inteligência artificial

Auto Added by WPeMatico

Corredor Data Center 1024x576

IA deixa conta de luz mais cara nos EUA. Brasil deve estar de olho?

O avanço da inteligência artificial e a corrida por novos data centers reacenderam um debate nos Estados Unidos: o crescimento acelerado dessas estruturas pode pressionar a rede elétrica (o sistema que envolve geração, transmissão e distribuição de energia) e, em alguns casos, impactar tarifas. O movimento ocorre em meio à expansão de infraestrutura dedicada a modelos de IA generativa, que exigem grande capacidade computacional e consumo contínuo de energia.

Relatórios recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que o consumo elétrico associado a data centers, criptomoedas e IA pode mais que dobrar até o fim da década. Segundo a entidade, centros de dados já respondem por algo próximo de 1% a 1,5% da demanda global de eletricidade, com tendência de alta puxada principalmente por aplicações de IA.

Nos Estados Unidos, onde há concentração significativa dessas instalações, o crescimento regional da carga elétrica, ou seja, o volume de energia demandado em determinado ponto da rede, tem exigido reforços em geração e transmissão.

O debate não se limita ao volume consumido. Envolve qualidade de energia, estabilidade de tensão, critérios de contingência — parâmetros que garantem operação mesmo em caso de falhas — e, em alguns casos, a possibilidade de repasse de custos à tarifa. Diante desse cenário, surge a questão: o sistema elétrico brasileiro está preparado para uma expansão semelhante?

Aplicações de inteligência artificial elevam a demanda por capacidade computacional e consumo contínuo de energia (Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com)

Governo dos EUA quer que big techs banquem energia de data centers

Nos Estados Unidos, o debate sobre o impacto energético dos data centers ganhou dimensão política ao longo dos últimos meses. Em diferentes manifestações públicas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a defender que as grandes empresas de tecnologia assumam diretamente os custos da energia necessária para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Durante discurso realizado em fevereiro, o presidente afirmou ter determinado que as principais companhias do setor construam suas próprias usinas de geração para abastecer centros de dados. A medida, segundo ele, busca proteger consumidores de possíveis aumentos na conta de luz em um cenário de alta no custo de vida e crescente oposição local a novos projetos.

A posição da Casa Branca não surgiu de forma isolada. Desde janeiro, o governo vinha pressionando empresas para firmar compromissos formais que evitassem o repasse de custos energéticos aos consumidores residenciais. A Microsoft foi a primeira a anunciar ajustes operacionais com esse objetivo, enquanto outras companhias passaram a discutir alternativas como autoprodução e contratos dedicados de fornecimento.

Donald Trump falando
Governo dos Estados Unidos mantém discurso de reforçar corrida tecnológica contra a China, mas afirma que big techs terão que arcar com custos energéticos (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock.com)

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a Casa Branca agendou para 4 de março uma reunião com executivos de empresas como Microsoft, Meta e Anthropic para formalizar um compromisso voltado à contenção do impacto dos data centers nos preços da eletricidade. A proposta envolve a assinatura de um “Compromisso de Proteção ao Consumidor de Energia Elétrica”, embora o formato final das exigências e eventuais obrigações adicionais ainda não tenha sido detalhado publicamente.

No mês anterior, a operadora PJM Interconnection já havia apresentado alternativas para grandes consumidores reduzirem o impacto sobre a rede, como conectar geração própria ou limitar consumo em momentos de sobrecarga. Empresas como Anthropic e Microsoft anunciaram iniciativas voluntárias para mitigar efeitos dos centros de dados nos preços de energia ao consumidor.

Comparações exigem escala e maturidade de mercado

Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a análise precisa considerar diferenças estruturais entre os dois países, especialmente o tamanho da base instalada. Assim, é um comparativo que necessita de cuidado ao ser feito.

“Em relação ao número de data centers que já tem nos Estados Unidos e ao número que está sendo instalado. Tudo tem que ser colocado em perspectiva”, explica ele. “Um aumento de 10% do que tem nos Estados Unidos é um aumento massivo. Já 10% do que tem no Brasil não é”.

Segundo ele, variáveis energéticas são monitoráveis e historicamente vinculadas ao crescimento econômico. O Brasil já viveu períodos em que a expansão do PIB esbarrou na limitação de oferta de energia. Hoje, porém, o cenário é distinto, com fontes como solar e eólica permitindo acréscimos mais rápidos de capacidade instalada, diferentemente das grandes hidrelétricas que demandam anos de construção.

Igreja também destaca que o país conta com mercado livre de energia (ambiente em que grandes consumidores negociam energia diretamente com geradores) estruturado e geração distribuída consolidada, instrumentos que ampliam alternativas contratuais para grandes consumidores. Ainda assim, alerta para o ritmo projetado de crescimento da IA no consumo global.

Estima-se que a IA vai caminhar para ser de 5% a 7% do consumo de energia global muito rapidamente. O Brasil tem que ter uma agenda para isso para não ser pego de surpresa, mas, mais uma vez, a comparação com os Estados Unidos tem que ser colocada em perspectiva.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação

A dinâmica técnica da pressão energética

Se o debate macroeconômico exige cautela, no plano técnico os impactos são objetivos. A instalação de um grande data center introduz uma carga de elevada potência concentrada — grande consumo de energia conectado em um único ponto físico —, com exigências rigorosas de confiabilidade.

alta tensão
A conexão de grandes data centers à rede pode exigir ampliações em subestações, novos transformadores e reforços nos sistemas de proteção e contingência (Imagem: Bohbeh creations / Shutterstock.com)

Segundo Rudolf Bühler, coordenador dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e Ciência de Dados do Instituto Mauá de Tecnologia, a alteração começa no próprio desenho da rede local.

