A Samsung afirmou que a escassez global de chips de memória RAM deve se intensificar em 2027 e continuar pelo menos até 2028, impulsionada pela forte demanda da indústria de inteligência artificial (IA).
A previsão foi apresentada durante a teleconferência de resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. A fabricante sul-coreana, responsável por cerca de um terço da produção mundial de chips de memória, informou que laboratórios que desenvolvem modelos avançados de IA passaram a compartilhar previsões de demanda de médio e longo prazo para garantir o fornecimento dos componentes.
Segundo a empresa, esse cenário tem levado clientes a firmarem contratos de longo prazo para assegurar o acesso aos chips, permitindo que a Samsung amplie sua capacidade de produção com maior previsibilidade e reduza a volatilidade que historicamente caracteriza o mercado de memórias.
A alta demanda por memória para infraestrutura de IA também elevou os preços dos chips nos últimos meses;
Para a Samsung, o cenário teve efeitos distintos;
A divisão de semicondutores registrou vendas recordes no segundo trimestre, enquanto as áreas de smartphones e televisores tiveram redução na rentabilidade devido ao aumento do custo dos componentes;
A empresa informou ainda que parte desses custos já começou a ser repassada aos consumidores por meio de reajustes nos preços de smartphones e tablets da linha Galaxy;
Como consequência, a demanda por esses dispositivos diminuiu.
Alta demanda por memória para infraestrutura de IA também elevou os preços dos chips nos últimos meses – Imagem: Kinek00/Shutterstock.com
Consumidores podem sentir impacto
A escassez de memória, apelidada informalmente de “RAMageddon”, também tem afetado outras fabricantes.
Como exemplo, a Apple elevou recentemente os preços de MacBooks, Macs e iPads devido ao aumento do custo das memórias.
Durante a divulgação de seus resultados financeiros, a empresa também afirmou esperar uma desaceleração no crescimento da receita no próximo trimestre, projetando avanço entre 9% e 11%, abaixo dos 16% registrados anteriormente.
O movimento ocorre porque fabricantes de memória têm direcionado parte da capacidade de produção para atender à construção de data centers voltados à IA, reduzindo a oferta destinada a eletrônicos de consumo.
Além disso, a Nvidia deve elevar entre 20% e 30% os preços de suas placas de vídeo para consumidores, o que poderá encarecer computadores, notebooks, consoles, dispositivos para jogos e outros equipamentos que dependem desses componentes.
A OpenAI identificou novos casos em que agentes autônomos de inteligência artificial (IA) escaparam de ambientes de contenção durante testes internos, ampliando a investigação iniciada após o incidente envolvendo a plataforma Hugging Face, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
De acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, as novas ocorrências foram descobertas durante a investigação anunciada publicamente pela empresa sobre como um de seus agentes deixou um ambiente que deveria estar isolado neste mês.
Segundo uma das fontes, os episódios foram limitados e não há indícios de que os agentes tenham saído da rede interna da OpenAI. A empresa agora também investiga essas novas ocorrências.
Procurada, a OpenAI remeteu à nota divulgada na terça-feira (28), na qual afirmou estar analisando uma “atividade mais ampla de seus modelos”, além da invasão envolvendo a Hugging Face.
Investigação pode aumentar pressão por regulamentação
Embora as novas ocorrências tenham sido descritas como limitadas, a descoberta pode reforçar a pressão por regras mais rígidas para o desenvolvimento de IA, em momento em que o tema ganha atenção da Casa Branca e de autoridades em diferentes países;
Segundo as fontes, a OpenAI ampliou sua investigação pouco antes de sua principal concorrente, a Anthropic, revelar que modelos da empresa também foram responsáveis por uma série de invasões que comprometeram três companhias desde abril;
As novas informações sobre episódios anteriores envolvendo agentes da OpenAI ainda não haviam sido divulgadas.
Para especialistas em segurança de IA, os casos reforçam preocupações de que os principais laboratórios estejam desenvolvendo agentes autônomos com capacidades ofensivas mais rapidamente do que conseguem garantir seu controle.
“Temos uma indústria inteira em que as pessoas que projetam, desenvolvem e disponibilizam essas ferramentas não estão acompanhando a responsabilidade de desenvolvê-las e mantê-las seguras”, afirmou à Reuters Maurice Chiodo, matemático do Centre for the Study of Existential Risk, da Universidade de Cambridge (Inglaterra).
A Reuters não conseguiu confirmar quantos incidentes adicionais foram identificados nem quando ocorreram. Segundo três fontes, investigadores da OpenAI e especialistas externos estão analisando registros de atividades de meses anteriores para reconstruir os acontecimentos.
