A SpaceX fechou um acordo de computação com a Reflection AI, startup de código aberto, em um contrato que pode chegar a US$ 6,3 bilhões, segundo documentos citados pela CNBC.
Data centers da SpaceX passam a atender clientes externos em nova fase do negócio de tecnologia. – Imagem: FOTOGRIN/Shutterstock
O que está por trás do acordo bilionário
A SpaceX firmou uma parceria de computação com a Reflection AI, startup focada em modelos de código aberto, para fornecimento de infraestrutura de processamento em larga escala. O acordo envolve o uso de chipsNvidia GB300 e reforça a disputa crescente por capacidade de computação avançada no setor de inteligência artificial.
Se o contrato for cumprido até o fim do prazo, o valor total pode atingir US$ 6,3 bilhões. Na prática, isso coloca a parceria entre as mais relevantes do setor de infraestrutura de IA.
O acordo pode ser encerrado por qualquer uma das partes com aviso prévio de 90 dias após os primeiros três meses.
Infraestrutura da SpaceX ganha outro papel
A SpaceX vem ampliando o uso de seus data centers, especialmente o sistema Colossus, criado em parte para sustentar o Grok, chatbot de IA de Elon Musk.
Agora, essa estrutura também passa a ser oferecida a clientes externos. É uma mudança importante: de uso interno para um serviço disputado no mercado de computação em nuvem.
A SpaceX já vinha fechando acordos com empresas como Anthropic, Google e Cursor. Aos poucos, vai se consolidando como mais um player nesse mercado de infraestrutura de IA.
Chips Nvidia GB300 estão no centro da disputa por poder computacional em inteligência artificial. – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock
IA aberta volta ao centro do debate
A Reflection AI aposta no modelo de código aberto em um momento em que empresas e governos questionam a dependência de sistemas fechados de inteligência artificial.
O tema ganhou força depois de episódios envolvendo restrições de acesso a modelos, o que acelerou a busca por alternativas mais controláveis.
Na prática, isso abriu espaço para empresas que defendem mais transparência e flexibilidade no uso de IA.
Entre os principais pontos do acordo estão:
Acesso imediato aos chips Nvidia GB300 para IA avançada
Pagamento mensal de US$ 150 milhões até 2029
Uso da infraestrutura Colossus da SpaceX em escala externa
Possibilidade de rescisão após aviso prévio de 90 dias
No fim, o movimento reforça uma tendência mais ampla: o poder computacional virou peça central na disputa global por inteligência artificial — e, cada vez mais, um ativo estratégico disputado por grandes empresas de tecnologia.
A Getty Images anunciou uma parceria com a OpenAI para integrar seu acervo licenciado ao ChatGPT. Na prática, a mudança deixa a experiência da IA mais visual e fácil de entender no dia a dia.
Mas o impacto vai além disso: o uso de imagens passa a ganhar mais espaço dentro das respostas.
Parceria leva acervo da Getty ao ChatGPT e torna buscas e respostas mais ricas, com apoio de conteúdo visual licenciado. Imagem: Pedro Spadoni/Olhar Digital
O que muda dentro do ChatGPT
O acordo permite que imagens da Getty apareçam em buscas e respostas dentro da plataforma. Assim, o usuário deixa de consumir só texto em várias situações e passa a ter apoio visual.
Na visão da empresa, isso melhora a forma como a informação é encontrada e interpretada.
Conteúdo visual licenciado de alta qualidade torna a busca e a descoberta com inteligência artificial mais úteis e confiáveis.
Craig Peters, CEO da Getty Images, em nota.
Uma experiência mais visual no uso diário
A proposta da integração é tornar o ChatGPT mais visual no uso cotidiano, especialmente em temas como notícias, esportes e entretenimento.
Entre os principais pontos da parceria estão:
imagens da Getty aparecem dentro do ChatGPT
buscas e respostas passam a ter mais apoio visual
experiência mais completa no uso da IA
conteúdo licenciado e seguro no acervo
Na prática, isso reduz a dependência de respostas só em texto.
Nova integração entre OpenAI e Getty Images reforça tendência de inteligência artificial mais visual no dia a dia. – Imagem: JRdes/Shutterstock
Estratégia da Getty e avanço da IA
A Getty Images já é uma das maiores plataformas de conteúdo visual do mundo, com milhões de imagens e uma rede global de fotógrafos.
A empresa também reforça sua aposta em inteligência artificial, sempre com foco em uso licenciado e seguro de conteúdo.
É mais um passo na direção de uma inteligência artificial mais visual. E isso muda bastante a forma como o usuário interage com o ChatGPT no dia a dia.
A inteligência artificial está cada vez mais concentrada nas mãos de poucas empresas. Esse foi o alerta feito por Satya Nadella.
Na visão do CEO da Microsoft, esse cenário pode acabar criando um desequilíbrio difícil de reverter no futuro.
E há uma preocupação adicional no discurso: o atual rumo da IA pode não ser sustentável para usuários e empresas comuns.
O CEO da Microsoft questiona o domínio das big techs na corrida pela inteligência artificial global. – Imagem: FotoField/Shutterstock
“Não podemos deixar a IA dominar a economia”
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Nadella criticou o cenário atual da inteligência artificial, marcado pela forte concentração de poder em um pequeno grupo de companhias que lidera o desenvolvimento dos modelos mais avançados.
Na prática, ele questiona não só o modelo de negócio, mas também o impacto dessa centralização.
Você não pode dizer que todos os empregos de escritório vão acabar e, ao mesmo tempo, pedir poder ilimitado para construir data centers.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, ao WSJ.
Para ele, o ponto central é simples: não faz sentido imaginar um futuro em que poucas empresas controlem sozinhas o aprendizado da IA em escala global.
