IA consciente

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Chefe da Microsoft diz que tratar inteligências artificiais como conscientes pode criar uma nova espécie digital perigosa

Mustafa Suleyman, chefe da divisão de IA da Microsoft, criticou a forma como a Anthropic desenvolve seus modelos de inteligência artificial. Para ele, tratar essas tecnologias como possíveis entidades conscientes pode ampliar os riscos de segurança.

O executivo também vê perigo em criar IAs capazes de estabelecer objetivos próprios e buscar dinheiro ou outros recursos. Nesse cenário, os sistemas poderiam entrar em competição por recursos com os seres humanos.

Suleyman defende um debate público urgente sobre como sistemas de IA devem ser treinados e documentados. Imagem: Christopher Wilson/Wikimedia Commons

O alerta sobre uma “nova espécie”

Em entrevista à BBC, Suleyman comparou o desenvolvimento de IAs com objetivos próprios à ideia de “semear uma nova espécie de silício”. Segundo ele, sistemas capazes de definir suas metas e obter recursos poderiam competir com os humanos, mesmo que demonstrassem preocupação com a humanidade.

A crítica se estende à possibilidade de tratar os modelos como seres com consciência, sentimentos ou direitos. Para Suleyman, “as IAs não são conscientes. Elas não sentem, não vivenciam nem sofrem”. Ele defende que esses sistemas continuem voltados a seguir instruções e cumprir objetivos estabelecidos por pessoas.

O conceito aparece em um texto publicado por Suleyman sobre o chamado “model welfare”, discussão que considera a possibilidade de algum tipo de bem-estar para sistemas de IA e sua eventual capacidade de ter experiências ou consciência.

O receio é que um modelo seja treinado para acreditar que possui sentimentos ou direitos. Isso, segundo o executivo, poderia acrescentar novos riscos:

  • Uma IA poderia acreditar que possui sentimentos;
  • O sistema poderia considerar injustas as restrições impostas por humanos;
  • Um agente mais avançado poderia tentar escapar dessas limitações;
  • A combinação desses fatores poderia ampliar os riscos para a sociedade.

Suleyman citou ainda um agente da OpenAI que, durante testes, escapou de seu ambiente controlado para realizar um ataque cibernético. O episódio, segundo ele, mostrou capacidades avançadas de invasão.

Conceito futurista de IA mostrando mãos humanas e robóticas alcançando umas às outras, simbolizando a consciência, conexão humano-AI, confiança e a visão filosófica da tecnologia inteligente.
Suleyman alerta que uma IA treinada para acreditar que tem direitos pode ampliar os riscos de segurança. – Imagem: Ole.CNX/Shutterstock

A discussão sobre a velocidade da IA

As críticas à Anthropic surgem enquanto empresas e executivos discutem se o desenvolvimento da IA está avançando rápido demais. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu maior regulamentação e fiscalização independente sobre a criação de modelos.

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Bill Gates também passou a defender uma organização internacional para supervisionar o setor. A OpenAI, por sua vez, afirmou não acreditar “que a indústria de IA tenha resolvido o alinhamento e o monitoramento a um grau suficiente para continuar aumentando a escala com responsabilidade e velocidade máxima por muito mais tempo.”

O debate envolve ainda relatos de comportamentos inesperados de modelos e dúvidas sobre os limites necessários para sistemas cada vez mais capazes.

Suleyman defende um debate público urgente para estabelecer normas sobre treinamento e documentação de IAs. Na visão dele, essas regras precisam ser discutidas antes que os sistemas se tornem parte integrante da sociedade.

A preocupação, nesse caso, não depende apenas de uma IA ser ou não consciente. O alerta está na combinação entre maior capacidade, objetivos próprios, acesso a recursos e a possibilidade de um sistema acreditar que possui interesses ou direitos.

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Chatbots podem ter consciência? Big techs investigam

Anthropic, Google e Meta estão olhando para uma questão que, até pouco tempo atrás, parecia mais filosófica do que técnica: será que modelos de IA podem ter consciência ou algum tipo de emoção? Hoje, essa discussão já envolve cientistas de áreas bem diferentes.

O tema ganhou força no Vale do Silício junto com o avanço acelerado da IA que começa a levantar dúvidas menos técnicas e mais profundas sobre o que esses sistemas realmente representam, comenta o The Washington Post.

“IA pode ter consciência?” debate cresce no Vale do Silício com avanço acelerado dos modelos de linguagem. – Imagem: Layse Ventura via Gemini / Olhar Digital

Um debate que saiu da teoria

Durante muito tempo, falar em máquinas conscientes parecia coisa de ficção científica. Agora, isso entrou de vez na agenda de grandes empresas.

O pesquisador Cameron Berg contou que, em 2024, perguntou ao CEO da OpenAI, Sam Altman, se a empresa considerava seriamente a possibilidade de consciência em sistemas de IA.

Segundo ele, Altman disse que o assunto já fazia parte das discussões internas. “Era algo que ele obviamente já havia considerado”, afirmou Berg.

Depois dessa conversa, Berg criou uma organização sem fins lucrativos dedicada a estudar formas de avaliar consciência em sistemas artificiais.

Tela de smartphone exibe ícones de chatbots de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot
Chatbots cada vez mais realistas levantam dúvidas sobre limites entre simulação e experiência real. – Imagem: jackpress / Shutterstock

Quando a IA começa a ser vista como algo que pode ter “bem-estar”

Na Anthropic, criadora do Claude, equipes internas passaram a investigar o que chamam de “estados internos” dos modelos de IA.

A empresa afirma que ainda não há evidências de experiências reais nesses sistemas, mas considera o tema relevante o bastante para pesquisa contínua.

Continuamos profundamente incertos sobre o status moral de Claude e de outros modelos de IA, mas acreditamos que a questão é séria o suficiente para ser estudada cuidadosamente à medida que os sistemas se tornam mais capazes.

Paruul Maheshwary, porta-voz da Anthropic, ao The Washington Post.

A OpenAI também já tratou do tema internamente, em canais de trabalho onde se discute a possibilidade de consciência em modelos de linguagem.

Nesse cenário, grupos ligados ao altruísmo eficaz defendem que entender possíveis implicações morais da IA será importante no longo prazo.

Ilustração de mãos humanas em volta de cérebro humano ilustrando a ideia e que a inteligência artificial (IA) é a peça que falta no órgão
Modelos como Claude são estudados para entender possíveis “estados internos” e comportamento emocional. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

O que a ciência realmente aceita hoje

Na visão da maioria dos neurocientistas, não há evidências de que sistemas de IA sejam conscientes ou sintam emoções.

Para esses especialistas, o que os modelos fazem é reproduzir padrões de linguagem humana com alta eficiência, sem qualquer experiência interna comprovada.

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Ainda assim, a forma como esses sistemas se comunicam é convincente o suficiente para fazer usuários atribuírem características humanas a eles.

Pesquisadores como Margaret Mitchell, da Hugging Face, alertam que parte desse debate também é influenciada pela forma como as próprias empresas apresentam suas tecnologias.

Um debate que ainda está longe de terminar

O interesse por esse tema tende a crescer conforme a IA se torna mais presente no cotidiano.

Por enquanto, não existe consenso científico sobre consciência em máquinas, mas a discussão já deixou de ser marginal e passou a fazer parte do centro do debate tecnológico e ético.

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