Biologia

Auto Added by WPeMatico

tartarugas 1772186209553 1024x576

Como a IA e satélites podem ajudar a proteger os oceanos

A combinação entre inteligência artificial e observação por satélite está no centro de uma iniciativa da União Europeia voltada ao monitoramento dos oceanos. Apresentado pelas instituições europeias e incorporado recentemente a um plano para ampliar a vigilância marítima, o projeto pretende fornecer informações detalhadas para pesquisadores e gestores públicos.

A ferramenta, chamada European Digital Twin Ocean, reúne dados sobre diferentes condições oceânicas e permite simular cenários futuros. A proposta surge em um contexto de preocupação crescente com a elevação do nível do mar, o aquecimento das águas e a redução do gelo marinho no Ártico.

O sistema utiliza modelos digitais alimentados por informações coletadas em diversas regiões do planeta. Com isso, busca ampliar a compreensão sobre transformações ambientais e oferecer suporte a decisões relacionadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos marinhos.

Réplica digital amplia capacidade de análise dos oceanos

A iniciativa tem como principal produto o European Digital Twin Ocean, conhecido pela sigla EDITO. A plataforma funciona como uma representação digital do ambiente marinho e pode ser acessada gratuitamente pela internet. Seu desenvolvimento é conduzido pela organização francesa Mercator Ocean International em parceria com o Flanders Marine Institute.

A estrutura reúne informações sobre diferentes aspectos dos oceanos, incluindo temperatura, salinidade, correntes marítimas, ondas e características biológicas. O objetivo é oferecer uma visão integrada do ambiente marinho por meio de mapas interativos e bases de dados consolidadas.

Em entrevista à Euronews, Alain Arnaud, diretor do programa de oceano digital da Mercator Ocean International, explicou que a plataforma opera com elevado nível de detalhamento e incorpora múltiplos indicadores sobre as condições dos mares. “É um modelo de altíssima resolução que reúne informações sobre o estado do oceano“, informou.

Um dos diferenciais do sistema é a possibilidade de projetar cenários hipotéticos. A ferramenta permite avaliar, por exemplo, como alterações na temperatura da água podem afetar populações de peixes ou de que forma determinadas áreas cobertas por vegetação marinha poderiam influenciar processos erosivos.

Consoante Arnaud, esse tipo de simulação é viabilizado por modelos apoiados em inteligência artificial, capazes de modificar condições iniciais utilizadas nos cálculos e gerar diferentes projeções sobre o comportamento do ambiente oceânico.

Mudanças no oceano ampliam intervalo de desova da tartaruga-comum em Cabo Verde -(Créditos: depositphotos.com / Keola)

Além dos recursos de análise, a plataforma passou a contar com um chatbot baseado em inteligência artificial para responder a dúvidas relacionadas aos oceanos. A ferramenta foi apresentada ao público durante a Digital Ocean Week, realizada em Bruxelas.

O avanço acelerado da tecnologia também é acompanhado pela equipe responsável pelo projeto. Ao comentar a evolução da inteligência artificial, Arnaud ressaltou a necessidade de adaptação diante da velocidade das mudanças. “Ela está avançando tão rapidamente que chega a ser assustador, mas precisamos estar preparados para nos adaptar.”

Os dados que alimentam o sistema têm origem principalmente de satélites europeus vinculados ao programa Copernicus, componente de observação da Terra da União Europeia. O projeto também pode incorporar informações obtidas por meio de cooperação internacional com outros países.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, os satélites fornecem um panorama amplo das condições da superfície oceânica, enquanto embarcações distribuídas pelo mundo complementam o monitoramento com medições realizadas diretamente no ambiente marinho.

A incorporação do EDITO ao plano OceanEye, anunciada no início de junho, amplia a participação da plataforma nas estratégias europeias de observação dos oceanos. A expectativa é que o sistema alcance plena operação até 2030 e fortaleça não apenas a produção de conhecimento científico, mas também aplicações relacionadas à segurança marítima.

O post Como a IA e satélites podem ajudar a proteger os oceanos apareceu primeiro em Olhar Digital.

Como a IA e satélites podem ajudar a proteger os oceanos Read More »

lithothamnion sp 1024x713

Pesquisadores brasileiros criam IA para auxiliar na preservação de vidas marinhas ameaçadas

Recentemente, a equipe do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio desenvolveu um modelo de inteligência artificial para auxiliar na preservação de ecossistemas em risco nas profundezas do oceano. A pesquisa foi publicada no periódico Springer Nature e possui autores como Vitor Sousa, Manoela Kohler e Marco Aurélio Pacheco; você pode ler o estudo na íntegra clicando aqui.

O projeto é importante porque, com o auxílio da inteligência artificial, os pesquisadores podem mais facilmente proteger vidas marinhas arriscadas pela extração de compostos do oceano, principalmente gás e petróleo, na costa brasileira. Instalações e equipamentos utilizados no fundo do mar para essa atividade podem afetar ecossistemas mais sensíveis, sendo um dos principais os ecossistemas de algas calcárias.

