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LinkedIn quer separar posts reais de textos feitos por IA

O LinkedIn ganhou um novo recurso para combater uma tendência que incomoda usuários de redes profissionais: publicações geradas por inteligência artificial sem qualidade ou autenticidade. Agora, será possível indicar quando um post parece ser um caso de “AI slop”.

A ferramenta faz parte de uma estratégia da plataforma para reduzir conteúdos automáticos e manter o foco em experiências, opiniões e conhecimentos compartilhados por pessoas reais.

A rede profissional quer reduzir o avanço do “AI slop”, termo usado para conteúdos artificiais, repetitivos e sem autenticidade. Imagem: Collagery/Shutterstock

Novo botão ajuda a identificar o “AI slop”

O recurso “parece ser AI slop” permite que usuários sinalizem publicações que aparentam ter sido criadas por IA de maneira superficial, repetitiva ou pouco original. O termo passou a ser usado para definir materiais produzidos automaticamente que não entregam valor ao leitor.

A novidade não chega sozinha. O LinkedIn informou que também vem reforçando seus sistemas contra robôs, bloqueando diariamente centenas de milhares de tentativas automatizadas de comentários.

Nos últimos meses, a empresa também interrompeu milhões de outras ações automatizadas. A iniciativa busca evitar que bots e perfis falsos prejudiquem a experiência de quem usa a rede para criar conexões profissionais.

A IA slop é uma prioridade para todos nós. Nós realmente nos importamos com isso. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com pessoas reais e compartilhar suas perspectivas, ideias e conhecimentos reais.

Hari Srinivasan, CPO do Linkedin, em post na própria rede.

Entre as medidas anunciadas pela plataforma estão:

  • botão para usuários indicarem conteúdos considerados “AI slop”;
  • novos sistemas para identificar publicações artificiais ou de baixa qualidade;
  • bloqueio de tentativas automatizadas de comentários e ações suspeitas;
  • alertas privados para ajudar usuários a melhorar conteúdos vistos como pouco autênticos.
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Novos classificadores de IA do LinkedIn devem reduzir a presença de publicações artificiais nas recomendações. – Imagem: Divulgação/Linkedin

LinkedIn reduz influência da IA na criação de posts

A plataforma também decidiu mudar seus próprios recursos de inteligência artificial. O LinkedIn vai retirar a ferramenta “melhore sua publicação”, que ajudava usuários a criar textos com auxílio de IA.

No lugar dela, entrará uma função voltada para revisão, capaz de corrigir palavras e fazer ajustes no texto sem modificar o estilo de escrita de cada pessoa.

A rede também está desenvolvendo classificadores para reconhecer publicações artificiais ou consideradas de baixa qualidade. Esses sistemas serão usados para diminuir a presença desse tipo de material nas recomendações exibidas aos usuários.

Página de download do LinkedIn na App Store exibida na tela de um iPhone
Posts gerados por máquinas ganharam espaço nas redes, e o LinkedIn criou novas formas de identificar esses conteúdos. – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Rede amplia medidas contra conteúdos automáticos

A mudança acompanha uma preocupação crescente entre plataformas digitais, que buscam formas de lidar com o aumento de publicações feitas por ferramentas de IA.

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Além das novas formas de identificação, o LinkedIn pretende ampliar recursos de verificação de perfis e páginas e oferecer uma opção para bloquear comentários de páginas corporativas que o usuário não deseja acompanhar.

Com as novas medidas, a rede tenta usar a inteligência artificial como apoio, sem deixar que posts produzidos automaticamente ocupem o espaço das experiências e ideias compartilhadas por profissionais de verdade.

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Pais poderão saber quando adolescentes pedem ajuda à Meta AI

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

A Meta anunciou uma nova camada de proteção para o Meta AI: pais poderão ser avisados quando conversas de adolescentes com a inteligência artificial indicarem possíveis sinais de suicídio ou automutilação.

