Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk em 2023, abriu um processo judicial na Califórnia alegando que foi demitido após levantar preocupações sobre a segurança no desenvolvimento de sistemas de IA. Devin Kim afirma que sua atuação interna buscava reforçar mecanismos de proteção no chatbot Grok, mas que suas advertências teriam sido ignoradas pela liderança da companhia.
De acordo com a ação apresentada na última terça-feira (09), Kim sustenta que suas tentativas de alertar sobre possíveis riscos associados à tecnologia resultaram em retaliação dentro da empresa. Ele alega, ainda, que sua dispensa ocorreu em setembro do ano passado, pouco antes de uma apresentação que faria sobre segurança em inteligência artificial para executivos da organização.
Acusações envolvem práticas internas e disputa sobre segurança em IA
xAI e SpaceX – Imagem: Sergii Chernov – Shutterstock / Edição: Ana Figueiredo – Olhar Digital
No detalhamento da ação, Devin Kim afirma que ingressou na xAI em 2024 como um dos primeiros funcionários e que, em poucos meses, chegou a ocupar posição de liderança. Segundo ele, havia expectativa de implementação de protocolos rigorosos de segurança, alinhados ao discurso inicial de Elon Musk ao criar a empresa como alternativa considerada mais segura em relação a outras organizações do setor.
O engenheiro sustenta que essas diretrizes não teriam sido seguidas internamente. Ele afirma que seu supervisor, identificado como Jimmy Ba, cofundador da xAI, teria rejeitado propostas de mecanismos de proteção e ignorado alertas sobre riscos mais amplos ligados ao uso da inteligência artificial, incluindo potenciais impactos sociais e legais.
Kim também relata que suas preocupações incluíam a possibilidade de sistemas como o Grok contribuírem para problemas mais graves, como discriminação e até facilitação de armas de destruição em massa, segundo o conteúdo do processo.
Nomeação em entidade de segurança em IA ocorre após saída
Elon Musk – Imagem: FotoField/Shutterstock
Na semana anterior à divulgação da ação, o ex-engenheiro foi nomeado para liderar uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo de riscos da inteligência artificial, o Center for AI Safety. A indicação ocorreu após sua saída da xAI e passou a ser mencionada no contexto do debate público sobre segurança em IA.
O processo judicial também contextualiza a disputa dentro de um cenário mais amplo envolvendo empresas de Elon Musk. A ação menciona que a SpaceX e outros empreendimentos do empresário enfrentam, há anos, alegações relacionadas à segurança operacional e às condições de trabalho, incluindo registros de acidentes em operações da companhia espacial, segundo investigação jornalística citada no texto-base.
Histórico de disputas e contexto envolvendo Musk e OpenAI
A fundação da xAI por Elon Musk em 2023 é descrita no processo como parte de uma iniciativa para criar uma alternativa mais segura no setor de inteligência artificial.
O texto também relembra que Musk esteve entre os fundadores da OpenAI, embora tenha posteriormente entrado em disputa judicial contra a organização, alegando desvio de sua missão original, ação que acabou rejeitada por um júri no ano anterior.
Até o momento, xAI e SpaceX não se manifestaram publicamente sobre as acusações apresentadas por Devin Kim.
Nesta quarta-feira (10), durante o evento anual Google for Brasil, realizado em São Paulo (SP), o Google anunciou uma série de inovações baseadas em inteligência artificial (IA) destinadas ao mercado nacional. As novidades abrangem desde a busca por locais e navegação na web até ferramentas de suporte para o ecossistema de criadores de conteúdo do país.
Novidades do Google
Google Maps: conversas em linguagem natural e reservas
Uma das principais atualizações é o recurso “Pergunte ao Maps”, que transforma o aplicativo em um assistente de recomendações conversacional baseado na IA Gemini;
A ferramenta permite que usuários façam perguntas complexas em linguagem natural, como “quero uma hamburgueria com mesas ao ar livre” ou “onde levar meu filho em um dia de chuva?”;
O sistema gera respostas personalizadas cruzando informações de mais de 300 milhões de lugares e avaliações de 500 milhões de usuários da comunidade;
Além de sugestões de restaurantes e passeios, o assistente pode tirar dúvidas sobre transporte público, como se um ônibus específico utiliza corredores exclusivos ou qual a entrada de metrô mais próxima;
A função, que já estava disponível nos EUA e na Índia, começou a ser liberada nesta quarta para um grupo seleto de usuários engajados e chegará a todos os brasileiros nas próximas semanas;
O acesso é feito por um ícone no canto superior esquerdo do aplicativo para celulares, com previsão de chegada aos navegadores futuramente.
Pergunte ao Maps já está integrado ao Brasil – Imagem: Divulgação/Google
Somado a isso, o Google introduziu a reserva direta de restaurantes na busca, por meio de parcerias com os sistemas Tagme e Get In. Os usuários podem solicitar: “encontre uma reserva para três pessoas às 18h em um restaurante francês próximo a mim”, evitando filas de espera.
