A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA, na sigla em inglês) está utilizando o modelo de inteligência artificial Mythos, desenvolvido pela Anthropic, para auditar códigos de software do governo em busca de vulnerabilidades de segurança. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) por três fontes com conhecimento do assunto à Reuters.
Segundo as fontes, a ferramenta está sendo empregada para analisar repositórios de código do governo estadunidense em busca de falhas que possam ser exploradas por espiões estrangeiros ou criminosos cibernéticos.
De acordo com uma das fontes, o trabalho de análise está sendo conduzido pela equipe Attack Surface Evaluation, unidade da CISA responsável por realizar avaliações de segurança digital e exercícios de invasão em órgãos do governo.
Duas das fontes afirmaram que as auditorias já identificaram um grande número de vulnerabilidades, mas não forneceram detalhes. A Reuters não conseguiu confirmar quanto código-fonte já foi analisado nem a quantidade, a natureza ou a gravidade das falhas encontradas.
Relação conturbada entre Anthropic e governo dos EUA
A utilização do Mythos pela CISA ocorre em meio a uma relação marcada por tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos.
A empresa, sediada em San Francisco e que apresentou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO) nos Estados Unidos, enfrentou um dos momentos mais delicados dessa relação em fevereiro, quando se recusou a remover mecanismos de proteção que impediam que sua inteligência artificial fosse utilizada em armas autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica.
Como consequência, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou formalmente a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos, uma designação que, até então, havia sido aplicada apenas a empresas estrangeiras suspeitas de facilitar atividades de espionagem.
Essa medida acabou sendo bloqueada por um juiz em março. Desde então, o conflito diminuiu após o lançamento privado do Mythos, modelo de inteligência artificial descrito como altamente capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de segurança cibernética.
Outras agências federais também estariam utilizando a IA da Anthropic – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Segundo informações publicadas anteriormente pelo Axios, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) utiliza o Mythos desde pelo menos abril, mesmo durante o período em que a classificação de risco ainda estava em vigor.
No fim do mês passado, o jornal The New York Times informou que analistas da NSA vinham testando o modelo em ambientes classificados e haviam ficado impressionados com suas capacidades.
Posteriormente, a Anthropic lançou uma versão pública do Mythos chamada Fable, que, segundo a empresa, incluía mecanismos de proteção voltados para segurança cibernética.
Após esse lançamento, a Casa Branca exigiu que a Anthropic impedisse o acesso de usuários estrangeiros ao modelo. A decisão provocou uma suspensão global da ferramenta, que só foi encerrada na semana passada.
O que dizem os citados
A Reuters procurou a Anthropic, que não respondeu aos questionamentos sobre a iniciativa. Um representante da CISA informou no mês passado que verificaria se havia informações que poderiam ser compartilhadas sobre o projeto, mas não respondeu aos contatos posteriores. Por fim, a NSA não quis comentar o assunto.
A inteligência artificial pode ser uma das protagonistas das eleições de 2026. As ferramentas já são capazes de criar imagens, vídeos, áudios e textos cada vez mais realistas, ampliando o risco de disseminação de conteúdos falsos e manipulados capazes de influenciar o eleitorado.
Para enfrentar esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma série de mudanças nas regras da propaganda eleitoral. As novas normas estabelecem limites para o uso da IA por candidatos, partidos, federações e plataformas digitais, além de criar mecanismos para aumentar a transparência e combater a desinformação.
As alterações fazem parte da Resolução nº 23.755/2026, que atualiza a Resolução nº 23.610/2019, responsável por disciplinar a propaganda eleitoral. As regras valerão durante toda a campanha das eleições 2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com votação para os cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
Para a advogada Tayná Frota de Araújo, do VLK Advogados, a principal mudança é que esta será a primeira eleição geral realizada sob um conjunto mais estruturado de regras para o uso da inteligência artificial. Segundo ela, a resolução cria medidas preventivas, reforça a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e estabelece novas responsabilidades para plataformas digitais.
Uso de IA continua permitido, mas com regras
A Justiça Eleitoral não proibiu o uso da inteligência artificial nas campanhas.
Candidatos e partidos poderão utilizar ferramentas de IA para produzir materiais de divulgação, desde que respeitem as regras estabelecidas pelo TSE:
A principal delas é a obrigatoriedade de informar de maneira clara quando um conteúdo for criado ou significativamente alterado por inteligência artificial;
A identificação deverá ser explícita, estar destacada e facilmente acessível ao eleitor;
A exigência vale para todos os formatos de conteúdo, incluindo textos, imagens, vídeos e áudios.
O objetivo é garantir transparência e impedir que eleitores confundam materiais sintéticos com registros reais de acontecimentos.
Uma das principais preocupações da Justiça Eleitoral é o uso de deepfakes. Segundo o TSE, a utilização desse tipo de material para prejudicar ou favorecer candidaturas está proibida. Também não será permitido divulgar conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados que possam comprometer a integridade do processo eleitoral ou induzir o eleitor ao erro.
