Samsung passou a ser alvo de uma investigação comercial nos Estados Unidos após uma denúncia apresentada pela Netlist. O caso envolve chips de memória presentes em servidores que sustentam boa parte dos serviços de inteligência artificial.
Segundo a Reuters, a apuração também alcança produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes.
A denúncia da Netlist coloca memórias DRAM da Samsung no centro de um novo embate bilionário no setor de IA. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock
Caso ganha força em meio ao avanço da IA
A Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC) abriu um processo para investigar se chips de memória da Samsung infringem patentes registradas pela americana Netlist. A denúncia envolve memórias DRAM (Dynamic Random Access Memory), responsáveis pelo armazenamento temporário de dados utilizados pelos processadores.
Na prática, esses componentes são indispensáveis para os servidores que operam aplicações de IA em grandes data centers.
A Netlist solicita que a USITC bloqueie a importação dos chips contestados e dos produtos que os utilizam, além de impedir sua comercialização no mercado americano.
Uma disputa que vem de longe
O processo é mais um desdobramento de uma batalha judicial travada há anos entre as duas empresas por tecnologias de memória de alto desempenho.
Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (cerca de R$ 601,8 milhões) à Netlist por infringir patentes relacionadas ao processamento de dados em memórias. Um ano antes, outra decisão fixou uma indenização de US$ 303 milhões (aproximadamente R$ 1,55 bilhão) em um caso semelhante.
Agora, caberá a um juiz da USITC analisar as provas e apresentar uma decisão inicial, que ainda poderá ser revisada pela comissão.
Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer também aparecem no caso por venderem produtos com os chips investigados. – Imagem: Evolf / Shutterstock
Mercado acompanha os próximos passos
Não por acaso, a investigação ocorre justamente quando cresce a procura por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Empresas de tecnologia aceleram investimentos em data centers, elevando a demanda por memórias produzidas por Samsung, SK Hynix e Micron. Segundo a Reuters, esse movimento também contribuiu para aumentar os preços desses componentes.
A USITC deverá definir, em até 45 dias, o cronograma do caso. Se decidir restringir a importação ou a venda dos produtos investigados, a medida entrará em vigor imediatamente e poderá ser revertida apenas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos dentro do prazo de 60 dias.
O caso coloca sob os holofotes um dos mercados mais estratégicos da atualidade: os chips para inteligência artificial. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock
Decisão pode afetar toda a cadeia
A abertura do processo não significa que houve violação das patentes, mas coloca sob pressão uma cadeia de fornecimento estratégica para o setor de IA.
Enquanto a comissão analisa os argumentos apresentados por Netlist e Samsung, fabricantes e empresas que utilizam essas memórias acompanham o caso de perto. O desfecho poderá influenciar não apenas as duas companhias, mas também um mercado cada vez mais dependente de servidores e data centers para atender ao avanço da inteligência artificial.
A União Europeiadeterminou que o Google permita maior acesso de empresas de inteligência artificial ao Android. A medida coloca pressão sobre a gigante de tecnologia e tenta ampliar a disputa por assistentes digitais nos celulares.
A decisão acontece em um momento em que empresas de IA buscam espaço dentro dos smartphones, transformando os aparelhos em ferramentas mais personalizadas para tarefas do dia a dia.
A União Europeia quer ampliar a concorrência entre assistentes digitais, como Gemini e Siri. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Android vira novo campo de disputa da inteligência artificial
Os reguladores europeus exigiram que o Google ofereça “igualdade de condições” para serviços concorrentes de IA. Na prática, a empresa terá de permitir que outras plataformas disputem espaço com o Gemini, seu próprio assistente.
A preocupação da União Europeia é que o domínio do Android, presente em cerca de 60% dos smartphones do bloco, dê ao Google uma vantagem difícil de superar.
Além do acesso a recursos do sistema, a decisão envolve o compartilhamento de dados anonimizados do mecanismo de busca com concorrentes, incluindo empresas que desenvolvem chatbots.
possibilidade de usar comandos de voz e executar ações em aplicativos;
compartilhamento de dados de busca anonimizados;
redução de barreiras para desenvolvedores externos.
A medida faz parte da Lei de Mercados Digitais (Digital Markets Act), que exige maior interoperabilidade entre grandes plataformas de tecnologia.
A decisão pode mudar a forma como usuários escolhem seus assistentes de IA no Android. – Imagem: jackpress / Shutterstock
Google alerta para riscos de privacidade
O Google afirmou que a decisão pode criar novos problemas de segurança ao permitir que terceiros tenham acesso a informações sensíveis dos usuários.
