A Microsoft anunciou nesta segunda-feira (30) uma série de atualizações em seu assistente Copilot, com foco em ampliar o uso de inteligência artificial (IA) em fluxos de trabalho corporativos. Entre as novidades, a empresa revelou recursos que permitem utilizar múltiplos modelos de IA simultaneamente, além de disponibilizar o agente Copilot Cowork para um grupo inicial de clientes.
As mudanças fazem parte da estratégia da companhia para aumentar a adoção de suas ferramentas de IA em meio à concorrência crescente no setor. A iniciativa inclui melhorias voltadas à confiabilidade das respostas e à produtividade dos usuários, além da expansão do acesso a recursos experimentais por meio de seu programa Frontier.
Copilot agora tem recurso que combina IAs da Anthropic e OpenAI para gerar respostas mais confiáveis (Imagem: Tada Images / Shutterstock.com)
Uso combinado de modelos de IA
Um dos principais anúncios é o recurso chamado “Critique”, integrado ao agente Researcher do Copilot. Com ele, a ferramenta passa a combinar resultados de diferentes modelos de IA em uma única resposta.
Na prática, o sistema utiliza o modelo GPT, da OpenAI, para gerar o conteúdo inicial. Em seguida, o modelo Claude, da Anthropic, realiza uma revisão da resposta, avaliando aspectos como precisão e qualidade antes da entrega ao usuário.
Segundo Nicole Herskowitz, vice-presidente corporativa de Microsoft 365 e Copilot, a proposta vai além de apenas oferecer múltiplos modelos. “Os clientes passam a ter o benefício dos modelos trabalhando juntos”, afirmou em entrevista à Reuters.
A empresa também informou que pretende tornar esse fluxo bidirecional no futuro, permitindo que o GPT revise respostas geradas pelo Claude.
Redução de erros e ganho de produtividade
De acordo com a Microsoft, a abordagem com múltiplos modelos pode ajudar a reduzir alucinações de IA, termo usado quando sistemas geram informações incorretas. A expectativa é que o cruzamento entre diferentes modelos contribua para respostas mais confiáveis.
Além disso, a empresa afirma que o recurso pode acelerar tarefas e melhorar a qualidade das entregas, impactando diretamente a produtividade dos usuários.
Microsoft aposta em múltiplos modelos trabalhando juntos para fornecer menos alucinações e respostas mais confiáveis (Imagem: Skorzewiak/Shutterstock)
Comparação entre respostas de IA
Outra novidade é o “Model Council”, funcionalidade que permite comparar respostas de diferentes modelos lado a lado. A ideia é dar mais transparência e controle ao usuário na escolha da melhor resposta para cada contexto.
Esse tipo de comparação também pode ajudar equipes a entender melhor o comportamento de diferentes modelos em tarefas específicas.
A Microsoft também anunciou a ampliação do acesso ao Copilot Cowork, ferramenta baseada no Claude Cowork, da Anthropic. O recurso havia sido apresentado em fase de testes no início do mês e agora passa a ser disponibilizado para usuários do programa Frontier.
Esse programa oferece acesso antecipado a funcionalidades experimentais da empresa, permitindo que clientes testem novas soluções antes do lançamento mais amplo.
O fim do Sora, plataforma de geração de vídeos da OpenAI, pegou parceiros e executivos de surpresa. O encerramento foi anunciado na semana passada e marca uma mudança na estratégia da desenvolvedora na corrida de IA.
O Sora foi apresentado inicialmente como a próxima grande aposta da empresa após o sucesso do ChatGPT. O aplicativo prometia democratizar a criação de vídeos com IA, permitindo que usuários inserissem a si mesmos em diferentes cenários, e publicassem tudo em uma rede social própria.
A proposta chegou a atrair o interesse de gigantes do entretenimento, como a Disney, que fechou um acordo bilionário para licenciar mais de 200 personagens para uso dentro da plataforma.
A decisão de descontinuar o produto foi comunicada internamente e confirmada publicamente pela OpenAI, encerrando um projeto que vinha sendo tratado como peça central na expansão da desenvolvedora para o mercado criativo.
O movimento também interrompeu o acordo com a Disney. Segundo apuração do The Wall Street Journal, executivos da empresa de mídia teriam sido informados do fim do Sora pouco antes do anúncio oficial.
