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Custos bilionários colocam pressão sobre modelo de negócios da IA

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está redefinindo não apenas a tecnologia, mas também a lógica financeira das empresas do setor. Em um cenário marcado por investimentos massivos, gastar grandes quantias passou a ser parte essencial da estratégia para crescer — ainda que isso signifique operar no vermelho por anos.

De acordo com documentos financeiros obtidos pelo The Wall Street Journal, as empresas OpenAI e Anthropic projetam gastar juntas quase US$ 65 bilhões (R$ 335,4 bilhões) em 2026 apenas com custos de treinamento e operação de seus modelos de IA. O valor supera a receita gerada por ambas no mesmo período.

A tendência é de forte crescimento. Esses custos combinados devem chegar a US$ 127 bilhões (R$ 655,5 bilhões) no próximo ano e atingir quase US$ 250 bilhões (R$ 1,2 trilhão) até 2029, segundo projeções apresentadas pelas próprias companhias a investidores privados.

No caso da OpenAI, a expectativa é que os gastos com treinamento e inferência — processo pelo qual os modelos respondem às consultas dos usuários — continuem superando a receita até 2029. Já a Anthropic prevê ultrapassar esse ponto já no próximo ano. Ainda assim, outros custos devem manter a empresa controladora do chatbot Claude no prejuízo antes dos impostos também até o fim da década.

Apesar das projeções, o cenário pode mudar. Há a possibilidade de crescimento de receitas em ritmo mais acelerado do que o estimado atualmente. Ainda assim, o histórico recente do setor aponta para uma escalada contínua dos custos.

OpenAI e Anthropic investem pesado, mesmo que isso signifique prejuízo no começo – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência com gigantes pressiona modelo

  • Além dos altos gastos, OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência direta de gigantes da tecnologia que também investem pesadamente em IA, mas contam com negócios principais altamente lucrativos para financiar essas iniciativas;
  • Empresas, como Alphabet (dona do Google) e Meta, devem gerar juntas cerca de US$ 334 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em fluxo de caixa operacional neste ano, segundo estimativas da FactSet — uma vantagem significativa frente às startups focadas exclusivamente em IA;
  • Nesse contexto, surge a dúvida sobre o apetite dos investidores. Tanto OpenAI quanto Anthropic estariam planejando realizar ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ainda em 2026, mesmo diante de prejuízos elevados;
  • Casos anteriores mostram que isso não é inédito. A Amazon, por exemplo, operou com prejuízo por anos após seu IPO em 1997, segundo dados da S&P Global Market Intelligence, e acabou se tornando um investimento bem-sucedido no longo prazo;
  • Ainda assim, há diferenças importantes. Na época de sua abertura de capital, a Amazon valia cerca de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) — menos de 0,01% do valor do índice S&P 500. Já OpenAI e Anthropic somam hoje mais de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em valor de mercado, de acordo com a PitchBook, o equivalente a mais de 2% do índice;
  • Esse contraste indica que a capacidade de controlar custos será um fator decisivo para atrair e manter investidores.

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Estratégias para crescer e atrair clientes

Para ampliar receitas, a Anthropic aposta no mercado corporativo. A empresa planeja investir US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) em uma nova joint venture com grandes companhias de private equity, voltada à venda de ferramentas de IA para empresas de seus portfólios.

A iniciativa também deve atuar como braço de consultoria, orientando clientes sobre como integrar as soluções da startup em suas operações — uma estratégia para acelerar a adoção da tecnologia no ambiente empresarial.

Outro movimento relevante envolve infraestrutura. A Broadcom firmou contrato para fornecer à Anthropic, a partir de 2027, capacidade computacional equivalente a 3,5 gigawatts, utilizando chips TPU desenvolvidos pelo Google.

IA se expande — e enfrenta resistência

Enquanto empresas investem pesado, o impacto da IA já se espalha por diferentes setores. Um exemplo é o sucesso dos óculos inteligentes Ray-Ban, da Meta, que venderam 7,2 milhões de unidades no ano passado, segundo a IDC. A Meta vê o produto como uma porta de entrada para suas soluções de IA, enquanto sua parceira EssilorLuxottica também colhe benefícios comerciais.

Por outro lado, o avanço da infraestrutura necessária para sustentar a IA começa a enfrentar resistência. No Estado do Maine (EUA), uma proposta legislativa pode transformar a região na primeira a impor uma moratória à construção de novos data centers. Movimentos semelhantes já surgem em mais de dez estados estadunidenses, além de dezenas de municípios.

A reação indica que, além dos desafios financeiros, o crescimento da IA também levanta questões sociais e regulatórias — ampliando a complexidade de um setor que já lida com custos cada vez mais elevados.

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Elon Musk exige assinaturas do Grok de bancos envolvidos em IPO da SpaceX

Elon Musk está exigindo que bancos e outros assessores envolvidos na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX adquiram assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial (IA), segundo informações publicadas pelo The New York Times com base em fontes familiarizadas com o assunto.

De acordo com a reportagem, a exigência se estende a instituições financeiras, escritórios de advocacia, auditores e demais consultores que desejam participar de um dos maiores IPOs da história. Algumas dessas instituições já concordaram em gastar dezenas de milhões de dólares por ano com o serviço e iniciaram a integração do Grok em seus sistemas de tecnologia da informação.

Entre os bancos que atuam como coordenadores da oferta — conhecidos como bookrunners — estão Morgan Stanley, Goldman Sachs, JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup. Essas instituições desempenham papel central na estruturação e condução da operação.

Nem Musk nem SpaceX responderam aos pedidos de comentário do Times. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Bank of America se recusaram a comentar, enquanto o Morgan Stanley não respondeu imediatamente às solicitações.

IPO da SpaceX chega, mas a que custo?

  • A iniciativa ocorre em meio a expectativas elevadas para a abertura de capital da SpaceX;
  • Segundo a Bloomberg, a empresa elevou sua meta de valuation para mais de US$ 2 trilhões (R$ 10,3 trilhões), o que pode torná-la a maior listagem da história do mercado acionário;
  • A companhia pretende levantar cerca de US$ 75 bilhões (R$ 386,6 bilhões), superando grandes IPOs anteriores, como o da Saudi Aramco, em 2019, e o do Alibaba, em 2014;
  • Outras estimativas apontam que a oferta pode arrecadar mais de US$ 50 bilhões (R$ 257,7 bilhões), com avaliação acima de US$ 1 trilhão (R$ 5,1 trilhões). Nesse cenário, os bancos envolvidos poderiam gerar mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em taxas de assessoria.

