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Cetesb usa IA e satélites para monitorar índices de poluição nos rios Tietê e Pinheiros

Recentemente, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo passou a empregar imagens de satélite combinadas com inteligência artificial para acompanhar a qualidade da água dos rios Tietê e Pinheiros. A iniciativa integra um programa estadual de despoluição e também pretende reforçar a capacidade de fiscalização de irregularidades ambientais.

O sistema, apresentado nesta semana, cobre aproximadamente mil quilômetros de extensão dos rios e de reservatórios associados. As informações são disponibilizadas ao público em um mapa interativo com indicadores de qualidade da água representados por cores.

A nova ferramenta faz parte de uma estratégia que busca acelerar a detecção de alterações ambientais e apoiar políticas de saneamento, sem substituir a rede tradicional de monitoramento já existente.

Monitoramento digital amplia vigilância sobre rios paulistas

A plataforma lançada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo integra o programa IntegraTietê, criado em 2023, e permite que qualquer pessoa acompanhe parte das condições dos rios Tietê e Pinheiros em tempo quase real. O sistema reúne dados de satélites e os organiza em um mapa público que indica diferentes níveis de qualidade da água.

Segundo a gestão ambiental do estado, o objetivo central é unir transparência e controle ambiental. A secretária responsável pela área afirmou, em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, que a proposta busca aproximar a população dos rios e estimular o acompanhamento das ações de recuperação.

Queremos despoluir o Tietê e ser transparentes, queremos que as pessoas acompanhem. É importante nesses projetos de despoluição que as pessoas voltem a ter orgulho do rio“, disse Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.

Além da divulgação pública, o sistema também foi estruturado para apoiar ações de fiscalização. A tecnologia permite identificar variações incomuns na qualidade da água, o que pode indicar possíveis despejos irregulares de efluentes.

O diretor-presidente da Cetesb explicou que o monitoramento por satélite reduz o intervalo de observação em relação ao modelo tradicional. “Até então, temos uma rede de monitoramento e para cada ponto temos uma periodicidade no máximo mensal“, afirmou Thomaz Miazaki de Toledo em entrevista à Folha de S.Paulo.

Tecnologia e funcionamento do sistema

IA auxilia na compreensão de dados capturadas via satélite – Imagem: tadamichi/iStock

O monitoramento utiliza diferentes satélites e combina técnicas de análise de imagem para identificar padrões de poluição específicos. Entre os principais focos estão a matéria orgânica dissolvida colorida e o processo de eutrofização, que ocorre quando o excesso de nutrientes estimula a proliferação de algas e compromete o uso da água para lazer, pesca e navegação.

De acordo com a Cetesb, a leitura das imagens é possível porque substâncias presentes na água interagem de forma distinta com a luz, o que permite inferir indicadores de qualidade ambiental. O acompanhamento é mais intenso em trechos médios e baixos do rio Tietê, onde esses fenômenos são mais relevantes para o uso humano.

Para isso, o projeto utiliza satélites como Sentinel 2 e Sentinel 3 em áreas de reservatórios, além de imagens de alta resolução de empresas privadas para trechos mais detalhados do rio. Também há uso de registros da empresa Firefly em situações específicas.

O sistema conta ainda com a cooperação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que participa de estudos sobre eutrofização, e com uma empresa responsável por desenvolver tecnologia voltada à detecção de matéria orgânica na água. O contrato com o Inpe tem duração de 12 meses e envolve investimento de 180 mil reais, enquanto o acordo com a empresa de tecnologia ultrapassa 1 milhão de reais.

A expectativa da Cetesb é que o uso de inteligência artificial permita gerar alertas automáticos a partir de mudanças detectadas nas imagens. A agência também pretende cadastrar pontos específicos de interesse para acompanhamento contínuo.

Expansão e objetivos do programa

O projeto não substitui a rede física de monitoramento da companhia, que mantém cerca de 550 pontos distribuídos em rios e reservatórios do estado. A proposta é complementar esse sistema com observação mais frequente e ampla por satélite.

Segundo a gestão estadual, a ampliação do saneamento básico em municípios da região metropolitana de São Paulo também faz parte do esforço de recuperação dos rios. Dados apresentados pela secretaria indicam avanço recente no tratamento de esgoto em cidades como Guarulhos, Franco da Rocha e Francisco Morato, com metas de universalização até 2029.