Gemini no Chrome: navegação contextual
O navegador Chrome também recebeu uma integração profunda com o Gemini por meio de uma nova extensão localizada no canto superior direito. Esse assistente permite realizar consultas baseadas no conteúdo da página ou vídeo que está sendo visualizado.
Entre as funcionalidades, destacam-se a capacidade de resumir conteúdos, comparar informações entre diferentes abas e explicar o significado de imagens. De acordo com Charmeine D’Silva, diretora-sênior de produto do Chrome, “a grande mudança é que você faz perguntas, e o sistema entende você… não é necessário aprender a escrever um comando”. A extensão também se integra ao Gmail e Calendar, permitindo, por exemplo, criar rascunhos de e-mail com informações pesquisadas ou adicionar eventos diretamente.
Embora o recurso esteja se expandindo para América Latina, Oriente Médio e África, ele permanece indisponível na Europa devido às regras estritas do GDPR. No Brasil, a liberação ocorre de forma gradual a partir desta quarta, exigindo a atualização do navegador. O sistema também inclui o gerador de imagens interno Nano Banana 2.
Assistente permite realizar consultas baseadas no conteúdo da página ou vídeo que está sendo visualizado – Imagem: Divulgação/Google
Para os produtores de vídeo, foi lançado o “Pergunte ao Studio”, um chat de IA integrado ao YouTube Studio. A ferramenta funciona como um assistente que ajuda a analisar métricas do canal, resumir o feedback do público e identificar tendências.
O assistente pode sugerir ideias para novos vídeos e até revisar roteiros antes da gravação, oferecendo feedbacks baseados nas melhores práticas da plataforma. Max Oliveira, gerente sênior de marketing do YouTube, afirmou que a IA pode dar orientações para “melhorar a geração de receita dentro da plataforma”. O recurso já está disponível para todos os criadores brasileiros por meio de um ícone de brilho (✨).
Criadores agora podem usar IA para saber mais informações sobre seus trabalhos – Imagem: Divulgação/Google
Impacto econômico e social
O Google aproveitou o evento para destacar a relevância do YouTube no Brasil. Segundo dados da empresa, o ecossistema de criadores gerou mais de 150 mil empregos em 2025 e contribuiu com mais de R$ 6 bilhões para o PIB brasileiro. Atualmente, mais de 4,5 mil canais brasileiros possuem mais de um milhão de inscritos.
Essas atualizações ocorrem em um momento em que redes sociais, como TikTok e Instagram, têm ganhado espaço como ferramentas de descoberta de lugares, desafiando a busca tradicional do Google. Com a IA, a empresa busca oferecer respostas mais diretas e personalizadas para manter sua relevância no cotidiano dos usuários.
A Anthropic lançou, na terça-feira, o Fable, descrito pela empresa como uma versão pública e limitada do Mythos, seu sistema voltado à segurança digital. O lançamento rapidamente virou alvo de reclamações entre pesquisadores e profissionais da área, que consideram os bloqueios amplos demais até para tarefas simples.
Segundo a TechCrunch, as críticas começaram a aparecer em redes sociais e fóruns especializados. Valentina “Chompie” Palmiotti, pesquisadora de segurança que trabalha na IBM X-Force, escreveu que o Fable “rejeita qualquer requisição que possa ser tangencialmente relacionada a cibersegurança. Até tarefas inócuas, como ler uma postagem de blog”. Outro pesquisador reclamou no X que “até pedir uma revisão de código” aciona as barreiras da plataforma.
Nova IA da Anthropic interrompe conversas ao detectar temas ligados à cibersegurança ou biologia. Imagem: Photo For Everything/Shutterstock – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
O que faz o Fable bloquear pedidos
Quando um prompt ativa os mecanismos internos de proteção, o Fable interrompe a conversa e exibe uma mensagem informando que suas “medidas de segurança sinalizaram esta mensagem por tópicos de cibersegurança ou biologia”. Nesses casos, a ferramenta retorna automaticamente ao Claude Opus 4.8.
A empresa afirma que os filtros existem para evitar que o sistema seja usado na criação de malware ou para invadir softwares — uma preocupação antiga da Anthropic. A companhia também bloqueia pedidos ligados à biologia por receio de uso indevido envolvendo armas biológicas.
Especialistas reclamam dos filtros
Matt Suiche, veterano da área e membro da equipe técnica da Tolmo, startup de segurança digital com IA, disse ao TechCrunch que “se você pede para ele escrever código seguro, ele assume que é trabalho relacionado a cibersegurança em vez de boas práticas de engenharia de software, e você é rebaixado”. Suiche afirmou ainda que o sistema “parece ser baseado em palavras-chave, então qualquer coisa no campo lexical de ‘cibersegurança’ aciona as restrições”.
