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ONU faz alerta sobre IA e pede regras globais para proteger crianças

A proteção das crianças virou um dos principais temas do primeiro Diálogo Global da ONU sobre Governança de IA, realizado em Genebra. O encontro reúne governos e especialistas para discutir como acompanhar o avanço acelerado da inteligência artificial.

O debate ganhou força com um apelo de mais de 100 organizações internacionais, que defendem regras mais rígidas e maior responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA.

Mais de 100 organizações pressionam por regras mais rígidas para empresas de IA e maior proteção ao público infantil. – Imagem: Marina Demidiuk/iStock

Guterres faz alerta sobre a velocidade da IA

Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a inteligência artificial está evoluindo mais rapidamente do que governos, empresas e até os próprios desenvolvedores conseguem acompanhar. “Uma tecnologia que pode remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança está sendo implantada mais rápido do que qualquer pessoa, incluindo aqueles que a desenvolvem, consegue acompanhar”, declarou.

Segundo a Reuters, Guterres defendeu a adoção de regras harmonizadas globalmente para acompanhar essa transformação. Para ele, inovação e segurança precisam caminhar juntas. “Se a IA quiser ser poderosa, ela precisa ser governada”, afirmou.

O encontro também analisa a primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial, elaborada por um painel de 40 especialistas apoiado pela ONU.

Crianças entram no centro da discussão

Um dos pontos mais debatidos foi o impacto dos sistemas de IA sobre crianças e adolescentes. Guterres alertou que essas ferramentas já participam do aprendizado, das amizades e até das conversas mais íntimas de menores antes que sua segurança tenha sido comprovada.

Entre as propostas apresentadas estão:

  • comprovar a segurança dos sistemas antes do lançamento para crianças;
  • impedir a geração de imagens sexuais envolvendo menores;
  • interromper conversas quando houver sinais de sofrimento infantil;
  • estabelecer regras internacionais de proteção ao público infantil.

Outro dado citado por Guterres chama a atenção: enquanto a internet levou cerca de 15 anos para alcançar um bilhão de usuários, a IA atingiu essa marca em apenas dois anos. Ele também demonstrou preocupação com a concentração dos sistemas mais avançados em poucos países e empresas.

Mão de uma criança erguida na frente de seu rosto
Debate em Genebra reúne governos e especialistas para discutir como regular a inteligência artificial sem frear a inovação. – Imagem: Marija Stepanovic / iStock

Coalizão pede mudanças nas regras

Na véspera do encontro, mais de 100 organizações, entre elas Anistia Internacional e Save the Children, divulgaram um apelo conjunto. De acordo com a Euronews, a iniciativa é liderada pela 5Rights Foundation e defende que a responsabilidade pela segurança dos sistemas seja das empresas, e não dos pais.

Leia mais:

A coalizão propõe testes prévios de segurança, sanções financeiras para empresas que desrespeitem os direitos das crianças e a proibição do uso comercial de imagens, vozes e dados biométricos de menores.

As crianças nos deram um diagnóstico claro do problema. Elas não estão nos pedindo para bloquear a inovação em IA, mas também não deveríamos ter que limpar a bagunça depois que o dano já aconteceu.

Leanda Barrington-Leach, diretora executiva da 5Rights Foundation, ao Euronews.

Próximos passos da ONU

A Reuters informa que um relatório científico mais amplo será apresentado no próximo ano, acompanhado de uma nova reunião global em Nova York. A expectativa é dar continuidade às discussões sobre mecanismos de governança capazes de acompanhar a rápida evolução da inteligência artificial e ampliar a proteção ao público infantil.

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Processada por Hollywood, Midjourney quer provar que estúdios fazem o mesmo que ela

A Midjourney está sendo processada por Disney, Universal e Warner Bros. por alegada violação de direitos autorais: seus modelos de geração de imagens conseguem reproduzir personagens como Bart Simpson e Darth Vader. Agora, a startup quer virar o jogo: pediu à Justiça que obrigue os estúdios a revelar como eles mesmos usam IA internamente, segundo reportagem do TechCrunch.

A lógica é direta. Se os estúdios desenvolvem modelos de IA para uso interno (em storyboards, desenvolvimento de roteiros ou criação de imagens) e treinam esses modelos com conteúdo sem licença, estariam fazendo exatamente o que acusam a Midjourney de fazer.

O argumento jurídico

A Midjourney defende que treinar seus modelos com imagens de personagens protegidos é permitido pelo princípio do “fair use” – isto é, uso justo, que permite o uso de material protegido em determinadas circunstâncias sem autorização do detentor dos direitos.

A disputa atual gira em torno dos documentos que os estúdios precisam apresentar durante a fase de descoberta de provas. Um juiz já havia determinado que os estúdios deveriam fornecer informações sobre seu uso de IA generativa, mas apenas quando esse uso resultasse em vídeos e imagens voltados ao consumidor final.

“Pescaria seletiva”

Em sua petição mais recente, a Midjourney pede para derrubar essa limitação. Segundo a startup, ela permite que os estúdios “selecionem apenas os documentos que acreditam apoiar suas alegações de dano ao mercado, privando a Midjourney de documentos que sustentariam sua defesa.”

