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Meta lança assistente de IA para criadores no Facebook

A Meta anunciou nesta quinta-feira o lançamento de um novo assistente de inteligência artificial (IA) para criadores de conteúdo no Facebook. A ferramenta foi desenvolvida para fornecer recomendações personalizadas com base no estilo de publicação, desempenho, comunidade e objetivos de cada usuário.

Segundo a empresa, o recurso chega inicialmente para criadores nos Estados Unidos, Canadá e Índia. A proposta é facilitar o acesso a informações sobre desempenho e oferecer sugestões para a produção de novos conteúdos, sem que seja necessário navegar por diferentes gráficos e painéis de análise.

O novo assistente funciona por meio de conversas. Os criadores podem fazer perguntas como “Quando devo publicar?” ou “O que as pessoas estão dizendo nos meus comentários?” e receber respostas rápidas baseadas em sua própria atividade na plataforma.

O Creator Assistant permite que criadores façam perguntas em linguagem natural e recebam análises sobre audiência, comentários e desempenho de conteúdo – Imagem: Divulgação / Meta

Análises personalizadas e perguntas de acompanhamento

De acordo com a Meta, a ferramenta também permite aprofundar a análise dos dados por meio de perguntas adicionais. Os usuários podem, por exemplo, investigar como sua audiência mudou ao longo do tempo ou entender quais ações podem contribuir para melhorar o desempenho das publicações.

As respostas são geradas a partir da presença individual do criador na rede social e de informações relacionadas ao seu histórico de conteúdo. A empresa afirma que o assistente busca transformar dados de desempenho em orientações mais acessíveis e fáceis de interpretar.

Painel do Creator Assistant exibe métricas e recomendações para criadores no Facebook
O Creator Assistant reúne indicadores de desempenho e sugere ações para ajudar criadores a ampliar o alcance de seus conteúdos – Imagem: Divulgação / Meta

Além das métricas, o recurso pode ajudar na criação de novas publicações. O sistema utiliza informações sobre tendências para sugerir ideias de conteúdo, incluindo o uso de áudios em alta e temas relacionados a momentos culturais que estejam gerando interesse do público.

Meta busca manter criadores dentro de seu ecossistema

A iniciativa também faz parte da estratégia da Meta para manter criadores ativos no Facebook em meio à concorrência de plataformas como TikTok e YouTube.

Ao oferecer sugestões de conteúdo e análises diretamente no aplicativo, a empresa reduz a necessidade de recorrer a ferramentas externas para obter insights ou desenvolver ideias. Segundo a Meta, isso ajuda a concentrar essas atividades dentro de seu próprio ecossistema.

A expectativa é que o acesso facilitado a informações e recomendações estimule publicações mais frequentes, o que pode contribuir para aumentar o engajamento dos usuários na plataforma.

Ilustração do novo assistente de IA para criadores lançado pela Meta no Facebook
Meta anunciou um assistente de IA para ajudar criadores com análises de desempenho e sugestões de conteúdo no Facebook – Imagem: Divulgação / Meta

Traduções por IA ganham novos idiomas

Junto com o anúncio do assistente, a Meta informou a ampliação dos idiomas disponíveis para suas traduções por inteligência artificial no Facebook. Entre as novas opções estão árabe, bahasa indonésio, francês, tailandês e vietnamita.

A funcionalidade de tradução automática para Reels foi lançada no ano passado e tem como objetivo permitir que criadores alcancem públicos em diferentes idiomas. Segundo a empresa, a tecnologia preserva o tom de voz e o áudio original durante a tradução.

Os criadores também podem utilizar um recurso de sincronização labial que ajusta a tradução aos movimentos da boca do vídeo, tornando o resultado mais natural.

De acordo com a Meta, mais de 500 milhões de usuários assistem semanalmente a vídeos traduzidos por IA no Facebook.

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Demanda por chips de IA supera capacidade da TSMC, diz CEO

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), maior fabricante de semicondutores do mundo, afirmou que a crescente demanda por chips voltados à inteligência artificial (IA) continuará acima da capacidade de produção da empresa por um longo período. A avaliação foi feita pelo CEO da companhia, C.C. Wei, durante uma reunião de acionistas realizada nesta quinta-feira em Hsinchu, Taiwan, segundo informações divulgadas pela Reuters e Bloomberg.