A medida tenta equilibrar dois pontos sensíveis: preservar a privacidade dos jovens e permitir que familiares recebam informações para oferecer ajuda em situações de risco.

Conversas com o Meta AI poderão gerar alertas quando houver sinais de automutilação ou pensamentos suicidas. – Imagem: Regi Cris/Shutterstock

Alertas serão enviados após análise das conversas

O recurso será disponibilizado para pais que utilizam as ferramentas de supervisão do Instagram. Quando o Meta AI identificar uma conversa que sugira possível risco, os responsáveis poderão receber uma notificação acompanhada de orientações de especialistas.

A Meta explica que o sistema foi criado para identificar referências diretas e também sinais mais discretos de sofrimento emocional. Antes que qualquer alerta seja enviado, as conversas marcadas pela inteligência artificial passarão por uma revisão manual.

Caso a intenção do adolescente não esteja totalmente clara, a empresa afirma que seguirá uma abordagem preventiva e poderá comunicar os pais para evitar que uma possível situação de risco passe despercebida.

Entre os casos que podem gerar alertas estão:

  • comentários diretos ou indiretos sobre vontade de se machucar;
  • conversas relacionadas a sofrimento emocional intenso;
  • sinais identificados pelo sistema desenvolvido pela Meta;
  • situações em que o adolescente possa precisar de apoio fora do ambiente digital.

A empresa destaca que o recurso não substitui acompanhamento profissional nem o diálogo entre pais e filhos. A proposta é ajudar responsáveis a perceber sinais que poderiam passar despercebidos.

Embora eu acredite que os adolescentes têm direito à privacidade, também acredito que os pais precisam ser informados se seus filhos podem estar em risco de se machucar.

Larry Magid, CEO e cofundador da ConnectSafely, em nota.

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Contas de adolescentes terão regras mais rígidas no Meta AI para limitar conteúdos considerados inadequados. – Imagem: Fabio Principe/Shutterstock

Meta quer ampliar proteção para situações extremas

Além dos avisos aos familiares, a Meta desenvolve uma ferramenta capaz de acionar serviços de emergência quando uma conversa com o Meta AI indicar risco imediato de suicídio, seja envolvendo adolescentes ou adultos.

A iniciativa segue uma estratégia semelhante à já aplicada em Facebook e Instagram. Segundo a empresa, mais de 19 mil encaminhamentos para serviços de emergência foram realizados no último ano após a identificação de publicações com risco de suicídio.

Para melhorar o comportamento da inteligência artificial, a Meta consultou mais de 75 profissionais especializados em saúde mental de adolescentes. Eles analisaram centenas de respostas e sugeriram ajustes para tornar o sistema mais adequado.

Foto de baixo para cima mostrando crianças usando smartphones
Antes de avisar os pais, conversas identificadas pela IA passarão por revisão manual para confirmar possíveis riscos. – Imagem: DavideAngelini / Shutterstock

Meta AI terá regras mais rígidas para adolescentes

Contas de adolescentes já utilizam automaticamente uma configuração de conteúdo voltada para usuários com 13 anos ou mais. Nesse modo, o Meta AI evita participar de conversas sexuais ou românticas e não fornece conteúdos como receitas de bebidas alcoólicas.

A empresa também informou que o modo “Conteúdo Limitado”, opção mais restritiva disponível no Instagram, passará a afetar as conversas com o assistente de IA. Com isso, pais poderão reduzir ainda mais os tipos de interação disponíveis para adolescentes.

Segundo a psicóloga Ji-yeon Lee, que participou da análise das respostas do sistema, a avaliação especializada foi essencial para aprimorar a ferramenta. “Esse tipo de refinamento baseado em especialistas e cenários é essencial para tornar as experiências com IA mais seguras para adolescentes”, afirmou.

Os novos alertas já funcionam para pais que usam a supervisão do Instagram nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Canadá. A Meta prevê ampliar o recurso para outros países até o fim do ano.