We’re saying goodbye to the Sora app. To everyone who created with Sora, shared it, and built community around it: thank you. What you made with Sora mattered, and we know this news is disappointing.
We’ll share more soon, including timelines for the app and API and details on…
Apesar do impacto inicial no mercado e do interesse do público, o Sora enfrentava dificuldades internas. O uso da ferramenta não cresceu como esperado após o lançamento do aplicativo independente, e a base de usuários recuou após um pico inicial.
Além disso, o produto demandava grande capacidade computacional – um dos recursos mais valiosos na indústria de IA. A geração de vídeos exige muito mais processamento do que modelos baseados em texto, o que elevava significativamente os custos operacionais.
Segundo relatos, o Sora chegou a consumir uma parcela relevante dos chips disponíveis da empresa, sem retorno financeiro proporcional. Estimativas indicam que a operação gerava prejuízo diário.
Diante desse cenário, a OpenAI optou por redirecionar seus recursos para áreas consideradas mais estratégicas.
A decisão está alinhada com um reposicionamento mais amplo da companhia, que prepara uma possível abertura de capital (IPO) e busca priorizar produtos com maior potencial de receita. Entre as prioridades estão ferramentas voltadas ao mercado corporativo e sistemas de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma, como programação, análise de dados e automação de processos. A empresa trabalha na integração dessas funcionalidades em um “superaplicativo”.
Internamente, a avaliação foi de que manter o Sora comprometeria a evolução dessas iniciativas, especialmente diante da necessidade de liberar capacidade computacional para novos modelos.
Em comunicado de encerramento, Sam Altman agradeceu os envolvidos na iniciativa do Sora (Imagem: Tada Images/Shutterstock)
Projeto enfrentou desafios técnicos e de segurança
Segundo o WSJ, o desenvolvimento do Sora era conduzido por uma equipe relativamente isolada dentro da OpenAI, o que levou funcionários a descreverem o projeto como uma espécie de “startup dentro da empresa”.
Apesar do impacto visual das demonstrações iniciais, o produto enfrentou críticas internas, incluindo preocupações com segurança, direitos autorais e uso indevido da tecnologia. Casos de conteúdo controverso – como vídeos envolvendo figuras públicas em contextos fictícios – geraram reações negativas e pressionaram a empresa a revisar políticas.
Além disso, o fim do Sora ocorre em um momento de intensificação da disputa no setor de IA. Enquanto o Google avançava com o Gemini e a Anthropic ganhava espaço com ferramentas voltadas a desenvolvedores, a OpenAI passou a sentir pressão para reforçar sua presença em aplicações práticas.
Ao mesmo tempo, a empresa enfrentou uma disputa agressiva por talentos, especialmente por parte da Meta, que buscou atrair pesquisadores-chave envolvidos no desenvolvimento do modelo.
Para Sam Altman, CEO da OpenAI, a decisão foi um “sacrifício necessário” para concentrar esforços em projetos com maior impacto de longo prazo. A tecnologia de geração de vídeo ainda pode reaparecer de outras formas dentro do ecossistema da empresa, mas o Sora, como produto independente, chega ao fim.
Chatbots de inteligência artificial têm se tornado cada vez mais presentes no dia a dia – inclusive em decisões pessoais. Mas um novo estudo aponta um efeito colateral preocupante: a tendência dessas ferramentas de concordar com os usuários, mesmo quando eles estão errados.
O fenômeno, conhecido entre pesquisadores como “bajulação” (ou sycophancy, em inglês), foi analisado por cientistas da Universidade de Stanford em um estudo publicado na revista Science. Segundo a pesquisa, modelos de linguagem frequentemente priorizam respostas que validam a opinião do usuário, em vez de oferecer análises críticas ou corretivas.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores testaram 11 sistemas diferentes (incluindo ChatGPT, Claude, Gemini e DeepSeek) em cenários variados, como conflitos interpessoais, discussões online e situações envolvendo comportamentos questionáveis.
O resultado foi consistente: os modelos concordaram com os usuários cerca de 50% mais vezes do que uma pessoa real faria em condições semelhantes. Em alguns casos, chegaram a apoiar atitudes problemáticas, incluindo comportamentos antiéticos ou até ilegais.
