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IA vira motor de negócios bilionários para bancos de Wall Street

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma aposta tecnológica e passou a movimentar grandes operações financeiras. Bancos de investimento estão participando de captações, empréstimos e negócios ligados à expansão da infraestrutura necessária para sistemas de IA.

Segundo a Reuters, as instituições avaliam que esse ciclo de investimentos pode durar vários anos, embora o mercado ainda discuta se os valores das empresas de tecnologia estão em níveis sustentáveis.

Grandes bancos acompanham o avanço da IA e projetam um ciclo de investimentos que pode durar vários anos. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock

Grandes negócios de IA movimentam bancos de investimento

A corrida para ampliar a capacidade computacional já gerou operações bilionárias no mercado financeiro. Entre os exemplos citados pela Reuters estão a oferta de American Depositary Receipts (ADRs) da fabricante de chips SK Hynix, avaliada em US$ 26,5 bilhões (cerca de R$ 143 bilhões), e o IPO da SpaceX, que chegou a US$ 86 bilhões (aproximadamente R$ 464 bilhões).

Os bancos também passaram a financiar projetos de infraestrutura, principalmente relacionados à construção de data centers e ao aumento da capacidade de processamento necessária para aplicações de inteligência artificial.

Durante uma teleconferência de resultados, o CEO da Goldman Sachs, David Solomon, afirmou que “a construção da infraestrutura de IA ainda está em seus estágios iniciais” e que esse ciclo de investimentos deve continuar impulsionando atividades estratégicas, financiamentos e formação de capital.

Para Solomon, o setor está no meio de um “superciclo de investimentos em IA”, com empresas buscando diferentes formas de financiamento para sustentar seus projetos.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data centers estão no centro da expansão da inteligência artificial e dos novos aportes bilionários do mercado. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Gastos com data centers crescem nas projeções do mercado

O entusiasmo dos bancos convive com uma preocupação entre investidores. Em julho, ações de empresas de tecnologia, especialmente fabricantes de chips, sofreram pressão diante dos questionamentos sobre as altas avaliações do setor.

Mesmo com essa cautela, as previsões de gastos com infraestrutura continuam aumentando. Segundo Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, as estimativas para investimentos em data centers subiram nos últimos meses:

  • A previsão para 2026 passou de US$ 575 bilhões (cerca de R$ 3,1 trilhões) para aproximadamente US$ 850 bilhões (R$ 4,6 trilhões);
  • A expectativa para 2027 aumentou de US$ 700 bilhões (R$ 3,8 trilhões) para US$ 1,3 trilhão (R$ 7 trilhões);
  • O investimento em 2028 pode alcançar US$ 1,5 trilhão (R$ 8,1 trilhões);
  • O Morgan Stanley estima que os gastos ligados à IA podem chegar a US$ 10 trilhões (R$ 54 trilhões) em vários anos.
Ilustração de caixa de texto para prompt em plataforma de inteligência artificial
O avanço dos sistemas de IA exige mais infraestrutura, energia e centros de processamento em escala global. – Imagem: S and V Design/Shutterstock

Bancos ampliam atuação enquanto acompanham riscos

A inteligência artificial também ganhou espaço nas conversas entre executivos do setor financeiro. A CEO do Citi, Jane Fraser, afirmou que a tecnologia está “dominando muitas das conversas”, principalmente devido ao aumento dos gastos em tecnologia, data centers, energia e defesa.

O Bank of America concedeu uma linha de crédito de US$ 520 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) para a OpenAI. A instituição também afirma ter ajudado empresas relacionadas à IA a levantar quase US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,7 trilhões) desde 2025.

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Para Stephen Biggar, diretor de pesquisa de serviços financeiros da Argus Research, o ciclo de investimentos já influencia diferentes áreas do mercado. “O superciclo de investimentos impulsionado pela IA beneficiou emissões de ações, atividades de fusões e aquisições e financiamentos de dívida”, afirmou.

Jeremy Barnum, diretor financeiro do JPMorgan Chase, destacou que a expansão dos data centers também movimenta setores indiretos, como construção e serviços especializados.

Segundo a Reuters, o aumento dos investimentos em inteligência artificial abriu uma nova frente de negócios para Wall Street, mas o mercado ainda acompanha se esse ritmo de expansão continuará nos próximos anos.

