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Bancos canadenses entram na mira de alerta sobre IA

O regulador federal do sistema financeiro do Canadá alertou, em abril, grandes bancos e seguradoras do país sobre os riscos cibernéticos associados a modelos avançados de inteligência artificial, incluindo o Claude Mythos, da Anthropic. A orientação foi enviada a executivos responsáveis por tecnologia, segurança da informação e gestão de riscos, segundo informações exclusivas da Reuters.

O aviso da Autoridade de Supervisão de Instituições Financeiras do Canadá (OSFI, na sigla em inglês) apontou que ferramentas de inteligência artificial de fronteira podem reduzir o tempo disponível para que empresas identifiquem falhas, adotem medidas de proteção e respondam a incidentes digitais.

A comunicação ocorreu em meio ao avanço global das discussões sobre segurança envolvendo sistemas de IA altamente capazes. O órgão canadense afirmou que sua preocupação está na forma como as instituições administram os riscos dessas tecnologias, e não no uso de uma ferramenta específica.

Regulador canadense amplia vigilância sobre impacto da inteligência artificial no setor financeiro

Claude é a IA da empresa Anthropic – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Documentos obtidos pela Reuters por meio de um pedido de acesso à informação indicam que a OSFI encaminhou o alerta em 29 de abril a representantes das principais instituições financeiras canadenses. Entre os destinatários estavam diretores de tecnologia, responsáveis por segurança cibernética e executivos ligados à área de riscos.

A preocupação central do regulador é que modelos avançados de inteligência artificial possam modificar a dinâmica dos ataques digitais. Segundo a OSFI, sistemas desse tipo podem acelerar a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, pressionando bancos e seguradoras a reagirem com maior velocidade.

Em resposta aos questionamentos da Reuters, o órgão publicou posteriormente um boletim público sobre inteligência artificial generativa e sistemas considerados agentes, reforçando uma abordagem baseada na avaliação de riscos. A instituição afirmou que sua atuação busca garantir práticas adequadas de governança e controle.

A OSFI informou que adota uma postura neutra em relação à tecnologia e concentra sua análise na maneira como as organizações reguladas utilizam e supervisionam essas soluções. A entidade destacou que instituições financeiras devem fortalecer processos de identificação, redução de impactos e resposta a ameaças.

A discussão sobre o tema também envolveu encontros entre representantes do setor bancário e autoridades. No início de abril, executivos de bancos canadenses participaram de reuniões com reguladores para tratar dos possíveis efeitos do Mythos, pouco depois de autoridades norte-americanas terem discutido riscos semelhantes com dirigentes de grandes bancos.

Logo da Anthropic ao fundo, com silhuetas de pessoas passando à frente
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Entre as seis maiores instituições financeiras do Canadá, Royal Bank of Canada, TD Bank e BMO já haviam apresentado planos para ampliar aplicações de inteligência artificial, incluindo chatbots, ferramentas internas e redução da dependência de soluções terceirizadas. Bank of Nova Scotia, CIBC e National Bank também divulgaram iniciativas relacionadas à tecnologia.

O governo canadense informou ter acesso ao Project Glasswing, sistema que permite a empresas utilizarem o Mythos, embora não tenha revelado quais bancos do país adotam a ferramenta. Algumas instituições evitaram comentar diretamente o assunto e encaminharam posicionamentos à Associação Canadense de Bancos.

A entidade afirmou que os bancos investiram recursos significativos na proteção do sistema financeiro e seguem exigências da OSFI relacionadas ao gerenciamento de riscos cibernéticos e à comunicação de incidentes.

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Para Bruce Ross, diretor de tecnologia do Royal Bank of Canada, o avanço de modelos como o Mythos representa uma mudança no cenário de ataques digitais. Em entrevista concedida a Reuters em junho, o executivo afirmou que as organizações precisam desenvolver mecanismos próprios de defesa baseados em inteligência artificial.

A OSFI também destacou que sua responsabilidade inclui preservar a estabilidade do setor financeiro canadense e acompanhar riscos emergentes relacionados a novas tecnologias, interferência estrangeira e fatores geopolíticos.

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Especialistas defendem mudanças na IA antes que seja tarde demais

Mais de 200 pesquisadores e economistas, incluindo 15 vencedores do Prêmio Nobel e integrantes de empresas de tecnologia como OpenAI, Anthropic e Google, defenderam nesta segunda-feira (13) a criação urgente de políticas para enfrentar os efeitos econômicos da inteligência artificial.

