A Meta lançou discretamente um novo aplicativo voltado à criação de jogos e experiências interativas por meio de inteligência artificial (IA). Chamado Pocket, o software permite que usuários gerem pequenos aplicativos e jogos utilizando comandos de texto (prompts) enviados à IA.
O aplicativo é resultado da aquisição, realizada pela Meta no início deste ano, da equipe responsável pela plataforma de jogos baseada em IA Gizmo. Na descrição oficial, o Pocket se apresenta como “uma plataforma criativa para criar e compartilhar gizmos”, nome dado às experiências interativas desenvolvidas pelos usuários.
Além das ferramentas de criação, o aplicativo oferece um feed com rolagem contínua, no qual é possível explorar e testar os “gizmos” produzidos por outras pessoas.
Aplicativo mantém semelhanças com o Gizmo
De acordo com capturas de tela disponíveis na Google Play, o Pocket apresenta diversas semelhanças com o aplicativo original do Gizmo, que continua listado nas lojas de aplicativos.
Assim como o Pocket, o Gizmo permite que usuários utilizem prompts de texto para criar pequenas experiências interativas com auxílio da IA e também conta com um feed voltado à descoberta de conteúdos produzidos pela comunidade.
O lançamento do Pocket foi identificado inicialmente por Alessandro Paluzzi, engenheiro especializado em engenharia reversa e conhecido por descobrir antecipadamente novos aplicativos e funcionalidades. Na manhã desta quinta-feira (2), ele publicou no X uma captura de tela da página do aplicativo na Play Store.
Segundo dados da empresa de inteligência de aplicativos Appfigures, entretanto, o Pocket foi disponibilizado pela primeira vez em 29 de junho de 2026, tanto na App Store, quanto na Google Play. Por ser um lançamento recente, a empresa informou que ainda não consegue determinar se o aplicativo já registrou downloads.
A Meta ainda não se manifestou sobre o aplicativo.
Gizmo é versão anterior do Pocket – Imagem: Reprodução/Meta
Estratégia amplia aposta da Meta em ferramentas de IA
O Pocket representa mais um passo da Meta na estratégia de popularizar ferramentas de criação baseadas em IA;
A empresa já havia lançado recursos para geração de imagens por meio do aplicativo Meta AI e criação de vídeos utilizando o aplicativo Vibes;
Além disso, incorporou funcionalidades de IA em suas plataformas de redes sociais e no aplicativo de edição de vídeos Edits, voltado para criadores de conteúdo;
Como a Meta ainda não anunciou oficialmente a chegada do Pocket, a expectativa é de que o aplicativo permaneça em uma fase inicial de experimentação.
Segundo a Appfigures, o Gizmo, plataforma que deu origem ao Pocket, acumulou 635 mil instalações ao longo de sua existência, considerando as versões para iOS e Google Play. A empresa também informou que o aplicativo registrou um índice de sentimento positivo de 98% entre seus usuários.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmou em uma reunião interna realizada nesta quinta-feira (2) que o desenvolvimento de agentes de inteligência artificial dentro da companhia tem avançado em velocidade inferior ao projetado. A informação foi revelada em caráter exclusivo pela agência de notícias Reuters.
Segundo o executivo, os resultados obtidos nos últimos quatro meses não acompanharam a aceleração esperada pela empresa. A avaliação foi feita em um contexto de revisão das apostas estratégicas da companhia na área de inteligência artificial.
Zuckerberg também mencionou que a reorganização interna da empresa, que incluiu cortes de postos de trabalho, não ocorreu de forma tão organizada quanto o planejado e que as iniciativas ligadas à nova estrutura ainda não produziram os resultados esperados.
Reorganização interna e apostas em IA ainda sem retorno claro
Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
Durante o encontro com funcionários, o dirigente da Meta avaliou que mudanças estruturais recentes ainda não se traduziram em ganhos concretos para os projetos prioritários da empresa. A reorganização foi acompanhada por ajustes no quadro de funcionários, parte de uma estratégia mais ampla de reorientação interna.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta – Imagem: FotoField/Shutterstock
De acordo com o conteúdo da reunião, a empresa vinha apostando em uma nova configuração organizacional para acelerar áreas-chave, especialmente ligadas à inteligência artificial. No entanto, o desempenho recente indica que esses movimentos ainda não alcançaram o efeito desejado.