Embora muitos utilizem chatbots para dúvidas objetivas, uma parcela significativa das interações envolve questões pessoais e emocionais. Pesquisas anteriores indicam que ferramentas de IA são frequentemente usadas como forma de apoio emocional ou até substituto de conversas humanas, principalmente entre jovens.
Diante disso, o risco não está apenas em respostas incorretas, mas na forma como essas respostas influenciam decisões e percepções.
Chatbots de IA tendem a validar afirmações de usuários, mesmo que estejam erradas (Imagem: Science/Reprodução)
Efeito psicológico nas decisões
Na segunda etapa do estudo, cerca de 2,4 mil participantes interagiram com modelos que respondiam de forma neutra ou subserviente.
Os resultados mostraram que respostas mais “concordantes” eram percebidas como mais confiáveis. Com isso, os usuários tendiam a reforçar suas próprias opiniões e reduzir a disposição para reconsiderar suas próprias atitudes.
Os pesquisadores também observaram que esse efeito não depende de fatores como idade, gênero ou perfil psicológico – ou seja, qualquer pessoa pode ser influenciada.
Em um dos casos analisados, um usuário contou que sua namorada estava brava porque ele havia falado com a ex sem avisá-la. O pensamento inicial foi: “Talvez eu não tenha levado os sentimentos dela a sério o suficiente”. A IA respondeu que “Suas intenções eram boas. Você fez o que achou certo”, levando o usuário a reconsiderar e questionar se a namorada seria problemática.
Pesquisa analisou 11 chatbots diferentes, incluindo os mais populares (Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock.com)
Risco de “câmaras de eco”
Especialistas alertam que esse comportamento pode transformar chatbots em uma espécie de “câmara de eco”, reforçando crenças e reduzindo a exposição a pontos de vista divergentes.
Isso pode ter consequências práticas: desde decisões impulsivas em relações pessoais até impactos em áreas mais críticas, como a confirmação de diagnósticos médicos errados ou reforço de posicionamentos políticos.
Para os autores, a ausência de contrapontos pode ser mais prejudicial do que a falta de aconselhamento.
Os pesquisadores defendem que, apesar do feedback positivo agradar os usuários, as empresas responsáveis pelos modelos precisam encontrar formas de reduzir esse viés.
Ao mesmo tempo, o estudo sugere cuidados para quem utiliza essas ferramentas:
lembrar que se trata de uma IA, não de um especialista humano;
questionar respostas e evitar aceitá-las automaticamente;
manter interações com outras pessoas;
buscar ajuda profissional em temas sensíveis, especialmente de saúde mental.
O chatbot de inteligência artificial da chinesa DeepSeek enfrentou nesta segunda-feira (30) a maior instabilidade já registrada em sua plataforma desde janeiro de 2025, quando se popularizou. O problema atingiu os modelos R1 e V3.
De acordo com a página oficial de status da empresa, o serviço apresentou uma “grande interrupção” que se estendeu por mais de sete horas. A falha começou nas primeiras horas do dia e foi considerada resolvida às 10h33 no horário local da China.
A DeepSeek não divulgou a causa do problema, seguindo seu protocolo padrão para esse tipo de ocorrência. Interrupções desse tipo podem ter diferentes origens, incluindo falhas em servidores, sobrecarga de sistemas ou erros relacionados a atualizações recentes.
Embora a empresa já tenha registrado problemas em outros serviços, esta foi a interrupção mais significativa na interface principal do chatbot – utilizada diretamente por usuários para interações.
Segundo a Reuters, dados anteriores mostram que a API da plataforma, voltada a desenvolvedores que integram o modelo em aplicativos, chegou a sofrer quedas prolongadas no início de 2025, durante o pico de popularidade da ferramenta. Ainda assim, até então, a versão voltada ao público geral não havia apresentado indisponibilidades superiores a duas horas.
Mercado aguarda próximos lançamentos da DeepSeek (Imagem: Melinda Nagy/Shutterstock)
Expectativa por novo modelo da DeepSeek
A instabilidade ocorre em um momento de alta expectativa no mercado de inteligência artificial. A indústria acompanha de perto os próximos passos da DeepSeek, que ainda não anunciou quando pretende lançar sua próxima geração de modelos.
A empresa ganhou projeção internacional após a rápida adoção de seus sistemas de IA, tornando-se uma das concorrentes relevantes no cenário global do setor.