Mesmo criticando o funcionamento do sistema, Suiche disse entender a postura da empresa. “Ainda estamos nos primeiros dias e eles ainda estão adaptando suas restrições. Tenho certeza de que vão evoluir com o tempo, à medida que a Anthropic e outras empresas de modelos de fronteira colaborarem com a nova geração de empresas de cibersegurança”, afirmou. “É melhor pegar mais pessoas do que pegar de menos quando você faz um lançamento assim, e relaxar as restrições ao longo do tempo.”
Profissionais da área reclamam que até pedidos considerados inofensivos são barrados pelo Fable. Imagem: JRdes/Shutterstock – Imagem: JRdes/Shutterstock
Como o Mythos chegou ao mercado
O Mythos foi lançado pela Anthropic em abril, inicialmente com acesso restrito a um grupo limitado de empresas e organizações dentro do Projeto Glasswing, iniciativa voltada à proteção de softwares e infraestruturas críticas. Na semana passada, a companhia ampliou o acesso ao sistema para centenas de organizações em 15 países.
Além dos filtros internos, a Anthropic exige que profissionais da área se inscrevam no Cyber Verification Program. Profissionais aprovados conseguem usar o Claude com menos bloqueios para trabalhos ligados à segurança digital. A OpenAI mantém um programa semelhante chamado Trusted Access for Cyber.
As críticas continuam circulando entre profissionais da área, principalmente por causa dos bloqueios considerados exagerados. A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da reportagem.
A preocupação com o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho já é realidade para boa parte dos americanos, segundo uma nova pesquisa Reuters/Ipsos. O levantamento revela que 53% dos entrevistados acreditam que a IA pode provocar desemprego em suas casas.
O dado ajuda a explicar o clima de incerteza nos Estados Unidos, em meio a cortes de empregos em grandes empresas e ao avanço acelerado da tecnologia no cotidiano.
O avanço da IA já aparece como fator de preocupação para a maioria dos entrevistados nos Estados Unidos, segundo levantamento recente. Imagem: Altheas Joni/Shutterstock – Imagem: Altheas Joni/Shutterstock
Medo de perder o emprego cresce nos EUA
A pesquisa foi realizada ao longo de seis dias e concluída na última segunda-feira, ouvindo 4.531 adultos em todo o país. O retrato é relativamente uniforme: a preocupação aparece de forma semelhante entre idades, gêneros e níveis de escolaridade.
No total, 53% dos entrevistados dizem estar preocupados com a possibilidade de perda de emprego por causa da tecnologia. Outros 37% afirmam não ter esse receio, enquanto 10% estão indecisos ou não responderam.
Um ponto que chama atenção é a intensidade da preocupação geral: cerca de 73% dos americanos dizem se preocupar com o avanço da inteligência artificial no dia a dia.
53% temem perda de emprego em casa por causa da IA
37% não veem esse risco como preocupante
10% não souberam ou preferiram não responder
73% demonstram preocupação geral com o avanço da tecnologia
Cortes em grandes empresas e adoção acelerada de IA ajudam a explicar o clima de incerteza no mercado de trabalho americano. Imagem: Andrii Yalanskyi / Shutterstock.com
Cortes e mudanças no mercado acendem alerta
O levantamento da Reuters/Ipsos foi divulgado em meio a uma sequência de demissões associadas à adoção de IA por grandes empresas. Um dos exemplos citados é a Intuit, que anunciou a demissão de 17% de sua força de trabalho global para reorganizar operações e concentrar esforços em iniciativas estratégicas, incluindo inteligência artificial.
O debate também ganhou força em eventos públicos recentes. Em uma cerimônia de formatura na Universidade do Arizona, o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, foi vaiado ao comentar os impactos da IA no futuro do trabalho — um sinal de como o tema já desperta reações mais intensas na sociedade.
Ao mesmo tempo, especialistas e líderes políticos alertam para o uso da tecnologia em áreas sensíveis, como propaganda, entretenimento e até aplicações militares, ampliando o alcance das discussões sobre seus limites.
Diferenças políticas e impacto no mercado
A pesquisa também identificou uma diferença relevante entre grupos políticos. Entre os democratas, 61% afirmam estar preocupados com a substituição de empregos pela IA, enquanto entre republicanos o índice é de 47%.
Outro dado importante mostra como a tecnologia já está mais presente na rotina de quem tem ensino superior: metade dos graduados afirma usar IA regularmente, contra 34% entre pessoas sem diploma universitário e 40% da população geral.
Esse quadro ajuda a entender um ponto central do cenário americano: apesar da preocupação crescente, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais de crescimento em diferentes áreas, o que mantém o impacto da IA cercado de incerteza.
Ferramentas como ChatGPT e soluções da Anthropic já fazem parte da rotina de usuários e empresas nos Estados Unidos. Imagem: VideoFlow / Shutterstock
IA avança entre ferramentas e decisões profissionais
A discussão envolve o uso cada vez mais frequente de ferramentas como ChatGPT, da OpenAI, e soluções corporativas da Anthropic, que vêm se consolidando tanto entre usuários comuns quanto em ambientes empresariais.