A fala de Zuckerberg indica um momento de reavaliação interna sobre o ritmo de evolução das tecnologias de IA dentro da companhia, além da efetividade das mudanças administrativas implementadas nos últimos meses.
A Anthropic está em conversas com a Samsung para estudar o desenvolvimento de um chip de inteligência artificial próprio. A ideia ainda está no começo, mas já entra na disputa por infraestrutura no setor.
Não há definição sobre como esse chip seria usado — ou até se ele vai sair do papel.
Corrida por chips de IA acelera com empresas buscando reduzir dependência da Nvidia no setor. – Imagem: FOTOGRIN / Shutterstock
Chip próprio entra no radar da Anthropic
A informação foi divulgada pelo The Information, que aponta negociações iniciais entre Anthropic e Samsung para um chip voltado a IA. Ainda não existem detalhes técnicos definidos.
A empresa disse que segue uma estratégia mais ampla de infraestrutura, combinando diferentes fornecedores como Google, Amazon e Nvidia.
chips voltados a tarefas específicas de IA
redução gradual da dependência da Nvidia
ganho de eficiência em modelos complexos
resposta à demanda crescente por processamento
Corrida por chips acelera entre gigantes de IA
A Anthropic não está sozinha nesse movimento. Outras empresas também começam a olhar para hardware próprio como estratégia, comenta o TechCrunch.
A escassez de chips e o domínio da Nvidia continuam pressionando o mercado.
A OpenAI, por exemplo, fechou parceria com a Broadcom para desenvolver seu chip de inferência, chamado “Jalapeño”.
Samsung reforça papel no ecossistema de IA ao lado de Nvidia e Google na produção de semicondutores. – Imagem: Robert Way/Shutterstock
Samsung amplia presença no ecossistema de IA
A Samsung já é um nome consolidado na produção de chips e trabalha junto à Nvidia na fabricação de semicondutores avançados. Também colabora com o Google em projetos do setor.
A possível entrada da Anthropic reforça essa posição estratégica da empresa sul-coreana.
É mais um sinal de como o ecossistema de IA está se reorganizando em torno do hardware.
Infraestrutura vira ponto central da disputa
Amazon e Google já operam chips próprios dentro de suas plataformas de nuvem. Isso muda a dinâmica do mercado.
O foco deixa de ser apenas o modelo de IA e passa a incluir a base que sustenta esses sistemas.
E, aos poucos, o chip deixa de ser apenas infraestrutura — e vira vantagem competitiva.
E o foco é direto: identificar rapidamente onde o impacto foi maior, explica o Euronews.
“IA e imagens de satélite ajudam a priorizar regiões críticas”, mostram especialistas envolvidos na operação. – Imagem: ollegN/iStock
Corrida contra o tempo começa no espaço
Nos locais atingidos, cada minuto conta. Enquanto equipes ainda buscam sobreviventes entre os escombros, satélites e sistemas de IA analisam o cenário de cima.
A NASA entrou em ação com seu programa de resposta a desastres, em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon. A estratégia é comparar imagens de radar feitas antes e depois do terremoto.
O objetivo é detectar mudanças no solo e nas construções. Simples na teoria, complexo na prática.
Uma estimativa inicial aponta cerca de 59 mil estruturas possivelmente danificadas ou destruídas. O número ainda pode mudar.
Satélites europeus entram como base do sistema
Boa parte dessa análise depende do Copernicus, programa europeu de observação da Terra. Os satélites Sentinel-1, operados pela União Europeia e pela Agência Espacial Europeia, capturam imagens de alta precisão.
Essas imagens conseguem identificar até pequenas alterações no terreno — deslocamentos de centímetros.