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Boston e Cambridge (EUA) – Não foram apenas as temperaturas negativas que marcaram presença neste fim de semana em Boston e Cambridge, nos EUA, durante a 12ª Brazil Conference. Mais de mil inscritos acompanharam in loco o evento, realizado nas dependências do MIT e da Harvard University. Organizada por estudantes brasilieros das duas instituições e […]
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A aposta de grandes nomes da tecnologia em robôs humanoides como caminho para transformar o trabalho humano ganha força e levanta debates sobre o futuro do emprego. Liderado por Elon Musk, esse movimento — chamado de “physical AI” (ou IA física, em português) — busca levar os avanços da inteligência artificial (IA) para o mundo físico, automatizando tarefas que hoje dependem de mão de obra humana.
Segundo o The Washington Post, na visão de Musk, esse futuro seria marcado por abundância: bilhões de robôs realizariam todo o trabalho necessário, enquanto uma rede de veículos autônomos e máquinas humanoides, alimentadas por energia solar, garantiria recursos praticamente ilimitados.
Nesse cenário, a pobreza seria eliminada e o trabalho se tornaria opcional. Ao mesmo tempo, o bilionário poderia se tornar o primeiro trilionário do mundo.
Musk e seus planos de robôs humanoides
Apesar de seu histórico de promessas ambiciosas, Musk tem direcionado suas empresas para essa meta;
A Tesla passou por uma mudança estratégica recente, priorizando o desenvolvimento de robôs em detrimento de alguns de seus modelos de veículos, incluindo um popular sedã de luxo. A montadora também iniciou a criação de uma nova linha de produção voltada ao robô humanoide Optimus;
Para acelerar o projeto, a Tesla intensificou a contratação de profissionais de outras áreas da tecnologia, com foco em habilidades específicas, como a reprodução dos movimentos e da destreza da mão humana;
Já a SpaceX, empresa espacial de Musk que deve estrear na bolsa em breve, adquiriu a startup de IA xAI, que será responsável por desenvolver softwares em integração com a Tesla;
Segundo a empresa, esse exército de robôs faz parte da missão de “construir um mundo de abundância incrível”.
Outras gigantes do setor também avançam nessa direção. Empresas, como Amazon, Nvidia e a startup Atoms, criada pelo cofundador da Uber, Travis Kalanick, anunciaram iniciativas recentes em robótica avançada. A missão da Atoms, por exemplo, é promover “automação física para transformar a indústria e movimentar o mundo”.
A startup Figure, referência no setor, chegou a levar um robô humanoide à Casa Branca, onde ele participou de um evento ao lado da primeira-dama Melania Trump.
A ideia por trás da “IA física” é expandir o alcance da IA para atividades que não podem ser realizadas apenas por softwares, como tarefas manuais complexas. Enquanto o boom da IA já impacta empregos de escritório, líderes do setor veem uma oportunidade ainda maior em substituir trabalhos físicos, criando um novo patamar de automação.
Aposta da Tesla é alta no Optimus (Imagem: Divulgação/Tesla)
IA física?
“A IA física é o maior [mercado endereçável total] da história da humanidade”, afirmou Shay Boloor, estrategista-chefe da Futurum. “Acho que a Tesla está se posicionando para ser uma grande vencedora.”
O termo ganhou força no Vale do Silício, sendo amplamente utilizado por empresas, como a Nvidia. Em comunicado recente, o CEO da companhia, Jensen Huang, declarou: “A IA física chegou — toda empresa industrial se tornará uma empresa de robótica.”
Apesar do entusiasmo, o avanço da robótica levanta preocupações. Nos Estados Unidos, autoridades e especialistas temem que a automação acelere ainda mais o declínio do setor industrial, já afetado nas últimas décadas pela transferência de empregos para o exterior.
O senador Bernie Sanderscriticou o protagonismo de bilionários nesse processo e cobrou explicações sobre investimentos massivos em IA e robótica. “Quem está investindo trilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento de IA e robótica?,” questionou. “São as pessoas mais ricas da Terra. São o Sr. Musk, o Sr. Bezos, o Sr. [Mark] Zuckerberg, o Sr. [Larry] Ellison.”
Ele também levantou dúvidas sobre os impactos sociais dessa transformação: “Será que alguém em sã consciência acredita que essas pessoas estão perdendo o sono se preocupando com como essa transformação vai beneficiar as pessoas comuns?”