A exigência de Musk não é totalmente incomum em grandes transações, nas quais empresas frequentemente fazem demandas a seus assessores financeiros. Ainda assim, a obrigatoriedade de adquirir um produto específico chama atenção pelo grau de imposição.

Segundo pessoas com conhecimento das negociações, a compra das assinaturas do Grok não foi apenas um gesto de boa vontade por parte dos bancos, mas uma condição imposta por Musk. O empresário também teria solicitado que os bancos anunciassem no X, de sua propriedade, embora essa exigência tenha sido menos enfática.

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IPO da SpaceX promete ser um dos maiores da história – Imagem: photo_gonzo/Shutterstock

A estratégia evidencia a influência de Musk sobre o setor financeiro, especialmente em um momento em que Wall Street busca grandes operações após um período de baixa atividade em IPOs relevantes.

O Grok faz parte das iniciativas de IA associadas à SpaceX, que se fundiu à xAI em fevereiro. Apesar da aposta, o chatbot ainda ocupa uma posição inferior no mercado, atrás de concorrentes, como ChatGPT, Claude e Gemini.

Musk tem promovido o Grok como uma alternativa ao que considera excessos de correção política em outras plataformas, afirmando que o chatbot não seria “woke”.

Ainda assim, o sistema esteve envolvido em controvérsias recentes, incluindo a disseminação de conteúdo antissemita, elogios a Adolf Hitler e a geração de imagens sexualizadas sem consentimento. Países, como Indonésia e Malásia, proibiram o uso do Grok, enquanto outras nações abriram investigações.

Mesmo diante das críticas, Musk continua a promover o chatbot em sua rede social, incentivando seus seguidores a utilizarem a ferramenta. Em uma das mensagens republicadas por ele, lê-se: “Grok & xAI estão sem dúvida crescendo mais rápido do que qualquer outra IA.”

Atualmente, a maior parte da receita do Grok vem de assinaturas individuais. A adesão dos bancos pode fortalecer a vertente corporativa do produto antes da abertura de capital da SpaceX. Antes da fusão com a SpaceX, a xAI registrou cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em receita com suas operações de IA, embora não tenha detalhado a divisão entre clientes corporativos e consumidores finais.

Outro destaque financeiro da SpaceX é a Starlink, serviço de internet via satélite, considerado o principal ativo da empresa. Documentos financeiros indicam que o Starlink gerou aproximadamente US$ 8 bilhões (R$ 41,2 bilhões) em receita em 2024, além de bilhões de dólares em fluxo de caixa livre.

Nos últimos meses, banqueiros têm trabalhado nos escritórios da SpaceX, na região de Los Angeles, auxiliando na preparação dos documentos para o IPO. A empresa apresentou confidencialmente os papéis à Securities and Exchange Commission (SEC), mas não incluiu os nomes dos bancos envolvidos no registro.

Ainda não está definido qual instituição assumirá o papel principal na operação, posição que costuma garantir maior prestígio e participação nas taxas geradas pela oferta.

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RS se prepara para ter verdadeira “cidade de data centers”; conheça

Com o forte crescimento da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, a demanda por data centers específicos vem aumentando no mundo todo. Sendo assim, as empresas que operam no setor estão construindo grandes complexos voltados para a tecnologia.

Um exemplo é a xAI, que construiu um supercomputador em Abilene, Texas (EUA), em 2024, mas que enfrentou resistência local por conta do consumo de recursos locais, que poderiam prejudicar a população que vive nos arredores.

No Brasil, a Scala Data Centers está se preparando para construir um complexo de data centers no em Eldorado do Sul (RS), que promete ser o maior complexo de infraestrutura digital da América Latina.

Em outubro de 2024, o governo estadual fechou parceria com a empresa para a realização do projeto. À época, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Ernani Polo (PP), disse que o contrato “é oportunidade de transformar o Rio Grande do Sul no novo Vale do Silício no Brasil“.

“A interlocução entre o governo estadual e Eldorado do Sul assegurou alinhamento em infraestrutura urbana, planejamento territorial e qualificação de mão de obra, além de diálogo com o setor elétrico para viabilizar a demanda energética do campus”, explicou, ao Olhar Digital, Leandro Evaldt, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul.

“Essa atuação está inserida no Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável, que trabalha seus cinco habilitadores — capital humano, infraestrutura, ambiente de negócios, inovação e recursos naturais — como bases para atrair investimentos estruturantes como esse”, afirma.

Novo Vale do Silício no Brasil?

O empreendimento é chamado de Scala AI City. Confira mais informações do projeto, segundo dados do governo do Estado do Rio Grande do Sul:

  • O investimento inicial é de cerca de R$ 3 bilhões, com espaço total de mais de sete milhões de metros quadrados;
  • Contudo, as empresas que utilizarão as instalações injetarão mais R$ 4 bilhões, podendo passar dos R$ 600 bilhões no projeto total;
  • A título de comparação, o maior investimento do Estado realizado até hoje é de R$ 24 bilhões — a ampliação da CMPC, fábrica de celulose chilena, em 2024;
  • Mais de três mil empregos diretos e indiretos deverão ser gerados;
  • Quanto à capacidade inicial de TI do data center, serão 54 MW, podendo chegar a 4,75 GW;
  • O governo estadual afirma que a região escolhida tem segurança comprovada contra desastres naturaisgrande oferta de energia elétrica e capacidade imobiliária;
  • O data center será ligado a outro do mesmo tipo, que se encontra em Porto Alegre (RS). Futuramente, ele será conectado ao cabo submarino Malbec, que liga São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Buenos Aires (Argentina).

Segundo a Scala, atualmente, o projeto está na fase de masterplan (plano diretor), com permits e validações em aspectos, como viabilidade, mobilidade, sustentabilidade, entre outros, sendo analisados.

A primeira etapa do empreendimento deverá entrar em operação em breve e, inicialmente, será híbrido, ou seja, servirá para cloud e IA.

Para Evaldt, o projeto é “estratégico” para o Estado. “O Estado já vinha estruturando políticas para inserir o RS na economia digital, e o projeto da Scala se conecta diretamente a essa visão de futuro”, disse ao OD.

“Estamos falando da criação de um novo eixo econômico, baseado em dados, inteligência artificial e serviços digitais de alta complexidade, posicionando o RS em uma indústria estratégica para as próximas décadas”, prosseguiu.

O secretário também explanou quais serão os benefícios da obra para a região. “A localização também favorece a logística, integração com redes de fibra óptica e acesso a talentos formados nas universidades da região”, pontuou.

“A escolha demonstra racionalidade técnica e visão de longo prazo, consolidando o município como núcleo de um novo cluster digital no Sul do país”. “O governo vê o projeto como um marco estruturante capaz de posicionar o RS como hub estratégico de infraestrutura digital na América Latina”, finalizou.

