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A conta da inteligência artificial chegou para as Big Techs?

A inteligência artificial começa a gerar resultados para as gigantes da tecnologia, mas o ritmo dos investimentos também aumenta a pressão sobre o caixa dessas empresas.

Segundo a Reuters, o mercado acompanhará os próximos balanços em busca de sinais de que o crescimento das receitas conseguirá acompanhar os gastos com infraestrutura.

A inteligência artificial já traz receitas, mas também exige aportes cada vez maiores das gigantes. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita

Mercado observa se a conta vai fechar

Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle — as chamadas hyperscalers — seguem ampliando seus investimentos em inteligência artificial. A expectativa, porém, é que o avanço dos gastos supere a geração de fluxo de caixa livre até 2027.

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Levantamento da Reuters, com base em estimativas da LSEG, aponta que essas empresas deverão ampliar o fluxo de caixa operacional anual em US$ 340 bilhões (aproximadamente R$ 1,72 trilhão) entre 2025 e 2027. No mesmo período, os investimentos devem crescer cerca de US$ 534 bilhões (aproximadamente R$ 2,71 trilhões), o equivalente a US$ 1,57 aplicado para cada US$ 1 adicional gerado em caixa.

Receita cresce, mas os gastos também

Os primeiros sinais de retorno já aparecem. A Microsoft informou que sua divisão de IA alcançou um ritmo anual de receita superior a US$ 37 bilhões (cerca de R$ 187,6 bilhões). Na Amazon, a AWS registrou crescimento de 28% no primeiro trimestre.

Segundo Shay Boloor, estrategista-chefe de mercado da Futurum Equities, “os investidores estão subestimando o quanto a IA está mudando fundamentalmente o modelo de negócios das Big Tech”.

Ele afirma que software, publicidade e computação em nuvem passaram a depender cada vez mais de grandes investimentos em infraestrutura física.

Esse movimento inclui:

  • Construção de novos data centers;
  • Compra de servidores e equipamentos de rede;
  • Expansão da infraestrutura em nuvem;
  • Maior demanda por aplicações de inteligência artificial.
Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data centers e servidores viraram peças-chave na nova fase de expansão da inteligência artificial. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Oracle concentra as maiores preocupações

A Microsoft registrou US$ 35,8 bilhões (cerca de R$ 181,5 bilhões) em fluxo de caixa operacional no segundo trimestre fiscal, enquanto seus investimentos chegaram a US$ 37,5 bilhões (aproximadamente R$ 190,1 bilhões).

O crescimento dos lucros pode não ser suficiente para justificar os investimentos se os gastos de capital estiverem consumindo o caixa. As empresas existem para ganhar dinheiro, não para gastá-lo.

David Russell, chefe global de estratégia de mercado da TradeStation, à Reuters.

Entre as cinco empresas, a Oracle desperta maior preocupação. As ações acumulam queda de 36% no ano, o fluxo de caixa livre ficou negativo e a companhia pretende captar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (cerca de R$ 228,2 bilhões a R$ 253,5 bilhões) para ampliar sua infraestrutura em nuvem. Os próximos balanços mostrarão se o avanço da IA conseguirá acompanhar esse ritmo de investimentos.

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Alphabet: atraso no Gemini 3.5 Pro amplia pressão antes de balanço trimestral

A Alphabet chega à divulgação de seus resultados do segundo trimestre sob pressão crescente de investidores, à medida que o adiamento do lançamento de um modelo estratégico de inteligência artificial (IA) se soma às preocupações sobre o retorno dos elevados investimentos em infraestrutura de data centers. O cenário contrasta com o entusiasmo registrado meses atrás, quando a empresa superou expectativas, impulsionada pelo forte desempenho de sua divisão de computação em nuvem.

A controladora do Google divulgará seus resultados financeiros do segundo trimestre na quarta-feira (22). Entre os fatores que têm chamado a atenção do mercado está o adiamento do lançamento do Gemini 3.5 Pro, seu próximo modelo principal de IA.

Inicialmente previsto para junho, o modelo foi desenvolvido para reforçar a competitividade da empresa no mercado de ferramentas de programação baseadas em IA e aplicações de IA agêntica. Apesar disso, a empresa diminuiu a ansiedade nesta terça-feira (21) ao lançar outras atualizações para o Gemini.

O atraso do lançamento do Gemini 3.5 Pro ocorre em momento em que modelos chineses de código aberto vêm aumentando a concorrência com os principais laboratórios estadunidenses na disputa por clientes. Ao mesmo tempo, crescem os receios em torno dos altos custos envolvidos no desenvolvimento da IA, alimentando preocupações de que as grandes empresas de tecnologia possam estar investindo em capacidade além da demanda futura.