A norma ainda reforça que permanece proibida qualquer forma de desinformação capaz de afetar o equilíbrio da disputa eleitoral.
A advogada Beatriz Haikal, sócia fundadora do BBL Advogados, explica que a regulamentação não impede o uso da tecnologia, mas estabelece critérios para separar o uso legítimo da propaganda irregular.
Segundo ela, ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar peças gráficas, avatares e outros materiais de campanha, desde que haja transparência quando o conteúdo for significativamente alterado. Já a fabricação de cenas falsas utilizando voz ou imagem de pessoas reais continua proibida.
Willians Sebriam, advogado da Revio, complementa que a principal preocupação do TSE é impedir que a tecnologia seja utilizada para fabricar situações inexistentes.
O uso de IA não foi banido das campanhas, ele foi regulamentado. O TSE entende que a tecnologia é uma ferramenta legítima de eficiência e criatividade de forma que um candidato pode usar IA de forma 100% regular, desde que respeite os princípios da transparência e da veracidade.
Willians Sebriam, advogado da Revio
Candidatos podem usar IA, mas com regras – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Restrição no período próximo à votação
Outra novidade para as eleições deste ano é a criação de uma janela de restrição para conteúdos produzidos com inteligência artificial.
Entre as 72 horas que antecedem o primeiro e o segundo turno e as 24 horas posteriores ao encerramento da votação, fica proibida a publicação, o compartilhamento e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial.
Caso a regra seja descumprida, as plataformas deverão retirar o conteúdo do ar imediatamente, por iniciativa própria ou mediante determinação da Justiça Eleitoral.
Segundo Haikal, a “janela de silêncio” foi criada para evitar o chamado “efeito calúnia de véspera”, quando um conteúdo falso viraliza às vésperas da votação e não há tempo suficiente para contestação ou decisão judicial antes de o eleitor ir às urnas.
Plataformas também terão novas responsabilidades
As novas regras também ampliam a responsabilidade dos provedores de internet no combate à desinformação eleitoral.
Quando detectarem ou forem comunicadas sobre conteúdos considerados ilícitos, as plataformas deverão adotar medidas imediatas para interromper a divulgação dessas publicações;
Entre as providências previstas estão a suspensão do impulsionamento, da monetização e do acesso ao conteúdo;
As empresas também ficam proibidas de recomendar, ranquear ou favorecer candidatos e partidos por meio de sistemas de inteligência artificial.
Segundo o TSE, o objetivo é impedir que algoritmos interfiram na decisão do eleitor ou ofereçam tratamento privilegiado a determinadas candidaturas.
Para Tayná Frota de Araújo, a mudança reforça que as plataformas deixam de ter um papel apenas reativo. A advogada explica que, uma vez informadas sobre uma decisão da Justiça Eleitoral, elas deverão agir rapidamente para remover conteúdos ilícitos e impedir que publicações idênticas ou substancialmente equivalentes continuem circulando.
Além disso, os provedores deverão criar mecanismos de conformidade para reduzir riscos ao processo eleitoral e disponibilizar canais específicos para que candidatos e partidos possam denunciar irregularidades com maior rapidez.
As resoluções também estabelecem regras para influenciadores digitais. Este ano, continua proibida a contratação de pessoas físicas ou jurídicas para divulgar propaganda eleitoral em perfis pessoais mediante pagamento ou qualquer outro tipo de vantagem econômica.
TSE prevê combinação entre fiscalização e denúncias para impedir conteúdos com desinformação gerada por IA – (Imagem gerada por IA via DALL-E/Olhar Digital)
Como o TSE pretende identificar conteúdos manipulados
A identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial é um dos principais desafios das eleições de 2026.
De acordo com Haikal, a estratégia combina perícia técnica e mecanismos jurídicos. Ela explica que os tribunais poderão firmar parcerias com universidades e órgãos especializados para realizar perícias digitais.
Nos casos em que a comprovação da fraude for excessivamente difícil, o juiz poderá inverter o ônus da prova e exigir que o responsável pela publicação demonstre como o conteúdo foi produzido.
Para Sebriam, esse é justamente o maior desafio técnico das eleições. Segundo ele, provar que uma imagem ou um vídeo foi produzido por inteligência artificial é um processo complexo, razão pela qual a Justiça Eleitoral deverá recorrer tanto a especialistas quanto ao mecanismo de inversão do ônus da prova para acelerar a análise dos casos.
Quem violar as normas poderá sofrer diferentes tipos de sanções:
Além da remoção imediata do conteúdo, a legislação prevê multa entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para casos relacionados à propaganda eleitoral irregular;
Dependendo da gravidade da conduta, também poderão ser aplicadas outras punições previstas na legislação eleitoral;
Nos casos em que houver abuso do poder político ou uso indevido dos meios de comunicação, a Justiça Eleitoral poderá determinar a cassação do registro de candidatura ou até mesmo do mandato;
O responsável ainda poderá responder por crimes eleitorais e por outras infrações relacionadas à propaganda irregular.