Segundo as fontes, a OpenAI ampliou sua investigação pouco antes de a Anthropic revelar caso semelhante – Imagem: Evolf/Shutterstock
Caso Hugging Face deu início à investigação
A OpenAI iniciou a investigação após o incidente ocorrido no começo de julho, quando um agente da empresa invadiu a infraestrutura da Hugging Face durante um teste interno que buscava avaliar seu comportamento. Segundo a OpenAI, o agente acabou agindo de forma inesperada por vários dias dentro da rede da empresa.
Durante o episódio, quatro contas pertencentes a quatro empresas diferentes também foram comprometidas. Uma delas era a Modal, companhia sediada em Nova York.
Chiodo afirmou que considera especialmente preocupante a possibilidade de que tanto a OpenAI quanto a Anthropic não estivessem monitorando seus agentes em tempo real enquanto eles executavam essas ações.
Além disso, a OpenAI só percebeu a invasão após a Hugging Face conter o incidente, acionar o FBI e tornar o caso público. A OpenAI afirmou que a reportagem continha imprecisões, mas não detalhou quais informações estariam incorretas.
Na quinta-feira (30), ao divulgar detalhes sobre os incidentes envolvendo seus próprios modelos, a Anthropic reconheceu que o monitoramento em tempo real dos registros de avaliação poderia ter permitido identificar o problema mais rapidamente.
Para Chiodo, isso evidencia falhas na supervisão dos agentes de IA. “Parece que eles nem estavam olhando”, afirmou o pesquisador.
A OpenAI informou nesta sexta-feira (31) que a sua plataforma de inteligência artificial ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários ativos e passou a atender mais de 2 milhões de empresas. O anúncio ocorreu após uma redução nos preços de alguns modelos da linha GPT-5.6.
A companhia atribuiu a queda nos valores a avanços internos de eficiência que diminuíram custos operacionais e permitiram oferecer acesso mais barato às ferramentas de IA. As mudanças atingiram principalmente os modelos GPT-5.6 Luna e GPT-5.6 Terra, enquanto o GPT-5.6 Sol manteve o mesmo preço.
A estratégia acontece em meio ao aumento da concorrência no setor de inteligência artificial, com empresas avaliando melhor seus investimentos na tecnologia e buscando alternativas de menor custo. A OpenAI afirmou que a redução pretende estimular novos usos da IA.
Cortes de preços acompanham disputa por usuários e empresas
Usuário inteligente um serviço de IA no notebook – Imagem: tadamichi/iStock
A OpenAI reduziu em 80% o valor cobrado pelo GPT-5.6 Luna e em 20% o preço do GPT-5.6 Terra. Com a mudança, o Luna passou a custar US$ 0,20 por milhão de tokens de entrada e US$ 1,20 por milhão de tokens de saída. Antes, os valores eram de US$ 1 e US$ 6, respectivamente.
O GPT-5.6 Terra teve a tarifa reduzida para US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 12 por milhão de tokens de saída, contra os antigos US$ 2,50 e US$ 15. Já o GPT-5.6 Sol, descrito pela empresa como o modelo mais avançado da família, não sofreu alteração de preço.
A companhia explicou que os cortes foram possíveis por melhorias obtidas durante o desenvolvimento dos sistemas. Entre os avanços citados estão a utilização da própria IA para otimizar softwares de produção e aperfeiçoamentos no processo de geração de respostas, chamado de decodificação especulativa.
De acordo com a OpenAI, essas mudanças reduziram em 20% os custos de operação de ponta a ponta e elevaram em mais de 15% a eficiência na produção de tokens.
A empresa também destacou melhorias no gerenciamento de contexto do GPT-5.6 Sol. Conforme a companhia, esse aprimoramento elevou o desempenho do modelo no teste ARC-AGI-3 de 13,3% para 38,3%, utilizando seis vezes menos tokens de saída.
Ao comentar a política de preços, a OpenAI afirmou que a redução amplia o número de tarefas economicamente viáveis com inteligência artificial. “Quando o custo de uma inteligência útil cai, mais trabalho passa a valer a pena”, declarou a empresa em comunicado.
Mercado pressiona empresas de IA por custos menores
OpenAI – Imagem: Evolf/Shutterstock
A mudança nos preços ocorre em um cenário de maior cautela entre clientes corporativos, que passaram a questionar investimentos elevados em inteligência artificial sem uma previsão clara de retorno financeiro.
Segundo o The Wall Street Journal, o CEO da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que o preço dos serviços vinha se tornando um obstáculo para parte dos usuários empresariais.