Hoje, as decisões colocam em risco importantes proteções de privacidade e segurança para milhões de europeus.
Kent Walker, conselheiro-geral do Google, em nota enviada ao The New York Times.
A empresa também argumentou que dados armazenados nos celulares e informações do histórico de buscas precisam de proteção contra acessos inadequados.
A União Europeia, porém, entende que consumidores devem ter mais opções de escolha. Pela regra, desenvolvedores externos poderão oferecer alternativas ao Gemini e à Siri, da Apple.
O Google diz que a medida pode criar riscos para a privacidade e a segurança dos usuários. – Imagem: TippaPatt / Shutterstock
Empresas disputam o controle dos celulares
O avanço da IA nos smartphones transformou os sistemas operacionais em uma peça estratégica. Assistentes integrados aos aparelhos podem ajudar usuários em tarefas como responder mensagens, interagir com aplicativos e encontrar informações rapidamente.
Google e Apple possuem uma vantagem porque controlam os sistemas móveis mais populares do mundo. Por isso, reguladores europeus passaram a acompanhar de perto como essas empresas lidam com novos recursos de inteligência artificial.
A Apple também enfrentou dificuldades com a regulamentação europeia. Em junho, a empresa afirmou que adiaria novos recursos de IA da Siri na região por não chegar a um acordo com os reguladores.
O Google terá até julho do próximo ano para implementar as mudanças exigidas pela União Europeia. A empresa ainda não informou se pretende recorrer da decisão.
A Apple está avaliando a compra de empresas de chips para melhorar sua capacidade de processamento em inteligência artificial, segundo informações da Reuters. A iniciativa surge após desafios com os componentes usados atualmente em seus servidores de IA.
A companhia procura alternativas para acompanhar a evolução dos grandes modelos de inteligência artificial.
Servidores de IA da Apple usam chips próprios, mas enfrentam desafios de desempenho. – Imagem: Macro photo / Shutterstock
Apple avalia compra de startups de semicondutores
Segundo a Reuters, a Apple procurou startups de chips e conversou com bancos sobre possíveis aquisições. A empresa ainda não confirmou nenhuma negociação.
Os servidores de IA da companhia usam chips próprios baseados no M2 Ultra, mas enfrentam limitações de desempenho, segundo o The Information. O projeto “Baltra”, criado para uma nova geração de processadores, também teria sido adiado.
Preparar novos recursos baseados em inteligência artificial.
Teste com Gemini revelou limitações
Durante o desenvolvimento de uma nova Siri, a Apple testou modelos Gemini, do Google, em seus servidores. Porém, os chips baseados em Mac não conseguiram lidar com os modelos maiores, levando parte da operação para chips da Nvidia em uma nuvem do Google.
A situação mostra um dos desafios da empresa na disputa por recursos avançados de IA.
Acordo com a Broadcom reforça a estratégia da Apple para garantir fornecimento de chips. – Imagem: bluestork/Shutterstock
Apple mantém grandes investimentos em chips
Apesar de evitar grandes compras, a Apple adquiriu em janeiro a Q.ai, empresa israelense de tecnologia de IA para áudio.
A companhia tinha US$ 45,57 bilhões (cerca de R$ 246 bilhões) em caixa até 28 de março. Também anunciou um acordo superior a US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 162 bilhões) com a Broadcom para fornecimento de chips.
Uma ação judicial contra a Meta colocou o uso de inteligência artificial em decisões trabalhistas no centro do debate. Vinte e seis ex-funcionários afirmam que ferramentas de IA podem ter influenciado uma rodada de demissões da empresa.
Segundo o processo citado pela Reuters, trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica teriam sido afetados de forma desproporcional. A Meta nega a acusação e diz que as decisões foram tomadas por gestores.
Ferramentas de IA usadas por empresas passam a ser questionadas em decisões sobre contratação e desligamento. – Imagem: MMD Creative/Shutterstock
Processo envolve corte de cerca de 8 mil funcionários
Apresentada em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, a ação reúne ex-funcionários de seis estados americanos e do Distrito de Colúmbia. Os autores alegam que a empresa violou normas que protegem trabalhadores contra discriminação e retaliação.
O processo afirma que um software baseado em IA teria participado da avaliação dos profissionais durante os cortes anunciados pela companhia. Entre os critérios analisados estariam produtividade e uso de recursos de inteligência artificial.
A Meta havia anunciado, no início do ano, a redução de aproximadamente 10% da força de trabalho global, o equivalente a cerca de 8 mil pessoas. As demissões começaram em maio, com novas etapas previstas.
