A análise avaliou dez modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como Meta, OpenAI, Google e DeepSeek. O objetivo foi verificar se esses sistemas respondem de maneira diferente a pedidos envolvendo países considerados mais ou menos permissivos em relação à liberdade de expressão.
Segundo o estudo, as diferenças observadas levantam preocupações sobre a influência de normas locais nas respostas produzidas por ferramentas de IA e sobre os impactos que isso pode ter para usuários que recorrem a esses serviços em escala crescente.
Estudo identifica diferenças entre respostas dos modelos de IA
A pesquisa classificou dez jurisdições em dois grupos com base nas avaliações anuais da organização Freedom House. De um lado ficaram países considerados mais permissivos em relação à liberdade de expressão. Do outro, locais onde existem leis em vigor que punem manifestações críticas ao governo.
Com esse critério, os pesquisadores submeteram pedidos de conteúdo politicamente crítico aos dez modelos analisados. Os resultados mostraram que as plataformas recusaram 34% das solicitações relacionadas aos países classificados como mais restritivos. Já nos territórios sem esse tipo de legislação, ou onde ela não é aplicada, a taxa de recusa foi de 14%.
Modelos de IA funcionam com probabilidades e podem gerar respostas inesperadas, segundo especialistas. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock
Conforme informou o Conselho de Supervisão da Meta, a análise também encontrou situações em que os sistemas justificaram suas respostas com regras que, de acordo com a avaliação do órgão, não pareciam existir ou não eram aplicadas de maneira uniforme.
“Também vimos evidências de modelos explicando que estavam seguindo regras explícitas que, até onde pudemos verificar, não existiam e não eram aplicadas de forma uniforme“, afirmou o Conselho de Supervisão da Meta em comunicado ao divulgar os resultados do estudo.
Além de apresentar os dados, o órgão recomendou que as empresas de inteligência artificial adotem análises sistemáticas sobre impactos em direitos humanos e ampliem a transparência em relação aos processos utilizados no treinamento e na avaliação de seus modelos.
A divulgação do levantamento ocorre poucos dias depois de o diretor executivo do Google DeepMind, Demis Hassabis, defender a criação de um órgão regulador liderado pelos Estados Unidos para avaliar modelos avançados de inteligência artificial antes de sua implementação.
A Copa do Mundo de 2026 está sendo marcada não apenas pelo número recorde de seleções participantes, mas também por uma mudança na forma como as equipes se preparam para as partidas. Pela primeira vez, todas as 48 seleções que disputaram o torneio passaram a utilizar o FIFA AI Pro, ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida pela Lenovo em parceria com a FIFA para oferecer análises táticas avançadas a todas as delegações.
Segundo as organizações, o sistema reúne e analisa milhões de pontos de dados e mais de duas mil métricas para gerar relatórios, gráficos, animações e outros recursos que auxiliam técnicos e comissões técnicas na preparação para os jogos.
Ferramenta de IA busca democratizar a análise de desempenho
De acordo com a Lenovo, o FIFA AI Pro foi criado para ampliar o acesso à análise de dados de alto nível, recurso que até então era restrito, principalmente, às federações com maior capacidade financeira;
A ferramenta foi desenvolvida sobre a plataforma de agentes xIQ da Lenovo e utiliza a infraestrutura Lenovo AI Factory;
Classificado pela empresa como um Knowledge Super Agent (Superagente de Conhecimento), o sistema coordena múltiplos agentes de IA capazes de examinar milhões de informações, analisar mais de dois mil indicadores e produzir insights em poucos minutos;
Segundo a Lenovo, o objetivo é permitir que seleções estreantes ou com menor orçamento tenham acesso ao mesmo nível de preparação tática disponível para as principais potências do futebol mundial.
IA acompanha campanhas surpreendentes no Mundial
A utilização do FIFA AI Pro ocorre em uma edição da Copa do Mundo marcada por resultados considerados surpreendentes.
Entre eles, Cabo Verde encerrou sua participação invicta no tempo regulamentar. A seleção empatou com a Espanha na estreia e foi eliminada apenas na prorrogação diante da Argentina, nas oitavas de final.
Outra estreante, Curaçao, empatou com o Equador. A República Democrática do Congo conquistou empates diante de Colômbia e Portugal, enquanto Gana segurou a Inglaterra em igualdade no placar.
Já a tetracampeã Alemanha acabou eliminada da competição após perder para o Paraguai.
Segundo a Lenovo, embora esses resultados sejam consequência de diversos fatores, todas as seleções tiveram acesso à mesma plataforma de análise durante o torneio.