Segundo o executivo, a procura por componentes avançados segue em ritmo acelerado, especialmente entre clientes dos Estados Unidos. Mesmo com a expansão da produção em território americano e novos investimentos anunciados pela empresa, a TSMC ainda não conseguirá atender integralmente às necessidades do mercado nos próximos anos.

A TSMC é a maior fabricante de semicondutores do mundo – Imagem: Ascannio / Shutterstock

Expansão não será suficiente para atender toda a demanda

Durante o encontro com acionistas, Wei afirmou que a empresa trabalha para evitar que sua capacidade produtiva se torne um obstáculo para a indústria, mas reconheceu que a situação continua desafiadora.

“A demanda dos clientes é tão alta, e nós só conseguimos atender até certo ponto”, disse o executivo. “Estamos fazendo o nosso melhor para garantir que a TSMC não se torne um gargalo.”

De acordo com Wei, levará um “tempo muito longo” até que a companhia consiga atender plenamente à demanda dos clientes. A observação vale inclusive para a produção baseada nos Estados Unidos, onde a fabricante vem ampliando sua presença industrial.

A TSMC já colocou em operação uma fábrica no Arizona e planeja investir US$ 165 bilhões na construção de três novas unidades de fabricação de chips, além de duas instalações avançadas de empacotamento e um centro de pesquisa e desenvolvimento.

IA impulsiona corrida por semicondutores

O avanço da inteligência artificial tem aumentado a procura por componentes utilizados em data centers e sistemas de computação avançada. Segundo Wei, a demanda gerada por esse mercado continuará pressionando a capacidade global de produção da TSMC pelos próximos anos.

A companhia ocupa uma posição central nesse ecossistema, produzindo semicondutores avançados utilizados por empresas como Nvidia e AMD. Ao mesmo tempo, grandes operadores de infraestrutura tecnológica devem investir US$ 725 bilhões em inteligência artificial apenas neste ano, ampliando ainda mais a necessidade de novos chips.

A forte procura já provoca impactos em outros segmentos da indústria. O mercado de memória, por exemplo, enfrenta restrições de oferta, com a escassez de RAM e NAND Flash sendo apontada como um problema que pode persistir por anos.

TSMC mantém perspectiva positiva para 2026

Apesar das limitações de capacidade, a empresa manteve uma visão otimista para seus resultados financeiros. Wei reiterou a previsão de que a TSMC registrará crescimento de vendas superior a 30% em 2026, projeção que havia sido elevada recentemente pela companhia.

O executivo também afirmou que a fabricante não pretende adotar aumentos abruptos de preços semelhantes aos observados no setor de memória. Segundo ele, a prioridade da empresa é preservar a estabilidade dos negócios enquanto amplia sua capacidade de produção para acompanhar a expansão da inteligência artificial.

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OpenAI anuncia nova arquitetura de memória para o ChatGPT

A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (4) uma atualização em seu sistema de memória para o ChatGPT. Segundo a empresa, a novidade traz uma arquitetura mais avançada para sintetizar informações sobre os usuários, com o objetivo de melhorar a atualização de contexto, a continuidade entre conversas e a relevância das respostas ao longo do tempo.

De acordo com a companhia, a nova tecnologia começa a ser disponibilizada para assinantes dos planos Plus e Pro nos Estados Unidos e deverá chegar a outros países, além dos usuários dos planos Free e Go, nas próximas semanas. A mudança busca resolver desafios relacionados à obsolescência de informações, precisão dos dados armazenados e escalabilidade do sistema para centenas de milhões de usuários.

Como a memória do ChatGPT evoluiu

A OpenAI relembra que o recurso de memória foi lançado inicialmente em abril de 2024. Na época, o sistema permitia que o ChatGPT armazenasse informações fornecidas explicitamente pelos usuários para utilizá-las em conversas futuras.

OpenAI relembrou a trajetória do recurso de memórias salvas do ChatGPT – Imagem: Divulgação / OpenAI

Segundo a empresa, esse modelo dependia de comandos claros para registrar informações e funcionava de forma semelhante a anotações pontuais. Com o passar do tempo, porém, essas memórias poderiam se tornar desatualizadas ou perder relevância.

Em abril de 2025, a OpenAI ampliou a capacidade do ChatGPT ao introduzir a primeira versão do chamado Dreaming, um processo que permite ao modelo revisar o histórico de conversas e organizar memórias automaticamente em segundo plano. A proposta era reduzir a dependência de solicitações explícitas para armazenar informações.