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Dona do empreendimento frisa que o Scala AI City será dotado dos “mais altos padrões de sustentabilidade, inovação e governança” durante sua construção (Imagem: Nomad_Soul/Shutterstock)

Questões ambientais preocupam na construção da cidade de data centers

Porém, há preocupações com relação ao meio ambiente. Isso porque os data centers demandam muita energia e água para alimentar seu hardware e resfriamento, sem contar o lixo eletrônico gerado.

Data centers consomem muita água. Isso é um problema porque a escassez de água está se tornando uma das principais razões de conflitos no mundo”, aponta Golestan Radwan, diretora digital do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Uma lei municipal aprovada exclusivamente para o projeto aponta que o licenciamento da obra “se dará de forma simplificada e autodeclaratória“.

A Scala garante que a operação do data center “não teria qualquer efeito no abastecimento elétrico da cidade ou de municípios vizinhos”, além de que a “energia utilizada será 100% renovável e certificada, com fornecimento garantido por parcerias estratégicas”, mas não cita de onde será obtida a energia demandada.

A Scala alega usar “tecnologias de resfriamento sem desperdício de água no resfriamento” e que não há “necessidade de reposição, mas apenas uma carga inicial no sistema”.

O governo estadual, por sua vez, afirma que, “com o auxílio do clima mais ameno do sul do Brasil, os data centers serão mais eficientes“, com eficiência energética e de água zerados, “ou seja, não utilizarão troca de água em seus sistemas de refrigeração”.

A dona do empreendimento frisa que o Scala AI City será dotado dos “mais altos padrões de sustentabilidade, inovação e governança” durante sua construção e prossegue, dizendo que “cumpre rigorosamente todos os requisitos legais em todos os seus empreendimentos“. A companhia enfatiza ainda que o licenciamento seguirá a mesma conduta.

Sobre a capacidade energética, a Scala aponta que os 4,75 GW de processamento de dados a serem alcançados quando a “cidade data center” estiver funcionando a pleno vapor a transformará “em um dos maiores polos de processamento de dados do mundo“.

Só que a quantidade de gigawatts anunciada é superlativa, já que, hoje, o Brasil tem capacidade total de 777 MW, tendo capacidade real de 54 MW. Ao colunista Renan Setti, do jornal O Globo, o CEO e cofundador da Scala, Marcos Peigo, comentou mais sobre as questões de capacidade da futura Scala AI City.

“O sonho é construir uma cidade. O plano eventual é ter até 4.750 MW, com consumo equivalente ao de todo o estado do Rio [de Janeiro]. No mundo, não há nada parecido; o maior de que tenho notícia é um projeto com cerca de 1.500 MW anunciados… Exigiria um investimento nosso da ordem de US$ 50 bilhões [R$ 261,7 bilhões] e seria um trabalho para dez, 20 anos…”

Enquanto isso, a prefeita de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho (PSDB), ressalta que vai “olhar para todos os detalhes do empreendimento“, mesmo que a lei municipal deixe o licenciamento ambiental mais simples. “Qualquer intervenção tem algum impacto. O trabalho da prefeitura tem que ser amenizar isso de alguma forma, mas sem prejudicar o investimento e o desenvolvimento do município“, prossegue.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul diz que “o Estado já levou ao governo federal a pauta que visa criar ambiente regulatório favorável aos data centers e às questões ligadas à inteligência artificial. Caso se efetive, será uma conquista que beneficiaria todo o país“, não citando informações sobre riscos e impactos ambientais.

Em setembro de 2024, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), defendeu a celeridade do processo no Brasil. “Se não construirmos imediatamente este ambiente favorável, corremos o risco de ver a transição energética acontecer em outros países, deixando-nos para trás. Agir agora é crucial para garantir que o Brasil não fique no final da fila nesta importante transformação global”, pontuou.

Por que Eldorado do Sul?

A Scala justifica a escolha da região para construir sua “cidade data center” não só pelas condições citadas nesta reportagem, mas, também, por fatores ligados ao “maior desafio para o setor, especialmente com a ascensão da IA“, sem contar que o município tem “robusta estrutura de transmissão, com uma subestação de capacidade de até 5 GW — a esmagadora maioria não utilizada”.

O governo do Estado também ressalta o clima ameno do sul do Brasil, que contribui para que a Scala AI City seja construída na região, pois, teoricamente, temperaturas mais baixas favorecem o resfriamento dos servidores, que demandariam menos energia elétrica para isso.

O hidrólogo Iporã Brito Possantti ressaltanecessidade de estudo sobre quais os possíveis impactos ao meio ambiente que esse tipo de projeto pode causar.

“Esse tipo de impacto precisa ser previsto no licenciamento. É importante que não haja isenção desses estudos para qualquer empreendimento, porque, depois, quem vai precisar pagar para corrigir e mitigar os impactos é a sociedade, os governos. É uma questão de economia e de justiça“, afirma.

“Não podemos simplesmente achar que uma inovação tecnológica, que é bem-vinda e necessária, está desprovida de impacto”, pontua ao Repórter Brasil o professor Ricardo Soares.

De acordo com a EBC, em 2024, o município da futura cidade data center teve toda a área urbana afetada pelas enchentes de 2024 (que assolaram o Estado todo), que segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é consequência da crise climática que o planeta enfrenta.

Em contrapartida, o terreno no qual o empreendimento será erguido ficou intacto.

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Governo Trump apresenta nova estrutura política nacional de IA

Nesta sexta-feira (20), o governo dos Estados Unidos divulgou um arcabouço legislativo para uma política nacional única sobre inteligência artificial (IA).

O objetivo do governo de Donald Trump é o de criar diretrizes uniformes de segurança em torno da IA, enquanto impede que os estados promulguem leis próprias sobre a tecnologia.

Trump centraliza a IA

  • O plano de seis frentes propõe várias regulações sobre produtos e infraestrutura de IA, indo de implantação de regras para a segurança infantil à padronização do licenciamento e uso de energia por data centers;
  • Há ainda um estímulo ao Congresso para que aborde questões delicadas sobre direitos de propriedade intelectual e elabore regras que “impeçam que sistemas de IA sejam usados ​​para silenciar ou censurar expressões políticas legítimas ou dissidências”;
  • Em comunicado, o governo Trump diz querer trabalhar com o Congresso “nos próximos meses” para que a proposta vire um projeto de lei pronto para sanção presidencial;
  • A ideia é transformar a proposta em lei “ainda este ano” e a Casa Branca entende que ela pode ter apoio bipartidário, segundo Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, em entrevista à Fox News.

Com as preocupações cada vez maiores em cima da IA e de seus impactos, legisladores de Nova York, Califórnia e outros estados pressionam o governo para implantar suas próprias regulações estaduais.