A empresa vai além: afirma que “os documentos que os estúdios estão retendo são precisamente aqueles que revelariam se, nos bastidores, eles estão fazendo exatamente o que estão processando a Midjourney por fazer.”

O advogado principal dos estúdios, David Singer, classificou o pedido como uma “expedição de pesca” — termo jurídico para buscas amplas e especulativas por documentos. Ele afirmou ao Variety que os estúdios “não pretendem parar a tecnologia de IA ou mesmo encerrar o negócio da Midjourney”, mas querem que ela “pare de copiar seus filmes e séries” e de distribuir imagens de personagens famosos sem autorização.

Além dos documentos internos, a startup pede que os estúdios revelem todos os prompts que usaram no próprio Midjourney – e não apenas os que geraram as imagens alegadamente infratoras.

O caso está em andamento no tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos.

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França e Índia disputam investimentos em IA

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificaram, este ano, o contato direto com líderes das maiores empresas de tecnologia do mundo. O objetivo é atrair investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) — data centers, computação em nuvem e chips — para seus países, em um cenário em que Estados Unidos e China seguem na frente e outras nações buscam não ficar para trás.

Os dois líderes se destacam pelo uso de relações pessoais nessa disputa. Macron convenceu o presidente da SoftBank, Masayoshi Son, a investir dezenas de bilhões de dólares em data centers de IA na França.

Modi recebeu o CEO da Amazon, Andy Jassy, na semana passada, e celebrou o que chamou de investimento recorde de US$ 48 bilhões (R$ 248,1 bilhões) da empresa no país, dos quais US$ 21 bilhões (R$ 108,6 bilhões) serão destinados a infraestrutura de IA e nuvem.

Macron e a SoftBank

  • Em maio, a SoftBank anunciou planos de construir 3,1 GW de data centers de IA na França até 2031, como parte de um programa de 75 bilhões de euros (R$ 445,1 bilhões) para implantar 5 GW de capacidade total;
  • Macron havia solicitado uma reunião com Son dois meses antes para convencê-lo a assumir o compromisso, e os dois trocaram mensagens enquanto acertavam os detalhes — foi o próprio Son quem relatou isso em entrevista à CNBC;
  • Durante as negociações, Macron destacou a capacidade energética da França — o país obtém grande parte de sua eletricidade de fontes nucleares — e se comprometeu a garantir 3 GW para os projetos da SoftBank, acima dos 2 GW que ele mesmo havia sugerido inicialmente;
  • “Sua equipe, a equipe do governo, é muito solidária”, disse Son. “A equipe dele e a nossa trabalham em colaboração muito bem.”

Em junho, durante o G7 sediado pela França, Macron articulou a participação de líderes de tecnologia em um almoço de trabalho com chefes de Estado, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Participaram do encontro Sam Altman, da OpenAI; Dario Amodei, da Anthropic; e Demis Hassabis, do Google DeepMind. Também estiveram presentes Arthur Mensch, da Mistral; Aidan Gomez, da Cohere; Uljan Sharka, da italiana Domyn; Victor Riparbelli, da britânica Synthesia; e Robin Rombach, da alemã Black Forest Labs.

Modi e o ecossistema de IA na Índia

Em fevereiro, Modi sediou o AI Impact Summit em Nova Délhi (Índia), reunindo líderes de tecnologia dos EUA. O evento resultou em compromissos de centenas de bilhões de dólares em iniciativas de IA no país.

Em seu discurso de abertura, o primeiro-ministro afirmou: “A Índia não vê medo na IA. A Índia vê fortuna na IA. A Índia vê o futuro na IA”, e convocou líderes globais a “projetar e desenvolver na Índia” para entregar ao mundo.

Atrair investimentos e parcerias em IA é prioridade declarada de Modi. A Índia ainda não produz chips de ponta domesticamente e não possui um modelo de fundação em escala comparável aos líderes dos EUA ou da China — o que a coloca em posição de atraso no setor.

Países querem mais investimentos privados no setor de IA – Imagem: TANYARICO/Shutterstock

Para compensar, o governo tem oferecido isenções fiscais de longo prazo a empresas de grande porte que construam data centers de IA no país e incentivado empresas locais a desenvolver semicondutores.

Antes do summit, a Microsoft anunciou seu maior investimento na Ásia voltado à construção de capacidades soberanas para o futuro de IA da Índia.

O Google, por sua vez, anunciou um investimento de US$ 15 bilhões (R$ 77,5 bilhões) para construir o que descreveu como seu maior hub de IA fora dos EUA. Modi também se reuniu no ano passado com Satya Nadella, da Microsoft, com Sundar Pichai, do Google, e com Lip-Bu Tan, da Intel — todos comprometidos a ajudar a desenvolver o ecossistema de IA indiano.

Leia mais:

Semicondutores e dependência externa

Durante a visita de Modi à Holanda em maio, a empresa holandesa ASML anunciou que fornecerá ferramentas e soluções avançadas de litografia para a fábrica de semicondutores de 300 mm que está sendo instalada pela indiana Tata Electronics.