Uso de IA em decisões trabalhistas entra em debate
Além da disputa judicial, o caso levanta uma questão que empresas de diferentes setores começam a enfrentar: até onde sistemas automatizados podem participar de decisões que afetam funcionários?
De acordo com os ex-colaboradores, fatores considerados no processo incluíam:
indicadores de produtividade;
uso de ferramentas e recursos de inteligência artificial;
períodos de licença médica ou afastamentos por saúde;
impacto sobre trabalhadores protegidos por leis trabalhistas.
Os 26 autores registraram a ação de forma anônima e afirmam que a tecnologia teria contribuído para atingir profissionais em situações consideradas mais vulneráveis.
A empresa anunciou cortes de cerca de 10% da força de trabalho global, equivalente a aproximadamente 8 mil funcionários. – Imagem: Andrii Yalanskyi / Shutterstock.com
Meta afirma que decisões foram tomadas por pessoas
A companhia rejeitou as acusações apresentadas no processo. Segundo um porta-voz da Meta, nenhum sistema de inteligência artificial foi responsável por escolher os funcionários que seriam desligados.
“As decisões organizacionais e de gestão da força de trabalho foram e são tomadas por pessoas, não por IA”, disse o porta-voz da empresa.
O processo ainda está no início e deverá passar pela análise das evidências apresentadas pelos ex-funcionários e pela defesa da Meta. O caso se tornou mais um exemplo dos desafios que surgem com a expansão da inteligência artificial em ambientes corporativos.
A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, instalou 59 turbinas a gás para alimentar o data center Colossus 2, nos Estados Unidos, sem as licenças federais apontadas pela Reuters como necessárias. O caso colocou em discussão os impactos ambientais da corrida por infraestrutura para IA.
Os equipamentos ficam principalmente em Southaven, no Mississippi, perto da fronteira com o Tennessee, onde está o data center usado para operar sistemas como o chatbot Grok.
O projeto da xAI colocou em discussão o equilíbrio entre avanço tecnológico e proteção ambiental. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Projeto de energia própria da xAI chama atenção de reguladores
A análise da Reuters indica que a xAI instalou 59 turbinas movidas a gás natural para fornecer energia ao Colossus 2. O número é mais que o dobro das 27 unidades que a empresa havia informado anteriormente operar sem licença.
A reportagem teve acesso a documentos públicos, dados governamentais e comunicações entre representantes da companhia e órgãos ambientais. Os registros mostram que a maior parte das turbinas está em Southaven, enquanto a instalação de inteligência artificial fica em Memphis.
O modelo adotado pela xAI acompanha uma tendência do setor: empresas de tecnologia buscam geração própria de energia para atender ao consumo crescente dos grandes centros de dados usados no treinamento e funcionamento de sistemas de IA.
Após analisar os dados, o analista Ben King, do instituto Rhodium Group, afirmou: “Isso parece ser um nível sem precedentes de gás instalado atrás do medidor em um único local”.
Comunidades próximas ao empreendimento questionam possíveis impactos da geração de energia para a IA. – Imagem: SevenMaps/Shutterstock
Comunidades próximas relatam preocupação com poluição
A instalação também virou alvo de uma disputa judicial. A NAACP e o Southern Environmental Law Center entraram com uma ação contra a xAI, argumentando que as turbinas deveriam seguir regras do Clean Air Act, principal legislação ambiental dos Estados Unidos sobre qualidade do ar.
Entre os pontos levantados estão:
Possíveis emissões acima dos limites que exigiriam autorização federal.
Impactos em bairros historicamente negros próximos ao projeto.
Falta de avaliações ambientais mais amplas antes da operação.
Debate sobre os efeitos da expansão da IA em comunidades locais.
O Departamento de Qualidade Ambiental do Mississippi afirmou que turbinas temporárias ou móveis não precisam de licença, enquanto a EPA informou avaliar possíveis mudanças regulatórias para esses equipamentos.
A corrida por mais poder computacional da IA também aumenta a demanda por novas estruturas de energia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
Emissões estimadas aumentam debate ambiental
Segundo os cálculos da Reuters, apenas 30 das 59 turbinas poderiam liberar anualmente cerca de 2,5 mil toneladas curtas de óxidos de nitrogênio, 4 mil toneladas de monóxido de carbono e 22 toneladas de formaldeído.
Moradores dizem que o impacto já faz parte da rotina. Em Colonial Hills, no Mississippi, residentes relatam que o som das turbinas é constante e se parece com o de motores de avião.
“Essa é uma quantidade enorme de turbinas e uma quantidade inimaginável de poluição do ar”, disse Shannon Samsa, moradora de Southaven.