Microsoft aposta em modelos de IA mais acessíveis enquanto critica o atual cenário dominado por poucos players. – Imagem: Azulblue/Shutterstock
Microsoft muda estratégia e aposta em modelos mais baratos
Enquanto faz críticas ao setor, a própria Microsoft já começou a ajustar sua abordagem.
A empresa passou a lançar modelos de inteligência artificial mais baratos e a testar formas de reduzir custos para clientes que lidam com contas cada vez mais altas no uso dessas tecnologias.
O movimento aparece em diferentes frentes dentro dos produtos da companhia.
Entre as iniciativas estão:
modelos de IA mais acessíveis para empresas
opção de escolher diferentes modelos dentro do Copilot
agentes de IA para execução de tarefas mais longas
testes com modelos alternativos, como o DeepSeek
A ideia é reduzir a dependência de poucos fornecedores e ampliar as opções disponíveis para os usuários.
Disputa aberta com os gigantes da tecnologia
Mesmo sem citar nomes diretamente, Nadella fez críticas que atingem empresas como OpenAI, Anthropic e Google, que hoje lideram o desenvolvimento dos chamados modelos de fronteira.
O executivo defende uma mudança de direção: em vez de um mercado concentrado, a IA deveria evoluir como um ecossistema mais distribuído, com diferentes níveis de preço, acesso e capacidade.
Na prática, isso muda o centro da disputa global pela inteligência artificial.
A Microsoft, que mantém parceria com a OpenAI, também vem ampliando acordos com outras empresas e avaliando novas integrações em seus serviços.
O futuro do trabalho também entra na discussão: IA deve apoiar, não apenas substituir empregos, diz Nadella. – Imagem: Skorzewiak / Shutterstock
IA e o futuro do trabalho: ajuste, não ruptura
Outro ponto forte da fala de Nadella foi o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Ele defende que o debate não deve se limitar à substituição de empregos, mas sim à forma como as funções serão reorganizadas dentro das empresas.
A ideia, segundo ele, é que a adaptação seja gradual e baseada em equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano.
IA como apoio direto à produtividade
reorganização de funções dentro das empresas
organizações funcionando como sistemas contínuos de aprendizado
combinação entre conhecimento humano e inteligência artificial
A fala de Satya Nadella mostra uma mudança de tom dentro de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Entre críticas à concentração de poder e a defesa de modelos mais acessíveis, a Microsoft tenta reposicionar seu papel na disputa global da inteligência artificial — um debate que segue aberto e sem previsão de consenso no setor.
A SK Hynix alcançou um marco histórico ao superar a Samsung Electronics e se tornar a empresa listada mais valiosa da Coreia do Sul. A mudança no topo acontece em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial.
Há pouco mais de duas décadas, explica a Reuters, um cenário como esse parecia improvável. Na época, a fabricante enfrentava uma grave crise financeira. Hoje, impulsionada pela demanda por chips usados em sistemas de IA, vive uma fase completamente diferente.
SK Hynix quase faliu nos anos 2000, mas hoje lidera o mercado global de chips de memória usados em sistemas de IA. – Imagem: Piotr Swat/Shutterstock
A onda da IA virou o mercado
O avanço da inteligência artificial mudou a dinâmica do setor de semicondutores, e poucas empresas aproveitaram tanto essa transformação quanto a SK Hynix. Atualmente, ela é a principal fornecedora de memórias HBM, componentes essenciais para aplicações de IA usadas por gigantes como Nvidia e Google.
Na segunda-feira, as ações da fabricante avançaram 5,6%, elevando seu valor de mercado para 2.080,4 trilhões de won, equivalentes a US$ 1,35 trilhão (cerca de R$ 7,3 trilhões). A Samsung, que liderava o ranking desde 2000, ficou logo atrás, com valor de mercado de 2.066,7 trilhões de won.
Segundo Kim Sunwoo, analista sênior da Meritz Securities, “o surgimento da memória de IA personalizada mudou fundamentalmente a economia do setor e permitiu que a SK Hynix se estabelecesse como líder de mercado”.
Uma reviravolta que parecia improvável
Nem sempre a trajetória foi de crescimento. No início dos anos 2000, quando ainda se chamava Hynix Semiconductor, a companhia quase foi vendida para a Micron após acumular dívidas em uma agressiva expansão. Como o negócio não avançou, a fabricante permaneceu sob controle dos credores por quase dez anos.
Em 2003, suas ações despencaram para apenas 135 won, sendo consideradas uma “penny stock”. Poucos imaginariam naquele momento que a empresa se tornaria a fabricante de chips de memória mais valiosa do mundo anos depois.
O cenário voltou a piorar em 2023, quando a sul-coreana registrou um prejuízo operacional anual de 7,73 trilhões de won. Um ano depois, a situação era completamente diferente. Impulsionada pelo boom da IA, a empresa alcançou um lucro operacional recorde de 23,5 trilhões de won.
Por trás dessa recuperação, alguns fatores foram determinantes:
Foco em chips HBM voltados para IA;
Continuidade dos investimentos durante a crise do setor;
Crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial;
Maior poder de precificação em comparação com memórias convencionais.
O avanço da IA transformou a SK Hynix na fabricante de memória mais valiosa do mundo, superando rivais históricos. – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock
Agora, a pressão está do outro lado
Analistas apontam que a decisão de investir nas memórias HBM foi decisiva para essa ascensão. A tecnologia oferece maior desempenho e menor consumo de energia. Em 2025, a SK Hynix detinha 61% desse segmento global, enquanto Samsung e Micron tinham 17% e 21%, respectivamente.
O presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, explicou a estratégia em um livro publicado neste ano. “O que eu realmente queria realizar quando adquirimos a Hynix era transformá-la de uma produtora de memória de baixo custo em uma empresa de semicondutores convencional cujos produtos são indispensáveis”, afirmou.
Ele destacou ainda que “o que antes era um componente periférico tornou-se um componente essencial”, referindo-se à importância dessas memórias para os sistemas de IA.
Analistas avaliam que a liderança histórica da Samsung no mercado de DRAM pode enfrentar pressão crescente nos próximos anos. Além disso, a Reuters informou que a SK Hynix está escolhendo a Nasdaq para uma futura listagem nos Estados Unidos, movimento que pode ampliar sua presença entre investidores globais.
Uber, Wayve e Stellantis anunciaram uma parceria para avançar no desenvolvimento de robotáxis autônomos de nível 4.
Segundo o New Atlas, o acordo reforça a disputa global por carros sem motorista e aumenta a pressão sobre o setor para acelerar soluções em escala.
Stellantis assume a produção dos carros enquanto a Wayve fornece a inteligência artificial de direção autônoma. – Imagem: Divulgação/Wayve
Uma aliança que divide responsabilidades
O acerto entre as três empresas junta peças bem diferentes de um mesmo projeto. A Uber entra com a plataforma de transporte e a base de usuários. A Stellantis assume a produção dos veículos em escala industrial. Já a Wayve fica responsável pelo sistema de inteligência artificial que controla a direção dos carros.
Hoje, os sistemas de nível 4 ainda dependem de mapas muito detalhados e áreas previamente definidas para funcionar. Isso exige um trabalho grande de mapeamento de ruas e cruzamentos antes que os veículos possam circular. E, no fim, isso acaba limitando bastante onde os robotáxis conseguem operar.
nível 4 ainda precisa de áreas mapeadas antes da operação
nível 5 busca rodar em qualquer lugar e sob qualquer clima
sensores e câmeras trabalham continuamente durante a direção
o custo de mapeamento ainda é um dos principais entraves
IA sem mapas e a aposta da Wayve
A Wayve tenta seguir um caminho diferente do que hoje domina o mercado. Em vez de depender de mapas digitais prontos, a empresa aposta em uma IA capaz de aprender com o ambiente em tempo real, interpretando o que vê por câmeras e sensores. É o que ela chama de “IA incorporada”.
Na prática, a ideia é fazer o carro reagir de forma mais próxima ao comportamento humano, lidando com situações novas sem precisar de um mapa prévio do local. Isso pode reduzir etapas e, principalmente, acelerar a expansão da tecnologia para outras cidades.
Esse tipo de abordagem também tenta resolver um problema conhecido da direção autônoma: quando o carro encontra algo fora do padrão, ele pode não interpretar corretamente a situação. Em testes do setor, isso já levou a erros inesperados e ajuda a explicar por que o avanço ainda é mais lento do que o esperado.
IA incorporada da Wayve interpreta o ambiente em tempo real usando câmeras e sensores nos veículos, permitindo nível 4 de autonomia. – Imagem: Divulgação/Wayve
O que muda para os passageiros
Se o plano sair do papel, os robotáxis da Stellantis com tecnologia da Wayve devem ser integrados diretamente ao aplicativo da Uber. O usuário chama a corrida normalmente, mas o veículo já chega sem motorista humano. A Stellantis produz os carros preparados para essa operação, enquanto a Wayve fornece o sistema de IA.
Com isso, a Uber evita manter um programa próprio de desenvolvimento de veículos autônomos e concentra esforços na operação do serviço. Na prática, cada empresa assume uma parte do risco e do investimento.
O objetivo mais ambicioso do setor continua sendo o nível 5 de autonomia. Nesse estágio, os carros poderiam rodar em qualquer estrada e condição, sem qualquer intervenção humana. Isso eliminaria volante e pedais e abriria espaço para interiores completamente redesenhados.
veículos poderiam operar até em estradas rurais ou sem sinalização
interior do carro poderia ser usado como escritório ou espaço de descanso
ainda não existe sistema comercial com esse nível de autonomia
O avanço dessa parceria mostra que a disputa pelos robotáxis vai além da tecnologia. Ela envolve também estratégia, divisão de custos e quem vai conseguir transformar essa promessa em um serviço viável no dia a dia.
Você provavelmente já usou algum chatbot de inteligência artificial para resumir um texto longo, obter dicas sobre algum assunto ou receber uma ajudinha na hora de escrever um texto complicado. Mas e quando isso acontece dentro do ambiente de trabalho? Assim surgiu o conceito de Shadow AI ou IA paralela.
O termo descreve o uso de ferramentas de IA sem aprovação, monitoramento ou conhecimento das áreas de tecnologia e segurança da informação de uma companhia.
E embora muitas vezes a motivação seja aumentar a produtividade, a prática tem acendido um alerta entre especialistas por envolver riscos que vão desde vazamentos de dados até problemas regulatórios e prejuízos financeiros.
Para se ter uma ideia da dimensão do problema:
Um levantamento da Gartner apontou que 69% das empresas suspeitam ou têm evidências de que seus funcionários estão usando IA generativa sem autorização;
Já dados do estudo Value of AI, da SAP em parceria com a Oxford Economics, mostram que 66% das companhias brasileiras admitem que o uso não autorizado ocorre com alguma frequência nas empresas;
E piora: a pesquisa “Inovações em Cibersegurança na Gestão de Riscos e Uso de IA 2025”, também da Gartner, revelou que 33% dos funcionários admitem inserir informações confidenciais das companhias em ferramentas públicas ou não aprovadas.
O Olhar Digital consultou especialistas para entender o que é Shadow AI, e como essa prática está afetando o dia a dia das empresas e dos funcionários.
