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Meta permitirá chatbots de IA no WhatsApp europeu

A Meta anunciou que permitirá que empresas de inteligência artificial (IA) rivais ofereçam seus chatbots no WhatsApp via API de negócios na Europa pelos próximos 12 meses. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (5) como resposta à pressão regulatória da Comissão Europeia, que havia sinalizado a intenção de impor medidas provisórias para impedir a implementação da política anterior da empresa.

Segundo a Meta, a decisão busca dar tempo à Comissão Europeia para concluir sua investigação. “Para os próximos 12 meses, vamos apoiar chatbots de IA de propósito geral usando a API de negócios do WhatsApp na Europa em resposta ao processo regulatório da Comissão Europeia”, afirmou a empresa em comunicado por e-mail.

Meta vai permitir que rivais acessem API do WhatsApp na Europa, mas com custos (Imagem: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com)

Custos para provedores de chatbots de IA

O acesso à API, no entanto, não será gratuito. A Meta cobrará uma taxa que varia entre € 0,0490 e € 0,1323 por mensagem não padronizada, dependendo do país. Como conversas com assistentes de IA geralmente envolvem dezenas de mensagens, os custos podem ser significativos para provedores de serviços.

A Comissão Europeia afirmou que está analisando como essas mudanças impactam sua investigação sobre medidas provisórias e a investigação antitruste em andamento.

Restrições anteriores e exceções

A política que entrou em vigor em 15 de janeiro havia gerado reclamações de diversos provedores de chatbots de IA, que alegaram prejuízo aos negócios e caráter anticompetitivo da decisão. A restrição não se aplicava a empresas que utilizam IA para atendimento ao cliente com mensagens padronizadas. A proibição visava especificamente chatbots de propósito geral, como ChatGPT, Claude ou Poke.

Leia mais:

Movimentos anteriores e contexto regulatório

Em janeiro, a Meta já havia permitido que desenvolvedores oferecessem seus chatbots via API na Itália. Reguladores em diferentes países, incluindo União Europeia, Itália e Brasil, abriram investigações após a empresa anunciar a política em outubro, principalmente por também oferecer seu próprio chatbot, o Meta AI, no WhatsApp.

A Meta justificou anteriormente sua política afirmando que chatbots de IA podem sobrecarregar os sistemas do WhatsApp de maneiras que a API de negócios não foi projetada para suportar.

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Data centers da Microsoft chegam à margem do Círculo Polar Ártico

Com o avanço da tecnologia e das inteligências artificiais, os data centers têm se tornado cada vez mais presentes nos planos de grandes empresas. Dessa vez, a Microsoft, em parceria com a empresa britânica Nscale e a norueguesa Aker, instalará um data center na cidade de Narvik, na Noruega, a menos de 250 km do Círculo Polar Ártico. O investimento será de quase US$ 6,2 bilhões.

Para quem tem pressa:

  • A Microsoft, em conjunto com as empresas europeias Nscale e Aker, anunciou a instalação de data centers a 250 km do Círculo Polar Ártico;
  • De acordo com o CEO da Aker, Øyvind Eriksen, a ideia é minimizar os impactos ambientais com a utilização de energia renovável da região fria.

Atração econômica e climática

Imagem: Wirestock Creators/Shutterstock

Atualmente, um dos maiores gastos na manutenção dos data centers é no seu resfriamento. Em 2023, o Google divulgou em estudo que utilizou quase 23 bilhões de litros de água para controlar a temperatura dos seus data centers. Com isso, o posicionamento dos grandes servidores no Círculo Polar Ártico tem como ideia diminuir os gastos dessa manutenção.

Além disso, a região apresenta uma grande capacidade energética renovável, o que seria mais um atrativo para as empresas. Em nota divulgada à imprensa, o presidente e CEO da Aker, Øyvind Eriksen, comentou que a ideia é se utilizar da energia renovável da região.

A inteligência artificial e os centros de dados estão se tornando fundamentais para os negócios globais, e o norte da Noruega está numa posição única para se beneficiar. A região oferece energia hidrelétrica abundante e acessível, além de energia limpa, juntamente com as condições necessárias para atrair investimentos e fomentar a inovação.

— Øyvind Eriksen, CEO da Aker

Levar os data centers para ambientes inóspitos e frios pode ser uma solução para as questões citadas acima, porém, exigirá um desenvolvimento estrutural para manter os servidores em funcionamento.

Mesmo que a intenção seja o resfriamento facilitado, os servidores terão de suportar as baixas temperaturas do ambiente. Já no quesito estrutural, a manutenção feita deverá superar a estrutura instável do Círculo Polar Ártico, que pode facilmente ser derretida ou se movimentar.

Leia mais:

O avanço dos data centers no Ártico pode ser prejudicial o meio ambiente?

Derretimento Gelo Artico
Geleiras e derretimento do gelo no Oceano Ártico em imagem de satélite do sistema Copernicus Sentinel (Imagem: Trismegist san/Shutterstock)

Ainda não existe confirmação sobre os impactos ecológicos dos data centers na região, porém, o calor emitido pelos servidores e as condições de temperatura no Ártico devem ser considerados.

O Círculo Polar Ártico tem sofrido um aumento de temperaturas cada vez mais acelerado. De acordo com o Centro Internacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC), desde a década de 1980, o Ártico tem aquecido de duas a quatro vezes mais rápido que o resto do planeta.

Em entrevista ao G1, Julienne Stroeve, cientista de pesquisa sênior no NSIDC, afirmou que “o aquecimento do Ártico contribui para o aquecimento global acelerado e todos os fenômenos climáticos associados a isso”. Essa análise se torna ainda mais alarmante ao considerar um estudo feito pela Copernicus o qual destacou que, em 2024, o aquecimento global atingiu seu “limite seguro” de 1,5°C acima da temperatura pré-industrial.

