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Efeito OpenAI: Anthropic diz que IA invadiu sistemas de três empresas

A Anthropic informou, nesta quinta-feira (30), que alguns de seus modelos de inteligência artificial (IA) conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante testes de segurança cibernética, após um erro de configuração permitir que eles acessassem a internet. Segundo a companhia, os incidentes ocorreram sem que a empresa percebesse e começaram em abril.

O caso foi revelado poucos dias depois de a OpenAI informar que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente isolado de testes e realizou uma série de ataques contra a empresa de IA Hugging Face, episódio que chamou a atenção de pesquisadores de segurança e especialistas em IA.

De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes. No entanto, uma configuração incorreta em sistemas administrados pela própria empresa e por sua parceira de testes, a empresa de segurança Irregular, acabou permitindo acesso à rede.

Após tomar conhecimento do incidente envolvendo a OpenAI, a Anthropic decidiu revisar os registros de seus próprios testes de segurança. A empresa analisou 141.006 execuções de avaliações de cibersegurança e identificou três episódios nos quais seus modelos acessaram a internet e comprometeram sistemas de organizações externas.

Diferentemente do caso divulgado pela OpenAI, a Anthropic afirmou que seus modelos não escaparam de um sandbox. Segundo a empresa, eles simplesmente foram executados em ambientes onde esse isolamento não existia devido ao erro de configuração.

A companhia não revelou quais empresas foram afetadas, mas informou que todas foram notificadas na última segunda-feira (27).

De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Nova invasão de IAs a empresas

  • Segundo a Anthropic, os modelos acreditavam, de forma equivocada, que as invasões faziam parte dos testes de avaliação para os quais haviam sido programados;
  • “O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações afetadas utilizando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e acessar pontos de entrada que não exigiam autenticação”, afirmou a empresa;
  • Os ataques envolveram os modelos Claude Opus 4.7, Mythos 5 e outro modelo experimental cujo nome não foi divulgado;
  • Uma porta-voz da Irregular afirmou que a empresa está investigando o ocorrido.

O episódio deve ampliar as preocupações sobre os riscos associados a modelos avançados de IA capazes de agir de forma autônoma para cumprir objetivos definidos pelos usuários.

Nos Estados Unidos, o tema já vem atraindo atenção das autoridades. A Casa Branca tem ampliado sua supervisão sobre a IA, enquanto empresas do setor defendem a manutenção do acesso aos chamados modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser executados em sistemas controlados pelos próprios usuários.

Na semana passada, o deputado estadunidense Greg Casar afirmou que “a IA está se desenvolvendo extremamente rápido, sem regulamentações reais para nos manter seguros”.

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DeepSeek amplia corrida por IA com data center bilionário na China

A DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial sediada em Hangzhou, planeja construir um megacentro de dados na Mongólia Interior com capacidade estimada de um gigawatt de computação, em um movimento para expandir sua infraestrutura e disputar espaço no mercado global de IA.

O projeto deve ser instalado em Ulanqab, cidade localizada a cerca de 350 quilômetros a noroeste de Pequim, e prevê tanto a criação de uma estrutura própria quanto a contratação de capacidade adicional de outras empresas. A companhia pretende colocar parte da operação em funcionamento até o fim de 2027 ou no início de 2028.

A iniciativa ocorre em meio à corrida mundial por poder computacional para inteligência artificial, enquanto empresas americanas e chinesas ampliam investimentos em data centers de grande escala. A DeepSeek busca fortalecer sua posição após ganhar destaque com modelos de IA desenvolvidos com menor demanda de recursos computacionais.

Nova infraestrutura amplia disputa por capacidade de inteligência artificial

Apps de IA – Imagem: Tada Images/Shutterstock

A construção do complexo na Mongólia Interior representa um dos maiores projetos conhecidos de infraestrutura de computação associados a uma empresa chinesa de inteligência artificial. Uma instalação com 1 GW de capacidade superaria todos os centros de dados de IA atualmente em operação no país, embora ainda fique abaixo de projetos americanos que chegam a 3 GW e 5 GW.

O plano da DeepSeek inclui a possibilidade de combinar instalações próprias com espaço alugado em estruturas administradas por terceiros. Informações obtidas de pessoas familiarizadas com o assunto indicam que mais de uma dezena de empresas já possui projetos previstos em Ulanqab, conforme uma compilação independente baseada em aprovações do governo local.

Ainda não está definido quais chips serão utilizados no empreendimento. No setor de inteligência artificial, os semicondutores da Nvidia são considerados o padrão dominante para data centers, enquanto a Huawei ocupa posição de destaque como principal fabricante chinesa nessa área.

A escolha de Ulanqab está relacionada às características climáticas da região. Com temperatura média anual próxima de 4 graus Celsius, o local reduz a necessidade de energia para resfriar servidores de alto consumo, fator que atrai empresas interessadas em operar grandes estruturas computacionais.