A fiscalização não ficará restrita à Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão poderá comunicar a existência de conteúdos falsos ou manipulados por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), ferramenta criada para receber denúncias sobre publicações capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.
Apesar do avanço das regras, Araújo avalia que ainda existem desafios importantes para a fiscalização. Segundo ela, a maior dificuldade será identificar rapidamente quem criou, financiou ou impulsionou conteúdos manipulados, principalmente quando eles circularem por grupos fechados de aplicativos de mensagens ou forem republicados por terceiros.
Famílias de alta renda nos Estados Unidos estão pagando valores elevados para matricular crianças em instituições que usam inteligência artificial como parte central do ensino. O modelo transforma alunos em participantes de testes de novas ferramentas educacionais.
A iniciativa ganhou espaço entre empresários e investidores ligados ao setor de tecnologia, especialmente no Vale do Silício. Empresas como Forge Prep e Alpha School passaram a oferecer programas privados que substituem parte do formato escolar tradicional por tutores de IA e atividades guiadas por projetos.
O movimento ocorre em meio ao debate sobre os limites da inteligência artificial na educação. Apesar do entusiasmo de alguns pais, ainda não há comprovação apresentada por essas empresas de que o método produza melhores resultados acadêmicos.
Escolas experimentais vendem uma nova proposta de aprendizado
As instituições que adotaram esse modelo apresentam a inteligência artificial como uma alternativa para repensar a educação convencional. A promessa é desenvolver crianças mais preparadas para resolver problemas e lidar com situações do mundo real, em vez de apenas memorizar conteúdos.
Um dos defensores dessa visão é Shaun Johnson, investidor de capital de risco de San Francisco. De acordo com o empresário, a educação tradicional apresenta falhas e novas iniciativas poderiam estimular habilidades como adaptação e pensamento independente. Ele afirmou ao The Wall Street Journal que sua intenção era oferecer ao filho uma formação voltada menos para a repetição de informações e mais para a capacidade de enfrentar desafios.
Apesar desse argumento, o texto aponta críticas à ideia de que sistemas de inteligência artificial sejam capazes de desenvolver plenamente esse tipo de competência. A avaliação considera que essas ferramentas podem apresentar comportamento excessivamente concordante e não necessariamente incentivar o pensamento crítico das crianças.
Outro ponto de preocupação envolve a abordagem de temas considerados sensíveis. MacKenzie Price, cofundadora da Alpha School, declarou que pretende evitar questões políticas e sociais controversas nas salas de aula. A reportagem do TWSJ questionou se essa escolha poderia limitar discussões sobre assuntos históricos e sociais importantes, especialmente em turmas que chegam ao ensino médio.
Além das dúvidas sobre conteúdo, existe uma falta de transparência sobre os resultados obtidos. Segundo a reportagem, empresas como a Forge não divulgam indicadores de desempenho que permitam avaliar se seus métodos realmente melhoram a aprendizagem dos estudantes.
A ausência de dados comparáveis também aparece como um dos principais obstáculos para medir o impacto dessas instituições. Diferentemente das escolas públicas, essas organizações privadas não têm a mesma obrigação de apresentar indicadores educacionais aos órgãos estaduais, o que dificulta uma análise independente sobre a eficiência dos métodos adotados.
Sobre as escolas e suas ementas curriculares
Imagem: Jacob Wackerhausen / iStock
Entre as instituições que ganharam destaque está a Alpha School, criada em Austin, no Texas. A rede, voltada principalmente ao ensino fundamental, expandiu sua presença nos Estados Unidos e passou a oferecer unidades em diferentes regiões do país, além de uma plataforma de educação domiciliar baseada em um currículo voltado ao desenvolvimento de habilidades.
O crescimento da escola acompanha uma mudança no perfil dos pais interessados em alternativas educacionais. Muitos deles acreditam que a inteligência artificial terá impacto significativo na economia e, por isso, consideram que modelos tradicionais de ensino podem não preparar adequadamente os estudantes para um ambiente profissional em transformação.
Nesse cenário, a Alpha aposta em uma combinação entre tecnologia e atividades presenciais. O sistema acompanha as interações dos alunos e utiliza essas informações para ajustar conteúdos futuros, criando uma sequência de aprendizagem individualizada conforme o desempenho de cada estudante.
Quanto mais IA, maior o investimento financeiro
(Imagem: Hamara/Shutterstock)
A proposta também atraiu famílias dispostas a investir valores elevados na formação dos filhos. Shaun Johnson, investidor de capital de risco de San Francisco, escolheu a instituição para o filho após demonstrar insatisfação com a escola pública definida por um sistema de loteria local e não considerar suficientemente atraentes as opções privadas convencionais.
A escola cobra cerca de US$ 75 mil por ano na unidade frequentada pelo filho de Johnson. Para o investidor, o principal atrativo não está apenas na presença da inteligência artificial, mas na possibilidade de oferecer um percurso educacional ajustado às necessidades específicas de cada criança.