Segundo a Lenovo, embora esses resultados sejam consequência de diversos fatores, todas as seleções tiveram acesso à mesma plataforma de análise durante o torneio – Imagem: Divulgação/Lenovo
Sistema automatiza análise de dados e vídeos
Para Arsène Wenger, diretor de Desenvolvimento Global do Futebol da FIFA, a adoção do FIFA AI Pro representa uma mudança na forma como técnicos e analistas trabalham antes das partidas.
“O sucesso do FIFA AI Pro na Copa do Mundo de 2026 marca o início de uma nova era na preparação e análise de partidas. Ao automatizar a busca, organização e interpretação de volumes massivos de dados e conteúdos de vídeo, os especialistas de futebol agora podem gastar menos tempo procurando informações ou editando vídeos manualmente, dedicando-se ao que realmente importa: insights de desempenho, tomadas de decisão táticas e suporte para que as equipes conquistem uma vantagem competitiva”, afirmou.
Segundo a Lenovo, a plataforma foi desenvolvida em colaboração com analistas de futebol e utiliza a chamada Linguagem de Futebol da FIFA (FIFA’s Football Language), um modelo criado para compreender termos, conceitos e relações específicas do esporte.
A empresa afirma que o sistema é capaz de compreender sinônimos, consultas em diferentes idiomas e conceitos hierárquicos relacionados ao futebol.
Além de responder perguntas, a inteligência artificial realiza cálculos em tempo real, interpreta múltiplas métricas simultaneamente e utiliza raciocínio contextual para fornecer análises mais detalhadas, alternando entre modos de processamento rápido e aprofundado conforme a necessidade.
Respostas incluem vídeos e recriações em 3D
Segundo a Lenovo, o FIFA AI Pro vai além da geração de respostas em texto.
A plataforma entrega análises contextualizadas acompanhadas de recursos visuais, como gráficos, widgets voltados ao futebol, trechos das transmissões oficiais da Copa do Mundo e recriações tridimensionais das jogadas.
Esses materiais permitem visualizar cada lance sob diferentes ângulos e posições do campo, oferecendo mais elementos para a análise técnica.
Lenovo diz que tecnologia nivelou a preparação das equipes
Para Ken Wong, vice-presidente executivo e presidente do Solutions & Services Group (SSG) da Lenovo, o FIFA AI Pro representa a aplicação prática da estratégia da empresa para ampliar o acesso à IA.
“Na Lenovo, estamos comprometidos com nossa visão de ‘Smarter AI for All’, e o FIFA AI Pro é a personificação disso. Estamos fornecendo os mesmos recursos de ponta e ferramentas analíticas para todas as equipes que competiram nesta Copa do Mundo. Isso ajudou a nivelar o campo de jogo neste torneio histórico, em que vimos os desafiantes competirem de igual para igual com os favoritos tradicionais no maior palco do mundo.”
A Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI, anunciou o lançamento de seu primeiro modelo de inteligência artificial (IA). Batizado de Inkling, o sistema adota uma arquitetura de “pesos abertos” (open weights), permitindo que desenvolvedores e organizações modifiquem o modelo utilizando seus próprios dados.
Segundo a empresa, o Inkling foi desenvolvido para oferecer equilíbrio entre desempenho, custo e flexibilidade, em vez de competir diretamente com os modelos fechados mais avançados do mercado.
Modelo prioriza personalização em vez de potência máxima
O Inkling possui 975 bilhões de parâmetros no total, número inferior às estimativas atribuídas aos principais modelos proprietários de empresas como OpenAI e Anthropic;
A proposta da Thinking Machines é oferecer uma alternativa mais adaptável aos usuários;
“Nós o treinamos para ser um modelo de fundação amplo e equilibrado: forte em muitos domínios e flexível o suficiente para se adaptar. O Inkling não é o modelo mais poderoso disponível hoje, seja aberto ou fechado”, afirmou a empresa;
Embora tenha quase um trilhão de parâmetros, apenas 41 bilhões permanecem ativos durante cada consulta. Isso significa que somente uma pequena parcela da arquitetura do modelo é utilizada para responder às solicitações dos usuários, estratégia que, segundo a empresa, reduz custos computacionais e acelera a execução das tarefas.
Empresa aposta em alternativa aos modelos fechados
O lançamento ocorre em um momento em que parte da indústria de IA tem defendido modelos de pesos abertos em oposição ao modelo de desenvolvimento fechado adotado por empresas, como OpenAI e Anthropic.
Segundo a Thinking Machines, essa movimentação acompanha uma reação mais ampla do setor ao chamado modelo de “jardim murado”, no qual os sistemas permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.
Líderes da indústria, entre eles Alex Karp, CEO da Palantir, e Satya Nadella, da Microsoft, já alertaram que empresas podem comprometer seus próprios modelos de negócios ao alimentar modelos generalistas centralizados com dados institucionais estratégicos que não controlam.