Tan, da Intel, que se reuniu com Modi em dezembro do ano passado, também assinou como comprador prospectivo de chips produzidos pela Tata Electronics.

A Índia depende fortemente de modelos de IA estrangeiros e de hardware de computação importado, o que torna suas ambições no setor vulneráveis a diretrizes de controle de exportação de outros países.

A recente valorização global das ações de IA não se refletiu no mercado indiano, em razão da ausência de grandes empresas locais do setor — o que torna ainda mais evidente a urgência de Modi em atrair capital e tecnologia.

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Você está falando com uma IA? Projeto quer obrigar empresas a avisar consumidores; veja o que muda

A inteligência artificial já faz parte da rotina: ela recomenda produtos, responde atendimentos por chatbots, analisa pedidos de crédito, auxilia operadoras de planos de saúde e até participa de sistemas de prevenção a fraudes. Mas, à medida que essas tecnologias ganham espaço, também crescem as preocupações sobre como decisões automatizadas podem afetar a vida dos consumidores.

Foi nesse contexto que a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece regras específicas para proteger usuários em casos de aplicação da IA em produtos e serviços.

Entre as medidas previstas estão a obrigatoriedade de informar quando o usuário estiver interagindo com uma IA, o direito de solicitar revisão humana em decisões automatizadas, mecanismos para combater discriminação algorítmica e a possibilidade de pedir a exclusão de dados utilizados por esses sistemas.

A proposta ainda será analisada por outras comissões da Câmara antes de seguir para o Senado.

O Olhar Digital consultou advogados especializados em direito digital e do consumidor. Na avaliação dos especialistas, o projeto representa um avanço ao adaptar direitos já existentes à realidade da inteligência artificial.

Embora a maior parte das garantias já encontre respaldo no Código de Defesa do Consumidor e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o texto deve transformar esses princípios em obrigações mais claras para as empresas, reduzindo dúvidas sobre direitos e deveres em relação a sistemas automatizados.

O que muda para o consumidor?

Para Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados, a proposta não cria um sistema novo de proteção, mas torna mais específicas regras que antes estavam previstas de forma genérica na legislação.

“O projeto representa, em grande medida, um aperfeiçoamento e uma adaptação do sistema de proteção do consumidor às novas tecnologias”, afirmou.

Segundo a advogada, direitos como informação adequada, transparência, proteção da privacidade e reparação por danos já existem, mas passam a ser direcionados especificamente ao contexto da inteligência artificial.

O consumidor passa a ter maior previsibilidade sobre a forma como a tecnologia influencia decisões que afetam seus direitos e interesses, fortalecendo a efetividade dos princípios da informação, da vulnerabilidade do consumidor e da boa-fé objetiva.

Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados

Juliana Sene Ikeda, advogada e sócia do Campos Thomaz Advogados, destaca que o projeto reduz a margem de interpretação sobre as obrigações das empresas ao cumprir a LGPD. Ela compara o projeto a uma tentativa de criar um “padrão mínimo comum inspirado no AI Act europeu”.

Projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania – Imagem: bigjom jom/Shutterstock

Transparência passa a ser obrigação

Uma das principais mudanças previstas pelo projeto é a exigência de que empresas informem de maneira clara quando o consumidor estiver interagindo com inteligência artificial ou diante de conteúdos produzidos por esses sistemas. Na prática, isso significa que chatbots, assistentes virtuais e outras ferramentas automatizadas deverão deixar evidente que não são operados por uma pessoa.

Para Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos, essa transparência é fundamental para equilibrar a relação entre consumidores e empresas.

A transparência é um dos pilares para o uso responsável da inteligência artificial. O consumidor precisa saber quando está interagindo com um sistema automatizado para compreender a natureza daquela interação, exercer seus direitos de forma consciente e, quando necessário, solicitar revisão ou atendimento humano.

Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos

Segundo o advogado, identificar claramente a presença da IA também ajuda a reduzir a assimetria de informações, facilita a contestação de decisões automatizadas e contribui para identificar possíveis falhas dos sistemas.

Ao mesmo tempo, ele pondera que essa obrigação precisa ser proporcional para não criar burocracias desnecessárias em aplicações que não representam risco ao consumidor.

Ikeda acrescenta que a medida pode coibir práticas como “atendimentos automatizados apresentados como humanos, conteúdos gerados por IA sem identificação e recomendações comerciais disfarçadas de indicação neutra”.

Na avaliação da especialista, os maiores impactos devem ser sentidos por plataformas de comércio eletrônico, aplicativos financeiros e empresas que utilizam chatbots como principal canal de atendimento ao consumidor.

Outro ponto considerado central pelos especialistas é o direito de pedir revisão humana quando uma decisão automatizada afetar diretamente o consumidor. Pelo projeto, será possível solicitar esclarecimentos sobre os critérios utilizados por sistemas de IA em situações como negativa de crédito ou outros processos automatizados, além de recorrer da decisão.