A análise também apontou que regiões próximas ao empreendimento têm maior presença de moradores negros e índices de doenças respiratórias acima das médias locais.
O caso da xAI evidencia um desafio crescente para o setor de tecnologia: ampliar a capacidade energética necessária para a inteligência artificial sem ignorar os impactos ambientais e sociais gerados por essa expansão.
Você envia um currículo, adapta outro para uma vaga diferente e tenta novamente. As respostas, quando chegam, costumam ser parecidas. Um estudo da Universidade Stanford indica que isso pode não ser mera coincidência.
Depois de analisar milhões de candidaturas, os pesquisadores concluíram que diferentes empresas podem utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de repetir os mesmos padrões de aprovação e rejeição.
Enviar muitos currículos pode não ser suficiente quando empresas utilizam sistemas de IA com critérios semelhantes. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O que significa “monocultura algorítmica”?
A pesquisa Algorithmic Monocultures in Hiring avaliou cerca de 4 milhões de candidaturas enviadas por mais de 3,4 milhões de pessoas para 156 empresas de 11 setores da economia.
Todas essas organizações utilizavam algoritmos desenvolvidos pelo mesmo fornecedor. Esse detalhe permitiu identificar o fenômeno chamado “monocultura algorítmica”, inspirado na agricultura, onde grandes áreas são ocupadas por uma única cultura.
Quando muitas empresas recorrem a ferramentas semelhantes, cresce a chance de que elas avaliem candidatos usando praticamente a mesma lógica. E isso vale tanto para os acertos quanto para possíveis limitações dos modelos.
Perfis semelhantes tendem a receber avaliações parecidas quando os sistemas compartilham critérios de classificação. – Imagem: Dai Yim/ Shutterstock
Por que tantas rejeições podem se repetir?
Outro achado importante envolve os chamados perfis semelhantes. De acordo com o estudo, candidatos com características parecidas tendem a receber avaliações semelhantes mesmo ao disputar vagas em empresas diferentes.
Os principais resultados mostram que:
Cerca de 10% dos candidatos que disputam quatro vagas são rejeitados em todas elas.
Entre os que se candidatam a dez vagas, aproximadamente 4% recebem dez rejeições consecutivas.
As rejeições ocorrem com uma frequência maior do que seria esperado em decisões independentes.
Muitos currículos são descartados antes mesmo da análise de um recrutador.
Para verificar se esse comportamento não era apenas fruto do acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e estudos anteriores sobre recrutamento sem centralização algorítmica. A análise mostrou que as recusas sucessivas refletem um padrão compartilhado entre diferentes processos seletivos.
Mesmo com a IA, enviar mais currículos ainda aumenta as chances de conseguir uma oportunidade, diz o estudo. – Imagem: Gonzalo Aragon/Shutterstock
Vale a pena continuar enviando currículos?
Segundo as simulações, sim. O estudo indica que aumentar o número de candidaturas ainda melhora as chances de conseguir uma oportunidade, embora esse efeito seja menor quando diferentes empresas utilizam sistemas semelhantes.
Em um cenário de decisões independentes, cerca de dez candidaturas seriam suficientes para alcançar uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva. Quando os processos passam por plataformas centralizadas, esse número sobe para aproximadamente 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.
Os autores também alertam para outro ponto: a concentração do mercado de tecnologia para recrutamento. Como poucos fornecedores atendem muitas empresas, eventuais limitações ou vieses podem se espalhar rapidamente. Além disso, a baixa transparência dessas plataformas dificulta estudos independentes e torna mais difícil entender como essas ferramentas influenciam o acesso ao emprego. Para muitos candidatos, toda essa etapa acontece sem que eles sequer saibam que um algoritmo analisou primeiro o currículo.
O mercado global de smartphones teve um dos piores desempenhos recentes. A escassez de chips de memória reduziu as remessas de aparelhos no segundo trimestre, que chegaram ao menor nível para o período desde 2013.
De acordo com estimativas preliminares da Counterpoint Research, divulgadas pela Reuters, as fabricantes enviaram 11% menos aparelhos no período analisado. O principal motivo foi a disputa por componentes com o avanço da inteligência artificial.
Menos chips disponíveis significam mais pressão sobre preços de celulares em todo o mundo. – Imagem: Denis Klimov 3000/Shutterstock
IA muda a disputa por componentes
Os fornecedores de memória passaram a priorizar clientes ligados a data centers de inteligência artificial, reduzindo a disponibilidade de chips para empresas de eletrônicos de consumo.