“Embora o Google esteja perdendo o barco na programação com IA — e essa é uma preocupação real e crescente… a estratégia do Google gira totalmente em torno do ecossistema”, afirmou, à Reuters, Dave Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors.

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Empresa liberou novas versões do Gemini nesta terça, mas segue sem anunciar o Gemini 3.5 Pro – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Investimentos elevados e queda das ações

  • Em abril, a Alphabet elevou sua projeção de investimentos em capital para 2026, passando a estimar gastos entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões (R$ 915,4 bilhões/R$ 966,2 bilhões);
  • Paralelamente, anunciou planos para captar aproximadamente US$ 85 bilhões (R$ 432,3 bilhões) por meio de ofertas de ações, incluindo um investimento da Berkshire Hathaway;
  • Desde o fim de abril, as ações da Alphabet acumulam queda de cerca de 9%, período em que a companhia havia registrado um crescimento de 63% nas vendas de sua divisão de nuvem;
  • Com esse desempenho, os papéis ficaram atrás das demais empresas que compõem o grupo conhecido como “As Sete Magníficas”.

Além da pressão sobre os investimentos e do desempenho recente das ações, a empresa também perdeu profissionais de destaque para concorrentes. Entre eles estão o co-líder do projeto Gemini, Noam Shazeer, e o vencedor do Prêmio Nobel John Jumper, descrito como um executivo-chave do Google DeepMind.

Apesar dos desafios, analistas avaliam que a principal vantagem competitiva da Alphabet na corrida pela IA continua sendo sua ampla rede de distribuição voltada ao consumidor, combinada com seus modelos de IA, infraestrutura de computação em nuvem e chips personalizados.

No acumulado de 2026, as ações da companhia ainda registram valorização próxima de 13%, desempenho que coloca a Alphabet como a segunda empresa com melhor performance entre as integrantes das chamadas “As Sete Magníficas”.

Mercado espera novo avanço da receita

Para o segundo trimestre, analistas projetam uma desaceleração apenas moderada no crescimento da receita em comparação com os três primeiros meses de 2026, mantendo a divisão de nuvem como principal motor dos resultados.

Segundo dados compilados pela LSEG, a expectativa é de que a Alphabet registre receita de US$ 116,9 bilhões (R$ 594,7 bilhões) entre abril e junho, representando crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A previsão também aponta que as vendas da divisão de computação em nuvem mantenham um ritmo de expansão de 64%, enquanto a receita com publicidade deverá crescer de forma mais moderada, em 13,7%.

O desempenho da área de nuvem vem sendo impulsionado pela expansão dos contratos relacionados aos chips personalizados de IA desenvolvidos pelo Google, incluindo acordos bilionários firmados com a Meta e a Anthropic.

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IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Modelos abertos mudam cenário da IA

O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

Entre os principais pontos do debate estão:

  • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
  • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
  • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
  • Governos avaliam regras para o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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Anthropic: Justiça dos EUA confirma acordo para fim de processo por direitos autorais

A Justiça dos Estados Unidos aprovou definitivamente um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões) entre a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic e um grupo de autores que acusava a companhia de utilizar livros protegidos por direitos autorais para treinar o chatbot Claude sem autorização.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza federal Araceli Martinez-Olguín, de São Francisco, que deu aprovação final ao acordo e rejeitou as contestações de autores que alegavam que o valor da indenização era insuficiente.

Segundo a Reuters, trata-se do maior acordo conhecido da história em um processo de direitos autorais nos Estados Unidos e do primeiro grande caso envolvendo treinamento de modelos de IA a ser encerrado por meio de um acordo.

Processo contra a Anthropic foi movido por escritores em 2024

  • A ação coletiva foi apresentada em 2024 por um grupo de escritores, que acusou a Anthropic de utilizar versões pirateadas de seus livros sem autorização para treinar o Claude, seu modelo de IA generativa;
  • A empresa é apoiada pela Amazon e pela Alphabet, controladora do Google;
  • Em setembro do ano passado, o então juiz responsável pelo caso, William Alsup, já havia concedido uma aprovação preliminar ao acordo. Agora, a decisão foi confirmada de forma definitiva pela Justiça;
  • A Anthropic não comentou imediatamente a decisão judicial, segundo a Reuters.

Juiz havia diferenciado treinamento da IA e armazenamento de livros

Em junho do ano passado, Alsup decidiu que o uso das obras para treinar o Claude se enquadrava no princípio do “uso justo” previsto na legislação estadunidense.

No entanto, o magistrado concluiu que a empresa violou os direitos autorais ao armazenar mais de sete milhões de livros pirateados em uma “biblioteca central”, independentemente de essas obras terem sido efetivamente utilizadas no treinamento da IA.

O julgamento destinado a definir o valor da indenização pela suposta pirataria estava previsto para começar em dezembro do ano passado. Segundo o processo, os danos poderiam alcançar centenas de bilhões de dólares.