Para Vlavianos, essa previsão pode fazer diferença justamente nos casos em que algoritmos produzem efeitos concretos sobre a vida das pessoas. Ela cita como exemplos a concessão ou negativa de crédito, contratação de seguros, análise de planos de saúde, identificação de supostas fraudes bancárias, suspensão de contas em plataformas digitais, recusa de serviços e processos automatizados de análise cadastral.

Segundo a advogada, embora sistemas de inteligência artificial sejam capazes de analisar grandes volumes de dados, eles também podem reproduzir erros ou vieses presentes nas informações utilizadas durante seu funcionamento. Nesses casos, a revisão por uma pessoa funciona como uma camada adicional de proteção para corrigir decisões injustas e considerar particularidades que um algoritmo pode não conseguir avaliar.

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Empresas serão obrigadas a informar quando usuários estiverem conversando com uma IA – (Imagem: Summit Art Creations / Shutterstock.com)

Exclusão de dados: novo direito, mas com limites

Outro ponto previsto na proposta é o direito de o consumidor solicitar a exclusão de seus dados dos bancos utilizados para treinar ou operar sistemas de inteligência artificial. A medida busca dar mais controle sobre o uso de informações pessoais – mas, na prática, a aplicação não deve ser tão simples.

O próprio texto estabelece exceções, como dados relacionados ao ecossistema de crédito. Isso desde que sejam observadas as regras do Código de Defesa do Consumidor e da Lei Geral de Proteção de Dados.

Para Daniela Poli Vlavianos, esse direito precisará conviver com outras hipóteses previstas na legislação. Por exemplo: empresas podem ser obrigadas a manter determinadas informações dos usuários para cumprir exigências legais, regulatórias ou fiscais, além de utilizá-las para o exercício de direitos em processos judiciais.

Outro desafio está na própria tecnologia.

Em determinados casos, especialmente quando os dados já tiverem sido anonimizados de forma irreversível ou incorporados a modelos de inteligência artificial sem possibilidade técnica de individualização, a exclusão poderá enfrentar limitações práticas e tecnológicas.

Daniela Poli Vlavianos, advogada e sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados

Thomaz Côrte Real destaca que apagar um dado do banco de informações não significa, necessariamente, eliminá-lo de um modelo de IA já treinado. Segundo o advogado, esse processo -conhecido como machine unlearning – ainda representa um desafio para a ciência da computação e, dependendo da arquitetura do sistema, pode exigir até mesmo o retreinamento completo do modelo.

Por isso, ele defende que a futura legislação considere as limitações tecnológicas atuais.

Juliana Sene Ikeda faz uma avaliação semelhante. Ela lembra que a própria LGPD já prevê hipóteses em que dados pessoais podem ser mantidos, como para cumprimento de obrigações legais ou uso anonimizado em pesquisas. Além disso, afirma que ainda existe um debate técnico sobre o que significa, na prática, remover um dado que já influenciou o funcionamento de um sistema de inteligência artificial.

Como provar que uma IA discriminou um consumidor?

Além de ampliar direitos relacionados à transparência, o projeto também proíbe o uso de sistemas que provoquem discriminação algorítmica – ou seja, tratamentos desiguais motivados por fatores como raça, sexo, idade ou deficiência. Para reduzir esse risco, o texto prevê auditorias periódicas e canais para denúncia e reparação de danos.

Na avaliação dos especialistas, no entanto, esse será um dos pontos mais desafiadores da futura legislação.

Segundo Real, alguns modelos de IA possuem baixo grau de explicabilidade, o que dificulta identificar exatamente quais fatores levaram a determinada decisão. Ainda assim, o advogado ressalta que isso não impede a produção de provas.

Ikeda explica que o consumidor dificilmente terá acesso ao algoritmo ou aos dados utilizados para treinar esses sistemas. Ela ressalta que a eficácia da medida dependerá da forma como essas auditorias serão regulamentadas.

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Entre as novidades, o projeto autoriza o uso de IA certificada pelo Executivo para revalidar receitas de medicamentos de uso contínuo – Imagem: khunkornStudio/Shutterstock

Bancos, planos de saúde e comércio eletrônico devem sentir os maiores impactos

Os três especialistas ouvidos pela reportagem concordam que as novas exigências devem atingir principalmente os setores que já utilizam inteligência artificial para tomar decisões capazes de afetar diretamente os consumidores.

Segundo Daniela Poli Vlavianos, instituições financeiras precisarão rever sistemas utilizados para análise de crédito, prevenção a fraudes e definição de limites financeiros, enquanto operadoras de planos de saúde poderão enfrentar maior escrutínio sobre algoritmos empregados na autorização de procedimentos e análise de cobertura.

Ela acrescenta que o comércio eletrônico também deverá ampliar a transparência em ferramentas de recomendação de produtos, publicidade personalizada e precificação dinâmica. Já empresas que utilizam assistentes virtuais terão de deixar claro quando o atendimento for automatizado e oferecer canais de atendimento humano sempre que necessário.