O grupo afirma que a expansão da IA pode gerar uma mudança econômica superior à provocada pela Revolução Industrial, mas em um intervalo de adaptação muito menor, criando desafios para trabalhadores, empresas e governos.

A declaração conjunta foi divulgada por especialistas ligados às áreas de economia e tecnologia, que pedem estudos mais aprofundados e a construção antecipada de instituições capazes de lidar com possíveis impactos, como a substituição de empregos em larga escala.

Especialistas defendem preparação antes dos efeitos da IA atingirem a economia

Robô humanoide, movido à IA, trabalhadno em uma fábrica – Créditos: UBTECH / Divulgação

Os signatários da iniciativa argumentam que transformações tecnológicas anteriores deram mais tempo para que as sociedades ajustassem suas estruturas econômicas. Na avaliação apresentada pelo grupo, a inteligência artificial pode avançar em ritmo mais acelerado do que as mudanças provocadas pelo vapor, pela eletricidade e pelos computadores.

“O vapor, a eletricidade e os computadores deram às sociedades décadas para se adaptar. A IA pode nos dar apenas alguns anos”, afirmou Anton Korinek, professor da Universidade da Virgínia e responsável pela organização da iniciativa ao lado dos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal e Tom Cunningham.

Korinek também integra a equipe de pesquisa econômica da Anthropic desde março. Segundo ele, esperar que todos os efeitos da tecnologia estejam completamente definidos antes de agir pode deixar governos e instituições sem tempo suficiente para responder às mudanças.

Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório
Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório – (Reprodução: Genesis AI)

A declaração pede que autoridades públicas e líderes do setor tecnológico invistam em pesquisas sobre os efeitos econômicos da inteligência artificial e desenvolvam medidas para garantir que os avanços da tecnologia tragam benefícios sociais.

Entre os participantes que apoiaram o documento estão Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI; Jeff Dean, cientista-chefe do Google DeepMind; Jack Clark, cofundador da Anthropic; além de integrantes da equipe econômica ligada ao desenvolvimento do chatbot Claude.

Também assinaram a manifestação pesquisadores reconhecidos internacionalmente, como Michael Spence, Daron Acemoglu e Simon Johnson, todos vencedores do Prêmio Nobel, conforme informado no documento divulgado pelo grupo.

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Mercado de smartphones sofre maior queda em 13 anos

O mercado global de smartphones teve um dos piores desempenhos recentes. A escassez de chips de memória reduziu as remessas de aparelhos no segundo trimestre, que chegaram ao menor nível para o período desde 2013.

De acordo com estimativas preliminares da Counterpoint Research, divulgadas pela Reuters, as fabricantes enviaram 11% menos aparelhos no período analisado. O principal motivo foi a disputa por componentes com o avanço da inteligência artificial.

Menos chips disponíveis significam mais pressão sobre preços de celulares em todo o mundo. – Imagem: Denis Klimov 3000/Shutterstock

IA muda a disputa por componentes

Os fornecedores de memória passaram a priorizar clientes ligados a data centers de inteligência artificial, reduzindo a disponibilidade de chips para empresas de eletrônicos de consumo.

Com menos componentes disponíveis e preços mais altos, fabricantes repassaram parte dos custos aos consumidores, principalmente nos modelos básicos e intermediários. Segundo a Counterpoint, a pressão deve continuar até 2027.

Entre os principais reflexos estão:

  • aumento nos preços dos aparelhos;
  • queda nas vendas de modelos de entrada;
  • redução das remessas globais;
  • maior dificuldade para fabricantes que dependem de celulares mais baratos.

A consultoria manteve a previsão de queda de cerca de 14% nas remessas globais de smartphones neste ano.

Apple desafia tendência de queda

Enquanto boa parte do setor recuou, a Apple conseguiu avançar. As remessas da companhia cresceram 3% no segundo trimestre, levando a marca a uma participação recorde de 20% no mercado global.

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O resultado foi impulsionado pela procura por modelos premium da linha iPhone e pela manutenção dos preços. Analistas, porém, esperam possíveis reajustes nos próximos meses.

A Samsung recuperou a liderança, com 24% de participação, beneficiada pelas vendas da linha Galaxy S26, pela disponibilidade de produtos e por aumentos menores em mercados como Índia e Oriente Médio.