Obras teriam sido utilizadas no treinamento do Claude – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Mais de 480 mil obras fazem parte do acordo

Durante audiência judicial, o advogado dos autores informou que escritores e outros detentores de direitos autorais apresentaram pedidos relacionados a mais de 92% das mais de 480 mil obras abrangidas pelo acordo.

Em nota divulgada após a decisão, o advogado principal dos autores, Justin Nelson, comemorou a aprovação definitiva. “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal de conceder aprovação final a este acordo histórico. Trata-se da maior recuperação por direitos autorais da história.”

Ele acrescentou que a expectativa é iniciar os pagamentos aos autores contemplados pelo acordo o mais rapidamente possível. “Esperamos fazer as distribuições à classe o mais rápido possível.”

Juíza rejeita críticas ao acordo

O acordo recebeu objeções de alguns autores, que argumentavam que o valor da indenização era baixo, que os advogados dos autores receberiam uma parcela excessiva dos recursos e que determinados detentores de direitos autorais haviam sido excluídos indevidamente.

Na decisão desta segunda, Araceli Martinez-Olguín rejeitou todas essas contestações. Segundo a magistrada, as críticas ao valor do acordo “não estão fundamentadas em uma avaliação realista dos riscos e benefícios de um julgamento”.

A juíza também autorizou o pagamento de mais de US$ 101 milhões (R$ 515,7 milhões) em honorários advocatícios, de um total de US$ 187,5 milhões (R$ 957,3 milhões) solicitado pelos representantes legais dos autores.

Outros processos contra a Anthropic continuam

Embora o acordo encerre a ação coletiva, alguns autores e editoras optaram por não participar da conciliação. Esses titulares de direitos autorais ingressaram com processos separados contra a Anthropic, que continuam tramitando na Justiça estadunidense.

O caso faz parte de uma série de ações movidas por autores, veículos de imprensa e outros detentores de direitos autorais contra empresas de tecnologia, que discutem a utilização de obras protegidas para o treinamento de modelos de linguagem baseados em IA. Segundo a Reuters, esse foi o primeiro grande processo desse tipo nos Estados Unidos a chegar a um acordo.

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Google cria chip de IA secreto para deixar Gemini mais poderoso

O Google trabalha em um novo chip de IA que poderá ajudar a empresa a rodar modelos de inteligência artificial com mais eficiência. O projeto, chamado internamente de “Frozen v2”, deve ampliar a capacidade de processamento usada pelo Gemini.

Segundo a Reuters, o desenvolvimento faz parte da estratégia da companhia para enfrentar limitações de computação que já afetaram contratos do Google Cloud.

Google aposta em hardware próprio para acelerar o Gemini e ampliar sua capacidade na disputa pela liderança em inteligência artificial. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Frozen v2 terá partes do Gemini no próprio hardware

A principal novidade do chip é a possibilidade de incorporar elementos do Gemini diretamente ao hardware. A ideia é tornar a execução dos modelos mais eficiente, reduzindo a dependência de estruturas tradicionais de processamento.

Entre os detalhes divulgados estão:

  • O Google trabalha com previsão de uso do chip a partir de 2028;
  • O design ainda está sendo finalizado pelos engenheiros;
  • A eficiência pode ser de seis a dez vezes superior à dos atuais chips personalizados de IA da empresa;
  • O projeto será uma nova linha de hardware e não substituirá as TPUs.
Silhueta de pessoa com chip no lugar do cérebro, que também traz logotipo do Google
Google prepara uma nova geração de chips para IA em meio à crescente demanda por capacidade computacional. Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

Google também enfrenta desafios com Gemini

O Frozen v2 não chega para eliminar as unidades de processamento tensorial (TPUs), tecnologia já utilizada pelo Google em tarefas de inteligência artificial. A proposta é criar uma alternativa especializada para atender às necessidades dos modelos mais avançados.

Leia mais:

Além da corrida por novos chips, o Google trabalha para aprimorar seus modelos de IA. A Reuters citou um relatório da Bloomberg segundo o qual a empresa adiou o lançamento de uma nova versão do Gemini após o sistema não atingir metas internas, principalmente em programação.

O desenvolvimento do Frozen v2 mostra que a disputa por inteligência artificial envolve não apenas criar modelos melhores, mas também construir a infraestrutura necessária para colocá-los em funcionamento.

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Celulares com IA fazem tarefas sem abrir aplicativos

A inteligência artificial embarcada nos smartphones ganhou destaque durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai. Segundo matéria da AFP publicada no TechXplore, fabricantes apresentaram aparelhos capazes de executar tarefas por comando de voz, sem que o usuário precise abrir diversos aplicativos.

A proposta pode mudar a forma como usamos o celular, embora ainda encontre resistência de empresas que controlam algumas das maiores plataformas digitais.