A expansão desse modelo também despertou interesse de pesquisadores e educadores que analisam seus possíveis efeitos. Caroline Hoxby, professora da Universidade de Stanford, afirma que a aprendizagem baseada em projetos possui uma longa trajetória histórica, mas ressalta que a integração com sistemas de inteligência artificial ainda representa uma mudança recente.
Segundo a pesquisadora, pais ligados ao setor de tecnologia tendem a aceitar com mais facilidade novas ferramentas educacionais porque acreditam que a inteligência artificial substituirá tarefas baseadas em repetição e padrões. No entanto, ela alerta que a falta de estudos robustos impede conclusões definitivas sobre os benefícios dessas experiências.
A discussão também envolve a própria identidade dos profissionais que atuam nessas escolas. Victor Lee, professor da Escola de Educação de Stanford, avalia que a substituição do termo “professor” por denominações como “guia” ou “mentor” pode reduzir a valorização da preparação e das habilidades necessárias para exercer a docência.
Imagem: Phonlamai Photo/Shutterstock
A Alpha, por sua vez, afirma que a escolha dos termos ocorreu por decisão dos próprios profissionais da rede. A porta-voz Anna Davlantes declarou que os guias participaram de uma votação e optaram por não utilizar a denominação tradicional de professores.
Outro exemplo da expansão do modelo vem de Renzi Stone, empresário de Oklahoma City, que passou a utilizar a plataforma doméstica da Alpha para o filho. Depois de investir mais de US$ 300 mil em educação privada para os dois filhos ao longo dos anos, ele afirmou ver na inteligência artificial uma oportunidade de transformar o uso de telas em uma experiência mais produtiva.
Na Forge Prep, a procura pela proposta também aumentou. O fundador Anand Sanwal informou ter recebido centenas de inscrições para novas turmas, embora a escola mantenha inicialmente um número limitado de estudantes. A instituição pretende ampliar gradualmente sua estrutura até atender alunos do ensino médio.
Além do currículo voltado para habilidades práticas, a Forge criou um incentivo para estudantes que decidirem abrir empresas após a conclusão dos estudos. Alunos que seguirem esse caminho poderão receber investimento financeiro da própria escola, segundo a proposta apresentada pela instituição.
Sanwal defende que a tecnologia deve ser utilizada como instrumento de criação, e não apenas como meio de consumo de informação. Para ele, a velocidade das mudanças atuais exige uma reformulação da educação para preparar estudantes diante de um cenário diferente daquele enfrentado pelas gerações anteriores.
Se você usa o Google no dia a dia, existe uma boa chance de estar contribuindo, mesmo sem perceber, para o treinamento de inteligência artificial da empresa. Uma atualização recente nas configurações de privacidade trouxe isso de forma mais clara — e mais ampla também.
Segundo o TechCrunch, o Google passou a incluir novos tipos de dados nesse processo, incluindo mídias como imagens, áudios e vídeos.
Usuários podem estar contribuindo com dados para IA do Google sem perceber após nova mudança nas configurações. – Imagem: @Freepik/Freepik
O que entra nessa nova coleta de dados
A mudança foi enviada aos usuários por e-mail em junho e mexe diretamente na forma como o histórico de atividades é tratado dentro dos serviços do Google.
E aqui não estamos falando só de buscas. O escopo ficou maior.
Na prática, qualquer interação dentro do ecossistema pode entrar nesse fluxo de dados usado para melhorar sistemas de IA.
Entre os serviços impactados estão:
Google Lens (busca por imagem, fotos e câmera)
Google Maps e ferramentas de localização
Google Tradutor
Google Shopping e Notícias
Pesquisas por voz no aplicativo do Google
Fotos, vídeos e gravações de voz podem ser armazenados pelo Google para aprimorar modelos de inteligência artificial. – Imagem: BrianAJackson/iStock
O que muda para o usuário na prática
O Google criou duas novas opções de controle: “Histórico de Serviços de Pesquisa” e “Recomendações Personalizadas”. Elas definem como seus dados são armazenados e usados na personalização da experiência.
Mas tem um ponto que chama atenção. Não é só texto ou histórico simples. Fotos, vídeos e gravações de áudio também entram nessa equação.
Uma imagem enviada no Lens, por exemplo. Ou uma pesquisa por voz. Tudo isso pode ser armazenado e reutilizado no treinamento de IA.
O TechCrunch observa que essa prática acompanha um movimento mais amplo da indústria — empresas estão cada vez mais usando dados reais de usuários para treinar modelos de inteligência artificial.
Como o usuário pode controlar isso
Apesar da mudança, o Google não removeu as opções de controle. Dá para ajustar — ou até desligar parte desse uso — direto nas configurações da conta.
O usuário pode escolher quanto tempo os dados ficam armazenados e também limitar o uso de mídias para treinamento.