Para Thomaz Côrte Real, mais do que mudar a tecnologia utilizada, a proposta tende a elevar o nível de governança exigido das empresas. Documentação dos modelos, gestão de riscos, auditorias periódicas, políticas de transparência e mecanismos de prestação de contas devem ganhar ainda mais importância nas estratégias de conformidade das organizações.

Especialistas veem avanço, mas defendem aperfeiçoamentos

Apesar de considerarem o projeto um passo importante para adaptar as relações de consumo ao avanço da inteligência artificial, os três especialistas entendem que o texto ainda pode ser aperfeiçoado antes de uma eventual aprovação definitiva.

Para Vlavianos, a proposta fortalece a confiança entre empresas e consumidores ao exigir mais transparência e ampliar mecanismos de controle sobre dados pessoais. Ainda assim, ela afirma que ainda será necessário definir critérios objetivos para identificar quais sistemas estarão sujeitos às regras mais rígidas, além de esclarecer como ocorrerá a fiscalização e quais órgãos serão responsáveis por aplicar a nova legislação.

Thomaz Côrte Real chama atenção para outro ponto: a necessidade de harmonizar esse projeto com o PL 2.338/2023, que estabelece um marco regulatório geral para a inteligência artificial no Brasil.

O grande desafio do legislador é construir uma regulação que fortaleça a confiança do consumidor sem criar barreiras desproporcionais ao desenvolvimento tecnológico. Proteção de direitos fundamentais, segurança jurídica e incentivo à inovação precisam caminhar juntos.

Thomaz Côrte Real, advogado e sócio do M. A. Santos

Já Juliana Sene Ikeda avalia que o projeto ajuda a tornar mais concretos princípios já previstos na LGPD e no Código de Defesa do Consumidor, mas questiona a necessidade de novas regulamentações. Segundo ela, diversas regras práticas ainda dependerão de normas complementares para sair do papel, o que levanta uma discussão sobre a efetividade da proposta caso seja aprovada.

Aprovado pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, o projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois disso, precisará ser votado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para se tornar lei.

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Filme com Brad Pitt foi feito por uma IA? Jodie Foster acha que sim

Durante a participação em um evento no festival Aspen Ideas, a atriz Jodie Foster afirmou acreditar que o filme “F1”, estrelado por Brad Pitt e lançado no ano passado, teria sido produzido com forte influência de inteligência artificial. A declaração foi feita em um painel sobre o futuro da indústria audiovisual.

A intérprete, vencedora de dois Oscars, descreveu a obra como um exemplo de produção em que estruturas narrativas e diálogos se aproximariam de padrões associados a sistemas automatizados. Segundo ela, isso indicaria a presença da tecnologia no processo criativo.

As falas surgem em meio a discussões crescentes em Hollywood sobre o uso de IA, seus impactos no mercado de trabalho e as transformações nos métodos de produção cinematográfica.

Debate sobre IA ganha força após comentário de Jodie Foster

F1 (2025) / Credito: Warner Bros. Pictures, Apple Original Films (divulgação)

Conforme relato da participação da atriz no Aspen Ideas Festival, Jodie Foster avaliou que o longa “F1” apresenta uma construção narrativa extremamente alinhada a modelos considerados previsíveis. Ela associou essa característica a possíveis interferências de inteligência artificial no processo de desenvolvimento do roteiro.

Ela também indicou que os diálogos dos personagens pareceriam seguir padrões altamente convencionais. Ainda de acordo com a atriz, isso reforçaria a ideia de que ferramentas automatizadas poderiam ter influenciado a escrita do longa estrelado por Brad Pitt.

Além da análise sobre “F1”, Foster mencionou a possibilidade de a inteligência artificial provocar mudanças significativas no mercado de trabalho do entretenimento, com impacto direto sobre funções tradicionais da indústria.

Ela também sugeriu que sindicatos poderiam atuar na regulamentação do uso da tecnologia, defendendo compensações adicionais caso atores tenham suas imagens ou performances replicadas por sistemas digitais.

A atriz reconheceu, no entanto, usos positivos da IA em etapas específicas da produção, como planejamento visual e construção de pré-visualizações. Como exemplo, citou o filme Uma Vida Privada em que imagens geradas por IA foram utilizadas em uma sequência de sonho.

Ainda segundo a artista, esse experimento resultou em um efeito satisfatório, mesmo com imagens descritas como pouco coerentes do ponto de vista lógico.

O debate ocorre em um momento em que o filme “F1” alcançou grande desempenho comercial, com arrecadação global superior a 634 milhões de dólares e reconhecimento em premiações, incluindo o Oscar de melhor som e indicações em outras categorias técnicas.

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Chrome e outros navegadores com IA apresentam falhas de segurança, aponta pesquisa

Navegadores com IA vêm ganhando espaço ao prometer automatizar tarefas como organizar viagens e executar ações dentro da web. Mas um estudo da Universidade de Washington, divulgado pelo TechXplore, mostra que essa conveniência pode ter um custo: riscos reais à segurança dos dados.

A pesquisa analisou navegadores com IA integrada e identificou falhas que podem permitir acesso indevido a informações sensíveis durante o uso automatizado.