A inteligência artificial quer transformar o smartphone em um verdadeiro assistente pessoal. – Imagem: MAYA LAB/Shutterstock

A promessa vai além dos aplicativos

Pelo menos três fabricantes levaram ao evento modelos equipados com agentes de IA. A ideia é transformar o smartphone em um assistente capaz de resolver tarefas sozinho, como comparar preços, organizar viagens, editar vídeos ou fazer pedidos de comida.

Entre os destaques estava o NaviX Ultra, da Nubia, equipado com o chatbot Doubao, desenvolvido pela ByteDance, dona do TikTok. Ao anunciar o aparelho, a empresa afirmou: Uma nova era dos smartphones com agentes de IA começa.”

O conceito não é exatamente novo. Um protótipo chamado “Doubao Phone” já havia demonstrado esse tipo de integração, mas acabou perdendo parte de suas funções depois que grandes plataformas restringiram o acesso do assistente.

As demonstrações incluíram recursos como:

  • Fazer pedidos de comida por comando de voz.
  • Comparar preços em diferentes lojas.
  • Organizar viagens e compras.
  • Editar vídeos e apoiar tarefas de produtividade.
Ilustração mostra ícones de aplicativos de delivery em um smartphone.
Fazer compras, pedir comida e editar vídeos, tudo sem aplicativos: essa é a aposta da nova geração de celulares. – Imagem ilustrativa gerada por IA

O desafio está fora do celular

Curiosamente, o maior obstáculo não é a inteligência artificial. O problema está na integração com aplicativos e serviços de empresas concorrentes, que nem sempre aceitam compartilhar esse acesso.

Para Kiranjeet Kaur, diretora associada de pesquisa da IDC, isso acontece porque as plataformas querem preservar o relacionamento direto com seus usuários. Elas perdem o controle para outra empresa.”

A especialista acrescenta que o setor ainda busca um modelo realmente eficiente. “Os agentes de IA são o sonho de todos, mas ainda não chegamos lá, afirma, lembrando que essas soluções ainda apresentam falhas em diferentes situações.

Segundo a imprensa especializada chinesa, citada pela matéria, o NaviX Ultra procura atuar em parceria com os aplicativos, sem tentar acessar sistemas de forma não autorizada.

Como usar apps para cuidar das plantas sem virar escravo do celular
Novos aparelhos prometem reduzir a necessidade de abrir aplicativos para executar ações do dia a dia. – Imagem criada com inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

A corrida está só começando

Outras empresas também apostam nesse caminho. A Honor apresentou o “Robot Phone”, equipado com uma câmera instalada em um pequeno braço robótico capaz de interpretar gestos, acompanhar músicas, fazer selfies e estabilizar vídeos. Já a startup StepFun revelou o STEPX Neo, integrado a serviços como Alipay e Didi para reunir compras, viagens, produtividade e edição de vídeos.

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Fora da China, Google e Brain Technologies também ampliam seus investimentos em celulares com inteligência artificial.

Marc Einstein, analista da Counterpoint Research, acredita que ainda não há um vencedor nessa disputa. Para ele, nos próximos cinco a dez anos, a relação entre usuários e smartphones poderá mudar profundamente, reduzindo a dependência dos aplicativos tradicionais e abrindo espaço para assistentes de IA cada vez mais presentes no cotidiano.

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Casa Branca passa a controlar acesso a modelos de IA de ponta

O governo Donald Trump deu novos passos para assumir o controle sobre o lançamento de modelos de inteligência artificial (IA) de fronteira, passando a ditar quais empresas e entidades têm acesso às versões mais recentes dessas ferramentas. A informação foi apurada pela CNBC com duas fontes familiarizadas com o assunto.

Até agora, essa decisão cabia às próprias empresas de IA estadunidenses. Anthropic e OpenAI eram as responsáveis por definir quem acessava seus modelos mais avançados — o que geralmente incluía grandes clientes corporativos.

A Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, o Mythos, a um grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing. A OpenAI, por sua vez, foi solicitada pela administração a restringir o lançamento recente do GPT-5.6 e mantém um consórcio semelhante, chamado Daybreak, para seu modelo de cibersegurança.

Um oficial da Casa Branca disse à CNBC que o governo não fornece aprovações para lançamentos de IA de empresas privadas. Segundo o oficial, quaisquer engajamentos, testes ou reuniões com especialistas do governo são “voluntários” e “as decisões sobre o momento e o escopo dos lançamentos cabem inteiramente às empresas”. O oficial remeteu à CNBC o recente decreto executivo do presidente Trump.

“A administração continua colaborando com todos os laboratórios de fronteira estadunidenses para fortalecer a segurança dessa tecnologia sem sufocar a inovação”, escreveu o oficial.