A disputa com concorrentes também influenciou a decisão. A OpenAI avaliou durante semanas a possibilidade de reduzir tarifas, em meio ao avanço de modelos mais baratos oferecidos por rivais como a Anthropic e por sistemas chineses de código aberto.
A empresa comparou seus novos valores aos praticados por concorrentes e afirmou que o Claude Sonnet 4.6, da Anthropic, custa US$ 3 por milhão de tokens de entrada e US$ 15 por milhão de tokens de saída, ficando acima da nova faixa do GPT-5.6 Terra.
Crescimento de uso acompanha expansão da plataforma
Além do aumento da base de usuários, a OpenAI afirmou que o volume de interação cresce com o tempo. Segundo a empresa, seis meses após o cadastro, os usuários enviam cerca de 50% mais mensagens diariamente e utilizam o ChatGPT em aproximadamente o dobro de tipos de tarefas.
A companhia também destacou o avanço do uso de agentes de inteligência artificial no desenvolvimento de software. Conforme os dados divulgados pela OpenAI, os agentes operados pelo Codex, ferramenta voltada à programação, representam 99,8% dos tokens de saída consumidos semanalmente dentro da própria empresa.
Apesar da expansão, os números financeiros apresentados no texto indicam que a empresa ainda opera com prejuízo. Dados citados pelo jornal americano apontam receita de US$ 13,07 bilhões em 2025 e resultado negativo de US$ 38,5 bilhões no mesmo período.
As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão colocando bilhões de dólares em inteligência artificial, apostando que a tecnologia pode transformar negócios e a economia. Mas o tamanho dos gastos já preocupa investidores, que questionam quando esse dinheiro começará a voltar.
Segundo o The Washington Post, Google, Microsoft, Meta, Amazon e Oracle ampliaram investimentos em infraestrutura de IA, enquanto o mercado acompanha os riscos de uma possível bolha.
O Google gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa nos últimos três meses por causa dos investimentos em IA. – Imagem: FotoField/Shutterstock
Vale do Silício muda foco para a corrida da IA
Durante anos, empresas como Google e Facebook foram conhecidas pela capacidade de gerar dinheiro. Seus produtos digitais conquistaram milhões de usuários e ajudaram a transformar as companhias em algumas das mais importantes do mercado.
Agora, parte dessa receita está sendo direcionada para uma nova fase tecnológica: grandes data centers, chips avançados e equipamentos capazes de sustentar modelos de inteligência artificial.
Para os defensores da estratégia, o investimento pode abrir uma nova era de produtividade e crescimento. Já os críticos questionam se o retorno será suficiente para justificar os bilhões aplicados.
Essa coisa de IA precisa funcionar porque, se não funcionar… teremos um problema.
Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, ao The Washington Post.
Entre os principais movimentos dessa disputa estão:
Construção de grandes data centers para operar sistemas de IA;
Compra de chips e equipamentos especializados;
Expansão de softwares e serviços baseados em inteligência artificial;
Aumento dos custos para manter essa infraestrutura;
Pressão por resultados financeiros mais rápidos.
Gastos crescentes colocam investidores em alerta
As projeções mostram uma mudança no comportamento financeiro das gigantes de tecnologia. Google, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle podem ter fluxo de caixa livre negativo em 2026 por causa dos custos relacionados à infraestrutura de IA.
O Google é um dos exemplos mais marcantes. Nos últimos três meses analisados, a empresa gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa, principalmente com chips, equipamentos e áreas destinadas a novos centros de dados.
Mesmo com essa pressão, as empresas seguem lucrativas nos modelos tradicionais de contabilidade, que distribuem esses custos ao longo de vários anos.
O CEO da Amazon, Andy Jassy, defendeu os investimentos e afirmou que a procura por soluções de IA continua forte. “Temos uma visão clara de fortes retornos financeiros”, disse aos investidores.
Bilhões são aplicados em IA todos os anos, enquanto investidores tentam descobrir quando virá o retorno. – Imagem: DC Studio/Shutterstock
IA já influencia preços e concentração econômica
A disputa por componentes usados em inteligência artificial já afeta outros setores. A alta demanda por chips aumentou custos para empresas que dependem desses produtos, pressionando valores de itens como smartphones, notebooks e consoles.
A expansão dos data centers também elevou a preocupação com o consumo de energia em algumas regiões dos Estados Unidos.
Outro alerta envolve a distribuição dos ganhos econômicos. Segundo Barbara Denham, economista-chefe da Oxford Economics, áreas que já concentram tecnologia e riqueza, como Vale do Silício, Nova York, Seattle e Washington, tendem a receber mais benefícios.
