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Anthropic: especialistas relativizam temores sobre Mythos

Os receios de que o modelo de inteligência artificial (IA) Mythos, da Anthropic, pudesse impulsionar de forma descontrolada atividades de hackers vêm sendo considerados exagerados por parte da comunidade de cibersegurança cerca de um mês após o anúncio da tecnologia.

Quando apresentou o sistema em abril, a Anthropic afirmou que o Mythos havia identificado milhares de vulnerabilidades de software, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores. Segundo a empresa, os impactos da disseminação do modelo poderiam ser severos.

As declarações chamaram a atenção de governos. Autoridades de diversos países passaram a discutir riscos com bancos, enquanto a Casa Branca avaliava, no início de maio, possíveis regras para controlar a forma como novos modelos de IA são disponibilizados após testes de segurança.

Apesar disso, profissionais da área de cibersegurança têm adotado uma postura mais cautelosa. Parte dos especialistas considera que a reação pública e política ao Mythos foi além do que as capacidades atuais do sistema efetivamente demonstram.

“Eu acho que existe uma grande lacuna de comunicação entre profissionais da área e formuladores de políticas públicas”, afirmou Isaac Evans, fundador e CEO da empresa de segurança de software Semgrep, à Reuters. Segundo ele, o modelo representa “um avanço técnico real”, mas a resposta em torno da tecnologia “não é sustentada pelo que realmente sabemos sobre como essas capacidades irão se traduzir no mundo real”.

Especialistas que utilizaram o modelo em ambientes controlados relataram melhorias substanciais na descoberta de vulnerabilidades. Equipes de tecnologia de bancos também vêm trabalhando para corrigir diversas fragilidades em sistemas bancários de grande e pequeno porte.

As preocupações aumentaram após sucessivos relatos envolvendo casos de ataques cibernéticos ligados ao uso de IA. Em 11 de maio, o Google informou ter detectado o primeiro caso conhecido de um grande grupo de cibercrime utilizando IA para descobrir uma falha de software até então desconhecida e planejar uma exploração em massa.

Quando apresentou o sistema em abril, a Anthropic afirmou que o Mythos havia identificado milhares de vulnerabilidades de software, incluindo falhas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Especialistas apontam risco mais moderado

  • A diferença entre a percepção de risco de profissionais da segurança e a visão de formuladores de políticas públicas ajudou a alimentar a narrativa de que o Mythos estaria no centro de uma iminente crise de segurança digital, embora capacidades semelhantes já estivessem disponíveis há algum tempo;
  • Somos capazes de usar IA para encontrar mais falhas do que sabemos o que fazer com elas há meses, talvez anos”, afirmou uma fonte com ampla experiência em pesquisa de vulnerabilidades e acesso antecipado ao Mythos à Reuters;
  • Segundo essa pessoa, o desafio não está apenas em encontrar vulnerabilidades, mas em validá-las, priorizá-las e corrigi-las sem comprometer sistemas existentes. A capacidade das organizações de processar e validar um grande volume de falhas recém-descobertas ainda seria insuficiente;
  • Mesmo assim, a fonte reconheceu avanços do Mythos em relação a modelos anteriores. “Ele é capaz de encontrar mais vulnerabilidades com prompts mais simples do que os modelos anteriores”, afirmou. Segundo a avaliação, sistemas anteriores exigiam instruções mais detalhadas e complexas, o que significa que a barreira de entrada foi reduzida.

Anthony Grieco, vice-presidente sênior e diretor de segurança e confiança da Cisco, afirmou que uma das novidades mais úteis do Mythos é a capacidade não apenas de identificar vulnerabilidades, mas também de analisar grandes volumes de código de maneira muito mais rápida e ajudar especialistas a reduzir falsos positivos.

Segundo Grieco, isso permite que equipes de defesa foquem nos riscos cibernéticos mais urgentes dentro de seus contextos. Ele também afirmou que o modelo possui menos barreiras de proteção do que sistemas anteriores, permitindo instruções mais específicas capazes de habilitar atividades que outros modelos não permitiam.

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Projeto Glasswing da Anthropic testa defesas

Grieco afirmou que, para aproveitar totalmente o potencial do Mythos, as organizações precisam contar com infraestrutura computacional adequada e também com um ambiente controlado de execução, conhecido como “harness”, no qual o modelo opera com instruções e limitações específicas.

“Se você tem um carro de Fórmula 1, mas só andou de bicicleta a vida inteira, talvez consiga fazê-lo andar em linha reta, mas você não vai conseguir extrair o máximo desempenho imediatamente”, disse Grieco.

A estratégia da Anthropic de apresentar o Mythos dessa forma e convidar empresas selecionadas para testar defesas em um programa chamado Project Glasswing ajudou a ampliar o debate sobre o modelo para além dos círculos tradicionais de segurança.

Como resultado, houve uma mobilização ampla em torno do tema, o que ampliou tanto a percepção de ameaça quanto a relevância da Anthropic no debate público. Enquanto isso, o Pentágono classificou a empresa como um risco para cadeias de suprimentos, ao passo que outros setores do governo estadunidense buscavam acesso à tecnologia.

Segundo um funcionário da Casa Branca ouvido pela Reuters, o governo dos Estados Unidos vem discutindo com laboratórios de IA uma utilização mais ampla dessas tecnologias.