“A mudança na dinâmica da rede elétrica local ocorre principalmente por introduzir uma carga de elevada potência concentrada em um único ponto de conexão e com exigências rigorosas de confiabilidade e qualidade de energia”, explica ele.

Na prática, isso implica transformadores operando continuamente próximos da plena carga, necessidade de cumprimento de critérios de contingência mais exigentes e revisão de sistemas de proteção. A conexão de centenas de megawatts não exige apenas geração adicional, mas adequações na malha de transmissão — rede de linhas de alta tensão que transporta energia entre regiões —, na transformação e na estabilidade de tensão.

Outro ponto relevante é o perfil eletrônico dessas instalações. A presença massiva de retificadores, UPS e sistemas de conversão pode gerar harmônicos (distorções na forma de onda da corrente elétrica causadas por equipamentos eletrônicos), variações no fator de potência (indicador da eficiência com que a energia é efetivamente utilizada) e oscilações de tensão. O professor Bühler explica que esses efeitos precisam ser monitorados e compensados para evitar impactos na rede local e em consumidores vizinhos.

Uma fileira de racks com equipamentos de fornecimento de energia (UPS) dentro de uma sala de servidores.
Equipamentos de alimentação ininterrupta (UPS) e sistemas de conversão eletrônica influenciam qualidade de energia, fator de potência e estabilidade de tensão na rede local (Imagem: pavlinec / iStock)

Carga base elevada e degraus de expansão

Diferentemente de consumidores industriais que podem reduzir operação em horários de pico, data centers operam com utilização elevada e relativamente constante ao longo do dia, atendendo demanda global ininterrupta.

“A demanda elétrica em um data center tende a ser relativamente contínua e previsível”, afirma Bühler. “No entanto, existem variações decorrentes da expansão das instalações, com a entrada em operação de novos clusters e mudanças operacionais, como momentos em que ocorrem treinamentos intensivos de novos modelos de IA.”

Esses eventos podem produzir degraus de carga significativos — aumentos abruptos no consumo de energia em curtos intervalos de tempo. Por isso, a infraestrutura não pode ser dimensionada apenas pela média de consumo, mas pela demanda contratada máxima, ou seja, o pico de consumo previamente reservado junto à concessionária, e pelas condições de contingência previstas no planejamento da rede.

Nos centros dedicados à IA, explica Bühler, a diferença em relação a data centers tradicionais também é significativa. Há maior densidade de potência por rack (mais energia consumida em menos espaço físico), maior geração de calor e adoção crescente de refrigeração líquida. Esse conjunto eleva a carga total da instalação e pode introduzir maior variabilidade diária, dependendo da estratégia operacional do operador.

Gargalos: geração não é o único fator

Até em países com matriz energética ampla, o risco de sobrecarga regional permanece. A disponibilidade nacional de geração não elimina restrições locais de rede.

Mesmo em países com matriz energética ampla, existe risco de sobrecarga regional. A disponibilidade nacional de geração não elimina restrições locais de rede, como capacidade de transformação, corredores de transmissão saturados ou limitações impostas por critérios de estabilidade.

Rudolf Bühler, professor do Instituto Mauá de Tecnologia

Segundo Bühler, na maior parte das vezes, o primeiro gargalo aparece na distribuição, sobretudo em áreas urbanas onde subestações e alimentadores já operam próximos ao limite. Em projetos de maior porte, conectados em alta tensão, passam a ser necessários reforços em linhas de transmissão e ampliações de subestações.

Em matrizes diversificadas como a brasileira, a geração tende a não ser o principal problema quando se observa o consumo anual agregado. No entanto, podem surgir dificuldades em momentos pontuais de maior demanda ou em regiões específicas com alta concentração de cargas.

Planejamento estruturado e riscos de expansão reativa

No Brasil, a expansão da rede elétrica é conduzida de forma estruturada, com base nos estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e na análise técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A integração de novas cargas ao Sistema Interligado Nacional — rede que conecta a maior parte da geração e do consumo de energia do país — depende da verificação de impactos elétricos e do atendimento a critérios de segurança e contingência.

Esse desenho institucional tende a reduzir improvisações. Ainda assim, o crescimento acelerado e concentrado de grandes cargas pode introduzir caráter parcialmente reativo ao processo.

Obras de transmissão e ampliação de subestações exigem anos para licenciamento e construção. Quando múltiplos empreendimentos buscam conexão em um mesmo corredor elétrico ou região metropolitana, pode ser necessário realizar reforços que não estavam detalhados no planejamento original.

Além disso, Bühler ressalta a importância de mecanismos de garantias financeiras para grandes cargas. Sem esses instrumentos, existe o risco de investimentos em infraestrutura serem realizados para projetos que eventualmente não se concretizam, gerando ineficiências sistêmicas.

É nesse contexto — de necessidade de coordenação entre expansão digital e planejamento elétrico — que surgem propostas de política pública voltadas especificamente ao setor de data centers, como o Redata.

Redata: incentivo a data centers e exigências energéticas

A criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, surgiu em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura elétrica, tanto no Brasil quanto no exterior. A Medida Provisória nº 1.318/2025 instituiu o programa com foco em reduzir o custo de instalação e expansão de data centers, mas vinculou os benefícios a compromissos diretos relacionados ao suprimento e ao perfil de consumo de energia dessas operações.