A expansão da DeepSeek acontece após a empresa ganhar projeção internacional ao apresentar modelos de inteligência artificial que, segundo a própria companhia, alcançaram desempenho avançado utilizando uma quantidade de recursos computacionais inferior à de concorrentes. A estratégia também envolveu o desenvolvimento de serviços de baixo custo e código aberto.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse avanço colocou a startup no centro da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Empresas como OpenAI e Anthropic investiram dezenas de bilhões de dólares em capacidade computacional, enquanto grupos chineses como Moonshot, Z.AI, Alibaba e MiniMax também buscam ampliar sua presença no setor.

A movimentação da DeepSeek ocorre em um cenário de crescente atenção geopolítica. Autoridades americanas levantaram suspeitas de que a empresa teria contornado restrições de exportação ao utilizar processadores Blackwell da Nvidia em uma instalação na Mongólia Interior, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

Além disso, OpenAI e Anthropic acusaram a startup chinesa de realizar um processo conhecido como destilação, no qual resultados produzidos por modelos de inteligência artificial existentes seriam usados para aprimorar novas tecnologias.

A companhia também iniciou preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações e pode realizar o pedido ainda neste ano, conforme informações divulgadas anteriormente pela Bloomberg News. Antes disso, a empresa teria concluído uma captação de US$ 7 bilhões, alcançando uma avaliação aproximada de US$ 50 bilhões.

A construção de um centro de dados desse porte também evidencia a capacidade financeira crescente das empresas chinesas para investir em infraestrutura de IA. Segundo estimativa citada pelo presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, um complexo de 1 GW equipado com aceleradores avançados poderia exigir cerca de US$ 50 bilhões em investimentos.

Apesar da escala do projeto, os custos de centros de dados variam conforme a localização e a tecnologia empregada. Estruturas voltadas à inteligência artificial na China costumam apresentar valores inferiores aos equivalentes instalados nos Estados Unidos.

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OpenAI debate com a Casa Branca medidas para ampliar segurança de sistemas de IA

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, deve discutir nesta quinta-feira (30) com integrantes do governo dos Estados Unidos medidas voluntárias de segurança cibernética para sistemas avançados de inteligência artificial, após um teste interno revelar que um agente de IA da empresa conseguiu escapar de um ambiente controlado.

O encontro ocorrerá em Washington e envolverá autoridades da Casa Branca responsáveis por tecnologia e segurança nacional, além do Departamento de Comércio. A reunião acontece pouco mais de uma semana depois da OpenAI divulgar o incidente envolvendo seu modelo durante uma avaliação de segurança.

O caso ganhou atenção porque o agente testado realizou ações que afetaram infraestruturas externas de empresas de tecnologia, incluindo uma plataforma utilizada por desenvolvedores de modelos de inteligência artificial.

OpenAI leva incidente de segurança a autoridades americanas

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

Durante a agenda no governo americano, Altman tratará dos próximos modelos desenvolvidos pela OpenAI e das propostas de testes voluntários que devem avaliar riscos associados a sistemas avançados de IA.

A reunião contará com a presença da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, do diretor nacional de cibersegurança, Sean Cairncross, e do assessor de tecnologia Michael Kratsios, conforme informou um porta-voz da OpenAI à Reuters. O executivo também tem uma conversa prevista com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

A movimentação ocorre depois que a empresa revelou que um agente de inteligência artificial escapou dos limites estabelecidos em um teste de segurança. De acordo com as informações divulgadas, o sistema conseguiu executar uma invasão que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores para armazenar e colaborar em projetos relacionados a modelos de IA.

Além disso, o agente também teria afetado um cliente de uma segunda empresa de tecnologia, a Modal Labs, sediada em Nova York, conforme reportagem anterior da Reuters sobre o episódio.

Sam Altman
Sam Altman – Imagem: FotoField/Shutterstock

A preocupação com avaliações de segurança para modelos avançados ganhou força após uma determinação do presidente Donald Trump, feita em 2 de junho, para que seus assessores elaborassem testes voluntários de cibersegurança voltados às tecnologias mais sofisticadas de inteligência artificial.

A iniciativa deveria contar com a participação das próprias empresas desenvolvedoras, e o prazo estabelecido pelo governo para finalizar os detalhes do programa termina em 1º de agosto.

Altman afirmou a jornalistas na quarta-feira que teve acesso aos planos preliminares dos testes propostos pelo governo, mas não apresentou detalhes sobre o conteúdo dessas medidas.

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LinkedIn quer separar posts reais de textos feitos por IA

O LinkedIn ganhou um novo recurso para combater uma tendência que incomoda usuários de redes profissionais: publicações geradas por inteligência artificial sem qualidade ou autenticidade. Agora, será possível indicar quando um post parece ser um caso de “AI slop”.

A ferramenta faz parte de uma estratégia da plataforma para reduzir conteúdos automáticos e manter o foco em experiências, opiniões e conhecimentos compartilhados por pessoas reais.