Um porta-voz da Anthropic afirmou que a empresa trabalha “de perto com o governo dos Estados Unidos para avançar rapidamente prioridades compartilhadas” e também para ampliar o acesso de mais organizações ao Mythos.

Encontrar vulnerabilidades é apenas o começo

O Mythos — e, em certa medida, o GPT-5.5, da OpenAI — passou a dominar discussões sobre segurança nacional relacionadas à inteligência artificial (IA).

No entanto, especialistas afirmam que esses debates frequentemente ignoram um ponto central: o uso de IA para localizar vulnerabilidades não é algo novo. O problema maior estaria nas etapas seguintes de exploração e resposta.

“Nossos adversários ficaram realmente muito bons sem IA”, afirmou Cynthia Kaiser, ex-integrante sênior da divisão de cibersegurança do FBI e atualmente ligada à empresa Halcyon. “Ataques de ransomware estão acontecendo em menos de uma hora”, disse ela, acrescentando que a maioria das ameaças ainda não depende de IA.

Por enquanto, as exigências de escala computacional e infraestrutura do Mythos também limitam quem consegue utilizar o sistema. Especialistas, porém, acreditam que essas barreiras não devem durar muito tempo.

“Eu não acho que a arquitetura esteja otimizada”, afirmou Nick Adam, da empresa de serviços financeiros State Street, durante um painel na Vanderbilt University (EUA). Ele citou justamente os desafios de infraestrutura e ambiente operacional mencionados por Grieco. “Existe uma barreira de entrada, mas ela será resolvida rapidamente.

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Especialistas afirmam que esses debates frequentemente ignoram um ponto central: o uso de IA para localizar vulnerabilidades não é algo novo – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Anthropic fará apresentação a órgão global de estabilidade financeira

Em meio às discussões sobre os riscos do Mythos, a Anthropic deverá apresentar ao Financial Stability Board (FSB) vulnerabilidades cibernéticas identificadas pelo modelo no sistema financeiro global.

Segundo o jornal Financial Times, a startup responsável pelo chatbot Claude discutirá as capacidades do Mythos Preview com ministérios da Fazenda e bancos centrais ligados ao FSB, após um pedido do presidente da instituição e governador do Bank of England, Andrew Bailey.

O FSB é um órgão internacional responsável por coordenar regras financeiras entre as economias do G20. Um porta-voz do FSB afirmou que a organização “recebe positivamente o engajamento com a Anthropic e outras empresas sobre riscos emergentes e de fronteira para a estabilidade financeira global”.

A Anthropic não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. Segundo a empresa, o Mythos é um modelo de cibersegurança projetado para detectar vulnerabilidades antigas em navegadores, infraestrutura e softwares.

Especialistas em segurança cibernética alertaram que o sistema poderia potencializar ataques mais sofisticados, criando riscos para o setor bancário, especialmente devido à dependência de sistemas legados.

Em abril, Bailey afirmou que o Mythos poderia representar riscos significativos para a segurança cibernética global.

“Seria razoável pensar que os eventos no Golfo são o desafio mais recente que enfrentamos neste mundo até que, acho que foi na última sexta-feira [11 de abril], você acorda e descobre que a Anthropic pode ter encontrado uma forma de abrir completamente o mundo do risco cibernético”, afirmou Bailey durante um evento na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA).

“A questão é: até que ponto essa nova versão do produto será capaz de identificar vulnerabilidades em outros sistemas que possam ser exploradas para ataques cibernéticos”, acrescentou Bailey.

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Cannes recebe filme criado inteiramente por IA; custo foi de US$ 500 mil

O longa-metragem Hell Grind, produzido inteiramente com inteligência artificial, estreou nesta quinta-feira no Festival de Cannes. Segundo a startup Higgsfield AI, responsável pelo projeto, o filme de 95 minutos custou US$ 500 mil para ser produzido, sendo que US$ 400 mil foram destinados aos custos computacionais usados na geração das cenas.

A empresa, sediada em San Francisco e fundada há três anos, levou apenas duas semanas para concluir o projeto. O filme acompanha quatro ladrões de rua em uma jornada rumo ao inferno, enquanto o protagonista Roco atravessa um cenário distópico para salvar Lulu, sua parceira e interesse amoroso.

Debate sobre IA no cinema

A estreia de “Hell Grind” acontece em um momento em que o uso de inteligência artificial continua no centro das discussões em Cannes. Nos últimos anos, o festival tem reunido debates sobre até que ponto ferramentas de IA podem substituir etapas da produção cinematográfica, incluindo roteiro, atuação, direção, edição e efeitos visuais.

Segundo participantes do evento, o clima neste ano mudou de um receio mais intenso para uma postura de aceitação cautelosa. Durante uma coletiva de imprensa no festival, a atriz Demi Moore afirmou que profissionais do setor precisam encontrar maneiras de trabalhar com a tecnologia. “A IA está aqui. E lutar contra isso é lutar uma batalha que vamos perder”, disse.

Para a Higgsfield, o filme também funciona como uma demonstração da capacidade de suas ferramentas para estúdios de Hollywood. A empresa não desenvolve os modelos de geração de vídeo usados no projeto, recorrendo a tecnologias já existentes, como o Veo 3, do Google. O foco da startup está nas ferramentas usadas para manter consistência visual entre as diferentes gerações de imagem.