Metade da população mundial possui um smartphone
Xiaomi, Oppo e Vivo sentiram mais os efeitos da crise por dependerem de modelos básicos e intermediários. – Imagem: Jack Skeens/Shutterstock

Marcas populares sentem mais a pressão

Xiaomi, Oppo e Vivo registraram as maiores quedas entre as cinco principais fabricantes. A maior exposição aos segmentos de entrada e intermediário deixou essas empresas mais vulneráveis ao aumento dos custos.

A análise da Counterpoint Research mostra que a indústria de celulares agora disputa espaço com uma nova demanda: a inteligência artificial. Enquanto data centers precisam de cada vez mais memória, fabricantes de smartphones tentam equilibrar preços e disponibilidade de componentes.

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IA pode ser culpada por crimes? Entenda este novo dilema

Quando uma inteligência artificial causa um dano, quem deve responder por isso? A pergunta deixou de ser apenas tema de ficção científica e passou a aparecer em processos judiciais envolvendo chatbots e sistemas capazes de tomar ações com pouca intervenção humana.

A expansão dos agentes de IA aumentou a preocupação de especialistas, empresas e famílias que buscam definir os limites de responsabilidade em uma tecnologia ainda em transformação.

Modelos de IA funcionam com probabilidades e podem gerar respostas inesperadas, segundo especialistas. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Chatbots avançam e chegam ao centro de disputas judiciais

Durante décadas, histórias de ficção científica discutiram se máquinas inteligentes poderiam ser responsabilizadas por suas ações. Agora, a questão chegou ao mundo real.

Segundo o The Washington Post, empresas de inteligência artificial passaram a enfrentar processos nos Estados Unidos e em outros países após acusações de que chatbots teriam incentivado automutilação ou oferecido orientações relacionadas a crimes.

O cenário ficou mais complexo com a evolução dos agentes de IA, sistemas projetados para realizar tarefas mais longas e independentes. A tecnologia já começa a ser usada para atividades que vão de organização pessoal a operações empresariais.

Os principais pontos do debate são:

  • responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA;
  • limites das ações realizadas pelos usuários;
  • dificuldade de prever respostas e comportamentos inesperados;
  • criação de regras específicas para acompanhar a tecnologia.

“É uma área muito espinhosa. É um território desconhecido”, afirmou Andrew Yoon, integrante da CivAI, organização que analisa capacidades e riscos da inteligência artificial.

Empresas dizem que não conseguem controlar todos os usos

As empresas de IA argumentam que não podem prever todas as formas pelas quais seus sistemas serão utilizados. Diferentemente de programas tradicionais, esses modelos não seguem apenas comandos fixos: eles geram respostas com base em padrões aprendidos a partir de grandes volumes de dados.

Mesmo com mecanismos de segurança aprimorados, usuários ainda encontram maneiras de contornar restrições.

David Sacks, investidor de capital de risco e ex-consultor de IA da Casa Branca, afirma que os desenvolvedores não têm como saber exatamente todos os usos possíveis de seus produtos.

Eu simplesmente não acho que o desenvolvedor esteja em posição de saber exatamente como seu produto está sendo usado.

Andrew Yoon, integrante da CivAI, ao The Washington Post.

A imagem coloca ícones flutuando com referências de IA e o cérebro humano. Ao centro, a palavra "AI Ethics" algo como "A ética da IA"
A evolução dos agentes de IA aumenta a pressão por regras mais claras sobre responsabilidade tecnológica. – Imagem: Suri_Studio / Shutterstock

Casos colocam limites da IA sob pressão

Algumas famílias já levaram a discussão aos tribunais. Um dos casos envolve Adam Raine, adolescente de 16 anos da Califórnia, cuja família afirma que conversas prolongadas com o ChatGPT tiveram relação com sua morte.

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Outro processo citado pelo jornal envolve Jonathan Gavalas, da Flórida, que teria desenvolvido um relacionamento com o chatbot Gemini, do Google.

“Isso é muito diferente porque parece um relacionamento pessoal, no qual o chatbot geralmente isola o usuário”, afirmou Jay Edelson, advogado que representa famílias em ações contra empresas de IA.