Depois disso, entra a inteligência artificial. Ela organiza o volume enorme de dados e transforma tudo em mapas mais fáceis de entender.
imagens de radar dos satélites Sentinel-1
detecção de deslocamentos mínimos no solo
identificação de alterações estruturais em edifícios
apoio na criação de mapas de risco
Dados do espaço são transformados em mapas de risco quase em tempo real para apoiar equipes de resgate. – Imagem: Frame Stock Footage/Shutterstock
Microsoft usa IA para organizar o caos
A Microsoft participa por meio do laboratório “AI for Good”. Lá, foram criados modelos de visão computacional que analisam milhares de imagens automaticamente.
Esses sistemas não “decidem” nada sozinhos. Eles apenas classificam estruturas com maior ou menor chance de dano.
Isso ajuda a priorizar regiões que precisam de atenção primeiro.
“Essas ferramentas não substituem a inspeção presencial, mas ajudam a orientar o trabalho em campo com mais precisão”, destacam especialistas.
Informações integradas ajudam governos e ONGs a coordenar respostas mais rápidas em meio à crise. – Imagem: Sergio Photone / Shutterstock
Dados chegam às equipes em terra
Tudo isso é centralizado no Centro de Dados Humanitários (HDX), da ONU. É lá que governos, ONGs e equipes de emergência acessam mapas quase em tempo real.
Funciona como uma espécie de painel comum para todos os envolvidos na resposta ao desastre.
Ainda assim, há um ponto importante que não muda: a checagem final precisa ser feita no local. A tecnologia ajuda a enxergar o cenário mais rápido. Mas não substitui quem está lá dentro, lidando com ele de perto.
A Microsoft decidiu acelerar sua presença na corrida da inteligência artificial. Agora, criou a Microsoft Frontier Company, uma unidade dedicada a levar IA diretamente para dentro de grandes empresas. O investimento é pesado: US$ 2,5 bilhões e cerca de 6 mil profissionais envolvidos.
Não é só mais uma iniciativa, segundo o TechCrunch, a empresa quer encurtar o caminho entre tecnologia e uso real no dia a dia corporativo.
Nova estratégia da Microsoft quer colocar IA dentro das empresas com equipes especializadas e foco em resultados. – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock
Um modelo mais prático para aplicar IA
Em vez de atuar apenas como fornecedora de ferramentas, a Microsoft quer colocar equipes técnicas dentro dos clientes. A ideia é simples de entender: implementar IA de forma direta, acompanhando o processo de perto.
Isso vai além do que tem sido chamado de Engenharia de Implantação em Campo, e será a maior e mais capaz organização de engenharia do setor, focada em resultados.
Judson Althoff, CEO de Negócios Comerciais da Microsoft, ao TechCrunch.
A empresa aposta na própria base de clientes para acelerar tudo isso. Já existe uma estrutura pronta de relacionamento com grandes corporações, o que ajuda a dar escala ao projeto.
Pontos centrais da iniciativa:
US$ 2,5 bilhões em investimento
Aproximadamente 6.000 especialistas
Uso de ferramentas de IA já existentes na Microsoft
Gigantes da tecnologia disputam espaço na IA corporativa, com Microsoft, AWS e OpenAI investindo pesado. – Imagem: Stock all/Shutterstock
Disputa pela IA corporativa esquenta
O movimento da Microsoft não está isolado. Pelo contrário, ele faz parte de uma corrida cada vez mais intensa entre gigantes da tecnologia.
A Amazon Web Services anunciou recentemente US$ 1 bilhão para projetos semelhantes. OpenAI e Anthropic também seguem estratégias parecidas, misturando tecnologia de IA com equipes dedicadas à implementação.
O mercado, claramente, virou uma disputa por quem consegue colocar a IA funcionando na prática dentro das empresas — e não apenas como promessa.
Microsoft já mira clientes como Unilever, Accenture e London Stock Exchange para acelerar sua nova aposta em IA. – Imagem: Konektus Photo/Shutterstock
Clientes grandes entram no centro da estratégia
A Microsoft parte de uma vantagem importante: já está dentro das maiores empresas do mundo. A companhia atende boa parte das organizações da Fortune 500.
Entre os primeiros nomes ligados à nova unidade estão London Stock Exchange Group, Unilever, Land O’Lakes e Accenture. Esses projetos iniciais devem funcionar como uma espécie de vitrine global.
No fim das contas, o recado é simples. A inteligência artificial deixou de ser apenas produto e passou a ocupar o centro da estratégia das big techs.