Processo exigiu milhares de gerações de vídeo

De acordo com Adil Alimzhanov, líder de conteúdo da Higgsfield e integrante da equipe do filme, cada prompt gerava cerca de 15 segundos de vídeo. Essas sequências precisavam ser refeitas diversas vezes até chegar ao resultado desejado.

Os primeiros 25 minutos do longa exigiram 16.181 gerações iniciais de vídeo, que resultaram em 253 tomadas finais. Um dos principais desafios foi manter a consistência visual ao longo do filme, já que modelos de IA podem produzir resultados muito diferentes entre uma cena e outra.

Por isso, os prompts utilizados eram longos e detalhados, com média de 3 mil palavras. As instruções incluíam definições sobre estilo visual, iluminação, tipo de lente e até orientações para respeitar leis da física, como gravidade e peso dos objetos.

Segundo Alimzhanov, a equipe descartou centenas de vídeos durante o processo por pequenos problemas visuais ou movimentos considerados inadequados. “Você não pode entrar na IA e pedir para ela fazer um vídeo legal de 95 minutos”, afirmou.

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Anthropic paga bilhões à SpaceX e negocia com Microsoft para expandir infraestrutura de IA

A Anthropic, empresa de inteligência artificial, conduz negociações com a Microsoft para acesso a chips de servidores de IA, conforme informações divulgadas nesta quarta-feira (21) pelo The Information. A iniciativa busca aumentar sua capacidade de processamento para sustentar a demanda crescente por seus modelos Claude.

Em paralelo, a companhia firmou um contrato de larga escala para utilização de centros de dados associados à SpaceX, localizados em Memphis, nos Estados Unidos. O acordo envolve pagamentos anuais estimados em 15 bilhões de dólares.

As duas movimentações indicam a intensificação da disputa por infraestrutura computacional no setor de IA, com contratos que combinam expansão de capacidade e mecanismos de flexibilidade operacional.

Para quem tem pressa:

  • A Anthropic busca ampliar sua capacidade de IA negociando acesso a chips da Microsoft e avançando em novas parcerias de infraestrutura;
  • A empresa também fechou um acordo de US$ 15 bilhões por ano com data centers ligados à SpaceX em Memphis até 2029;
  • Os contratos incluem cláusulas de ajuste e saída rápida, refletindo a disputa global por poder computacional em IA.

Expansão da base computacional e contratos de grande escala

Fachada da Microsoft – Imagem: Tang Yan Song/Shutterstock

As tratativas com a Microsoft envolvem o uso de chips desenvolvidos para infraestrutura de inteligência artificial, conhecidos internamente como Maia.

Esses componentes fazem parte da estratégia da empresa de tecnologia para reduzir dependência de fornecedores externos e ampliar sua atuação no mercado de hardware para IA. No caso da Anthropic, o objetivo é utilizar esse tipo de recurso para executar seus modelos Claude com maior escala.

No outro eixo de sua estratégia, a empresa fechou um acordo com a SpaceX para acesso a centros de dados conhecidos como Colossus I e Colossus II.

O contrato estabelece pagamentos de aproximadamente 1,25 bilhão de dólares por mês (isto é, 15 bilhões anualmente), com vigência até 2029. O arranjo prevê ajustes de custo durante a fase inicial de expansão da capacidade operacional.

Fachada da Starbase, da Spacex
SpaceX – Imagem: Findaview/Shutterstock

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O acordo também inclui uma cláusula que permite a qualquer uma das partes encerrar a parceria mediante aviso prévio de 90 dias. Segundo informações vinculadas ao documento regulatório da SpaceX, o volume financeiro do contrato tem potencial para se aproximar ou até superar parte relevante da receita anual da empresa em 2025.

Além disso, o cenário descrito aponta para uma pressão crescente sobre empresas de IA na busca por poder computacional, em um ambiente marcado por limitações de infraestrutura e expansão acelerada de demanda.

Em declarações associadas ao tema, foi mencionado que a oferta de capacidade de processamento em larga escala está se tornando um componente estratégico central nesse mercado.

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Califórnia quer frear impacto da IA no mercado de trabalho

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, assinou nesta quinta-feira (21) uma ordem executiva para estudar mudanças nas políticas trabalhistas diante do avanço da inteligência artificial (IA). A medida busca preparar o estado para possíveis impactos da tecnologia no mercado de trabalho, especialmente em funções administrativas e de escritório.

Segundo o The New York Times, agências estaduais deverão trabalhar em conjunto com universidades, sindicatos e empresas de IA para analisar formas de incentivar companhias a manter funcionários, em vez de substituí-los por sistemas automatizados. O governo também pretende ampliar programas de qualificação profissional voltados a áreas que podem ser afetadas pela tecnologia.

A iniciativa surge em meio ao aumento das discussões sobre o efeito da IA no emprego. Empresas de tecnologia têm promovido cortes de pessoal enquanto ampliam investimentos em automação e ferramentas baseadas em inteligência artificial.

Ordem cita treinamento profissional e renda baseada em ativos

A ordem executiva assinada por Newsom prevê a expansão de programas de treinamento profissional, com foco em trabalhadores de áreas como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, marketing e vendas.