IA nos navegadores pode executar ações na web, mas também ser explorada por ataques cibernéticos. – Imagem: Nwz/Shutterstock

Navegadores com IA e o novo risco

Esses sistemas funcionam como assistentes dentro do próprio navegador. Eles abrem páginas, fazem buscas e executam tarefas. Só que essa autonomia não vem sem problemas.

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O estudo avaliou sete navegadores com agentes de IA e encontrou vulnerabilidades em quatro deles. Em alguns casos, foi possível contornar a chamada política de mesma origem, mecanismo essencial da web que impede a troca de dados entre sites diferentes.

Falhas na “política de mesma origem”

Em um dos testes, os pesquisadores exploraram o ChatGPT Atlas em um ataque de prova de conceito. Um site malicioso incorporado conseguiu acessar informações sensíveis do usuário. O mesmo tipo de comportamento foi observado no Chrome com Gemini, no Claude para Chrome e no Perplexity Comet.

Nem todos os navegadores apresentaram o mesmo nível de risco. Aqueles com menos permissões para agentes acabaram sendo os mais seguros, segundo o estudo.

Smartphone mostrando o navegadores de IA
Agentes de IA podem ser enganados por instruções ocultas em páginas maliciosas da web. – Imagem: Koshiro K/Shutterstock

Como os ataques acontecem na prática

O problema central está na chamada injeção de prompt. Na prática, páginas maliciosas escondem instruções que o agente de IA pode interpretar como comandos legítimos.

Esses ataques aparecem de formas diferentes:

  • instruções ocultas em páginas que influenciam o comportamento do agente
  • exploração de permissões entre abas e conteúdos incorporados
  • “envenenamento de memória”, que interfere em ações futuras
  • combinação indevida de dados de diferentes fontes

Os agentes de navegador não estão prontos para o público. Mesmo usuários experientes podem ser afetados se esses sistemas tiverem acesso a credenciais como e-mail ou banco. Ainda não há confiança suficiente nesses mecanismos.

David Kohlbrenner, pesquisador da Universidade de Washington e coautor sênior do estudo, em nota.

O que os pesquisadores alertam

“Essa política é fundamental para a forma como os navegadores modernos protegem suas informações”, afirmou a coautora sênior Franziska Roesner. Ela reforça que o isolamento entre sites continua sendo uma das bases da segurança na web.

O estudo conclui que os navegadores com IA avançam rapidamente em capacidade, mas a segurança ainda não acompanhou esse ritmo.

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Tesla limita uso de IA e favorece ferramentas da xAI

A Tesla definiu um teto interno de US$ 200 por semana para uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários, segundo o Electrek. A regra começa em 6 de julho e não inclui produtos da xAI, ligada a Elon Musk.

A mudança ocorre depois de um período em que a empresa incentivava o uso intenso dessas ferramentas no dia a dia.

Tesla tenta equilibrar inovação e controle de custos ao impor teto semanal para ferramentas de inteligência artificial. – Imagem: DiPres/Shutterstock

Quando o incentivo virou custo alto

Nos últimos meses, equipes da Tesla passaram a usar IA de forma mais agressiva. A empresa chegou a criar sistemas internos para acompanhar o consumo de tokens e estimular uso entre engenheiros.

O efeito colateral veio rápido. Em alguns casos, os custos semanais chegaram a milhares de dólares por funcionário.

  • uso intensivo de IA na engenharia
  • monitoramento de consumo de tokens
  • aumento rápido de gastos
  • ausência de limite central no início
Mão segurando smartphone com o logo do Claude exibido na tela, sobre fundo com números digitais em azul.
Mesmo com incentivo da empresa, parte dos funcionários ainda prefere o Claude ao Grok da xAI. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A exceção que muda o jogo interno

A nova política chama atenção por um detalhe específico: ferramentas da xAI ficam fora do limite de gastos.

Isso, na prática, favorece o uso de soluções do próprio ecossistema de Elon Musk, como o Grok, dentro da Tesla.

Ferramentas disputam espaço dentro da empresa

Mesmo com incentivo interno, o Grok não virou padrão entre os engenheiros. Segundo relatos citados pelo Electrek, parte da equipe ainda prefere o Claude, da Anthropic.

A distância entre política e uso real aparece de forma clara aqui.

Ilustração de IA usada no sistema financeiro
Mudança na Tesla mostra como o uso de IA virou também uma questão de orçamento interno. – Koupei Studio / Shutterstock

IA virou peça central na Tesla

Musk afirma que o futuro da Tesla depende menos de carros e mais de inteligência artificial aplicada em Robotaxis e no robô Optimus.

Leia mais:

Enquanto isso, a empresa amplia o uso de IA em engenharia e produção com ferramentas internas treinadas em dados próprios.

O limite de gastos, no fim, mostra uma correção interna: a Tesla tenta controlar custos sem frear a expansão da IA dentro da operação.