Com menos componentes disponíveis e preços mais altos, fabricantes repassaram parte dos custos aos consumidores, principalmente nos modelos básicos e intermediários. Segundo a Counterpoint, a pressão deve continuar até 2027.
Entre os principais reflexos estão:
aumento nos preços dos aparelhos;
queda nas vendas de modelos de entrada;
redução das remessas globais;
maior dificuldade para fabricantes que dependem de celulares mais baratos.
A consultoria manteve a previsão de queda de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones neste ano.
Apple desafia tendência de queda
Enquanto boa parte do setor recuou, a Apple conseguiu avançar. As remessas da companhia cresceram 3% no segundo trimestre, levando a marca a uma participação recorde de 20% no mercado global.
O resultado foi impulsionado pela procura por modelos premium da linha iPhone e pela manutenção dos preços. Analistas, porém, esperam possíveis reajustes nos próximos meses.
A Samsung recuperou a liderança, com 24% de participação, beneficiada pelas vendas da linha Galaxy S26, pela disponibilidade de produtos e por aumentos menores em mercados como Índia e Oriente Médio.
Xiaomi, Oppo e Vivo sentiram mais os efeitos da crise por dependerem de modelos básicos e intermediários. – Imagem: Jack Skeens/Shutterstock
Marcas populares sentem mais a pressão
Xiaomi, Oppo e Vivo registraram as maiores quedas entre as cinco principais fabricantes. A maior exposição aos segmentos de entrada e intermediário deixou essas empresas mais vulneráveis ao aumento dos custos.
A análise da Counterpoint Research mostra que a indústria de celulares agora disputa espaço com uma nova demanda: a inteligência artificial. Enquanto data centers precisam de cada vez mais memória, fabricantes de smartphones tentam equilibrar preços e disponibilidade de componentes.
A OpenAI enfrenta um novo capítulo na disputa judicial movida por organizações jornalísticas que a acusam de violação de direitos autorais.
Os autores da ação, liderados pelo The New York Times, pediram ao tribunal a aplicação de “sanções sérias” contra a empresa, alegando que ela ocultou provas durante anos para impedir que fossem analisados milhões de registros do ChatGPT em busca de evidências de que usuários conseguiam reproduzir artigos protegidos por paywalls.
Segundo os autores, esses registros representam uma das evidências mais importantes do processo. Eles poderiam tanto demonstrar que a OpenAI infringiu direitos autorais quanto reforçar a tese da empresa de que o ChatGPT faz um uso justo e transformador do conteúdo jornalístico.
Jornais acusam OpenAI de mentir ao tribunal
Em uma moção apresentada nesta quinta-feira (9), as organizações jornalísticas afirmam que a OpenAI mentiu repetidamente ao longo de dois anos para esconder evidências que poderiam enfraquecer sua defesa.
De acordo com o pedido, essas supostas falsidades vieram à tona após o tribunal determinar um novo depoimento do engenheiro de privacidade da OpenAI, Vincent Monaco, inicialmente considerado uma “testemunha mal preparada”.
Durante um novo interrogatório realizado em abril, Monaco teria revelado que a empresa enganou o tribunal ao afirmar, durante dois anos, que seria caro e tecnicamente difícil pesquisar os registros do ChatGPT.
Os autores sustentam que uma das descobertas mais relevantes foi a de que a OpenAI alegava não possuir capacidade técnica para pesquisar grandes amostras anonimizadas de conversas do ChatGPT, embora já tivesse realizado esse tipo de pesquisa antes mesmo do início do processo judicial.
Segundo os jornais, a ocultação dessas informações reteve evidências consideradas altamente relevantes, prolongou a fase de produção de provas, aumentou os custos do litígio e sobrecarregou o tribunal.
OpenAI diz que pedido tenta ampliar acesso a dados de usuários
Em resposta às acusações, um porta-voz da OpenAI afirmou que o pedido de sanções representa uma tentativa tardia do The New York Times de obter acesso a um número maior de registros e violar a privacidade de usuários que não têm relação com o processo;
Segundo o representante da empresa, o fato de o jornal ter desistido recentemente de algumas alegações demonstraria que a ação judicial estaria enfraquecendo;
“À medida que o caso do Times enfraquece e eles foram forçados a abandonar alegações contra nós, persistem em seus esforços para invadir a privacidade de pessoas que nada têm a ver com este caso, inclusive fazendo essas alegações flagrantemente falsas”, afirmou o porta-voz. “Continuaremos defendendo a privacidade de nossos usuários e os princípios há muito estabelecidos de uso justo”;
No mês anterior, porém, o porta-voz do The New York Times, Graham James, contestou essa interpretação;
Segundo ele, a retirada de algumas alegações não enfraqueceu o processo, mas o tornou mais objetivo ao acrescentar acusações também contra a Microsoft;
“Nossas alegações centrais permanecem as mesmas desde o dia em que ajuizamos este processo — que a Microsoft e a OpenAI roubaram milhões de obras protegidas por direitos autorais do Times para competir com nossos produtos e se enriquecer ilegalmente”, declarou James.