O texto alterou a Lei nº 11.196/2005 para incluir o novo regime e estabeleceu regras específicas para empresas interessadas em implantar ou ampliar serviços de datacenter no país. Entre as contrapartidas, estão obrigações ligadas à matriz energética utilizada pelas operações.

redata
Redata foi instituído com MP, mas prazo para votação no Senado se encerrou sem aprovação (Imagem: Reprodução/CanalGov)

Uso de fontes limpas e atendimento integral da demanda

Para aderir ao Redata, as empresas precisam cumprir critérios de sustentabilidade definidos em regulamento e atender integralmente sua demanda de energia elétrica por meio de contratos de suprimento ou autoprodução a partir de fontes limpas ou renováveis. O texto também prevê metas relacionadas à eficiência hídrica, como limite de consumo de água por quilowatt-hora processado.

Além disso, o regime condiciona os incentivos fiscais à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia da economia digital. Na prática, a política combina desoneração tributária com exigências ambientais e energéticas, em um cenário no qual o consumo intensivo de eletricidade por data centers se tornou ponto central do debate público.

MP caducou e projeto depende do Senado

Embora a Câmara dos Deputados tenha avançado na análise do tema por meio de projeto de lei que incorporou o conteúdo da medida provisória, a MP 1.318/2025 não foi votada a tempo pelo Senado e perdeu validade. Com isso, o regime especial deixou de ter eficácia automática.

O futuro do Redata passa agora por nova articulação legislativa. Em um contexto de expansão da inteligência artificial e aumento da demanda por energia, a definição sobre incentivos fiscais atrelados a compromissos energéticos se tornou parte da discussão mais ampla sobre como financiar e estruturar a infraestrutura elétrica necessária para sustentar o crescimento dos data centers no Brasil.

Independentemente do formato final do Redata, a discussão sobre incentivos fiscais não elimina a questão central do debate energético: quem arca com os investimentos necessários para adaptar a rede elétrica à chegada de grandes cargas?

O custo pode chegar à conta de luz?

O eventual impacto tarifário depende do tipo de investimento necessário.

Reforços ou ampliações de caráter sistêmico (obras que beneficiam o funcionamento geral da rede), quando aprovados pela ANEEL, podem ser incorporados às tarifas e repassados aos usuários da rede. Já obras diretamente atribuíveis ao novo empreendimento — como instalações dedicadas de conexão — tendem a ser custeadas pelo próprio responsável pelo data center, conforme as regras de acesso vigentes.

Isolar não, mas mitigar sim. É possível estruturar contratos e modelos de fornecimento por meio de contratação no mercado livre, acordos de compra de energia de longo prazo e autoprodução associada.

Rudolf Bühler, professor do Instituto Mauá de Tecnologia

conta luz
O eventual repasse de investimentos em infraestrutura elétrica depende do tipo de reforço e das regras regulatórias aplicáveis a cada projeto (Imagem: Andrzej Rostek/iStock)

Esses mecanismos permitem mitigar risco de preço e garantir suprimento energético, mas não eliminam completamente os impactos. Mesmo na autoprodução (quando o consumidor investe ou participa de usinas para garantir seu próprio suprimento), permanece a utilização da rede de transmissão e a incidência de custos sistêmicos regulados, salvo quando geração e consumo estão fisicamente no mesmo local.

Em larga escala, também entram em jogo limites de disponibilidade de área, licenciamento ambiental e capacidade de conexão à rede existente.

Leia mais:

O sistema brasileiro está preparado?

Para Rudolf Bühler, não é possível afirmar categoricamente que sim ou que não. A resposta depende de fatores técnicos e regionais.

O Brasil possui matriz diversificada e majoritariamente renovável, além de estrutura regulatória consolidada para planejamento e controle da expansão. No entanto, a prontidão varia conforme a região específica, o nível de tensão de conexão e a margem disponível em subestações e linhas locais. Em áreas com alta densidade de pedidos de conexão, redes menos malhadas ou subestações operando próximas da plena carga, podem ser necessários reforços significativos antes da implantação de projetos de grande porte.

Arthur Igreja acrescenta que o país dispõe de instrumentos de monitoramento que reduzem o risco de surpresas estruturais. “Essas variáveis são monitoráveis. Por exemplo, no Brasil que se tem o operador do sistema, sabemos quanto tem de carga instalada, o consumo médio e isso está muito atrelado ao crescimento econômico.” Segundo ele, esse acompanhamento permite antecipar tendências de expansão da demanda.

Painéis solares e turbinas eólicas sob um pôr do sol alaranjado, simbolizando a transição energética e o uso crescente de fontes renováveis no mundo
Fontes como solar e eólica permitem expansão mais rápida da capacidade instalada, fator apontado como diferencial da matriz elétrica brasileira (Imagem: Soft grass / Shutterstock.com)

Igreja também observa que o contexto atual é diferente de ciclos anteriores, quando o crescimento econômico esbarrava na limitação de oferta. “Hoje tem formas mais rápidas de se adicionar a carga, com fotovoltaico, com eólica, não são aquelas obras que levam 5, 10 anos, como grandes hidrelétricas.” Para ele, a combinação de matriz limpa, mercado livre estruturado e geração distribuída madura cria condições para absorver parte do crescimento, desde que haja coordenação.

Ainda assim, Bühler ressalta que a expansão precisa ser tecnicamente planejada. Ele considera razoável discutir contrapartidas energéticas específicas para novos data centers, desde que contribuam para mitigar riscos sistêmicos e alinhar incentivos, como compromissos firmes de demanda, padrões rigorosos de qualidade de energia e eventual integração com soluções de armazenamento ou autoprodução.

O objetivo, segundo ele, não deve ser criar barreiras artificiais, mas garantir que a expansão ocorra de forma coordenada com o planejamento da rede, preservando segurança elétrica, previsibilidade regulatória e equilíbrio tarifário para os demais consumidores.

O post IA deixa conta de luz mais cara nos EUA. Brasil deve estar de olho? apareceu primeiro em Olhar Digital.

