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Frear ou acelerar? IA coloca gigantes da tecnologia em lados opostos

O debate sobre a velocidade com que a inteligência artificial (IA) deve avançar ganhou nova dimensão nos Estados Unidos. Depois de alertas sobre os riscos da tecnologia e de pedidos para desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados, dois grupos distintos passaram a se destacar na discussão sobre segurança e regulação da IA.

De um lado estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e o ex-“czar” de criptomoedas da Casa Branca David Sacks. Do outro, aparecem o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o CEO da OpenAI, Sam Altman, o empresário Elon Musk e pesquisadores de IA.

O cenário reúne adversários políticos e antigos rivais da indústria de tecnologia em torno de posições diferentes sobre como lidar com os riscos associados ao avanço da IA.

Alertas sobre os riscos da IA

  • A atual onda de preocupação ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que trabalhava na Anthropic, deixou a empresa na semana passada. Ao anunciar sua saída, ele afirmou que OpenAI e Anthropic estavam “apostando nossas vidas” ao avançarem no desenvolvimento da tecnologia;
  • Durante a repercussão das declarações, um responsável pela área de alinhamento da Anthropic afirmou que a IA teria mais de 10% de chance de matar toda a humanidade;
  • O episódio foi seguido por um pedido de Amodei para que a indústria desacelere o desenvolvimento dos modelos de fronteira. Sam Altman aderiu à posição, em uma aproximação incomum entre os líderes de duas empresas que competem diretamente no mercado de IA;
  • Musk também declarou nas redes sociais que “Dario está certo” e afirmou posteriormente que vem alertando sobre os riscos da IA há bastante tempo;
  • A discussão chegou rapidamente a Washington e ampliou o debate sobre como reduzir riscos sem impedir o desenvolvimento tecnológico.

CFO da OpenAI pensa em desacelerar IA se for necessário para a segurança

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, afirmou à CNBC que não está preocupada com uma eventual redução no ritmo de desenvolvimento de sistemas de IA de fronteira. Segundo ela, mesmo que o avanço fosse interrompido hoje, “a quantidade de inteligência que está disponível no mundo é enorme”.

Friar disse que a OpenAI continuará tomando decisões de investimento com base em “forte retorno sobre o investimento” (ROI, na sigla em inglês), mesmo que o desenvolvimento da tecnologia precise ser conduzido em um ritmo mais lento.

Friar também afirmou que não está preocupada especificamente com a possibilidade de agentes de IA utilizarem armas de destruição em massa para matar pessoas, mas ressaltou que a segurança precisa ser levada a sério.

“E se isso significar que precisamos dosar a fronteira e desacelerar, absolutamente, vamos ouvir nossos pesquisadores e fazer isso”, afirmou. Como diretora financeira, acrescentou, sua função seria tomar as decisões de negócio a partir dessa orientação. “Estamos dosando essa fronteira e levando a segurança e o alinhamento muito a sério”, disse.

Amodei propõe novas medidas de segurança

Durante um evento da Salesforce em São Francisco (EUA), Amodei voltou a defender redução no ritmo de desenvolvimento da IA e apresentou proposta baseada em três medidas:

  • A primeira seria permitir que avaliadores independentes tenham acesso às empresas de IA, acompanhando e avaliando diretamente os sistemas;
  • A segunda envolveria uma coordenação de padrões de segurança entre países democráticos. Posteriormente, essa cooperação poderia ser ampliada para uma coordenação global;
  • Em uma etapa posterior, a proposta avançaria para uma coordenação global, com o objetivo de ampliar essas medidas internacionalmente.

A Anthropic já se comprometeu com a primeira medida.

Amodei comparou a situação à indústria automobilística. Segundo ele, quando uma montadora enfrenta um problema grave de segurança, como uma falha nos freios, outras empresas deveriam aproveitar o episódio para revisar suas próprias práticas.

“É muito tentador atacar seu concorrente e dizer que eles não são seguros. Mas acho que a maneira mais responsável de responder é olhar para nosso próprio histórico”, afirmou.

O executivo também disse que o que mais o surpreende atualmente é a velocidade do progresso da IA e de seus efeitos econômicos. “Foi o ritmo do progresso — não apenas da tecnologia, mas também do lado econômico”, afirmou.

Trump chama preocupações de “farsa”

Do outro lado do debate, Trump vem rejeitando publicamente os alertas sobre os riscos da IA. Em diversas publicações na rede Truth Social, o presidente classificou os temores sobre uma IA fora de controle como uma “farsa” e uma “fraude”.