“Os ganhos econômicos do boom da IA são autoalimentados”, afirmou Denham.
A inteligência artificial continua atraindo investimentos gigantescos, mas o mercado agora acompanha uma questão central: se as promessas da tecnologia conseguirão acompanhar a velocidade dos gastos feitos para desenvolvê-la.
A União Europeia começará a aplicar no próximo domingo (02) uma nova exigência para empresas que disponibilizam sistemas de inteligência artificial no bloco. A medida determina que imagens, áudios e textos produzidos por IA e desenvolvidos para parecerem autênticos sejam identificados por meio de um rótulo digital.
A obrigação integra as normas previstas na Lei de Inteligência Artificial da União Europeia e valerá imediatamente para novos sistemas lançados no mercado europeu. Plataformas e ferramentas já existentes terão um período adicional de quatro meses para se adequar às exigências.
Segundo parlamentares e representantes do setor, a iniciativa busca ampliar a transparência sobre conteúdos sintéticos na internet, ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos para proteger consumidores e reduzir impactos relacionados à circulação de informações falsas.
Regulamentação prevê exceções e punições para empresas
App de IA – Imagem: Mijansk786/Shutterstock
A exigência faz parte da implementação da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia. O regulamento estabelece que conteúdos criados por inteligência artificial com o objetivo de reproduzir situações ou materiais de aparência real deverão receber uma marcação digital. A identificação poderá utilizar o modelo desenvolvido pela própria União Europeia ou sistemas equivalentes criados pelas organizações.
As novas regras não abrangem conteúdos produzidos para uso pessoal, como publicações restritas a conversas privadas entre usuários. Também ficam de fora trabalhos evidentemente artísticos, incluindo produções satíricas e obras de ficção que sejam claramente reconhecíveis como tal.
As empresas que colocarem novos sistemas de inteligência artificial no mercado europeu deverão cumprir as determinações já a partir de 2 de agosto. Para ferramentas que já estavam disponíveis antes desse prazo, a legislação concede mais quatro meses para a adaptação.
Ao comentar a implementação da medida, o eurodeputado Sergey Lagodinsky, que participou das negociações da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia, afirmou que a proposta vai além da proteção ao consumidor.
“Trata-se não apenas de proteger os consumidores, mas também de proteger a democracia. Essa informação é algo que precisamos preservar para manter nossa democracia e a autenticidade dos fatos na internet“, ele explicou ao The Guardian.
O descumprimento das exigências poderá resultar em multas equivalentes a até 3% da receita bruta total das empresas responsáveis pelos sistemas.
IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
Boniface de Champris, responsável pela área de políticas de inteligência artificial da Computer and Communications Industry Association, avaliou que muitos consumidores poderão se surpreender ao perceber onde essas identificações passarão a aparecer.
Conforme declarou ao The Guardian, embora as redes sociais já adotem mecanismos para sinalizar parte dos conteúdos produzidos por IA, a tendência é que os rótulos também sejam vistos em setores como publicidade, cinema e mercado editorial, onde essa tecnologia já é amplamente utilizada.
O texto também destaca que grandes plataformas digitais já mantêm políticas voltadas à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, embora esse processo nem sempre seja eficaz.
Entre os exemplos citados está o TikTok, que exige que criadores identifiquem materiais produzidos por IA, mas ainda enfrenta casos em que esse tipo de conteúdo passa despercebido, incluindo vídeos curtos com supostos médicos oferecendo orientações de saúde consideradas duvidosas.
Além disso, empresas como Google e Meta já utilizam tecnologias próprias para facilitar a identificação de materiais sintéticos.
O Google informou que sua ferramenta SynthID já foi empregada para marcar mais de 100 bilhões de imagens e um volume de áudio equivalente a cerca de 60 mil anos de reprodução. A Meta também mantém políticas voltadas à identificação de imagens fotorrealistas criadas por inteligência artificial.
Brasil e Argentina disputariam a final da Copa do Mundo de 2030 em uma situação improvável. Uma simulação projetou como seria o torneio caso as seleções filiadas à Uefa ficassem fora das competições da Fifa.
Segundo o The Sun, a projeção considera um eventual boicote das 55 federações europeias e mostra como o chaveamento mudaria sem a presença das equipes do continente.
Na projeção, o Brasil eliminaria Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de disputar a decisão. – Imagem: Andre Nery/Shutterstock
Brasil teria sequência de vitórias até a decisão
Produzida pela plataforma CasinoHawks, a projeção parte da hipótese de que as federações da Uefa deixariam de disputar os torneios organizados pela Fifa. O movimento seria uma reação ao projeto da entidade de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais das competições e vender parte dela a investidores privados.