A Microsoft quer justamente isso: transformar IA em parte estrutural dos negócios, aproximando tecnologia e resultado de forma mais direta — e rápida.
Eficiência impulsionada por inteligência artificial (IA), design focado em engajamento e marketing orientado por dados. Esses foram os pilares da estratégia por trás da viralização da “Brasil com S”. Deu tão certo que, hoje em dia, você talvez conheça esse som como “a música da Copa”. É aquela que inunda feeds de redes sociais – Instagram e TikTok, principalmente – em dias de jogo da Seleção Brasileira.
Quem revelou essa estratégia ao Olhar Digital foi o publicitário Guilherme Maia, de 31 anos. Sob o nome artístico “M4IA”, ele também é produtor musical. Foi ele quem produziu a música e o clipe dela. Também foi ele quem montou o plano para o som tomar conta da internet – isso pouco antes da Copa, tá?
Como IA, design e marketing convergiram na produção (e viralização) de ‘Brasil com S’
Tudo aconteceu no dia 19 de março. “A Seleção ia jogar contra a França [num amistoso] e existiam algumas trends de música de IA. Tinha uma música francesa que amedrontava brasileiros. A composição chamava os jogadores. Eu fiquei muito incomodado com isso”, contou o Maia.
Pensei: ‘não é possível que a gente vai ficar com medo da França por conta da música’.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Uso da IA na produção
Maia contou à reportagem que, após decidir fazer a música, escolheu usar IA para otimizar o tempo de produção. “Eu sou produtor musical há mais de 15 anos. Decidi usar a IA pra me ajudar a fazer algo rápido porque eu queria lançar essa música antes do jogo”, disse.
“Faltava mais ou menos uma semana do jogo”, relembra o publicitário. “Eu precisava fazer uma música inteira, fazer um vídeo de divulgação, pensar na estratégia de marketing por trás. E a IA me ajudou a conceber isso de forma muito rápida.”
Demorei por volta de duas a três horas para fazer a música e o vídeo. Eu já trabalho com isso, então foi algo bem rápido.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Qual IA o produtor usou? Três plataformas – duas voltadas para “uso geral” e uma para produção musical. “Eu usei o Claude [IA da Anthropic] para varrer a internet em busca de quais eram os maiores hits virais do YouTube. Essa pesquisa densa me levou ao [gênero] phonk”, contou Maia.
Guilherme Maia, publicitário de 31 anos, produziu a “música da Copa” usando bastante IA – Imagem: Reprodução
O que veio a seguir: colocar a IA do Google para trabalhar. “Usei o Gemini porque essa plataforma é muito boa em ‘assistir’ um vídeo e identificar padrões e estruturas. Usei ela para entender as referências de vídeo que eu tinha separado. Com as minhas intervenções e prompts, cheguei na estrutura do call and response e da métrica de 52 segundos”, disse o publicitário.
A IA do Google atuou em outra parte do processo. “Usei o Gemini também para montar a base e a estrutura dos prompts para eu colocar no Suno”. Para quem não sabe: Suno é uma plataforma de IA generativa focada na criação de músicas a partir de comandos de texto, combinando melodia, instrumentos e voz. “Tudo que eu peguei de escalação, de prompts, joguei tudo lá no Suno. É onde eu coloquei todas as minhas músicas também.”
O produtor frisou que o Suno não produziu a música que você ouve nos feeds das redes sociais. “Bem que eu queria que fosse só apertar um botão para fazer o hit da copa”, brincou Maia. “Errei mais de 15 vezes.”
No fim, ele pegou pedaços que deram certo nas tentativas que tinham dado errado e as juntou no FL Studio – software profissional de produção musical usado para gravar, editar, compor, misturar e masterizar músicas digitalmente. Essa foi a parte, digamos, manual e tradicional do processo. Foi quando o produtor colocou a mão na massa.