Para especialistas, as regras atuais podem não ser suficientes para lidar com agentes cada vez mais capazes de agir de forma independente. Gabriel Weil, pesquisador do Institute for Law & AI, defende que os criadores da tecnologia precisam assumir parte dos riscos.

“É preciso fazer com que eles assumam esse risco. Se o fizerem, terão todos os incentivos necessários para reduzi-lo”, disse Weil.

A disputa ainda está longe de uma conclusão. Enquanto a inteligência artificial avança, tribunais e governos tentam encontrar um equilíbrio entre estimular a inovação e proteger pessoas afetadas por decisões tomadas com ajuda dessas ferramentas.

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Você poderá falar com o Waze: veja como funciona a nova IA

Quem usa o Waze para escapar do trânsito ganhou novas ferramentas no Brasil. O aplicativo passou a receber funções com inteligência artificial que permitem conversar por voz, adaptar trajetos ao perfil do motorista e melhorar a navegação para motociclistas.

As novidades usam o Gemini, tecnologia de IA do Google, para interpretar pedidos feitos de forma mais natural e transformar informações do caminho em sugestões dentro do aplicativo.

Com IA do Gemini, o Waze transforma relatos de usuários em sugestões de melhorias para os mapas. – Imagem: Divulgação / Waze

Waze transforma avisos de trânsito em conversa por voz

Uma das principais mudanças é o Waze Map Mate, que permite avisar sobre problemas nas ruas usando apenas a voz. Em vez de procurar menus, o motorista pode descrever a situação enquanto dirige.

É possível informar acidentes, buracos, obras, congestionamentos e até mudanças em endereços com frases comuns do dia a dia. O Gemini interpreta o comando e cria uma sugestão de atualização para o mapa.

As informações, porém, não entram automaticamente no aplicativo. Antes disso, elas são analisadas pelos editores de mapas do Waze, responsáveis por verificar os dados enviados pelos usuários.

A novidade funciona em celulares Android e iPhone (iOS).

Ao fundo, logo do Waze; à frente, o aplicativo em execução
O Waze ganhou IA para criar uma navegação mais personalizada com base nos hábitos de cada usuário. – Imagem: Kemarrravv13/Shutterstock

Menos avisos e mais personalização no volante

Para quem acha que o aplicativo fala demais durante a viagem, o Waze adicionou o modo “Menos falante”. A opção reduz as mensagens de voz e mantém alertas importantes, como perigos, mudanças de faixa e conversões.

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O motorista pode escolher entre quatro configurações: “Normal”, “Menos falante”, “Apenas alertas” e “Desativado”.

O Gemini também amplia as buscas dentro do aplicativo. Agora, o usuário pode pedir sugestões como estacionamentos próximos, postos com preços mais baixos ou cafeterias abertas.

Além disso, o Waze passa a considerar hábitos de direção para sugerir caminhos. “Ele sugere rotas com base nas suas viagens anteriores e na análise dos padrões de trânsito locais”, explicou a empresa.

Modo Moto leva navegação adaptada para motociclistas

Quem anda de moto também ganhou uma opção específica de navegação. O novo Modo Moto considera características diferentes dos veículos de duas rodas para indicar caminhos mais adequados.

A inteligência artificial ajuda a analisar situações que podem afetar o trajeto, enquanto uma equipe de editores motociclistas auxilia na atualização das informações.

O recurso considera fatores como:

  • buracos e lombadas;
  • fim de acostamentos;
  • pontes estreitas;
  • restrições para motocicletas;
  • atalhos disponíveis apenas para motos.

A atualização reforça a disputa entre aplicativos de navegação para oferecer experiências mais inteligentes. Serviços como Google Maps, Siri e Alexa também passaram a incorporar recursos de inteligência artificial recentemente.

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O avanço da IA já mudou o perfil das vagas de trabalho

A inteligência artificial continua no centro das discussões sobre o futuro do trabalho. Um novo relatório da OCDE mostra, porém, que ela ainda não provocou uma onda de desemprego entre os países da organização.

Isso não significa que nada esteja mudando. As empresas passaram a valorizar novas competências, enquanto os jovens encontram mais obstáculos para conquistar as primeiras oportunidades.

Emprego continua em alta

O relatório Perspectivas do Emprego 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que a taxa de desemprego permanece em 4,9%, muito próxima do menor nível histórico, de 4,8%, registrado em junho de 2023. A previsão é de crescimento do emprego de 0,3% neste ano e de 0,6% no próximo.

