Segundo o TechCrunch, a Anthropic ampliou o acesso ao Claude Cowork. O agente de IA voltado para tarefas profissionais agora também pode ser usado na web e em dispositivos móveis.
A novidade permite iniciar uma atividade no computador, acompanhar seu andamento pelo celular e conferir o resultado mais tarde, mesmo com o notebook desligado.
Claude Cowork chega ao celular e à web para acompanhar tarefas profissionais iniciadas no computador. – Imagem: Primakov / Shutterstock
Trabalho continua em qualquer lugar
Lançado para desktop em janeiro, o Claude Cowork passa a integrar também as versões web e móvel para assinantes do plano Max. A mudança facilita o acompanhamento das tarefas sem que o usuário precise permanecer no mesmo dispositivo durante todo o processo.
Se surgir alguma decisão que dependa de aprovação, o agente interrompe a execução e pede a participação do usuário antes de continuar. A ideia é deixar as atividades avançando em segundo plano enquanto outras demandas são realizadas.
A Anthropic aposta em agentes de IA capazes de acompanhar diferentes etapas da rotina profissional. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Uso vai além da programação
A proposta da Anthropic é ampliar o espaço do Cowork nas atividades administrativas que ajudam empresas a funcionar diariamente. Projetos passam a ser compartilhados entre as versões web e desktop, tornando mais simples retomar uma tarefa de onde ela parou.
Entre as funções que o agente pode desempenhar estão:
Consolidar informações dispersas em relatórios.
Criar listas de verificação para integração de novos funcionários.
Produzir apresentações, propostas e textos.
Organizar planilhas e outras tarefas administrativas.
Outro recurso destacado é a capacidade de continuar executando tarefas em segundo plano, mesmo quando o dispositivo utilizado estiver offline.
A nova versão permite compartilhar projetos entre desktop, web e dispositivos móveis. – Imagem: Koupei Studio / Shutterstock
Um exemplo na prática
Para ilustrar esse funcionamento, a empresa descreve uma preparação para reunião. O Claude analisa e-mails, transcrições e notícias recentes, monta um documento de briefing e deixa um e-mail de acompanhamento pronto para revisão, sem enviá-lo automaticamente.
Levantamento revela como empresas usam o Cowork
Uma análise de 1,2 milhão de sessões anonimizadas, realizadas por mais de 600 mil organizações durante as duas últimas semanas de maio, mostra que o uso da ferramenta está concentrado nas atividades que dão suporte ao funcionamento das empresas.
As operações de processos de negócios responderam por 33,4% das sessões analisadas. Na sequência aparecem criação de conteúdo e redação, com 16,4%. O desenvolvimento de software representou 8,7% da utilização.
Em comunicado, a Anthropic afirmou: “Embora a programação ainda seja — compreensivelmente — um dos usos da IA que mais atrai atenção, o emprego da IA em atividades corporativas cotidianas está em ascensão, e começa a ficar claro em quais tipos de tarefas ela se mostra mais útil.”
A empresa também destacou: “Nosso objetivo é tornar isso uma referência para quem está buscando integrar produtos de IA ao seu trabalho diário e demonstrar onde o valor está mais concentrado.”
Com a chegada à web e aos dispositivos móveis, o Claude Cowork passa a acompanhar o usuário em diferentes momentos da rotina, ampliando o acesso ao agente para tarefas profissionais além do desktop.
A análise identificou preocupações envolvendo dispositivos capazes de registrar voz, imagens e informações do ambiente em que são utilizados, além de criar interações personalizadas com crianças. O estudo recomenda que órgãos responsáveis investiguem se fabricantes e plataformas de venda cumprem as exigências de proteção previstas para o público infantil.
A nota técnica foi elaborada pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais, com participação de pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco, após a avaliação de seis produtos disponíveis em grandes marketplaces no país. O documento aponta a necessidade de fiscalização sobre transparência, segurança e tratamento de dados coletados.
Ministério aponta possíveis falhas em transparência e proteção de dados
O estudo analisou os dispositivos Loona, EMO, Miko 3, Aibi, Amazon Fire HD Kid Pro e Vector, encontrados em plataformas como Amazon, Mercado Livre, Shopee, AliExpress, Magazine Luiza, eBay e Casas Bahia.
De acordo com a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, os equipamentos avaliados possuem recursos como câmeras, microfones e sensores que permitem captar diferentes informações durante a utilização. Entre os dados que podem ser registrados estão características da voz, imagens faciais e elementos do espaço doméstico.
Além da coleta de informações, o documento destaca que esses brinquedos utilizam sistemas de inteligência artificial para conversar, responder a comandos e modificar suas interações conforme o comportamento da criança. Para o órgão, essa capacidade de adaptação pode criar relações de proximidade que exigem atenção.
A secretaria afirma que vínculos construídos entre crianças e dispositivos inteligentes podem estimular uma dependência maior do produto e aumentar riscos relacionados ao compartilhamento inadequado de informações. A avaliação também menciona a possibilidade de exposição de dados sensíveis caso existam falhas de segurança nos sistemas.
Entre os exemplos citados no relatório está a boneca My Friend Cayla, que teve sua comercialização proibida na Alemanha após autoridades apontarem que conversas captadas pelo brinquedo poderiam ser acessadas por terceiros. O caso foi usado como referência para discutir riscos envolvendo dispositivos conectados.