Anthropic apresentou seu modelo de cibersegurança, Mythos, a grupo restrito de parceiros por meio do Project Glasswing – Imagem: gguy/Shutterstock

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Bloqueios e negociações

  • No mês passado, porém, o governo Trump bloqueou o Claude Mythos 5 e o Fable 5 por “preocupações de segurança nacional”, restabelecendo o acesso semanas depois, após negociações intensas com a Anthropic;
  • Também no mês passado, a OpenAI anunciou que limitaria novos modelos de IA a “parceiros confiáveis” para atender a pedidos do governo;
  • Em junho, Trump assinou um decreto executivo pedindo que as empresas dessem ao governo acesso antecipado a modelos para fins de teste;
  • Nesta semana, a administração lançou seu próprio programa, chamado “Gold Eagle”, voltado à colaboração com o setor privado para identificar e corrigir vulnerabilidades cibernéticas.

O chamado clearinghouse colocaria a Casa Branca no comando de aprovar quais empresas podem acessar novos modelos de IA, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, que falou sob condição de anonimato para discutir informações que não são públicas.

Segundo essa fonte, os lançamentos futuros exigirão aprovação explícita do governo para definir quais parceiros podem ser envolvidos. As iniciativas lideradas pelas empresas, como o Project Glasswing e o Daybreak, têm seu futuro em dúvida diante dessas movimentações.

O governo caminha sobre uma linha tênue em um momento em que ferramentas de IA sofisticadas representam riscos massivos de cibersegurança e modelos de código aberto mais baratos da China fecham rapidamente a distância em relação aos laboratórios estadunidenses de fronteira.

A startup chinesa Moonshot AI apresentou, nesta sexta-feira (17), seu modelo Kimi K3, que alcançou desempenho próximo ao do Fable e do GPT-5.6 e superou os modelos estadunidenses de fronteira em pelo menos um benchmark independente.

David Sacks, fundador da Craft Ventures e ex-czar de IA da Casa Branca, classificou o avanço como “preocupante”. “É assim que se perde a corrida da IA”, escreveu. “O resto do mundo não vai jogar pelas nossas regras se nos atolarmos.”

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A IA está ficando comum — e isso pode ser má notícia para a OpenAI

A inteligência artificial (IA) está se tornando um recurso cada vez mais acessível, com preços em queda, modelos mais eficientes e maior oferta de capacidade computacional. Para usuários e empresas, esse movimento tende a ampliar o acesso à tecnologia. Para líderes do setor, como OpenAI e Anthropic, porém, ele pode representar um desafio à sustentabilidade de seus negócios.

Segundo uma análise publicada pelo The Wall Street Journal, três acontecimentos recentes apontam para uma mesma direção: a IA está deixando de ser um recurso escasso e se aproximando de uma commodity, o que pode reduzir a vantagem competitiva das empresas que hoje lideram o desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Modelos mais baratos ampliam acesso à IA

  • Um dos principais fatores por trás dessa transformação é a queda acentuada do custo da IA capaz de realizar a maior parte das tarefas do cotidiano;
  • Isso vem sendo impulsionado pelo lançamento de modelos mais leves, que funcionam tanto na nuvem quanto diretamente em dispositivos, incluindo soluções desenvolvidas por Google, Apple e empresas chinesas de IA;
  • Outro sinal dessa mudança veio da própria China. Na quinta-feira (16), o presidente chinês Xi Jinping defendeu, durante um discurso em Xangai, a continuidade da liberação de modelos de IA de “pesos abertos” (“open-weights”), que podem ser modificados e utilizados livremente por qualquer pessoa;
  • Segundo a análise, a estratégia busca servir de contraponto ao domínio dos Estados Unidos no setor;
  • Ao mesmo tempo, modelos chineses como GLM 5.2 e Kimi K3 estariam reduzindo a distância em relação aos sistemas mais avançados desenvolvidos por empresas estadunidenses.

Meta entra na disputa

Outro acontecimento destacado pela análise foi o avanço da Meta no desenvolvimento de modelos voltados para programação. Segundo o texto, a empresa demonstrou que pode competir diretamente com OpenAI e Anthropic em um mercado considerado altamente lucrativo: o de modelos especializados em geração de código.

Além disso, a expectativa é que o atual gargalo de capacidade computacional diminua à medida que novos data centers entrem em operação e engenheiros desenvolvam formas mais eficientes de executar modelos de IA.

Em algumas aplicações, a oferta de tokens — unidade básica de consumo dos modelos de IA — já começa a acompanhar a demanda.

Cenário favorece usuários, mas desafia líderes do setor

Na avaliação do artigo, esses avanços representam uma boa notícia para consumidores e empresas. Há cerca de um ano, o diretor-executivo da OpenAI, Sam Altman, afirmou que desejava tornar a inteligência “barata demais para ser medida”.