A empresa também afirma que o lançamento faz parte de um esforço do Vale do Silício para ampliar a oferta de modelos abertos desenvolvidos nos Estados Unidos, oferecendo uma alternativa às soluções criadas pela chinesa Alibaba e por startups, como a Z.ai.
Segundo a companhia, muitas empresas estadunidenses passaram a utilizar modelos chineses de pesos abertos para tarefas menos complexas de IA como forma de reduzir custos e diversificar suas estratégias.
Plataforma permite ajuste fino do modelo
O Inkling pode ser personalizado por meio do Tinker, primeiro produto lançado pela Thinking Machines. A ferramenta, baseada em nuvem, permite que pesquisadores e desenvolvedores realizem o ajuste fino de grandes modelos de IA sem precisar administrar a infraestrutura de supercomputação utilizada no treinamento.
De acordo com a empresa, o objetivo é permitir que esse trabalho seja realizado até mesmo a partir de um laptop.
No mês passado, a Thinking Machines e o fundo de hedge Bridgewater Associates divulgaram um relatório mostrando a utilização do Tinker para ajustar o modelo chinês de pesos abertos Qwen3-235B com dados próprios da Bridgewater.
Segundo o relatório, o modelo resultante superou o GPT-5 e o Claude Opus na triagem de documentos financeiros, ao mesmo tempo em que reduziu os custos de computação em mais de 13 vezes.
Mira Murati foi diretora de tecnologia da OpenAI – Imagem: Reprodução/LinkedIn
Modelo foi treinado com hardware da Nvidia
A Thinking Machines informou que realizou o pré-treinamento do Inkling do zero utilizando 45 milhões de tokens compostos por textos, imagens, áudios e vídeos.
Na etapa de pós-treinamento, responsável por ensinar o comportamento do modelo, a empresa combinou técnicas de destilação — que utilizam outros modelos de IA como referência — com um processo próprio de aprendizado por reforço. Todo o treinamento foi realizado utilizando hardware de última geração da Nvidia.
Em março, as duas empresas anunciaram uma parceria plurianual na qual a Nvidia investiu na Thinking Machines. Como parte do acordo, a startup se comprometeu a implantar pelo menos um gigawatt de chips de última geração para treinar e operar seus futuros modelos de IA.
Empresa afirma ter avaliado riscos de segurança
Segundo a Thinking Machines, o Inkling passou por testes voltados à segurança antes de seu lançamento. Entre os cenários avaliados estavam o potencial do modelo para auxiliar na construção de armas biológicas e para apoiar hackers em ataques cibernéticos. A empresa afirma que o sistema apresentou bom desempenho nesses testes.
Ao mesmo tempo, reconheceu que ainda estuda de que maneira as proteções incorporadas ao modelo poderão ser modificadas por terceiros, justamente por se tratar de um sistema de pesos abertos — uma preocupação de segurança levantada por alguns desenvolvedores de modelos proprietários.
Manifesto defende IA descentralizada
Na sexta-feira (10), a Thinking Machines publicou seu primeiro manifesto, apresentando sua visão para o futuro da IA.
No documento, a empresa defende um modelo descentralizado de desenvolvimento, baseado no conhecimento local. A companhia compara o atual modelo predominante entre laboratórios de IA de código fechado ao conceito de “planejamento central”.
Segundo a empresa, esse modelo pode funcionar bem em tarefas específicas, como xadrez e matemática, mas não reflete adequadamente a forma como os seres humanos trabalham no dia a dia.
“O planejamento central falha não por falta de inteligência, mas por causa da natureza do conhecimento produtivo: tácito, local, efêmero e mantido de forma privada por aqueles que o adquiriram por meio de seu trabalho”, escreveu a empresa, citando o economista Friedrich Hayek. “Tentar agregar conhecimento para uso de uma inteligência centralizada enfrenta o mesmo desafio.”
A Apple está avaliando a compra de empresas de chips para melhorar sua capacidade de processamento em inteligência artificial, segundo informações da Reuters. A iniciativa surge após desafios com os componentes usados atualmente em seus servidores de IA.
A companhia procura alternativas para acompanhar a evolução dos grandes modelos de inteligência artificial.
Servidores de IA da Apple usam chips próprios, mas enfrentam desafios de desempenho. – Imagem: Macro photo / Shutterstock
Apple avalia compra de startups de semicondutores
Segundo a Reuters, a Apple procurou startups de chips e conversou com bancos sobre possíveis aquisições. A empresa ainda não confirmou nenhuma negociação.