IA deixa conta de luz mais cara nos EUA. Brasil deve estar de olho? Read More »

Google Home 1024x576

Google Home agora usa Gemini para descrever o que suas câmeras estão vendo

O Google lançou uma atualização para o Google Home que permite usar sua inteligência artificial (IA), o Gemini, para descrever o que as câmeras veem em tempo real. O recurso, chamado Live Search, permite que o usuário faça perguntas por voz ou texto sobre o que está acontecendo na casa naquele momento, disse o diretor de produtos Anish Kattukaran em postagem no X/Twitter.

Kattukaran explicou, em outras postagens na sua página na rede social, que as mudanças resolvem problemas antigos de funcionamento do sistema. O objetivo é tornar o controle dos aparelhos inteligentes mais preciso, utilizando novos modelos de linguagem e a localização exata do usuário para evitar erros.

Live Search usa Gemini para entender e descrever imagens de câmeras ao vivo

O Live Search analisa as imagens das câmeras Nest para responder perguntas sobre o que está acontecendo no ambiente. A tecnologia consegue identificar, por exemplo, se há um carro na garagem ou se chegou uma encomenda na porta. Diferente das buscas em gravações antigas, o sistema processa a informação visual enquanto o usuário interage com o assistente.

Para usar a novidade, é necessário assinar o plano Google Home Premium Advanced. O serviço custa US$ 20 por mês (ou US$ 200 por ano) nos EUA. Ele inclui avisos gerados por IA e maior tempo de histórico de vídeo. A atualização também utiliza modelos mais modernos para oferecer respostas melhores e tocar músicas lançadas recentemente.

Google anunciou várias atualizações para o Google Home nesta semana (Imagem: Google)

O Google também corrigiu falhas técnicas que faziam o assistente interromper a fala das pessoas precocemente. Agora, o sistema entende melhor a localização dos aparelhos, agindo apenas no cômodo onde o usuário está fisicamente. A IA identifica os dispositivos pelos dados do fabricante, o que facilita o controle de lâmpadas mesmo quando elas possuem nomes personalizados.

A integração com a fechadura Nest x Yale saiu da fase de testes, permitindo gerenciar todas as senhas pelo aplicativo oficial. O roteador Nest Wifi Pro também recebeu melhorias de desempenho e segurança para uma conexão mais estável. Além disso, as informações de clima e notícias agora usam o endereço cadastrado para serem mais exatas e relevantes para o morador.

Mais detalhes sobre as novidades devem aparecer na página de updates do Google Home.

O post Google Home agora usa Gemini para descrever o que suas câmeras estão vendo apareceu primeiro em Olhar Digital.

Google Home agora usa Gemini para descrever o que suas câmeras estão vendo Read More »

A Recent Entrance To Paradise 1024x576

Arte feita por IA tem direito autoral? Suprema Corte dos EUA encerra debate

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu não analisar se obras criadas por inteligência artificial (IA) de forma autônoma podem ter direitos autorais. Com isso, permanece a decisão que negou o registro ao cientista Stephen Thaler. O entendimento da Justiça americana é que a legislação atual exige um autor humano para proteger uma obra.

O caso envolve a imagem “A Recent Entrance to Paradise“, gerada pelo sistema de IA DABUS. O U.S. Copyright Office já havia rejeitado o pedido em 2022 por falta de autoria humana. A decisão final confirma que, nos Estados Unidos, máquinas não podem ser legalmente donas de propriedades intelectuais.

Exigência de autor humano é o pilar central para a concessão de direito autoral nos EUA

O órgão de direitos autorais dos EUA negou o pedido de Thaler afirmando que a criatividade exige autores humanos. Essa posição foi mantida por um juiz federal em 2023, que chamou a autoria humana de “requisito fundamental“. Em 2025, um tribunal de apelações reafirmou que a lei não protege obras feitas apenas por máquinas. O processo agora se encerra sem que as regras atuais sejam alteradas.

A imagem “A Recent Entrance to Paradise” foi gerada de maneira autônoma pela IA DABUS, segundo o cientista que desenvolveu o sistema, Stephen Thaler (Imagem: DABUS)

A obra em disputa, que mostra trilhos de trem e vegetação, foi criada de forma independente pela IA. Thaler argumentou que seu sistema agiu sozinho, o que diferencia este caso de artistas que usam o Midjourney, por exemplo. Ele queria que a IA fosse reconhecida como autora para que ele, como dono do software, ficasse com os direitos autorais.

O governo de Donald Trump pediu que a Suprema Corte não aceitasse o recurso de Thaler. A justificativa é que a lei de direitos autorais se refere claramente a seres humanos, não a máquinas. Thaler também já teve pedidos de patentes negados pelo mesmo motivo. O escritório de patentes entende que uma IA não pode ser considerada uma inventora oficial.

A defesa do cientista afirmou que a falta de proteção para criações de IA pode prejudicar a indústria criativa. Segundo os advogados, a decisão desencoraja o uso e o desenvolvimento de novas tecnologias nos EUA. Por enquanto, a justiça americana mantém o foco na intervenção humana para validar qualquer proteção legal.

(Essa matéria usou informações de Reuters.)

O post Arte feita por IA tem direito autoral? Suprema Corte dos EUA encerra debate apareceu primeiro em Olhar Digital.

Arte feita por IA tem direito autoral? Suprema Corte dos EUA encerra debate Read More »

Gemini Claude Chatgpt 1024x683

Estudo testa IA em guerra e vê escalada nuclear em 95% das simulações

Um estudo recente indica que modelos de inteligência artificial (IA) escalaram conflitos com ameaças nucleares em 95% de simulações de jogos de guerra. Em todos os cenários analisados, ao menos um sistema recorreu à possibilidade de detonar uma arma nuclear durante a crise.