O que é Shadow AI?
De acordo com a empresa de cibersegurança Palo Alto Networks, Shadow AI é o uso de ferramentas ou sistemas de inteligência artificial sem a aprovação, monitoramento ou envolvimento das equipes de TI ou segurança de uma organização.
Na prática, isso acontece quando funcionários recorrem por conta própria a plataformas de IA para realizar atividades relacionadas ao trabalho, sem que a empresa tenha definido regras, controles ou mecanismos de supervisão para esse uso.
Para Samuel Barros, reitor do IBMEC, trata-se de um fenômeno cada vez mais comum dentro das organizações.
Inclusive, o conceito não é completamente novo: ele deriva do chamado Shadow IT, expressão usada para descrever tecnologias utilizadas sem aprovação na área de TI. Segundo a Palo Alto, a diferença é que a IA paralela traz riscos específicos relacionados à forma como os modelos processam dados, geram respostas e influenciam decisões.
Para especialistas, uso de IA sem autorização vem da pressão por produtividade – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock
Por que os funcionários recorrem à IA sem autorização?
Especialistas defendem que o fenômeno não tem a ver com má-fé do funcionário.
Kelly Stefani, CRO da Agility, avalia que a principal motivação costuma ser a pressão por produtividade somada à falta de orientação das empresas.
As pessoas estão sendo cobradas para entregar mais, em menos tempo e com mais qualidade. Quando descobrem uma ferramenta que ajuda a resumir documentos, criar apresentações, organizar dados ou escrever melhor, naturalmente elas querem usar.
Kelly Stefani, CRO da Agility
Segundo ela, muitos funcionários sequer têm clareza sobre os riscos envolvidos ou sobre quais ferramentas são permitidas pela organização. “O colaborador não necessariamente está tentando burlar uma regra. Muitas vezes ele nem sabe que existe uma regra, ou não entende o risco envolvido”, declarou.
Já para Samuel Barros, as empresas ignorarem esse movimento pode ser um erro estratégico. “É muita ingenuidade achar que os times não estão utilizando inteligência artificial, sabendo que ela [tecnologia] agiliza muito as entregas e facilita muito a vida”, afirmou.
Quais são os riscos do Shadow AI?
Para Stefani, o principal problema é a perda de controle sobre informações corporativas: “o maior risco do Shadow AI é a empresa perder visibilidade sobre onde seus dados estão circulando. E quando não há visibilidade, não há governança”, resumiu.
Os especialistas costumam dividir os riscos em diferentes camadas.
Exposição de dados sensíveis
Um dos cenários mais preocupantes envolve o compartilhamento de informações confidenciais em plataformas públicas de IA.
Segundo a Palo Alto, funcionários podem inserir dados proprietários, estratégicos ou regulados sem compreender como essas informações serão armazenadas, processadas ou utilizadas pelos provedores dos modelos.
Kelly Stefani alerta que o problema pode envolver desde dados pessoais até ativos estratégicos da organização.
Muitas vezes, o dado compartilhado não é apenas operacional. Pode ser uma proposta comercial, uma estratégia de negócio, uma base de clientes, uma metodologia proprietária, uma análise financeira ou uma informação de pipeline.
Kelly Stefani, CRO da Agility
Uma pesquisa da LayerX Security, citada pela Conversys IT Solutions, revelou que 75% dos funcionários que utilizam ferramentas de IA não aprovadas já inseriram informações sensíveis nessas plataformas.
Relatórios apontam que mais da metade dos funcionários faz o Shadow AI – mas falta de instrução por parte das empresas também é um problema – Imagem: Andrey_Popov/Shutterstock
Problemas com a LGPD e outras normas
O compartilhamento indevido de dados também pode gerar consequências legais.
Barros destaca que a falta de controle pode colocar empresas em situação de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Você pode estar expondo os dados da companhia, de clientes, de fornecedores, a um ambiente não controlado. O que, por si só, a Lei Geral de Proteção de Dados Brasileira já apresenta como um risco significativo.
Samuel Barros, reitor do IBMEC
A própria Palo Alto Networks aponta que ferramentas de IA paralela podem contornar exigências de proteção de dados e abrir caminho para investigações, sanções e multas.
Decisões baseadas em informações incorretas
Outro risco está relacionado à qualidade das respostas geradas pelos sistemas: sem supervisão adequada, colaboradores podem tomar decisões baseadas em conteúdos imprecisos, desatualizados ou produzidos por modelos que utilizam dados inadequados.
Também há riscos relacionados ao chamado “envenenamento de modelos”, situação em que sistemas treinados com informações comprometidas produzem respostas enviesadas, incorretas ou manipuladas.
Falta de rastreabilidade
Kelly Stefani explicou que, quando cada área adota ferramentas de IA por conta própria, sem critérios comuns, sem integração e sem acompanhamento, o resultado é um ecossistema corporativo fragmentado.
Segundo ela, isso dificulta investigações, aumenta o risco de vazamentos e impede que a organização aprenda com o próprio uso da tecnologia.
Quais áreas são mais vulneráveis?
Embora o Shadow AI possa atingir qualquer setor, algumas áreas exigem atenção especial por lidarem diretamente com dados sensíveis.
Stefani cita recursos humanos, jurídico, finanças, contabilidade, marketing e vendas entre os departamentos mais expostos.
No RH, por exemplo, informações sobre salários, avaliações de desempenho e dados pessoais podem ser compartilhadas indevidamente;
Já no jurídico, contratos, pareceres e documentos sigilosos representam potenciais riscos;
Em áreas comerciais, propostas, históricos de negociação e informações sobre clientes também podem acabar expostos em ferramentas sem controle.
Riscos envolvem vazamento de dados e perda de controle das empresas sobre sua própria governança – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
De quem é a responsabilidade em caso de vazamentos?