O governo da Califórnia também determinou estudos sobre um modelo chamado “capital básico universal”. A proposta analisaria formas de dar aos moradores participação em ativos financeiros, como ações corporativas, títulos e fundos patrimoniais.

Em comunicado, Newsom afirmou que a Califórnia não deve “assistir passivamente” às mudanças provocadas pela IA. O governador disse ainda que o momento exige repensar “como as pessoas trabalham, governam e se preparam para o futuro”.

O NYT afirma que seguros-desemprego e mecanismos tradicionais de proteção podem não ser suficientes diante das transformações provocadas pela tecnologia.

Empresas de tecnologia ampliam debate sobre empregos

A discussão ganhou força após novas demissões no setor de tecnologia. A Meta reduziu seu quadro de funcionários em 10%, cerca de 8 mil pessoas, mencionando uma mudança estratégica voltada à IA.

Outras empresas como Intel, Cisco e Amazon também são mencionadas como parte da onda de cortes associada a ganhos de eficiência com inteligência artificial.

O cofundador da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que aproximadamente metade dos empregos de colarinho branco pode desaparecer nos próximos cinco anos. Embora outras lideranças do setor discordem da previsão, o NYT afirma que há consenso de que áreas como comunicação, direito e engenharia devem passar por substituições causadas pela tecnologia.

Debate sobre regulação avança nos Estados Unidos

A ordem assinada por Newsom ocorre enquanto o governo federal dos Estados Unidos discute possíveis regras para modelos de IA.

Na quinta-feira, o presidente Donald Trump cancelou a assinatura de uma ordem executiva que permitiria ao governo avaliar modelos de inteligência artificial antes do lançamento público.

Segundo o NYT, a proposta daria ao governo federal poderes para analisar vulnerabilidades de segurança em novos sistemas de IA e desenvolver mecanismos de proteção contra possíveis ataques cibernéticos.

Trump afirmou que adiou a assinatura porque não gostou de “certos aspectos” da proposta e disse não querer prejudicar a liderança dos Estados Unidos na corrida tecnológica contra a China.

O documento também previa que empresas como OpenAI, Google, Meta, Microsoft e Anthropic compartilhassem voluntariamente seus modelos com o governo antes do lançamento público.

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Google testa publicidade em respostas da Busca com Modo IA

Na última quarta-feira (20), foi apresentada no evento Google Marketing Live 2026 uma nova fase para a publicidade do buscador, dentre outras novidades. No geral, a empresa mostrou testes de anúncios integrados a sistemas de inteligência artificial, especialmente com o uso do Gemini, voltados a tornar as peças mais contextuais e alinhadas às perguntas dos usuários.

A ideia é inserir anúncios nas respostas produzidas pela Busca com IA, de modo que as recomendações de produtos e serviços acompanhem o contexto da pesquisa feita pelo usuário.

Entre os testes já em andamento, estão a exibição de publicidade dentro dessas respostas, a apresentação de ofertas patrocinadas relacionadas a perguntas específicas e recursos que permitem interação direta entre empresas e usuários, incluindo a possibilidade de coleta de informações de contato.

Para quem tem pressa:

  • Google testa anúncios dentro de respostas geradas por inteligência artificial na Busca, com foco em contexto e intenção do usuário;
  • Novos formatos incluem recomendações de produtos e chats que podem captar contatos de potenciais clientes;
  • Funcionalidades estão em fase de testes nos Estados Unidos e ainda não têm previsão de chegada ao Brasil.

Publicidade do Google entra em fase experimental com inteligência artificial

Banner do Google Marketing Live 2026 – (Divulgação: Google)

O Google passou a testar novos formatos de anúncios que se integram às respostas geradas por inteligência artificial dentro da Busca. A iniciativa foi apresentada no Google Marketing Live 2026 e envolve o uso do modelo Gemini para tornar a publicidade mais contextual e conversacional.

Segundo a proposta da empresa, os anúncios deixam de depender apenas de palavras-chave isoladas e passam a ser ativados conforme o sentido da pergunta feita pelo usuário. Dessa forma, a própria resposta da IA pode incluir recomendações patrocinadas relacionadas ao tema pesquisado.

Um dos exemplos apresentados mostra buscas sobre aprendizado de idiomas, nas quais a resposta pode incluir sugestões de aplicativos educacionais patrocinados. Em outro caso, pesquisas sobre produtos específicos, como máquinas de café, podem gerar exibição de itens anunciados de forma destacada.

Print divulgado pelo Google sobre um usuário pesquisando com a Busca no Modo IA
Print divulgado pelo Google sobre um usuário pesquisando com a Busca no Modo IA – (Divulgação: Google)

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Além disso, o Google também testa um modelo de interação em que instituições e empresas podem oferecer chats dentro da busca. Nesse formato, o usuário pode iniciar uma conversa para obter mais informações e, eventualmente, fornecer dados de contato como telefone ou e-mail.

Esses testes fazem parte de uma mudança mais ampla na forma como a Busca funciona, já que o Google vem incorporando respostas geradas por inteligência artificial como elemento central da experiência.