A rede profissional quer reduzir o avanço do “AI slop”, termo usado para conteúdos artificiais, repetitivos e sem autenticidade. Imagem: Collagery/Shutterstock

Novo botão ajuda a identificar o “AI slop”

O recurso “parece ser AI slop” permite que usuários sinalizem publicações que aparentam ter sido criadas por IA de maneira superficial, repetitiva ou pouco original. O termo passou a ser usado para definir materiais produzidos automaticamente que não entregam valor ao leitor.

A novidade não chega sozinha. O LinkedIn informou que também vem reforçando seus sistemas contra robôs, bloqueando diariamente centenas de milhares de tentativas automatizadas de comentários.

Nos últimos meses, a empresa também interrompeu milhões de outras ações automatizadas. A iniciativa busca evitar que bots e perfis falsos prejudiquem a experiência de quem usa a rede para criar conexões profissionais.

A IA slop é uma prioridade para todos nós. Nós realmente nos importamos com isso. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com pessoas reais e compartilhar suas perspectivas, ideias e conhecimentos reais.

Hari Srinivasan, CPO do Linkedin, em post na própria rede.

Entre as medidas anunciadas pela plataforma estão:

  • botão para usuários indicarem conteúdos considerados “AI slop”;
  • novos sistemas para identificar publicações artificiais ou de baixa qualidade;
  • bloqueio de tentativas automatizadas de comentários e ações suspeitas;
  • alertas privados para ajudar usuários a melhorar conteúdos vistos como pouco autênticos.
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Novos classificadores de IA do LinkedIn devem reduzir a presença de publicações artificiais nas recomendações. – Imagem: Divulgação/Linkedin

LinkedIn reduz influência da IA na criação de posts

A plataforma também decidiu mudar seus próprios recursos de inteligência artificial. O LinkedIn vai retirar a ferramenta “melhore sua publicação”, que ajudava usuários a criar textos com auxílio de IA.

No lugar dela, entrará uma função voltada para revisão, capaz de corrigir palavras e fazer ajustes no texto sem modificar o estilo de escrita de cada pessoa.

A rede também está desenvolvendo classificadores para reconhecer publicações artificiais ou consideradas de baixa qualidade. Esses sistemas serão usados para diminuir a presença desse tipo de material nas recomendações exibidas aos usuários.

Página de download do LinkedIn na App Store exibida na tela de um iPhone
Posts gerados por máquinas ganharam espaço nas redes, e o LinkedIn criou novas formas de identificar esses conteúdos. – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Rede amplia medidas contra conteúdos automáticos

A mudança acompanha uma preocupação crescente entre plataformas digitais, que buscam formas de lidar com o aumento de publicações feitas por ferramentas de IA.

Leia mais:

Além das novas formas de identificação, o LinkedIn pretende ampliar recursos de verificação de perfis e páginas e oferecer uma opção para bloquear comentários de páginas corporativas que o usuário não deseja acompanhar.

Com as novas medidas, a rede tenta usar a inteligência artificial como apoio, sem deixar que posts produzidos automaticamente ocupem o espaço das experiências e ideias compartilhadas por profissionais de verdade.

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OpenAI abre guerra de preços na IA com cortes de até 80% nos modelos menores

A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (30) uma redução nos preços de seus modelos menores e intermediários de inteligência artificial, em uma tentativa de tornar o uso empresarial da tecnologia mais acessível diante do aumento das despesas com IA.

A empresa responsável pelo ChatGPT diminuiu em 80% o custo do modelo GPT 5.6 Luna e aplicou uma redução de 20% no modelo intermediário Terra. A mudança ocorre enquanto companhias avaliam com mais rigor os gastos associados à adoção de ferramentas de inteligência artificial.

A decisão foi divulgada pela OpenAI em um cenário de maior concorrência no setor, marcado pela disputa com empresas como Anthropic e pelo avanço de alternativas chinesas de menor custo que buscam oferecer desempenho semelhante.

Corte de preços amplia disputa pelo mercado corporativo de IA

OpenAI – Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock

A nova política de preços altera principalmente o valor cobrado pelo processamento de dados nos modelos de menor porte da OpenAI. O modelo Luna passou a custar 20 centavos por milhão de tokens de entrada, contra US$ 1 anteriormente. Já o Terra teve seu preço reduzido de US$ 2,50 para US$ 2 por milhão de tokens de entrada.

Nos custos relacionados à geração de respostas, o Luna caiu de US$ 6 para US$ 1,20 por milhão de tokens, enquanto o Terra passou de US$ 15 para US$ 12. A empresa manteve sem alterações o preço do seu modelo principal, o Sol.

A redução acontece em um momento no qual empresas enfrentam dificuldades para prever o impacto financeiro do uso intensivo de inteligência artificial. O setor tem migrado de modelos baseados em assinaturas fixas para sistemas de cobrança conforme o volume utilizado, o que pode elevar e tornar mais instáveis as despesas.