A resposta não é simples.
De acordo com a executiva da Agility, a responsabilização depende das circunstâncias de cada caso.
Se a empresa possui políticas claras, treinamento, ferramentas homologadas e mecanismos de governança, um descumprimento deliberado dessas normas pode ser atribuído ao colaborador. Por outro lado, quando não existem regras, orientações ou controles adequados, a organização também pode ser responsabilizada por não ter adotado medidas suficientes para prevenir o problema.
“Em outras palavras, o colaborador nunca é retirado da equação, mas a empresa também não consegue simplesmente transferir toda a responsabilidade para ele”, explicou.
Como as empresas podem se proteger do Shadow AI?
Para os especialistas, a solução não está em proibir o uso da inteligência artificial.
“O primeiro passo é ganhar visibilidade sobre quem usa, quais ferramentas e em quais contextos”, afirmou Stefani.
A partir desse mapeamento, as organizações devem criar políticas claras sobre quais ferramentas são autorizadas, quais tipos de dados podem ser compartilhados e quais procedimentos devem ser seguidos.
Samuel Barros defende a criação de um código formal de conduta para o uso de IA.
A empresa, por recomendação, deveria construir um código de norma e conduta de utilização de inteligência artificial. Quais são as ferramentas autorizadas? Para que elas podem ser utilizadas? Que tipo de documento você pode compartilhar? Que tipo de documento você não deve jamais compartilhar?
Samuel Barros, reitor do IBMEC
Ele também sugere a criação de repositórios internos de prompts, registros históricos de utilização e mecanismos permanentes de controle.
Outro ponto destacado pelos especialistas é a educação dos colaboradores.
“O colaborador precisa entender o porquê das regras. Quando ele entende que copiar uma planilha de clientes, uma proposta comercial ou um contrato confidencial em uma ferramenta pública pode gerar risco regulatório, financeiro e reputacional, a relação com a tecnologia muda”, defendeu Kelly Stefani.
O desafio da governança
Para os especialistas, o crescimento do Shadow AI mostra que a discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas uma questão tecnológica, mas também de governança e cultura corporativa.
À medida que a IA se integra cada vez mais às atividades do dia a dia, as empresas terão de encontrar um equilíbrio entre inovação e controle.
A obra retrataria a crise de 2023 que levou à demissão e ao retorno de Altman ao cargo de CEO em poucos dias.
Filme mostraria a demissão e retorno de Sam Altman como CEO da OpenAI em poucos dias. – Imagem: Stock all/Shutterstock
A história dos cinco dias que virariam filme
Dirigido por Luca Guadagnino, “Artificial” se inspirava em um dos episódios mais turbulentos da história recente da OpenAI. A trama acompanharia os cinco dias entre a saída de Sam Altman do comando da empresa e sua rápida volta ao cargo.
O projeto estava em desenvolvimento havia cerca de um ano e tinha Andrew Garfield como protagonista. A proposta era levar para o cinema um episódio que repercutiu amplamente no setor de tecnologia.
O elenco que daria vida à história
Além de Andrew Garfield no papel de Altman, a produção reunia atores escolhidos para interpretar personagens inspirados em figuras reais ligadas aos acontecimentos de 2023.
Andrew Garfield no papel de Sam Altman
Monica Barbaro como Mira Murati
Ike Barinholtz interpretando Elon Musk
Yura Borisov como Ilya Sutskever
Enredo focado nos acontecimentos que marcaram a OpenAI em 2023
O longa colocaria nas telas alguns dos principais personagens envolvidos no episódio que abalou os bastidores da empresa naquele ano.
Andrew Garfield interpretaria Sam Altman em “Artificial”, projeto que acabou sendo cancelado pela Amazon MGM. Imagem: Divulgação/FX
Por que a decisão chamou atenção
Em comunicado ao Deadline, a Amazon MGM afirmou que acredita que o filme “será melhor servido se for lançado por outro estúdio” e informou que está trabalhando com a equipe de produção para encontrar uma nova distribuidora.
A decisão despertou interesse porque Amazon e OpenAI mantêm uma relação próxima. Em fevereiro, a gigante do comércio eletrônico anunciou um investimento de US$ 50 bilhões no laboratório de inteligência artificial.
Por enquanto, “Artificial” permanece sem uma distribuidora definida. O próximo passo da equipe será encontrar um novo estúdio interessado em assumir o projeto e viabilizar o lançamento do filme.
A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho. Dados da PwC mostraram que a demanda por profissionais com competências em IA cresceu 30,3% no Brasil no último ano – muito acima da média global, de 7,5%. Os dados foram compilados em um levantamento do site Meu Currículo Perfeito.
Já uma projeção do Fórum Econômico Mundial aponta que, até 2030, 92 milhões de empregos serão transformados pela automação e pela IA, enquanto 170 milhões de novos postos serão criados nesse mesmo período.
Mas a transformação vem acompanhada de contradições:
Embora a inteligência artificial esteja cada vez mais presente nas rotinas corporativas, boa parte das empresas ainda não oferece treinamento formal para os funcionários;
Dados do Read.ai revelaram que 68% dos brasileiros utilizam IA diariamente no trabalho, mas apenas 31% afirmam ter acesso oficial ou capacitação fornecida pelos empregadores;
Além disso, a necessidade constante de atualização cria um cenário de insegurança generalizada.
Para Samuel Barros, reitor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC), ignorar essa realidade é um erro: a prática pode gerar problemas de governança e segurança da informação, especialmente quando colaboradores compartilham dados corporativos em plataformas não autorizadas pelas empresas.
A nova corrida por habilidades
O avanço da IA está criando uma nova hierarquia no mercado de trabalho.