O documento também menciona registros de vazamento de áudios de crianças associados ao robô Miko 3. Outro equipamento analisado foi o Loona, um robô que simula um animal de estimação, utiliza processamento de linguagem natural, possui integração com o ChatGPT, conta com câmera para reconhecimento de usuários e sensores para mapear ambientes.
Loona é um pet robô autônomo (Imagem: divulgação/Jianbo)
O Ministério da Justiça também destacou a responsabilidade das plataformas de comércio eletrônico que oferecem esses produtos. Segundo a pasta, os sites devem apresentar informações claras sobre o uso de inteligência artificial, conexão com a internet, riscos à privacidade e necessidade de acompanhamento dos responsáveis.
A recomendação da Secretaria Nacional de Direitos Digitais é que a Secretaria Nacional do Consumidor e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados avaliem possíveis irregularidades envolvendo a divulgação das características dos produtos e o tratamento das informações coletadas.
“Os fatos relatados apontam para indícios de possíveis irregularidades, de caráter sistêmico, com potencial de afetar direitos fundamentais de crianças e adolescentes, o que recomenda apuração formal”, afirmou a Secretaria Nacional de Direitos Digitais, em nota técnica encaminhada aos órgãos responsáveis pela fiscalização.
Ferramentas de inteligência artificial já demonstram capacidade de elevar a produtividade em diversas atividades, mas estudos recentes indicam que o uso sem critérios pode enfraquecer habilidades cognitivas dos usuários. Pesquisas analisadas apontam que a dependência excessiva desses sistemas pode reduzir a capacidade de resolver problemas sem auxílio.
O alerta aparece em estudos conduzidos com profissionais e estudantes, nos quais participantes que utilizaram inteligência artificial tiveram ganhos imediatos no desempenho, porém, apresentaram dificuldades quando precisaram executar tarefas sozinhos. As análises foram divulgadas em 2026 por pesquisadores de diferentes instituições.
As conclusões indicam que a tecnologia não representa necessariamente uma ameaça ao pensamento humano, mas exige uma mudança na forma de utilização. A recomendação dos especialistas é usar a IA como ferramenta de apoio ao raciocínio, e não como substituta do esforço intelectual.
Pesquisas mostram ganhos rápidos, mas riscos no aprendizado
ChatGPT é o chatbot da OpenAI – Imagem: arda savasciogullari / Shutterstock
Experimentos realizados com trabalhadores e estudantes apontaram que a inteligência artificial pode melhorar resultados quando aplicada em tarefas compatíveis com suas capacidades.
Em uma pesquisa envolvendo centenas de consultores da Boston Consulting Group, pesquisadores da Wharton School observaram aumento na quantidade de tarefas concluídas e redução do tempo necessário para executá-las entre aqueles que receberam acesso à ferramenta.
O levantamento, publicado em um artigo revisado por pares na revista Organization Science em 2026, mostrou que os participantes auxiliados por IA produziram trabalhos considerados melhores em atividades nas quais a tecnologia apresentava maior domínio. Os maiores avanços ocorreram entre os profissionais que inicialmente tinham desempenho mais baixo.
Resultado semelhante apareceu em uma pesquisa liderada por Grace Liu, da Carnegie Mellon University, sobre resolução de problemas matemáticos. O estudo comparou estudantes com e sem acesso a uma ferramenta de inteligência artificial e identificou desempenho superior entre aqueles que puderam utilizar o recurso durante os exercícios.
Apesar dos benefícios imediatos, os pesquisadores observaram consequências negativas quando a assistência tecnológica foi retirada. Participantes que haviam contado com IA passaram a apresentar desempenho inferior ao de pessoas que nunca utilizaram o recurso e demonstraram menor persistência diante das dificuldades.
Outro estudo analisou como a confiança excessiva nas respostas produzidas por sistemas de IA pode alterar a tomada de decisão. Pesquisadores Steven Shaw e Gideon Nave avaliaram mais de 1.300 participantes e identificaram um comportamento chamado de “cognitive surrender”, situação em que o usuário abandona sua própria avaliação e aceita a conclusão apresentada pela máquina.
Segundo os pesquisadores, a inteligência artificial pode funcionar como uma espécie de terceiro mecanismo cognitivo, além das formas tradicionais de pensamento rápido e análise cuidadosa descritas pelo psicólogo Daniel Kahneman. O problema surge quando esse recurso deixa de complementar o raciocínio humano e passa a substituí-lo.
O desafio de usar IA sem abandonar o pensamento próprio
Apps de inteligência artificial (Shutterstock_PixieMe)
Especialistas defendem que a principal habilidade diante da inteligência artificial será reconhecer quais tarefas devem permanecer sob responsabilidade humana e quais podem ser delegadas às máquinas. A colaboração funciona melhor quando o usuário entende os limites da tecnologia e consegue avaliar suas respostas.
Uma análise publicada em 2024 na revista Nature Human Behavior, baseada em 106 experimentos com inteligência artificial, indicou que humanos e máquinas apresentam melhor desempenho conjunto quando cada lado atua em tarefas nas quais possui vantagem. Quando o sistema supera o usuário, porém, a dificuldade humana em identificar quando confiar ou discordar da ferramenta pode prejudicar o resultado final.