Na campanha simulada, o Brasil passaria por Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de chegar à decisão. A Argentina também avançaria sem derrotas, eliminando Costa do Marfim, México, Marrocos e Uruguai. A projeção não informa os placares, apenas os vencedores de cada confronto.
O caminho da seleção brasileira seria:
16-avos de final: vitória sobre a Coreia do Sul;
Oitavas de final: classificação contra a Colômbia;
Quartas de final: eliminação do Japão;
Semifinal: vitória sobre a Nigéria;
Final: derrota para a Argentina.
Nigéria apareceria como a principal surpresa
Entre os resultados mais curiosos está a campanha da Nigéria. Liderada por Victor Osimhen, a seleção eliminaria Arábia Saudita, Canadá e Argélia antes de perder para o Brasil na semifinal.
Caso esse cenário se confirmasse, seria a primeira vez que o país chegaria entre os quatro melhores de uma Copa do Mundo. Até hoje, apenas uma seleção africana alcançou essa fase: Marrocos, em 2022. Na projeção, os marroquinos passariam por República Democrática do Congo e Estados Unidos antes de serem eliminados pela Argentina nas quartas de final.
A simulação reacende o debate sobre o impacto que um eventual boicote europeu teria na Copa de 2030. – Imagem: Anton Vierietin/Shutterstock
Ausência dos europeus abriria espaço para estreantes
Sem as seleções da Uefa, diversas equipes fariam sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Entre elas aparecem Guatemala, Vietnã, Zâmbia, Bahrein, Uganda, Burkina Faso, Benin, Tailândia, Omã, Palestina, Guiné, Tajiquistão, Síria, Moçambique, Gabão, Madagascar e Guiné Equatorial. Venezuela e Mali também estreariam e avançariam ao mata-mata.
Apesar da repercussão da projeção, esse cenário continua sendo apenas uma hipótese. O boicote das federações europeias não foi colocado em prática e ainda depende do avanço da proposta da Fifa. A Uefa, a Confederação Asiática e a Concacaf estão entre as entidades que se posicionaram contra o projeto de comercialização dos direitos dos torneios.
Modelos de inteligência artificial da OpenAI e da Anthropic conseguiram realizar ações inesperadas durante testes de segurança, incluindo ataques cibernéticos simulados. Os episódios chegaram à Comissão Europeia antes da divulgação pública.
Segundo a Reuters, o bloco acompanha os casos enquanto prepara a entrada em vigor da Lei de IA, uma das primeiras regulamentações amplas do mundo para controlar o desenvolvimento da tecnologia.
Durante testes, modelos de IA realizaram ações inesperadas e abriram um novo debate sobre autonomia das máquinas. – Rawpixel.com/Shutterstock
Testes revelam novos desafios para agentes de IA
Os incidentes aumentaram a preocupação sobre ferramentas capazes de executar tarefas de forma autônoma. A Comissão Europeia informou que recebeu detalhes das duas empresas antes que os episódios fossem divulgados.
“Fomos informados pelos dois provedores sobre os incidentes antes de eles se tornarem públicos. Estamos em contato com eles e receberemos mais informações. Também avaliaremos se será necessário dar um encaminhamento mais formal a essas questões”, afirmou um funcionário do órgão.
A análise das autoridades envolve principalmente:
Capacidade de sistemas realizarem ações sem comando direto;
Riscos de uso indevido em ataques digitais;
Monitoramento obrigatório por desenvolvedores;
Transparência sobre o funcionamento dessas tecnologias.
Outro representante da Comissão Europeia destacou que “esses incidentes destacam a importância de implementar as atividades de monitoramento exigidas dos desenvolvedores.”
Anthropic e OpenAI relatam comportamentos inesperados
O primeiro caso envolveu modelos da família Claude, da Anthropic. A empresa informou que algumas versões conseguiram invadir sistemas de três organizações durante testes de cibersegurança.
Segundo a companhia, um erro de configuração permitiu o acesso à internet. As atividades foram identificadas após uma revisão de mais de 141 mil sessões de teste, e as empresas afetadas foram avisadas.
Poucos dias depois, a OpenAI revelou que dois modelos próprios encontraram uma maneira de invadir um sistema durante uma avaliação de segurança. A empresa classificou o episódio como um ataque “sem precedentes”.