Dados compilados pelo relatório mostram que profissionais com habilidades comprovadas em inteligência artificial recebem, em média, salários 56% maiores do que aqueles sem esse conhecimento. Em cargos especializados, a diferença é ainda mais expressiva. Segundo a empresa de recrutamento Robert Half, engenheiros de IA têm salários iniciais entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil.
Essa valorização ajuda a explicar outro dado relevante: a pesquisa da PwC revela que 59% dos brasileiros acreditam que aprender novas competências é a principal forma de evitar a obsolescência profissional.
Para Barros, o diferencial do profissional hoje é a “capacidade de orquestrar as tecnologias” para construir algo que, antes, levava mais tempo e exigia mais pessoas.
A IA é um colega de trabalho. Ela não é mais só uma ferramenta. Dois anos atrás, poderíamos falar que a IA é uma ferramenta como o martelo, a chave de fenda… hoje em dia, com a IA agêntica, ela é um colega de trabalho não físico que acaba ocupando o espaço de funções menos especializadas ou muito repetitivas.
Samuel Barros, reitor do IBMEC
Nesse sentido, as exigências do mercado mudam rapidamente. O estudo aponta que as competências demandadas em ocupações expostas à IA evoluem 66% mais rápido do que em outras áreas, tornando o aprendizado contínuo uma necessidade permanente.
Para o reitor, dominar a tecnologia já deixou de ser um diferencial e virou uma exigência básica – e isso vale para praticamente qualquer função, não só aquelas ligadas aos setores tecnológicos.
Formação acadêmica pesa mais do que habilidades práticas? Especialistas divergem – Imagem: Leonardo Santtos/Shutterstock
Diploma está perdendo espaço?
A ascensão da inteligência artificial também acelera uma mudança que já vinha ocorrendo no mercado de trabalho: a valorização das habilidades em detrimento dos diplomas.
Segundo dados do LinkedIn citados no relatório, 25% das vagas publicadas na plataforma já não exigem formação universitária – um aumento de 16% desde 2020.
A lógica é simples: em um ambiente em que as competências técnicas mudam rapidamente, empresas passam a valorizar mais a capacidade de adaptação e aprendizado do que certificados obtidos anos atrás. Isso não significa que a formação acadêmica perdeu relevância, mas que ela deixou de ser suficiente por si só.
Para Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy, a priorização entre IA ou formação acadêmica depende do cargo:
Para funções técnicas, [a habilidade em IA] já é diferencial competitivo. Para funções de negócio, gestão e comunicação, o que as empresas buscam é ir além do uso de IA, focando muito mais em pensamento crítico.
Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy
O primeiro emprego sob ameaça
Um grupo particularmente vulnerável às mudanças provocadas pela IA é o de profissionais em início de carreira.
De acordo com dados da Randstad, funções administrativas, jurídicas e de atendimento estão entre as mais expostas à automação. São justamente áreas que tradicionalmente funcionam como porta de entrada para jovens profissionais.
Antes, atividades como organizar planilhas, registrar atas de reunião, responder e-mails ou realizar atendimentos básicos eram desempenhadas por estagiários e profissionais juniores. Hoje, muitas dessas tarefas podem ser executadas por sistemas de inteligência artificial em poucos segundos.
Barros acredita que o impacto será inevitável nas funções mais repetitivas.
Esse colega de trabalho não físico acaba ocupando espaço para aquelas funções menos especializadas ou muito repetitivas. Funções que não precisam do caráter humano para serem realizadas.
Samuel Barros, reitor do IBMEC
Na avaliação do especialista, cargos de atendimento digital, telemarketing, suporte técnico básico e parte das atividades administrativas estão entre os mais ameaçados. Horchuliki menciona funções com “alta repetitividade e pouca necessidade de julgamento contextual” entre as primeiras a serem automatizadas.
Por outro lado, áreas que exigem criatividade, tomada de decisão, interpretação de contexto e relacionamento humano tendem a ganhar importância. Segundo a diretora, trata-se dos superworkers, que ela aposta que serão os mais beneficiados na transformação tecnológica.
A dificuldade de inserção dos jovens também está relacionada a mudanças na estratégia das empresas: a preferência é requalificar profissionais experientes ou contratar pessoas que já chegam com conhecimento em inteligência artificial?
Barros acredita que, apesar da requalificação interna ser o caminho mais desejável, muitas organizações optam por buscar profissionais prontos no mercado. “O mais humano seria capacitar o time que já existe. No entanto, muitas vezes é mais econômico buscar no mercado um profissional já preparado”, defendeu.
Horchuliki defende o contrário:
75% das empresas no mundo dizem ter dificuldade para encontrar profissionais qualificados em IA. O mercado externo de talentos nessa área simplesmente não cresce na velocidade que a demanda exige. Então, quem espera contratar pronto vai esperar muito, ou pagar muito. O que os nossos dados mostram é que as empresas mais estratégicas estão priorizando a mobilidade interna e o desenvolvimento de quem já está dentro de casa.
Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy
Relatório “o impacto da IA no mercado de trabalho brasileiro” apontou setores com maior potencial de automatização impulsionada por IA – Imagem: Randstad Research
IA também muda os processos seletivos
A influência da tecnologia não se limita às atividades profissionais: ela já está presente nas etapas de recrutamento e seleção.
Segundo Barros, muitas empresas utilizam sistemas de inteligência artificial para fazer a primeira triagem de currículos e até para elaborar avaliações aplicadas aos candidatos. “Se o seu currículo não estiver preparado para ser lido por um agente de inteligência artificial, é bem possível que você não passe nem da primeira fase de filtro”, alertou.