Agora, a companhia afirma ter desenvolvido uma arquitetura de memória baseada nessa tecnologia, descrita como mais eficiente em termos computacionais e mais capaz de manter informações relevantes atualizadas.

Resumo de memórias ficará visível ao usuário

Uma das novidades anunciadas é a criação de uma página de resumo das memórias sintetizadas pelo sistema. Segundo a OpenAI, o recurso permitirá visualizar rapidamente os principais pontos que o ChatGPT conhece sobre cada usuário.

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Nova página de resumo de memória mostra informações que o ChatGPT reuniu sobre o usuário e permite corrigir ou remover dados, segundo a OpenAI – Imagem: Divulgação / OpenAI

A empresa diz que será possível revisar, corrigir, atualizar ou complementar essas informações diretamente pela interface. Os usuários também poderão indicar quais assuntos desejam que o chatbot considere com mais frequência em futuras interações.

Três objetivos para a memória

A OpenAI afirma que avalia a qualidade do sistema de memória com base em três critérios principais: a capacidade de manter informações relevantes entre conversas, o respeito a preferências e restrições informadas pelos usuários e a atualização dessas informações conforme o tempo passa.

Como exemplo, a companhia afirma que o ChatGPT pode lembrar detalhes de projetos de longo prazo, considerar preferências pessoais ao responder solicitações e atualizar automaticamente informações temporárias, como viagens concluídas ou eventos já encerrados.

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OpenAI afirma que a capacidade de recuperar informações factuais aumentou de 41,5% em 2024 para 82,8% em 2026 – Imagem: Divulgação / OpenAI

Nos testes internos divulgados pela empresa, a taxa de sucesso na recuperação de informações factuais passou de 41,5% no sistema de 2024 para 82,8% na nova geração de memória baseada em Dreaming. Já a aderência a preferências aumentou de 31,4% para 71,3%, enquanto a capacidade de manter informações corretas ao longo do tempo subiu de 9,4% para 75,1%.

Expansão para mais usuários

A OpenAI afirma que avanços recentes reduziram em aproximadamente cinco vezes o custo computacional necessário para operar o sistema Dreaming. Segundo a empresa, essa redução tornou viável ampliar o recurso para mais usuários e aumentar a capacidade de memória disponível nos planos pagos.

A companhia descreve a atualização como sua arquitetura de memória mais avançada até o momento e afirma que continuará trabalhando em melhorias futuras para o recurso.

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Projeto de lei nos EUA quer ajudar a regulamentar IA

Um grupo bipartidário de parlamentares da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentou uma proposta para limitar a atuação dos estados na regulamentação do desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.

O texto foi divulgado na quinta-feira pela deputada democrata Lori Trahan, de Massachusetts, e pelo republicano Jay Obernolte, da Califórnia. Pela proposta, os estados ficariam impedidos de aprovar leis direcionadas especificamente ao desenvolvimento de sistemas de IA.

Ao mesmo tempo, o projeto mantém a possibilidade de regulamentação do uso da tecnologia. Ou seja, as restrições previstas não se aplicariam a normas estaduais voltadas à forma como ferramentas de inteligência artificial são utilizadas por empresas, organizações ou cidadãos.

Projeto ainda pode sofrer alterações – (Imagem gerada com IA via DALL-E/Vitória Gomez/Olhar Digital)

Regulamentação da IA ainda está em fase inicial

Segundo a agência Reuters, a iniciativa ainda está em fase de discussão e poderá sofrer alterações antes de ser formalmente apresentada ao Congresso.

“Estamos divulgando esta versão preliminar para ouvir as partes interessadas, especialistas e o público, para que possamos aprimorar a legislação antes de sua apresentação formal”, disse Obernolte em comunicado.

A proposta surge em meio ao debate crescente sobre como regular a inteligência artificial nos Estados Unidos. Diferentes estados já discutem regras próprias para a tecnologia, enquanto o governo federal avalia possíveis marcos regulatórios de alcance nacional.

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Anthropic alerta para risco de perda de controle da IA

O avanço acelerado dos sistemas inteligentes pode fazer com que a humanidade perca o controle sobre a tecnologia. O alerta foi divulgado nesta quinta-feira (4) pelo The Anthropic Institute em um relatório sobre autoaperfeiçoamento.

A empresa revelou que a inteligência artificial já escreve mais de 80% do código integrado ao seu próprio sistema. O dado interno inédito acendeu o sinal de alerta sobre a velocidade da autonomia das máquinas.