Para quem tem pressa:

  • Engenheiros da PUC-Rio desenvolveram um modelo de IA que auxilia a preservação de ecossistemas na costa brasileira;
  • Ações comerciais na costa brasileira, como extração de gás e petróleo, arriscam a vida marinha;
  • Para aprimorar o processo de identificação destas áreas e auxiliar em sua proteção, os cientistas criaram um software alimentado por IA.

O mapeamento para encontrar e preservar as algas

Algas calcárias comportam ecossistemais inteiros por conta de sua rigidez
Imagem: Wikimedia, CC BY – Imagem: Wikimedia, CC BY

Dentre os ecossistemas ameaçados, um dos mais relevantes são as algas calcárias, um tipo de alga marinha impregnada por carbonato de cálcio e, ao lado dos corais, é a principal responsável pelos recifes marinhos. Por isso, o principal risco que esses seres sofrem é de danos à sua estrutura física.

Sua importância vem justamente da rigidez de suas estruturas. Várias espécies utilizam as algas calcárias como habitat; além disso, essas algas participam de processos químicos essenciais no oceano, como o armazenamento de carbono.

Para protegê-las, há regras que restringem a atividade extrativista em áreas com esse tipo de ecossistema. Porém, devido à profundidade — que torna extremamente difícil a entrada da luz e, com isso, a observação e identificação da vida marinha —, os especialistas sempre tiveram dificuldade em localizar as áreas com esse tipo de alga.

Atualmente, esse acompanhamento é realizado com veículos operados remotamente, os quais capturam imagens do fundo do mar. Essas imagens são analisadas, com auxílio de modelos de aprendizado profundo especializados, para identificar e mapear essas espécies ao longo do tempo. Esses dados são utilizados tanto para ajudar a definir onde instalar infraestruturas de pesquisa e extração de combustíveis, quanto para avaliar impactos ambientais posteriores.

Image 3 1024x576
Petrolíferas têm regras que protegem áreas sensíveis e essenciais para a biodiversidade marinha (Foto: Abdurrozaqf/Shutterstock)

O problema desse método é que as imagens são ruidosas e sofrem de bastante risco de imprecisões nas análises. Consequentemente, esses dados errôneos atrapalham o treinamento do modelo de aprendizagem profunda citado anteriormente. Um desafio comum no mundo dos dados.

No caso das algas calcárias, o ruído surge de pessoas não especializadas ou sobrecarregadas que as catalogam erroneamente, além de alguns erros que costumam vir de pesquisas automatizadas na web. Porém, algumas imagens são tão desafiadoras que até especialistas em condições normais podem classificá-las imprecisamente.

O modelo de inteligência artificial que aprimora o rastreio de ecossistemas inteiros

O curioso acordo de paz no fundo do mar que impede peixes famintos de comerem seus dentistas
Vida marinha diversa – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Para aumentar a eficiência desses processos de mapeamento, uma nova abordagem foi proposta pela equipe da PUC-Rio. A equipe Vitor Sousa, Manoela Kohler e Marco Aurélio Pacheco incrementou técnicas de aprendizagem autossupervisionada que permitem que o sistema aprenda padrões diretamente dos dados, sem a interferência — por vezes ruidosa — do ser humano, por meio dos rótulos explicados anteriormente.

O método utilizado se chama aprendizado contrastivo, que ajuda a distinguir melhor semelhanças e diferenças entre os dados analisados. Na prática, essa novidade permite que a IA reconheça melhor os diferentes tipos de padrões, mesmo com dados incertos.

A equipe também atribuiu pesos aos diferentes rótulos de reconhecimento de acordo com a confiabilidade. Com isso, esse novo modelo separa imagens com rótulos confiáveis de imagens que podem apresentar imprecisões na análise. Esses exemplares com maior chance de erro são tratados com mais cautela.

Durante os testes feitos, foi utilizado um banco de dados conhecido da área. O resultado foi um acréscimo na precisão de 3%; no caso das algas calcárias, especificamente, houve um aumento de 1,6%.

Apesar de aparentar um aumento modesto, a equipe da PUC-Rio explica que o resultado “faz uma grande diferença em aplicações ambientais, que requerem muita precisão.”

Em entrevista concedida ao site The Conversation, a equipe revela o seguinte:

(…) nosso estudo também reforça que sistemas de inteligência artificial são profundamente influenciados pela qualidade dos dados com que são treinados. Lidar com essas imperfeições continua sendo um dos grandes desafios atuais da área, especialmente em contextos do mundo real.

— Vitor Sousa, Manoela Kohler e Marco Aurélio Pacheco, pesquisadores do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio

O post Pesquisadores brasileiros criam IA para auxiliar na preservação de vidas marinhas ameaçadas apareceu primeiro em Olhar Digital.

Pesquisadores brasileiros criam IA para auxiliar na preservação de vidas marinhas ameaçadas Read More »