Pesquisadores ouvidos para a análise destacaram que atividades relacionadas à criação inicial de ideias, elaboração de textos e produção de conhecimento exigem participação humana ativa. Para eles, a inteligência artificial pode ser mais útil na revisão, no questionamento de argumentos e no aprimoramento de trabalhos já desenvolvidos.
A preocupação também envolve a educação. Estudos citados no levantamento indicaram que estudantes podem aprender menos quando utilizam IA apenas para acelerar tarefas escolares. Em contrapartida, quando a ferramenta é usada para receber explicações, fazer perguntas e compreender conceitos, os prejuízos ao aprendizado tendem a ser menores.
A pesquisa realizada por Judy Hanwen Shen e Alex Tamkin, da Anthropic, com desenvolvedores aprendendo uma nova biblioteca de programação, apontou dificuldades de compreensão conceitual, leitura de código e depuração quando a IA era usada como atalho para entregar soluções prontas.
A recomendação dos pesquisadores é transformar a inteligência artificial em uma ferramenta de aprofundamento. Em vez de eliminar o esforço mental necessário para aprender, a tecnologia deveria estimular questionamentos e ampliar a capacidade de análise dos usuários.
A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial, está desenvolvendo um chip próprio para executar modelos de IA e diminuir a dependência de fornecedores como Nvidia e Huawei. O projeto mira a etapa de inferência, responsável por gerar respostas após o treinamento dos sistemas.
Ainda em fase inicial, a iniciativa pode abrir uma nova frente para a empresa, que ganhou destaque mundial após lançar modelos eficientes e passou a representar a ambição chinesa no setor de inteligência artificial.
O chip da DeepSeek ainda está em fase inicial, mas pode mudar a estratégia da empresa no mercado de inteligência artificial. – Imaem: Nuthawut Somsuk/iStock
Chip será focado em executar modelos de IA
Segundo a Reuters, três pessoas familiarizadas com o assunto afirmaram que a DeepSeek trabalha em um semicondutor voltado para inferência, e não para treinar novos modelos. A ideia é desenvolver uma solução própria para uma etapa que ganhou importância com a expansão dos aplicativos de IA.
A movimentação segue uma tendência entre empresas do setor, que buscam maior controle sobre os equipamentos usados para manter seus sistemas funcionando. Além disso, chips especializados podem oferecer ganhos de eficiência em comparação com componentes de uso geral.
Entre os principais objetivos desse tipo de chip estão:
Diminuir a dependência de fornecedores externos de semicondutores;
Atender ao crescimento da demanda por processamento de IA;
Ter mais controle sobre a infraestrutura tecnológica;
Criar alternativas diante das restrições dos Estados Unidos a chips avançados.
A disputa por chips de IA cresce na China, com empresas como Huawei, Alibaba e Baidu buscando alternativas próprias. – Imagem: THINK A / Shutterstock
DeepSeek entra em disputa por semicondutores na China
Atualmente, a DeepSeek utiliza chips da Nvidia e da Huawei. O modelo R1, que chamou atenção pelo baixo custo de operação e provocou impacto no mercado de tecnologia em janeiro de 2025, foi treinado com o H800 da Nvidia, criado para o mercado chinês e posteriormente proibido pelos Estados Unidos.
Com as restrições americanas, a Huawei ganhou espaço no mercado interno de chips de IA. Ao mesmo tempo, concorrentes como Alibaba e Baidu passaram a desenvolver seus próprios componentes para disputar esse segmento.
A DeepSeek também tem procurado parceiros para avançar no projeto, incluindo empresas de design de chips, fabricantes de semicondutores e companhias de memória. A startup aumentou a contratação de engenheiros especializados, mas mantém esse movimento de forma discreta.
Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek, afirmou em uma entrevista concedida em 2024 que os controles de exportação de chips representam um desafio para a companhia.
DeepSeek procura parceiros de design, fabricação e memória para avançar no desenvolvimento do novo chip. – Imagem: Tada Images/Shutterstock
Produção de chip próprio ainda enfrenta obstáculos
Desenvolver um chip capaz de competir no mercado exige anos de trabalho, investimentos elevados e acesso a tecnologias avançadas de fabricação. Esse último ponto é um dos principais desafios para empresas chinesas, que enfrentam limitações relacionadas a equipamentos e componentes estratégicos.
A Nvidia está zerada na China e assim permanecerá. A DeepSeek tem quase nenhuma chance de vender seus chips fora da China, a menos que obtenha acesso a tecnologias de fabricação de ponta.
Richard Windsor, analista da Radio Free Mobile, à Reuters
A busca por autonomia tecnológica acontece junto com uma mudança financeira na DeepSeek. Segundo a Reuters, a empresa pretende captar US$ 7 bilhões (aproximadamente R$ 37,8 bilhões) em uma rodada inicial, com avaliação estimada entre US$ 52 bilhões e US$ 59 bilhões (cerca de R$ 280 bilhões a R$ 318 bilhões).
O projeto mostra que a corrida da inteligência artificial está se tornando uma disputa por toda a cadeia tecnológica, desde os modelos usados pelos consumidores até os chips que permitem seu funcionamento.