Esse avanço já começa a aparecer na rotina de trabalho e até em decisões pessoais. Uma escritora freelancer ouvida na pesquisa relatou ter perdido parte de seus contratos e suspeita que a IA tenha influenciado essa mudança.
Outro caso vem da área da saúde mental: uma psicóloga afirmou estar preocupada com pacientes que recorrem à IA entre sessões de terapia, levantando dúvidas sobre limites e qualidade das respostas.
No fim, o levantamento ajuda a traçar um panorama mais concreto: a inteligência artificial já não é apenas uma tendência tecnológica, mas um fator real de ansiedade, adaptação e mudança no mercado de trabalho — especialmente nos Estados Unidos.
A empresa estadunidense Elea vai investir US$ 550 milhões (R$ 2,8 bilhões) na primeira etapa do Rio AI City, um campus de data centers a ser instalado no Parque Olímpico do Rio de Janeiro (RJ). O anúncio foi feito nesta terça-feira (9) pelo prefeito Eduardo Cavaliere durante coletiva de imprensa no Web Summit Rio, o maior evento de tecnologia da América do Sul.
O projeto prevê capacidade para alcançar até 3,2 gigawatts de geração até 2032. Cavaliere apontou a combinação de ampla oferta de água, conectividade por cabos submarinos e capacidade de formar e atrair talentos locais como pilares do empreendimento.
Educação como parte da estratégia para formação de profissionais para data centers
O prefeito reforçou o investimento da prefeitura em educação voltada para STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Segundo ele, 312 escolas do município já contam com programas de robótica, programação e lógica desde os primeiros anos. “É preciso aprender matemática, mas também português, para executar bem os prompts”, disse.
Cavaliere também destacou crescimento de 12% nos anos iniciais do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), conforme o relatório de 2024.
Instalações serão criadas no Parque Olímpico – Imagem: Diego Thomazini/iStock
Web Summit Rio cresce 20% ao ano
A coletiva contou com a presença de Paddy Cosgrove, fundador do Web Summit, que organiza cinco edições ao redor do mundo — em Lisboa (Portugal), Rio de Janeiro (RJ), Doha (Catar) e Vancouver (Canadá). No Brasil, o crescimento é de cerca de 20% ao ano desde a primeira edição, há quatro anos.
Para Cosgrove, o Rio percorre o mesmo caminho de Lisboa: “cidades que têm qualidade de vida, retêm e atraem talentos.” Ele afirmou ainda que o Rio é uma porta de entrada para a América Latina e registra interesse crescente de empresas chinesas. Nesta edição, cerca de 40 mil participantes de mais de 100 países devem circular pelo evento, cujo público principal é composto por investidores e empreendedores de startups.
Críticas ao Marco Legal da IA
No último painel do dia, Bruno Lewicki, head de políticas públicas da OpenAI, e o advogado especializado em tecnologia Ronaldo Lemos subiram ao palco principal;
Lewicki destacou a parceria da OpenAI com o TSE no desenvolvimento do Synth ID, protocolo para identificação de imagens geradas por IA. “Com a presença de novas tecnologias, teremos uma eleição de aprendizado mútuo”, afirmou;
Os dois criticaram a tramitação do PL 2338/2023, o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil;
Lemos foi direto: “Copiamos a lei europeia de 2019, que já foi toda modificada. Somos o país que criou o Marco Civil da Internet. Não precisamos copiar ninguém“;
Ao encerrar sua participação, o advogado defendeu a adoção de modelos open source e provocou os presentes. “Precisamos de regulamentação no Brasil para não depender da OpenAI. O Brasil tem desenvolvedores incríveis.”
A OpenAI começou a semana com um movimento que pode mudar sua posição na corrida da inteligência artificial. Na segunda-feira (8), a desenvolvedora do ChatGPT oficializou um pedido de oferta pública inicial (IPO), primeiro passo para abrir capital e vender ações nas bolsas de valores.
Segundo o The New York Times, o pedido foi confidencial e a OpenAI ainda não decidiu quando oficialmente abrirá capital. Em comunicado enviado ao site, a companhia afirmou que “pode demorar um pouco, porque há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada”.
A desenvolvedora não é a única em busca de um IPO. A rival Anthropic e a SpaceX também caminham para entrar na bolsa ainda este ano. No entanto, há riscos, principalmente considerando que a criadora do ChatGPT ainda não se tornou lucrativa.
Ao mesmo tempo, ao se abrir para o mercado, a empresa consegue captar financiamento para evoluir ainda mais na corrida da IA, à medida que rivais começam a se tornar importantes nesse setor.