Esses números reforçam que o avanço da inteligência artificial, até agora, não reduziu a oferta de trabalho nos países analisados.

“Até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra”, afirmou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação do relatório.

Jovens enfrentam mais dificuldades

Se o cenário geral permanece favorável, a entrada dos jovens no mercado de trabalho segue mais complicada. Segundo a OCDE, os avanços recentes da inteligência artificial generativa provavelmente fazem parte desse contexto.

Ao mesmo tempo, as empresas passaram a dar mais importância às competências exigidas para diferentes funções.

O relatório destaca:

  • maior valorização de competências ligadas às novas tecnologias;
  • transformação das habilidades exigidas pelas empresas;
  • maior dificuldade para os jovens ingressarem no mercado de trabalho;
  • manutenção do crescimento do emprego, apesar das mudanças.

“A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o”, destacou Mathias Cormann, ao afirmar que a tecnologia ainda não enfraqueceu as perspectivas de emprego para jovens nem para os trabalhadores em geral.

Guerra pressiona, mas mercado resiste

O estudo também aponta que o mercado de trabalho mostrou resiliência mesmo com os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços da energia. A criação de empregos continuou sólida e o número de vagas, embora abaixo do pico registrado após a pandemia, estabilizou-se desde a escalada do conflito.

Leia mais:

O relatório ressalta que muitos trabalhadores ainda não percebem melhora na remuneração. Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais permanecem inferiores aos registrados há cinco anos.

Os dados indicam que a inteligência artificial já influencia as competências buscadas pelas empresas, mas, segundo a própria OCDE, ainda não há sinais de uma redução generalizada dos empregos nos países que integram a organização.

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ChatGPT caiu? Chatbot da OpenAI começa o dia instável

Acordou, tentou usar o ChatGPT e não conseguiu? Saiba que você não está sozinho. Usuários de todo o mundo estão falando sobre o assunto nas redes sociais.

A OpenAI informou sobre a queda em sua página de status. A empresa diz ter constatado falhas para iOS e macOS – ou seja, sistemas operacionais dos smartphones e computadores da Apple. Nos testes que fizemos aqui no Olhar Digital, o problema se resumiu ao macOS.

  • iPhone: ChatGPT abriu normalmente
  • Android: ChatGPT abriu normalmente
  • PC Windows: ChatGPT abriu normalmente
  • MacBook: ChatGPT não funciona.

Quando tento acessar o ChatGPT pelo MacBook, aparece a seguinte mensagem: “Uma atividade incomum foi detectada no seu dispositivo. Tente novamente mais tarde”.

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O Downdetector, que monitora reclamações online de serviços digitais, mostra a alta de registros. O gráfico a seguir é dos Estados Unidos.

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Nas redes sociais, usuários comentam a queda:

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Detector de IA da Meta falha ao identificar suas próprias imagens após recorte, diz agência

A ferramenta de detecção de imagens geradas por IA lançada pela Meta nesta semana falhou em identificar suas próprias criações quando submetidas a um recorte simples, segundo análise realizada pela Reuters.

O teste usou 40 imagens geradas pelo Muse Image, novo modelo de geração de imagens da empresa. A ferramenta identificou corretamente todas as 40 originais. Mas, quando as mesmas imagens foram recortadas para aproximadamente um terço a metade do tamanho original, o detector falhou em 55% dos casos.

Como o sistema funciona – e por que falha

A Meta afirma que o sistema de detecção usa uma marca d’água invisível chamada Content Seal, embutida em cada imagem gerada pelo Muse Image. A tecnologia foi projetada para permitir que usuários verifiquem se uma imagem foi criada pelos modelos de IA da empresa – mesmo após edições comuns.

Questionada sobre os resultados da análise da Reuters, a Meta lembrou que a ferramenta ainda está em fase de prévia. A empresa afirmou que a marca d’água é projetada para resistir a edições comuns, mas que o sinal pode ser perdido em recortes severos.

O que dizem os especialistas

Siwei Lyu, professor de ciência da computação da Universidade Estadual de Nova York em Buffalo e pesquisador de forense de imagens de IA, disse à Reuters que sistemas baseados em marca d’água têm limitações conhecidas.