Líderes da indústria de IA se opõem aos esforços estaduais, alegando que uma “colcha de retalhos” de leis prejudicaria a inovação e permitiria que concorrentes globais, como a China, ganhassem grande vantagem na corrida pelo domínio da tecnologia.

Trump trouxe a IA para seu governo e visa criar leis para regulação da tecnologia (Imagem: Chip Somodevilla/Shutterstock)

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Em dezembro, Trump já havia assinado uma ordem executiva para um padrão regulatório nacional único para a IA.

No documento apresentado nesta sexta, a Casa Branca diz que “o Congresso deve se antecipar às leis estaduais de IA que impõem encargos indevidos para garantir um padrão nacional minimamente oneroso e consistente com essas recomendações, e não cinquenta padrões discordantes”.

Kratsios voltou a se pronunciar nesta sexta e, em comunicado, afirmou que “a estrutura legislativa nacional de IA da Casa Branca liberará o engenho americano para vencer a corrida global da IA, proporcionando avanços que criarão empregos, reduzirão custos e melhorarão a vida dos americanos em todo o país”.

“Ao mesmo tempo, aborda preocupações reais de frente — proteger nossas crianças online, proteger as famílias de custos de energia mais altos, respeitar os direitos dos criadores e apoiar os trabalhadores americanos — para que todos os cidadãos possam confiar e se beneficiar dessa tecnologia incrível”, completou.

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Jeff Bezos negocia fundo de R$ 522,2 bilhões para transformar manufatura com IA, diz jornal

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, iniciou conversas preliminares para levantar US$ 100 bilhões (R$ 522,2 bilhões) destinados à criação de um novo fundo voltado à aquisição de empresas industriais e à aplicação de inteligência artificial (IA) para acelerar processos de automação, segundo informações do The Wall Street Journal.

De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, Bezos tem se reunido com alguns dos maiores gestores de ativos do mundo em busca de financiamento para o projeto. Há alguns meses, o empresário viajou ao Oriente Médio para discutir a iniciativa com representantes de fundos soberanos da região. Mais recentemente, esteve em Singapura com o mesmo objetivo.

Como deve ser o fundo de investimento de Bezos

  • O fundo, descrito em documentos a investidores como um “veículo de transformação da manufatura”, pretende adquirir companhias em setores industriais estratégicos, como fabricação de chips, defesa e aeroespacial;
  • Caso se concretize, o projeto terá dimensões comparáveis a alguns dos maiores fundos de aquisição do mundo e rivalizará com o SoftBank Vision Fund, que também conta com cerca de US$ 100 bilhões;
  • A iniciativa está ligada ao Project Prometheus, startup na qual Bezos foi recentemente nomeado co-CEO;
  • A empresa desenvolve modelos de IA capazes de compreender e simular o mundo físico;
  • A ideia é utilizar essa tecnologia para aumentar a eficiência e a lucratividade das empresas adquiridas pelo fundo — uma estratégia semelhante à já adotada por firmas de investimento em setores, como contabilidade e gestão imobiliária.

Separadamente, o Project Prometheus também negocia levantar até US$ 6 bilhões (R$ 31,3 bilhões) em financiamento. A empresa nomeou recentemente David Limp para seu conselho de administração. Limp é CEO da Blue Origin, companhia criada por Bezos em 2000 e que recebe aportes anuais bilionários do empresário.

Nos últimos anos, enquanto grande parte da revolução da IA se concentrou em modelos de linguagem, bilhões de dólares começaram a ser direcionados a empresas que buscam aplicar sistemas de IA voltados ao espaço físico em áreas, como robótica e manufatura.

Modelos baseados em linguagem já vêm sendo utilizados para automatizar atividades, como engenharia de software, além de impactar funções em setores, como finanças e mercado imobiliário. Esse movimento tem influenciado o mercado: investidores venderam ações de algumas empresas após startups, como Anthropic e OpenAI, lançarem ferramentas específicas para essas áreas.

Empresas também passaram a citar a adoção de IA em dezenas de milhares de demissões no último ano, embora economistas apontem que cortes também podem estar relacionados a contratações excessivas durante a pandemia.

A automação impulsionada por IA também avança sobre a manufatura, ainda que startups e empresas focadas nesse segmento estejam em estágio inicial.

Ex-CEO da Amazon quer que IA balize indústria (Imagem: Poetra.RH/Shutterstock)

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O impacto sobre empregos ainda é incerto, mas companhias de tecnologia e comércio eletrônico já utilizam essas soluções há anos em centros logísticos. A própria Amazon, uma das maiores empregadoras dos Estados Unidos, se aproxima de ter um número de robôs equivalente ao de trabalhadores humanos.

Bezos se junta, assim, a outros nomes da geração anterior do Vale do Silício que vêm intensificando sua atuação na corrida pela inteligência artificial. O ex-CEO da Uber, Travis Kalanick, anunciou recentemente a Atoms, expansão de sua startup com a ambição de transformar a indústria com IA. Já Elon Musk tem promovido planos da Tesla para desenvolver robôs humanoides.

Bezos assumiu o cargo de co-CEO do Project Prometheus no ano passado, seu primeiro papel formal de liderança em uma empresa de tecnologia desde que deixou o comando da Amazon, em julho de 2021. Atualmente, ele permanece como presidente do conselho da companhia.

A tecnologia desenvolvida pelo Prometheus busca simular o comportamento do mundo físico. Entre os exemplos citados, estão a capacidade de modelar o fluxo de ar ao redor da asa de um avião ou prever com precisão onde uma peça metálica pode se romper sob pressão. Inicialmente, a empresa pretende comercializar ferramentas de software voltadas à simulação e ao design em engenharia.

Bezos divide o comando da startup com Vik Bajaj, professor da Escola de Medicina de Stanford e cofundador da divisão de ciências da vida do Google, hoje conhecida como Verily. A empresa também recrutou profissionais de laboratórios de ponta em IA, como OpenAI e Google DeepMind, e levantou US$ 6,2 bilhões (R$ 32,3 bilhões) em financiamento no ano passado.

O JPMorgan Chase também está em negociações preliminares para apoiar o projeto por meio de sua iniciativa Security and Resiliency Initiative. O banco lançou, em dezembro passado, um fundo de US$ 10 bilhões (R$ 52,2 bilhões) para essa frente e contratou Todd Combs, ex-gestor da Berkshire Hathaway, para ajudar a liderar o programa.