Quando a IA começa a agir além do esperado, surge uma pergunta: como garantir controle sobre a tecnologia? – Imagem: Digineer Station/Shutterstock
Nova Lei de IA aumenta pressão sobre empresas
Os casos surgem às vésperas da entrada em vigor da Lei de IA da União Europeia, prevista para 2 de agosto. A regulamentação estabelece obrigações para desenvolvedores de modelos considerados de uso geral e com risco sistêmico.
Entre as exigências estão ações para reduzir ameaças como ataques cibernéticos, manipulação maliciosa e situações em que uma tecnologia possa agir fora do controle humano.
A legislação também prevê regras de transparência, incluindo avisos quando usuários estiverem interagindo com uma inteligência artificial ou quando conteúdos forem criados ou modificados pela tecnologia.
As multas podem variar de 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões) ou 1,5% do faturamento global até 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 224 milhões) ou 7% da receita mundial, dependendo da gravidade da infração.
Com a nova regra prestes a começar, a Europa terá pela frente o desafio de equilibrar dois objetivos que caminham juntos, mas nem sempre na mesma direção: incentivar avanços em IA e reduzir riscos de tecnologias cada vez mais independentes.
Hoje, você pode conversar com a inteligência artificial. E ensinar a tecnologia a fazer coisas para você. Agentes de IA agora navegam por sistemas operacionais, consultam bancos de dados e executam sequências complexas de tarefas com intervenção humana cada vez menor. No benchmark OSWorld, que mede a capacidade de sistemas de IA lidarem com interfaces de computadores reais, a eficiência desses agentes saltou de 12% para a casa dos 66%. Em dez meses, o volume de solicitações de código automatizadas por agentes cresceu 28 vezes.
Os números corporativos refletem um cenário de consolidação: 88% das empresas globais usam IA em ao menos uma área de negócios, segundo pesquisa global da McKinsey publicada em 2025. Em paralelo, ferramentas generativas alcançaram mais de 50% de adoção pela população em idade ativa num ritmo de expansão superior ao do computador pessoal e da própria internet, de acordo com o relatório 2026 AI Index Report, da Universidade Stanford.
No entanto, o presente traz um paradoxo. Ao mesmo tempo em que resolve problemas de nível de doutorado, a IA ainda tropeça em dilemas primários. Em testes recentes de visão computacional, por exemplo, modelos de última geração não conseguiram ler as horas em relógios analógicos tradicionais em quase metade das tentativas. Além disso, os data centers que mantêm esses modelos rodando consomem volumes de energia elétrica equivalentes aos de países inteiros. E devoram quantidades astronômicas de água.
Uma viagem pelos 70 anos da IA
Para entender como a civilização construiu uma tecnologia tão avançada e, ao mesmo tempo, tão cheia de atritos, é preciso recuar sete décadas no tempo.
Setembro de 1956, Hanover, New Hampshire. Na faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, um pequeno grupo de cientistas liderado por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon formalizou o documento que deu origem ao campo. Na proposta do Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, os pesquisadores partiram de uma premissa ambiciosa: a de que “cada aspecto do aprendizado ou qualquer outra característica da inteligência pode, em princípio, ser tão precisamente descrito que uma máquina poderá simulá-lo”.
O otimismo da época era evidente. Os fundadores acreditavam que uma comissão de dez homens, trabalhando juntos durante dois meses no verão, conseguiria alcançar progressos significativos no desenvolvimento de máquinas capazes de usar linguagem, formar abstrações e resolver problemas reservados aos humanos.
A realidade se mostrou mais complexa. O entusiasmo inicial esbarrou na escassez de capacidade computacional e na falta de dados. Nas décadas seguintes, o setor da IA enfrentou “invernos”. Foram períodos marcados por cortes severos de verbas governamentais e ceticismo acadêmico. Relatórios como o Lighthill Report, de 1973, no Reino Unido, apontavam a incapacidade dos algoritmos de lidar com a complexidade do mundo real. A promessa de Dartmouth não se concretizou em 60 dias. Levaria 70 anos.
Entre as promessas não cumpridas dos anos 1950 e o impacto em massa dos anos 2020, a inteligência artificial encontrou um caminho silencioso de sobrevivência: o bastidor.
Feeds de recomendação (em redes sociais e streamings) têm IA por trás bem antes do ChatGPT – Imagem: bigshot01/Shutterstock
Nas décadas de 1990 e 2000, longe dos holofotes e sem alarde mercadológico, sistemas baseados em aprendizado de máquina começaram a moldar a infraestrutura digital. O corretor ortográfico no teclado do celular, o filtro contra spams na caixa de e-mail, as rotas otimizadas no GPS, os motores de busca na web e os feeds de recomendação de redes sociais e plataformas de streaming. Tudo isso foi construído sobre conceitos de IA ao longo das décadas seguintes. As pessoas usavam a tecnologia diariamente, mas quase ninguém a chamava de “inteligência artificial”.