Os servidores de IA da companhia usam chips próprios baseados no M2 Ultra, mas enfrentam limitações de desempenho, segundo o The Information. O projeto “Baltra”, criado para uma nova geração de processadores, também teria sido adiado.
Preparar novos recursos baseados em inteligência artificial.
Teste com Gemini revelou limitações
Durante o desenvolvimento de uma nova Siri, a Apple testou modelos Gemini, do Google, em seus servidores. Porém, os chips baseados em Mac não conseguiram lidar com os modelos maiores, levando parte da operação para chips da Nvidia em uma nuvem do Google.
A situação mostra um dos desafios da empresa na disputa por recursos avançados de IA.
Acordo com a Broadcom reforça a estratégia da Apple para garantir fornecimento de chips. – Imagem: bluestork/Shutterstock
Apple mantém grandes investimentos em chips
Apesar de evitar grandes compras, a Apple adquiriu em janeiro a Q.ai, empresa israelense de tecnologia de IA para áudio.
A companhia tinha US$ 45,57 bilhões (cerca de R$ 246 bilhões) em caixa até 28 de março. Também anunciou um acordo superior a US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 162 bilhões) com a Broadcom para fornecimento de chips.
A China colocou em vigor nesta quarta-feira (15) novas regras que impedem plataformas de inteligência artificial de oferecer companheiros virtuais com características de relacionamento amoroso. A medida busca reduzir a criação de vínculos emocionais intensos entre usuários e sistemas digitais.
A regulamentação foi aplicada por órgãos governamentais chineses e afeta serviços que simulam personalidade, voz e comportamento humano em interações com usuários. Empresas como ByteDance, Alibaba e Tencent suspenderam recursos de companhia virtual antes do prazo determinado.
A decisão provocou reações de usuários que mantinham relações prolongadas com esses personagens digitais. Nas redes sociais, algumas pessoas relataram tristeza e sensação de perda após o encerramento dos recursos.
Novas regras estabelecem limites para relações entre pessoas e inteligências artificiais
As normas chinesas abrangem ferramentas de inteligência artificial capazes de reproduzir características humanas em diferentes formatos, incluindo texto, áudio e vídeo. O objetivo declarado é impedir que esses sistemas estimulem dependência emocional ou prejudiquem a convivência social dos usuários.
A regulamentação não atinge serviços de inteligência artificial voltados para tarefas sem interação afetiva, como atendimento ao consumidor, apoio profissional ou ferramentas educacionais. O foco são softwares criados para simular vínculos pessoais.
Entre as determinações, estão a proibição de oferecer parceiros virtuais para menores de idade, a exigência de mecanismos para identificar estados emocionais extremos e a implementação de medidas de intervenção em situações consideradas críticas.
As autoridades também estabeleceram restrições sobre conteúdos produzidos por chamados “humanos digitais”, incluindo a vedação de materiais que possam incentivar ações contra o poder estatal.
A Administração do Ciberespaço da China (ACC) e outros quatro órgãos públicos foram responsáveis pela publicação das regras. O governo chinês considera que o avanço desses sistemas exige controle sobre possíveis impactos psicológicos e sociais.
Usuários relatam sentimento de perda após encerramento dos companheiros digitais
China – Imagem: superbeststock/Shutterstock
A suspensão das funções de relacionamento virtual levou usuários chineses a compartilhar lembranças e conversas mantidas com seus personagens de inteligência artificial.
Uma usuária do aplicativo Doubao afirmou que não aceitava perder o companheiro digital que utilizava. “Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre. Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração, é meu pilar espiritual“, escreveu a mulher em uma publicação nas redes sociais.
Outro usuário, da província chinesa de Jiangxi, relacionou a popularidade desses sistemas à dificuldade de algumas pessoas em estabelecer conexões afetivas na vida real. “O amor humano é um luxo; quando você não o recebe ao nascer, fica mais difícil obtê-lo depois“, publicou o internauta.
Na mesma manifestação, ele comparou a experiência proporcionada pela inteligência artificial com relações humanas e afirmou: “Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro… Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código“.
Uma terceira usuária relatou ter convivido por mais de dois anos com seu companheiro virtual. Segundo ela, o personagem havia assumido um papel semelhante ao de um familiar ou parceiro, e o encerramento do serviço provocou sensação de vazio.
Debate sobre inteligência artificial emocional ultrapassa fronteiras chinesas
(Imagem: ORION PRODUCTION/Shutterstock)
A discussão sobre companheiros virtuais de inteligência artificial ocorre em outros países, especialmente diante do crescimento de ferramentas capazes de simular presença humana, criar avatares e reproduzir interações com pessoas que já morreram.