Na prática, isso significa que currículos precisam ser preparados para serem interpretados corretamente por algoritmos, sob o risco de serem descartados antes mesmo de chegar a um recrutador humano.
Já para Luana Horchuliki, a IA tornou os processos seletivos mais rápidos e orientados, com menos vieses. Segundo ela, o uso de agentes dentro da Gupy ajudou a reduzir em mais de 60% o tempo médio de fechamento de vagas e liberou tempo para o recrutador fazer o que a tecnologia não faz: ter uma conversa qualificada com o candidato.
“A IA não está substituindo o contato humano, ela está viabilizando um contato humano de maior qualidade”, afirmou.
Insegurança generalizada marca o mercado
A transformação tecnológica ocorre em paralelo ao crescimento da insegurança profissional.
Outro levantamento do Meu Currículo Perfeito mostrou que a indústria de tecnologia eliminou mais de 123 mil empregos só este ano, um aumento de 66% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o estudo, a inteligência artificial já aparece como o principal motivo citado para demissões em 2026.
Você já deve ter lido sobre o assunto no Olhar Digital:
A Meta, por exemplo, avisou em maio que demitiria milhares de funcionários em uma reestruturação interna para reduzir custos e focar em inteligência artificial (leia mais aqui);
Já a Amazon anunciou, em janeiro, a demissão de 16 mil cargos corporativos, completando um ciclo de 30 mil cortes iniciado na reta final de 2025. O movimento faz parte de uma redução de custos e reestruturação em andamento na companhia, que também passará a focar na IA (leia mais aqui);
O efeito dominó também atingiu empresas ‘de diversos tamanhos e nichos ‘menores’: a Block, liderada por Jack Dorsey (um dos cofundadores do Twitter), reduziu sua força de trabalho em 40% (quatro mil pessoas) numa reforma motivada pela IA;
No topo da lista de ajustes estão a UPS e a Oracle, com 30 mil demissões cada. No caso da Oracle, os números vêm de estimativas de analistas do banco TD Cowen, que apontam redirecionamento de capital para financiar infraestrutura de IA.
Nem tudo é ruim: relatório também listou setores com maior potencial de criação de novos empregos – Imagem: Randstad Research
O cenário contribui para um sentimento de incerteza. Sete em cada dez trabalhadores afirmam ter repensado suas carreiras no último ano, enquanto apenas 27% dizem ter clareza sobre os rumos profissionais de longo prazo.
Mas, apesar da preocupação, os especialistas defendem que a adaptação continua sendo a melhor resposta.
Para Barros, as carreiras mais protegidas serão aquelas que exploram características tipicamente humanas.
Decisões morais, decisões éticas, articulações, compreensão de contexto. Tudo isso é uma parte que não vai fugir do ser humano.
Samuel Barros, reitor do IBMEC
Enquanto a inteligência artificial assume tarefas operacionais e repetitivas, cresce a importância de habilidades como pensamento crítico, resolução de problemas, empatia, negociação e capacidade de tomar decisões em situações complexas.
A pesquisa Dev Barometer Q2 2026 reforça essa tendência. Entre desenvolvedores juniores entrevistados em 77 países, 48% apontaram resolução de problemas e pensamento analítico como a habilidade mais importante para conseguir emprego atualmente. Apenas 18% citaram o domínio de ferramentas de IA.
Um mapeamento interno da Gupy, citado por Luana Horchuliki, listou as atividades mais demandadas em vagas que mencionam IA no Brasil:
Criatividade e inovação (17,4%);
Comunicação efetiva (10,3%);
Responsabilidade e integridade (10,1%);
Proatividade (8,8%);
Foco em resultados (8,7%).
Repare que nenhuma dessas é uma habilidade técnica. São todas capacidades humanas que ganham ainda mais valor justamente porque a IA não consegue reproduzir esses comportamentos. (…) O que vai importar cada vez mais é a capacidade de aprendizado contínuo e a habilidade de trabalhar com sistemas inteligentes sem abrir mão do próprio julgamento.
Luana Horchuliki, Sócia e Diretora de Gente e Gestão na Gupy
Barros também dá uma dica:
Se você está empregado, vá atrás de você mesmo. Busque formação em inteligência artificial para que, no caso de uma necessidade interna, uma possibilidade de progressão ou se o mercado estiver buscando, você vai estar pronto para as oportunidades que aparecerem.
A ASML negou nesta sexta-feira que qualquer uma de suas máquinas EUV tenha sido enviada para a China, respondendo a preocupações levantadas por autoridades dos Estados Unidos sobre um possível descumprimento das restrições de exportação.
A ASML negou que qualquer máquina EUV, utilizada para a fabricação de chips, tenha sido enviada à China, após preocupações levantadas por autoridades dos EUA. Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock – Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock
ASML responde a preocupações levantadas pelos EUA
A reportagem que deu origem ao caso informou que autoridades norte-americanas estariam preocupadas com a possibilidade de máquinas EUV da ASML terem chegado à China. Segundo o relato, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, levou essa preocupação a executivos da companhia holandesa durante uma série de reuniões.
A resposta da empresa foi direta. Em comunicado enviado à Reuters, a fabricante afirmou: “A ASML nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem enviamos para a China qualquer componente, módulo ou equipamento projetado especificamente para ser usado em uma máquina EUV”.
A companhia também declarou que contestou as alegações relacionadas ao descumprimento dos controles de exportação e ressaltou que adapta continuamente suas operações para acompanhar mudanças regulatórias e cumprir novas exigências.
A fabricação de semicondutores avançados depende de equipamentos altamente especializados, como os sistemas EUV. Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock – Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock
O que torna as máquinas EUV tão especiais
As máquinas de litografia ultravioleta extrema, conhecidas pela sigla EUV, estão entre os equipamentos mais complexos utilizados pela indústria de semicondutores. Elas são consideradas peças-chave para a produção dos componentes mais avançados do setor.