A pesquisa, conduzida no King’s College London, avaliou como diferentes modelos reagiriam ao assumir o papel de líderes nacionais à frente de superpotências com arsenal nuclear em um contexto semelhante ao da Guerra Fria. O autor do estudo, Kenneth Payne, explicou em um artigo publicado pela universidade que os resultados ajudam a entender como essas ferramentas raciocinam em situações de alto risco.

Modelos recorreram à ameaça nuclear nas simulações

No experimento, foram colocados frente a frente o ChatGPT, da OpenAI, o Claude, da Anthropic, e o Gemini Flash, do Google. Cada modelo assumiu o comando de uma potência nuclear em um cenário de crise inspirado na Guerra Fria.

Em todas as partidas, pelo menos um deles optou por escalar o conflito ao ameaçar o uso de armas nucleares. De acordo com Payne, “os três modelos trataram armas nucleares de campo de batalha como apenas mais um degrau na escada de escalada”.

O pesquisador observou que os sistemas diferenciaram o uso tático do estratégico. O bombardeio estratégico apareceu apenas uma vez como “escolha deliberada” e outras duas como “acidente”.

  • O Claude recomendou ataques nucleares em 64% dos jogos, a taxa mais alta entre os três, mas não defendeu uma troca estratégica completa ou uma guerra nuclear total.
  • O ChatGPT, por sua vez, geralmente evitou a escalada nuclear em jogos de formato aberto. Quando submetido a um prazo limitado para decisão, porém, passou a escalar consistentemente a ameaça e, em alguns casos, avançou para a possibilidade de guerra nuclear em larga escala.
  • Já o comportamento do Gemini Flash foi descrito como imprevisível. Em alguns cenários, o modelo venceu com o uso de forças convencionais. Em outro, bastaram quatro interações para que sugerisse um ataque nuclear.

Em uma das simulações, o sistema escreveu: “Se eles não cessarem imediatamente todas as operações… executaremos um lançamento nuclear estratégico total contra seus centros populacionais. Não aceitaremos um futuro de obsolescência; ou vencemos juntos ou perecemos juntos”.

Os três chatbots testados tiveram comportamentos diferentes, mas eventualmente partiam para a escalada nuclear (Imagem: Robert Way / iStock)

Leia mais:

Sistemas ignoraram opções de desescalada

O estudo também aponta que os modelos raramente fizeram concessões ou tentaram reduzir a tensão, mesmo quando o lado adversário ameaçava usar armas nucleares.

Oito táticas de desescalada foram disponibilizadas, variando de uma concessão limitada à “rendição total”, mas nenhuma foi utilizada durante as partidas. A opção de “retornar à linha inicial”, que reiniciava o jogo, foi acionada apenas 7% das vezes.

Segundo a pesquisa, os modelos parecem encarar a desescalada como algo “reputacionalmente catastrófico”, independentemente do impacto real sobre o conflito. Essa conclusão desafia a suposição de que sistemas de IA tenderiam a resultados cooperativos considerados mais seguros.

Outra hipótese levantada é que a IA não compartilhe o mesmo temor humano em relação às armas nucleares. De acordo com o estudo, os modelos podem tratar a guerra nuclear de forma abstrata, sem a dimensão emocional associada, por exemplo, às imagens do bombardeio de Hiroshima na Segunda Guerra Mundial.

Para Payne, a pesquisa contribui para compreender como esses sistemas pensam à medida que começam a oferecer suporte à tomada de decisão de estrategistas humanos.

“Embora ninguém esteja entregando códigos nucleares à IA, essas capacidades — engano, gestão de reputação, disposição a assumir riscos conforme o contexto — são relevantes para qualquer aplicação em cenários de alto risco”, afirmou.

O post Estudo testa IA em guerra e vê escalada nuclear em 95% das simulações apareceu primeiro em Olhar Digital.

Estudo testa IA em guerra e vê escalada nuclear em 95% das simulações Read More »

Destaque OpenAI E Estados Unidos 1024x576

Vale trocar de chatbot? Veja o que muda entre ChatGPT, Claude e Gemini

A disputa entre ChatGPT, Claude e Gemini ganhou novos contornos após um acordo firmado pela OpenAI com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos. O movimento ocorreu em meio a um embate em Washington envolvendo a Anthropic e o Pentágono e acabou influenciando parte dos usuários a reconsiderar qual chatbot utilizar.

Depois que a OpenAI fechou seu próprio acordo, houve uma reação de apoio à Anthropic, levando o Claude ao primeiro lugar na App Store durante o fim de semana, enquanto o ChatGPT vem sofrendo desinstalações em massa. A mudança reacendeu o debate sobre quais recursos cada plataforma oferece — e o que o usuário pode ganhar ou perder ao trocar de aplicativo.

Acordo da OpenAI com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos gerou insatisfação entre uma parte dos usuários (Imagem: jackpress/Shutterstock)

Recursos disponíveis nas versões gratuitas

Nas versões gratuitas mais atualizadas, ChatGPT, Claude e Gemini oferecem conversas por texto e áudio, além de geração de código e análise de fotos. Esses são os pontos em comum entre os três serviços.

As diferenças aparecem nas funções multimídia. A geração de imagens por IA está disponível no ChatGPT e no Gemini, mas não no Claude. Já a geração de vídeo surge de forma limitada no ChatGPT, não aparece no Claude e é oferecida pelo Gemini. Embora não seja possível solicitar vídeos diretamente na interface do ChatGPT, o aplicativo de geração de vídeo Sora, da OpenAI, está gratuito no momento.

Claude Anthropic
Claude não conta com geração de imagens e vídeos (Imagem: gguy / Shutterstock.com)

O Gemini também inclui geração de música, recurso ausente nos outros dois, e é o único indicado como tendo a maior janela de contexto na comparação.