As novas ferramentas estão sendo testadas inicialmente nos Estados Unidos e podem aparecer tanto em computadores quanto em celulares. Até o momento, não há previsão de lançamento dessas funções no Brasil.

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Apple apresenta IA capaz de criar avatares 3D realistas a partir de fotos

Pesquisadores da Apple apresentaram novo sistema de inteligência artificial (IA) chamado HeadsUp, capaz de gerar renderizações gaussianas 3D de cabeças humanas com alto nível de fidelidade a partir de fotografias capturadas simultaneamente por múltiplas câmeras.

O projeto foi detalhado em um artigo técnico assinado por 23 pesquisadores da companhia. Além de criar os modelos tridimensionais, o sistema também consegue animá-los por meio de blendshapes, técnica utilizada para deformar a malha de um modelo 3D e reproduzir expressões faciais.

Segundo o resumo do estudo, o método utiliza “uma arquitetura eficiente de codificador-decodificador que comprime as imagens de entrada em uma representação latente compacta”. Em seguida, essa representação “é então decodificada em um conjunto de gaussianas 3D parametrizadas em UV, ancoradas a um modelo neutro de cabeça”.

O artigo afirma ainda que a representação em UV “desacopla o número de gaussianas 3D do número e da resolução das imagens de entrada, permitindo o treinamento com muitas imagens de alta resolução”.

Método utiliza arquitetura eficiente de codificador-decodificador que comprime as imagens de entrada em uma representação latente compacta – Imagem: Divulgação/Apple

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Detalhes do projeto da Apple

  • De acordo com os pesquisadores, o HeadsUp foi treinado com dados de mais de 10 mil participantes, número descrito como sem precedentes nesse segmento;
  • O objetivo do projeto era solucionar um dos principais desafios das reconstruções 3D: equilibrar qualidade visual e escalabilidade;
  • Ferramentas desse tipo normalmente levam alguns minutos para mapear um rosto, mas o sistema da Apple consegue gerar um modelo 3D inédito em menos de um segundo;
  • Segundo o estudo, o HeadsUp é até 40 vezes mais eficiente que o Avat3r, solução utilizada como referência nos testes comparativos;
  • Os pesquisadores também destacaram ganhos de qualidade em relação às soluções concorrentes. Utilizando uma GPU Nvidia A100, GPU voltada para data centers e aplicações de alto desempenho, o sistema levou apenas 0,33 segundo para gerar o modelo 3D de uma cabeça humana. Em testes realizados com quatro câmeras, o resultado foi obtido em 0,14 segundo.

Segundo o artigo, o HeadsUp consegue captar detalhes finos historicamente considerados difíceis para sistemas de reconstrução 3D, incluindo fios de cabelo, cílios, joias e textura da pele. A tecnologia também é capaz de gerar identidades completamente novas a partir de descrições em texto, ampliando as possibilidades de criação de personagens e avatares digitais.

Após a divulgação do estudo, começaram especulações sobre uma possível relação entre a tecnologia e as Personas do Apple Vision Pro, headset de realidade mista da Maçã. A hipótese ganhou força após a descoberta da aquisição da empresa de avatares de IA Animato pela Apple.

Riscos

Os próprios pesquisadores reconheceram os riscos associados à ferramenta. O estudo afirma que a tecnologia reduz barreiras para a criação de deepfakes convincentes, o que pode aumentar riscos de desinformação e fraude.

Como medida de mitigação, a Apple recomendou o uso de marcas d’água em materiais de demonstração produzidos com a tecnologia.

O estudo completo do HeadsUp foi disponibilizado pela Apple em sua página oficial.

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Está usando IA errado? Veja os erros que destroem a qualidade das respostas

Chatbots se tornaram parte do novo normal da vida na internet e, atualmente, é difícil encontrar alguém cronicamente online que não utilize ChatGPT, Gemini ou Claude. Mas, embora essas ferramentas sejam de fácil utilização, é importante saber que muito da qualidade das respostas que você obtém da IA tem uma influência direta dos prompts enviados.

Ou seja, redigir comandos com furos de raciocínio pode abrir uma brecha para a inteligência artificial cometer erros bobos ou lapsos de julgamento. Por isso, separamos 5 dos erros mais comuns ao usar a IA  para você saber como melhorar as respostas que recebe dela.

5 erros que quase todo mundo comete ao usar a inteligência artificial

Falta de contexto gera respostas superficiais

Pessoa utilizando o ChatGPT – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock

Um dos problemas mais comuns ocorre quando o usuário faz solicitações vagas demais. Pedidos genéricos como “escreva um e-mail profissional” ou “dê ideias de conteúdo” oferecem pouca direção para a IA compreender o objetivo real da tarefa. Como esses sistemas funcionam a partir de padrões estatísticos e probabilidades, informações insuficientes inevitavelmente levam a respostas amplas, rasas e pouco úteis.

A clareza do comando influencia diretamente a qualidade da entrega: quanto mais detalhes forem fornecidos — como finalidade, público-alvo, tom desejado, formato da resposta e cenário específico — maior será a precisão do conteúdo produzido.

Outro ponto importante é entender que a IA não possui consciência contextual semelhante à humana. Ela não “acompanha” acontecimentos em tempo real da maneira como muitos imaginam. Dependendo da ferramenta utilizada, fatos recentes podem ser misturados com dados antigos ou até mesmo inferências incorretas apresentadas como verdade.