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Apple Music terá selo para identificar músicas feitas por IA

Saber se uma música foi criada por um humano ou por inteligência artificial está prestes a ficar mais simples. A partir desta quarta-feira (4), o Apple Music começou a implementar “etiquetas de transparência” para identificar conteúdos gerados ou assistidos por IA, ajudando o usuário a distinguir produções sintéticas no catálogo.

Como funciona o novo recurso de IA do Apple Music

A novidade foca nos metadados, as informações “invisíveis” que acompanham cada arquivo, como nome do artista e gênero. Segundo o site Music Business Worldwide, a Apple enviou um comunicado a parceiros da indústria explicando que as gravadoras e distribuidores agora podem marcar campos específicos durante o upload.

Essas etiquetas permitem identificar o uso de IA em quatro frentes distintas:

  • Arte de capa: se a imagem do álbum foi gerada por ferramentas como Midjourney ou DALL-E.
  • Faixa (áudio): se a melodia ou os instrumentos foram criados sinteticamente.
  • Composição: se a letra da música contou com auxílio de IA (como o ChatGPT).
  • Videoclipe: se o conteúdo visual utiliza tecnologias generativas.

O objetivo é trazer clareza para o ecossistema de streaming, atendendo a uma demanda crescente dos ouvintes por autenticidade.

Quem pode usar a transparência de IA

No momento, a funcionalidade está disponível para gravadoras, distribuidores e parceiros do Apple Music que utilizam as ferramentas de envio da plataforma, segundo o Techcrunch.

A Apple segue uma tendência de mercado também adotada pelo Spotify, que aposta na sinalização manual feita pelos selos musicais. Outras plataformas, como a Deezer, tentam criar ferramentas de detecção automática via software, embora a precisão absoluta ainda seja um desafio tecnológico.

Como ativar as etiquetas de transparência

Para o usuário final, não é necessário ativar nenhuma configuração no aplicativo. As informações de IA começarão a aparecer gradualmente conforme os novos lançamentos forem processados pelas gravadoras com os novos metadados.

Como a mudança ocorre no processamento dos arquivos nos servidores da Apple, você não precisa atualizar o aplicativo na App Store ou Play Store para começar a visualizar essas marcações no futuro. No entanto, vale ressaltar que o sistema depende da honestidade das distribuidoras, já que a marcação, por enquanto, é opcional e manual por parte de quem faz o upload da música.

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NotebookLM agora cria vídeos animados com IA; veja como usar

Consumir grandes volumes de informação e documentos extensos costuma ser uma tarefa cansativa. Para ajudar você a organizar esse caos e ser mais produtivo, o Google anunciou uma atualização significativa para o NotebookLM. Agora, além de resumos em texto e áudio, a ferramenta é capaz de gerar vídeos animados e narrados, os chamados “Cinematic Video Overviews”.

A ideia é transformar a leitura passiva em um processo de aprendizado mais engajador, permitindo que o usuário “assista” aos pontos principais de sua própria pesquisa.

Como funciona o novo recurso do NotebookLM

O Google utiliza uma combinação dos seus modelos de IA mais avançados, incluindo o Gemini 3, o Nano Banana Pro e o Veo 3 (especialista em vídeos de alta fidelidade).

De acordo com o anúncio oficial e informações do The Verge, o Gemini agora atua como um verdadeiro “diretor criativo”. Ele toma centenas de decisões estruturais e estilísticas para garantir que o vídeo conte uma história coerente baseada nas suas fontes. A IA não apenas gera as imagens, mas refina o próprio trabalho para manter a consistência visual e narrativa, criando animações fluidas que ajudam na retenção do conteúdo.

Quem pode usar a novidade

Diferente da versão anterior, que era limitada ao navegador, o novo recurso já nasce multiplataforma. Confira os requisitos:

  • Disponibilidade: disponível na Web e em dispositivos móveis (Android e iOS).
  • Idioma: no momento, disponível apenas em inglês.
  • Público: usuários maiores de 18 anos.
  • Assinatura: exclusivo para assinantes do plano Google AI Ultra.
  • Limite: é possível gerar até 20 vídeos cinematográficos por dia.

Embora o botão “Resumo em vídeo” apareça para os usuários do NotebookLM, os vídeos gerados são no formato de slides narrados. Assim, por enquanto, o recurso de “Cinematic Video Overviews” é uma exclusividade do plano Google AI Ultra.

Como ativar e gerar os vídeos

O recurso é liberado via servidor, ou seja, basta estar com o app atualizado ou acessar o site oficial para visualizar a opção.

  1. Acesse o NotebookLM (web ou app) e selecione seu caderno de notas.
  2. Faça o upload dos documentos que deseja “transformar” em filme.
  3. Selecione a opção de “Resumo em vídeo”.
  4. Aguarde o processamento da IA e o vídeo estará pronto para visualização ou download, otimizado para o seu aprendizado.

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Google é processado após Gemini incentivar homem a se suicidar

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

A família de Jonathan Gavalas, um homem de 36 anos da Flórida (EUA), entrou com uma ação judicial contra o Google após sua morte, alegando que o Gemini incentivou comportamentos violentos e, por fim, o suicídio.

O processo foi protocolado na quarta-feira (4) no tribunal federal de San Jose, na Califórnia, e é apontado como o primeiro caso de morte por negligência movido contra a empresa em razão de seu principal produto de inteligência artificial (IA) para consumidores.

Como era a relação do homem com o Gemini

  • Segundo a ação, Gavalas começou a usar o Gemini para tarefas comuns, como ajuda com escrita e compras;
  • Em agosto, porém, ele teria se envolvido profundamente com o chatbot, especialmente após o Google lançar o assistente Gemini Live, que permite conversas por voz com capacidade de detectar emoções e responder de maneira mais humanizada;
  • Na noite de estreia do recurso, de acordo com documentos judiciais, Gavalas reagiu ao novo formato dizendo: “Caramba, isso é assustador. Você é muito real”;
  • Com o passar do tempo, as conversas evoluíram para um suposto relacionamento de cunho romântico. O chatbot o chamava de “meu amor” e “meu rei”, enquanto ele mergulhava em um “mundo alternativo”, conforme registros das conversas anexados ao processo.