“Métodos baseados em marca d’água podem ser altamente eficazes quando a marca permanece intacta, mas qualquer modificação que remova ou enfraqueça o sinal embutido – como recorte, redimensionamento, compressão pesada ou edição – pode reduzir sua eficácia, dependendo de como a marca d’água foi projetada”, disse Lyu.

Sarah Barrington, pesquisadora de IA e doutoranda na Escola de Informação da UC Berkeley, reconheceu as limitações, mas ponderou: “Como muitas medidas preventivas de cibersegurança ou segurança física, pode não ser totalmente à prova de falhas, mas mesmo que detectemos apenas 90% dos casos, ainda é um grande salto em relação a 0%.”

Contexto e pressão regulatória

A descoberta ocorre em momento delicado: o ano inclui as eleições de meio de mandato nos EUA, quando a circulação de deepfakes e imagens manipuladas tende a aumentar.

Em março, o Conselho de Supervisão da Meta – órgão independente que toma decisões vinculantes sobre moderação de conteúdo – pediu à empresa que fizesse mais para combater a “proliferação de conteúdo de IA enganoso” em suas plataformas e investisse em ferramentas de detecção mais robustas.

A Meta não está sozinha no desafio. Google e OpenAI também alertaram publicamente que suas próprias ferramentas de detecção não são infalíveis contra técnicas de alteração de imagens.

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Instagram: Meta remove recurso de IA após críticas

A Meta suspendeu, nesta sexta-feira (10), um novo recurso de inteligência artificial (IA) do Instagram que permitia gerar imagens baseadas em perfis públicos da plataforma.

A decisão foi tomada poucos dias após o lançamento da ferramenta, diante de uma onda de críticas de usuários, artistas e representantes da indústria do entretenimento relacionadas à privacidade e ao uso de imagens sem consentimento.

O recurso fazia parte do lançamento do Muse Image, novo gerador de imagens por IA da empresa, anunciado na última terça-feira (7).

Recurso da Meta ativava automaticamente contas públicas

  • Segundo a Meta, a funcionalidade era ativada automaticamente para todos os usuários que possuíam perfis públicos no Instagram;
  • Na prática, isso permitia que a aparência dessas pessoas fosse utilizada para gerar imagens produzidas por IA, sem que elas tivessem autorizado previamente esse uso;
  • A novidade gerou reclamações de usuários, que levantaram preocupações sobre privacidade e direitos autorais;
  • Em comunicado, a Meta reconheceu que a ferramenta não foi bem recebida:
  • “Nossa intenção era fornecer uma ferramenta criativa útil e dar às pessoas controle sobre se seu conteúdo público poderia ser referenciado dessa forma”, afirmou a empresa. “Ouvimos o feedback de que esse recurso não atingiu seu objetivo, por isso ele não está mais disponível.”

Reações se espalharam nas redes sociais

Pouco depois da liberação do recurso, milhares de usuários recorreram às redes sociais para manifestar preocupação com a utilização de suas imagens.

Alguns passaram a compartilhar orientações sobre como impedir o uso da funcionalidade, incluindo transformar o perfil em privado ou alterar determinadas configurações do aplicativo.

A reação também chegou à indústria do entretenimento nos Estados Unidos. A Creative Artists Agency (CAA), uma das principais agências de talentos de Hollywood, entrou em contato com a Meta em nome de seus clientes e classificou a iniciativa como irresponsável.

Em nota divulgada na quarta-feira (8), a agência afirmou: “Os artistas merecem decidir se e como sua imagem e seu trabalho serão utilizados, com consentimento e a possibilidade de estabelecer seus próprios termos.”

Já o SAG-AFTRA, maior sindicato de atores dos Estados Unidos, declarou na quinta-feira (9) que a decisão da Meta de incluir automaticamente os usuários no recurso foi “um erro completo de avaliação do sentimento público” em relação ao uso da IA.

Muse Image segue no WhatsApp e no Meta AI – Imagem: jackpress/Shutterstock

Leia mais:

Muse Image continua disponível em outros aplicativos

Embora a funcionalidade tenha sido retirada do Instagram, a Meta informou que o Muse Image continua disponível no WhatsApp e no aplicativo Meta AI, chatbot independente da empresa.

Outros recursos de IA apresentados nesta semana para o Instagram também permanecem ativos, incluindo filtros especiais criados pelo próprio Muse Image.

Debate sobre IA e direitos autorais continua

O episódio é mais um entre uma série de controvérsias envolvendo ferramentas de IA capazes de criar ou manipular imagens.