Além do histórico de pesquisas e da navegação realizada por meio das plataformas da companhia, a nova política passa a abranger arquivos enviados pelos usuários, como imagens, áudios e vídeos. Segundo o Google, os dados também podem ser empregados para aprimorar seus serviços e reforçar mecanismos de segurança.
A alteração atinge ferramentas como Search, Maps, Shopping, Flights, Hotels, Translate e News, enquanto o Google Photos permanece fora dessa política. A empresa afirma que os usuários podem modificar as configurações para impedir o armazenamento dessas informações.
Mudança amplia uso de informações para aperfeiçoar inteligência artificial
Busca do Google – Imagem: Mijansk786/Shutterstock
A atualização nas configurações de privacidade permite que o Google armazene o histórico de pesquisas, dados de páginas acessadas por intermédio de seus serviços, respostas produzidas por inteligência artificial generativa e conteúdos enviados pelos próprios usuários. Entre esses materiais estão imagens, documentos, gravações de áudio e vídeos.
Conforme a documentação disponibilizada pela empresa, esse histórico também pode ser utilizado para desenvolver e aperfeiçoar seus produtos, incluindo modelos de inteligência artificial generativa, além de contribuir para medidas de proteção voltadas ao público, aos usuários e à própria plataforma, com apoio de revisores humanos.
A empresa informou que a implementação ocorrerá de forma gradual nos próximos meses e destacou que o Google Photos não faz parte das alterações anunciadas.
O movimento acompanha uma tendência observada entre empresas do setor de inteligência artificial, que passaram a recorrer cada vez mais às interações cotidianas dos usuários com serviços digitais como fonte de dados para aperfeiçoar seus sistemas, reduzindo a dependência exclusiva de conteúdos coletados na internet.
Empresa vai recorrer – Imagem: daily_creativity/Shutterstock
Outras companhias já adotam estratégias semelhantes. A OpenAI mantém o compartilhamento de dados ativado por padrão em contas de consumidores, embora permita que o usuário desative essa opção. Já a Anthropic utiliza um sistema de adesão voluntária para empregar conversas e sessões de programação na melhoria de seus modelos, desde que a configuração permaneça habilitada.
A reportagem lembra ainda que a Meta iniciou, no ano passado, o uso de publicações públicas de usuários europeus para desenvolver tecnologias de inteligência artificial e também enfrentou questionamentos relacionados ao uso de conteúdos captados por seus óculos equipados com IA.
Segundo o Google, os usuários que não desejarem participar desse processo podem desativar separadamente as opções “Search Services History” e “Save Media”. A empresa também oferece configurações para apagar automaticamente os dados armazenados após períodos de três, 18 ou 36 meses.
A Alibaba vai proibir seus funcionários de usar as ferramentas de inteligência artificial (IA) da Anthropic para fins de trabalho a partir desta sexta-feira (10).
A empresa chinesa incluiu o Claude Code em uma lista interna de softwares de alto risco, alegando que a companhia estadunidense representa riscos de segurança por meio de backdoors. A informação foi confirmada pela CNBC com pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato para falar sobre operações internas.
Os funcionários da Alibaba estão sendo obrigados a desinstalar todos os modelos e produtos de agentes da Anthropic e a adotar o assistente de IA próprio da empresa chinesa, chamado Qoder.
O contexto da decisão
A medida ocorre após a Anthropic enviar, em junho, uma carta ao Comitê do Senado dos Estados Unidos sobre Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos;
No documento, a empresa estadunidense acusou a Alibaba de tentar extrair suas capacidades de IA de forma “descarada” e “ilícita”, classificando a ação como “o maior ataque de destilação conhecido” contra ela até o momento;
Os termos de serviço da Anthropic proíbem empresas chinesas e de outras “nações adversárias” de usar seus modelos;
A decisão da Alibaba coincide ainda com uma onda de reações negativas na China contra a Anthropic, após publicações no Reddit e no GitHub descreverem o uso de código oculto destinado a detectar se usuários estariam baseados no país.
Empresa dos EUA acusa a chinesa de ataque de destilação – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
O Financial Timesreportou na sexta-feira (3) que a Anthropic está tomando medidas para fechar brechas que permitiram a empresas chinesas contornar as restrições e acessar o Claude por meio de terceiros países.
O jornal britânico citou fontes segundo as quais o grupo de fintech Ant teria fornecido a funcionários contas corporativas do Claude acessadas pela intranet da empresa, conectada à sua entidade sediada em Singapura.
Ainda segundo o FT, a ByteDance, controladora do TikTok, não facilita o acesso ao Claude, mas iniciou um programa de reembolso que permite a engenheiros registrar assinaturas pessoais como despesas, acessadas por redes privadas virtuais.
Uma pessoa familiarizada com o assunto disse à CNBC que a política, divulgada em 2 de abril, tem como objetivo incentivar os funcionários a “experimentar e aprender” sobre uma gama mais ampla de produtos de IA para aprimorar suas habilidades. A pessoa pediu anonimato para falar sobre políticas internas.
Ant e ByteDance não comentaram o relato do Financial Times. Alibaba e Anthropic também não se manifestaram.
A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura dos Estados Unidos (CISA, na sigla em inglês) está utilizando o modelo de inteligência artificial Mythos, desenvolvido pela Anthropic, para auditar códigos de software do governo em busca de vulnerabilidades de segurança. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) por três fontes com conhecimento do assunto à Reuters.