A Cetesb avalia que o modelo ainda está em fase de consolidação e pode ser ajustado após o período inicial de contratos. A intenção é manter a tecnologia e, no futuro, buscar formatos mais sustentáveis de operação.

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Como a IA e satélites podem ajudar a proteger os oceanos

A combinação entre inteligência artificial e observação por satélite está no centro de uma iniciativa da União Europeia voltada ao monitoramento dos oceanos. Apresentado pelas instituições europeias e incorporado recentemente a um plano para ampliar a vigilância marítima, o projeto pretende fornecer informações detalhadas para pesquisadores e gestores públicos.

A ferramenta, chamada European Digital Twin Ocean, reúne dados sobre diferentes condições oceânicas e permite simular cenários futuros. A proposta surge em um contexto de preocupação crescente com a elevação do nível do mar, o aquecimento das águas e a redução do gelo marinho no Ártico.

O sistema utiliza modelos digitais alimentados por informações coletadas em diversas regiões do planeta. Com isso, busca ampliar a compreensão sobre transformações ambientais e oferecer suporte a decisões relacionadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos marinhos.

Réplica digital amplia capacidade de análise dos oceanos

A iniciativa tem como principal produto o European Digital Twin Ocean, conhecido pela sigla EDITO. A plataforma funciona como uma representação digital do ambiente marinho e pode ser acessada gratuitamente pela internet. Seu desenvolvimento é conduzido pela organização francesa Mercator Ocean International em parceria com o Flanders Marine Institute.

A estrutura reúne informações sobre diferentes aspectos dos oceanos, incluindo temperatura, salinidade, correntes marítimas, ondas e características biológicas. O objetivo é oferecer uma visão integrada do ambiente marinho por meio de mapas interativos e bases de dados consolidadas.

Em entrevista à Euronews, Alain Arnaud, diretor do programa de oceano digital da Mercator Ocean International, explicou que a plataforma opera com elevado nível de detalhamento e incorpora múltiplos indicadores sobre as condições dos mares. “É um modelo de altíssima resolução que reúne informações sobre o estado do oceano“, informou.

Um dos diferenciais do sistema é a possibilidade de projetar cenários hipotéticos. A ferramenta permite avaliar, por exemplo, como alterações na temperatura da água podem afetar populações de peixes ou de que forma determinadas áreas cobertas por vegetação marinha poderiam influenciar processos erosivos.

Consoante Arnaud, esse tipo de simulação é viabilizado por modelos apoiados em inteligência artificial, capazes de modificar condições iniciais utilizadas nos cálculos e gerar diferentes projeções sobre o comportamento do ambiente oceânico.

Mudanças no oceano ampliam intervalo de desova da tartaruga-comum em Cabo Verde -(Créditos: depositphotos.com / Keola)

Além dos recursos de análise, a plataforma passou a contar com um chatbot baseado em inteligência artificial para responder a dúvidas relacionadas aos oceanos. A ferramenta foi apresentada ao público durante a Digital Ocean Week, realizada em Bruxelas.

O avanço acelerado da tecnologia também é acompanhado pela equipe responsável pelo projeto. Ao comentar a evolução da inteligência artificial, Arnaud ressaltou a necessidade de adaptação diante da velocidade das mudanças. “Ela está avançando tão rapidamente que chega a ser assustador, mas precisamos estar preparados para nos adaptar.”

Os dados que alimentam o sistema têm origem principalmente de satélites europeus vinculados ao programa Copernicus, componente de observação da Terra da União Europeia. O projeto também pode incorporar informações obtidas por meio de cooperação internacional com outros países.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, os satélites fornecem um panorama amplo das condições da superfície oceânica, enquanto embarcações distribuídas pelo mundo complementam o monitoramento com medições realizadas diretamente no ambiente marinho.

A incorporação do EDITO ao plano OceanEye, anunciada no início de junho, amplia a participação da plataforma nas estratégias europeias de observação dos oceanos. A expectativa é que o sistema alcance plena operação até 2030 e fortaleça não apenas a produção de conhecimento científico, mas também aplicações relacionadas à segurança marítima.

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