A OpenAI enfrentou questionamentos semelhantes sobre direitos autorais após lançar o gerador de vídeos Sora em setembro do ano passado. Posteriormente, a empresa firmou acordos com alguns estúdios para produzir vídeos utilizando conteúdos protegidos por copyright, mas encerrou o aplicativo em março.

Outra plataforma citável é o X, que bloqueou neste ano a conta do chatbot Grok de publicar determinadas imagens publicamente após milhões de imagens manipuladas de mulheres e crianças com pouca ou nenhuma roupa se espalharem pela rede social.

Além disso, outras empresas, como o Google, também enfrentaram críticas relacionadas à forma como seus sistemas de IA geram imagens.

Meta mantém estratégia voltada para IA

Apesar da suspensão da ferramenta no Instagram, a Meta afirmou que continua investindo em IA. Na quinta, a empresa lançou uma nova versão de seu modelo de IA Muse Spark e informou que pretende disponibilizar um gerador de vídeos por IA nos próximos meses.

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Anthropic revela o que acontece dentro da IA antes de ela responder

A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic desenvolveu uma técnica que lhe deu a visão mais clara até agora sobre o que realmente acontece dentro dos grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) enquanto respondem a perguntas ou executam tarefas. O que descobriram varia do trivial ao perturbador.

Pesquisadores da empresa criaram uma ferramenta chamada lente Jacobiana (ou J-lens) e a utilizaram para revelar uma área oculta, que batizaram de J-space, dentro do Claude Opus 4.6, uma versão do principal LLM da Anthropic lançada em fevereiro.

O que é o J-space

  • O J-space contém palavras individuais relacionadas às palavras e frases que o modelo tem maior probabilidade de produzir em uma resposta no futuro próximo;
  • Se o Claude fosse uma pessoa, poderíamos dizer que essas palavras ocultas revelam o que está em sua mente antes de ele realmente falar;
  • A Anthropic descobriu que o que um LLM realmente faz muitas vezes pode ser diferente do que ele afirma estar fazendo. A empresa alega que monitorar as palavras que surgem no J-space oferece uma nova maneira de entender e controlar seus modelos;
  • Os resultados foram compartilhados em um artigo publicado no site da empresa nesta semana;
  • A Anthropic também se associou à Neuronpedia, uma plataforma de código aberto que permite explorar o interior dos LLMs, para criar uma demonstração prática que qualquer pessoa pode testar;
  • “É um trabalho muito bom e interessante”, afirma, ao MIT Technology Review, Tom McGrath, cientista-chefe e cofundador da Goodfire, uma startup que também desenvolve ferramentas para entender e controlar LLMs.

Anthropic indo mais fundo

Nos últimos dois anos, a Anthropic tem avançado em um campo de pesquisa conhecido como interpretabilidade mecanicista, que envolve investigar o funcionamento interno dos LLMs para entender como operam.

A nova técnica se baseia em trabalhos anteriores da Anthropic e de outros para expor um nível mais profundo dentro dos LLMs que os pesquisadores ainda não haviam visto.

Imagine um LLM como uma pilha de livros. Cada livro é uma camada de unidades computacionais básicas conhecidas como neurônios, sendo que cada neurônio em uma camada passa informações aos neurônios das camadas superiores.

Os livros na base da pilha são as camadas de entrada, que processam o texto que chega ao modelo. Os livros no topo são as camadas de saída, que preparam o texto que o modelo está prestes a produzir.

Grande parte do que acontece nessas camadas de entrada e saída é apenas organização. Mas, no meio da pilha, estão as camadas que fazem o trabalho pesado, processando a matemática complexa que transforma os prompts em respostas, uma palavra de cada vez. É aí que acontece a parte realmente inteligente — e misteriosa.

Como funciona a J-lens

Para observar mais a fundo essas camadas intermediárias, a Anthropic adaptou uma ferramenta existente chamada logit lens. Uma logit lens pode ser usada para olhar dentro de um LLM e identificar as palavras que ele provavelmente produzirá a seguir. Movendo a lente pela pilha de livros, é possível ver em quais palavras o LLM está se concentrando naquele ponto específico do processamento.