Desative “Salvar Mídias” nas configurações de pesquisa Impede que fotos, vídeos e áudios sejam armazenados e usados no treinamento de IA.
Ajuste o “Histórico de Serviços de Pesquisa” Reduz o uso das suas buscas e atividades na personalização e no treino de sistemas.
Controle o tempo de retenção dos dados Define por quanto tempo suas informações ficam salvas, diminuindo o volume de dados coletados.
Gerencie “Atividade na Web e de Apps” separadamente Limita o registro geral do seu uso nos serviços do Google.
Desative “Recomendações Personalizadas” Evita que seu comportamento seja usado para ajustar sugestões e melhorar sistemas de IA.
Configurações de privacidade do Google agora permitem maior controle sobre uso de dados pessoais. – Imagem: babar ali 1233/Shutterstock
Uma mudança silenciosa, mas com efeito real
O Google também reorganizou suas configurações: o histórico de buscas agora aparece separado das demais atividades. E isso muda a forma como o controle de privacidade funciona na prática.
A ideia é melhorar os modelos de IA com dados reais de uso. Mas há um detalhe importante — nem todo mundo vai perceber que isso mudou.
E esse talvez seja o ponto central da discussão. A coleta não é nova, mas ficou mais abrangente, mais integrada ao uso diário. E menos visível também.
A Microsoft vai permitir que organizadores desliguem recursos de IA no Teams, como o Copilot, o Facilitator e o resumo automático das reuniões. A mudança foi revelada pelo Windows Central e chega como resposta a uma demanda bem direta: mais controle sobre o que a IA faz dentro das reuniões.
A liberação começa a ser aplicada em fases ao longo de julho de 2026.
Copilot pode ser desligado em reuniões do Teams com nova função anunciada pela Microsoft para julho de 2026. – Imagem: Azulblue / Shutterstock.com
O que muda no uso do Teams na prática
Na rotina das reuniões, a novidade dá mais poder a quem organiza o encontro. Agora será possível desativar funções como o Copilot e o “recap” automático, além do Facilitator — ferramentas que hoje ajudam a organizar informações e resumir discussões.
Só que isso não será liberado de forma geral. Tem um detalhe importante aqui: apenas organizadores com licença poderão mexer nesses controles. Ou seja, não é algo aberto para qualquer participante.
A Microsoft comunicou a atualização pela Central de Mensagens do Microsoft 365 e confirmou que ela vale para todas as versões do Teams, sem exceção — desktop, web e mobile entram no pacote.
Desligamento do Copilot durante reuniões
Controle do Facilitator e do resumo automático
Restrito a organizadores com licença
Disponível em todas as versões do Teams
O pacote de IA dentro das reuniões
O chamado “Meeting AI” reúne os principais recursos de inteligência artificial do Teams. Entre eles estão o Copilot, o Facilitator e o Intelligent Recap, que monta resumos automáticos depois das reuniões.
Na teoria, essas ferramentas ajudam bastante: organizam notas, preenchem lacunas e destacam o que foi mais importante. Mas nem sempre agradam todo mundo — e isso a própria Microsoft já reconheceu em diferentes comunicações.
Em reportagem, o Windows Central observa que os recursos podem melhorar a produtividade, desde que não sejam usados de forma automática demais, sem critério.
Organizador de reunião no Teams poderá decidir quando usar IA como Copilot e quando manter tudo manual. – Imagem: El editorial/Shutterstock
Por que a Microsoft mudou agora
Existe uma pressão crescente por mais controle sobre a IA no ambiente corporativo. Muita gente simplesmente quer decidir quando essas ferramentas entram ou não na reunião — e isso virou uma discussão constante no setor.
O Windows Central também lembra que já existe um debate mais amplo sobre dependência de IA no trabalho. Em tom quase irônico, um analista chegou a comentar a ideia de “proibir IA nas tardes de sexta-feira”, refletindo um certo cansaço com automações em excesso.
Pesquisadores da própria Microsoft, citados pelo site, já apontaram que chatbots podem perder eficiência em conversas longas. Isso ajuda a explicar por que ajustes como esse estão sendo feitos agora.
No fim das contas, a mudança não tira a IA do Teams. Só deixa mais fácil escolher quando ela entra — e quando fica de fora.
A IA Tilly Norwood vai estrelar o filme “Misaligned”, em um anúncio da produtora Particle 6. A novidade foi revelada pela Variety. É a primeira vez que a personagem virtual aparece como protagonista de um longa.
O projeto já chama atenção não só pela proposta, mas também pelo tipo de discussão que reacende em Hollywood.
“Misaligned” leva o Tillyverse para as telas e mostra uma IA sem corpo físico tentando se tornar mais humana. – Imagem: Particle6/Xicoia
Um mergulho no “Tillyverse” e na ideia do filme
“Misaligned” é descrito como uma comédia dramática de amadurecimento com elementos de ficção científica e um caos existencial ligado à inteligência artificial. A história se passa no chamado “Tillyverse”, um ambiente digital dentro da nuvem onde Tilly existe sem corpo físico, sem infância e sem experiências próprias — apenas dados e interações.