O Olhar Digital mergulhou no que está por trás do IPO da OpenAI, qual deve ser o impacto para a empresa e para o mercado, e se o usuário final do ChatGPT precisa se preocupar.
OpenAI deu o primeiro passo em busca do IPO – Imagem: Melnikov Dmitriy/Shutterstock
ChatGPT foi o pontapé da corrida das IAs
A corrida das IAs é, basicamente, a disputa entre empresas do setor de tecnologia para apresentar ferramentas cada vez mais avançadas de inteligência artificial.
Tudo começou em novembro de 2022, quando o ChatGPT foi lançado pela OpenAI.
Na época, a desenvolvedora era uma empresa de pesquisa em IA respeitada no meio tecnológico (inclusive tendo recebido investimentos da Microsoft), mas desconhecida pelo público. A companhia operava através de uma fundação sem fins lucrativos, que controlava uma subsidiária de “lucro limitado”, criada especificamente para captar investimentos e financiar pesquisas.
Os modelos de linguagem também eram limitados em comparação ao que temos hoje. O ChatGPT foi lançado com o GPT-3.5. Desde então, os modelos ficaram mais confiáveis, multimodais (com capacidade para entender texto, áudio e imagens) e fáceis de usar, incluindo melhorias para conversas em linguagem natural.
Atualmente, estamos no GPT-5.5, que consegue operar computadores e realizar tarefas de forma autônoma, incluindo pesquisas online, análise de dados complexos e explorar diferentes ferramentas.
Voltando a 2022. A inteligência artificial generativa já existia. O diferencial do ChatGPT foi levar a tecnologia a usuários que nunca haviam entrado em contato com ela antes – e tudo de forma simples, em uma linguagem conversacional, sem necessidade de prompts elaborados ou conhecimento de programação.
Naquele momento, outras empresas de tecnologia perceberam que precisavam agir se não quisessem ficar para trás no setor. E a corrida começou: big techs como Microsoft, Google, Meta e Apple, e startups como Anthropic e Perplexity, passaram a correr atrás do prejuízo e desenvolveram suas próprias IAs.
Atualmente, o mesmo setor já está em outra fase, em que a tecnologia não é necessariamente o mais importante. Ao Olhar Digital, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, defendeu que a corrida deixou de ser meramente tecnológica e virou uma disputa por capital. Isso porque o treinamento de modelos avançados exige investimentos – algo que as big techs conseguem financiar por muitos anos.
Já OpenAI e Anthropic, ambas startups, precisam se virar. É aí que entra o IPO. Segundo Flôres, a oferta pública inicial é uma forma de obter financiamento permanente para sustentar o crescimento, as pesquisas, aquisições e expansão global que permitem que as empresas se mantenham relevantes no setor.
O mercado está descobrindo que a inteligência artificial não é só uma revolução tecnológica. É também uma revolução financeira. A próxima disputa entre grandes empresas de IA não vai ser vencida pelos melhores algoritmos. Vai ser vencida por quem vai conseguir financiar mais a evolução mais rápido e por mais tempo.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mas, antes de chegar lá, a OpenAI teve que mudar.
IPO virou uma forma de garantir financiamento para sustentar avanços da corrida de IA – Imagem: jackpress / Shutterstock
A empresa foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos, com a missão de fazer com que a inteligência artificial beneficiasse a humanidade. Em 2019, veio a subsidiária com fins lucrativos.
Mais recentemente, em outubro de 2025, a desenvolvedora anunciou uma nova estrutura:
A organização sem fins lucrativos é agora a OpenAI Foundation;
A entidade com fins lucrativos agora é uma corporação de benefício público chamada OpenAI Group PBC. Ao contrário de uma empresa tradicional, essa entidade é obrigada a promover a missão original e considerar os interesses de todas as partes envolvidas, sem visar apenas o lucro. A desenvolvedora defende que isso “garante que a missão e o sucesso comercial da empresa avancem juntos”;
A OpenAI Foundation controla o OpenAI Group;
Ambas organizações têm a mesma missão: “garantir que a inteligência artificial geral (AGI) possa beneficiar toda a humanidade”.
Ainda segundo a OpenAI, a capitalização permite “levantar capital e atrair e reter os talentos necessários para promover sua missão, ao mesmo tempo em que mantém a mais forte representação de uma governança orientada pela missão em todo o setor atualmente”.
A nova estrutura demorou mais de um ano para ser finalizada – e veio acompanhada de polêmicas.
Em 2024, Elon Musk, um dos cofundadores da desenvolvedora, moveu um processo acusando a empresa, o CEO Sam Altman e o presidente Greg Brockman (ambos também são cofundadores) de descumprirem o compromisso original da companhia, que previa que ela se manteria uma organização sem fins lucrativos e com uma missão filantrópica que beneficiaria a humanidade.
O bilionário queria uma indenização de US$ 150 bilhões e a destituição de Altman e Brockman de seus respectivos cargos de liderança. Ele também tentou reverter a conversão da OpenAI em empresa com fins lucrativos.