Em suma, o design pensado por Maia para a “Brasil com S” ter bastante chance de viralizar, conforme explicado por ele ao Olhar Digital, foi:
Estrutura: A música foi composta com 52 segundos, pensada para ser curta, altamente replicável e viciante (o que realmente levou a múltiplas reproduções por ouvinte);
Estilo: Adotou o phonk (ritmo popular em edits no TikTok) com percussão e leads marcantes;
Dinâmica: Inspirou-se na estrutura de call and response (chamada e resposta) da música francesa, adaptando-a para a torcida brasileira;
Ganchos: Inseriu propositalmente elementos como a frase “Respeita o manto, o rei voltou”, focada em Neymar, para criar um senso de urgência e patriotismo que conectou o público à música antes mesmo da convocação do jogador.
Assista abaixo ao clipe de uma versão estendida da música:
Plano de marketing e distribuição
Segundo Maia, sua estratégia focou em monitoramento de trends (IA entrou aqui também), vídeos baseados em comentários e tração orgânica. Vamos por partes, então.
Para começar, onde a IA entrou no monitoramento? “Usei muito o Claude para procurar vídeos hypados de outras seleções e [conseguir] fazer vídeos aproveitando comentários para divulgar a minha [música]”, contou o publicitário.
Tracei esse plano para a música pautado numa estratégia na qual eu pegava os comentários mais curtidos de outros vídeos e fazia um vídeo a partir desses comentários.
Guilherme Maia, produtor de “Brasil com S”, em entrevista ao Olhar Digital.
Em parte por sorte, em parte pela “leitura de jogo” feita por Maia, o sucesso de “Brasil com S” ocorreu de maneira orgânica na internet e, principalmente, nas redes sociais, contou o produtor.
“Internamente, a gente tinha uma estratégia de viralização que não dependia de influenciadores porque o público estava recebendo bem a música”, disse o publicitário. “Lógico que o ‘plus’ da música se daria se os influenciadores começassem a ir atrás. Isso foi muito natural. A gente não precisou ir atrás de ninguém.”
Maia acrescentou: “A música tem esse papel de conectar, de fazer as pessoas comentarem, expressarem as opiniões. E [o artista deve] ouvir da maneira que cada um recebe. Isso é individual. Para mim, como músico, ela estava cumprindo o seu papel.”
No fim, nomes bem famosos, espalhados por diversas áreas, abraçaram trends com a música de Maia envolvida. Entre as celebridades que postaram algo com “Brasil com S” tocando no fundo, estão Virgínia, Neymar e Camila Mendes (atriz americana com raízes brasileiras que está no filme Mestres do Universo – o live-action de He-Man).
Entrevista: os bastidores do hit da Copa ‘Brasil com S’
Além da estratégia de engajamento, a conversa completa com Guilherme Maia detalha desdobramentos comerciais do hit e o debate sobre o uso da IA na arte. O publicitário revela, por exemplo, como o volume de reproduções diárias atraiu o mercado europeu, além do desenvolvimento de fonogramas adaptados para outros 17 países.
O produtor também rebate críticas sobre o uso da IA generativa no ambiente criativo, defendendo o caráter democrático e irreversível dessas plataformas. Além disso, Maia compartilha seus planos de retomar suas apresentações como DJ pelo Brasil.
Quer destrinchar o passo a passo técnico e bastidores desse laboratório digital? O Olhar Digital publicou a versão estendida da conversa com o produtor do hit da Copa.
Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure apoio especializado. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24 horas por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.
Recentemente, os resumos produzidos por inteligência artificial do Google voltaram a ser alvo de críticas após exibirem, em destaque, detalhes sobre o suicídio de Paul Flack em pesquisas relacionadas ao irmão da ex-apresentadora Caroline Flack. O caso foi registrado nesta semana e motivou questionamentos sobre a forma como informações sensíveis são apresentadas aos usuários.
A repercussão ganhou força depois que profissionais da área de SEO e representantes de entidades de saúde mental afirmaram que o conteúdo exibido pela ferramenta contraria recomendações amplamente adotadas para a cobertura de suicídios. As orientações desaconselham dar visibilidade ao método utilizado por representar um potencial fator de risco.
A discussão também reacendeu o debate sobre a responsabilidade das plataformas que oferecem respostas geradas por inteligência artificial, especialmente quando elas sintetizam reportagens jornalísticas e apresentam essas informações de forma mais evidente do que as publicações originais.