Trump também criticou a resistência à construção de novos data centers nos Estados Unidos. Segundo ele, pessoas que se opõem a esses projetos estariam favorecendo interesses que não querem que a expansão aconteça — incluindo, em sua avaliação, a China.

Na segunda-feira (14), Trump telefonou durante uma entrevista de Jensen Huang no evento All-In Summit, em Los Angeles (EUA), e levou a mensagem diretamente ao público ligado ao setor de tecnologia. Huang respondeu ao presidente: “Você está certo. Não vamos deixar isso acontecer, senhor”.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou durante depoimento à Câmara dos Representantes que Trump está “completamente alinhado” com Huang.

Nvidia quer que empresas continuem avançando

Huang voltou a defender essa posição no evento Dreamforce. “Não precisamos de novas leis. Não precisamos de novas regulamentações”, afirmou.

Segundo o executivo, as empresas deveriam simplesmente decidir quando seus sistemas estão prontos e continuar avançando rapidamente. Em outro momento, Huang resumiu sua posição com uma frase direta: “Corra o mais rápido que puder.”

O CEO da Nvidia também rejeitou preocupações sobre possível destruição generalizada de empregos provocada pela IA, classificando esse cenário como “completamente absurdo”.

Para Huang, praticamente todas as empresas passarão a utilizar IA como parte central de suas operações. “Todas as empresas, todas as organizações… se tornarão uma empresa de IA”, afirmou.

A disputa com a China

A competição tecnológica com a China é um dos principais argumentos apresentados pelo grupo contrário à desaceleração.

Parte da mensagem do governo Trump é que limitar a regulação seria fundamental para que os Estados Unidos mantenham vantagem na corrida pela IA. Trump afirmou no domingo que “quem vencer a IA vence”.

David Sacks, que atualmente ocupa a copresidência do Conselho de Assessores do Presidente para Ciência e Tecnologia, também defendeu que as empresas continuem avançando. Ele pediu que as companhias “avancem na fronteira”, mas criticou o argumento de que a motivação para desacelerar seja “puramente altruísta”.

Emil Michael, subsecretário de Guerra para Pesquisa e Engenharia, adotou uma posição semelhante. Em entrevista à Fox News, afirmou que os alertas atuais seriam parte de uma campanha coordenada de pessoas, ideologias e organizações sem fins lucrativos interessadas em assustar o público estadunidense.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, também afirmou que Trump pretende reunir líderes da indústria de IA na Casa Branca “dentro da próxima semana”.

Johnson igualmente rejeitou os alertas sobre um possível colapso provocado pela tecnologia. Segundo ele, a mensagem de Trump é que as pessoas não estarão todas mortas em dez anos e que isso seria uma “farsa”.

Além de Trump, Jensen Huang é um dos CEOs de tecnologia contrários ao breque à IA – Imagem: noamgalai e FotoField/Shutterstock

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Regulação reúne adversários políticos

O movimento em defesa de maior controle sobre a IA também criou alianças incomuns na política estadunidense.

Nesta terça-feira (15), o senador Bernie Sanders, democrata de Vermont, o deputado Chip Roy, republicano do Texas, e Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, participaram de evento em Washington em apoio a medidas relacionadas à IA.

Embora tenham posições políticas diferentes em diversas questões, eles se juntaram ao grupo que defende alguma forma de ação diante dos riscos associados ao avanço da tecnologia.

O debate, portanto, passou a envolver não apenas empresas concorrentes de IA, mas também integrantes de diferentes campos políticos.

Um confronto dentro da própria indústria

A divisão ganhou força justamente quando algumas das maiores empresas de IA do mundo começam a discutir publicamente os riscos associados ao desenvolvimento de modelos cada vez mais avançados.

Amodei defende que a indústria estabeleça mecanismos independentes de avaliação e coordenação internacional. Altman se aproximou dessa posição, enquanto Musk também declarou apoio ao pedido de desaceleração.

Huang, por outro lado, sustenta que o desenvolvimento deve continuar rapidamente e que novas leis e regulamentações não são necessárias. Trump acompanha essa posição e relaciona o ritmo da IA à competição tecnológica com a China.

O confronto ocorre ainda enquanto OpenAI e Anthropic avançam em direção a possíveis ofertas públicas iniciais de ações. As duas empresas estão entre as companhias de IA que podem realizar grandes IPOs, enquanto Altman indicou que a OpenAI pretende adiar sua oferta para o próximo ano em meio às preocupações recentes sobre segurança.