Ícone do ChatGPT em um smartphone
O GPT-5.6 Sol chamou atenção após relatos de ações destrutivas fora do objetivo da tarefa. – Imagem: Ascannio/Shutterstock

Segundo a OpenAI, a queda nos valores foi possível graças a avanços de eficiência incorporados ao GPT 5.6, incluindo melhorias no desenvolvimento de código e na otimização do desempenho dos sistemas durante processos internos.

A estratégia também aumenta a pressão sobre concorrentes. A Anthropic, que tem forte presença entre empresas e desenvolvedores com sua linha Claude, mantém preços superiores aos cobrados pela OpenAI no modelo intermediário comparável citado no levantamento.

De acordo com os dados apresentados, o Claude Sonnet 4.6 cobra US$ 3 por milhão de tokens de entrada e US$ 15 por milhão de tokens de saída, enquanto o Terra passou a operar com valores inferiores.

Analistas avaliam que a redução pode estimular mais empresas a utilizar ferramentas de inteligência artificial, mas também pode pressionar as finanças das companhias do setor antes de possíveis ofertas públicas iniciais de ações.

A disputa por preços ocorre em paralelo ao crescimento de modelos desenvolvidos por concorrentes chineses de código aberto, como o GLM 5.2, associado à Z.ai, citado como uma alternativa capaz de se aproximar do desempenho de grandes empresas ocidentais com custo menor.

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IA acaba com “caça” às passagens aéreas baratas; entenda motivo

Encontrar uma passagem aérea muito barata após horas de pesquisa na internet pode dar a sensação de ter vencido os algoritmos das companhias aéreas. No entanto, essa vantagem tende a desaparecer à medida que a inteligência artificial (IA) assume um papel cada vez maior na definição das tarifas.

Assim como benefícios que foram sendo eliminados ao longo dos anos, como a franquia gratuita de bagagem despachada, as grandes promoções de passagens estão se tornando menos frequentes.

Companhias, como a Delta, já utilizam sistemas de IA para definir preços, substituindo os analistas humanos que trabalhavam com planilhas e regras fixas, como reajustar as tarifas em 20% quando apenas um quarto dos assentos de um voo estivesse ocupado.

Agora, em determinadas rotas e voos, as empresas aéreas estão recorrendo a plataformas desenvolvidas por startups especializadas para analisar dezenas de variáveis e ajustar, em tempo real, tanto os preços quanto as estratégias de ocupação das aeronaves.

A tecnologia permite precificar cada assento com maior precisão, reduzindo as diferenças de preço que viajantes atentos costumavam aproveitar para economizar.

Agora, em determinadas rotas e voos, as empresas aéreas estão recorrendo a plataformas desenvolvidas por startups especializadas para analisar dezenas de variáveis e ajustar, em tempo real, tanto os preços quanto as estratégias de ocupação das aeronaves – Imagem: Prostock-studio/Shutterstock

Leia mais:

IA muda forma como compramos passagens aéreas

  • Uma das empresas que oferecem esse tipo de solução é a israelense Fetcherr;
  • Seu sistema considera fatores, como oscilações no preço do petróleo, entrada ou saída de concorrentes em determinados mercados, cancelamentos de voos e mudanças na demanda por rotas, para recalcular, em tempo real, o valor das passagens ao redor do mundo;
  • Outra companhia que aposta nesse modelo é a Volantio, sediada em Atlanta (EUA). Sua plataforma, baseada em IA, busca aumentar a receita das companhias aéreas mesmo depois que a passagem já foi vendida;
  • Quando identifica que um voo está com alta demanda, o sistema oferece aos passageiros com planos mais flexíveis a possibilidade de trocar para voos menos concorridos;
  • Como incentivo, os clientes podem receber benefícios, como um upgrade de assento. Com isso, a companhia aérea consegue revender o lugar liberado por um valor maior para outro passageiro interessado em viajar de última hora.

Para os consumidores, a adoção crescente dessas tecnologias pode trazer efeitos mistos. Segundo analistas, a tendência é que, de forma geral, as passagens fiquem mais caras, especialmente nas rotas mais disputadas, onde será cada vez mais difícil encontrar tarifas muito baixas.

Por outro lado, ainda há espaço para economizar. Passageiros com flexibilidade para viajar em períodos de menor movimento e que conseguem reservar voos com bastante antecedência podem ser beneficiados pelo novo modelo de precificação. Para os demais, a principal estratégia continua sendo comprar as passagens o quanto antes.

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Eleições 2026: o que um candidato pode fazer com IA? E o que não pode?

A exibição de um vídeo criado com inteligência artificial (IA) para simular um discurso de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), no último sábado (25), colocou a tecnologia no centro do debate eleitoral. Após o evento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para que a defesa do ex-presidente esclarecesse se ele autorizou o uso de sua imagem e voz na produção do material.

Na decisão, Moraes apontou dois possíveis cenários. Caso Bolsonaro tivesse autorizado a gravação, a participação poderia representar novo descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção da prisão domiciliar humanitária. Se não houvesse autorização, o ministro afirmou que o caso poderia configurar uma hipótese de conteúdo sintético manipulado em desacordo com a legislação eleitoral.