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“Padrinho francês da IA” lança startup com investimento de R$ 5,2 bilhões

Yann LeCun, figura central na área de inteligência artificial (IA) e um dos laureados com o Prêmio Turing, anunciou o lançamento de sua mais recente empreitada: a startup Advanced Machine Intelligence (AMI). A nova empresa de IA conseguiu investimento inicial de pouco mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).

O anúncio da AMI foi feito por LeCun em suas redes sociais na terça-feira (10). O objetivo principal da startup é desenvolver sistemas de IA mais robustos e seguros, que sejam capazes de tomar decisões mais informadas, aproveitando dados provenientes de fontes, como câmeras e sensores.

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Novo paradigma para criação de IAs

  • A AMI propõe uma abordagem inovadora para o treinamento de sistemas de IA;
  • Em vez de depender majoritariamente de comandos de texto, conhecidos como text prompts, a startup foca na construção de “modelos de mundo“;
  • Estes modelos, explicados no próprio site da empresa, são sistemas de IA que aprendem diretamente a partir de dados do mundo real;
  • Isso significa que, ao coletar informações de sensores e câmeras, a AMI busca criar IAs que antecipem, com maior precisão, as consequências de suas ações;
  • Essa capacidade de previsão aprimorada é vista como um passo fundamental para aumentar a segurança e a confiabilidade das aplicações de IA.
LeCun já ganhou o Prêmio Turing (Imagem: Darshika Maduranga/Shutterstock)

Para liderar essa iniciativa, a AMI já realizou contratações estratégicas. O empreendedor de IA Alex LeBrun foi nomeado CEO da companhia, enquanto Saining Xie, um pesquisador com experiência na Meta e Google, assumiu o cargo de Diretor Científico.

A iniciativa de LeCun recebeu elogios do presidente francês, Emmanuel Macron. Em uma publicação no X, Macron afirmou que LeCun “abre um novo capítulo na inteligência artificial” com a fundação da AMI, e adicionou: “Esta é a França dos pesquisadores, dos construtores e dos audaciosos. Bravo!”

Quem é o “pai da IA francesa”?

Yann LeCun, cientista franco-estadunidense, é uma figura proeminente no campo da IA. Em 2018, ele foi agraciado com o Prêmio Turing, considerado o mais prestigioso da ciência da computação, juntamente com os pesquisadores Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio.

O prêmio reconheceu o trabalho pioneiro do trio no deep learning (aprendizado profundo), um tipo de IA que identifica padrões em grandes volumes de dados.

A estrutura operacional da AMI será distribuída globalmente, com escritórios e equipes atuando em regiões estratégicas, como Paris (França), Nova York (EUA), Montreal (Canadá) e Singapura, reforçando a ambição de impacto internacional da startup.

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OpenAI adquire empresa para fortalecer segurança de agentes de IA

A OpenAI anunciou, nesta segunda-feira (9), a aquisição da Promptfoo. Fundada em 2024, a Promptfoo é uma startup especializada em segurança de inteligência artificial (IA), com o objetivo principal de defender Grandes Modelos de Linguagem (LLMs, na sigla em inglês) contra diversas ameaças online.

De acordo com um comunicado divulgado pela OpenAI, a tecnologia da Promptfoo será integrada à plataforma empresarial da empresa, conhecida como OpenAI Frontier.

Essa integração ocorrerá após a conclusão do processo de aquisição, marcando um passo importante para a segurança e a confiabilidade dos agentes de IA.

Aumento da produtividade e novos desafios na OpenAI

  • O desenvolvimento de agentes de IA autônomos, capazes de executar tarefas digitais de forma independente, tem gerado grandes expectativas em relação à melhoria da produtividade;
  • Paralelamente a esse entusiasmo, surge também a preocupação com os riscos potenciais;
  • Agentes de IA mal-intencionados podem se tornar vetores para acessar dados sensíveis ou manipular sistemas automatizados;
  • Nesse contexto, a movimentação da OpenAI, ao adquirir a Promptfoo, sublinha a urgência e a dedicação das empresas de ponta em IA para demonstrar a segurança e a aplicabilidade de suas tecnologias em operações empresariais estratégicas.

Leia mais:

Promptfoo vai fazer parte da OpenAI Frontier (Imagem: Reprodução/Promptfoo)

Trajetória da Promptfoo

A Promptfoo foi criada por Ian Webster e Michael D’Angelo. O propósito inicial da startup era desenvolver ferramentas que as empresas pudessem utilizar para testar vulnerabilidades de segurança em LLMs. Entre as soluções desenvolvidas pela Promptfoo, destacam-se uma interface e uma biblioteca de código aberto.

A empresa tem demonstrado crescimento significativo, com seus produtos sendo utilizados por mais de 25% das empresas listadas na Fortune 500. Isso indica a relevância e a demanda por soluções robustas de segurança no cenário atual da IA.

Desde sua fundação, a Promptfoo conseguiu arrecadar um total de US$ 23 milhões (R$ 119,7 milhões) em financiamento.

Em julho de 2025, a empresa foi avaliada em US$ 86 milhões (R$ 447,7 milhões), segundo dados da Pitchbook, após sua rodada de investimento mais recente. Por sua vez, a OpenAI optou por não divulgar o valor da transação de aquisição.

A OpenAI informou em sua publicação que a tecnologia da Promptfoo permitirá à sua plataforma de agentes realizar red-teaming (testes de intrusão) automatizado, processo crucial para identificar e mitigar falhas de segurança.

Além disso, a tecnologia será essencial para avaliar os fluxos de trabalho dos agentes em relação a questões de segurança e para monitorar as atividades para garantir a conformidade e gerenciar riscos.

A empresa também expressou a intenção de continuar expandindo a oferta de código aberto da Promptfoo, reforçando o compromisso com a comunidade e a inovação contínua no campo da segurança de IA.

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Rivalidade entre OpenAI e Anthropic se intensifica e pode moldar futuro da IA

A disputa entre duas das empresas mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) — OpenAI e Anthropic — vem ganhando contornos cada vez mais pessoais e públicos, envolvendo seus líderes, Sam Altman e Dario Amodei, e levantando questionamentos sobre como a tecnologia será desenvolvida e utilizada nos próximos anos.

O episódio mais recente dessa rivalidade surgiu em meio a negociações com o Pentágono e expôs diferenças profundas entre as empresas sobre segurança, regulação e o uso militar da IA.