Segundo as fontes, a ferramenta está sendo empregada para analisar repositórios de código do governo estadunidense em busca de falhas que possam ser exploradas por espiões estrangeiros ou criminosos cibernéticos.
De acordo com uma das fontes, o trabalho de análise está sendo conduzido pela equipe Attack Surface Evaluation, unidade da CISA responsável por realizar avaliações de segurança digital e exercícios de invasão em órgãos do governo.
Duas das fontes afirmaram que as auditorias já identificaram um grande número de vulnerabilidades, mas não forneceram detalhes. A Reuters não conseguiu confirmar quanto código-fonte já foi analisado nem a quantidade, a natureza ou a gravidade das falhas encontradas.
Relação conturbada entre Anthropic e governo dos EUA
A utilização do Mythos pela CISA ocorre em meio a uma relação marcada por tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos.
A empresa, sediada em San Francisco e que apresentou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO) nos Estados Unidos, enfrentou um dos momentos mais delicados dessa relação em fevereiro, quando se recusou a remover mecanismos de proteção que impediam que sua inteligência artificial fosse utilizada em armas autônomas ou em sistemas de vigilância doméstica.
Como consequência, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou formalmente a Anthropic como um risco para a cadeia de suprimentos, uma designação que, até então, havia sido aplicada apenas a empresas estrangeiras suspeitas de facilitar atividades de espionagem.
Essa medida acabou sendo bloqueada por um juiz em março. Desde então, o conflito diminuiu após o lançamento privado do Mythos, modelo de inteligência artificial descrito como altamente capaz de identificar e explorar vulnerabilidades de segurança cibernética.
Outras agências federais também estariam utilizando a IA da Anthropic – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Segundo informações publicadas anteriormente pelo Axios, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) utiliza o Mythos desde pelo menos abril, mesmo durante o período em que a classificação de risco ainda estava em vigor.
No fim do mês passado, o jornal The New York Times informou que analistas da NSA vinham testando o modelo em ambientes classificados e haviam ficado impressionados com suas capacidades.
Posteriormente, a Anthropic lançou uma versão pública do Mythos chamada Fable, que, segundo a empresa, incluía mecanismos de proteção voltados para segurança cibernética.
Após esse lançamento, a Casa Branca exigiu que a Anthropic impedisse o acesso de usuários estrangeiros ao modelo. A decisão provocou uma suspensão global da ferramenta, que só foi encerrada na semana passada.
O que dizem os citados
A Reuters procurou a Anthropic, que não respondeu aos questionamentos sobre a iniciativa. Um representante da CISA informou no mês passado que verificaria se havia informações que poderiam ser compartilhadas sobre o projeto, mas não respondeu aos contatos posteriores. Por fim, a NSA não quis comentar o assunto.
A inteligência artificial pode ser uma das protagonistas das eleições de 2026. As ferramentas já são capazes de criar imagens, vídeos, áudios e textos cada vez mais realistas, ampliando o risco de disseminação de conteúdos falsos e manipulados capazes de influenciar o eleitorado.
Para enfrentar esse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma série de mudanças nas regras da propaganda eleitoral. As novas normas estabelecem limites para o uso da IA por candidatos, partidos, federações e plataformas digitais, além de criar mecanismos para aumentar a transparência e combater a desinformação.
As alterações fazem parte da Resolução nº 23.755/2026, que atualiza a Resolução nº 23.610/2019, responsável por disciplinar a propaganda eleitoral. As regras valerão durante toda a campanha das eleições 2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com votação para os cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador de estado e do Distrito Federal, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
Para a advogada Tayná Frota de Araújo, do VLK Advogados, a principal mudança é que esta será a primeira eleição geral realizada sob um conjunto mais estruturado de regras para o uso da inteligência artificial. Segundo ela, a resolução cria medidas preventivas, reforça a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e estabelece novas responsabilidades para plataformas digitais.
Uso de IA continua permitido, mas com regras
A Justiça Eleitoral não proibiu o uso da inteligência artificial nas campanhas.
Candidatos e partidos poderão utilizar ferramentas de IA para produzir materiais de divulgação, desde que respeitem as regras estabelecidas pelo TSE:
A principal delas é a obrigatoriedade de informar de maneira clara quando um conteúdo for criado ou significativamente alterado por inteligência artificial;
A identificação deverá ser explícita, estar destacada e facilmente acessível ao eleitor;
A exigência vale para todos os formatos de conteúdo, incluindo textos, imagens, vídeos e áudios.
O objetivo é garantir transparência e impedir que eleitores confundam materiais sintéticos com registros reais de acontecimentos.
Uma das principais preocupações da Justiça Eleitoral é o uso de deepfakes. Segundo o TSE, a utilização desse tipo de material para prejudicar ou favorecer candidaturas está proibida. Também não será permitido divulgar conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados que possam comprometer a integridade do processo eleitoral ou induzir o eleitor ao erro.
A norma ainda reforça que permanece proibida qualquer forma de desinformação capaz de afetar o equilíbrio da disputa eleitoral.
A advogada Beatriz Haikal, sócia fundadora do BBL Advogados, explica que a regulamentação não impede o uso da tecnologia, mas estabelece critérios para separar o uso legítimo da propaganda irregular.