A desenvolvedora negou as acusações, defendendo que as ações de Musk foram motivadas pela rivalidade entre os executivos e para beneficiar a própria empresa de IA do bilionário, a xAI.
O julgamento conduzido este ano em tribunal na Califórnia, nos Estados Unidos, terminou em decisão favorável à desenvolvedora. O júri responsável decidiu pela rejeição da ação de Elon Musk, já que ele teria entrado com a ação judicial após o prazo de prescrição para apresentar essa reivindicação ter expirado.
No X, Musk prometeu recorrer. O Olhar Digital deu os detalhes sobre o desfecho do julgamento neste link.
Troca de farpas entre Altman (esquerda) e Musk (direita) é antiga – Imagem: FotoField/Shutterstock
Enfim, a bolsa de valores
Menos de um ano depois de mudar sua estrutura para permitir um braço com fins lucrativos, a OpenAI vai em busca do IPO.
Segundo o NYT, esta pode ser uma das maiores ofertas públicas da história de Wall Street. A empresa foi avaliada em US$ 730 bilhões em uma rodada privada de financiamento este ano, sem contar os valores captados em uma rodada mais recente, de por volta de US$ 122 bilhões.
De acordo com Olívia Flôres de Brás, o IPO da OpenAI é um momento muito relevante para o mercado de tecnologia nesta década.
Estamos falando da primeira oportunidade para que os investidores realmente possam participar ativamente e diretamente do crescimento que colocou a inteligência artificial no centro de uma economia global.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Para ela, a abertura do capital é “uma arma muito competitiva” na corrida de IA.
Mas isso vem acompanhado de desafios.
Mesmo com o valor em alta, a companhia ainda enfrenta uma questão importante: a lucratividade. Ao mesmo tempo que espera gastar US$ 115 bilhões nos próximos quatro anos, divulgou ganhos de cerca de US$ 13 bilhões no ano passado, impulsionados principalmente pela venda de anúncios no ChatGPT e da venda de pacotes de produtos de IA para companhias. Ou seja, a conta não fecha.
Flôres acredita que isso não é um impeditivo. Ela lembrou que, em outras oportunidades, o mercado também financiou empresas que permaneceram anos sem registrar lucro, apenas pela posição de mercado dominante. “A questão central é a capacidade da OpenAI de transformar essa liderança tecnológica em geração sustentável de caixa”, defendeu.
Se por um lado a desenvolvedora garante financiamento constante e mais visibilidade, por outro também deve ser mais cobrada. A executiva explica que aberturas de capital deixam as companhias mais pressionadas para registrar resultados positivos, além de a OpenAI possivelmente perder a flexibilidade que tem enquanto empresa privada.
Para o usuário, o que muda com o IPO da OpenAI?
O movimento da OpenAI em direção à bolsa de valores não deve afetar apenas o mercado.
O IPO coloca mais pressão para a empresa ter crescimento e rentabilidade. Olívia Flôres de Brás defende que isso deve levar a desenvolvedora a realizar mudanças na estratégia comercial, algo que pode afetar os usuários finais dos produtos – como o ChatGPT.
Quando você acelera iniciativas de monetização, você amplia a oferta de planos corporativos, você vai ter que criar novos produtos, que expandir serviços voltados para as empresas. A estratégia de longo prazo provavelmente vai continuar sendo ampliar a base de usuários e ter uma consolidação de sistema, além do crescimento e desenvolvimento de tudo o que permeia a inteligência artificial. Mas o desafio será equilibrar o crescimento financeiro com a adoção de larga escala.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos
Mesmo com crescimento, OpenAI ainda não chegou à lucratividade – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
O volume supera com folga os US$ 75 bilhões que a companhia pretendia levantar, e a procura estaria entre três e quatro vezes acima do tamanho planejado da oferta.
A Anthropic, rival da OpenAI, é outra que quer entrar na bolsa de valores. No início deste mês, a desenvolvedora também protocolou de forma confidencial seu pedido junto ao órgão regulador do mercado financeiro nos Estados Unidos.
Para Flôres, a ‘onda’ recente de IPOs em empresas de tecnologia tem motivo:
O primeiro deles é que a inteligência artificial inaugurou um novo ciclo de investimentos globais. Ela comparou esse momento ao da chegada da internet e dos smartphones;
O segundo é que o mercado voltou a se interessar por empresas com potencial de crescimento, após longos anos de juros elevados e investimentos restritos;
O terceiro é que muitas empresas precisam de volumes muito grandes de capital. Quando as rodadas de financiamento privadas passam a ser insuficientes, vem o IPO. Trata-se da “forma natural de financiar a próxima fase dessas expansões”.
Vale lembrar que o pedido é apenas o primeiro passo para entrar na bolsa de valores. Nenhuma das três empresas concluiu o processo.