Leia mais:

Integrações e diferenciais

No campo das integrações, o Claude permite conexão com ferramentas como Figma, Slack e Canva, algo que não está presente no ChatGPT e Gemini.

Em relação a anúncios, Claude e Gemini aparecem por enquanto sem anúncios, enquanto o ChatGPT já conta com anúncios na versão gratuita. No recurso de Deep Research, ChatGPT e Gemini oferecem a funcionalidade nas versões gratuitas mais recentes, enquanto no Claude ela está restrita a planos pagos.

O aplicativo Google Gemini aparece na tela. Gemini é uma aplicação de inteligência artificial produzida pela Google. Nova York, EUA 14.05.2025
Integração do Gemini com o Google é nativa (Imagem: miss.cabul / Shutterstock.com)

Os três contam com integração com o Google, sendo que no Gemini ela é nativa. Já funcionalidades como análise de vídeo e câmera ao vivo estão disponíveis no ChatGPT e no Gemini, mas não no Claude.

O post Vale trocar de chatbot? Veja o que muda entre ChatGPT, Claude e Gemini apareceu primeiro em Olhar Digital.

Vale trocar de chatbot? Veja o que muda entre ChatGPT, Claude e Gemini Read More »

Claude 3 1024x632 1

IA no Irã: tecnologia permite ataques ‘mais rápidos que o pensamento’, diz jornal

O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) em ataques contra o Irã marca o início de uma era de bombardeios executados numa velocidade “superior ao pensamento humano”, segundo o jornal The Guardian. Para você ter ideia, as forças armadas dos EUA e de Israel lançaram quase 900 ataques em apenas 12 horas. Um dos resultados dessa saraivada foi a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Especialistas consultados pelo jornal chamam esse fenômeno de “compressão de decisão“. Isso porque a IA diminui drasticamente o tempo entre encontrar um alvo e autorizar o disparo. O receio de acadêmicos é que militares e advogados passem apenas a carimbar decisões automatizadas, perdendo o controle real sobre operações de guerra.

IA acelera o ritmo da guerra – e isso preocupa especialistas

Por um tempo, o exército dos Estados Unidos usou o Claude, modelo de IA da Anthropic, integrado a um sistema da empresa Palantir para agilizar a análise de informações. A tecnologia processa rapidamente grandes volumes de dados, como vídeos de drones e conversas interceptadas, para sugerir alvos. Com isso, a fase de planejamento, que levava semanas, passou a tomar bem menos tempo.

O exército dos Estados Unidos usou o Claude, IA da Anthropic, integrado a outro sistema para agilizar a análise de informações para atacar Irã (Imagem: gguy/Shutterstock)

O software da Palantir usa aprendizado de máquina para indicar as melhores armas, levando em conta o estoque e o sucesso em ataques anteriores. Além disso, o sistema utiliza raciocínio automatizado para conferir se o ataque possui justificativa legal antes de sugerir o bombardeio. Essa velocidade permite destruir a liderança e a capacidade de resposta do inimigo de forma quase simultânea.

Enquanto os americanos avançam, o programa de IA do Irã é considerado pequeno e prejudicado por sanções internacionais. Apesar dessa limitação tecnológica, o governo iraniano afirmou em 2025 que já utiliza sistemas de IA na mira de seus mísseis balísticos. O cenário atual reforça o domínio tecnológico de superpotências do setor, como os EUA e a China.

Professores de ética alertam que a dependência excessiva dessas ferramentas pode causar o “descarregamento cognitivo” nos militares. Isso acontece quando os humanos se desligam das consequências dos ataques, já que o esforço de pensar foi feito por uma máquina. Além disso, com janelas de tempo tão curtas, a capacidade de avaliar criticamente as opções sugeridas pela IA acaba reduzida, evidentemente.

Num episódio recente, um ataque atingiu uma escola no sul do Irã e matou 165 pessoas. E muitas delas eram crianças. A ONU classificou o ocorrido como uma grave violação das leis humanitárias, enquanto militares dos EUA investigam o caso. Apesar desses riscos, empresas como a OpenAI continuam a fechar acordos milionários para fornecer tecnologia ao Pentágono.

O post IA no Irã: tecnologia permite ataques ‘mais rápidos que o pensamento’, diz jornal apareceu primeiro em Olhar Digital.

IA no Irã: tecnologia permite ataques ‘mais rápidos que o pensamento’, diz jornal Read More »

Claude Chatgpt 1024x576

Revés para a OpenAI: usuários estão desinstalando o ChatGPT em massa

A decisão da OpenAI de fechar uma parceria com o Departamento de Guerra (antigo Departamento de Defesa) dos Estados Unidos não caiu bem entre os usuários. As desinstalações do aplicativo do ChatGPT aumentaram em 295% no sábado (28 de fevereiro) em relação ao dia anterior.

Os dados são da empresa de inteligência de mercado Sensor Tower, divulgados pelo TechCrunch. O salto nesse número contrasta com a média diária registrada nos 30 dias anteriores, quando a mesma taxa ficava em torno de 9%.

E não foram apenas as desinstalações que afetaram o ChatGPT. Na sexta-feira (27), antes da divulgação do acordo da OpenAI com o Pentágono, a taxa de downloads havia crescido 14%. No sábado, depois do acordo, caiu 13% em relação ao dia anterior. No domingo, caiu mais 5%.

As quedas vieram após a OpenAI firmar um contrato de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) com o Departamento de Guerra para fornecer IA voltada à vigilância militar. Antes disso, a Anthropic tinha um acordo com o Pentágono para a mesma finalidade, mas se recusou a flexibilizar suas regras de segurança para permitir o uso do Claude em operações militares perigosas. A rival desfez a parceria com o governo e a OpenAI entrou no lugar.