Segundo ela, ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar peças gráficas, avatares e outros materiais de campanha, desde que haja transparência quando o conteúdo for significativamente alterado. Já a fabricação de cenas falsas utilizando voz ou imagem de pessoas reais continua proibida.
Willians Sebriam, advogado da Revio, complementa que a principal preocupação do TSE é impedir que a tecnologia seja utilizada para fabricar situações inexistentes.
O uso de IA não foi banido das campanhas, ele foi regulamentado. O TSE entende que a tecnologia é uma ferramenta legítima de eficiência e criatividade de forma que um candidato pode usar IA de forma 100% regular, desde que respeite os princípios da transparência e da veracidade.
Willians Sebriam, advogado da Revio
Candidatos podem usar IA, mas com regras – Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Restrição no período próximo à votação
Outra novidade para as eleições deste ano é a criação de uma janela de restrição para conteúdos produzidos com inteligência artificial.
Entre as 72 horas que antecedem o primeiro e o segundo turno e as 24 horas posteriores ao encerramento da votação, fica proibida a publicação, o compartilhamento e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial.
Caso a regra seja descumprida, as plataformas deverão retirar o conteúdo do ar imediatamente, por iniciativa própria ou mediante determinação da Justiça Eleitoral.
Segundo Haikal, a “janela de silêncio” foi criada para evitar o chamado “efeito calúnia de véspera”, quando um conteúdo falso viraliza às vésperas da votação e não há tempo suficiente para contestação ou decisão judicial antes de o eleitor ir às urnas.
Plataformas também terão novas responsabilidades
As novas regras também ampliam a responsabilidade dos provedores de internet no combate à desinformação eleitoral.
Quando detectarem ou forem comunicadas sobre conteúdos considerados ilícitos, as plataformas deverão adotar medidas imediatas para interromper a divulgação dessas publicações;
Entre as providências previstas estão a suspensão do impulsionamento, da monetização e do acesso ao conteúdo;
As empresas também ficam proibidas de recomendar, ranquear ou favorecer candidatos e partidos por meio de sistemas de inteligência artificial.
Segundo o TSE, o objetivo é impedir que algoritmos interfiram na decisão do eleitor ou ofereçam tratamento privilegiado a determinadas candidaturas.
Para Tayná Frota de Araújo, a mudança reforça que as plataformas deixam de ter um papel apenas reativo. A advogada explica que, uma vez informadas sobre uma decisão da Justiça Eleitoral, elas deverão agir rapidamente para remover conteúdos ilícitos e impedir que publicações idênticas ou substancialmente equivalentes continuem circulando.
Além disso, os provedores deverão criar mecanismos de conformidade para reduzir riscos ao processo eleitoral e disponibilizar canais específicos para que candidatos e partidos possam denunciar irregularidades com maior rapidez.
As resoluções também estabelecem regras para influenciadores digitais. Este ano, continua proibida a contratação de pessoas físicas ou jurídicas para divulgar propaganda eleitoral em perfis pessoais mediante pagamento ou qualquer outro tipo de vantagem econômica.
TSE prevê combinação entre fiscalização e denúncias para impedir conteúdos com desinformação gerada por IA – (Imagem gerada por IA via DALL-E/Olhar Digital)
Como o TSE pretende identificar conteúdos manipulados
A identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial é um dos principais desafios das eleições de 2026.
De acordo com Haikal, a estratégia combina perícia técnica e mecanismos jurídicos. Ela explica que os tribunais poderão firmar parcerias com universidades e órgãos especializados para realizar perícias digitais.
Nos casos em que a comprovação da fraude for excessivamente difícil, o juiz poderá inverter o ônus da prova e exigir que o responsável pela publicação demonstre como o conteúdo foi produzido.
Para Sebriam, esse é justamente o maior desafio técnico das eleições. Segundo ele, provar que uma imagem ou um vídeo foi produzido por inteligência artificial é um processo complexo, razão pela qual a Justiça Eleitoral deverá recorrer tanto a especialistas quanto ao mecanismo de inversão do ônus da prova para acelerar a análise dos casos.
Quem violar as normas poderá sofrer diferentes tipos de sanções:
Além da remoção imediata do conteúdo, a legislação prevê multa entre R$ 5 mil e R$ 30 mil para casos relacionados à propaganda eleitoral irregular;
Dependendo da gravidade da conduta, também poderão ser aplicadas outras punições previstas na legislação eleitoral;
Nos casos em que houver abuso do poder político ou uso indevido dos meios de comunicação, a Justiça Eleitoral poderá determinar a cassação do registro de candidatura ou até mesmo do mandato;
O responsável ainda poderá responder por crimes eleitorais e por outras infrações relacionadas à propaganda irregular.
A fiscalização não ficará restrita à Justiça Eleitoral. Qualquer cidadão poderá comunicar a existência de conteúdos falsos ou manipulados por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), ferramenta criada para receber denúncias sobre publicações capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral.
Apesar do avanço das regras, Araújo avalia que ainda existem desafios importantes para a fiscalização. Segundo ela, a maior dificuldade será identificar rapidamente quem criou, financiou ou impulsionou conteúdos manipulados, principalmente quando eles circularem por grupos fechados de aplicativos de mensagens ou forem republicados por terceiros.