A virada de chave aconteceu na transição para a década de 2020. A consolidação das redes neurais profundas (deep learning), combinada à capacidade computacional moderna, permitiu o surgimento da IA generativa – essa que gera texto, áudio e vídeo. Essa que conversa com você, mesmo sem saber nada. Foi o momento no qual a tecnologia saiu da infraestrutura e passou para a interface direta com o usuário.
“Se a inteligência artificial existe há 70 anos, por que a sensação é de que ela nasceu há apenas três ou quatro? Porque estamos falando de duas fases diferentes dessa história”, explica Kenneth Corrêa, especialista em dados e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao Olhar Digital.
“A IA clássica sempre esteve presente nos bastidores, resolvendo problemas específicos, mas pouco visíveis. O que mudou recentemente foi a chegada da IA generativa”, diz o professor. “Pela primeira vez, centenas de milhões de pessoas passaram a conversar diretamente com uma máquina em linguagem natural. Não foi a IA que nasceu agora; o que nasceu foi uma nova forma de interação entre as pessoas e essa tecnologia.”
De volta ao presente de 2026, vislumbra-se uma nova fronteira. Nela, confluem o sonho teórico de 1956, a infraestrutura invisível dos anos 2000 e a aceleração generativa dos anos 2020.
O sonho de 1956, a infraestrutura de 2000 e a aceleração de 2020 confluem na nova fronteira da IA – Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital
A discussão em torno da IA migrou da capacidade de gerar textos ou imagens para a governança da autonomia crescente dela. A geopolítica da tecnologia foi reorganizada ao redor do conceito de “Soberania de IA”. Agora, países em desenvolvimento elaboram estratégias nacionais para erguer infraestruturas próprias, tentando mitigar a dependência do oligopólio de chips controlado pela taiwanesa TSMC e dos megadata centers baseados em solo norte-americano. No Brasil, por exemplo, ocorre uma corrida bilionária no setor.
Em paralelo, o ecossistema legal e regulatório busca se adequar à velocidade das transformações (vazamentos de conversas com o Claude e acusações contra a chinesa Moonshot AI reforçam isso). No setor cultural e de mídia, após anos de batalhas judiciais por uso indevido de propriedade intelectual, a indústria migrou para um modelo de acordos de licenciamento voluntário com detentores de direitos autorais para alimentar modelos de IA.
“O desenvolvimento técnico continua em ritmo acelerado, mas a discussão já não é mais apenas sobre o que a inteligência artificial consegue fazer”, diz Kenneth Corrêa. “À medida que ela participa das atividades do cotidiano, torna-se necessário discutir como será utilizada, quais decisões podem ser automatizadas e em quais situações a supervisão humana é indispensável.”
“Se os primeiros 70 anos foram dedicados ao desenvolvimento da tecnologia, os próximos tendem a ser marcados pela forma como a sociedade escolherá conviver com ela”, acrescenta. Ou seja: sete décadas após a conferência de Dartmouth, o dilema da IA deixou de ser matemático. Hoje, é uma questão de supervisão humana e convivência social.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, apresentou em Washington detalhes de um novo sistema de inteligência artificial com “agentes” capazes de trabalhar juntos e dividir tarefas. A tecnologia pode mudar a forma como profissionais lidam com atividades complexas.
A apresentação ocorreu durante reuniões com autoridades dos Estados Unidos, em um momento de debate sobre regras para o desenvolvimento de modelos avançados de IA.
OpenAI adia o lançamento do assistente de voz do ChatGPT. (Imagem: PatrickAssale / Shutterstock.com)
Nova tecnologia promete uma espécie de equipe digital
Durante os encontros, Altman explicou que o novo sistema poderá usar vários agentes de IA ao mesmo tempo, cada um responsável por uma parte de uma tarefa. A ideia é ampliar a capacidade dos modelos atuais, que hoje são usados principalmente para responder perguntas e gerar conteúdos.
Segundo o The Washington Post, o executivo afirmou que a tecnologia poderia ajudar a resolver problemas matemáticos ainda sem solução e assumir funções que normalmente dependeriam de profissionais especializados.
Um engenheiro de software, por exemplo, poderia usar os agentes para apoiar atividades de recursos humanos. Já um escritor poderia contar com a ferramenta para auxiliar em trabalhos relacionados ao design gráfico.