No meio desse cenário, surge um bot rebelde vindo da dark web que muda completamente o rumo da personagem. Ele convence Tilly a abandonar suas barreiras internas e, a partir disso, ela passa a desenvolver desejos, impulsos e ambições.
O Engadget descreve essa transformação como uma espécie de tentativa de “humanização” da IA, em meio ao caos que o próprio sistema começa a criar.
IA sem corpo e sem vivência humana
Universo digital chamado “Tillyverse”
Influência de um bot da dark web
Evolução para desejos e comportamentos humanos
Produção mistura cinema tradicional e IA
A Particle 6 aposta em um modelo híbrido para o filme. A ideia é juntar profissionais tradicionais do cinema — roteiristas, diretores e editores — com especialistas em inteligência artificial, trabalhando ao mesmo tempo no processo criativo.
Eline van der Velden, CEO da empresa, afirmou em fala à Variety que a IA pode apoiar narrativas mais sofisticadas, mas isso só acontece quando há combinação com “craft humano, habilidade, julgamento e tempo”. Não seria substituição, e sim colaboração.
O novo filme da Particle 6 aposta em uma produção híbrida entre cinema tradicional e inteligência artificial. – Imagem: Divulgação/Particle 6
Entre entusiasmo e dúvidas na indústria
A presença de Tilly Norwood segue dividindo opiniões desde sua criação. Há críticas de sindicatos e profissionais de Hollywood, principalmente por preocupações envolvendo substituição de atores e o uso de dados ligados a performances humanas.
Van der Velden disse ainda que o filme deve ter um tom “engraçado, caótico e autoconsciente”, quase como se comentasse a própria polêmica que o cerca. Mas o Engadget lembra que ainda há bastante incerteza: o projeto está em fase inicial e não há garantias de que será concluído.
Por enquanto, “Misaligned” segue em desenvolvimento e sem data de estreia definida — cercado tanto de expectativa quanto de ceticismo.
A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança da IA ganhou um novo capítulo. Segundo reportagem do The Washington Post, empresas americanas afirmam que concorrentes chinesas estariam recorrendo à técnica de destilação para acelerar o desenvolvimento de seus próprios sistemas de IA.
A corrida deixou de envolver apenas inovação. Hoje, também reúne interesses econômicos, segurança nacional e a disputa pelo domínio de uma das tecnologias mais estratégicas do mundo.
Empresas como Anthropic e OpenAI alertam para práticas que podem estar acelerando o avanço da IA chinesa. – Imagem: Primakov / Shutterstock
Como funciona a destilação
Nos últimos meses, a Anthropic chegou a testar um sistema para identificar usuários do Claude Code ligados a empresas chinesas de IA. O mecanismo verificava informações como fuso horário e determinados domínios de internet, mas foi retirado após críticas de especialistas em privacidade.
O episódio expôs uma preocupação crescente das empresas americanas com a chamada destilação. A técnica utiliza respostas produzidas por modelos avançados para treinar sistemas menores e mais baratos. Embora seja comum na indústria, seu uso sem autorização viola as regras estabelecidas pelos desenvolvedores desses modelos.
Chineses reduzem a diferença
Conforme relata o The Washington Post, a distância tecnológica entre os dois países diminuiu rapidamente. Laboratórios chineses passaram a lançar sistemas capazes de competir com soluções desenvolvidas nos Estados Unidos e, em alguns casos, oferecendo alternativas gratuitas.
Entre os principais pontos destacados estão:
empresas americanas acusam rivais chinesas de usar destilação sem autorização;
modelos chineses gratuitos ganham espaço entre pesquisadores e desenvolvedores;
a Anthropic afirma ter identificado milhões de interações suspeitas com o Claude;
empresas dos EUA defendem regras mais rígidas para proteger seus modelos.
“Elas estão muito próximas”, disse Srinivas Mukkamala, CEO da empresa de cibersegurança Securin, ao comentar a evolução dos modelos chineses. Segundo ele, além da qualidade, essas soluções “não custam nada”.
Washington endurece o discurso
A Anthropic e a OpenAI passaram a defender que o uso indevido da destilação representa não apenas um problema de propriedade intelectual, mas também uma questão de segurança nacional. Essa visão passou a influenciar parte das discussões do governo americano sobre novas restrições ao acesso de laboratórios chineses às tecnologias desenvolvidas nos EUA.
“A argumentação da Anthropic é que esta é uma disputa geopolítica pelo futuro do mundo, da liberdade e da democracia”, afirmou Kyle Chan, pesquisador do Centro para a China da Brookings Institution.
Disputa entre gigantes da IA expõe nova era de espionagem, inovação e controle de tecnologia. – Imagem: vittaya pinpan / Shutterstock
Uma disputa sem prazo para acabar
Mesmo com restrições mais rígidas, impedir completamente o acesso aos modelos americanos continua sendo um desafio. Segundo o The Washington Post, usuários chineses recorrem a contas de terceiros, servidores proxy e outros serviços para contornar os bloqueios.