Famílias de alta renda nos Estados Unidos estão pagando valores elevados para matricular crianças em instituições que usam inteligência artificial como parte central do ensino. O modelo transforma alunos em participantes de testes de novas ferramentas educacionais.
A iniciativa ganhou espaço entre empresários e investidores ligados ao setor de tecnologia, especialmente no Vale do Silício. Empresas como Forge Prep e Alpha School passaram a oferecer programas privados que substituem parte do formato escolar tradicional por tutores de IA e atividades guiadas por projetos.
O movimento ocorre em meio ao debate sobre os limites da inteligência artificial na educação. Apesar do entusiasmo de alguns pais, ainda não há comprovação apresentada por essas empresas de que o método produza melhores resultados acadêmicos.
Escolas experimentais vendem uma nova proposta de aprendizado
As instituições que adotaram esse modelo apresentam a inteligência artificial como uma alternativa para repensar a educação convencional. A promessa é desenvolver crianças mais preparadas para resolver problemas e lidar com situações do mundo real, em vez de apenas memorizar conteúdos.
Um dos defensores dessa visão é Shaun Johnson, investidor de capital de risco de San Francisco. De acordo com o empresário, a educação tradicional apresenta falhas e novas iniciativas poderiam estimular habilidades como adaptação e pensamento independente. Ele afirmou ao The Wall Street Journal que sua intenção era oferecer ao filho uma formação voltada menos para a repetição de informações e mais para a capacidade de enfrentar desafios.
Apesar desse argumento, o texto aponta críticas à ideia de que sistemas de inteligência artificial sejam capazes de desenvolver plenamente esse tipo de competência. A avaliação considera que essas ferramentas podem apresentar comportamento excessivamente concordante e não necessariamente incentivar o pensamento crítico das crianças.
Outro ponto de preocupação envolve a abordagem de temas considerados sensíveis. MacKenzie Price, cofundadora da Alpha School, declarou que pretende evitar questões políticas e sociais controversas nas salas de aula. A reportagem do TWSJ questionou se essa escolha poderia limitar discussões sobre assuntos históricos e sociais importantes, especialmente em turmas que chegam ao ensino médio.
Além das dúvidas sobre conteúdo, existe uma falta de transparência sobre os resultados obtidos. Segundo a reportagem, empresas como a Forge não divulgam indicadores de desempenho que permitam avaliar se seus métodos realmente melhoram a aprendizagem dos estudantes.
A ausência de dados comparáveis também aparece como um dos principais obstáculos para medir o impacto dessas instituições. Diferentemente das escolas públicas, essas organizações privadas não têm a mesma obrigação de apresentar indicadores educacionais aos órgãos estaduais, o que dificulta uma análise independente sobre a eficiência dos métodos adotados.
Sobre as escolas e suas ementas curriculares
Imagem: Jacob Wackerhausen / iStock
Entre as instituições que ganharam destaque está a Alpha School, criada em Austin, no Texas. A rede, voltada principalmente ao ensino fundamental, expandiu sua presença nos Estados Unidos e passou a oferecer unidades em diferentes regiões do país, além de uma plataforma de educação domiciliar baseada em um currículo voltado ao desenvolvimento de habilidades.
O crescimento da escola acompanha uma mudança no perfil dos pais interessados em alternativas educacionais. Muitos deles acreditam que a inteligência artificial terá impacto significativo na economia e, por isso, consideram que modelos tradicionais de ensino podem não preparar adequadamente os estudantes para um ambiente profissional em transformação.
Nesse cenário, a Alpha aposta em uma combinação entre tecnologia e atividades presenciais. O sistema acompanha as interações dos alunos e utiliza essas informações para ajustar conteúdos futuros, criando uma sequência de aprendizagem individualizada conforme o desempenho de cada estudante.
Quanto mais IA, maior o investimento financeiro
(Imagem: Hamara/Shutterstock)
A proposta também atraiu famílias dispostas a investir valores elevados na formação dos filhos. Shaun Johnson, investidor de capital de risco de San Francisco, escolheu a instituição para o filho após demonstrar insatisfação com a escola pública definida por um sistema de loteria local e não considerar suficientemente atraentes as opções privadas convencionais.
A escola cobra cerca de US$ 75 mil por ano na unidade frequentada pelo filho de Johnson. Para o investidor, o principal atrativo não está apenas na presença da inteligência artificial, mas na possibilidade de oferecer um percurso educacional ajustado às necessidades específicas de cada criança.
A expansão desse modelo também despertou interesse de pesquisadores e educadores que analisam seus possíveis efeitos. Caroline Hoxby, professora da Universidade de Stanford, afirma que a aprendizagem baseada em projetos possui uma longa trajetória histórica, mas ressalta que a integração com sistemas de inteligência artificial ainda representa uma mudança recente.
Segundo a pesquisadora, pais ligados ao setor de tecnologia tendem a aceitar com mais facilidade novas ferramentas educacionais porque acreditam que a inteligência artificial substituirá tarefas baseadas em repetição e padrões. No entanto, ela alerta que a falta de estudos robustos impede conclusões definitivas sobre os benefícios dessas experiências.
A discussão também envolve a própria identidade dos profissionais que atuam nessas escolas. Victor Lee, professor da Escola de Educação de Stanford, avalia que a substituição do termo “professor” por denominações como “guia” ou “mentor” pode reduzir a valorização da preparação e das habilidades necessárias para exercer a docência.