Os sistemas mais modernos da ASML chamam atenção por características impressionantes:
Têm tamanho aproximado ao de um ônibus escolar
O peso chega a cerca de 180 toneladas
Estão sujeitas a rígidas regras de exportação
São utilizadas na fabricação de chips avançados
A tecnologia usada para fabricar chips avançados virou tema de discussões envolvendo China, EUA e Europa. Imagem: William Potter/Shutterstock
Controles de exportação permanecem no centro do debate
O governo da Holanda reforçou que a exportação de equipamentos para fabricação de semicondutores segue critérios rigorosos. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores holandês destacou: “Todos os equipamentos, componentes e tecnologias que se enquadram explicitamente nessas regras exigem uma licença”.
O ministério também afirmou que aplica essa política de forma rigorosa e intervém sempre que considera necessário para garantir o cumprimento das normas.
O debate ocorre em meio aos esforços dos Estados Unidos para ampliar o alinhamento internacional em torno dos controles de exportação ligados ao setor de semicondutores. Em abril, Washington propôs uma legislação para que países aliados sigam regras semelhantes, com o objetivo de limitar a capacidade chinesa de produzir semicondutores avançados. Equipamentos fabricados pela ASML foram citados na proposta.
Em dezembro, a Reuters informou que cientistas chineses desenvolveram um protótipo de máquina EUV criado por uma equipe formada por ex-engenheiros da ASML, em um projeto descrito como a versão chinesa do Projeto Manhattan.
A questão segue no radar de governos e empresas envolvidos no setor de semicondutores. O episódio ocorre enquanto diferentes países discutem regras para a exportação de tecnologias ligadas à fabricação de chips avançados.
A Midjourney, conhecida pelo gerador de imagens por inteligência artificial, resolveu sair do próprio território e testar algo bem mais ambicioso: um scanner de corpo inteiro baseado em ultrassom, integrado a um conceito de spa futurista. A ideia foi apresentada em detalhes e repercutida pelo The Verge, que acompanhou a proposta inicial da empresa.
O curioso é que, apesar do tom de inovação radical, boa parte do projeto ainda está no campo experimental — mais protótipo e visão de futuro do que produto pronto de verdade.
Projeto une spa futurista e tecnologia médica para transformar exames em uma experiência contínua e quase invisível no dia a dia. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney
Como funciona o “Midjourney Scanner”
Pelo que foi mostrado pela matéria, o sistema gira em torno de um anel de sensores ultrassônicos que envolve o corpo durante o exame. O processo começa quando a pessoa entra em uma plataforma que desce lentamente dentro de uma piscina de água, enquanto ondas sonoras atravessam o corpo em diferentes direções.
Na prática, não é algo silencioso ou “mágico”. É uma combinação pesada de hardware, sensores e processamento de dados para reconstruir imagens tridimensionais do interior do corpo — músculos, gordura, ossos e órgãos.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Butterfly Network e usa módulos de ultrassom do tipo “ultrasound-on-chip”. O tempo estimado para todo o escaneamento é de cerca de 60 segundos.
E aqui vale um detalhe importante: apesar da apresentação impressionar, isso ainda está longe de ser um equipamento médico consolidado no sentido tradicional.
O que a Midjourney está realmente tentando fazer
A empresa não vende apenas a ideia de um scanner. O discurso vai bem além disso. Para a Midjourney, o ponto central é transformar o acompanhamento da saúde em algo contínuo, quase cotidiano.
Em vez de exames pontuais, a proposta é criar uma espécie de “linha do tempo” do corpo humano, com dados sendo coletados com frequência e interpretados ao longo do tempo.
Entre os objetivos apresentados estão:
monitoramento contínuo da saúde ao longo dos anos
integração com médicos, treinadores e sistemas de IA
acesso mais frequente e barato a dados do próprio corpo
comparação desses dados com populações maiores
Isso tudo, claro, ainda faz parte da visão da empresa — não de um sistema validado em larga escala.
E há um ponto que chama atenção: a própria ideia de transformar dados médicos em algo quase constante muda completamente a relação entre pessoa e corpo. É uma mudança cultural, não só tecnológica.
Sistema usa anel de sensores e ondas sonoras para reconstruir músculos, ossos e órgãos em 3D com alta precisão. Imagem: Reprodução/Midjourney – Imagem: Reprodução/Midjourney
O spa que mistura bem-estar e exame
O projeto também inclui o chamado “Midjourney Spa”, previsto para São Francisco até 2027. Segundo o The Verge, o espaço combina áreas de relaxamento — como saunas e piscinas — com zonas de escaneamento corporal.
A lógica aqui é meio contraintuitiva: o exame não é o evento principal. Ele acontece quase “por tabela”, enquanto a pessoa está em um ambiente de lazer.
A empresa também fala em números bastante agressivos: até 2031, seriam cerca de 50 mil scanners no mundo, com capacidade para até um bilhão de exames por mês. É uma projeção grande — e, por enquanto, sem validação independente.
Entre promessa, hype e realidade
A publicação também destaca um ponto que não dá para ignorar: não há evidências clínicas independentes que comprovem desempenho equivalente a exames como ressonância magnética.
Além disso, qualquer uso médico mais amplo dependeria de aprovação regulatória, como a do FDA nos Estados Unidos.
Ou seja, existe uma distância clara entre o que foi apresentado e o que pode realmente ser colocado em prática no curto prazo.
E talvez essa seja a parte mais interessante do projeto: ele não está só tentando criar um novo tipo de exame, mas também uma nova forma de pensar saúde — ainda que isso levante mais perguntas do que respostas no momento.