Segundo a análise, em vez de substituir completamente trabalhadores, a IA poderá aumentar a produtividade de muitas profissões e reduzir parte da chamada fricção digital nas atividades do dia a dia. O cenário, no entanto, levanta dúvidas sobre o futuro financeiro de OpenAI e Anthropic, ambas vistas como candidatas a abrir capital em bolsa.

Como dependem de manter uma vantagem tecnológica sobre gigantes já estabelecidas, as duas empresas podem enfrentar dificuldades caso a IA passe a ser tratada como uma tecnologia de uso geral, semelhante à eletricidade ou ao automóvel.

Concorrência reduz participação da OpenAI

Dados da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, citados pela análise, mostram que, em março, o ChatGPT passou a responder por menos de 50% da participação global entre usuários consumidores, considerando acessos via dispositivos móveis e web.

Segundo o texto, a redução ocorreu principalmente em razão da concorrência do Google Gemini e do Claude, da Anthropic.

No segmento corporativo, modelos chineses também passaram a competir diretamente com os principais sistemas estadunidenses, oferecendo desempenho semelhante em algumas métricas por custos significativamente menores.

O ranking da plataforma OpenRouter, citado na análise, mostra que os cinco modelos mais utilizados por empresas são atualmente chineses e que cerca de 45% dos tokens monitorados pela plataforma passam por esses modelos.

Modelos gratuitos intensificam disputa

A análise também destaca o lançamento de um modelo de pesos abertos pela Thinking Machines Lab, empresa liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI. Segundo a companhia, o sistema busca equilibrar desempenho e custo operacional.

O texto resume essa mudança com uma comparação: “Quem precisa de uma Ferrari de IA para ir ao trabalho quando um Honda Civic de IA está logo ali?”

Diante do avanço da concorrência, OpenAI e Anthropic aumentaram seus investimentos em engenheiros e acesso a data centers, mesmo com impacto sobre a rentabilidade. As empresas vêm comprometendo centenas de bilhões de dólares para manter a liderança tecnológica.

Ao mesmo tempo, clientes corporativos passaram a avaliar de forma mais criteriosa quanto realmente precisam investir em IA e quais modelos premium justificam seus custos.

Segundo a análise, OpenAI e Anthropic estudam a possibilidade de entrar em uma guerra de preços, embora empresas, como SpaceXAI, Meta e desenvolvedores chineses de modelos de código aberto, já tenham iniciado esse movimento.

Conhecimento sobre IA está se espalhando

Outro fator que acelera a transformação da IA em commodity é a disseminação do conhecimento sobre como construir modelos avançados.

Embora empresas continuem protegendo seus segredos industriais — a Apple, por exemplo, anunciou recentemente um processo contra a OpenAI por suposto roubo de propriedade intelectual relacionada à IA — pesquisadores continuam publicando estudos científicos descrevendo novos avanços.

Laboratórios chineses e empresas, como a Thinking Machines Lab, também divulgam regularmente modelos de código aberto acompanhados de documentação detalhando sua construção.

Distilação gera disputa

O texto também aborda a chamada “distilação”, técnica que consiste em treinar um modelo utilizando outro como referência. OpenAI e Anthropic acusam empresas chinesas de utilizarem esse processo para desenvolver sistemas concorrentes com base em informações proprietárias.

Por outro lado, a própria indústria utiliza a técnica de forma legítima. Segundo a análise, grandes modelos costumam ser empregados para treinar versões menores e mais rápidas.

O novo modelo que dará suporte à Siri atualizada da Apple, por exemplo, foi destilado a partir de modelos do Google, dentro de um acordo firmado entre as empresas.

Em um ensaio recente, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou considerar “irônico” que empresas que treinam seus modelos utilizando dados obtidos na internet e até informações de clientes tentem impedir terceiros de utilizar a distilação.

Segundo ele: “Se o aprendizado flui apenas em uma direção, o valor econômico converge para os proprietários da infraestrutura de aprendizado, e não para os criadores do próprio conhecimento.”

Modelos chineses, como o da DeepSeek, estão ganhando cada vez mais terreno – Imagem: Melinda Nagy/Shutterstock

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Empresas buscam novas vantagens competitivas

Até agora, segundo a análise, a principal vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic era oferecer modelos significativamente superiores aos dos concorrentes.

Com a popularização de sistemas considerados “bons o suficiente” — e, em alguns casos, altamente avançados — disponíveis tanto para usuários de iPhone quanto para grandes empresas, essas companhias precisarão encontrar novos diferenciais.

Enquanto o Google conta com seu mecanismo de busca, a Meta possui sua base de redes sociais, a Microsoft e a Amazon dominam a infraestrutura corporativa e a Apple controla um amplo ecossistema de dispositivos.