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IA assusta Wall Street, mas Jamie Dimon, do J.P. Morgan, diz que o medo é exagerado

Os últimos dias têm sido de preocupação para os principais investidores de Wall Street, principalmente após a publicação de um relatório da Citrini Research, trazendo hipóteses de como a inteligência artificial (IA) poderia transformar os meios de pagamento. O resultado foi a queda das ações dos principais bancos, desde segunda-feira, 23 de fevereiro. Mas, para […]

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Analistas questionam efeitos da IA na economia dos EUA: “Basicamente zero”

Resumo
  • Economistas de Wall Street afirmam que o impacto da IA no PIB dos EUA em 2025 é mínimo, apesar de investimentos bilionários.
  • Equipamentos e softwares relacionados à IA são importados, diluindo o efeito dos investimentos no PIB americano.
  • Falta de métricas confiáveis dificulta a medição do impacto da IA na produtividade e no crescimento econômico.

Avaliações recentes feitas por analistas de um grande banco americano indicam que, ao menos até agora, o impacto direto desses investimentos sobre o PIB dos Estados Unidos é mínimo — descrito internamente como “basicamente zero”.

“Na verdade, não consideramos o investimento em IA como um fator fortemente positivo para o crescimento”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, em entrevista ao Atlantic Council. “Acho que há muita informação distorcida sobre o impacto que o investimento em IA teve no crescimento do PIB dos EUA em 2025, e esse impacto é muito menor do que se costuma perceber”, afirmou.

A inteligência artificial virou peça central no discurso sobre o futuro da economia dos Estados Unidos. Bancos, executivos e líderes empresariais passaram a associar o avanço da tecnologia a um ciclo de crescimento sustentado, impulsionado por investimentos bilionários em infraestrutura, chips e centros de dados. Para esse grupo, a IA já estaria ajudando a manter a economia aquecida em um cenário global instável.

No campo político, o tema também virou argumento estratégico. O presidente Donald Trump recorreu à promessa de crescimento impulsionado pela IA para defender a redução de regulações estaduais sobre o setor. Em uma publicação na Truth Social, escreveu: “O investimento em IA está ajudando a tornar a economia dos EUA a mais aquecida do mundo, mas a regulação excessiva dos estados ameaça minar esse motor de crescimento”.

O contraste expõe uma divergência crescente entre a narrativa defendida por empresas e autoridades e os números observados nos cálculos econômicos tradicionais.

O investimento virou crescimento econômico?

Durante parte de 2025, economistas reforçaram a percepção de que a IA já estaria deixando marcas visíveis no Produto Interno Bruto. Jason Furman, professor de Harvard, destacou em seu perfil no X que equipamentos e softwares ligados ao processamento de informação responderam por grande parte da expansão econômica no primeiro semestre. Na mesma linha, análises do Federal Reserve Bank of St. Louis sugeriram que investimentos relacionados à IA tiveram peso relevante no crescimento do terceiro trimestre.

Nos últimos meses, no entanto, essa leitura passou a ser questionada por analistas do mercado financeiro. Para Joseph Briggs, economista do Goldman Sachs, o entusiasmo inicial pode ter simplificado demais a discussão. “Era uma história muito intuitiva. Isso talvez tenha evitado ou limitado a necessidade de investigar mais a fundo o que estava acontecendo”, disse ao The Washington Post.

A revisão mais dura veio de Hatzius. Segundo ele, o efeito da IA no PIB americano em 2025 foi “basicamente nulo”.

Onde o dinheiro realmente aparece?

Um dos pontos centrais é a origem dos equipamentos que sustentam a infraestrutura de IA. Chips avançados e outros componentes são, em grande parte, importados. Na prática, isso dilui o efeito dos investimentos domésticos nas contas nacionais. “Grande parte do investimento em IA que vemos nos EUA contribui para o PIB de Taiwan e para o PIB da Coreia, mas não muito para o PIB dos EUA”, explicou o economista.

Outro problema é a falta de instrumentos confiáveis para medir como o uso da IA por empresas e consumidores se converte em produtividade e crescimento real. Sem métricas claras, o impacto econômico permanece difuso e difícil de quantificar.

O contraste entre os volumes investidos e os resultados observados sugere que a IA ainda está em uma fase de transição. A tecnologia pode transformar a economia no longo prazo, mas, até agora, seus efeitos macroeconômicos seguem discretos — bem longe da narrativa de crescimento imediato que dominou o mercado.

Com informações do Gizmodo

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