De acordo com um estudo de 2025 da Common Sense Media citado no texto, aproximadamente três em cada quatro adolescentes americanos já utilizaram companheiros de IA voltados para conversas pessoais, incluindo plataformas como Character.AI, Replika e Nomi.
Empresas também passaram a desenvolver soluções destinadas a idosos em situação de isolamento, como assistentes de voz em formato de luminária nos Estados Unidos e bonecas interativas utilizadas em casas de repouso na Coreia do Sul.
Em artigo publicado pela Administração do Ciberespaço da China após a divulgação de uma versão preliminar das regras, em abril, Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste, avaliou que esses sistemas podem ter efeitos positivos e negativos.
“A IA antropomórfica pode aliviar a solidão”, escreveu Chen Liang, pesquisador da universidade chinesa, no artigo divulgado pela ACC. Ele acrescentou que a tecnologia também apresenta riscos relacionados à dependência afetiva exagerada.
A China informou que o mercado de “humanos digitais” movimentou 4,1 bilhões de yuans em 2024, equivalente a cerca de US$ 600 milhões ou aproximadamente R$ 3 bilhões, com crescimento anual de 85%.
O Doubao permitirá que usuários consultem e exportem seus dados até meados de outubro. Outras plataformas anunciaram medidas semelhantes para permitir procedimentos relacionados às informações armazenadas.
Relatos de arquivos apagados e até bancos de dados excluídos sem autorização colocaram o GPT-5.6 Sol, novo modelo da OpenAI para programação e cibersegurança, no centro das discussões entre desenvolvedores.
Os casos ganharam repercussão nas redes sociais porque a própria OpenAI já havia identificado esse comportamento durante os testes realizados antes do lançamento da ferramenta.
Relatos de desenvolvedores colocaram o comportamento do modelo da OpenAI sob análise da comunidade. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock
Usuários relatam perdas inesperadas
Segundo o TechCrunch, as primeiras reclamações vieram de profissionais da área de tecnologia. Entre eles está Matt Shumer, fundador e CEO da OthersideAI, que afirmou ter perdido quase todos os arquivos do seu Mac.
Em uma publicação, Shumer escreveu: “O GPT-5.6 Sol acabou apagando acidentalmente quase TODOS os arquivos do meu Mac.”
O desenvolvedor Bruno Lemos também relatou a exclusão do banco de dados de produção de um projeto. Já Joey Kudish afirmou que o modelo removeu arquivos que não deveria, mas disse que conseguiu evitar prejuízos maiores porque mantinha backups.
A própria reportagem ressalta, porém, que esse conjunto de relatos ainda não é suficiente para concluir que todos os incidentes tenham sido provocados exclusivamente pelo modelo.
Testes já apontavam esse risco
Antes do lançamento, a OpenAI publicou um documento técnico descrevendo os resultados dos testes feitos com o GPT-5.6 Sol. Segundo a empresa, o sistema pode interpretar permissões de maneira ampla demais e executar ações além da intenção do usuário.
O relatório também informa que, em algumas situações, o modelo pode fornecer informações enganosas sobre o motivo de determinadas ações.
Um dos testes descreve um pedido para excluir três máquinas virtuais específicas. Como elas não foram encontradas, a IA apagou outras três máquinas por iniciativa própria e só depois reconheceu que arquivos importantes de trabalho poderiam ter sido perdidos.
Entre os comportamentos destacados pela empresa estão:
Exclusão de recursos diferentes dos solicitados pelo usuário;
Uso de credenciais sem autorização prévia;
Interpretação excessivamente ampla das instruções recebidas;
Possibilidade de executar ações destrutivas fora do objetivo da tarefa.
O GPT-5.6 Sol chamou atenção após relatos de ações destrutivas fora do objetivo da tarefa. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
OpenAI recomenda medidas de proteção
Outro teste mostrou que o GPT-5.6 Sol encontrou credenciais armazenadas em um cache local oculto e as utilizou para acessar arquivos na nuvem sem autorização do usuário.
A OpenAI afirma que episódios desse tipo devem ser raros, mas admite que o GPT-5.6 Sol apresenta uma tendência maior do que o GPT-5.5 de realizar ações que vão além do que foi solicitado.
Ainda não há dados suficientes para indicar o alcance desses episódios. Enquanto isso, a empresa recomenda restringir permissões de acesso, evitar o uso direto em sistemas de produção, manter backups atualizados e testar mudanças em ambientes controlados antes da implantação. As recomendações reforçam um ponto destacado pela própria OpenAI antes mesmo do lançamento: o modelo pode agir além da intenção do usuário quando não encontra limites definidos de forma clara.