Por isso, usuários mais experientes tratam a inteligência artificial como um mecanismo de apoio à organização e aceleração do pensamento, não como uma fonte autônoma de conhecimento absoluto.

Confiar cegamente no conteúdo produzido é um risco

A fluidez textual das inteligências artificiais cria uma sensação enganosa de autoridade. Mesmo quando a informação está errada, a resposta costuma ser apresentada com extrema segurança, sem sinais claros de dúvida ou incerteza.

Esse comportamento aumenta o risco de pessoas copiarem conteúdos automaticamente sem qualquer verificação prévia. O problema se torna ainda mais grave em áreas que exigem precisão técnica, como medicina, finanças, legislação e educação.

Erros factuais, números inventados, referências inexistentes e interpretações distorcidas fazem parte das chamadas “alucinações” da IA — fenômeno em que o sistema produz informações plausíveis, porém falsas.

Por essa razão, o indicado é tratar todo material gerado como um primeiro rascunho. Antes de utilizar qualquer resposta publicamente ou em decisões importantes, é essencial revisar dados, validar fontes e confirmar se as informações fazem sentido no contexto real.

A responsabilidade final pelo conteúdo continua sendo humana, independentemente de quem o escreveu inicialmente.

Existem situações em que a IA não deve substituir profissionais

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Chatbots de IA não devem substituir avaliação médica – Imagem: khunkornStudio/Shutterstock

Apesar da enorme capacidade dessas plataformas, há limites importantes que não podem ser ignorados. Um erro recorrente é utilizar IA para substituir orientação profissional em contextos críticos.

Na área da saúde, por exemplo, recorrer à inteligência artificial para interpretar exames, modificar tratamentos, sugerir medicamentos ou identificar doenças pode gerar consequências sérias. Sistemas automatizados não possuem compreensão integral do histórico clínico, das particularidades biológicas nem da complexidade individual de cada paciente.

O mesmo cuidado vale para decisões jurídicas, financeiras ou estratégicas de grande impacto.

De forma geral, o uso mais seguro e produtivo da IA está em tarefas operacionais e de apoio, como organizar informações, resumir conteúdos, estruturar documentos, automatizar processos repetitivos e auxiliar na geração inicial de ideias.

Já decisões sensíveis continuam exigindo supervisão humana qualificada.

Pedidos excessivamente complexos reduzem a qualidade

Outro hábito que compromete os resultados é concentrar várias tarefas em um único comando. Muitos usuários tentam fazer a IA resumir documentos, criar estratégias, analisar dados, redigir campanhas e produzir roteiros simultaneamente.

Quando a ferramenta recebe múltiplas demandas ao mesmo tempo, tende a responder de maneira superficial em todas elas. O resultado geralmente é um conteúdo genérico, pouco aprofundado e sem refinamento.

A recomendação mais eficiente é dividir o processo em etapas menores. Seguindo o exemplo citado acima, primeiro você deve solicitar um resumo e só depois de receber o resultado do comando anterior é que você deve enviar próximo; e assim por diante. Trabalhar progressivamente permite ajustar o direcionamento ao longo da conversa e melhora significativamente a qualidade final.

Especialistas afirmam que o verdadeiro ganho no uso da IA não está em obter uma resposta perfeita imediatamente, mas em construir a solução gradualmente por meio de refinamentos sucessivos.

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Inteligência artificial funciona melhor como processo contínuo

Muitas pessoas ainda utilizam IA da mesma forma que usam mecanismos de busca: fazem uma pergunta, recebem uma resposta e encerram a interação. Essa abordagem limita drasticamente o potencial da ferramenta.

Os melhores resultados costumam surgir quando existe diálogo contínuo. Ajustar instruções, corrigir interpretações, pedir reformulações, mudar o tom do texto e aprofundar determinados pontos faz parte do processo ideal de uso.

Além disso, definir claramente o formato desejado também é decisivo. Sem instruções específicas, a IA escolhe sozinha como estruturar a resposta — e isso nem sempre corresponde à necessidade do usuário.

Determinar elementos como extensão, estilo, linguagem, organização e objetivo do material ajuda a tornar a entrega muito mais alinhada ao esperado.

Em vez de enxergar a primeira resposta como algo definitivo, o recomendado é tratá-la apenas como ponto de partida para um refinamento contínuo.

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Guerra no Oriente Médio ameaça cadeia global da IA

A guerra entre Irã e Estados Unidos começou a gerar efeitos diretos sobre a indústria global de semicondutores. Isso acontece em um momento de forte crescimento impulsionado pela inteligência artificial (IA).

Empresas responsáveis pela fabricação de chips e componentes alertaram investidores sobre aumento de custos, problemas logísticos e risco de escassez de matérias-primas essenciais para manter o ritmo acelerado da produção de hardware voltado à IA, segundo informações da CNBC.

Fabricantes, como TSMC, Foxconn e Infineon, destacaram em seus resultados financeiros que o conflito no Oriente Médio já afeta operações e margens de lucro.

O aumento do preço do petróleo elevou despesas com energia, transporte e frete internacional, enquanto cadeias de suprimentos consideradas estratégicas para o setor passaram a enfrentar dificuldades crescentes. Analistas avaliam que a situação ainda pode piorar nos próximos meses.