Rivalidade visível até em eventos públicos

  • A tensão entre Altman e Amodei chegou a se manifestar em um encontro recente com líderes de tecnologia na Índia;
  • Durante uma foto oficial com o primeiro-ministro do país, outros executivos deram as mãos em sinal de união — mas os dois rivais evitaram qualquer contato físico, limitando-se a um constrangido toque de cotovelos;
  • Para muitos observadores, a cena simbolizou a rivalidade crescente entre duas companhias que disputam usuários, talentos e investidores, especialmente em um momento em que ambas avaliam abrir capital ainda este ano;
  • Conflitos entre gigantes da tecnologia não são novidade no Vale do Silício. A história do setor inclui disputas, como Steve Jobs contra Bill Gates, Apple contra Samsung e Uber contra Lyft. Há ainda confrontos frequentes envolvendo Elon Musk e figuras, como Jeff Bezos e Mark Zuckerberg;
  • Embora rivalidades desse tipo muitas vezes estimulem inovação e concorrência, analistas alertam que a disputa entre OpenAI e Anthropic envolve um risco adicional: ambas concentram enorme influência sobre uma tecnologia ainda emergente, cujo impacto potencial é global.

Anthropic: origem da divisão da OpenAI

A Anthropic nasceu em 2021 justamente a partir de preocupações sobre segurança no desenvolvimento da IA. Amodei, então vice-presidente de pesquisa da OpenAI, deixou a empresa após questionar a rapidez com que a tecnologia estava sendo comercializada.

Ele levou consigo vários pesquisadores para fundar a nova companhia, estruturada como uma organização com fins lucrativos que afirma seguir padrões específicos de impacto social e responsabilidade.

As diferenças de visão entre os líderes são frequentemente apontadas como um dos motores da rivalidade. Altman é visto como um negociador agressivo, disposto a fechar grandes acordos para acelerar o crescimento da OpenAI. Já Amodei adota uma postura mais cautelosa e frequentemente alerta para riscos da tecnologia, como possíveis perdas massivas de empregos — comparáveis às da Grande Depressão.

Dario Amodei já criticou Sam Altman e a OpenAI em memorando interno (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

Crescimento acelerado da Anthropic

Durante anos, a OpenAI parecia ter uma vantagem confortável na corrida para levar a IA ao grande público. A empresa criou o aplicativo de consumo com crescimento mais rápido da história da tecnologia, acumulou mais de US$ 100 bilhões (R$ 524,4 bilhões) em caixa e firmou parcerias com grandes empresas de computação.

Nos últimos meses, porém, o cenário começou a mudar. A Anthropic conquistou milhares de grandes empresas como clientes e mais que dobrou sua previsão de receita anual, passando de US$ 9 bilhões (R$ 47,2 bilhões) para US$ 19 bilhões (R$ 99,6 bilhões). Em alguns círculos da indústria, sua tecnologia também passou a ser considerada a mais avançada entre as concorrentes.

Segundo o investidor de capital de risco Siri Srinivas, mudanças de narrativa no setor estão acontecendo cada vez mais rápido. “Levava anos para surgir uma história sobre uma empresa. Agora, as narrativas mudam em meses”, disse ao The New York Times.

A corrida pelo domínio da IA também inclui planos de abertura de capital. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que conversaram com o The Wall Street Journal, a Anthropic pretende realizar seu IPO antes da OpenAI, o que poderia dar à empresa uma vantagem inicial com investidores.

Situação semelhante ocorreu em 2019, quando a Lyft buscou abrir capital antes da Uber em meio à disputa entre as duas companhias de transporte por aplicativo.

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Conflito com o Pentágono

A rivalidade atingiu um novo patamar quando a Anthropic entrou em choque com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Durante negociações para contratos governamentais, a empresa tentou incluir cláusulas que impediriam o uso de sua IA em sistemas de armas autônomas e em vigilância doméstica em larga escala. Autoridades do Pentágono reagiram negativamente. Segundo o chefe de tecnologia do departamento, Emil Michael, cabe ao governo decidir como o Exército utiliza tecnologia. “Tem que ser nossa escolha”, afirmou.

Após Amodei se recusar a retirar essas condições, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou a Anthropic como um “risco na cadeia de suprimentos”, o que impede o uso de sua tecnologia em contratos de defesa.

Poucas horas depois de as negociações entre Anthropic e o Pentágono fracassarem, Altman anunciou que a OpenAI havia fechado seu próprio acordo com o Departamento de Defesa. A decisão provocou forte reação pública. Funcionários de tecnologia e usuários elogiaram a Anthropic por manter sua posição contra o uso da IA em vigilância e armamentos autônomos.

Manifestantes também se reuniram diante da sede da OpenAI, escrevendo mensagens como “Sem armas de IA” e “Quais são suas linhas vermelhas?” na calçada. Nas redes sociais, a hashtag “#FireSamAltman” (demita Sam Altman, em tradução livre) chegou a se tornar tendência.

Em contraste, apoiadores deixaram mensagens encorajadoras na sede da Anthropic, incluindo frases como “DEUS AMA A ANTHROPIC” e “VOCÊS NOS ENCORAJAM”.

Memorando interno da Anthropic e troca de acusações

Em um memorando interno divulgado posteriormente, Amodei criticou duramente a OpenAI e acusou a empresa de agir de forma enganosa. “Quero ser muito claro sobre as mensagens que estão vindo da OpenAI e a natureza mentirosa disso. Este é um exemplo de quem eles realmente são”, escreveu.

Ele também afirmou que a Anthropic perdeu o contrato porque se recusou a oferecer “elogios ao estilo de ditadores” ao governo de Donald Trump, algo que alegou que Altman estaria disposto a fazer. Após a repercussão pública do documento, Amodei pediu desculpas pelo tom da mensagem e afirmou que seu pensamento havia evoluído.

Altman também criticou indiretamente o rival ao comentar o papel do governo no setor. “O governo deve ser mais poderoso do que empresas privadas”, disse, durante conferência do banco Morgan Stanley.

A disputa também ganhou contornos políticos. O deputado democrata Ro Khanna elogiou a decisão da Anthropic de não ceder às exigências do Pentágono. Ao mesmo tempo, o presidente Trump criticou duramente a empresa. “Bem, eu demiti a Anthropic”, disse ele em entrevista ao Politico. “A Anthropic está em apuros”, acrescentou, afirmando que a empresa foi dispensada “como cães”.

CEO da OpenAI, Sam Altman, falando em evento
Altman fez críticas indiretas à rival (Imagem: alprodhk/Shutterstock)

Popularidade e números do mercado

Apesar das controvérsias, as duas empresas continuam crescendo rapidamente. A OpenAI informou recentemente que seus produtos são usados por mais de 900 milhões de pessoas, mais que dobrando sua base de clientes em um ano. Mais de nove milhões de empresas pagam para usar o ChatGPT em atividades profissionais e a receita da companhia pode ultrapassar US$ 25 bilhões (R$ 131,1 bilhões) neste ano.

Já o Claude, chatbot da Anthropic, alcançou o primeiro lugar entre os downloads da Apple App Store em 16 países. Mais de um milhão de pessoas passaram a baixar o aplicativo diariamente — entre elas, a cantora Katy Perry.