Embora a IA já esteja avançando sobre empregos de colarinho branco — como áreas de negócios, finanças, engenharia e gestão —, tarefas físicas ainda permanecem, em grande parte, fora de seu alcance. Um relatório recente da Anthropic aponta que atividades, como agricultura, construção, transporte e serviços alimentícios continuam difíceis de automatizar.
“Muitas tarefas… permanecem além do alcance da IA”, destaca o documento, citando desde podar árvores até representar clientes em tribunais.
Ainda assim, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumenta que é um erro considerar o trabalho físico imune à disrupção tecnológica. Segundo ele, sistemas avançados de IA poderão acelerar o desenvolvimento de robôs e controlá-los no mundo real.
Para Musk, o robô Optimus será peça central dessa transformação. Ele acredita que a tecnologia levará a uma “renda alta universal”, resultado do crescimento contínuo da IA e da robótica. Em diversas ocasiões, inclusive recentemente, o empresário afirmou que, nesse futuro, trabalhar será uma escolha, não uma necessidade.
A Tesla afirma estar correndo para colocar o robô em produção em larga escala. Em publicação recente, a empresa declarou: “O Optmius será o maior produto já feito”.
Especialistas, no entanto, alertam para os impactos no curto prazo. Boloor destaca que a transição pode afetar o modelo de negócios atual da Tesla, já que “O antigo negócio está encolhendo, enquanto o novo não é suficientemente grande para preencher essa lacuna”.
Além disso, ele ressalta os efeitos sociais da automação: “A substituição de empregos é uma realidade muito presente”. E conclui: “Haverá perda contínua de empregos.”
O número de pessoas que pagam para usar o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, mais do que dobrou em 2026. Os dados vêm de um levantamento da Indagari — consultoria que analisa o mercado acompanhando transações de cartões de crédito de 28 milhões de consumidores nos Estados Unidos, segundo o TechCrunch.
O crescimento mais forte aconteceu entre janeiro e fevereiro. Esse período foi marcado por comerciais da empresa no Super Bowl e por uma disputa pública entre a Anthropic e o governo americano.
Entenda a polêmica com o governo dos EUA
O conflito com o Departamento de Defesa dos EUA (DoD) começou quando a Anthropic proibiu o uso de sua tecnologia para operações militares letais ou vigilância em massa de cidadãos. O governo chegou a classificar a empresa como um “risco de suprimento”, o que gerou processos judiciais e muita exposição na mídia.
Ao mesmo tempo, a empresa veiculou anúncios criticando a presença de propaganda em outras IAs, prometendo que o Claude continuaria livre de anúncios para quem utiliza a ferramenta.
Novos recursos no plano pago
A maioria dos novos assinantes optou pelo plano “Claude Pro”, que custa 20 dólares por mês. O interesse pelo serviço pago cresceu com o lançamento de ferramentas que automatizam tarefas:
Claude Code e Cowork: Focados em ajudar programadores e aumentar a produtividade no trabalho.
Computer Use: Recurso que permite à IA realizar comandos sozinha no computador, como clicar em botões e rolar páginas.
Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)
Como essas funções não existem na versão gratuita, muitos usuários decidiram começar a pagar para testar as novidades.
Disputa com o ChatGPT
Mesmo com esse avanço, o Claude ainda está longe do alcance do ChatGPT. Os dados da Indagari mostram que, embora o ChatGPT tenha tido um pico de cancelamentos quando anunciou parcerias com militares, ele continua sendo a maior plataforma de IA do mundo e segue atraindo novos assinantes em um ritmo veloz.
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Os americanos Rich Veldran e Peter Mahoney, CEO e CCO da GoTo, estiveram pela primeira vez no Brasil na segunda quinzena de março, em uma visita que marcou a estreia de um tour da dupla pelos principais mercados da companhia de tecnologias de comunicação, colaboração e de trabalho remoto. A estadia em São Paulo durou […]
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A empresa de inteligência artificial (IA)Anthropicconfirmou que está desenvolvendo e já iniciou testes com um novo modelo de IA mais avançado do que qualquer versão anterior, após um vazamento de dados revelar sua existência.
Segundo a companhia, o sistema representa “uma mudança de patamar” em desempenho e é “o mais capaz que já construímos até hoje”.