A indústria de inteligência artificial começa a enfrentar uma possível virada estrutural. A disputa, antes centrada em quais sistemas entregam maior capacidade, passa a considerar se modelos mais simples e baratos podem executar as mesmas funções com eficiência semelhante.
Esse movimento surge em meio ao aumento dos custos de operação e ao interesse crescente de empresas em reduzir gastos com inferência. A mudança abre espaço para uma reavaliação do padrão dominante de desenvolvimento de IA, conforme publicou o TechCrunch.
Projeções citadas por executivos do setor indicam que a maior parte das tarefas pode migrar para sistemas de menor custo nos próximos meses, mantendo apenas uma fração dos processos em modelos de última geração.
Mudança no eixo econômico da inteligência artificial
Claude Mythos da Anthropic – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock
O setor de inteligência artificial vive uma transição impulsionada por pressões financeiras e pela busca por eficiência. A lógica que predominou até agora se baseava na ideia de que modelos maiores entregam sempre melhores resultados, justificando seu uso quase exclusivo em aplicações corporativas.
Segundo Brian Armstrong, cofundador da Coinbase, há uma expectativa de que a demanda por processamento de inteligência continue elevada, mas distribuída de forma distinta. Ele avalia que grande parte das tarefas poderá ser executada por sistemas muito mais baratos, enquanto uma parcela menor exigirá modelos avançados.
Testes recentes citados no setor indicam que empresas já conseguem substituir parte do processamento por alternativas menores sem perda relevante de qualidade. Em um experimento envolvendo a ferramenta jurídica Harvey e a plataforma Fireworks AI, houve redução significativa de custos operacionais ao combinar diferentes modelos e direcionar apenas tarefas mais complexas para sistemas avançados.
Google anunciou nova era do Gemini no I/O 2026 – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Em entrevista ao TechCrunch, Gabe Pereyra, cofundador da Harvey, disse que a noção de qualidade também está mudando dentro desse cenário. Ele aponta que o conceito deixa de estar associado apenas ao uso do modelo mais poderoso e passa a considerar eficiência e adequação da resposta ao custo envolvido.
A discussão também envolve a competição entre diferentes tipos de modelos no mercado. Sistemas proprietários e de código aberto entram em uma disputa de preços, enquanto versões menores de grandes laboratórios passam a competir diretamente com alternativas externas mais baratas.
Esse deslocamento ocorre após um período em que o setor priorizou o aumento de escala e capacidade computacional, impulsionado por investimentos elevados. Com a redução gradual de subsídios e a pressão por rentabilidade, empresas passam a reconsiderar o volume de recursos necessário para cada tarefa.
Analistas do setor indicam ainda que não há consenso sobre a velocidade dessa transição. Parte das organizações pode optar por reduzir o número de chamadas aos sistemas de IA ou limitar o uso de contexto, enquanto outras podem abandonar aplicações consideradas menos eficientes.
A nova Siri com IA apresentada pela Apple pode acabar ficando de fora de muitos iPhones ainda em uso. Segundo análise do Morgan Stanley, limitações de hardware devem restringir os recursos mais avançados da assistente virtual em aparelhos antigos.
O relatório aponta que bilhões de dispositivos não possuem capacidade técnica para rodar todas as ferramentas do Apple Intelligence, principal aposta da Apple para acompanhar rivais como ChatGPT e Gemini, explica a Reuters.
Apple aposta em inteligência artificial no iPhone, mas exigências técnicas limitam compatibilidade. Imagem: bluestork/Shutterstock – Imagem: bluestork/Shutterstock
Siri turbinada não chegará para todos
A reformulação da Siri foi um dos principais anúncios da Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) da Apple. A empresa quer transformar sua assistente virtual em uma plataforma mais avançada de IA para acompanhar ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude.
O problema é que boa parte dos aparelhos ainda em uso não tem hardware potente o bastante para executar os novos recursos.
Os dados do Morgan Stanley indicam que mais de 850 milhões de iPhones não conseguem rodar sequer consultas básicas do Apple Intelligence. Quando o assunto são as funções mais avançadas da nova Siri, o número sobe ainda mais: mais de 1,3 bilhão de aparelhos ficariam de fora.
De acordo com a Apple, os recursos da Siri AI estão disponíveis apenas para:
iPhone 15 Pro;
iPhone 15 Pro Max;
linha iPhone 16 e modelos posteriores.
Isso significa que muitos usuários podem acabar sem acesso às principais novidades anunciadas pela empresa.
Apple Intelligence aposta no processamento direto no aparelho para executar tarefas de IA. Imagem: gguy/Shutterstock
O problema está no chip e na memória
A análise aponta que o principal gargalo está na arquitetura dos chips e na quantidade de memória disponível nos aparelhos.
Segundo a corretora, os recursos mais pesados da Siri exigem 12 GB de memória unificada por causa do grande volume de processamento feito diretamente no dispositivo.