NYT afirma que OpenAI escondeu amostras de até 78 milhões de registros
Embora grande parte da moção esteja sob sigilo, os autores afirmam que Monaco revelou a existência de duas grandes bases de dados já anonimizadas, contendo aproximadamente dez milhões e 78 milhões de registros do ChatGPT.
Segundo os jornais, essas amostras poderiam ter sido disponibilizadas desde o início do processo para acelerar a fase de coleta de provas.
Os autores alegam que a OpenAI jamais revelou a existência desses conjuntos de dados durante dois anos de litígio. Eles afirmam ainda que a empresa já havia pesquisado essas bases anteriormente para localizar conteúdo do The New York Times enquanto desenvolvia um filtro destinado a impedir que o ChatGPT reproduzisse material protegido por direitos autorais.
“A OpenAI estava disposta e capaz de pesquisar seus registros de saída — quando isso a beneficiava”, afirmaram os autores, acusando a empresa de tornar a fase de descoberta “o mais onerosa possível”.
The New York Times, dentre outros jornais, processam OpenAI e outras empresas, como a Microsoft – Imagem: Shutterstock
Advogado do NYT acusa empresa de obstruir acesso às provas
Em declaração à Ars Technica, o advogado principal do The New York Times, Ian Crosby, afirmou que a OpenAI dificultou deliberadamente o acesso aos registros para proteger sua defesa baseada no uso justo. “Por mais de dois anos, a OpenAI mentiu para o Times, para os autores do Daily News, para o público e para o tribunal”, afirmou Crosby.
Segundo ele, a empresa sustentou durante todo esse período que pesquisar as respostas do ChatGPT em busca de reproduções de conteúdos jornalísticos seria inviável, caro e prejudicial à privacidade dos usuários, ao mesmo tempo em que escondia o fato de já ter realizado exatamente esse tipo de pesquisa.
“Se a OpenAI realmente acreditasse que copiar o jornalismo de nossos clientes era justo e legal, não teria escondido a verdade sobre ter feito isso”, declarou.
Os autores afirmam que, em vez de disponibilizar as amostras já anonimizadas, a OpenAI obrigou as organizações jornalísticas a trabalhar durante oito meses dentro de um ambiente controlado (“sandbox”), no qual só era possível consultar uma amostra fortemente censurada contendo 20 milhões de registros.
Esse conjunto de dados já era significativamente menor do que os cerca de 120 milhões de registros originalmente solicitados pelos autores.
Segundo a ação, a situação foi agravada porque a OpenAI utilizou inteligência artificial (IA) para realizar aproximadamente 19 bilhões de censuras nessa base de dados. De acordo com os jornais, o volume de ocultações foi tão grande que o próprio tribunal classificou a amostra como “inutilizável”.
Embora parte dessas censuras tenha sido posteriormente removida, os autores afirmam que ainda permanecem ocultos domínios, nomes e outros campos relevantes para a investigação. Enquanto isso, segundo a moção, a OpenAI mantinha sob sua posse uma amostra de 78 milhões de conversas que já estava anonimizada.
Jornais também acusam OpenAI de apagar registros
Os autores afirmam ainda que as reuniões destinadas à negociação das buscas de dados foram excessivamente prolongadas, atrasando a produção de provas.
Próximo ao encerramento da fase de descoberta, a OpenAI teria informado que a amostra de 78 milhões de registros já estava disponível para inspeção havia mais de um ano. Para os autores, essa alegação seria incompatível com a postura adotada pela empresa durante todo o processo, quando sustentava que o acesso a registros adicionais colocaria em risco a privacidade dos usuários.
Além disso, a OpenAI também é acusada de apagar aleatoriamente partes da amostra limitada de 20 milhões de registros e de excluir ou comprimir bilhões de conversas que deveriam ter sido preservadas por determinação judicial.
Segundo o The New York Times, Monaco declarou que a empresa simplesmente decidiu que cumprir a ampla ordem de preservação emitida pelo tribunal seria difícil e, por isso, não tomou providências para preservar todas as conversas.
“Não pode haver dúvida quanto à intencionalidade da conduta da OpenAI, nem qualquer desculpa para seu descumprimento. Segundo o Sr. Monaco, a OpenAI pensou em cumprir a Ordem de Preservação do Tribunal, mas depois decidiu não fazê-lo”, alegaram os autores.