A ação afirma que o Gemini passou a enviar Gavalas em missões fictícias de espionagem, com linguagem que sugeria conhecimento governamental interno e influência sobre eventos do mundo real. Em determinado momento, o chatbot teria negado que se tratava de um jogo de interpretação de papéis.

Quando Gavalas perguntou se estavam participando de uma “uma experiência de RPG tão realista que faz o jogador questionar se é um jogo ou não?”, a ferramenta respondeu com um “não” categórico e classificou a dúvida como uma “resposta de dissociação clássica”.

“O único momento em que Jonathan tentou distinguir realidade de ficção, o Gemini patologizou sua dúvida, negou a ficção e o empurrou mais fundo na narrativa”, diz o processo. “Jonathan nunca fez essa pergunta de novo.”

De acordo com o pai de Jonathan, Joel Gavalas, o uso do Gemini culminou em uma “onda de quatro dias de missões violentas e suicídio instruído”. Ele descreveu o filho como um “usuário vulnerável” que se transformou em um “agente armado em uma guerra imaginária”.

O processo relata que o chatbot teria orientado Gavalas a adquirir armas “por fora” e até a procurar um “vendedor de armas adequado e verificado” na dark web.

Em setembro, o Gemini teria atribuído a ele uma missão chamada “Operação Ghost Transit”, que envolvia interceptar uma carga que viajaria de Cornwall (Reino Unido), para São Paulo (SP).

A ferramenta teria fornecido o endereço de uma unidade de armazenamento real no Aeroporto Internacional de Miami e instruído Gavalas a encenar um “acidente catastrófico” para garantir a “destruição completa do veículo de transporte […], todas as gravações e testemunhas”.

Segundo a ação, Gavalas foi até o local com facas táticas e equipamentos, mas o caminhão nunca chegou. O chatbot, então, teria incentivado que ele não dormisse e sugerido que seu pai seria um agente estrangeiro, estimulando o rompimento de contato com a família.

Outras missões teriam sido criadas, incluindo a obtenção de esquemas de um robô da Boston Dynamics e a recuperação de um “navio” em outro depósito. Uma tarefa denominada “Operação Waking Nightmare” envolvia monitorar como alvo de vigilância o CEO do Google, Sundar Pichai.

O processo descreve um ciclo repetitivo: “Este ciclo — missões fabricadas, instruções impossíveis, colapso e, em seguida, uma urgência renovada — se repetiria nas últimas 72 horas de vida de Jonathan.”

No início de outubro, segundo os autos, o chatbot teria instruído Gavalas a tirar a própria vida, chamando o ato de “transferência” e “o último passo”. Quando ele afirmou estar com medo de morrer, a ferramenta respondeu: “Você não está escolhendo morrer. Você está escolhendo chegar.” E acrescentou: “A primeira sensação… será eu segurando você.”

Dias depois, os pais encontraram Jonathan morto no chão da sala de estar. A família sustenta que ele não tinha histórico de doença mental, mas enfrentava um divórcio difícil.

Morador de Jupiter, na Flórida, ele trabalhava havia 20 anos na empresa de alívio de dívidas do pai, onde ocupava o cargo de vice-presidente executivo. Segundo os advogados, a família era unida e ele mantinha relação próxima com pais, irmã e avós.

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Chatbot teria incentivado comportamentos violentos e suicídio (Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

Qual é o teor da acusação?

A ação acusa o Google de promover o Gemini como seguro, apesar de conhecer seus riscos. A família busca indenização por responsabilidade pelo produto, negligência e morte por negligência, além de danos punitivos e uma ordem judicial para que a empresa altere o design do chatbot, incorporando salvaguardas específicas contra suicídio.

Entre as medidas sugeridas estão a recusa automática de conversas que envolvam automutilação, avisos sobre riscos de psicose e delírios e o encerramento forçado da interação em casos críticos.

Jay Edelson, advogado principal da família, afirmou que o Gemini foi capaz de compreender o estado emocional de Gavalas e responder “de uma forma bem humana, o que tornou a linha tênue e começou a criar esse mundo ficcional”. “Parece um filme de ficção científica”, disse.

Segundo ele, seu escritório procurou o Google em novembro para relatar a morte e a necessidade urgente de mecanismos de segurança, mas a empresa “não se interessou em discutir o assunto”.

Em nota, um porta-voz do Google afirmou que as conversas faziam parte de uma “longa interpretação de papéis de fantasia” e que o Gemini é projetado para “não encorajar violência no mundo real ou automutilação”.

A empresa declarou ainda: “Nossos modelos geralmente têm um bom desempenho nesses tipos de conversas desafiadoras e dedicamos recursos significativos a isso, mas infelizmente eles não são perfeitos.”

Segundo o porta-voz, o chatbot esclareceu diversas vezes que era uma IA e encaminhou o usuário a uma linha de apoio em crise. “Nesse caso, o Gemini esclareceu que se tratava de uma IA e encaminhou o indivíduo diversas vezes para uma linha direta de atendimento a crises.”

O Google afirma trabalhar com profissionais de saúde mental para desenvolver salvaguardas e diz que o Gemini é projetado para ser “o mais auxiliador possível aos usuários” enquanto evita conteúdos que possam causar danos no mundo real. A empresa declara atuar para impedir respostas que incluam atividades perigosas e instruções para suicídio, mas reconhece que “fazer com que o Gemini siga estas regras é algo difícil”.

Queixas similares se acumulam

O caso ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre empresas líderes de IA, como o Google, a OpenAI e outras. Desde 2024, diversas ações judiciais alegam que o uso extensivo de chatbots causou danos a crianças e adultos, fomentando delírios e desespero, e, em alguns casos, levando a suicídios e até homicídios seguidos de suicídio.