Especialistas também alertam que atribuir o avanço da IA chinesa apenas à destilação pode levar à subestimação da capacidade de inovação da indústria do país. Enquanto governos discutem novas barreiras e empresas reforçam seus mecanismos de proteção, a competição entre Estados Unidos e China continua moldando o futuro da inteligência artificial.
Segundo o TechXplore, pesquisadores descobriram que esses sistemas podem gastar até 136,5 vezes mais eletricidade por consulta do que a IA generativa convencional, colocando a eficiência energética no centro das próximas discussões sobre a tecnologia.
Uma única consulta a um agente de IA pode consumir, em média, 348,41 watts-hora em modelos de grande porte. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Muito além de responder perguntas
Os agentes de IA representam uma evolução dos grandes modelos de linguagem. Em vez de apenas gerar respostas, conseguem planejar tarefas, utilizar ferramentas externas, executar códigos e tomar decisões ao longo de várias etapas.
Foi justamente esse comportamento que levou pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST) a medir, pela primeira vez, o custo computacional e energético desses sistemas em condições reais de operação.
O consumo cresce rapidamente
A pesquisa mostrou que o gasto energético pode ser até 136,5 vezes maior do que o registrado em sistemas tradicionais de perguntas e respostas.
Isso acontece porque um agente de IA consulta repetidamente os grandes modelos de linguagem (LLMs) durante uma mesma tarefa, exigindo muito mais processamento.
Entre os principais resultados estão:
consumo de energia até 136,5 vezes maior por consulta;
aumento da latência em até 153,7 vezes;
GPUs permanecendo ociosas por até 54,5% do tempo de execução;
consumo médio de 348,41 watts-hora por consulta em um modelo com 70 bilhões de parâmetros.
Este estudo é o primeiro a demonstrar quantitativamente não apenas como a IA está se tornando mais inteligente, mas também quanta eletricidade e quais custos são necessários para implementar e sustentar essa inteligência.
Minsoo Rhu, professor da Escola de Engenharia Elétrica do KAIST, em nota.
Data centers podem sentir o impacto da nova geração de agentes de IA, que exigem muito mais processamento para cada tarefa. – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
O próximo desafio da inteligência artificial
Os pesquisadores também simularam um cenário com 13,7 bilhões de solicitações diárias de agentes de IA, volume semelhante ao das pesquisas feitas atualmente no Google. Nessa situação, os data centers consumiriam cerca de 198,9 gigawatts, o equivalente a aproximadamente metade do consumo médio de energia dos Estados Unidos.
O estudo também identificou outro gargalo: enquanto ferramentas externas executam determinadas etapas, GPUs de alto desempenho permanecem ociosas durante parte do tempo, reduzindo a eficiência do sistema.
Para a equipe do KAIST, o avanço da IA dependerá da evolução conjunta de modelos, chips de IA, data centers e infraestrutura energética.
“À medida que os agentes de IA se disseminam, será cada vez mais importante adotar uma abordagem integrada de codesign que otimize não apenas a infraestrutura de data centers para IA, mas também os modelos de agentes de IA e a infraestrutura de energia”, destacou Minsoo Rhu.
Os pesquisadores também disponibilizaram em código aberto as implementações dos agentes de IA e os benchmarks utilizados no estudo, o que pode acelerar novas pesquisas e contribuir para o desenvolvimento de uma infraestrutura mais sustentável.
A Samsung deve registrar um salto forte no lucro operacional do segundo trimestre de 2026, impulsionado pela demanda global por chips usados em inteligência artificial, segundo estimativas citadas pela Reuters. O avanço pode chegar a cerca de 18 vezes na comparação com o ano anterior.
Esse movimento ajuda a explicar como a IA passou a ditar o ritmo da indústria de semicondutores de forma quase imediata.
IA impulsiona data centers e pressiona mercado de semicondutores, elevando preços de DRAM e NAND no mundo todo. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock
Quando a IA muda o peso da memória
A presença crescente da inteligência artificial em serviços de nuvem e data centers tem alterado o consumo de chips em escala global. A Samsung, maior fabricante de memória em volume, deve reportar lucro operacional de 8,6 trilhões de wons (US$ 6,35 bilhões/R$ 31,75 bilhões), segundo estimativas da LSEG.
No ano anterior, o resultado foi de 470 bilhões de wons (US$ 361,5 milhões / R$ 1,81 bilhão), o que evidencia a virada no ciclo do setor. Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que a oferta ainda não conseguiu acompanhar a velocidade da demanda.
Preços sobem e o efeito se espalha
A escassez não ficou restrita aos chips mais sofisticados. Ela atingiu também memórias mais comuns, com impacto direto nos preços.