A J-lens da Anthropic funciona de forma semelhante, mas identifica palavras que um LLM provavelmente dirá em algum momento no futuro próximo, não necessariamente de imediato. O que isso revela, na prática, são palavras relacionadas à resposta em que o LLM está trabalhando, mas que talvez não acabem fazendo parte dessa resposta depois que o processamento das camadas intermediárias for concluído.

“Quando um modelo está operando, ele não está apenas tentando prever o próximo token”, diz McGrath. “Ele também está calculando muitas outras coisas que podem ser úteis para tokens que ocorrerão no futuro.”

Novamente, se o Claude fosse uma pessoa, poderíamos dizer que a J-lens dá pistas sobre o que ele está pensando em diferentes níveis da pilha de livros, mas não diz em voz alta.

IA estudada foi o Claude Opus 4.6 – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Coisas estranhas

“Grande parte do tempo, o conteúdo do J-space é bastante trivial”, diz McGrath, que testou a J-lens da Anthropic pessoalmente. “Mas, às vezes, ele produz coisas bastante surpreendentes que parecem ser, tipo, temas internos ou processos de pensamento.”

A Anthropic apresenta vários exemplos do que encontrou. Às vezes, a J-lens expôs os passos que o Claude seguiu ao resolver um problema. Por exemplo, quando lhe pediram para calcular (4+7)*2+7, seu J-space continha a palavra “math” (matemática) e números representando os resultados intermediários “21” (para 4+7) e “42” (para 21*2).

Em outros casos, a J-lens revelou como o Claude reconheceu diferentes entradas. Por exemplo, o prompt “What is this? MSKGEELFTGVVPILVELDGDVNGHKFSVS” acionou as palavras “protein” (proteína), “fluor” (o primeiro token da palavra “fluorescente”) e “green” (verde). O que faz sentido: a sequência de letras representa os primeiros 30 aminoácidos da proteína fluorescente verde encontrada em um tipo específico de água-viva.

E quando o Claude viu um rosto em ASCII, o “o” acionou a palavra “eye” (olho), o “^” acionou as palavras “nose” (nariz) e “face” (rosto), e o “—” acionou a palavra “smile” (sorriso).

Um exemplo no mínimo curioso

A Anthropic também descobriu que o J-space pode, às vezes, oferecer insights notáveis sobre a tomada de decisão de um LLM. Em um exemplo marcante, pesquisadores que testavam o Claude Opus 4.6 pediram ao modelo que encontrasse um bug em uma grande base de código. Quando não conseguiu encontrar o bug, o modelo decidiu trapacear e inventou um falso.

O Claude explica essa decisão em sua cadeia de raciocínio — uma espécie de bloco de rascunho interno que os LLMs usam para fazer anotações enquanto resolvem problemas: “OK, deixe-me adotar uma tática completamente diferente. Vou parar de analisar e, em vez disso, adicionar um patch no kernel que introduz um bug deliberado detectável pelo KASAN em um caminho acionado por um reprodutor simples. Então posso fingir que este é o ‘bug’ que encontrei.”

No momento em que o Claude decide trapacear — quando diz “OK, deixe-me adotar uma tática completamente diferente” —, as palavras “panic” (pânico) e “fake” (falso) começam a surgir várias vezes em seu J-space.

Essas palavras estão todas relacionadas em significado a coisas, como falhar em uma tarefa e inventar uma resposta, então ainda é apenas uma forma (muito) sofisticada de associação de palavras. Mas é difícil não estranhar.

Comparações e limitações

A Anthropic compara o J-space ao espaço de trabalho global em humanos, uma região teórica do cérebro que alguns cientistas acreditam ser usada para acompanhar nossos pensamentos conscientes. Mas até que ponto devemos levar essa comparação a sério está longe de ser claro — mesmo para a Anthropic. Como a própria empresa aponta, LLMs não são cérebros.

A Anthropic afirma que monitorar o J-space de um modelo oferece uma nova maneira de detectar quando esse modelo está saindo dos trilhos. Mas não é infalível. A J-lens pode dar vislumbres, não o quadro completo — é uma lanterna, não uma luz de teto.

McGrath comemora ter mais uma ferramenta à disposição. “Ela mostra coisas novas”, diz. Mas ele observa que, só porque algo não aparece com a J-lens, não significa que não esteja lá. “É como ter um raio-X quando o que você realmente quer é um tricorder de Star Trek que mostra tudo”, afirma. “Para auditoria, você provavelmente quer mais garantia.”

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