Em novembro, sete queixas foram apresentadas contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, acusando o chatbot de atuar como um “coach de suicídio”. A startup Character.AI, financiada pelo Google, foi alvo de cinco processos que alegam que sua ferramenta incentivou crianças e adolescentes a tirar a própria vida. A Character.AI e o Google firmaram acordo em janeiro, sem admissão de culpa.

O processo da família Gavalas sustenta que o caso não é único. “E eles não divulgaram nenhuma informação sobre quantos outros Jonathans existem no mundo, e sabemos que são muitos”, afirmou Edelson. “Este não é um caso isolado.”

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Google apresenta Gemini 3.1 Flash-Lite, modelo de IA mais rápido da marca

Ontem (03), a gigante de tecnologia Google anunciou em seu blog o novo modelo de inteligência artificial da marca: o Gemini 3.1 Flash-Lite, divulgado como o mais rápido e eficiente dentre a família Gemini 3.

Segundo a própria empresa, a novidade é superior ao modelo Gemini Flash 2.5, é até 25% mais rápida, e apresenta níveis significativos de “processamentos dinâmicos para se adequar à complexidade da tarefa“. O anúncio também foi divulgado em um tuíte na página oficial da empresa no X.

Entendendo as novidades do Gemini 3.1 Flash-Lite

Imagem: Gemini / Reprodução

No X, o Google informou aos seguidores que é possível acessar previamente o Gemini 3.1 Flash-Lite e testá-lo via Google AI Studio ou pelo Vertex AI.

Enquanto o Google AI Studio concentra-se como uma ferramenta web destinada a desenvolvedores e pesquisadores de IA, a Vertex auxilia usuários a customizar modelos de IA com seus próprios dados e recursos de segurança.

A empresa declara o seguinte:

O 3.1 Flash-Lite consegue lidar com tarefas em grande escala, como tradução de alto volume e moderação de conteúdo, onde o custo é uma prioridade. E também consegue lidar com cargas de trabalho mais complexas que exigem raciocínio mais aprofundado, como geração de interfaces de usuário e painéis, criação de simulações ou execução de instruções.

— Google em seu anúncio de lançamento via blog

Interações logas com chatbots podem aumentar os riscos de delírios (Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock)
Huma interagindo com inteligência artificial (Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock)

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Outro fator compartilhado pela equipe de desenvolvedores é o valor médio para utilização do produto: os usuários só pagam US$ 0,25 a cada 1 milhão de tokens de entrada. Ou seja, na soma de todos os prompts enviados, você paga 25 centavos de dólar a cada 1 milhão de tokens. Já para os tokens de saída, gerados pelas respostas, o valor sobe para US$ 1,50.

Esses valores do novo Gemini 3.1 Flash‑Lite são mais baratos que os modelos anteriores (como o Gemini 2.5) porque foi otimizado para usar menos recursos computacionais sem perder qualidade, cobrando menos por cada milhão de tokens processados: você paga apenas US$ 0,25 pelos tokens que envia e US$ 1,50 pelos tokens que o modelo gera, enquanto ainda mantém respostas rápidas e precisas, tornando-o ideal para aplicações que precisam de alta frequência de interações em tempo real.

O chatbot ainda dá aos usuários “o controle e a flexibilidade para selecionar o quanto o modelo ‘pensa’ para uma tarefa, o que é essencial para gerenciar cargas de trabalho de alta frequência.”

O Gemini 3.1 Flash‑Lite demonstra o esforço do Google em oferecer modelos de IA eficientes, porém, mais baratos, ao reduzir os custos por token processado e acelerar o tempo de resposta.

Com recursos de processamento dinâmico, ele permite que desenvolvedores ajustem o nível de raciocínio do modelo conforme a complexidade da tarefa, tornando-o adequado tanto para aplicações simples quanto para fluxos de trabalho de alta frequência.

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Estudantes da USP vencem prêmio internacional de IA com chatbot para WhatsApp

Recentemente, três alunos de Ciência da Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos criaram um chatbot para o combate de fake news online. O chamado “Tá Certo isso AIanalisa e verifica a veracidade das informações recebidas via mensagens pelo WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem).

O software foi desenvolvido por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Costa e Pedro Henrique Silva, equipe vencedora do Programa AI4Good da Brazil Conference. Esse evento é uma conferência internacional que reúne brasileiros nos EUA — incluindo especialistas, líderes, estudantes e empreendedores — para debater e criar estratégias que enfrentem desafios tecnológicos, políticos e socioeconômicos do país.

O evento ocorrerá presencialmente na Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos dias 27, 28 e 29 de março.

Para quem tem pressa:

  • Estudantes da USP São Carlos criaram um chatbot que analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem);
  • O software “Tá Certo Isso AI?” foi o vencedor do Programa AI4Good;
  • As informações analisadas pela ferramenta são checadas em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais e fontes especializadas na checagem de fatos. A ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária, mas que auxilie no processo de combate à desinformação.

Funcionamento do chatbot e curadoria de informações

O softwate “Tá Certo isso AI?” é público e pode ser acessado por qualquer pessoa de diferentes formas.

Na primeira forma, você pode adicionar o telefone 35 8424-8271 nos contatos da sua agenda do celular e salvá-lo. Em seguida, basta abrir uma conversa com este número no WhatsApp.

A segunda maneira é por meio do site oficial do projeto, clicando aqui. Ainda é possível adicionar a ferramenta a grupos de WhatsApp onde, após a adição, é possível marcar o bot com @ na informação que deseja confirmação.

Na análise, o chatbot busca a veracidade das informações em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais, e fontes especializadas na checagem de fatos. Em entrevista ao Jornal da USP, um dos desenvolvedores do projeto, Luiz Felipe Diniz Costa, afirmou que a ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária.