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Anthropic pretende desenvolver medicamentos com uso de IA

A Anthropic comunicou sua intenção de desenvolver medicamentos próprios, marcando uma ampliação significativa de sua atuação para além da criação de sistemas de inteligência artificial. A iniciativa foi apresentada em um contexto de crescente interesse do setor tecnológico pela pesquisa farmacêutica, com empresas buscando aplicar modelos avançados na geração de novos tratamentos.

De acordo com a companhia, o foco inicial estará na identificação de terapias voltadas a doenças negligenciadas. A informação foi compartilhada por um responsável pela área de ciências da vida da empresa durante um evento recente dedicado ao uso de inteligência artificial na ciência.

Especialistas ouvidos no setor afirmam que, embora a inteligência artificial já esteja integrada a diferentes fases da pesquisa biomédica, o desenvolvimento de um medicamento ainda depende de etapas extensas de validação experimental, o que torna o caminho até pacientes longo e incerto.

Expansão da atuação da Anthropic na saúde

Medicamentos – Imagem: Rizieq/Shutterstock

A decisão da Anthropic de entrar diretamente no campo da descoberta de fármacos ocorre em meio a uma movimentação mais ampla de empresas de tecnologia e biotecnologia que buscam aplicar inteligência artificial no desenvolvimento de novos tratamentos. A companhia passa a integrar um grupo que inclui iniciativas de grandes empresas de tecnologia, startups especializadas e projetos ligados a farmacêuticas tradicionais.

Segundo Eric Kauderer Abrams, responsável pela área de ciências da vida da empresa, a estratégia inicial envolve a busca por tratamentos destinados a doenças negligenciadas. Ele não detalhou, no entanto, como possíveis candidatos a medicamentos seriam conduzidos nas etapas posteriores do processo de desenvolvimento, como testes laboratoriais ou ensaios clínicos.

O cenário competitivo já conta com empresas como Insilico, o projeto Isomorphic Labs e diversas iniciativas de grandes farmacêuticas que utilizam sistemas de inteligência artificial para acelerar etapas da pesquisa. Apesar disso, especialistas afirmam que essas tecnologias ainda atuam principalmente como suporte, sem substituir o processo experimental tradicional.

Pesquisadores do setor observam que a inteligência artificial pode contribuir para a geração de hipóteses, identificação de moléculas e análise de dados biológicos. Ainda assim, apontam que a transição dessas descobertas para medicamentos aprovados depende de validações rigorosas e demoradas.

Limitações e desafios no caminho até os pacientes

Robô humanoide Eno trabalhando em um laboratório
Robô humanoide trabalhando em um laboratório – (Reprodução: Genesis AI)

Especialistas destacam que o uso de inteligência artificial na descoberta de medicamentos não elimina a necessidade de experimentação em laboratório e em seres humanos. Testes de segurança, eficácia e estabilidade continuam sendo etapas obrigatórias e complexas no desenvolvimento de qualquer fármaco.

Pesquisadores também ressaltam que a limitação de dados experimentais disponíveis dificulta avanços mais rápidos. Mesmo com ferramentas capazes de explorar combinações químicas em larga escala, ainda existem lacunas relevantes no entendimento de como diferentes substâncias se comportam no organismo.

Outro ponto apontado no setor é o tempo necessário para aprovação regulatória. O desenvolvimento completo de um medicamento pode levar anos, e não há registros de fármacos desenvolvidos por inteligência artificial que tenham concluído todas as fases até chegar ao mercado. Em alguns casos, candidatos gerados com apoio de IA já chegaram a testes clínicos, mas sem clareza sobre o grau real de contribuição dessas ferramentas.

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Data centers de IA escondem consumo gigante de água

Data centers usados para inteligência artificial estão consumindo muito mais água do que as big techs costumam divulgar, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

O ponto central não está só no resfriamento dos servidores, mas também na água usada para gerar a energia que mantém toda essa estrutura funcionando.

Resfriamento de servidores e geração de energia explicam por que a IA pressiona recursos hídricos em escala global. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

O avanço da IA e o consumo que não aparece

A expansão acelerada da inteligência artificial levou empresas como Microsoft, Google e Amazon a ampliar sua infraestrutura de data centers em ritmo global. O que chama atenção, segundo a reportagem, é que parte relevante do impacto ambiental fica fora dos relatórios oficiais.

Esses documentos costumam registrar apenas a água usada diretamente nos centros de dados. Mas existe um segundo nível de consumo, ligado às usinas de energia que alimentam essas operações. Em alguns casos, ele pode superar o uso direto com folga.

Estudos nos Estados Unidos indicam que esse consumo indireto pode chegar a ser até 12 vezes maior do que o declarado, dependendo da matriz energética utilizada.

Logos das bigtechs em um smartphone
Google, Microsoft e Amazon ampliam data centers enquanto cresce o alerta sobre uso de água na infraestrutura digital. – Imagem: gguy/Shutterstock

Energia, água e um efeito em cadeia

O impacto varia bastante conforme a fonte de energia. Usinas a carvão e nucleares exigem grandes volumes de água para resfriamento. Já o gás natural reduz esse uso, enquanto solar e eólica praticamente não dependem de água.