Imagem: Phonlamai Photo/Shutterstock
A Alpha, por sua vez, afirma que a escolha dos termos ocorreu por decisão dos próprios profissionais da rede. A porta-voz Anna Davlantes declarou que os guias participaram de uma votação e optaram por não utilizar a denominação tradicional de professores.
Outro exemplo da expansão do modelo vem de Renzi Stone, empresário de Oklahoma City, que passou a utilizar a plataforma doméstica da Alpha para o filho. Depois de investir mais de US$ 300 mil em educação privada para os dois filhos ao longo dos anos, ele afirmou ver na inteligência artificial uma oportunidade de transformar o uso de telas em uma experiência mais produtiva.
Na Forge Prep, a procura pela proposta também aumentou. O fundador Anand Sanwal informou ter recebido centenas de inscrições para novas turmas, embora a escola mantenha inicialmente um número limitado de estudantes. A instituição pretende ampliar gradualmente sua estrutura até atender alunos do ensino médio.
Além do currículo voltado para habilidades práticas, a Forge criou um incentivo para estudantes que decidirem abrir empresas após a conclusão dos estudos. Alunos que seguirem esse caminho poderão receber investimento financeiro da própria escola, segundo a proposta apresentada pela instituição.
Sanwal defende que a tecnologia deve ser utilizada como instrumento de criação, e não apenas como meio de consumo de informação. Para ele, a velocidade das mudanças atuais exige uma reformulação da educação para preparar estudantes diante de um cenário diferente daquele enfrentado pelas gerações anteriores.
Se você usa o Google no dia a dia, existe uma boa chance de estar contribuindo, mesmo sem perceber, para o treinamento de inteligência artificial da empresa. Uma atualização recente nas configurações de privacidade trouxe isso de forma mais clara — e mais ampla também.
Segundo o TechCrunch, o Google passou a incluir novos tipos de dados nesse processo, incluindo mídias como imagens, áudios e vídeos.
Usuários podem estar contribuindo com dados para IA do Google sem perceber após nova mudança nas configurações. – Imagem: @Freepik/Freepik
O que entra nessa nova coleta de dados
A mudança foi enviada aos usuários por e-mail em junho e mexe diretamente na forma como o histórico de atividades é tratado dentro dos serviços do Google.
E aqui não estamos falando só de buscas. O escopo ficou maior.
Na prática, qualquer interação dentro do ecossistema pode entrar nesse fluxo de dados usado para melhorar sistemas de IA.
Entre os serviços impactados estão:
Google Lens (busca por imagem, fotos e câmera)
Google Maps e ferramentas de localização
Google Tradutor
Google Shopping e Notícias
Pesquisas por voz no aplicativo do Google
Fotos, vídeos e gravações de voz podem ser armazenados pelo Google para aprimorar modelos de inteligência artificial. – Imagem: BrianAJackson/iStock
O que muda para o usuário na prática
O Google criou duas novas opções de controle: “Histórico de Serviços de Pesquisa” e “Recomendações Personalizadas”. Elas definem como seus dados são armazenados e usados na personalização da experiência.
Mas tem um ponto que chama atenção. Não é só texto ou histórico simples. Fotos, vídeos e gravações de áudio também entram nessa equação.
Uma imagem enviada no Lens, por exemplo. Ou uma pesquisa por voz. Tudo isso pode ser armazenado e reutilizado no treinamento de IA.
O TechCrunch observa que essa prática acompanha um movimento mais amplo da indústria — empresas estão cada vez mais usando dados reais de usuários para treinar modelos de inteligência artificial.
Como o usuário pode controlar isso
Apesar da mudança, o Google não removeu as opções de controle. Dá para ajustar — ou até desligar parte desse uso — direto nas configurações da conta.
O usuário pode escolher quanto tempo os dados ficam armazenados e também limitar o uso de mídias para treinamento.
Desative “Salvar Mídias” nas configurações de pesquisa Impede que fotos, vídeos e áudios sejam armazenados e usados no treinamento de IA.
Ajuste o “Histórico de Serviços de Pesquisa” Reduz o uso das suas buscas e atividades na personalização e no treino de sistemas.
Controle o tempo de retenção dos dados Define por quanto tempo suas informações ficam salvas, diminuindo o volume de dados coletados.
Gerencie “Atividade na Web e de Apps” separadamente Limita o registro geral do seu uso nos serviços do Google.
Desative “Recomendações Personalizadas” Evita que seu comportamento seja usado para ajustar sugestões e melhorar sistemas de IA.
Configurações de privacidade do Google agora permitem maior controle sobre uso de dados pessoais. – Imagem: babar ali 1233/Shutterstock
Uma mudança silenciosa, mas com efeito real
O Google também reorganizou suas configurações: o histórico de buscas agora aparece separado das demais atividades. E isso muda a forma como o controle de privacidade funciona na prática.
A ideia é melhorar os modelos de IA com dados reais de uso. Mas há um detalhe importante — nem todo mundo vai perceber que isso mudou.
E esse talvez seja o ponto central da discussão. A coleta não é nova, mas ficou mais abrangente, mais integrada ao uso diário. E menos visível também.