O Apple Intelligence aposta justamente nesse processamento realizado no próprio aparelho, sem depender totalmente da nuvem.
E isso aumenta bastante a exigência sobre o hardware dos dispositivos.
Na avaliação do Morgan Stanley, vender novos aparelhos apenas com base em software pode ser um desafio, mesmo em um momento em que recursos de IA se tornaram um dos principais motivos para consumidores trocarem de smartphone.
Apple quer aproximar a Siri de rivais como ChatGPT, Gemini e Claude com nova plataforma de IA. Imagem: Ascannio/Shutterstock – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Apple tenta acompanhar rivais da IA
A reformulação da Siri mostra a tentativa da Apple de avançar no mercado de inteligência artificial, hoje dominado por plataformas já bastante populares.
A Anthropic lançou hoje o Claude Fable 5, seu modelo de inteligência artificial mais avançado disponível ao público geral. Segundo comunicado oficial, ele supera qualquer versão anterior da empresa em benchmarks de capacidade.
De meses para um dia
A Stripe relatou que o Fable 5 comprimiu meses de engenharia em dias. Em uma base de código Ruby com 50 milhões de linhas, o modelo concluiu uma migração completa em um dia. O mesmo trabalho exigiria uma equipe inteira por mais de dois meses.
No benchmark FrontierCode da Cognition, que testa qualidade de código em produção, o Fable 5 obteve a maior pontuação entre os modelos de fronteira.
Finanças e visão
No benchmark financeiro da Hebbia para raciocínio de nível sênior, o Fable 5 alcançou a pontuação mais alta entre todos os modelos testados. A IMC afirmou que o modelo acertou praticamente todas as avaliações de análise de negociação.
Em tarefas visuais, o modelo reconstruiu o código-fonte de um aplicativo web a partir de capturas de tela, sem ferramentas auxiliares.
Segurança com fallback automático
O Fable 5 inclui classificadores de segurança. Quando uma consulta envolve cibersegurança, biologia ou química, o sistema redireciona automaticamente para o Claude Opus 4.8. O usuário é informado sempre que isso ocorre.
Segundo a Anthropic, menos de 5% das sessões acionam o redirecionamento.
Ciência: dez vezes mais rápido
Na área de design de medicamentos, o Mythos 5 (versão sem restrições para parceiros selecionados) acelerou etapas do processo em cerca de dez vezes.
Em pesquisa de genômica, o modelo treinou um sistema que superou um modelo publicado na revista Science, sendo 100 vezes menor.
Preço e disponibilidade
O Claude Fable 5 está disponível hoje. O preço é de US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 por saída – menos da metade do Claude Mythos Preview.
Nos planos Pro, Max, Team e Enterprise, o acesso está incluído sem custo adicional até 22 de junho. Após essa data, o uso exigirá créditos.
Nesta terça-feira (09), as autoridades de Taipei (Taiwan) estudam a possibilidade de aplicar um endurecimento significativo nas regras de exportação de chips de inteligência artificial para a China. A iniciativa busca aproximar o regime local das restrições já adotadas pelos Estados Unidos.
O movimento ocorre em meio à pressão de aliados ocidentais e à preocupação crescente com o uso estratégico desses semicondutores por Pequim (China).
Endurecimento regulatório e alinhamento internacional
Imagem: YAO23/Shutterstock
O pacote em discussão prevê ampliar o alcance das restrições, alcançando não apenas empresas já listadas em sanções, mas também todos os compradores localizados na China. A proposta inclui ainda a criação de instrumentos legais mais robustos para punir exportações irregulares dentro do território taiwanês.
Entre os pontos analisados está a possibilidade de transformar a exportação não autorizada de chips de IA em crime, ampliando o poder de investigação e punição das autoridades locais. O debate também envolve a definição de limites técnicos de processamento para determinar quais chips seriam bloqueados nas vendas.
Segundo as informações disponíveis na Bloomberg, a discussão faz parte de tratativas mais amplas com os Estados Unidos, que já impõem desde 2022 restrições à venda de semicondutores avançados a empresas chinesas sem autorização específica de Washington.
Pressão externa, investigações e impacto no setor
Imagem: Tomas Ragina/Shutterstock
O contexto do endurecimento regulatório inclui preocupações sobre a transferência indireta de tecnologia por meio de empresas intermediárias e subsidiárias estrangeiras. Autoridades dos Estados Unidos têm buscado fechar brechas que permitiriam o acesso de companhias chinesas a chips avançados fora do território chinês.
Além disso, parlamentares norte-americanos enviaram um apelo recente a órgãos reguladores pedindo ações mais diretas contra práticas de aquisição via subsidiárias de empresas chinesas, envolvendo fabricantes como a TSMC.
No mercado, as ações da TSMC apresentaram oscilações após a divulgação das discussões, refletindo a sensibilidade do setor a possíveis mudanças nas regras de exportação e no fluxo global de semicondutores.