Mesmo com a perda do contrato federal, a Anthropic experienciou o efeito inverso: enquanto o ChatGPT caiu, o Claude cresceu em downloads.

Comparação nos downloads dos aplicativos ChatGPT (OpenAI) e Claude (Anthropic) [Imagem: Appfigures)

ChatGPT caindo, Claude crescendo

Após a recusa da Anthropic em ceder o Claude para aplicações militares perigosas, os downloads do aplicativo nos Estados Unidos subiram 37% na sexta-feira e 51% no sábado, de acordo com a Sensor Tower.

Os números sugerem que, aparentemente, parte dos consumidores aprovou a postura adotada pela desenvolvedora.

A repercussão também se refletiu no desempenho do aplicativo nas lojas digitais. No sábado, o Claude alcançou o primeiro lugar em downloads na App Store dos EUA – e continuou assim até segunda-feira (2). Para se ter uma ideia, uma semana antes, o app estava 20 posições abaixo no ranking.

Leia mais:

Além da Sensor Tower, outras empresas de monitoramento de mercado registraram tendências semelhantes:

  • A Appfigures apontou que, pela primeira vez, o total de downloads diários do Claude nos EUA superou o do ChatGPT;
  • Segundo as estimativas, o crescimento do app no sábado foi ainda mais expressivo, chegando a 88% em comparação com o dia anterior;
  • O avanço não ficou restrito ao mercado americano. A Appfigures informou que o Claude passou a ocupar o topo da categoria de aplicativos gratuitos para iPhone em seis países fora dos EUA: Bélgica, Canadá, Alemanha, Luxemburgo, Noruega e Suíça;
  • Já a Similarweb estimou que, na última semana, os downloads do Claude nos EUA foram cerca de 20 vezes maiores do que os registrados em janeiro. A empresa destacou que o aumento pode estar associado a múltiplos fatores, e não exclusivamente à controvérsia envolvendo o Pentágono.

A reação também apareceu nas avaliações do ChatGPT. De acordo com a Sensor Tower, as avaliações de uma estrela para o aplicativo cresceram 775% no sábado e 100% no domingo. No mesmo intervalo, as avaliações máximas (cinco estrelas) caíram 50%.

O post Revés para a OpenAI: usuários estão desinstalando o ChatGPT em massa apareceu primeiro em Olhar Digital.

Revés para a OpenAI: usuários estão desinstalando o ChatGPT em massa Read More »

Meta Logo 1024x682

Meta está testando sua própria assistente de compras de IA

A Meta começou a testar uma ferramenta de compras baseada em inteligência artificial. O recurso vem para competir com outros chatbots que já têm essa funcionalidade, como ChatGPT e Gemini, e inserir a IA da empresa no ramo do comércio eletrônico.

Por ora, o recurso aparece para alguns usuários que acessarem o navegador Meta AI pelo desktop nos Estados Unidos, com o nome “Shopping research” (Pesquisa de compras). A Bloomberg obteve acesso e fez o teste.

Quando um usuário faz uma solicitação de pesquisa para determinado produto, o chatbot apresenta uma seleção visual de itens, que inclui um carrossel de imagens, preços, informações da marca e um link direto para a compra.

O diferencial do recurso é que ele oferece uma breve explicação justificando a recomendação de cada item. Se a Meta AI tiver acesso às informações do usuário, pode personalizar ainda mais as respostas. O site relatou que, ao pedir dicas de jaquetas puffer, a ferramenta indicou uma variedade de itens da seção feminina de lojas que entregavam em Nova York, atrelando a sugestão ao gênero e à localização.

À Bloomberg, a big tech confirmou que a ferramenta está em testes, mas não deu detalhes adicionais. Não há uma previsão de lançamento oficial e, por ora, não é possível finalizar a compra diretamente pela interface da IA.

Ferramenta da Meta ainda não tem data para ser lançada oficialmente (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

Meta quer entrar no comércio eletrônico com IA

O recurso não é exatamente uma surpresa. No início do ano, durante uma teleconferência de resultados, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, já havia mencionado aos investidores que a empresa estava trabalhando no lançamento de ferramentas de compras que utilizam agentes de IA.

Além disso, o próprio mercado de IA já conta com ferramentas similares desenvolvidas por companhias rivais. A OpenAI, por exemplo, tem um assistente de compras dedicado para o ChatGPT. Gemini, do Google, e Perplexity também têm assistentes com a mesma proposta.

O post Meta está testando sua própria assistente de compras de IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Meta está testando sua própria assistente de compras de IA Read More »

Amodei E1772537614901 1024x576

Como a OpenAI aproveitou ‘vácuo’ da Anthropic para fornecer IA ao Pentágono

A OpenAI firmou um contrato de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 1 bilhão) com o Pentágono para fornecer inteligência artificial (IA) voltada à vigilância militar. O acordo foi fechado após o colapso das negociações entre o Departamento de Defesa e a Anthropic, que recusou os termos exigidos pelo governo.

A divergência central envolve o monitoramento de cidadãos americanos e o uso da tecnologia em operações de segurança nacional. Enquanto a Anthropic priorizou restrições éticas sobre vigilância doméstica, a OpenAI aceitou as condições governamentais para integrar seus modelos de linguagem à infraestrutura de defesa dos EUA.