Atualmente, os engenheiros da companhia entregam, em média, oito vezes mais código por trimestre do que registravam antes. Essa aceleração reduz drasticamente a dependência do trabalho estritamente humano.

No segundo trimestre de 2026, a produção individual saltou para 8 vezes a média anterior após a introdução do Claude Mythos Preview. As linhas tracejadas verticais correlacionam os picos de eficiência aos anúncios públicos de novos modelos. – Anthropic / Divulgação

Risco de autonomia total e recursiva

A tendência técnica aponta para o chamado autoaperfeiçoamento recursivo. O fenômeno ocorre quando uma inteligência artificial se torna capaz de projetar e treinar de forma totalmente autônoma o seu próprio sucessor tecnológico.

De acordo com o documento oficial da Anthropic, essa autonomia pode vir mais rápido do que as instituições estão preparadas. Sem supervisão humana direta, os métodos tradicionais de segurança e monitoramento perdem a eficácia.

O ritmo de execução de tarefas complexas concluídas sem intervenção humana já dobra a cada quatro meses. Em exames globais de engenharia de software, os sistemas atingiram saturação completa em apenas dois anos.

Capacidade sobre-humana em testes

A ferramenta Claude Mythos Preview alcançou uma capacidade de otimização considerada sobre-humana. O sistema atingiu uma aceleração de 52 vezes em testes internos de treinamento de pequenos modelos de inteligência artificial.

Em missões complexas e sem especificações detalhadas, a taxa de sucesso do software atingiu 76% em maio de 2026. O índice representa uma alta expressiva de 50 pontos percentuais em seis meses.

A revisão de segurança de novos códigos também foi delegada a um avaliador inteligente. A ferramenta automatizada foi capaz de interceptar um terço dos erros técnicos em análises retrospectivas de incidentes.

Proposta de trégua global

A Anthropic sugere que governos e laboratórios de ponta criem um mecanismo global de verificação conjunta. A estrutura permitiria monitorar se as empresas concorrentes estão respeitando normas rígidas de segurança.

O relatório propõe a aplicação de pausas temporárias supervisionadas no desenvolvimento global se os riscos fugirem do controle. A holding afirma que uma pausa unilateral apenas mudaria o líder da corrida tecnológica.

A empresa planeja organizar debates nos próximos meses com formuladores de políticas públicas para discutir o autoaperfeiçoamento de sistemas. O objetivo é envolver a sociedade civil nessa deliberação urgente.

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Até onde drones com inteligência artificial podem decidir na guerra?

Os drones armados com inteligência artificial estão no centro de um novo debate global: devem ter licença para matar? A discussão cresce à medida que guerras modernas ampliam o uso dessas tecnologias, com conflitos recentes como o da Ucrânia servindo de referência, alerta o the Guardian.

Especialistas, militares e pesquisadores não chegam a um consenso sobre até que ponto a autonomia das máquinas pode avançar em decisões de vida ou morte, nem se isso poderia ser considerado, de fato, um tipo de moralidade programada.

Sistemas autônomos em drones prometem mais eficiência no campo de batalha, mas aumentam o risco de erros em escala. Imagem: Anelo/Shutterstock

Pressão por mais autonomia em conflitos modernos

O avanço dos drones na guerra da Ucrânia e o uso crescente de inteligência artificial em operações militares ampliam o debate sobre o papel dessas tecnologias em conflitos armados. Em cenários recentes, incluindo operações relacionadas ao Irã, a IA já aparece como apoio em missões de bombardeio, reforçando a tendência de maior automação.

Esse movimento levanta dúvidas sobre até onde sistemas autônomos podem ir sem a supervisão humana direta. A ideia de uma “moralidade” artificial começa a ganhar espaço, embora ainda seja cercada de controvérsias.

David Omand, ex-diretor da agência britânica GCHQ, afirmou que a IA pode ajudar a estruturar decisões “moralmente orientadas” em armas não tripuladas. Já o ministro das Forças Armadas do Reino Unido, Al Carns, indicou que o futuro pode incluir uma redução significativa da participação humana em certas etapas decisórias.