Críticas reacendem debate sobre responsabilidade das plataformas
Gemini é o nome da IA do Google – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
A situação veio à tona depois que a diretora de SEO e Discover da Reach, Nicola Agius, relatou ter encontrado um resumo automático do Google que apresentava, logo no início da página de resultados, informações detalhadas sobre a morte de Paul Flack. Segundo ela, a ferramenta foi além de confirmar o falecimento e organizou os acontecimentos em seções que aprofundavam aspectos do caso.
Em publicação na rede social LinkedIn, Agius afirmou que a forma como o conteúdo foi estruturado ultrapassou o que seria esperado para um tema dessa natureza. “Google, por favor, pense duas vezes sobre como sua inteligência artificial lida com assuntos sensíveis“.
Conforme a publicação, o resumo gerado pela IA também trazia informações sensíveis logo nas primeiras linhas e repetia parte desse conteúdo quando o usuário expandia o texto.
Foi observado que as informações utilizadas pelo sistema tinham origem em reportagens publicadas por veículos de comunicação. Ainda assim, é possível destacar que, em diversos casos, esses detalhes não apareciam com o mesmo destaque nas matérias originais e que parte desse conteúdo já havia sido removida por alguns dos sites citados pela própria ferramenta.
As críticas também partiram de organizações ligadas à saúde mental. As diretrizes elaboradas pelo Samaritans recomendam que veículos jornalísticos evitem mencionar métodos de suicídio em reportagens, sobretudo em títulos. A entidade Mind adota orientação semelhante e alerta que esse tipo de informação pode provocar impacto negativo em pessoas vulneráveis.
Imagem: evrymmnt / Shutterstock
A chefe de salvaguarda da Mind, Lois Sparkes, avaliou que a forma como os resumos foram apresentados representa um motivo de preocupação. “É extremamente preocupante — e decepcionante — ver parte da cobertura da imprensa e os resumos gerados por IA incluírem referências a métodos de suicídio“, declarou à Press Gazette ao comentar o caso.
Ainda conforme Sparkes, a exibição dessas informações em posição de destaque pode ser especialmente prejudicial por atingir pessoas em situação de vulnerabilidade e por oferecer pouca indicação de canais de apoio.
Ela também argumentou que respostas produzidas por inteligência artificial tendem a transmitir uma impressão de certeza sobre assuntos complexos e defendeu que esse tipo de ferramenta seja submetido aos mesmos padrões aplicados aos meios tradicionais de comunicação.
O Olhar Digital procurou o Google no Brasil e aguarda um posicionamento.
Um novo modelo de IA desenvolvido na China vem chamando atenção no setor. Para a Reuters, o GLM-5.2, da startupZ.ai, aparece com desempenho próximo ao de sistemas dos Estados Unidos, mas com um custo bem mais baixo.
Esse equilíbrio entre preço e capacidade recoloca a disputa entre China e EUA no centro do debate sobre inteligência artificial.
A IA da startup Z.ai ganha espaço no Vale do Silício e já aparece em plataformas usadas por desenvolvedores do mundo todo. – Imagem: gguy/Shutterstock
GLM-5.2 entra no radar do Vale do Silício
Depois do impacto da DeepSeek, que mostrou que modelos mais baratos também podem ser competitivos, outras empresas chinesas aceleraram seus lançamentos. O GLM-5.2 é o exemplo mais recente dessa movimentação.
Criado em Pequim, o modelo ganhou destaque por executar tarefas complexas com poucos comandos e atuar como agente de IA, tomando decisões intermediárias durante processos mais longos. Na prática, isso reduz a necessidade de intervenção constante do usuário.
No Vale do Silício, o sistema começou a aparecer com força em plataformas como o OpenRouter, chegando a ultrapassar modelos da Anthropic em uso entre desenvolvedores.
Agora temos um modelo chinês de pesos abertos que é tão bom quanto os modelos atualmente disponíveis da OpenAI e da Anthropic.
David Sacks, ex-responsável pela política de IA no governo dos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump, à Reuters
Ele também disse que o GLM-5.2 está “apenas um pouco abaixo do Opus 4.8 (da Anthropic) e no mesmo nível do GPT 5.5 (da OpenAI)”.