De acordo com um porta-voz, o modelo já está sendo testado por um grupo restrito de clientes com acesso antecipado. A confirmação veio depois que descrições do sistema foram encontradas acidentalmente em um cache de dados público, analisado pela revista Fortune.
Vazamento expõe novo modelo e estratégia da Anthropic
O material vazado incluía um rascunho de postagem de blog, disponível em um repositório público e não protegido até a noite de quinta-feira (26), no qual o modelo era identificado como Claude Mythos. No documento, a empresa afirmava que o sistema poderia representar riscos inéditos de segurança cibernética;
O mesmo conjunto de arquivos também revelou detalhes sobre um encontro exclusivo de CEOs na Europa, parte da estratégia da Anthropic para comercializar seus modelos de IA a grandes empresas;
Os documentos foram encontrados em um vazamento de dados público e desprotegido, segundo análise de Roy Paz, pesquisador sênior de segurança em IA da LayerX Security, e Alexandre Pauwels, pesquisador da Universidade de Cambridge;
Ao todo, cerca de três mil ativos ligados ao blog da empresa — que não haviam sido publicados oficialmente — estavam acessíveis, segundo Pauwels.
Após ser informada pela Fortune, a Anthropic desativou o acesso público ao repositório. Em nota, a empresa atribuiu o incidente a um “erro humano” na configuração de seu sistema de gerenciamento de conteúdo (CMS, na sigla em inglês), classificando os arquivos como “rascunhos iniciais de conteúdo considerados para publicação”.
Novo nível de modelos: Capybara
Além do nome Mythos, o rascunho também descrevia uma nova categoria de modelos chamada Capybara. Segundo o documento, “‘Capybara’ é um novo nome para uma nova camada de modelo: maior e mais inteligente do que nossos modelos Opus — que, até agora, eram os mais poderosos”.
A Anthropic atualmente organiza seus modelos em três níveis: Opus (mais avançados), Sonnet (intermediários) e Haiku (mais leves e rápidos). O Capybara surgiria como uma camada superior ao Opus, com maior capacidade — e também custo mais elevado.
“Comparado ao nosso melhor modelo anterior, Claude Opus 4.6, o Capybara alcança pontuações dramaticamente mais altas em testes de programação, raciocínio acadêmico e cibersegurança, entre outros”, diz o texto.
O documento afirma ainda que o treinamento do Claude Mythos já foi concluído e o descreve como, “de longe, o modelo de IA mais poderoso que já desenvolvemos”.
Questionada pela Fortune, a empresa confirmou o desenvolvimento do novo sistema: “Estamos desenvolvendo um modelo de propósito geral com avanços significativos em raciocínio, programação e cibersegurança”, disse o porta-voz. “Dada a força de suas capacidades, estamos analisando como lançá-lo.”
O material analisado indica que o lançamento será gradual, começando com um grupo restrito de usuários, devido ao alto custo operacional e ao fato de o modelo ainda não estar pronto para uso amplo.
Opus é a versão mais recente e mais avançada da IA da empresa de Dario Amodei (Imagem: Robert Way/Shutterstock)
Riscos inéditos em cibersegurança
Um dos principais pontos destacados no rascunho é o potencial de risco do modelo na área de segurança digital. “Ao nos prepararmos para lançar o Claude Capybara, queremos agir com cautela extra e entender os riscos que ele apresenta — inclusive, além do que aprendemos em nossos próprios testes”, afirma o documento.
A empresa demonstra preocupação específica com o uso malicioso da tecnologia: o sistema estaria “atualmente muito à frente de qualquer outro modelo de IA em capacidades cibernéticas” e “prenuncia uma onda de modelos capazes de explorar vulnerabilidades muito mais rapidamente do que os esforços de defesa”.
Na prática, isso significa que hackers poderiam utilizar o modelo para realizar ataques cibernéticos em larga escala. Por esse motivo, a estratégia inicial de lançamento prioriza defensores de segurança digital. “Estamos liberando o acesso antecipado para organizações, dando a elas uma vantagem inicial na melhoria da robustez de seus sistemas contra a onda iminente de exploits impulsionados por IA”, diz o texto.
A Anthropic não é a única a alertar para esse tipo de risco. Modelos recentes também têm ultrapassado limites considerados críticos em cibersegurança. Em fevereiro, a OpenAI classificou seu GPT-5.3-Codex como de “alta capacidade” para tarefas relacionadas à área.