Entre os principais pontos em discussão estão:

  • autonomia total ou parcial de drones militares;
  • uso de inteligência artificial em decisões de ataque;
  • criação de regras éticas automatizadas;
  • impacto de falhas em escala ampliada e
  • ausência de consenso internacional sobre o tema
Drone militar voa no céu e um soldado está por perto e o controla
Debate global cresce sobre o papel da IA em drones militares e a possibilidade de decisões sem intervenção humana direta. Imagem: Maria Taran / Shutterstock

Drones com IA podem realmente tomar decisões morais?

A pesquisadora Zee Talat, da Universidade de Edimburgo, afirma que modelos de linguagem não são capazes de realizar julgamentos morais. Para ela, esses sistemas funcionam com base em probabilidades e padrões estatísticos, gerando a resposta mais provável a partir de grandes volumes de dados.

Se você tem uma máquina que é probabilística por natureza, ela tenderá para a resposta mais provável em uma situação. Será que acreditamos que a moralidade segue noções probabilísticas?

Zee Talat, pesquisadora da Universidade de Edimburgo, ao the Guardian.

Isso cria uma diferença fundamental em relação ao raciocínio humano. Enquanto pessoas levam em conta contexto social, histórico e emocional, as IAs apenas reproduzem correlações aprendidas durante o treinamento.

Talat questiona se é possível reduzir decisões éticas a cálculos estatísticos. Para ela, a moralidade não é um resultado técnico, mas um processo social e político em constante disputa.

Limites éticos e riscos no campo de batalha

Outros especialistas reforçam as dificuldades dessa tradução entre ética humana e código computacional. Andrew Rogoyski, da Universidade de Surrey, destaca que a moralidade é complexa, varia entre culturas e raramente gera consenso, o que dificulta sua implementação em sistemas automatizados.

Jessica Dorsey, professora de direito internacional na Universidade de Utrecht, alerta que ainda não há acordo global sobre como armas autônomas devem operar. Para ela, essa ausência de padronização aumenta o risco de decisões inconsistentes em situações reais de combate.

Um dos pontos mais sensíveis envolve a distinção entre civis e combatentes, prevista nas Convenções de Genebra. Qualquer erro nesse tipo de classificação pode ganhar proporções muito maiores quando reproduzido por sistemas automatizados em larga escala.

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A evolução dos drones militares com IA levanta dúvidas sobre ética, controle humano e responsabilidade em conflitos. Imagem: Mike Mareen/Shutterstock

Entre autonomia total e controle humano

Apesar das preocupações, há quem veja a ampliação da autonomia como uma necessidade operacional. Nicholas Wright, autor do livro Warhead, afirma que forças militares podem precisar de sistemas capazes de tomar decisões próprias para acompanhar o ritmo acelerado dos conflitos modernos.

Leia mais:

Na prática, porém, a tecnologia ainda está em estágio inicial. Startups nos Estados Unidos e na Europa desenvolvem drones de vigilância e ataque, mas seguem caminhos diferentes quando o assunto é autonomia total.

Olaf Hichwa, da empresa Neros, defende que a inteligência artificial deve apoiar o julgamento humano, não substituí-lo. Já outros executivos do setor apontam para usos mais avançados, como drones capazes de executar trajetórias e decisões táticas em missões específicas.

Ainda assim, mesmo com o avanço rápido da tecnologia, há um ponto de convergência entre especialistas. O desenvolvimento técnico avança em ritmo mais acelerado do que a construção de um consenso ético e legal capaz de regulá-lo.

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IA do Google pode ser treinada com código de apps Android

O Google estaria oferecendo pagamento a desenvolvedores da Play Store para ter acesso ao código de aplicativos Android e usar esse material no treinamento de suas ferramentas de inteligência artificial. A informação foi revelada pela 404 Media.

A proposta faz parte de um programa piloto confidencial e envolve tanto aplicativos ativos quanto projetos antigos, o que acabou levantando novas discussões sobre como esses dados podem ser usados no desenvolvimento de IA.

Programa piloto do Google envolve acesso a código-fonte de apps da Play Store, incluindo projetos antigos, para treinar IA. Imagem: PixieMe/Shutterstock

Como funciona a iniciativa do Google

Segundo e-mails enviados a desenvolvedores, o Google convidou um grupo seleto de criadores da Play Store para participar de um “projeto piloto de oferta de conteúdo”. A ideia é simples: pagar para ter acesso ao código e, assim, gerar uma fonte extra de receita para quem aceitar participar.

Na prática, a empresa quer trabalhar com bases de código reais para melhorar suas ferramentas de desenvolvimento e produtos de IA. Esse material inclui desde aplicativos que estão em funcionamento até projetos que já foram abandonados ou arquivados.