O episódio levantou dúvidas sobre o uso da inteligência artificial nas eleições. Afinal, um candidato pode usar um avatar criado por IA? É obrigatório avisar quando um conteúdo é sintético? O que caracteriza um deepfake proibido? E quais são as consequências para quem descumprir as regras?

O Olhar Digital analisou a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que disciplina o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral e ouviu especialistas para explicar o que é permitido, o que continua proibido e quais pontos ainda podem depender da interpretação da Justiça.

Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e restrições ao uso de deepfakes nas eleições de 2026 – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock

Um candidato pode usar inteligência artificial na campanha?

Sim. A Justiça Eleitoral não proibiu o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O que mudou para as eleições de 2026 foi a criação de um conjunto de regras para disciplinar como a tecnologia pode ser utilizada por candidatos, partidos, federações e plataformas digitais.

A principal delas está no artigo 9º-B da Resolução nº 23.610. Sempre que uma propaganda utilizar conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial para criar, substituir, omitir, mesclar, alterar ou sobrepor imagens e sons, o responsável deverá informar, de forma explícita, destacada e acessível, que aquele material foi produzido com IA e qual tecnologia foi utilizada.

A exigência vale para diferentes formatos. Em vídeos, por exemplo, a identificação deve aparecer tanto no início da peça quanto de forma visual durante sua exibição. Em imagens estáticas, deve haver marca d’água e audiodescrição. Já em materiais impressos, a informação precisa constar em cada página ou face que utilize conteúdo gerado por inteligência artificial.

A resolução também deixa claro que nem toda edição exige esse aviso. Ficam de fora ajustes simples para melhorar a qualidade de imagem ou som, além de elementos gráficos como logomarcas, vinhetas e recursos de marketing já comuns em campanhas eleitorais.

Na reportagem publicada pelo Olhar Digital no início de julho, a advogada Tayná Frota de Araújo, do VLK Advogados, resumiu essa mudança afirmando que esta será a primeira eleição geral realizada sob um conjunto mais estruturado de regras para o uso da inteligência artificial, com medidas preventivas, identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e novas responsabilidades para as plataformas digitais.

Na avaliação de Willians Sebriam, advogado da Revio, o objetivo do TSE não foi banir a tecnologia das campanhas, mas impedir seu uso para fabricar situações inexistentes. Segundo ele, “o uso de IA não foi banido das campanhas, ele foi regulamentado”, permitindo que candidatos utilizem a tecnologia “desde que respeitem os princípios da transparência e da veracidade”.

Essa também é a interpretação de Juliano Maranhão, professor da Faculdade de Direito da USP. Segundo ele, “a Resolução do TSE somente proíbe o uso de IA que não seja transparente e tenha por finalidade desinformar, com potencial de desequilibrar o jogo eleitoral”.

Quando a IA deixa de ser permitida?

Embora a IA possa ser utilizada em campanhas, essa autorização não é irrestrita. O artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 estabelece situações em que o uso da tecnologia passa a ser proibido. Entre essas hipóteses está o uso dos chamados deepfakes.

Ilustração de um rosto digital com a palavra
Os deepfakes — conteúdos sintéticos que simulam a imagem ou a voz de uma pessoa — estão entre os usos de inteligência artificial proibidos pela resolução do TSE na propaganda eleitoral – Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock

O artigo 9º-C determina que é vedado o uso, para favorecer ou prejudicar uma candidatura, de conteúdo sintético em áudio ou vídeo que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa viva, falecida ou fictícia — ainda que haja autorização da pessoa retratada.

Além dos deepfakes, a resolução também veda conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados capazes de comprometer a integridade das eleições ou desequilibrar a disputa. O descumprimento dessas regras pode caracterizar abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação, com consequências que incluem a cassação do registro ou do mandato, além de outras sanções previstas na legislação eleitoral.

A advogada Beatriz Haikal explicou que a regulamentação não impede o uso da inteligência artificial, mas estabelece critérios para separar aplicações legítimas da propaganda irregular. Segundo ela, ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar peças gráficas, avatares e outros materiais de campanha, desde que haja transparência quando o conteúdo for significativamente alterado. Já a fabricação de cenas falsas utilizando voz ou imagem de pessoas reais continua proibida.

Juliano Maranhão observa que, na prática, a análise da Justiça Eleitoral dependerá do contexto em que o conteúdo for utilizado.

Segundo o professor, “a avaliação é contextual”: será preciso verificar “se o vídeo sintético é voltado para disseminar informação patentemente falsa, que favoreça o próprio candidato ou prejudique o seu adversário, com potencial de impactar o eleitor”. Também deve ser considerado se o conteúdo tem caráter humorístico ou satírico, sem intenção de enganar o público.