Para quem tem pressa:

  • Aumento nos custos de energia e logística internacional;
  • Risco de escassez de hélio e outros materiais críticos;
  • Necessidade de criar estoques de segurança;
  • Pressão sobre margens de lucro das fabricantes;
  • Impacto potencial sobre data centers de IA.

Hélio e energia entram na lista de preocupações do setor

O hélio aparece entre os materiais mais críticos para a fabricação de semicondutores. O gás é utilizado em diferentes etapas da produção de chips e depende diretamente da indústria de gás natural. O Catar, segundo maior fornecedor global do produto, teve sua capacidade de exportação afetada após ataques iranianos. Segundo dados da S&P Global, o país respondeu por mais de 30% da oferta mundial de hélio em 2025.

Fabricantes, como TSMC, Foxconn e Infineon, destacaram em seus resultados financeiros que o conflito no Oriente Médio já afeta operações e margens de lucro – Imagem: deepadesigns/Shutterstock

Além do hélio, empresas também relataram dificuldades envolvendo alumínio, bromo e outros insumos importantes para o setor. Em março, compradores europeus de chips precisaram recorrer a estoques de emergência após interrupções no transporte aéreo.

Francisco Jeronimo, analista da IDC, afirmou que os preços de gás, energia e frete continuam em níveis historicamente elevados e devem permanecer pressionados mesmo em caso de redução das tensões.

Fabricantes aceleram planos de diversificação

A TSMC informou que trabalha para ampliar fornecedores e criar soluções de múltiplas fontes de abastecimento. Segundo o CFO, Wendell Huang, a empresa busca construir uma cadeia global mais diversificada e fortalecer fornecedores locais. O VAT Group, fornecedor de componentes para fabricantes de chips, relatou interrupções logísticas e necessidade de redirecionar remessas por causa da guerra, com impacto milionário nas vendas trimestrais.

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Aumento do preço do petróleo elevou despesas com energia, transporte e frete internacional, enquanto cadeias de suprimentos consideradas estratégicas para o setor passaram a enfrentar dificuldades crescentes – Imagem: IM Imagery/Shutterstock

Apesar do cenário, investidores continuam apostando fortemente no setor de inteligência artificial. O índice PHLX Semiconductor, da Nasdaq, acumula forte valorização nos últimos meses, impulsionado pela demanda crescente por chips voltados à IA.

Leia mais:

Analistas afirmam que empresas com estoques robustos, fornecedores diversificados e maior poder de precificação devem enfrentar menos pressão ao longo de 2026, enquanto concorrentes menores podem sofrer impactos mais severos.

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IA não só passa no teste de Turing, ela supera humanos

Um estudo da University of California San Diego apresentou evidências de que sistemas modernos de inteligência artificial (IA) conseguiram passar no clássico teste de Turing, criado em 1950 pelo matemático britânico Alan Turing. A pesquisa mostrou que participantes humanos tiveram dificuldade para diferenciar pessoas reais de modelos avançados de linguagem durante conversas por texto.

O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e avaliou diferentes modelos de IA em experimentos controlados. Segundo os pesquisadores, esta foi a primeira vez que modelos de linguagem foram considerados humanos com frequência semelhante — e em alguns casos superior — à de participantes reais dentro da estrutura original proposta por Turing.

Como o experimento funcionou

No teste, cada participante conversava simultaneamente com duas entidades: um humano e um sistema de IA. O objetivo era identificar qual dos interlocutores era a pessoa real.

Os pesquisadores utilizaram dois grupos independentes: estudantes da UC San Diego e participantes recrutados pela plataforma Prolific. Ao todo, quase 500 pessoas participaram dos experimentos.

Os testes envolveram quatro modelos de linguagem. Entre eles estavam os sistemas mais avançados, como GPT-4.5 e LLaMa-3.1-405B, além de modelos considerados base de comparação, como GPT-4o e o chatbot clássico ELIZA, criado nos anos 1960.

GPT-4.5 superou participantes humanos no teste de Turing – Imagem: Koshiro K / Shutterstock

De acordo com o estudo, o GPT-4.5 foi identificado como humano em 73% das vezes, superando inclusive os próprios participantes humanos na taxa de escolha dos interrogadores. Já o LLaMa-3.1-405B foi considerado humano em 56% das interações, resultado considerado estatisticamente equivalente ao de pessoas reais.

Os modelos de comparação tiveram desempenho significativamente inferior. O ELIZA foi escolhido como humano em cerca de 23% das vezes, enquanto o GPT-4o alcançou aproximadamente 21%.

Personalidade influenciou resultado

Os pesquisadores afirmam que os resultados dependeram fortemente das instruções fornecidas aos modelos. Cada sistema recebeu um “prompt de persona”, orientando a IA a assumir um estilo de comunicação e características humanas específicas.

Segundo Cameron Jones, autor correspondente do estudo e atualmente professor assistente de Psicologia na Stony Brook University, os modelos conseguiram reproduzir elementos como tom de voz, humor, objetividade e até falhas típicas de humanos.

Quando essas instruções detalhadas não eram fornecidas, o desempenho caiu de forma considerável. O GPT-4.5 teve taxa de sucesso reduzida para 36%, enquanto o LLaMa-3.1-405B caiu para 38%.