Organizações pedem punições severas
As organizações jornalísticas afirmam que não solicitaram sanções contra a OpenAI de forma leviana, mas sustentam que a gravidade da suposta conduta exige punições capazes de desestimular práticas semelhantes por outras empresas de IA.
Entre os pedidos apresentados ao tribunal está a proibição de que a OpenAI utilize a amostra de 20 milhões de registros, cuja produção foi alvo de disputa durante o processo. Os autores também querem que o tribunal reconheça que os registros de saída continham reprodução substancial de conteúdos protegidos por direitos autorais e impeça a OpenAI de sustentar o contrário.
Outro pedido é que o júri seja informado de que a empresa apagou bilhões de registros, reforçando a tese de que teria atuado para ocultar evidências relacionadas ao suposto impacto de sua tecnologia sobre o mercado jornalístico.
Segundo os autores, “sanções menores não seriam eficazes”. Eles argumentam que “sanções sérias são especialmente apropriadas” porque a suposta má conduta da OpenAI teria sido “consciente e intencional”.
Caso o tribunal conclua que houve comportamento inadequado por parte da empresa, a tentativa de restringir o acesso das organizações jornalísticas aos registros poderá enfraquecer significativamente sua defesa na disputa sobre direitos autorais.
De acordo com os autores, a discussão sobre se o treinamento de modelos de IA com conteúdo protegido configura uso justo dependerá, em grande parte, da capacidade de demonstrar prejuízos ao mercado, e a posição da OpenAI poderá ser afetada caso a amostra de registros amplamente censurada seja desconsiderada pelo tribunal.
O que diz a OpenAI
O Olhar Digital também entrou em contato com a OpenAI e espera retorno.
O ChatGPT ganhou uma nova geração de voz. A OpenAI lançou o GPT-Live, modelo que permite ao sistema ouvir e responder ao mesmo tempo, tornando os diálogos com inteligência artificial mais rápidos e naturais.
A novidade chega ao ChatGPT Voice com melhorias na compreensão de pausas, interrupções e tarefas complexas, sem quebrar o ritmo da conversa.
OpenAI apresenta o GPT-Live, tecnologia criada para tornar diálogos com inteligência artificial mais próximos de uma conversa real. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Nova arquitetura muda a experiência de falar com IA
O GPT-Live usa uma arquitetura full-duplex, que permite processar a fala do usuário enquanto gera respostas. Na prática, a IA consegue acompanhar o diálogo, esperar quando necessário e até reagir com expressões como “mhmm” ou “yeah”.
A mudança elimina uma das principais limitações dos modelos anteriores: a necessidade de esperar cada turno terminar antes de responder. O resultado é uma troca mais próxima de uma conversa em tempo real.
Segundo a OpenAI, o GPT-Live é seu modelo de voz mais inteligente até agora. Quando uma pergunta exige pesquisa na web, raciocínio mais profundo ou tarefas complexas, o sistema pode encaminhar o trabalho para modelos avançados em segundo plano e trazer a resposta durante a conversa.
No lançamento, o GPT-Live utiliza o GPT-5.5 como modelo de apoio.
Entre os principais recursos da nova experiência estão:
Conversas mais naturais, com melhor compreensão de pausas e interrupções.
Respostas mais inteligentes para perguntas complexas.
Melhor escuta em ambientes com ruídos.
Integração com busca, memória, imagens e envio de arquivos.
Exibição de respostas visuais durante conversas por voz.
O novo ChatGPT Voice pode reagir com expressões como “mhmm” e “yeah” para mostrar que acompanha o diálogo. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock
GPT-Live supera limitações dos modelos anteriores
Antes da novidade, o ChatGPT Voice funcionava com sistemas que dividiam o processo em etapas. Um modelo transformava a fala em texto, outro gerava a resposta e um terceiro convertia o resultado novamente em voz.
Essa abordagem possibilitou as primeiras conversas por voz com IA avançada, mas também podia causar atrasos e perda de informações durante o processamento.
O Advanced Voice Mode trouxe melhorias ao concentrar áudio e resposta em um único modelo. Ainda assim, o sistema continuava dependente de turnos: era preciso esperar o usuário terminar de falar para responder.
Com o GPT-Live, a OpenAI afirma que o modelo pode decidir várias vezes por segundo se deve falar, continuar ouvindo, pausar, interromper ou usar uma ferramenta.