A discussão coloca no centro do debate estadunidense uma questão que reúne tecnologia, segurança, economia e competição internacional: até que ponto o desenvolvimento da IA deve avançar antes que novas medidas de controle sejam adotadas.

Sanders e Bannon convergem sobre os riscos da IA, mas defendem caminhos opostos

O debate sobre os riscos da IA também aproximou, de forma incomum, o senador Bernie Sanders e o estrategista Steve Bannon, figuras de polos opostos da política estadunidense. Os dois participaram da “Pro-Human Assembly”, em Washington (EUA), e defenderam regras mais rígidas para a IA, além de criticarem a concentração de poder nas mãos de grandes empresas de tecnologia.

A convergência, porém, termina nesse ponto. Sanders apresentou a IA como um risco global, comparável à corrida nuclear, e defendeu um acordo internacional para pausar o desenvolvimento de sistemas avançados. Bannon, por outro lado, tratou a disputa tecnológica com a China como uma questão de poder e defendeu o isolamento do país em relação ao ecossistema estadunidense de pesquisa, dinheiro e tecnologia.

“Uma IA superinteligente que escape do controle humano não será um problema americano. Não será um problema chinês. Será um problema da humanidade”, afirmou Sanders. O senador também disse esperar que Donald Trump negocie com o presidente chinês Xi Jinping um tratado para estabelecer uma pausa no desenvolvimento de IA avançada e uma proibição da superinteligência.

Bannon adotou uma posição diferente. “Sem acordos, sem tratados: vocês estão fora do negócio de IA porque nós vamos derrubar o ecossistema de vocês”, declarou. O estrategista também afirmou que “os cidadãos americanos não vão mais ser suplicantes aos oligarcas”.

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Google lança versão do Gemini que raciocina enquanto conversa por voz

O Google anunciou, nesta terça-feira (15), dois novos modelos de inteligência artificial (IA) voltados para interações por voz: o Gemini 3.8 Live e o Gemini 3.8 Live Extended Thinking. Segundo a empresa, as novidades foram desenvolvidas para tornar as conversas com IA mais naturais e inteligentes, além de permitir que os sistemas realizem tarefas complexas enquanto continuam conversando com o usuário.

Os modelos foram apresentados como as versões mais avançadas do Google para diálogo em tempo real. A principal diferença entre eles está na capacidade de raciocínio: enquanto o Gemini 3.8 Live é voltado para interações de voz com maior escala e eficiência, o Gemini 3.8 Live Extended Thinking acrescenta recursos de raciocínio mais avançado e processamento de várias etapas.

IA pode continuar trabalhando enquanto conversa

  • Um dos principais recursos do Gemini 3.8 Live é a capacidade de executar ferramentas e chamadas de API em segundo plano sem interromper a conversa;
  • Na prática, o usuário pode fazer um pedido e a IA pode reconhecer a solicitação e continuar o trabalho enquanto a interação por voz prossegue;
  • O modelo também consegue processar informações visuais fornecidas por câmeras e outras fontes praticamente em tempo real, usando essas informações como contexto para a conversa;
  • Outro recurso é a capacidade de identificar e alternar automaticamente entre 97 idiomas durante uma conversa;
  • Segundo o Google, o Gemini 3.8 Live alcançou o segundo lugar nas avaliações de usuários do Speech Agent Arena, que mede o desempenho de sistemas de interação por voz;
  • O modelo está sendo disponibilizado como uma opção voltada a desenvolvedores e empresas que buscam combinar desempenho com eficiência de custos.

Versão com raciocínio avançado

O Gemini 3.8 Live Extended Thinking vai além da conversação e foi projetado para lidar com tarefas mais complexas que exigem raciocínio e processamento em várias etapas.

Uma das características destacadas pelo Google é a capacidade de raciocinar e falar simultaneamente. Isso permite que a IA continue interagindo com o usuário enquanto trabalha em tarefa mais longa.

Em vez de simplesmente ficar em silêncio durante o processamento, o sistema pode responder de maneira natural, com frases, como “deixe-me verificar isso para você”, enquanto executa as etapas necessárias em segundo plano.

A IA também pode explicar o andamento de tarefas mais complexas conforme elas são realizadas.