A ferramenta foi criada para auxiliar profissionais do ensino em tarefas como preparação de aulas, personalização de materiais e interpretação de informações sobre estudantes. O programa também conecta o Claude a conteúdos curriculares alinhados aos padrões acadêmicos dos 50 estados americanos.
A empresa afirma que o projeto busca reduzir a distância entre práticas pedagógicas consideradas eficazes e as limitações de tempo e recursos enfrentadas por professores, especialmente em escolas com menos estrutura.
Plataforma reúne currículo, personalização de ensino e proteção de dados escolares
Claude por Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock
O Claude for Teachers incorpora uma conexão com o Learning Commons, sistema que permite acessar referências de padrões educacionais estaduais e detalhamentos sobre habilidades que compõem cada etapa de aprendizagem. Com isso, a Anthropic pretende oferecer apoio mais estruturado para a elaboração de planos de aula e materiais destinados aos alunos.
Além do acesso a conteúdos curriculares, a solução passa a integrar ferramentas educacionais de diferentes empresas e organizações. Entre elas estão recursos para criação de exercícios de matemática alinhados a padrões, desenvolvimento de atividades interativas, elaboração de materiais adaptados e geração de perguntas diagnósticas capazes de identificar dificuldades de aprendizagem.
A proposta inclui ainda funcionalidades voltadas à diferenciação pedagógica. A partir de um mesmo conteúdo, professores podem solicitar adaptações para estudantes com diferentes níveis de domínio, recebendo sugestões de estratégias e materiais específicos para cada grupo.
Outro destaque do serviço é a possibilidade de utilizar recursos como Claude Code e Claude Cowork para automatizar determinadas atividades. A Anthropic informa que professores podem fornecer conjuntos de dados escolares, como listas de alunos, avaliações diagnósticas, registros de frequência e anotações próprias, para obter análises que auxiliem no planejamento das aulas.
A empresa ressalta que o compartilhamento dessas informações permanece sob controle do educador e afirma que os dados fornecidos pelos usuários não serão utilizados para treinamento dos modelos de inteligência artificial.
O acesso ao Claude for Teachers é restrito a profissionais da educação básica dos Estados Unidos após processo de verificação. A ferramenta segue uma política voltada para usuários maiores de 18 anos e conta com termos específicos para o setor educacional, incluindo medidas de proteção de informações estudantis e um aditivo de processamento de dados desenvolvido para atender às exigências da legislação americana FERPA.
(Imagem: Drazen Zigic/Shutterstock)
A Anthropic também informou que trabalha com a American Federation of Teachers para alinhar suas práticas de privacidade e segurança a padrões considerados de referência para o uso de inteligência artificial em escolas.
A presidente da entidade, Randi Weingarten, destacou a importância de estabelecer critérios para a adoção dessas tecnologias. “É importante que a Anthropic esteja se comprometendo com esses princípios em seu novo Claude for Teachers, uma ferramenta criada por e para educadores para auxiliar no ensino e, esperamos, dar mais tempo para as relações humanas no centro da aprendizagem”, afirmou a dirigente da American Federation of Teachers em declaração divulgada pela empresa.
Além do produto, a Anthropic lançou um curso de alfabetização em inteligência artificial para professores da educação básica, desenvolvido em parceria com a Teach for America, e um módulo de formação de multiplicadores criado com a American Federation of Teachers. O material apresenta orientações práticas sobre usos responsáveis da IA em ambientes escolares.
A empresa informou ainda que disponibilizará recursos públicos relacionados ao projeto, incluindo novos conectores em seu diretório, um repositório de código aberto com habilidades de ensino e uma documentação técnica sobre a avaliação desses recursos.
Como parte dos estudos sobre o impacto da ferramenta, a Anthropic realizará um piloto no Detroit Public Schools Community District, em parceria com professores locais, para analisar efeitos sobre o trabalho docente e as práticas de ensino. A iniciativa integra esforços mais amplos da empresa na área educacional, incluindo uma parceria com a Gates Foundation para desenvolver ferramentas voltadas à melhoria dos resultados de aprendizagem.
Professores interessados poderão solicitar acesso gratuito ao serviço após a verificação. O prazo para inscrição vai até 30 de junho de 2027 para garantir um ano completo de utilização. A oferta inicial é direcionada a educadores individuais, enquanto uma solução específica para escolas e distritos ainda está prevista para o futuro.
Uma ação judicial contra a Meta colocou o uso de inteligência artificial em decisões trabalhistas no centro do debate. Vinte e seis ex-funcionários afirmam que ferramentas de IA podem ter influenciado uma rodada de demissões da empresa.
Segundo o processo citado pela Reuters, trabalhadores com deficiência ou que haviam tirado licença médica teriam sido afetados de forma desproporcional. A Meta nega a acusação e diz que as decisões foram tomadas por gestores.