Um estudo citado pela reportagem aponta que, no caso do Google, o consumo indireto pode ser cerca de três vezes maior do que o direto.

  • Resfriamento dos servidores representa o consumo mais visível
  • Geração de energia pode ampliar o impacto total de forma significativa
  • Combustíveis fósseis elevam a demanda por água
  • Fontes renováveis reduzem quase totalmente esse consumo
  • Parte relevante do impacto não entra nos relatórios corporativos

O problema da transparência limitada

Hoje, não existe exigência legal para que empresas divulguem todo o consumo de água ligado à IA. Isso abre margem para críticas de especialistas e autoridades ambientais, que apontam subnotificação frequente.

A Meta, por exemplo, já reconheceu que seu consumo indireto pode ser mais de 20 vezes maior do que o direto. Ainda assim, a maior parte das empresas continua focando apenas no uso interno dos data centers.

imagem mostra o balançar lento das águas de um oceano profundo
Fontes fósseis elevam o consumo de água, enquanto energia solar e eólica reduzem drasticamente esse impacto ambiental. – Imagem: Matt Hardy/Unsplash)

Soluções começam a ganhar espaço

Para reduzir o impacto, empresas têm apostado em sistemas de resfriamento em circuito fechado, que reaproveitam a água em vez de descartá-la continuamente.

Leia mais:

A Nvidia afirma que essa tecnologia pode praticamente eliminar o consumo direto de água em novas instalações. A Microsoft também planeja adotar soluções semelhantes nos próximos anos.

Mesmo com essas iniciativas, boa parte da infraestrutura atual ainda depende de sistemas evaporativos, que consomem mais água, apesar de eficientes em energia.

No fim, o crescimento da inteligência artificial reforça um dilema direto: quanto mais poder computacional, maior a pressão sobre recursos naturais já limitados.

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Argentina quer criar empresas geridas por inteligência artificial — mas há um detalhe

A Argentina colocou em discussão um modelo de empresas que poderiam ser administradas por inteligência artificial, mas ainda com supervisão humana obrigatória, afirma a Reuters.

O tema ganhou força depois de declarações do presidente Javier Milei, que levantaram tanto interesse quanto dúvidas no setor jurídico e tecnológico.

IA pode assumir decisões em empresas argentinas, mas ainda sob controle legal de administradores humanos. – Imagem: CL STOCK / Shutterstock

A proposta em debate

A ideia apresentada pelo governo argentino sugere um tipo de empresa em que sistemas de inteligência artificial poderiam assumir decisões do dia a dia. O plano foi descrito por Milei em um artigo publicado no Financial Times e integra uma reforma mais ampla do ambiente corporativo do país.

Mesmo com o tom inovador, não se trata de eliminar pessoas da estrutura. Qualquer empresa desse tipo ainda precisaria de um responsável legal para responder pelas operações.

Milei sintetizou o espírito da proposta com a frase: “Estamos abertos para negócios”.

O que muda na prática

O projeto abre espaço para que a IA participe diretamente da gestão, mas sem retirar a responsabilidade dos administradores humanos. Ou seja, a automação cresce, mas a responsabilização continua sendo humana.

O professor Lawrence Cunningham, da Universidade de Delaware, comentou o tema com cautela: “Seria um primeiro passo muito ousado dispensar completamente a intervenção humana”.

Entre os pontos centrais discutidos na proposta estão:

  • Uso de inteligência artificial em decisões operacionais
  • Possível redução de estruturas corporativas tradicionais
  • Modelos de gestão mais automatizados
  • Responsabilidade legal mantida com humanos
  • Integração com tecnologias como blockchain
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Especialistas discutem riscos e limites de empresas que utilizam inteligência artificial na tomada de decisões. – Imagem: Nadzeya_Dzivakova/iStock

O debate que se formou

A proposta também abriu espaço para uma discussão mais ampla sobre limites da inteligência artificial dentro de empresas.

O historiador Yuval Noah Harari alertou que o aumento da autonomia da IA pode enfraquecer a responsabilização corporativa e criar áreas cinzentas no campo jurídico.

Do lado do governo, a avaliação é mais otimista. Em comunicado citado pela Reuters, o objetivo seria tornar o ambiente regulatório mais atrativo para investimentos em tecnologia.

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Regulamentação em estudo busca permitir uso de IA sem abrir mão de supervisão e controle humano. – Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock

Um modelo ainda em teste

Apesar do debate intenso, especialistas tratam a proposta como um experimento regulatório, não como uma mudança imediata no mercado.

Leia mais:

A própria Reuters observa que outros países já exploram estruturas semelhantes, mas ainda de forma limitada e experimental.

Mesmo com o avanço da IA em diversas áreas, pesquisadores reforçam que a tecnologia ainda não tem autonomia suficiente para substituir decisões humanas complexas no ambiente corporativo.

No fim, a iniciativa argentina funciona mais como um ensaio de futuro do que como uma transformação já estabelecida — mas suficiente para movimentar o debate global sobre o papel da inteligência artificial nas empresas.

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