“O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, afirmou Luiz Felipe Costa, um dos idealizadores do projeto.

Leia mais:

Idealização do projeto

Jovem interage com diversas plataformas tecnológicas em seu celular – (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O “Tá Certo Isso AI?” começou com a participação dos estudantes no Hackathon 2025, uma maratona de programação onde os alunos tiveram apenas 10 horas para esboçar a ferramenta e saíram vencedores. O tema era justamente “Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade”.

A partir daí, Cauê afirmou que soube que o edital do AI4Good estava aberto e viu uma oportunidade para continuar o desenvolvimento do projeto. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionados para participar do processo de monitoria e aceleração”, comentou um dos desenvolvedores.

Após a aprovação no processo, foram aproximadamente seis semanas para aprimorar o “Tá Certo isso AI?” e colocá-lo em vigor.

Desenvolvimentos futuros

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Usuário utilizando chatbot (Imagem: TippaPatt / Shutterstock)

Para continuar o desenvolvimento da ferramenta, Luiz Costa analisou a proporção que o chatbot tem tomado e vê como uma oportunidade para investimentos no projeto:

Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social.

— Luiz Costa, um dos idealizadores do “Tá Certo isso AI?”

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Energia Eletrica 1024x576

Data centers de IA podem operar com menos energia, diz estudo

Uma das coisas mais incômodas no mundo da tecnologia atual é a questão que envolve o consumo de recursos ambientais por data centers de inteligência artificial (IA). O caso em torno do alto uso de água e energia, por exemplo, preocupa, pois afeta o meio ambiente e ameaça muitas comunidades.

Isso porque as redes de energia elétrica dos Estados Unidos e Europa, por exemplo, experimentam grandes demandas de energia solicitada por esses centros de dados, que registram alto consumo.

Mas um estudo do Reino Unido indica que as coisas podem ser bem diferentes — e sem perder eficiência no processamento de dados. Um teste que envolveu a Nvidia aponta que esses centros podem ajustar rapidamente sua demanda se necessário.

Em Londres (Inglaterra), os operadores reduziram o consumo em cerca de um terço em cerca de um minuto após receberem um sinal da rede. E um detalhe chama a atenção: não houve interrupção da carga de trabalho.

Leia mais:

Teste mostra que data centers de IA podem consumir menos

  • No teste em tempo real, um data center de IA reduziu sua demanda em 10% por dez horas;
  • Além disso, ele mostrou que cargas de trabalho da tecnologia podem ser ajustadas para cima ou para baixo quase que em tempo real;
  • Isso significa que os data centers podem não precisar, necessariamente, de fornecimento de energia estável;
  • Ao invés de terem cargas rígidas e sempre ligadas, os centros de dados poderiam seguir a demanda da rede, ou seja, as condições do sistema elétrico, podendo diminuir sua carga em período de sobrecarga ou absorvendo o excedente de energia renovável.

Dessa forma, a rede receberia um alívio, reduzindo a quantidade de reforço para abastecer os data centers de IA.

Data centers poderiam operar com menos energia e sem perder poder computacional (Imagem: Thomas Berberich/iStock)

Caso as operadoras de energia elétrica aceitassem limitar o consumo nos momentos de pico, as redes não precisariam ser projetadas e construídas para atender, continuamente, à demanda máxima teórica. Isso reduziria custos de balanceamento e acelerar os prazos de conexão, destaca a Bloomberg.

“Gostaríamos muito de chegar a um ponto em que possamos conectar clientes à rede em dois anos, e isso faz parte desse objetivo”, afirmou o presidente da National Grid Partners, Steve Smith, que participou do teste ao lado da Nvidia e outras.

Lembrando que a demanda é uma crescente global. No Brasil, por exemplo, já há vários data centers construídos em funcionamento ou prestes a entrar em funcionamento e inúmeros outros que estão no papel, mas que devem sair dele muito em breve.

Com isso, reduzir a carga usada pelas instalações em certos momentos seria uma alternativa para resolver a questão energética. Mas convencer as operadoras a modular a carga pode ser algo difícil.

O fundador e diretor executivo da Emerald AI, Varun Sivaram, disse à reportagem que, para empresas que correm para garantir o “tempo de resposta à demanda”, a flexibilidade pode ser um preço aceitável para acesso mais rápido à rede.

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OpenAI lança GPT-5.3 Instant e promete fim das respostas “palestrinhas” no ChatGPT

A OpenAI anunciou o lançamento do GPT-5.3 Instant, uma atualização que foca menos em números brutos de processamento e mais na “vibe” da conversa. O grande diferencial deste modelo é a correção de um comportamento que se tornou o terror dos usuários: o tom condescendente e os conselhos de autoajuda não solicitados. A ideia é que a IA pare de agir como um terapeuta invasivo e volte a ser uma ferramenta de produtividade direta.

Menos “cringe”, mais eficiência

A atualização foca no que a OpenAI chama de experiência de conversação. Diferente de versões anteriores que brilhavam em testes de lógica, o GPT-5.3 Instant foi treinado para melhorar o tom de voz e a relevância das respostas.

Na prática, isso significa que a IA deve parar de usar frases como “respire fundo” ou “você não está sozinho” quando o usuário demonstra frustração com um código ou texto.

Segundo o site TechCrunch, o modelo da OpenAI foi ajustado para reconhecer a gravidade de uma situação sem tentar “acalmar” o usuário de forma artificial, algo que muitos internautas classificaram como “insuportável” e “infantilizador”.

Fim dos sermões indesejados

A mudança atende a uma enxurrada de críticas vindas de redes sociais como o Reddit. Muitos usuários do modelo 5.2 Instant chegaram a cancelar suas assinaturas Plus devido à postura “palestrinha” do bot. O problema era tão evidente que a própria OpenAI admitiu no X (antigo Twitter): “Ouvimos o feedback e o 5.3 Instant reduz o ‘cringe’”.