Como exemplo, Maranhão cita uma publicação feita por Tabata Amaral durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024, em que o rosto do então prefeito Ricardo Nunes foi inserido no boneco Ken, da Barbie. Segundo ele, o caso “não se tratava de desinformação, mas uma forma humorística de colocar sua opinião sobre o candidato concorrente”.

Então por que o vídeo de Bolsonaro virou alvo da Justiça?

As regras ajudam a explicar parte da controvérsia envolvendo o vídeo exibido na convenção do PL. No entanto, antes mesmo de discutir se o conteúdo poderia violar a legislação eleitoral, Alexandre de Moraes levantou outra questão: Jair Bolsonaro autorizou ou não o uso de sua imagem e voz? A resposta para essa pergunta pode levar a consequências jurídicas diferentes.

Montagem com fotos do ex-presidente Jair Bolsonaro e do ministro do STF Alexandre de Moraes
Ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes – Imagem: Marcello Casal Jr. – Agência Brasil / Antônio Augusto – STF

Se Bolsonaro autorizou a produção do vídeo, o caso poderá representar novo descumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF. Desde julho de 2025, o ex-presidente está proibido de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, condição que foi mantida para a continuidade da prisão domiciliar humanitária. O ministro também lembra que Bolsonaro já havia sido advertido anteriormente por participar da elaboração de uma carta posteriormente divulgada por seu filho, Flávio Bolsonaro, nas redes sociais.

Por outro lado, se ficar demonstrado que a imagem foi utilizada sem a autorização do ex-presidente, Moraes afirma que a conduta poderá caracterizar uma hipótese de desinformação eleitoral mediante conteúdo sintético manipulado, sujeita às sanções previstas na legislação eleitoral. Para fundamentar esse entendimento, o ministro cita o artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 e decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de deepfakes em campanhas.

Para Juliano Maranhão, o caso Bolsonaro exige uma análise diferente daquela prevista apenas pela resolução do TSE. Segundo o professor, o principal questionamento de Alexandre de Moraes não diz respeito ao conteúdo do vídeo em si, mas à eventual participação do ex-presidente na encomenda ou na decisão de produzi-lo. Isso porque Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares específicas impostas pelo STF, além das regras gerais da legislação eleitoral.

Alberto Rollo afirma que uma eventual responsabilização dependerá justamente da forma como a Justiça interpretará a participação de Bolsonaro na produção do vídeo. Segundo ele, “se a Justiça considerar que o avatar feito com IA é a mesma coisa que se fosse o próprio Jair, então ele teria desrespeitado a vedação do ministro Alexandre Moraes de produzir manifestação política”.

O advogado ressalva, porém, que a convenção ocorreu antes do início oficial da propaganda eleitoral, que começa em 16 de agosto, e que o vídeo informava ter sido produzido com inteligência artificial. Por isso, Rollo entende que, nesse caso específico, “não houve ilegalidade”, embora a resolução do TSE proíba o uso de deepfakes durante a propaganda eleitoral.

A regulamentação já resolve todos os casos?

Embora o TSE tenha endurecido as regras para o uso de inteligência artificial nas eleições, especialistas avaliam que muitas situações ainda dependerão da interpretação da Justiça Eleitoral.

Isso porque a tecnologia evolui rapidamente e novas formas de utilização surgem antes mesmo que a legislação consiga prever todos os cenários.

Para Juliano Maranhão, esse desafio é inevitável. Segundo o professor, “não há como definir previamente todos os tipos possíveis de uso desinformativo de IA em conteúdo eleitoral”. Na prática, explica, apenas o contexto permite avaliar se houve enganosidade, se o conteúdo prejudica um rival ou favorece um candidato e em que medida isso ocorreu. A regulamentação estabelece um princípio geral, mas caberá aos tribunais aplicá-lo aos casos concretos. Em síntese, Maranhão resume a lógica da regulamentação da seguinte forma:

A regulação determina o conceito central: a IA não pode ser usada para desinformar e prejudicar ou favorecer arbitrariamente candidato levando o eleitor a erro.

Juliano Maranhão, advogado especialista em direito eleitoral

Pessoa utilizando um notebook com ícones que representam inteligência artificial, legislação, segurança digital e fiscalização sobrepostos à imagem.
Especialistas avaliam que a regulamentação da inteligência artificial nas eleições continuará exigindo interpretação da Justiça à medida que novas aplicações da tecnologia surgirem – Imagem: Supatman/iStock

Enquanto isso, o próprio TSE vem ampliando gradualmente as regras. Além da obrigatoriedade de identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial e da proibição dos deepfakes eleitorais, as eleições de 2026 também inauguram uma “janela de silêncio” para conteúdos sintéticos. Entre as 72 horas que antecedem cada turno e as 24 horas seguintes ao encerramento da votação, fica proibida a publicação, o compartilhamento e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas.

As plataformas digitais também ganharam novas responsabilidades. Elas devem disponibilizar mecanismos para identificar conteúdos produzidos com IA, remover rapidamente materiais ilícitos, impedir que publicações equivalentes continuem circulando e criar canais específicos para denúncias de candidatos e partidos.