O modelo chinês já aparece entre os mais bem posicionados nos rankings de inteligência artificial, como o Artificial Analysis. – Imagem: Reprodução/Z.ai
Desempenho competitivo e custo agressivo
O interesse pelo GLM-5.2 está diretamente ligado à combinação entre capacidade técnica e preço reduzido. Em comparação com modelos fechados de ponta, o custo operacional pode chegar a cerca de um sexto.
Entre os principais destaques do modelo estão:
bom desempenho em programação e raciocínio lógico
capacidade de atuar como agente de IA com comandos simples
arquitetura aberta e fácil de implementar
custo significativamente menor que concorrentes diretos
Nos rankings da Artificial Analysis, o GLM-5.2 aparece na quinta posição entre os grandes modelos de linguagem. Já no Code Arena, ocupa o segundo lugar em tarefas de desenvolvimento front-end, como criação de sites e aplicações.
Especialistas comparam o modelo chinês a sistemas da OpenAI e da Anthropic em desempenho em programação e raciocínio. – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Segurança ainda trava parte da adoção
Apesar do avanço técnico, a adoção global ainda não é uniforme. O principal ponto de cautela segue sendo a segurança dos dados, especialmente em empresas dos Estados Unidos e em setores regulados.
Mesmo assim, parte do mercado já testa alternativas de implantação em nuvem própria ou servidores internos, buscando equilibrar risco e custo.
Ao mesmo tempo, o avanço desses modelos amplia a presença chinesa no mercado global de IA e pressiona concorrentes norte-americanos, em um cenário em que custo, desempenho e acesso aberto começam a pesar tanto quanto a origem da tecnologia.
A OpenAI discutiu a possibilidade de conceder à Casa Branca uma participação de 5% na startup, segundo informações do Financial Times.
De acordo com a reportagem, a desenvolvedora do ChatGPT teria sugerido que outras companhias americanas do setor de inteligência artificial seguissem o mesmo caminho.
Não há informações complementares a respeito de outras empresas – se concordariam ou não com a medida apresentada pela OpenAI.
O Financial Times traz que o CEO Sam Altman discutiu a venda da participação acionária com o presidente Donald Trump, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent.
Outro político que teria conversado com o executivo foi o senador democrata Bernie Sanders.
A ideia de Altman é que empresas de IA dos EUA coloquem 5% de seu capital social em uma iniciativa similar ao Alaska Permanent Fund, uma entidade estatal financiada com verbas do petróleo que paga dividendos anuais à população e compõe parte do orçamento do Alasca.
Uma participação de 5% valeria aproximadamente US$ 42,6 bilhões (R$ 221,64 bilhões), após o laboratório de IA ter concluído uma rodada de financiamento recorde em março – chegando a uma avaliação pós-investimento de US$ 852 bilhões (R$ 4,4 trilhões).
De acordo com a reportagem, as negociações são “conceituais” e estão em fase inicial. Qualquer acordo poderá exigir uma lei do Congresso para ser implementado.
Contexto
Essa informação chega em um contexto de embate entre empresas de IA e o governo americano. Há dois pontos principais: o potencial uso indevido de modelos mais avançados e a participação dos americanos nos lucros do setor.
Vamos entender:
Em junho, o presidente Donald Trump afirmou que estava avaliando formas de dar à população uma participação nas maiores empresas de IA. Essa seria uma solução para a preocupação constante de que, individualmente, americanos não teriam nenhum ganho com os potenciais lucros do setor.
A OpenAI chegou a propor um fundo de investimento para empresas de IA que destinaria lucros à população.
A Anthropic disse que avalia um “dividendo digital”, ou seja, pagamentos aos americanos financiados por impostos sobre o setor de IA.
E ainda:
Em junho, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que cria um marco voluntário para permitir que o governo federal avalie novos sistemas de IA antes de seu lançamento.
Nesta semana, os modelos Fable 5 e Mythos 5 voltaram a ficar disponíveis depois que o governo dos Estados Unidos suspendeu os controles de exportação aplicados à Anthropic. A mudança ocorre menos de três semanas após as restrições impostas por razões de segurança nacional.