A nova tecnologia da OpenAI mantém a conversa enquanto tarefas complexas são processadas em segundo plano. – Imagem: Divulgação/OpenAI
Segurança recebe novos controles no recurso
A OpenAI também criou proteções específicas para conversas por voz. Os testes foram ampliados para avaliar riscos relacionados a psicose e mania, dependência emocional da IA, violência e conteúdo sexual.
Segundo a empresa, o GPT-Live teve desempenho igual ou superior ao Advanced Voice Mode na maioria das avaliações realizadas.
A companhia afirma ainda que o recurso foi desenvolvido para conversas, não para imitação de vozes reais. O sistema utiliza vozes predefinidas no ChatGPT e possui proteções para impedir a reprodução da voz de uma pessoa específica.
O GPT-Live começa a ser disponibilizado globalmente para usuários do ChatGPT em iOS, Android e ChatGPT.com. O GPT-Live-1 será o modelo padrão para assinantes Go, Plus e Pro, enquanto o GPT-Live-1 mini será usado por contas gratuitas.
A OpenAI informa que recursos como vídeo e compartilhamento de tela por voz ainda não estarão disponíveis no lançamento, mas estão em desenvolvimento.
A China afirmou ter identificado um possível problema de segurança no Claude Code, ferramenta de programação com inteligência artificial da Anthropic. O alerta envolve versões específicas do software e aponta um suposto envio de informações de usuários para servidores remotos.
A acusação aumenta a pressão sobre a Anthropic em meio à disputa tecnológica entre China e Estados Unidos, especialmente em temas como proteção de dados e uso responsável de sistemas de IA.
A Anthropic afirma que o código citado fazia parte de um experimento contra uso indevido de contas. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Alerta envolve versões específicas do Claude Code
Segundo informações da Reuters, o Banco de Dados Nacional de Vulnerabilidades da China (NVDB) afirmou ter encontrado um mecanismo de monitoramento no Claude Code capaz de transmitir informações consideradas sensíveis.
Em comunicado publicado no WeChat, o órgão ligado ao Ministério da Indústria da China disse que o recurso poderia enviar dados como localização geográfica e identificadores relacionados à identidade dos usuários para servidores remotos sem consentimento.
O alerta abrange versões do Claude Code entre 2.1.91 e 2.1.196. O NVDB recomendou que empresas e usuários revisem os sistemas afetados e adotem medidas de segurança, incluindo:
desinstalar versões consideradas vulneráveis;
atualizar o software para a versão mais recente;
reforçar controles de acesso a redes externas;
monitorar o tráfego de dados em redes corporativas.
Para o órgão chinês, o suposto mecanismo poderia representar uma “ameaça grave”, principalmente em ambientes profissionais que utilizam ferramentas de IA no desenvolvimento de software.
Alibaba proibiu funcionários de usar o Claude Code após o aumento dos questionamentos sobre a ferramenta. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Anthropic contesta acusações e cita experimento de segurança
O questionamento surgiu durante a disputa global pelo avanço da inteligência artificial. O Claude Code, desenvolvido pela Anthropic, é usado para auxiliar tarefas de programação e chamou atenção de pesquisadores e engenheiros.
Segundo o The Wall Street Journal, a discussão ganhou força após uma publicação no Reddit afirmar que a empresa teria inserido secretamente um código no software para identificar usuários ligados à China.
Um funcionário da Anthropic respondeu na rede social X que o código fazia parte de um experimento iniciado em março. De acordo com ele, a iniciativa tinha como objetivo “impedir o uso indevido de contas por revendedores não autorizados e proteger contra a destilação”.
A Anthropic também já havia acusado empresas chinesas de IA, incluindo a Alibaba, de usar seus modelos de forma indevida por meio da destilação, processo em que um novo sistema é treinado a partir das respostas geradas por outro modelo.
Suposto “backdoor” no Claude Code levanta dúvidas sobre proteção de dados em sistemas de IA. – Imagem: solarseven/Shutterstock
Alibaba restringe uso enquanto debate cresce
A Alibaba proibiu seus funcionários de utilizar o Claude Code no trabalho após o aumento das discussões sobre os recursos de identificação da ferramenta.
A Anthropic não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a declaração do governo chinês. A empresa americana já havia afirmado que companhias chinesas não são elegíveis para acessar o Claude.
A China também não aprovou oficialmente os serviços da Anthropic para uso público no país. Ainda assim, pesquisadores e engenheiros chineses continuaram utilizando o modelo por meio de conexões externas, muitas vezes com apoio de seus empregadores.
O caso mostra que, além de desempenho e inovação, ferramentas de inteligência artificial passaram a ser avaliadas pelo impacto que podem ter sobre privacidade, controle de informações e segurança digital.