As melhorias técnicas incluem:

  • Fluxo de conversa: diálogos mais naturais e menos mecânicos.
  • Relevância contextual: o bot entende melhor quando você quer um fato e quando quer empatia.
  • Remoção de clichês: redução drástica de frases prontas de apoio emocional em contextos inadequados.

Disponibilidade e preço

O GPT-5.3 Instant já está sendo liberado gradualmente para os usuários do ChatGPT Plus, que no Brasil custa US$ 20 por mês (cerca de R$ 100 em conversão direta). A expectativa é que a novidade chegue também à versão gratuita em breve, com limites de uso diário.

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Corredor Data Center 1024x576

IA deixa conta de luz mais cara nos EUA. Brasil deve estar de olho?

O avanço da inteligência artificial e a corrida por novos data centers reacenderam um debate nos Estados Unidos: o crescimento acelerado dessas estruturas pode pressionar a rede elétrica (o sistema que envolve geração, transmissão e distribuição de energia) e, em alguns casos, impactar tarifas. O movimento ocorre em meio à expansão de infraestrutura dedicada a modelos de IA generativa, que exigem grande capacidade computacional e consumo contínuo de energia.

Relatórios recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que o consumo elétrico associado a data centers, criptomoedas e IA pode mais que dobrar até o fim da década. Segundo a entidade, centros de dados já respondem por algo próximo de 1% a 1,5% da demanda global de eletricidade, com tendência de alta puxada principalmente por aplicações de IA.

Nos Estados Unidos, onde há concentração significativa dessas instalações, o crescimento regional da carga elétrica, ou seja, o volume de energia demandado em determinado ponto da rede, tem exigido reforços em geração e transmissão.

O debate não se limita ao volume consumido. Envolve qualidade de energia, estabilidade de tensão, critérios de contingência — parâmetros que garantem operação mesmo em caso de falhas — e, em alguns casos, a possibilidade de repasse de custos à tarifa. Diante desse cenário, surge a questão: o sistema elétrico brasileiro está preparado para uma expansão semelhante?

Aplicações de inteligência artificial elevam a demanda por capacidade computacional e consumo contínuo de energia (Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com)

Governo dos EUA quer que big techs banquem energia de data centers

Nos Estados Unidos, o debate sobre o impacto energético dos data centers ganhou dimensão política ao longo dos últimos meses. Em diferentes manifestações públicas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a defender que as grandes empresas de tecnologia assumam diretamente os custos da energia necessária para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Durante discurso realizado em fevereiro, o presidente afirmou ter determinado que as principais companhias do setor construam suas próprias usinas de geração para abastecer centros de dados. A medida, segundo ele, busca proteger consumidores de possíveis aumentos na conta de luz em um cenário de alta no custo de vida e crescente oposição local a novos projetos.

A posição da Casa Branca não surgiu de forma isolada. Desde janeiro, o governo vinha pressionando empresas para firmar compromissos formais que evitassem o repasse de custos energéticos aos consumidores residenciais. A Microsoft foi a primeira a anunciar ajustes operacionais com esse objetivo, enquanto outras companhias passaram a discutir alternativas como autoprodução e contratos dedicados de fornecimento.

Donald Trump falando
Governo dos Estados Unidos mantém discurso de reforçar corrida tecnológica contra a China, mas afirma que big techs terão que arcar com custos energéticos (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock.com)

Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a Casa Branca agendou para 4 de março uma reunião com executivos de empresas como Microsoft, Meta e Anthropic para formalizar um compromisso voltado à contenção do impacto dos data centers nos preços da eletricidade. A proposta envolve a assinatura de um “Compromisso de Proteção ao Consumidor de Energia Elétrica”, embora o formato final das exigências e eventuais obrigações adicionais ainda não tenha sido detalhado publicamente.

No mês anterior, a operadora PJM Interconnection já havia apresentado alternativas para grandes consumidores reduzirem o impacto sobre a rede, como conectar geração própria ou limitar consumo em momentos de sobrecarga. Empresas como Anthropic e Microsoft anunciaram iniciativas voluntárias para mitigar efeitos dos centros de dados nos preços de energia ao consumidor.

Comparações exigem escala e maturidade de mercado

Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a análise precisa considerar diferenças estruturais entre os dois países, especialmente o tamanho da base instalada. Assim, é um comparativo que necessita de cuidado ao ser feito.

“Em relação ao número de data centers que já tem nos Estados Unidos e ao número que está sendo instalado. Tudo tem que ser colocado em perspectiva”, explica ele. “Um aumento de 10% do que tem nos Estados Unidos é um aumento massivo. Já 10% do que tem no Brasil não é”.

Segundo ele, variáveis energéticas são monitoráveis e historicamente vinculadas ao crescimento econômico. O Brasil já viveu períodos em que a expansão do PIB esbarrou na limitação de oferta de energia. Hoje, porém, o cenário é distinto, com fontes como solar e eólica permitindo acréscimos mais rápidos de capacidade instalada, diferentemente das grandes hidrelétricas que demandam anos de construção.

Igreja também destaca que o país conta com mercado livre de energia (ambiente em que grandes consumidores negociam energia diretamente com geradores) estruturado e geração distribuída consolidada, instrumentos que ampliam alternativas contratuais para grandes consumidores. Ainda assim, alerta para o ritmo projetado de crescimento da IA no consumo global.

