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IA pode dar a países pobres um salto de 100 anos em 10

A inteligência artificial pode ajudar países em desenvolvimento a alcançar em uma década avanços equivalentes a um século de progresso, segundo um relatório divulgado pelo Banco Mundial.

O estudo indica que essas nações podem aproveitar mais oportunidades do que enfrentar ameaças com a tecnologia, desde que avancem em áreas como energia, internet e capacitação digital.

Com IA, agricultores podem tomar decisões melhores sobre plantio e aproveitar mais recursos do campo. – Imagem: Scharfsinn/Shutterstock

IA pode ampliar acesso a serviços essenciais

Segundo o relatório do Banco Mundial, a inteligência artificial pode ajudar milhões de pessoas ao facilitar o acesso a serviços como saúde, educação, agricultura e atendimento público.

A adoção da tecnologia não depende necessariamente de grandes modelos de IA ou investimentos bilionários. Para o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, ferramentas menores e adaptadas às necessidades locais já podem gerar resultados relevantes.

“IA lançou uma tábua de salvação para as economias em desenvolvimento, e elas deveriam aproveitá-la”, afirmou Gill em nota.

Entre as aplicações citadas pelo estudo estão:

  • acelerar diagnósticos realizados por profissionais de saúde;
  • ajudar professores a melhorar planos de aula;
  • orientar agricultores sobre plantio e períodos adequados;
  • ampliar o acesso a serviços judiciais e administrativos.

Ao mesmo tempo, governos e empresas enfrentam um desafio básico: criar a estrutura necessária para sustentar essa transformação. O avanço depende de eletricidade confiável, conexão à internet e maior acesso a dispositivos digitais.

IA ameaça menos empregos em países emergentes

Embora a substituição de trabalhadores seja uma das principais preocupações em torno da inteligência artificial, o relatório aponta que as economias emergentes podem sofrer menos impactos do que os países ricos.

A pesquisa indica que 4,5% dos empregos em países de baixa e média renda estão expostos aos riscos da IA generativa. Nas economias mais desenvolvidas, esse índice chega a 14,2%.

Por outro lado, a possibilidade de aumento de produtividade é semelhante nos dois grupos: 16,2% dos empregos em países em desenvolvimento e 18,7% em nações de alta renda podem obter ganhos relevantes com a tecnologia.

Pessoa utiliza um notebook enquanto elementos gráficos representam recursos de inteligência artificial e processamento de dados.
Nem só de grandes modelos vive a IA: soluções menores podem resolver problemas locais em países emergentes. – Imagem: ImageFlow / Shutterstock

Falta de preparo pode ampliar desigualdades

O Banco Mundial alerta que a inteligência artificial também pode gerar problemas se for adotada sem planejamento, incluindo aumento da desigualdade, disseminação de informações falsas e uso da tecnologia para repressão política.

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Para a instituição, deixar essa transformação passar pode ter um custo elevado. Gill comparou o momento atual ao impacto da Revolução Industrial e afirmou que países que perderam aquela oportunidade passaram séculos lidando com as consequências.

Hoje, as economias em desenvolvimento perderam a primeira Revolução Industrial e passaram os dois séculos seguintes pagando o preço. Elas não podem se dar ao luxo de perder esta.

Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, em nota.

O relatório conclui que a IA pode se tornar uma aliada do crescimento econômico, mas o impacto dependerá de como cada país prepara sua infraestrutura e suas pessoas para utilizar a tecnologia.

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Especialistas defendem mudanças na IA antes que seja tarde demais

Mais de 200 pesquisadores e economistas, incluindo 15 vencedores do Prêmio Nobel e integrantes de empresas de tecnologia como OpenAI, Anthropic e Google, defenderam nesta segunda-feira (13) a criação urgente de políticas para enfrentar os efeitos econômicos da inteligência artificial.

O grupo afirma que a expansão da IA pode gerar uma mudança econômica superior à provocada pela Revolução Industrial, mas em um intervalo de adaptação muito menor, criando desafios para trabalhadores, empresas e governos.

A declaração conjunta foi divulgada por especialistas ligados às áreas de economia e tecnologia, que pedem estudos mais aprofundados e a construção antecipada de instituições capazes de lidar com possíveis impactos, como a substituição de empregos em larga escala.

Especialistas defendem preparação antes dos efeitos da IA atingirem a economia

Robô humanoide, movido à IA, trabalhadno em uma fábrica – Créditos: UBTECH / Divulgação

Os signatários da iniciativa argumentam que transformações tecnológicas anteriores deram mais tempo para que as sociedades ajustassem suas estruturas econômicas. Na avaliação apresentada pelo grupo, a inteligência artificial pode avançar em ritmo mais acelerado do que as mudanças provocadas pelo vapor, pela eletricidade e pelos computadores.