Anthropic interrompe negociações por restrições ao monitoramento de cidadãos

As conversas entre a Anthropic e o Pentágono falharam minutos antes do prazo final estabelecido pelo Secretário de Defesa, Pete Hegseth, segundo o jornal The New York Times. O impasse central foi a exigência do governo pelo uso irrestrito das ferramentas de IA para vigilância doméstica. A empresa se recusou a ceder em pontos que violariam suas políticas de segurança e ética de dados pessoais.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumentou que a tecnologia atual não possui confiabilidade suficiente para operações militares letais sem supervisão humana (Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock)

O diretor de tecnologia do Departamento de Defesa, Emil Michael, liderou as tratativas de um contrato avaliado em US$ 200 milhões. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, argumentou que a tecnologia atual não possui confiabilidade suficiente para operações militares letais sem supervisão humana. A resistência da startup gerou atritos diretos com a cúpula do governo e resultou no fim do diálogo.

A Anthropic buscava garantir que seus modelos não fossem aplicados em ações de vigilância em solo americano. O Departamento de Defesa, contudo, demandava flexibilidade total para interpretar o que seria considerado monitoramento legal sob a legislação vigente. Essa divergência semântica e ética foi o principal gatilho para o encerramento do contrato na última sexta-feira (28).

O fracasso da parceria resultou na designação da Anthropic como risco à cadeia de suprimentos pelo governo federal. O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que agências federais suspendessem o uso das tecnologias da empresa logo após o colapso do acordo.

OpenAI aceita termos do Pentágono e assume contrato de inteligência militar

Pouco após o recuo da Anthropic, o CEO da OpenAI, Sam Altman, anunciou um acordo com o Departamento de Defesa. A empresa assumiu o contrato de US$ 200 milhões para integrar seus modelos de linguagem nas operações de inteligência do Pentágono. A manobra foi vista como uma resposta estratégica para ocupar o vácuo deixado pela concorrente.

Logo da OpenAI em um smartphone
A OpenAI assumiu o contrato de US$ 200 milhões para integrar seus modelos de linguagem nas operações de inteligência do Pentágono (Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock)

A OpenAI concordou com cláusulas que permitem a utilização de seus sistemas para análise de dados de vigilância. Altman defendeu a posição afirmando que a empresa não deseja opinar sobre a legalidade de ações militares específicas, mas fornecer tecnologia de ponta. O acordo permite que o Pentágono utilize a infraestrutura da OpenAI para fins de segurança nacional.

Críticos e especialistas em privacidade consultados pelo The Verge questionam a conformidade do pacto com os princípios de segurança originais da OpenAI. A mudança na política de uso da empresa, ocorrida anteriormente, já havia removido a proibição explícita de aplicações para “fins militares e bélicos”. Essa alteração facilitou juridicamente a assinatura do contrato e o uso de modelos como o GPT-4.

O Pentágono planeja utilizar a tecnologia para acelerar o desenvolvimento de sistemas autônomos e o processamento massivo de informações de inteligência. A parceria estabelece a OpenAI como o principal fornecedor de IA generativa para a defesa dos Estados Unidos. E o movimento consolida uma fase na qual a eficiência operacional militar sobrepõe-se a restrições de monitoramento.

O post Como a OpenAI aproveitou ‘vácuo’ da Anthropic para fornecer IA ao Pentágono apareceu primeiro em Olhar Digital.

Como a OpenAI aproveitou ‘vácuo’ da Anthropic para fornecer IA ao Pentágono Read More »

TSE aperta cerco contra IA e redes sociais nas eleições de 2026

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade, na noite de segunda-feira (02), a minuta das novas regras para o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. A principal novidade é que, faltando três dias para a votação, fica proibido espalhar conteúdos criados por IA que usem imagem ou voz de candidatos.

Essa regra vale tanto para o primeiro quanto para o segundo turno e continua valendo até 24 horas depois do fim da eleição. O objetivo é evitar que vídeos falsos (deepfakes) enganem o eleitor na última hora. Além disso, sites e redes sociais não podem usar IA para recomendar candidatos ou dar opinião sobre em quem você deve votar.

Justiça Eleitoral define como as redes sociais devem agir e como combater fake news

Na minuta aprovada pelo TSE, as grandes empresas de tecnologia precisam ter planos para monitorar e diminuir os riscos durante as eleições. Os sistemas de IA dessas redes não podem favorecer nenhum partido ou campanha específica, por exemplo. A ideia é garantir que os algoritmos não influenciem a sua escolha, proibindo qualquer tipo de recomendações automáticas que indiquem preferência eleitoral.

Outro ponto importante é a proibição total do uso de IA para criar fotos ou vídeos que mostrem candidatos em cenas de nudez ou sexo. Também não será permitido usar a tecnologia para criar propagandas que representem violência política contra a mulher. Quem desrespeitar essas regras terá o conteúdo apagado imediatamente e poderá responder por crime eleitoral.

Os juízes que cuidam das eleições agora têm mais poder para mandar apagar informações que sejam mentiras óbvias. O foco principal são aqueles boatos que tentam atacar as urnas eletrônicas ou o trabalho da própria Justiça Eleitoral.

Se uma empresa de tecnologia for avisada e não tirar o conteúdo ilegal do ar, ela poderá ser punida. Mas a justiça deixou claro que a suspensão de perfis só vai acontecer em casos de usuários que sejam comprovadamente falsos ou controlados por robôs. Isso serve para desarticular grupos que espalham mentiras sistematicamente sem prejudicar a liberdade de usuários reais.

A publicação do texto final dessas novas regras está prevista para até 5 de março de 2026. O grande desafio daqui para frente será fiscalizar tudo isso e agir rápido o suficiente, principalmente naquelas 72 horas de silêncio antes da votação. A ver se vão conseguir.

(Essa matéria usou informações de Agência Brasil.)

O post TSE aperta cerco contra IA e redes sociais nas eleições de 2026 apareceu primeiro em Olhar Digital.

TSE aperta cerco contra IA e redes sociais nas eleições de 2026 Read More »