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Avatares criados por IA avançam sobre debate político nas redes

Perfis artificiais usados para comentar política nas redes sociais têm ganhado espaço no Brasil sem informar claramente que foram criados com inteligência artificial (IA). Um levantamento do Observatório das Eleições, realizado pelas organizações Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, concluiu que 61% das publicações analisadas não indicavam que o conteúdo havia sido produzido por IA.

A pesquisa analisou casos identificados entre janeiro de 2025 e abril de 2026 e aponta que personagens artificiais passaram a atuar como supostos eleitores, comentaristas, influenciadores e lideranças populares. Segundo os pesquisadores, esses avatares simulam opiniões espontâneas sobre política e ajudam a ampliar conteúdos enganosos nas plataformas digitais.

Estudo aponta falta de transparência

Entre as regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o uso de inteligência artificial nas eleições está a obrigatoriedade de informar de maneira explícita quando um material foi criado ou manipulado com IA, além de indicar a tecnologia utilizada no processo.

Apesar disso, o levantamento aponta que, em muitos casos, a origem artificial dos conteúdos só pôde ser identificada após análise técnica. Os pesquisadores mencionam sinais como falhas de resolução, diferenças de proporção e características robotizadas em imagens e áudios.

Nos casos em que havia algum tipo de sinalização, os avisos apareciam de formas diferentes. Parte deles foi adicionada automaticamente pelas próprias plataformas, enquanto outros vinham por meio de marcas d’água das ferramentas utilizadas ou hashtags incluídas nas publicações.

“Dona Maria” virou um dos casos mais conhecidos

Um dos exemplos citados pelo Observatório é o da influenciadora “Dona Maria”, personagem criada artificialmente para criticar o governo federal e que ganhou grande repercussão entre 2025 e 2026.

Segundo o levantamento, o perfil publicou mais de 400 vídeos desde sua criação. A personagem é retratada como uma senhora negra e idosa e costuma fazer ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a setores da esquerda.

O conteúdo motivou uma ação apresentada ao TSE por PT, PV e PCdoB, que pedem a suspensão dos perfis ligados à personagem.

Os pesquisadores afirmam que o caso representa um novo desafio para o ambiente informacional, com personagens aparentemente humanos sendo produzidos artificialmente para influenciar debates políticos nas redes sociais.

Perfis pró-governo também adotaram personagens artificiais

Perfis alinhados ao presidente Lula também passaram a publicar versões próprias da “Dona Maria”. Nessas adaptações, a personagem mantém as mesmas características físicas, mas passa a defender o governo federal.

Em um vídeo publicado em 23 de abril por páginas como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br, a personagem critica a escala 6×1 e a família Bolsonaro.

Outro caso citado pela pesquisa é o do “Seu Zé da Feira”, avatar representado como um homem negro e idoso em uma feira de rua. O personagem publica vídeos em defesa do atual governo e críticas a políticos de direita.

Em uma das publicações, o avatar afirma: “Não vote em políticos da direita e do centrão. PL, PP, Republicanos e União. Não tão nem aí pro povo, são sindicato de patrão”.

Segundo o estudo, os vídeos desse perfil aparecem acompanhados da marca d’água da ferramenta de geração de imagens Veo 3 e recebem sinalização das plataformas indicando que o conteúdo é sintético.

Conteúdos circularam em várias plataformas

O levantamento também concluiu que os avatares artificiais funcionam como vetores de desinformação política. Em 14 dos casos analisados, os conteúdos continham alegações enganosas sobre políticos ou instituições democráticas.

As publicações circularam principalmente no TikTok e no Instagram. O YouTube aparece em seguida entre as plataformas citadas pela pesquisa. Também houve ocorrências no X, Kwai e Facebook.

Entre os alvos dos conteúdos estavam o presidente Lula, o ex-presidente Jair Bolsonaro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso.

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