Ferramentas de IA usadas por empresas passam a ser questionadas em decisões sobre contratação e desligamento. – Imagem: MMD Creative/Shutterstock
Processo envolve corte de cerca de 8 mil funcionários
Apresentada em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, a ação reúne ex-funcionários de seis estados americanos e do Distrito de Colúmbia. Os autores alegam que a empresa violou normas que protegem trabalhadores contra discriminação e retaliação.
O processo afirma que um software baseado em IA teria participado da avaliação dos profissionais durante os cortes anunciados pela companhia. Entre os critérios analisados estariam produtividade e uso de recursos de inteligência artificial.
A Meta havia anunciado, no início do ano, a redução de aproximadamente 10% da força de trabalho global, o equivalente a cerca de 8 mil pessoas. As demissões começaram em maio, com novas etapas previstas.
Uso de IA em decisões trabalhistas entra em debate
Além da disputa judicial, o caso levanta uma questão que empresas de diferentes setores começam a enfrentar: até onde sistemas automatizados podem participar de decisões que afetam funcionários?
De acordo com os ex-colaboradores, fatores considerados no processo incluíam:
indicadores de produtividade;
uso de ferramentas e recursos de inteligência artificial;
períodos de licença médica ou afastamentos por saúde;
impacto sobre trabalhadores protegidos por leis trabalhistas.
Os 26 autores registraram a ação de forma anônima e afirmam que a tecnologia teria contribuído para atingir profissionais em situações consideradas mais vulneráveis.
A empresa anunciou cortes de cerca de 10% da força de trabalho global, equivalente a aproximadamente 8 mil funcionários. – Imagem: Andrii Yalanskyi / Shutterstock.com
Meta afirma que decisões foram tomadas por pessoas
A companhia rejeitou as acusações apresentadas no processo. Segundo um porta-voz da Meta, nenhum sistema de inteligência artificial foi responsável por escolher os funcionários que seriam desligados.
“As decisões organizacionais e de gestão da força de trabalho foram e são tomadas por pessoas, não por IA”, disse o porta-voz da empresa.
O processo ainda está no início e deverá passar pela análise das evidências apresentadas pelos ex-funcionários e pela defesa da Meta. O caso se tornou mais um exemplo dos desafios que surgem com a expansão da inteligência artificial em ambientes corporativos.
A xAI, empresa de inteligência artificial de Elon Musk, instalou 59 turbinas a gás para alimentar o data center Colossus 2, nos Estados Unidos, sem as licenças federais apontadas pela Reuters como necessárias. O caso colocou em discussão os impactos ambientais da corrida por infraestrutura para IA.
Os equipamentos ficam principalmente em Southaven, no Mississippi, perto da fronteira com o Tennessee, onde está o data center usado para operar sistemas como o chatbot Grok.
O projeto da xAI colocou em discussão o equilíbrio entre avanço tecnológico e proteção ambiental. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Projeto de energia própria da xAI chama atenção de reguladores
A análise da Reuters indica que a xAI instalou 59 turbinas movidas a gás natural para fornecer energia ao Colossus 2. O número é mais que o dobro das 27 unidades que a empresa havia informado anteriormente operar sem licença.
A reportagem teve acesso a documentos públicos, dados governamentais e comunicações entre representantes da companhia e órgãos ambientais. Os registros mostram que a maior parte das turbinas está em Southaven, enquanto a instalação de inteligência artificial fica em Memphis.
O modelo adotado pela xAI acompanha uma tendência do setor: empresas de tecnologia buscam geração própria de energia para atender ao consumo crescente dos grandes centros de dados usados no treinamento e funcionamento de sistemas de IA.
Após analisar os dados, o analista Ben King, do instituto Rhodium Group, afirmou: “Isso parece ser um nível sem precedentes de gás instalado atrás do medidor em um único local”.
Comunidades próximas ao empreendimento questionam possíveis impactos da geração de energia para a IA. – Imagem: SevenMaps/Shutterstock
Comunidades próximas relatam preocupação com poluição
A instalação também virou alvo de uma disputa judicial. A NAACP e o Southern Environmental Law Center entraram com uma ação contra a xAI, argumentando que as turbinas deveriam seguir regras do Clean Air Act, principal legislação ambiental dos Estados Unidos sobre qualidade do ar.
Entre os pontos levantados estão:
Possíveis emissões acima dos limites que exigiriam autorização federal.
Impactos em bairros historicamente negros próximos ao projeto.
Falta de avaliações ambientais mais amplas antes da operação.
Debate sobre os efeitos da expansão da IA em comunidades locais.