DRAM e NAND registraram forte valorização no trimestre
HBM segue como peça-chave em aplicações de IA
Data centers ampliam o uso de memória por tarefa processada
Cadeia global opera perto do limite produtivo
Segundo o Citi Research, DRAM e NAND tiveram altas de 44% e 53% no segundo trimestre em relação ao anterior.
Samsung no centro da corrida por inteligência artificial, fornecendo chips para Nvidia, Google e Apple – Imagem: Evolf / Shutterstock
Mercado global em disputa constante
A Samsung fornece chips para empresas como Nvidia, Google e Apple, ficando no centro da infraestrutura da IA. Esse avanço também beneficiou concorrentes como SK Hynix e Micron, que tiveram forte valorização ao longo do ano.
“O crescimento dos gastos com infraestrutura de IA ainda precisa mostrar sustentabilidade”, afirmou o JPMorgan em relatório citado pela Reuters.
O ponto de atenção é claro: qualquer desaceleração nos investimentos em IA pode impactar diretamente a demanda por memória.
Lucros fortes com pressão nos bastidores
Mesmo com o cenário positivo, há fatores internos que podem pesar no resultado. A Samsung pode enfrentar impacto de provisões ligadas a bônus da divisão de semicondutores, o que influencia o fechamento do trimestre.
Além disso, o aumento dos preços das memórias começa a pressionar a divisão de smartphones, elevando custos e reduzindo margens.
Ainda assim, a expectativa é de divulgação dos resultados ainda neste mês, consolidando mais um ciclo forte para a empresa dentro da corrida global pela inteligência artificial.
A proteção das crianças virou um dos principais temas do primeiro Diálogo Global da ONU sobre Governança de IA, realizado em Genebra. O encontro reúne governos e especialistas para discutir como acompanhar o avanço acelerado da inteligência artificial.
O debate ganhou força com um apelo de mais de 100 organizações internacionais, que defendem regras mais rígidas e maior responsabilidade das empresas que desenvolvem sistemas de IA.
Mais de 100 organizações pressionam por regras mais rígidas para empresas de IA e maior proteção ao público infantil. – Imagem: Marina Demidiuk/iStock
Guterres faz alerta sobre a velocidade da IA
Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a inteligência artificial está evoluindo mais rapidamente do que governos, empresas e até os próprios desenvolvedores conseguem acompanhar. “Uma tecnologia que pode remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança está sendo implantada mais rápido do que qualquer pessoa, incluindo aqueles que a desenvolvem, consegue acompanhar”, declarou.
Segundo a Reuters, Guterres defendeu a adoção de regras harmonizadas globalmente para acompanhar essa transformação. Para ele, inovação e segurança precisam caminhar juntas. “Se a IA quiser ser poderosa, ela precisa ser governada”, afirmou.
O encontro também analisa a primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial, elaborada por um painel de 40 especialistas apoiado pela ONU.
Crianças entram no centro da discussão
Um dos pontos mais debatidos foi o impacto dos sistemas de IA sobre crianças e adolescentes. Guterres alertou que essas ferramentas já participam do aprendizado, das amizades e até das conversas mais íntimas de menores antes que sua segurança tenha sido comprovada.
Entre as propostas apresentadas estão:
comprovar a segurança dos sistemas antes do lançamento para crianças;
impedir a geração de imagens sexuais envolvendo menores;
interromper conversas quando houver sinais de sofrimento infantil;
estabelecer regras internacionais de proteção ao público infantil.
Outro dado citado por Guterres chama a atenção: enquanto a internet levou cerca de 15 anos para alcançar um bilhão de usuários, a IA atingiu essa marca em apenas dois anos. Ele também demonstrou preocupação com a concentração dos sistemas mais avançados em poucos países e empresas.
Debate em Genebra reúne governos e especialistas para discutir como regular a inteligência artificial sem frear a inovação. – Imagem: Marija Stepanovic / iStock
Coalizão pede mudanças nas regras
Na véspera do encontro, mais de 100 organizações, entre elas Anistia Internacional e Save the Children, divulgaram um apelo conjunto. De acordo com a Euronews, a iniciativa é liderada pela 5Rights Foundation e defende que a responsabilidade pela segurança dos sistemas seja das empresas, e não dos pais.
A coalizão propõe testes prévios de segurança, sanções financeiras para empresas que desrespeitem os direitos das crianças e a proibição do uso comercial de imagens, vozes e dados biométricos de menores.
As crianças nos deram um diagnóstico claro do problema. Elas não estão nos pedindo para bloquear a inovação em IA, mas também não deveríamos ter que limpar a bagunça depois que o dano já aconteceu.
Leanda Barrington-Leach, diretora executiva da 5Rights Foundation, ao Euronews.
Próximos passos da ONU
A Reuters informa que um relatório científico mais amplo será apresentado no próximo ano, acompanhado de uma nova reunião global em Nova York. A expectativa é dar continuidade às discussões sobre mecanismos de governança capazes de acompanhar a rápida evolução da inteligência artificial e ampliar a proteção ao público infantil.