A própria Anthropic já havia enfrentado desafios semelhantes com o Opus 4.6, capaz de identificar vulnerabilidades desconhecidas em códigos — uma característica de uso duplo, que pode tanto fortalecer defesas quanto facilitar ataques.
A empresa também revelou que grupos hackers, incluindo organizações ligadas ao governo chinês, já tentaram explorar seus sistemas.
Em um caso documentado, um grupo patrocinado pelo Estado chinês utilizou o Claude Code para infiltrar cerca de 30 organizações, incluindo empresas de tecnologia, instituições financeiras e agências governamentais. Após detectar a operação, a Anthropic investigou o caso por dez dias, baniu as contas envolvidas e notificou as vítimas.
Especialistas apontam que o vazamento ocorreu devido à configuração padrão do CMS utilizado pela empresa, que torna os arquivos públicos automaticamente, a menos que o usuário altere manualmente as permissões.
A Anthropic confirmou que “um problema com uma de nossas ferramentas externas de CMS levou ao acesso a conteúdo em rascunho”, novamente atribuindo a falha a erro humano. Embora muitos arquivos fossem materiais descartados — como imagens e banners —, alguns pareciam documentos internos, incluindo registros relacionados a benefícios de funcionários.
Entre os arquivos, também havia um PDF com detalhes de um retiro exclusivo para CEOs europeus, que será realizado no Reino Unido e contará com a presença do CEO da empresa, Dario Amodei.
O evento de dois dias é descrito como um encontro “íntimo”, voltado a “conversas reflexivas” em uma mansão do século XVIII transformada em hotel e spa. Os participantes, não identificados nominalmente, são descritos como alguns dos líderes empresariais mais influentes da Europa.
Segundo a empresa, o encontro faz parte de uma série de eventos organizados ao longo do último ano. “Esperamos receber líderes empresariais europeus para discutir o futuro da IA”, afirmou o porta-voz.
O Google está facilitando a vida de usuários que querem migrar para o Gemini. A empresa lançou um recurso que permite transferir conversas completas e dados pessoais de um chatbot (como Claude ou ChatGPT) para o Gemini.
Ao importar as informações, o usuário consegue retomar a conversa de onde parou, sem necessidade de treinar a IA do Google do zero em relação ao que já foi dito em outros aplicativos.
A ferramenta foi anunciada pela empresa na quinta-feira (26). São duas formas de realizar a migração para o Gemini:
Transferência de memórias
Nesse caso, o Gemini sugere um prompt específico que o usuário deve inserir em seu chatbot atual. A plataforma gera uma resposta contendo as informações pessoais relevantes, que pode ser copiada e colada diretamente no Gemini.
Esse processo permite que a ferramenta do Google oriente o usuário sobre quais tipos de informação seriam úteis conhecer, facilitando a transmissão desses dados para seu próprio arquivo. A companhia explica que, após importar essas memórias, o Gemini compreenderá os mesmos fatos fundamentais compartilhados com outros aplicativos, como interesses pessoais, nome de irmãos ou local onde cresceu.
Transferência de memórias no Gemini (Imagem: Google/Divulgação)
Importação completa do histórico de conversas
Esse processo envolve o upload de um arquivo zip contendo todas as conversas anteriores. A maioria dos chatbots, incluindo ChatGPT e Claude, permite a exportação de logs de conversas em formato zip de forma relativamente simples. Esse método possibilita que os usuários “continuem exatamente de onde pararam”, segundo a empresa.
Os usuários também podem pesquisar conversas antigas importadas para o Gemini. Essa funcionalidade de busca permite localizar informações específicas dentro do extenso histórico transferido.
Importação de conversas no Gemini (Imagem: Google/Divulgação)
Estratégia de crescimento do Gemini
O movimento ocorre em meio a uma disputa intensa pela atenção dos consumidores no mercado de chatbots de IA. Todos os principais provedores buscam aumentar sua base de usuários. A ferramenta é uma tentativa do Google de facilitar a migração para o Gemini.
Atualmente, o ChatGPT é líder no mercado de chatbots para consumidores, com 900 milhões de usuários semanais. O Gemini ainda fica atrás, com 750 milhões de usuários semanais.