O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptar. A IA pode nos dar apenas alguns anos”, afirmou Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia e responsável pela organização da iniciativa ao lado dos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham.

Korinek também integra a equipe de pesquisa econômica da Anthropic desde março. Segundo ele, esperar que todos os efeitos da tecnologia estejam completamente definidos antes de agir pode deixar governos e instituições sem tempo suficiente para responder às mudanças.

Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório
Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório – (Reprodução: Genesis AI)

A declaração pede que autoridades públicas e líderes do setor tecnológico invistam em pesquisas sobre os efeitos econômicos da inteligência artificial e desenvolvam medidas para garantir que os avanços da tecnologia tragam benefícios sociais.

Entre os participantes que apoiaram o documento estão Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI; Jeff Dean, cientista-chefe do Google DeepMind; Jack Clark, cofundador da Anthropic; além de integrantes da equipe econômica ligada ao desenvolvimento do chatbot Claude.

Também assinaram a manifestação pesquisadores reconhecidos internacionalmente, como Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, todos vencedores do Prêmio Nobel, conforme informado no documento divulgado pelo grupo.

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A visão do CEO da Microsoft sobre o futuro da inteligência artificial

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que todos são “stakeholders” da inteligência artificial e que a tecnologia pode elevar salários e distribuir ganhos.

Em um evento do New York Times em San Francisco, ele falou sobre a reação negativa à IA, o risco de impactos no emprego e o avanço da discussão política em torno do tema.

CEO da Microsoft comenta reação negativa à IA e alerta para mudanças no mercado de trabalho. Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

IA e percepção pública

Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse em San Francisco que a inteligência artificial virou um dos assuntos mais sensíveis do momento nos Estados Unidos. Não é só pela velocidade dos avanços, mas pelo incômodo que a tecnologia vem gerando em parte da população.

A fala ocorreu durante o Hard Fork Live, evento do New York Times. No palco, ele reconheceu algo que já aparece em pesquisas e discussões do setor: a percepção da IA ainda é majoritariamente negativa em alguns grupos, mesmo com o crescimento acelerado das aplicações práticas.

E há um ponto que ele fez questão de destacar. Para Nadella, existe uma distância grande entre o que a tecnologia pode gerar em termos econômicos e o que as pessoas realmente enxergam no dia a dia.

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Microsoft aposta na OpenAI e vê a IA como peça central na nova disputa tecnológica global. Imagem: Renata Mendes via Gemini 3 Pro / Olhar Digital

“Stakeholders” e impacto social

O executivo não ignorou um dos pontos mais sensíveis do debate: o impacto no trabalho. Ele admitiu que a IA pode substituir funções, mas argumentou que os ganhos de produtividade tendem a aparecer, ao longo do tempo, na forma de salários mais altos.

Em um momento mais direto da conversa, ele resumiu o clima em torno da tecnologia com a frase: “Não dá para negar que a percepção é péssima”. Em seguida, reforçou a ideia de que o impacto da IA ​​não fica restrito às empresas de tecnologia: “todo mundo é uma parte interessada na IA”.

Esse debate já saiu do campo técnico há algum tempo. Nos Estados Unidos, a discussão passou a envolver políticos, economistas e grupos sociais diversos. Nomes como o senador Bernie Sanders e o presidente Donald Trump já trouxeram a ideia de que a riqueza gerada pela IA deveria ser compartilhada de forma mais ampla.

Satya Nadella ao lado de um smartphone exibindo o logo da Microsoft em sua tela
Nadella defende que os benefícios da IA devem ser compartilhados por toda a sociedade. – Imagem: QubixStudio/Shutterstock

Estratégia da Microsoft na corrida da IA

Dentro da Microsoft, a leitura é de que a corrida da inteligência artificial exige escolhas cada vez mais difíceis. A empresa foi uma das primeiras a apostar na OpenAI e ampliou esse investimento ao longo dos anos, ajudando a impulsionar ferramentas como o ChatGPT.

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Mas essa relação não ficou exatamente do mesmo jeito. Houve ajustes recentes para reduzir a dependência entre as duas empresas, embora a parceria siga estratégica para ambos os lados.

O ponto mais concreto levantado por Nadella, no entanto, não é político nem filosófico — é infraestrutura. A escassez de chips e memória já virou um gargalo real para o crescimento de data centers e para a expansão dos sistemas de IA.

Isso respinga em várias áreas da empresa, inclusive na divisão Xbox, que também disputa recursos dentro da Microsoft. No fim, segundo o executivo, o desafio é simples de dizer e difícil de resolver: crescer sem perder controle de custos, energia e capacidade computacional.

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