas em tempo real, oferecendo suporte mais rápido e preciso para a equipe de arbitragem. Imagem: Marta Fernandez Jimenez/Shutterstock
Você dentro do campo… e com apito!
Outra novidade é a “Visão do Árbitro”, uma câmera com apoio de IA que mostra o jogo do ponto de vista do juiz de campo. A ideia é aproximar ainda mais os fãs da dinâmica real da partida.
Segundo a FIFA, o objetivo é tornar o futebol mais justo, tecnológico e acessível, sem perder a essência do esporte.
“Estamos garantindo que a inovação beneficie todos os jogadores, todas as equipes e todos os torcedores em todo o mundo… e, claro, beneficie o maior esporte de todos, o futebol” – disse Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante evento em janeiro.
Com a chegada dessas ferramentas, a Copa do Mundo promete ser uma das mais tecnológicas da história, unindo inovação, análise de dados e novas formas de acompanhar o futebol dentro e fora de campo.
Como a NASA está levando o espaço para a Copa do Mundo de 2026
A NASA leva a Copa de 2026 e a ciência espacial a Houston com uma exposição no FIFA Fan Festival, destacando pesquisas da Estação Espacial Internacional e o programa Artemis.
O evento gratuito acontece durante o torneio e aproxima tecnologia espacial do futebol e do cotidiano.
Um dos destaques está marcado para 20 de junho, quando a diretora do Centro Espacial Johnson, Vanessa Wyche, apresentará integrantes da tripulação da missão Artemis II. Eles participaram de uma viagem histórica ao redor da Lua e vão interagir com fãs da Copa antes da partida entre Holanda e Suécia, além de subir ao palco principal do evento.
Dica de ouro para gritar gol antes dos seus vizinhos
Hoje em dia, existem vários jeitos para você acompanhar jogos de futebol – inclusive, os da Copa. Os principais são: rádio, TV aberta, TV por assinatura e streaming. E cada tipo de transmissão funciona numa, digamos, ‘velocidade’. Isso porque a tecnologia entre elas é diferente, com seus prós e contras.
Quem explicou isso para o Olhar Digital foi Eduardo Pouzada, professor de telecomunicações do Instituto Mauá de Tecnologia.
“De imediato, a gente pode dizer o seguinte: a tecnologia mais rápida que tem é a do sinal aberto”, disse o professor. Mas existem dois tipos de sinal aberto: rádio e TV.
Quem vai ganhar a Copa do Mundo de 2026? Supercomputador prevê campeão
Um levantamento feito pelo supercomputador da Opta Analyst, empresa especializada em estatísticas esportivas, aponta as seleções com maiores chances de conquistar o título.
A projeção traz uma surpresa nada boa para os torcedores brasileiros. Mesmo sendo o maior campeão da história da competição, o Brasil aparece apenas na sexta posição entre os favoritos. Segundo o modelo, a equipe comandada por Carlo Ancelotti tem 6,81% de chances de conquistar o hexacampeonato.
A lista é a seguinte:
Espanha – 16,19%
França – 12,69%
Inglaterra – 10,83%
Argentina – 10,15%
Portugal – 7,15%
Brasil – 6,81%
Alemanha – 5,89%
Holanda – 3,95%
Noruega – 3,52%
Bélgica – 2,31%
Modéstia à parte, cravo o campeão nos meus bolões desde 2010. Como erro todo o resto, acabo não indo bem. Meu desejo, claro, é o hexa do Brasil. E até acho que a taça falará português – pena que com outro sotaque. Algo me diz que a final será entre Portugal e Espanha, com Cristiano Ronaldo igualando o feito de Messi.
Falta pouco para o início da Copa do Mundo de 2026, e as previsões sobre quem levantará a taça já estão a todo vapor. Um levantamento feito pelo supercomputador da Opta Analyst, empresa especializada em estatísticas esportivas, aponta as seleções com maiores chances de conquistar o título.
A projeção traz uma surpresa nada boa para os torcedores brasileiros. Mesmo sendo o maior campeão da história da competição, o Brasil aparece apenas na sexta posição entre os favoritos. Segundo o modelo, a equipe comandada por Carlo Ancelotti tem 6,81% de chances de conquistar o hexacampeonato. O percentual é menor até mesmo que o de Portugal, seleção que busca seu primeiro título mundial.
Copa do Mundo FIFA 2026 – quem será o grande campeão? – Imagem: Djem/Shutterstock
No topo da lista está a Espanha, apontada como a principal candidata à taça, com 16,19% de probabilidade de ser campeã.
França e Inglaterra completam as três primeiras posições, ambas com chances acima de 10%. Argentina, atual campeã mundial, e Portugal aparecem logo na sequência. A Alemanha, que também figura entre as favoritas, vem logo atrás do Brasil.
Por que o Brasil está mal no ranking?
A Opta atribui o favoritismo espanhol ao desempenho recente da seleção. Atual campeã da Eurocopa, a equipe chega ao Mundial embalada por uma longa série de jogos oficiais sem derrotas.
Já o Brasil ainda carrega o peso das eliminações recentes. Nas duas últimas Copas do Mundo, a nossa seleção ficou pelo caminho nas quartas de final. O desempenho na Copa América de 2024 também contribuiu para reduzir o otimismo dos cálculos.
Apesar disso, segundo o UOL, a empresa acredita que a presença de Ancelotti pode fazer diferença. A experiência do treinador italiano em competições eliminatórias é vista como um dos fatores que podem ajudar a equipe a superar as expectativas.
Lista dos 10 favoritos ao título, de acordo com Opta Analyst:
Espanha – 16,19%
França – 12,69%
Inglaterra – 10,83%
Argentina – 10,15%
Portugal – 7,15%
Brasil – 6,81%
Alemanha – 5,89%
Holanda – 3,95%
Noruega – 3,52%
Bélgica – 2,31%
Ranking com os 10 maiores favoritos ao título de campeão da Copa do Mundo de 2026, segundo previsões de supercomputador da Opta Analyst – Crédito: Opta Analyst
O sistema da Opta não tenta adivinhar o futuro. Na prática, ele calcula probabilidades com base em uma enorme quantidade de dados sobre cada seleção.
Para isso, segundo a empresa, o modelo leva em conta o desempenho recente das equipes, o histórico de resultados e a força dos adversários. As análises também utilizam informações do mercado de apostas e do ranking próprio da empresa.
Com esses dados, o supercomputador simula milhares de versões possíveis do torneio. Em cada cenário, as seleções avançam ou são eliminadas de formas diferentes.
Ao final das simulações, o sistema verifica quantas vezes cada equipe terminou como campeã. É essa frequência que se transforma nos percentuais divulgados pela Opta e que ajudam a apontar os favoritos.
Mas, não vamos desanimar! Afinal, os números não entram em campo. Por mais avançados que sejam os modelos matemáticos e as simulações feitas por IA, o futebol continua sendo decidido por talento, estratégia e momentos que nenhum algoritmo consegue prever. E, quando o assunto é Copa do Mundo, a história mostra que surpresas sempre podem acontecer.