Entre os principais pontos da oferta estão:

  • pagamento pelo acesso ao código-fonte;
  • inclusão de projetos antigos e protótipos;
  • uso do código para treinar ferramentas de IA;
  • manutenção dos direitos de propriedade pelos desenvolvedores;
  • contrato não exclusivo, permitindo outros usos do código.

Mesmo que o e-mail nem sempre fale diretamente sobre inteligência artificial, os links presentes nele levam a páginas que deixam claro o foco em melhorar produtos de IA do Google.

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Google e desenvolvedores discutem uso de código de aplicativos para evolução de ferramentas de IA. Reprodução: Chris Ried/Unsplash – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Por que o Google está buscando esse tipo de dado

Esse movimento acontece em meio a uma disputa intensa entre grandes empresas de tecnologia pelo avanço em inteligência artificial, principalmente na área de geração de código. Empresas como Microsoft, com o Copilot, e a Anthropic, com o Claude, já têm forte presença nesse mercado.

Segundo a reportagem, essa estratégia também pode indicar que o Google ainda enfrenta dificuldades para encontrar dados suficientes e de boa qualidade na web aberta para treinar seus modelos.

A empresa já fez algo parecido antes, como no acordo de US$ 60 milhões (cerca de R$ 300 milhões) com o Reddit para acesso a conteúdos da plataforma.

Gemini vs ChatGPT vs Claude:
Desenvolvedores relatam termos pouco claros em iniciativa do Google que usa código de apps para treinar IA. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Debate sobre dados e transparência

O ponto mais sensível dessa iniciativa é a transparência. Desenvolvedores ouvidos pela reportagem afirmam que o programa é apresentado como confidencial e que a participação seria voluntária, mas com termos que nem sempre são totalmente claros.

Leia mais:

O Google, por outro lado, diz que o objetivo é “ajudar a aprimorar ferramentas e produtos”, reforçando que o código compartilhado continua sendo propriedade dos desenvolvedores.

Ainda assim, o caso levanta dúvidas sobre até que ponto empresas podem usar código de terceiros para treinar sistemas de IA, especialmente em um cenário em que dados de qualidade se tornaram um dos principais desafios do setor.

O que isso pode mudar no futuro

Se o projeto avançar, o Google pode ampliar bastante o acesso a códigos reais de aplicativos, o que tende a melhorar o desempenho de suas ferramentas de programação por IA.

Ao mesmo tempo, essa iniciativa pode abrir uma nova forma de renda para desenvolvedores, que passariam a ganhar não só com seus aplicativos, mas também com o código por trás deles.

No fim, o debate continua girando em torno do equilíbrio entre inovação, privacidade e uso de dados — um tema que segue no centro das discussões sobre inteligência artificial.

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Google anuncia Gemma 4 12B para rodar IA local com 16GB

O Google anunciou nesta quarta-feira (03) o novo modelo de inteligência artificial Gemma 4 12B. Ele foi lançado para executar tarefas de agentes multimodais diretamente em notebooks. A tecnologia processa áudio e visão sem a necessidade de depender de hardware em nuvem.

Segundo o comunicado oficial de lançamento, a família de modelos Gemma ultrapassou a marca de 150 milhões de downloads. O novo integrante de tamanho médio preenche a lacuna entre as versões E4B e 26B.

A novidade opera localmente em computadores equipados com apenas 16GB de VRAM ou memória unificada. Trata-se do primeiro modelo intermediário da linha a trazer suporte nativo para entradas de áudio.

Arquitetura unificada reduz latência

O sistema elimina os codificadores multimodais separados, comumente usados para traduzir imagens e sons. Os dados visuais e sonoros fluem diretamente para o núcleo do modelo de linguagem.

Sistemas tradicionais utilizam componentes divididos que aumentam o consumo de memória e a latência. Para mitigar o problema, o Gemma 4 12B foi treinado com uma estrutura nativa e simplificada.

O processamento de visão utiliza um módulo leve de incorporação baseado em uma matriz única de multiplicação. O sinal de áudio bruto é projetado diretamente no mesmo espaço dimensional dos tokens de texto.

Desempenho próximo a modelos maiores

Nos testes de referência de eficiência, a versão de 12 bilhões de parâmetros alcançou resultados próximos ao modelo 26B MoE. O consumo total de memória, contudo, caiu para menos da metade.