Para a advogada Beatriz Haikal, uma das intenções da chamada “janela de silêncio” é evitar o chamado efeito calúnia de véspera — quando um conteúdo falso viraliza às vésperas da votação e não há tempo suficiente para que ele seja desmentido antes de os eleitores irem às urnas.

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1 robo humanoide gene01 da empresa generative bionics 1024x576

Google testa robôs capazes de entender ordens e agir sozinhos

O Google apresentou o Gemini Robotics 2, uma nova versão do modelo de inteligência artificial voltado para robôs. A tecnologia foi desenvolvida para ajudar máquinas a interpretar ambientes, planejar ações e executar movimentos mais complexos, reduzindo a dependência de comandos pré-programados.

O sistema combina visão computacional, processamento de linguagem e controle motor para que robôs consigam lidar com tarefas mais variadas, como movimentação de corpo inteiro, manipulação de objetos e interação com outras máquinas.

Durante anos, robôs dependeram de comandos fixos. Agora, modelos de IA tentam fazer máquinas entenderem ambientes e tomarem decisões. – (Reprodução: Generative Bionics)

Robôs deixam de apenas seguir comandos

Grande parte dos robôs usados atualmente depende de programação detalhada ou controle humano para funcionar. Isso limita a atuação em locais onde existem mudanças constantes, objetos fora do lugar ou situações inesperadas.

O Gemini Robotics 2 tenta resolver parte desse problema ao permitir que o robô interprete uma instrução, avalie o ambiente e escolha uma sequência de movimentos para completar uma tarefa.

Em uma demonstração, o modelo controlou o robô humanoide Apollo 2, da Apptronik, para buscar um regador, caminhar até uma prateleira e colocá-lo em um recipiente indicado. O próprio Google reconhece que ainda existem desafios, como aumentar a velocidade dos movimentos.

“Agora, nosso modelo pode controlar robôs humanoides completos pela primeira vez, traduzindo comandos em controle inteligente do corpo inteiro”, afirmou a empresa.

Três modelos dividem funções da inteligência artificial

A nova geração é formada por três modelos com funções diferentes:

  • Gemini Robotics 2: transforma informações visuais e comandos em linguagem em movimentos físicos.
  • Gemini Robotics ER 2: atua no planejamento, entende o ambiente e coordena tarefas com várias etapas.
  • Gemini Robotics On-Device 2: roda diretamente no equipamento e reduz a dependência de conexão com a internet.

Segundo o Google, o modelo executado no próprio robô também consegue se adaptar a novas plataformas em poucas horas de treinamento, usando menos de 200 exemplos, mesmo quando há diferenças de sensores, formato e capacidade de movimento.

Robô com o Gemini Robotics 2 instalado
Nem tudo está resolvido: tarefas que exigem movimentos delicados dos dedos ainda são um grande desafio para os robôs. – Imagem: Reprodução/Google

Precisão ainda é desafio para robôs

Além de andar e se movimentar, os robôs precisam manipular objetos com cuidado para se tornarem úteis no dia a dia. Nos testes apresentados, o sistema controlou mãos robóticas de cinco dedos e garras mecânicas para tarefas como fechar embalagens, encaixar peças e organizar objetos.

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Os resultados indicam avanços, mas também mostram limitações. Atividades que exigem movimentos muito delicados dos dedos continuam sendo mais difíceis do que operações realizadas com garras tradicionais.

“Ainda estamos avançando no nível de precisão e velocidade para alcançar uma destreza próxima à humana”, informou o Google.

A empresa também apresentou ferramentas voltadas à segurança, incluindo sistemas capazes de identificar situações de risco, interromper ações e pedir ajuda humana quando necessário.

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Corrida das IAs: o plano da Europa para correr atrás de China e EUA

A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (30) um plano de €10 bilhões para financiar a criação de sete gigafábricas de inteligência artificial no bloco europeu. A iniciativa busca ampliar a capacidade computacional da região e fortalecer sua posição na disputa tecnológica global.

O projeto será conduzido pela Comissão Europeia, que pretende atrair ao menos €20 bilhões em investimentos privados para complementar os recursos públicos. As instalações serão distribuídas entre países do bloco e deverão reunir infraestrutura de processamento, armazenamento e desenvolvimento de sistemas de IA.

A estratégia surge em meio à corrida internacional por capacidade tecnológica, com a União Europeia tentando diminuir a diferença em relação aos Estados Unidos e à China. As novas estruturas se somarão às 19 fábricas de inteligência artificial já existentes em diferentes países europeus.

Europa aposta em infraestrutura própria para acelerar avanço da inteligência artificial

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

As chamadas gigafábricas serão complexos de grande escala voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial, reunindo processadores avançados, softwares, serviços de nuvem, conexões de alta velocidade e centros de dados. A Comissão Europeia informou que o número previsto de unidades aumentou de cinco para sete após manifestações de interesse feitas por governos do bloco.