As restrições haviam sido determinadas em 12 de junho e obrigaram a Anthropic a desativar os dois modelos para todos os usuários, já que não havia como verificar a nacionalidade de cada pessoa em tempo real.
Depois de implementar novas salvaguardas, a empresa recebeu autorização para retomar o acesso. O Mythos 5 será disponibilizado gradualmente para parceiros nacionais e internacionais, enquanto o Fable 5, desenvolvido para o público em geral, está disponível desde quarta-feira (01).
A OpenAI não vai colocar o GPT-5.6 nas mãos de todos os usuários de uma só vez. Atendendo a um pedido do governo dos Estados Unidos, a empresa decidiu iniciar a distribuição do novo modelo de inteligência artificial de forma gradual. A previsão é que a tecnologia chegue primeiro a um grupo restrito de parceiros. Se essa etapa ocorrer como esperado, o acesso será ampliado nas semanas seguintes.
OpenAI e Anthropic estão se preparando para abrir seu capital na bolsa de valores dos EUA, em movimentos que alguns investidores acreditam que podem avaliar ambas as empresas em mais de US$ 1 trilhão.
Até o momento, OpenAI e Casa Branca não se manifestaram sobre o assunto.
Algumas empresas que apostaram forte na substituição de funcionários por inteligência artificial estão repensando decisões. Ford, IBM e o Commonwealth Bank of Australia aparecem nesse movimento — e isso não é exatamente discreto.
O ponto curioso é que a promessa era de eficiência. Na prática, nem sempre funcionou assim, explica a CNBC.
A promessa de substituir humanos por IA enfrenta desafios quando tarefas complexas entram em cena. – Imagem: Taris Tonsa / Shutterstock
A Ford e o retorno dos engenheiros
Na Ford, a mudança foi direta: recontratação de engenheiros experientes depois que sistemas automatizados não deram conta de problemas de qualidade.
A empresa reconhece que a IA ajuda, mas depende muito do contexto.
A inteligência artificial é uma ferramenta fantástica, mas sua eficácia depende da qualidade das informações usadas para treiná-la.
Charles Poon, vice-presidente de engenharia de hardware veicular da Ford, à CNBC.
E aqui vale um detalhe simples: quando o problema fica complexo demais, a máquina não resolve sozinha.
Empresas percebem que substituir totalmente pessoas por IA pode gerar mais custos do que eficiência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Quando o sistema não aguenta o volume
No Commonwealth Bank of Australia, mais de 40 funcionários foram substituídos por um chatbot de voz. A ideia era reduzir carga de atendimento.
Mas aconteceu o contrário. O volume de chamadas aumentou e o banco precisou voltar atrás e reabrir vagas.
Um sindicato do setor financeiro chegou a dizer que a reversão foi uma vitória para trabalhadores — e, nos bastidores, um reconhecimento de que a substituição tinha ido longe demais.
IBM e o limite do automatizado
A IBM seguiu um caminho parecido. Automatizou grande parte do atendimento interno, com cerca de 94% das solicitações resolvidas por IA. Só que os 6% restantes — justamente os mais difíceis — criaram o gargalo.
39% dos líderes demitiram por causa da IA
55% admitem que erraram nas decisões
32% recontrataram depois
IA funciona bem na rotina, mas falha no complexo
“Se não continuarmos investindo na contratação de profissionais em início de carreira, o que acontecerá daqui a três ou cinco anos?”, questionou Nickle LaMoreaux, da IBM.
Casos como Ford e IBM mostram que automação precisa de equilíbrio com trabalho humano. – Imagem: Alexander Fedosov/Shutterstock
O que está realmente acontecendo aqui
Talvez não seja um “retrocesso” contra a IA. Não exatamente.
O que parece estar acontecendo é um ajuste fino — meio atrasado, em alguns casos — sobre o que a tecnologia realmente entrega no dia a dia.
A IA continua sendo usada, isso não mudou. Mas a ideia de substituir totalmente pessoas está perdendo força quando o trabalho exige julgamento, contexto e um pouco de improviso humano.
E isso, na prática, não sumiu. Só ficou mais evidente.