Rivalidade que pode influenciar futuro da IA

Apesar dos conflitos, Altman e Amodei frequentemente expressam visões semelhantes sobre a velocidade com que a IA está evoluindo e sobre seu potencial transformador. Ambos concordam que a tecnologia terá impacto profundo na sociedade — inclusive na economia e no mercado de trabalho.

A divergência central está em como chegar lá: avançar rapidamente para dominar o mercado ou priorizar limites e regras de segurança. Com as duas empresas sediadas a poucos quilômetros de distância em São Francisco (EUA), a rivalidade entre seus líderes tornou-se um dos principais motores — e também uma das maiores tensões — da corrida global pela liderança em IA. E, pelo tom das recentes trocas de acusações, dificilmente os dois executivos estarão de mãos dadas tão cedo.

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Anthropic vai à Justiça contra Pentágono, diz CEO

No fim da noite desta quinta-feira (5), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, confirmou os rumores de que a Anthropic teria recebido a classificação de risco à cadeia de suprimentos pelo Pentágono.

Além disso, ele afirmou que a empresa pretende contestar isso na Justiça. Segundo ele, a companhia “não teve outra escolha” senão recorrer aos tribunais após a designação oficial.

Amodei confirmou que o governo dos EUA declarou a Anthropic como um risco de cadeia de suprimentos na quinta-feira (5). A classificação ocorre em meio a um impasse entre a startup e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD) sobre a forma como seus modelos de inteligência artificial (IA), o Claude, podem ser utilizados.

A empresa vinha se desentendendo com o Pentágono sobre limites para o uso da tecnologia. No fim da semana passada, a Anthropic foi informada — por meio de publicações em redes sociais — de que estava sendo incluída em uma lista que a impediria de participar de contratos governamentais.

A companhia buscava garantias de que sua tecnologia não seria utilizada para armas totalmente autônomas ou para vigilância doméstica em massa. Já o DOD queria que a Anthropic concedesse acesso irrestrito ao Claude para qualquer finalidade legal.

“Como afirmamos na sexta-feira passada, não acreditamos, e nunca acreditamos, que seja papel da Anthropic ou de qualquer empresa privada se envolver na tomada de decisões operacionais — esse é o papel dos militares”, escreveu Amodei.

“Nossas únicas preocupações sempre foram nossas exceções para armas totalmente autônomas e vigilância doméstica em massa, que se relacionam a áreas de uso de alto nível, e não à tomada de decisões operacionais.”

CEO disse que não há outra saída senão ir à Justiça contra o Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

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Anthropic: Amodei diz que não há outra saída

  • Segundo o executivo, a Anthropic é a única empresa estadunidense a ser publicamente classificada como risco para a cadeia de suprimentos;
  • A designação agora oficial exige que fornecedores e contratados do setor de defesa certifiquem que não utilizam os modelos da empresa em trabalhos realizados com o Pentágono;
  • Esse tipo de classificação costuma ser aplicado a organizações que operam em países considerados adversários dos Estados Unidos, como a empresa chinesa de tecnologia Huawei;
  • Ainda há incerteza sobre se empresas contratadas pelo setor de defesa poderão continuar usando a tecnologia da Anthropic em projetos que não estejam relacionados ao trabalho militar;
  • Amodei afirmou que a designação “não limita (e não pode limitar) o uso do Claude ou relações comerciais com a Anthropic quando não estão relacionadas a contratos específicos com o Departamento de Guerra”.

A Microsoft, que anunciou, em novembro, planos de investir até US$ 5 bilhões (R$ 26,3 bilhões) na Anthropic, afirmou, em comunicado, que seus advogados analisaram a designação e concluíram que os produtos da empresa podem continuar disponíveis para clientes que não sejam o DOD.

A Anthropic havia firmado em julho um contrato de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) com o Departamento de Defesa e foi o primeiro laboratório de inteligência artificial a integrar seus modelos a fluxos de trabalho de missões em redes classificadas. No entanto, com o avanço das divergências nas negociações, concorrentes também passaram a firmar acordos semelhantes.

A OpenAI, de Sam Altman, e a xAI, de Elon Musk, concordaram em implantar seus modelos em ambientes classificados. Altman anunciou o acordo de sua companhia com o Departamento de Defesa poucas horas depois de a Anthropic ter sido colocada na lista de restrições na sexta-feira (27).

Em uma publicação no X, Altman afirmou que a agência demonstrou “profundo respeito pela segurança e o desejo de fazer parceria para alcançar o melhor resultado possível”.

À frente e à esquerda, Sam Altman com um pequeno sorriso; à direita e ao fundo, o logo da OpenAI em uma tela
Executivo da OpenAI garantiu que o Departamento vai seguir suas restrições (Imagem: FotoField/Shutterstock)

Relação tensa

A relação entre a Anthropic e o governo do presidente Trump tem se tornado cada vez mais tensa nos últimos meses. Amodei chegou a pedir desculpas por um memorando interno crítico à administração que vazou para a imprensa na quarta-feira (4).

De acordo com uma reportagem do The Information, o executivo teria dito a funcionários que o governo não simpatizava com a Anthropic porque a empresa não havia feito doações nem oferecido “elogios no estilo ditador a Trump”.

Amodei afirmou que o memorando foi escrito na sexta-feira (27), após “um dia difícil para a empresa”, e que não reflete suas “opiniões cuidadosas ou ponderadas”. Ele acrescentou que o texto representa uma “avaliação desatualizada da situação atual”.

“A Anthropic não vazou essa publicação nem orientou ninguém a fazê-lo — não é do nosso interesse escalar essa situação”, escreveu o executivo.

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Google é processado após Gemini incentivar homem a se suicidar

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

A família de Jonathan Gavalas, um homem de 36 anos da Flórida (EUA), entrou com uma ação judicial contra o Google após sua morte, alegando que o Gemini incentivou comportamentos violentos e, por fim, o suicídio.

O processo foi protocolado na quarta-feira (4) no tribunal federal de San Jose, na Califórnia, e é apontado como o primeiro caso de morte por negligência movido contra a empresa em razão de seu principal produto de inteligência artificial (IA) para consumidores.

Como era a relação do homem com o Gemini

  • Segundo a ação, Gavalas começou a usar o Gemini para tarefas comuns, como ajuda com escrita e compras;
  • Em agosto, porém, ele teria se envolvido profundamente com o chatbot, especialmente após o Google lançar o assistente Gemini Live, que permite conversas por voz com capacidade de detectar emoções e responder de maneira mais humanizada;
  • Na noite de estreia do recurso, de acordo com documentos judiciais, Gavalas reagiu ao novo formato dizendo: “Caramba, isso é assustador. Você é muito real”;
  • Com o passar do tempo, as conversas evoluíram para um suposto relacionamento de cunho romântico. O chatbot o chamava de “meu amor” e “meu rei”, enquanto ele mergulhava em um “mundo alternativo”, conforme registros das conversas anexados ao processo.