Estima-se que a IA vai caminhar para ser de 5% a 7% do consumo de energia global muito rapidamente. O Brasil tem que ter uma agenda para isso para não ser pego de surpresa, mas, mais uma vez, a comparação com os Estados Unidos tem que ser colocada em perspectiva.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação

A dinâmica técnica da pressão energética

Se o debate macroeconômico exige cautela, no plano técnico os impactos são objetivos. A instalação de um grande data center introduz uma carga de elevada potência concentrada — grande consumo de energia conectado em um único ponto físico —, com exigências rigorosas de confiabilidade.

alta tensão
A conexão de grandes data centers à rede pode exigir ampliações em subestações, novos transformadores e reforços nos sistemas de proteção e contingência (Imagem: Bohbeh creations / Shutterstock.com)

Segundo Rudolf Bühler, coordenador dos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação, Inteligência Artificial e Ciência de Dados do Instituto Mauá de Tecnologia, a alteração começa no próprio desenho da rede local.

“A mudança na dinâmica da rede elétrica local ocorre principalmente por introduzir uma carga de elevada potência concentrada em um único ponto de conexão e com exigências rigorosas de confiabilidade e qualidade de energia”, explica ele.

Na prática, isso implica transformadores operando continuamente próximos da plena carga, necessidade de cumprimento de critérios de contingência mais exigentes e revisão de sistemas de proteção. A conexão de centenas de megawatts não exige apenas geração adicional, mas adequações na malha de transmissão — rede de linhas de alta tensão que transporta energia entre regiões —, na transformação e na estabilidade de tensão.

Outro ponto relevante é o perfil eletrônico dessas instalações. A presença massiva de retificadores, UPS e sistemas de conversão pode gerar harmônicos (distorções na forma de onda da corrente elétrica causadas por equipamentos eletrônicos), variações no fator de potência (indicador da eficiência com que a energia é efetivamente utilizada) e oscilações de tensão. O professor Bühler explica que esses efeitos precisam ser monitorados e compensados para evitar impactos na rede local e em consumidores vizinhos.

Uma fileira de racks com equipamentos de fornecimento de energia (UPS) dentro de uma sala de servidores.
Equipamentos de alimentação ininterrupta (UPS) e sistemas de conversão eletrônica influenciam qualidade de energia, fator de potência e estabilidade de tensão na rede local (Imagem: pavlinec / iStock)

Carga base elevada e degraus de expansão

Diferentemente de consumidores industriais que podem reduzir operação em horários de pico, data centers operam com utilização elevada e relativamente constante ao longo do dia, atendendo demanda global ininterrupta.

“A demanda elétrica em um data center tende a ser relativamente contínua e previsível”, afirma Bühler. “No entanto, existem variações decorrentes da expansão das instalações, com a entrada em operação de novos clusters e mudanças operacionais, como momentos em que ocorrem treinamentos intensivos de novos modelos de IA.”

Esses eventos podem produzir degraus de carga significativos — aumentos abruptos no consumo de energia em curtos intervalos de tempo. Por isso, a infraestrutura não pode ser dimensionada apenas pela média de consumo, mas pela demanda contratada máxima, ou seja, o pico de consumo previamente reservado junto à concessionária, e pelas condições de contingência previstas no planejamento da rede.

Nos centros dedicados à IA, explica Bühler, a diferença em relação a data centers tradicionais também é significativa. Há maior densidade de potência por rack (mais energia consumida em menos espaço físico), maior geração de calor e adoção crescente de refrigeração líquida. Esse conjunto eleva a carga total da instalação e pode introduzir maior variabilidade diária, dependendo da estratégia operacional do operador.

Gargalos: geração não é o único fator

Até em países com matriz energética ampla, o risco de sobrecarga regional permanece. A disponibilidade nacional de geração não elimina restrições locais de rede.

Mesmo em países com matriz energética ampla, existe risco de sobrecarga regional. A disponibilidade nacional de geração não elimina restrições locais de rede, como capacidade de transformação, corredores de transmissão saturados ou limitações impostas por critérios de estabilidade.

Rudolf Bühler, professor do Instituto Mauá de Tecnologia

Segundo Bühler, na maior parte das vezes, o primeiro gargalo aparece na distribuição, sobretudo em áreas urbanas onde subestações e alimentadores já operam próximos ao limite. Em projetos de maior porte, conectados em alta tensão, passam a ser necessários reforços em linhas de transmissão e ampliações de subestações.

Em matrizes diversificadas como a brasileira, a geração tende a não ser o principal problema quando se observa o consumo anual agregado. No entanto, podem surgir dificuldades em momentos pontuais de maior demanda ou em regiões específicas com alta concentração de cargas.

Planejamento estruturado e riscos de expansão reativa

No Brasil, a expansão da rede elétrica é conduzida de forma estruturada, com base nos estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e na análise técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A integração de novas cargas ao Sistema Interligado Nacional — rede que conecta a maior parte da geração e do consumo de energia do país — depende da verificação de impactos elétricos e do atendimento a critérios de segurança e contingência.

Esse desenho institucional tende a reduzir improvisações. Ainda assim, o crescimento acelerado e concentrado de grandes cargas pode introduzir caráter parcialmente reativo ao processo.

Obras de transmissão e ampliação de subestações exigem anos para licenciamento e construção. Quando múltiplos empreendimentos buscam conexão em um mesmo corredor elétrico ou região metropolitana, pode ser necessário realizar reforços que não estavam detalhados no planejamento original.

Além disso, Bühler ressalta a importância de mecanismos de garantias financeiras para grandes cargas. Sem esses instrumentos, existe o risco de investimentos em infraestrutura serem realizados para projetos que eventualmente não se concretizam, gerando ineficiências sistêmicas.

É nesse contexto — de necessidade de coordenação entre expansão digital e planejamento elétrico — que surgem propostas de política pública voltadas especificamente ao setor de data centers, como o Redata.

Redata: incentivo a data centers e exigências energéticas

A criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata, surgiu em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura elétrica, tanto no Brasil quanto no exterior. A Medida Provisória nº 1.318/2025 instituiu o programa com foco em reduzir o custo de instalação e expansão de data centers, mas vinculou os benefícios a compromissos diretos relacionados ao suprimento e ao perfil de consumo de energia dessas operações.