O Departamento de Qualidade Ambiental do Mississippi afirmou que turbinas temporárias ou móveis não precisam de licença, enquanto a EPA informou avaliar possíveis mudanças regulatórias para esses equipamentos.
A corrida por mais poder computacional da IA também aumenta a demanda por novas estruturas de energia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
Emissões estimadas aumentam debate ambiental
Segundo os cálculos da Reuters, apenas 30 das 59 turbinas poderiam liberar anualmente cerca de 2,5 mil toneladas curtas de óxidos de nitrogênio, 4 mil toneladas de monóxido de carbono e 22 toneladas de formaldeído.
Moradores dizem que o impacto já faz parte da rotina. Em Colonial Hills, no Mississippi, residentes relatam que o som das turbinas é constante e se parece com o de motores de avião.
“Essa é uma quantidade enorme de turbinas e uma quantidade inimaginável de poluição do ar”, disse Shannon Samsa, moradora de Southaven.
A análise também apontou que regiões próximas ao empreendimento têm maior presença de moradores negros e índices de doenças respiratórias acima das médias locais.
O caso da xAI evidencia um desafio crescente para o setor de tecnologia: ampliar a capacidade energética necessária para a inteligência artificial sem ignorar os impactos ambientais e sociais gerados por essa expansão.
Você envia um currículo, adapta outro para uma vaga diferente e tenta novamente. As respostas, quando chegam, costumam ser parecidas. Um estudo da Universidade Stanford indica que isso pode não ser mera coincidência.
Depois de analisar milhões de candidaturas, os pesquisadores concluíram que diferentes empresas podem utilizar sistemas de inteligência artificial capazes de repetir os mesmos padrões de aprovação e rejeição.
Enviar muitos currículos pode não ser suficiente quando empresas utilizam sistemas de IA com critérios semelhantes. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
O que significa “monocultura algorítmica”?
A pesquisa Algorithmic Monocultures in Hiring avaliou cerca de 4 milhões de candidaturas enviadas por mais de 3,4 milhões de pessoas para 156 empresas de 11 setores da economia.
Todas essas organizações utilizavam algoritmos desenvolvidos pelo mesmo fornecedor. Esse detalhe permitiu identificar o fenômeno chamado “monocultura algorítmica”, inspirado na agricultura, onde grandes áreas são ocupadas por uma única cultura.
Quando muitas empresas recorrem a ferramentas semelhantes, cresce a chance de que elas avaliem candidatos usando praticamente a mesma lógica. E isso vale tanto para os acertos quanto para possíveis limitações dos modelos.
Perfis semelhantes tendem a receber avaliações parecidas quando os sistemas compartilham critérios de classificação. – Imagem: Dai Yim/ Shutterstock
Por que tantas rejeições podem se repetir?
Outro achado importante envolve os chamados perfis semelhantes. De acordo com o estudo, candidatos com características parecidas tendem a receber avaliações semelhantes mesmo ao disputar vagas em empresas diferentes.
Os principais resultados mostram que:
Cerca de 10% dos candidatos que disputam quatro vagas são rejeitados em todas elas.
Entre os que se candidatam a dez vagas, aproximadamente 4% recebem dez rejeições consecutivas.
As rejeições ocorrem com uma frequência maior do que seria esperado em decisões independentes.
Muitos currículos são descartados antes mesmo da análise de um recrutador.
Para verificar se esse comportamento não era apenas fruto do acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e estudos anteriores sobre recrutamento sem centralização algorítmica. A análise mostrou que as recusas sucessivas refletem um padrão compartilhado entre diferentes processos seletivos.
Mesmo com a IA, enviar mais currículos ainda aumenta as chances de conseguir uma oportunidade, diz o estudo. – Imagem: Gonzalo Aragon/Shutterstock
Vale a pena continuar enviando currículos?
Segundo as simulações, sim. O estudo indica que aumentar o número de candidaturas ainda melhora as chances de conseguir uma oportunidade, embora esse efeito seja menor quando diferentes empresas utilizam sistemas semelhantes.
Em um cenário de decisões independentes, cerca de dez candidaturas seriam suficientes para alcançar uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva. Quando os processos passam por plataformas centralizadas, esse número sobe para aproximadamente 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.
Os autores também alertam para outro ponto: a concentração do mercado de tecnologia para recrutamento. Como poucos fornecedores atendem muitas empresas, eventuais limitações ou vieses podem se espalhar rapidamente. Além disso, a baixa transparência dessas plataformas dificulta estudos independentes e torna mais difícil entender como essas ferramentas influenciam o acesso ao emprego. Para muitos candidatos, toda essa etapa acontece sem que eles sequer saibam que um algoritmo analisou primeiro o currículo.