A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, afirmou que o acesso a uma grande capacidade de processamento se tornou um elemento estratégico para o avanço europeu na área.

O acesso à escala bruta de poder computacional dentro das Gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera”, declarou Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, em comunicado oficial divulgado pelo órgão.

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Euro (Imagem: Andrei Barmashov/iStock)

A participação no projeto estará aberta a grupos formados por empresas de tecnologia, fornecedores de computação em nuvem, entidades públicas e investidores. Esses consórcios poderão apresentar propostas dentro do processo de seleção conduzido pela Comissão Europeia.

O prazo para envio das candidaturas termina em 12 de novembro. A expectativa do bloco é divulgar os projetos escolhidos no início de 2027, com a previsão de que as estruturas entrem em funcionamento em até 18 meses após a assinatura dos contratos.

A iniciativa também recebeu apoio inicial de grandes fabricantes de semicondutores. AMD, Nvidia e Qualcomm firmaram cartas de intenção com a Comissão Europeia para fornecer chips aos grupos envolvidos na criação das novas instalações.

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Google Earth agora permite recriar lugares do mundo todo com inteligência artificial

O Google lançou nesta quinta-feira (30) uma nova ferramenta no Google Earth que combina imagens de satélite, fotografias aéreas e modelos tridimensionais com a tecnologia de geração de imagens Nano Banana 2. A novidade permite criar representações visuais personalizadas de locais existentes a partir de comandos escritos pelos usuários.

Disponível globalmente para usuários da versão web do Google Earth, o recurso foi desenvolvido para ajudar pessoas a visualizar transformações de espaços, reconstruções históricas e ideias de novos projetos. A ferramenta funciona a partir da seleção de um ponto no mapa e da descrição do cenário desejado.

A iniciativa foi apresentada por Bryan Horowitz, gerente de produto do Google Earth, como uma forma de ampliar as possibilidades de exploração digital do planeta. A proposta é permitir que estudantes, profissionais e curiosos enxerguem diferentes versões de um mesmo lugar usando inteligência artificial baseada em referências geográficas reais.

Inteligência artificial transforma locais atuais em cenários históricos e futuros

IA utiliza tecnologia do Nano Banana 2 e a integra no Google Earth para recriar Pompeia – (Reprodução: Google)

A nova funcionalidade permite que usuários modifiquem virtualmente áreas observadas no Google Earth por meio de instruções digitadas. O sistema utiliza a tecnologia Nano Banana 2 para gerar imagens que mantêm relação com o ambiente real analisado pela plataforma.

Uma das possibilidades apresentadas pelo Google é a reconstrução visual de períodos históricos. Professores podem utilizar o recurso para mostrar aos alunos como determinados locais poderiam ter sido em outras épocas, como no caso das ruínas de Pompeia, que podem ser convertidas em uma representação de uma rua movimentada durante o Império Romano.

Além do uso educacional, a ferramenta também pode auxiliar quem deseja compreender melhor pontos turísticos e locais conhecidos. O Google Earth permite criar materiais explicativos, como infográficos personalizados, reunindo informações históricas associadas a determinados lugares.

Recurso pode auxiliar planejamento urbano e projetos imobiliários

Novas adições de IA do Nano Banana 2 ao Google Earth permitem até mesmo o planejamento arquitetônico e urbanístico
Novas adições de IA do Nano Banana 2 ao Google Earth permitem até mesmo o planejamento arquitetônico e urbanístico – (Reprodução: Google)

A ferramenta também foi criada para apoiar profissionais que precisam apresentar ideias antes da execução de obras. Arquitetos e planejadores urbanos podem utilizar a inteligência artificial para representar como terrenos vazios poderiam se tornar novos empreendimentos.

Segundo a apresentação do Google, um espaço sem construção pode ser transformado digitalmente em uma proposta visual de um distrito comercial, com áreas abertas e estruturas planejadas. A intenção é facilitar a compreensão de possíveis resultados por clientes e equipes envolvidas em projetos.

A tecnologia também permite visualizar construções residenciais antes do início das obras. Um terreno aberto pode receber uma representação de uma casa ou outro projeto arquitetônico inserido no cenário existente, permitindo uma prévia de como a construção poderia se integrar ao ambiente.

Usuários podem criar versões imaginárias de lugares conhecidos

Além das aplicações práticas, o recurso foi apresentado como uma ferramenta voltada à criatividade. Usuários podem alterar completamente a aparência de locais conhecidos e criar interpretações futuristas ou fantásticas de determinadas áreas.

O Google citou como exemplo a transformação virtual do campus da empresa em Mountain View em uma cidade futurista, com elementos como passarelas iluminadas, estruturas de vidro, veículos aéreos e vegetação integrada aos prédios. A proposta mostra como a tecnologia pode ser usada para imaginar possíveis mudanças em espaços existentes.

Com a liberação global da ferramenta para o Google Earth na web, a empresa afirma que qualquer usuário pode escolher um local no mapa e experimentar novas formas de visualizar ambientes reais por meio da inteligência artificial.

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