Para Ben Bergen, professor de ciência cognitiva da UC San Diego e coautor da pesquisa, o teste passou a medir mais a capacidade de parecer humano do que inteligência propriamente dita.

Pesquisadores citam riscos de fraude e manipulação

Os autores também destacam possíveis impactos do avanço dessas tecnologias em ambientes online. Segundo Jones, modelos capazes de se passar por humanos em conversas prolongadas podem dificultar a identificação de bots por usuários comuns.

O pesquisador afirmou que as pessoas devem ter menos certeza de que estão interagindo com seres humanos ao conversar com desconhecidos na internet. Ele também apontou riscos ligados à manipulação e ao uso de sistemas automatizados para enganar usuários.

Bergen acrescentou que bots podem ser usados para persuadir pessoas a compartilhar dados pessoais, influenciar decisões políticas ou promover produtos.

Conversas duravam até 15 minutos

Para conduzir o experimento, os pesquisadores criaram uma interface semelhante a aplicativos de mensagens. Os participantes visualizavam duas conversas lado a lado e sabiam que apenas uma delas era conduzida por um humano.

Após cinco minutos — ou 15 minutos em uma versão de replicação do estudo — os participantes precisavam decidir qual interlocutor era a pessoa real.

Os estudantes da UC San Diego tiveram desempenho ligeiramente melhor na identificação dos humanos. Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado ao compartilhamento de experiências em comum e referências locais do campus.

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Avatares criados por IA avançam sobre debate político nas redes

Perfis artificiais usados para comentar política nas redes sociais têm ganhado espaço no Brasil sem informar claramente que foram criados com inteligência artificial (IA). Um levantamento do Observatório das Eleições, realizado pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, concluiu que 61% das publicações analisadas não indicavam que o conteúdo havia sido produzido por IA.

A pesquisa analisou casos identificados entre janeiro de 2025 e abril de 2026 e aponta que personagens artificiais passaram a atuar como supostos eleitores, comentaristas, influenciadores e lideranças populares. Segundo os pesquisadores, esses avatares simulam opiniões espontâneas sobre política e ajudam a ampliar conteúdos enganosos nas plataformas digitais.

Estudo aponta falta de transparência

Entre as regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial nas eleições está a obrigatoriedade de informar de maneira explícita quando um material foi criado ou manipulado com IA, além de indicar a tecnologia utilizada no processo.

Apesar disso, o levantamento aponta que, em muitos casos, a origem artificial dos conteúdos só pôde ser identificada após análise técnica. Os pesquisadores mencionam sinais como falhas de resolução, diferenças de proporção e características robotizadas em imagens e áudios.

Nos casos em que havia algum tipo de sinalização, os avisos apareciam de formas diferentes. Parte deles foi adicionada automaticamente pelas próprias plataformas, enquanto outros vinham por meio de marcas d’água das ferramentas utilizadas ou hashtags incluídas nas publicações.

“Dona Maria” virou um dos casos mais conhecidos

Um dos exemplos citados pelo Observatório é o da influenciadora “Dona Maria”, personagem criada artificialmente para criticar o governo federal e que ganhou grande repercussão entre 2025 e 2026.

Segundo o levantamento, o perfil publicou mais de 400 vídeos desde sua criação. A personagem é retratada como uma senhora negra e idosa e costuma fazer ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a setores da esquerda.

O conteúdo motivou uma ação apresentada ao TSE por PT, PV e PCdoB, que pedem a suspensão dos perfis ligados à personagem.

Os pesquisadores afirmam que o caso representa um novo desafio para o ambiente informacional, com personagens aparentemente humanos sendo produzidos artificialmente para influenciar debates políticos nas redes sociais.

Perfis pró-governo também adotaram personagens artificiais

Perfis alinhados ao presidente Lula também passaram a publicar versões próprias da “Dona Maria”. Nessas adaptações, a personagem mantém as mesmas características físicas, mas passa a defender o governo federal.

Em um vídeo publicado em 23 de abril por páginas como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br, a personagem critica a escala 6×1 e a família Bolsonaro.

Outro caso citado pela pesquisa é o do “Seu Zé da Feira”, avatar representado como um homem negro e idoso em uma feira de rua. O personagem publica vídeos em defesa do atual governo e críticas a políticos de direita.

Em uma das publicações, o avatar afirma: “Não vote em políticos da direita e do centrão. PL, PP, Republicanos e União. Não tão nem aí pro povo, são sindicato de patrão”.

Segundo o estudo, os vídeos desse perfil aparecem acompanhados da marca d’água da ferramenta de geração de imagens Veo 3 e recebem sinalização das plataformas indicando que o conteúdo é sintético.

Conteúdos circularam em várias plataformas

O levantamento também concluiu que os avatares artificiais funcionam como vetores de desinformação política. Em 14 dos casos analisados, os conteúdos continham alegações enganosas sobre políticos ou instituições democráticas.

As publicações circularam principalmente no TikTok e no Instagram. O YouTube aparece em seguida entre as plataformas citadas pela pesquisa. Também houve ocorrências no X, Kwai e Facebook.

Entre os alvos dos conteúdos estavam o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso.

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