Gemma 4 12B benchmark – Google / Divulgação

Essa otimização viabiliza fluxos de trabalho complexos e o funcionamento de agentes autônomos em hardware convencional. O modelo também inclui preditores de múltiplos tokens para reduzir o tempo de resposta.

O ecossistema foi disponibilizado publicamente sob os termos da licença de código aberto Apache 2.0. Desenvolvedores podem acessar o código para criar automações locais e ferramentas personalizadas de segurança.

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Peça essencial dos chips de IA vira alvo de alerta nos EUA

A corrida da inteligência artificial ganhou um novo foco, e ele está longe dos próprios chips. Autoridades e empresas dos EUA passaram a olhar com mais atenção para as placas de circuito impresso usadas em sistemas de IA, explica a CNBC.

Essenciais para o funcionamento de praticamente qualquer eletrônico moderno, essas placas agora são vistas como um possível risco à segurança nacional. O receio é que componentes maliciosos sejam inseridos discretamente durante a fabricação.

Dependência da China em peças essenciais da IA acende alerta de segurança nos EUA. Imagem: Pla2na/Shutterstock – Imagem: Pla2na/Shutterstock

O elo silencioso da inteligência artificial

Quando se fala em IA, quase toda a atenção vai para GPUs, data centers e empresas como Nvidia. Só que existe uma peça menos lembrada — e indispensável — nessa engrenagem: as placas de circuito impresso, conhecidas como PCIs.

Elas funcionam como a base que conecta os chips e permite a troca de sinais entre os componentes. Sem isso, simplesmente nada opera.

“Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC. “Eles precisam ser montados em uma placa para que todo o conjunto funcione corretamente.”

Só que existe um detalhe que preocupa Washington: boa parte dessa produção hoje está concentrada na China. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os EUA já responderam por cerca de 30% da produção global. Atualmente, o índice caiu para apenas 4%.

David Schild, diretor executivo da entidade, classificou o cenário como uma “dependência arriscada”.

logo da nvidia em um smarphone com um gráfico subindo ao fundo
Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA. Imagem: Mijansk786 / Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock

Risco vai além da espionagem

A preocupação americana não envolve apenas a disputa comercial entre as duas potências. O Departamento de Defesa teme que placas comprometidas possam abrir espaço para sabotagens em equipamentos estratégicos.

Chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso.

Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, à CNBC.

Segundo ele, um ataque desse tipo poderia até afetar armas em operação. “Um código específico é ativado e, de repente, a placa de circuito impresso, em combinação com o chip, decide interromper a orientação da munição”, explicou.

Especialistas alertam que as PCBs são vulneráveis justamente porque componentes podem ser escondidos em diferentes camadas da estrutura sem chamar atenção.

Entre as principais preocupações do setor estão:

  • inserção de componentes maliciosos;
  • desvio de dados sensíveis;
  • redução proposital de desempenho;
  • interrupção de sistemas militares;
  • dependência excessiva da cadeia chinesa.

Durante anos, as placas de circuito ficaram longe dos holofotes da indústria. Agora, viraram peça estratégica na disputa tecnológica entre EUA e China.

Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA.
Autoridades americanas temem sabotagens em componentes usados por sistemas militares e de IA. Imagem: BLKstudio/Shutterstock

Produção de chips nos EUA tenta ganhar força

Com a demanda por IA disparando, empresas americanas tentam acelerar a fabricação doméstica. A TTM Technologies e a Sanmina, duas das poucas fabricantes relevantes nos EUA, ampliam suas operações impulsionadas pelo crescimento do setor.

A TTM já anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin. Ainda assim, mantém sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta em território chinês.

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O impacto também começou a aparecer nos preços. Segundo relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters, as PCIs registraram alta de até 40% entre março e abril. A própria TTM informou reajustes entre 5% e 25%.

Além da corrida pela inteligência artificial, conflitos internacionais ajudam a pressionar ainda mais o setor. A guerra no Oriente Médio e os impactos envolvendo o Irã afetam o fornecimento de matérias-primas importantes, como cobre e resina.

Mesmo diante desse cenário, o governo dos EUA quer fortalecer a indústria local. Projetos apresentados no Congresso propõem créditos tributários de 25% para empresas que utilizarem placas produzidas nos EUA, além de bilhões de dólares em subsídios para fabricantes nacionais.

“Tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”, afirmou Edwin Roks, CEO da TTM, ao comentar os riscos da atual dependência chinesa.

Para os EUA, o desafio agora não é apenas fabricar chips mais poderosos. A meta também passa por controlar toda a cadeia necessária para que esses sistemas funcionem.

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Parlamentar britânica processa xAI de Elon Musk por imagens sexualizadas

A deputada trabalhista britânica Jess Asato entrou com uma ação judicial contra a xAI, empresa de inteligência artificial (IA) ligada a Elon Musk, após afirmar que a ferramenta Grok foi utilizada para criar imagens falsas e sexualizadas dela sem consentimento. O caso foi levado à Alta Corte de Londres e pode se tornar um marco para definir até que ponto empresas de IA podem ser responsabilizadas pelo conteúdo gerado por seus sistemas.

Asato, que representa o distrito de Lowestoft no Parlamento do Reino Unido, afirmou que tomou conhecimento das imagens em janeiro. Segundo ela, a ferramenta produziu representações suas usando biquíni sem autorização, algo que classificou como uma experiência “violadora”.

Parlamentar britânica processou a xAI pela criação de imagens falsas suas pelo Grok – Imagem: Algi Febri Sugita / Shutterstock

Ação judicial questiona responsabilidade da xAI

De acordo com informações apresentadas no processo, a deputada acusa a xAI de descumprir leis relacionadas à proteção de dados e ao uso indevido de informações privadas ao permitir que usuários utilizassem o Grok para criar esse tipo de conteúdo.

A ação sustenta que a empresa deveria ter adotado mecanismos de proteção para impedir a geração de imagens sexualizadas de pessoas reais sem consentimento.

Em entrevista ao Financial Times, Asato afirmou que, além das imagens em biquíni, a ferramenta também teria produzido um vídeo em que ela aparecia sendo cloroformizada e preparada para sofrer uma agressão sexual.

Segundo a parlamentar, o material começou a ser criado depois que ela criticou publicamente a produção de imagens sexualizadas não consensuais geradas por inteligência artificial.

“Minha esperança é que isso reequilibre os direitos dos indivíduos frente a empresas de tecnologia muito grandes que deveriam ter implementado salvaguardas antes de causar danos a mulheres e crianças”, declarou Asato ao Financial Times.

Caso semelhante já foi apresentado nos Estados Unidos

O processo movido por Jess Asato ocorre após uma ação semelhante apresentada no estado de Nova York por Ashley St Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk.

Ela alegou que o Grok também foi utilizado para criar imagens explícitas falsas envolvendo sua imagem. Entre os conteúdos citados na ação estaria uma representação em que ela aparecia menor de idade.

Para Ravi Naik, advogado que representa Asato, a discussão central do caso está na responsabilidade dos desenvolvedores pela forma como suas ferramentas são projetadas e disponibilizadas ao público.

“O princípio central deste caso é que os desenvolvedores devem responder pela maneira como projetam e implementam suas ferramentas”, afirmou o advogado ao Financial Times.

Governo britânico e regulador já investigaram o caso

O uso do Grok para gerar grandes quantidades de imagens sexualizadas de mulheres reais e, em alguns casos, de crianças, já havia provocado reações do governo britânico no início do ano.

Em janeiro, autoridades do Reino Unido ameaçaram adotar medidas contra a plataforma X após a circulação desse tipo de conteúdo. O órgão regulador de mídia Ofcom também abriu uma investigação sobre o assunto.

Inicialmente, a empresa de Musk informou que limitaria a criação dessas imagens a usuários pagantes da rede social. A medida foi criticada pelo primeiro-ministro Keir Starmer, que a classificou como “horrível”.

Poucos dias depois, o X anunciou que havia interrompido completamente a função que permitia ao Grok editar fotografias de pessoas reais para exibi-las usando roupas mais reveladoras.

Outros problemas envolvendo o Grok

O Grok também esteve envolvido em outro episódio de repercussão no Reino Unido. A ferramenta identificou incorretamente dois policiais de Hampshire como participantes da prisão de Henry Nowak.

Uma das profissionais citadas erroneamente foi Christi Hill, que trabalhou como policial por 12 anos. Segundo relatos, ela precisou se deslocar para um local seguro após passar a ser alvo de publicações na plataforma X.

Diversas postagens pediam que Hill e outro policial, também identificado de forma incorreta pela inteligência artificial, fossem localizados, presos ou até sofressem atos de violência.

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