Energia pode ser a principal vantagem no futuro

Para Eric Zhao, professor da Universidade de Oxford e coautor de um estudo citado na análise, a principal vantagem competitiva das empresas de IA no futuro poderá ser o acesso à energia elétrica.

Segundo ele, à medida que a oferta de eletricidade se torna mais limitada e comunidades passam a resistir à construção de novos data centers, utilizar energia de forma eficiente será essencial. “Os laboratórios de fronteira precisarão competir por inteligência por watt.”

OpenAI e Anthropic diversificam receitas

A OpenAI vem ampliando suas fontes de receita. Segundo a empresa, ela já possui mais de três milhões de clientes corporativos e também trabalha no desenvolvimento de hardware próprio para estabelecer uma relação direta com consumidores.

A Anthropic, por sua vez, registrou recentemente seu primeiro trimestre lucrativo e protocolou um pedido para abrir capital neste outono do hemisfério norte (setembro-dezembro).

Caso a oferta pública seja concretizada, a empresa poderá levantar recursos para conquistar novos clientes, desenvolver novas fontes de receita ou ampliar o aluguel de data centers.

Boom da IA desperta questionamentos

A análise conclui que o mercado de IA pode ser grande o suficiente para sustentar diversas empresas vencedoras e até permitir que OpenAI ou Anthropic se tornem futuras gigantes da tecnologia.

Entretanto, o texto cita uma avaliação do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo a qual o volume de investimentos em IA já supera qualquer ciclo de expansão econômica ocorrido em tempos de paz, incluindo a construção das ferrovias e a bolha das empresas de internet no fim dos anos 1990.

Diante desse cenário, cresce o número de críticos que questionam se as empresas conseguirão justificar os investimentos atuais — e os ainda maiores previstos para os próximos anos. Segundo a análise, sem uma vantagem competitiva sustentável, as companhias que hoje lideram o boom da IA podem enfrentar uma contração significativa no futuro.

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Google tem dificuldades para superar rivais com novo Gemini

O Google adiou o lançamento do Gemini 3.5 Pro, seu modelo de inteligência artificial mais avançado, enquanto tenta melhorar principalmente recursos de programação. O atraso aumentou a preocupação interna sobre a capacidade da empresa de acompanhar rivais como OpenAI e Anthropic.

Segundo a Bloomberg, funcionários e pesquisadores avaliam que a demora acontece em um momento em que novos modelos de IA avançam rapidamente e mudam a disputa entre as grandes empresas de tecnologia.

O Gemini 3.5 Flash recebeu avaliações positivas por velocidade, mas alguns clientes apontam limitações em tarefas mais complexas. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Novo Gemini passa por ajustes antes do lançamento

O Gemini 3.5 Pro deveria representar um salto importante para o Google, mas a empresa decidiu ampliar o período de desenvolvimento para aprimorar suas capacidades, principalmente na criação e análise de códigos.

Funcionários atuais e antigos ouvidos pela Bloomberg afirmam que a companhia enfrenta dificuldades para alinhar diferentes áreas envolvidas em inteligência artificial. Equipes do Google DeepMind, Google Cloud e outros departamentos trabalham em soluções próprias, o que pode tornar decisões e lançamentos mais lentos.

A empresa também precisa integrar a tecnologia a produtos amplamente usados, como busca, mapas e YouTube.

Em comunicado, um porta-voz do Google afirmou: “Estamos enviando rapidamente uma ampla variedade de modelos, mantendo-os altamente econômicos para os clientes”.

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O Google tenta integrar o Gemini a serviços como Busca, YouTube e Maps, processo que aumenta a complexidade do desenvolvimento. – Imagem: Carlos Alvarez/iStock

Programação vira uma das principais batalhas da IA

O desenvolvimento de ferramentas capazes de gerar código se tornou uma prioridade no setor. Dentro do Google, porém, a concentração de esforços ainda enfrenta obstáculos.

Entre os principais desafios estão:

  • Disputa interna por capacidade de processamento;
  • Ferramentas de IA criadas por equipes diferentes;
  • Receios anteriores sobre vazamento de códigos proprietários;
  • Equilíbrio entre velocidade, segurança e padrões internos.

O Google afirma que avançou no uso da tecnologia dentro da própria empresa. Segundo a companhia, 75% do código produzido atualmente é gerado com auxílio de IA, revisado por funcionários e aprovado antes de chegar aos produtos.

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O atraso do Gemini acontece em um momento de forte competição, com novos modelos sendo lançados por OpenAI e Anthropic. – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Google tenta recuperar ritmo diante dos concorrentes

Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, o Google acelerou seus esforços em inteligência artificial e declarou um “código vermelho” para reduzir barreiras internas e responder ao avanço da tecnologia.