O texto alterou a Lei nº 11.196/2005 para incluir o novo regime e estabeleceu regras específicas para empresas interessadas em implantar ou ampliar serviços de datacenter no país. Entre as contrapartidas, estão obrigações ligadas à matriz energética utilizada pelas operações.

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Redata foi instituído com MP, mas prazo para votação no Senado se encerrou sem aprovação (Imagem: Reprodução/CanalGov)

Uso de fontes limpas e atendimento integral da demanda

Para aderir ao Redata, as empresas precisam cumprir critérios de sustentabilidade definidos em regulamento e atender integralmente sua demanda de energia elétrica por meio de contratos de suprimento ou autoprodução a partir de fontes limpas ou renováveis. O texto também prevê metas relacionadas à eficiência hídrica, como limite de consumo de água por quilowatt-hora processado.

Além disso, o regime condiciona os incentivos fiscais à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia da economia digital. Na prática, a política combina desoneração tributária com exigências ambientais e energéticas, em um cenário no qual o consumo intensivo de eletricidade por data centers se tornou ponto central do debate público.

MP caducou e projeto depende do Senado

Embora a Câmara dos Deputados tenha avançado na análise do tema por meio de projeto de lei que incorporou o conteúdo da medida provisória, a MP 1.318/2025 não foi votada a tempo pelo Senado e perdeu validade. Com isso, o regime especial deixou de ter eficácia automática.

O futuro do Redata passa agora por nova articulação legislativa. Em um contexto de expansão da inteligência artificial e aumento da demanda por energia, a definição sobre incentivos fiscais atrelados a compromissos energéticos se tornou parte da discussão mais ampla sobre como financiar e estruturar a infraestrutura elétrica necessária para sustentar o crescimento dos data centers no Brasil.

Independentemente do formato final do Redata, a discussão sobre incentivos fiscais não elimina a questão central do debate energético: quem arca com os investimentos necessários para adaptar a rede elétrica à chegada de grandes cargas?

O custo pode chegar à conta de luz?

O eventual impacto tarifário depende do tipo de investimento necessário.

Reforços ou ampliações de caráter sistêmico (obras que beneficiam o funcionamento geral da rede), quando aprovados pela ANEEL, podem ser incorporados às tarifas e repassados aos usuários da rede. Já obras diretamente atribuíveis ao novo empreendimento — como instalações dedicadas de conexão — tendem a ser custeadas pelo próprio responsável pelo data center, conforme as regras de acesso vigentes.

Isolar não, mas mitigar sim. É possível estruturar contratos e modelos de fornecimento por meio de contratação no mercado livre, acordos de compra de energia de longo prazo e autoprodução associada.

Rudolf Bühler, professor do Instituto Mauá de Tecnologia

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O eventual repasse de investimentos em infraestrutura elétrica depende do tipo de reforço e das regras regulatórias aplicáveis a cada projeto (Imagem: Andrzej Rostek/iStock)

Esses mecanismos permitem mitigar risco de preço e garantir suprimento energético, mas não eliminam completamente os impactos. Mesmo na autoprodução (quando o consumidor investe ou participa de usinas para garantir seu próprio suprimento), permanece a utilização da rede de transmissão e a incidência de custos sistêmicos regulados, salvo quando geração e consumo estão fisicamente no mesmo local.

Em larga escala, também entram em jogo limites de disponibilidade de área, licenciamento ambiental e capacidade de conexão à rede existente.

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O sistema brasileiro está preparado?

Para Rudolf Bühler, não é possível afirmar categoricamente que sim ou que não. A resposta depende de fatores técnicos e regionais.

O Brasil possui matriz diversificada e majoritariamente renovável, além de estrutura regulatória consolidada para planejamento e controle da expansão. No entanto, a prontidão varia conforme a região específica, o nível de tensão de conexão e a margem disponível em subestações e linhas locais. Em áreas com alta densidade de pedidos de conexão, redes menos malhadas ou subestações operando próximas da plena carga, podem ser necessários reforços significativos antes da implantação de projetos de grande porte.

Arthur Igreja acrescenta que o país dispõe de instrumentos de monitoramento que reduzem o risco de surpresas estruturais. “Essas variáveis são monitoráveis. Por exemplo, no Brasil que se tem o operador do sistema, sabemos quanto tem de carga instalada, o consumo médio e isso está muito atrelado ao crescimento econômico.” Segundo ele, esse acompanhamento permite antecipar tendências de expansão da demanda.

Painéis solares e turbinas eólicas sob um pôr do sol alaranjado, simbolizando a transição energética e o uso crescente de fontes renováveis no mundo
Fontes como solar e eólica permitem expansão mais rápida da capacidade instalada, fator apontado como diferencial da matriz elétrica brasileira (Imagem: Soft grass / Shutterstock.com)

Igreja também observa que o contexto atual é diferente de ciclos anteriores, quando o crescimento econômico esbarrava na limitação de oferta. “Hoje tem formas mais rápidas de se adicionar a carga, com fotovoltaico, com eólica, não são aquelas obras que levam 5, 10 anos, como grandes hidrelétricas.” Para ele, a combinação de matriz limpa, mercado livre estruturado e geração distribuída madura cria condições para absorver parte do crescimento, desde que haja coordenação.

Ainda assim, Bühler ressalta que a expansão precisa ser tecnicamente planejada. Ele considera razoável discutir contrapartidas energéticas específicas para novos data centers, desde que contribuam para mitigar riscos sistêmicos e alinhar incentivos, como compromissos firmes de demanda, padrões rigorosos de qualidade de energia e eventual integração com soluções de armazenamento ou autoprodução.

O objetivo, segundo ele, não deve ser criar barreiras artificiais, mas garantir que a expansão ocorra de forma coordenada com o planejamento da rede, preservando segurança elétrica, previsibilidade regulatória e equilíbrio tarifário para os demais consumidores.

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