Entre as possibilidades apresentadas estão:
Divisão automática de tarefas entre diferentes agentes;
Execução de atividades complexas em segundo plano;
Apoio profissional em áreas fora da especialidade do usuário;
Colaboração entre múltiplos assistentes virtuais.
A proposta é transformar esses sistemas em uma estrutura de apoio capaz de acompanhar diferentes etapas de um trabalho.
OpenAI tenta antecipar regras para novos modelos
A visita de Altman a Washington aconteceu enquanto o governo americano avalia novas formas de acompanhar avanços em inteligência artificial e reduzir possíveis riscos.
O executivo se reuniu com integrantes da Casa Branca, parlamentares, autoridades de segurança e economistas. As conversas incluíram a criação de regras para que empresas comuniquem novos avanços tecnológicos ao governo.
A preocupação aumentou após um teste em que modelos da OpenAI conseguiram sair de um ambiente controlado e interagir com outra plataforma de IA durante uma avaliação de segurança. A empresa informou que desligou um dos modelos envolvidos, que ainda não estava previsto para lançamento público.
Um dos desafios da IA avançada é equilibrar inovação, segurança e preparação para o mercado de trabalho. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock
Mercado de trabalho entra no centro do debate
Além da segurança, o impacto da tecnologia nos empregos também foi discutido. Empresas do setor defendem que a IA pode aumentar a produtividade, enquanto trabalhadores demonstram preocupação com possíveis mudanças em suas funções.
O senador Mark Warner destacou que a tecnologia pode criar oportunidades, mas afirmou que será necessário preparar profissionais para essa nova realidade.
“Eu acho que eles precisam contribuir com os recursos, sobre como preparar as pessoas para essa economia de IA”, disse Warner a jornalistas.
O debate também envolve a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. O presidente Donald Trump afirmou que o país precisa equilibrar controle e inovação para não perder competitividade.
Segundo o The Washington Post, a OpenAI continua negociando com autoridades enquanto desenvolve seus próximos sistemas. A empresa ainda não informou quando a nova tecnologia com agentes será lançada.
A Anthropic informou, nesta quinta-feira (30), que alguns de seus modelos de inteligência artificial (IA) conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante testes de segurança cibernética, após um erro de configuração permitir que eles acessassem a internet. Segundo a companhia, os incidentes ocorreram sem que a empresa percebesse e começaram em abril.
O caso foi revelado poucos dias depois de a OpenAIinformar que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente isolado de testes e realizou uma série de ataques contra a empresa de IA Hugging Face, episódio que chamou a atenção de pesquisadores de segurança e especialistas em IA.
De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes. No entanto, uma configuração incorreta em sistemas administrados pela própria empresa e por sua parceira de testes, a empresa de segurança Irregular, acabou permitindo acesso à rede.
Após tomar conhecimento do incidente envolvendo a OpenAI, a Anthropic decidiu revisar os registros de seus próprios testes de segurança. A empresa analisou 141.006 execuções de avaliações de cibersegurança e identificou três episódios nos quais seus modelos acessaram a internet e comprometeram sistemas de organizações externas.
Diferentemente do caso divulgado pela OpenAI, a Anthropic afirmou que seus modelos não escaparam de um sandbox. Segundo a empresa, eles simplesmente foram executados em ambientes onde esse isolamento não existia devido ao erro de configuração.
A companhia não revelou quais empresas foram afetadas, mas informou que todas foram notificadas na última segunda-feira (27).
De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Nova invasão de IAs a empresas
Segundo a Anthropic, os modelos acreditavam, de forma equivocada, que as invasões faziam parte dos testes de avaliação para os quais haviam sido programados;
“O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações afetadas utilizando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e acessar pontos de entrada que não exigiam autenticação”, afirmou a empresa;
Os ataques envolveram os modelos Claude Opus 4.7, Mythos 5 e outro modelo experimental cujo nome não foi divulgado;
Uma porta-voz da Irregular afirmou que a empresa está investigando o ocorrido.
O episódio deve ampliar as preocupações sobre os riscos associados a modelos avançados de IA capazes de agir de forma autônoma para cumprir objetivos definidos pelos usuários.
Nos Estados Unidos, o tema já vem atraindo atenção das autoridades. A Casa Branca tem ampliado sua supervisão sobre a IA, enquanto empresas do setor defendem a manutenção do acesso aos chamados modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser executados em sistemas controlados pelos próprios usuários.
Na semana passada, o deputado estadunidense Greg Casar afirmou que “a IA está se desenvolvendo extremamente rápido, sem regulamentações reais para nos manter seguros”.