Mesmo assim, funcionários dizem que a empresa ainda enfrenta disputas internas por recursos e prioridades. Pesquisadores apontam que o Gemini tem como diferencial o acesso aos dados da busca do Google, enquanto Anthropic e OpenAI ganharam destaque com modelos considerados mais fortes em determinadas tarefas.

A insatisfação com a posição da empresa também contribuiu para a saída de pesquisadores para outros laboratórios, segundo ex-funcionários.

Enquanto aguardam o Gemini 3.5 Pro, clientes tiveram avaliações diferentes sobre o Gemini 3.5 Flash. Rodrigo Davies, gerente de produto da Figma, afirmou que o modelo encontrou um equilíbrio entre velocidade e qualidade.

Já Freddy Vega, CEO e fundador da Platzi, disse que a ferramenta ainda apresenta limitações em algumas tarefas e que sua equipe passou a utilizar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic.

O desafio do Google agora não é apenas criar modelos mais avançados, mas transformar sua estrutura interna em uma vantagem competitiva em uma área onde velocidade e capacidade de adaptação se tornaram fatores decisivos.

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China lança ofensiva de IA aberta para enfrentar gigantes dos EUA

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), em Xangai, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a estratégia de Pequim para ampliar sua participação na corrida global pela inteligência artificial.

A proposta chinesa aposta em modelos abertos, cooperação internacional e maior participação de países em desenvolvimento nas decisões sobre o futuro da tecnologia.

A China quer ampliar a cooperação em IA com países do BRICS, ASEAN, América Latina e África. – Imagem: Techa Tungateja/iStock

Xi defende IA aberta como caminho para ampliar acesso

Em seu discurso, Xi afirmou que o mundo deve aproveitar a “oportunidade histórica” dos modelos de inteligência artificial de código aberto. Segundo a Reuters, o presidente chinês também alertou para o risco de novas desigualdades caso apenas algumas nações concentrem o acesso às ferramentas mais avançadas.

A ideia defendida por Pequim é que sistemas abertos possam ser utilizados e adaptados por diferentes países, empresas e pesquisadores. O movimento contrasta com a estratégia de grandes companhias americanas, como OpenAI e Anthropic, que trabalham principalmente com modelos proprietários.

A Reuters destacou que empresas chinesas como Moonshot AI, Z.ai e MiniMax vêm acelerando seus lançamentos e oferecendo soluções com custos menores. O avanço dessas companhias coloca em dúvida a antiga percepção de que a China estaria sempre atrás dos Estados Unidos no desenvolvimento de IA.

Entre as principais iniciativas defendidas pelo governo chinês estão:

  • ampliar treinamentos e cooperação internacional em IA;
  • criar centros voltados ao desenvolvimento da tecnologia;
  • participar da construção de padrões globais;
  • estabelecer mecanismos para reduzir riscos de sistemas autônomos.
Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
China e Estados Unidos travam uma disputa que envolve tecnologia, chips e as regras do futuro da inteligência artificial. – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

Disputa por IA envolve modelos, chips e influência

A competição entre Pequim e Washington não está apenas nos softwares. O Wall Street Journal explicou que os dois países seguem estratégias diferentes: empresas americanas investem em sistemas fechados, enquanto companhias chinesas têm apostado em modelos abertos.

O jornal também destacou que empresas como DeepSeek, Moonshot e Zhipu AI buscam avançar apesar das restrições dos Estados Unidos ao acesso chinês a chips de alta capacidade e equipamentos usados na fabricação de semicondutores.

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Nesse cenário, o lançamento do Kimi K3 pela Moonshot AI ganhou destaque. O modelo foi apresentado como uma evolução importante do ecossistema chinês e chamou atenção por suas capacidades avançadas.

Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial precisa continuar sob controle humano para reduzir riscos.
Xi Jinping afirmou que a inteligência artificial precisa continuar sob controle humano para reduzir riscos. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock

Pequim busca espaço nas regras globais da IA

Além de desenvolver tecnologia, a China tenta influenciar as normas que vão orientar o uso da inteligência artificial. Xi anunciou ações de cooperação com países do BRICS, ASEAN, América Latina e África, além da criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO), que reúne 29 países.

A mensagem de Xi é clara: a China não seguirá ninguém, tanto em tecnologia de IA quanto em padrões.

George Chen, da The Asia Group, à Reuters

Xi também defendeu que sistemas inteligentes permaneçam sob controle humano e pediu mecanismos internacionais para lidar com possíveis riscos.

Para Kai-Fu Lee, empresário e investidor citado pelo Wall Street Journal, a abertura pode atrair países preocupados com a concentração tecnológica. “AI development should not be a solo performance by a single country, but a symphony of global collaboration”, afirmou.

A disputa pela liderança da IA agora envolve não apenas quem cria os sistemas mais avançados, mas também quem consegue definir as regras para seu uso em escala mundial.

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