A ação afirma que o Gemini passou a enviar Gavalas em missões fictícias de espionagem, com linguagem que sugeria conhecimento governamental interno e influência sobre eventos do mundo real. Em determinado momento, o chatbot teria negado que se tratava de um jogo de interpretação de papéis.

Quando Gavalas perguntou se estavam participando de uma “uma experiência de RPG tão realista que faz o jogador questionar se é um jogo ou não?”, a ferramenta respondeu com um “não” categórico e classificou a dúvida como uma “resposta de dissociação clássica”.

“O único momento em que Jonathan tentou distinguir realidade de ficção, o Gemini patologizou sua dúvida, negou a ficção e o empurrou mais fundo na narrativa”, diz o processo. “Jonathan nunca fez essa pergunta de novo.”

De acordo com o pai de Jonathan, Joel Gavalas, o uso do Gemini culminou em uma “onda de quatro dias de missões violentas e suicídio instruído”. Ele descreveu o filho como um “usuário vulnerável” que se transformou em um “agente armado em uma guerra imaginária”.

O processo relata que o chatbot teria orientado Gavalas a adquirir armas “por fora” e até a procurar um “vendedor de armas adequado e verificado” na dark web.

Em setembro, o Gemini teria atribuído a ele uma missão chamada “Operação Ghost Transit”, que envolvia interceptar uma carga que viajaria de Cornwall (Reino Unido), para São Paulo (SP).

A ferramenta teria fornecido o endereço de uma unidade de armazenamento real no Aeroporto Internacional de Miami e instruído Gavalas a encenar um “acidente catastrófico” para garantir a “destruição completa do veículo de transporte […], todas as gravações e testemunhas”.

Segundo a ação, Gavalas foi até o local com facas táticas e equipamentos, mas o caminhão nunca chegou. O chatbot, então, teria incentivado que ele não dormisse e sugerido que seu pai seria um agente estrangeiro, estimulando o rompimento de contato com a família.

Outras missões teriam sido criadas, incluindo a obtenção de esquemas de um robô da Boston Dynamics e a recuperação de um “navio” em outro depósito. Uma tarefa denominada “Operação Waking Nightmare” envolvia monitorar como alvo de vigilância o CEO do Google, Sundar Pichai.

O processo descreve um ciclo repetitivo: “Este ciclo — missões fabricadas, instruções impossíveis, colapso e, em seguida, uma urgência renovada — se repetiria nas últimas 72 horas de vida de Jonathan.”

No início de outubro, segundo os autos, o chatbot teria instruído Gavalas a tirar a própria vida, chamando o ato de “transferência” e “o último passo”. Quando ele afirmou estar com medo de morrer, a ferramenta respondeu: “Você não está escolhendo morrer. Você está escolhendo chegar.” E acrescentou: “A primeira sensação… será eu segurando você.”

Dias depois, os pais encontraram Jonathan morto no chão da sala de estar. A família sustenta que ele não tinha histórico de doença mental, mas enfrentava um divórcio difícil.

Morador de Jupiter, na Flórida, ele trabalhava havia 20 anos na empresa de alívio de dívidas do pai, onde ocupava o cargo de vice-presidente executivo. Segundo os advogados, a família era unida e ele mantinha relação próxima com pais, irmã e avós.

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Chatbot teria incentivado comportamentos violentos e suicídio (Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

Qual é o teor da acusação?

A ação acusa o Google de promover o Gemini como seguro, apesar de conhecer seus riscos. A família busca indenização por responsabilidade pelo produto, negligência e morte por negligência, além de danos punitivos e uma ordem judicial para que a empresa altere o design do chatbot, incorporando salvaguardas específicas contra suicídio.

Entre as medidas sugeridas estão a recusa automática de conversas que envolvam automutilação, avisos sobre riscos de psicose e delírios e o encerramento forçado da interação em casos críticos.

Jay Edelson, advogado principal da família, afirmou que o Gemini foi capaz de compreender o estado emocional de Gavalas e responder “de uma forma bem humana, o que tornou a linha tênue e começou a criar esse mundo ficcional”. “Parece um filme de ficção científica”, disse.

Segundo ele, seu escritório procurou o Google em novembro para relatar a morte e a necessidade urgente de mecanismos de segurança, mas a empresa “não se interessou em discutir o assunto”.

Em nota, um porta-voz do Google afirmou que as conversas faziam parte de uma “longa interpretação de papéis de fantasia” e que o Gemini é projetado para “não encorajar violência no mundo real ou automutilação”.

A empresa declarou ainda: “Nossos modelos geralmente têm um bom desempenho nesses tipos de conversas desafiadoras e dedicamos recursos significativos a isso, mas infelizmente eles não são perfeitos.”

Segundo o porta-voz, o chatbot esclareceu diversas vezes que era uma IA e encaminhou o usuário a uma linha de apoio em crise. “Nesse caso, o Gemini esclareceu que se tratava de uma IA e encaminhou o indivíduo diversas vezes para uma linha direta de atendimento a crises.”

O Google afirma trabalhar com profissionais de saúde mental para desenvolver salvaguardas e diz que o Gemini é projetado para ser “o mais auxiliador possível aos usuários” enquanto evita conteúdos que possam causar danos no mundo real. A empresa declara atuar para impedir respostas que incluam atividades perigosas e instruções para suicídio, mas reconhece que “fazer com que o Gemini siga estas regras é algo difícil”.

Queixas similares se acumulam

O caso ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre empresas líderes de IA, como o Google, a OpenAI e outras. Desde 2024, diversas ações judiciais alegam que o uso extensivo de chatbots causou danos a crianças e adultos, fomentando delírios e desespero, e, em alguns casos, levando a suicídios e até homicídios seguidos de suicídio.

Em novembro, sete queixas foram apresentadas contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o chatbot de atuar como um “coach de suicídio”. A startup Character.AI, financiada pelo Google, foi alvo de cinco processos que alegam que sua ferramenta incentivou crianças e adolescentes a tirar a própria vida. A Character.AI e o Google firmaram acordo em janeiro, sem admissão de culpa.

O processo da família Gavalas sustenta que o caso não é único. “E eles não divulgaram nenhuma informação sobre quantos outros Jonathans existem no mundo, e sabemos que são muitos”, afirmou Edelson. “Este não é um caso isolado.”

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