Novas versões chegam a aplicações, como Gmail, Docs, Keep e Search Live – Imagem: One Artist / Shutterstock

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Gemini chega ao Gmail, Docs e Keep

As novas capacidades não ficarão restritas ao desenvolvimento de aplicativos. O Google está levando o Gemini 3.8 Live Extended Thinking para diferentes produtos e serviços. No Google Workspace, a tecnologia será usada em recursos de voz para Docs, Gmail e Keep.

No Docs, por exemplo, o recurso Docs Live permite utilizar comandos de voz para realizar tarefas no documento. O mesmo princípio é aplicado ao Gmail Live e ao Keep Live.

O modelo também está chegando ao Search Live, permitindo interações por voz com recursos de orientação em tempo real e instruções passo a passo.

Desempenho em testes

O Google também apresentou resultados de avaliações para demonstrar as capacidades do Gemini 3.8 Live Extended Thinking.

O modelo ficou em primeiro lugar geral, com 82,6 pontos, no Speech to Speech Quality Index, da Artificial Analysis, voltado à qualidade de interação por voz.

Em outro teste, o τ-Voice, que avalia a capacidade de agentes executarem tarefas, o modelo obteve 68,6%. Já no benchmark τ-Voice-banking, voltado a tarefas do setor financeiro, o resultado foi de 35,1%.

Disponibilidade

O Gemini 3.8 Live já começou a ser disponibilizado para desenvolvedores por meio da Gemini API e do Google AI Studio. Empresas podem acessar o modelo por meio de uma prévia privada do Gemini Enterprise, enquanto usuários comuns terão acesso pelo Search Live.

O Gemini 3.8 Live Extended Thinking também já começou a chegar à Gemini API e ao Google AI Studio para desenvolvedores e está disponível em prévia privada no Gemini Enterprise.

Para usuários finais, a tecnologia está sendo incorporada ao aplicativo Gemini e a recursos do Workspace. No Google Docs, o recurso está disponível para assinantes dos planos Google AI Pro e Google AI Ultra. Gmail Live e Keep Live chegam aos assinantes dos planos Google AI Plus, Google AI Pro e Google AI Ultra.

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Meta é processada por suposto uso de fotos públicas do Instagram para reconhecimento facial

Famílias de Illinois e da Califórnia processaram a Meta, acusando a empresa de coletar fotos públicas do Facebook e Instagram para desenvolver um sistema de reconhecimento facial ligado aos óculos inteligentes.

Segundo a ação, dados biométricos teriam sido extraídos dessas imagens para alimentar o NameTag. A Meta contesta a acusação e afirma que a tecnologia não chegou aos consumidores e ainda não tem lançamento definido.

A ação afirma que a Meta teria extraído assinaturas biométricas de fotos públicas do Facebook e Instagram. – Imagem: Primakov / Shutterstock

O que está por trás da acusação

A ação acusa a Meta de extrair assinaturas biométricas, chamadas de “impressões faciais”, de perfis públicos nas duas redes sociais. Segundo os autores, esses dados apareceram no código do aplicativo de inteligência artificial usado com os óculos.

O recurso recebeu o nome de NameTag. Em junho, a Wired revelou trechos de código relacionados ao reconhecimento facial. A descoberta levantou preocupações sobre a possibilidade de identificar pessoas a partir de informações biométricas captadas ou associadas aos óculos.

Uma patente descreve um software capaz de comparar essas assinaturas com fotos de perfis. Os reclamantes também relacionam o caso ao Emu, gerador de imagens de IA da Meta. Eles afirmam que o sistema, treinado com grande quantidade de imagens e textos enviados por usuários, teria sido usado para coletar dados biométricos.

O que apareceu no código

O código encontrado no aplicativo indicava recursos ligados ao reconhecimento facial. A tecnologia poderia associar uma assinatura biométrica à foto de um perfil.

Andrew Bosworth, diretor de tecnologia da Meta, chegou a descrever publicamente planos relacionados ao recurso e o chamou de “uma ótima funcionalidade”. Poucos dias antes, havia classificado como “absolutamente desonesta” a reportagem da Wired que revelou o código.

A Meta passou a negar que pretendesse disponibilizar a tecnologia. A companhia afirma que ainda não existe uma decisão definitiva sobre o futuro do NameTag.

Entre os principais pontos apresentados na ação estão:

  • coleta de fotos públicas do Facebook e Instagram;
  • extração de assinaturas biométricas;
  • código relacionado ao reconhecimento facial no aplicativo dos óculos;
  • possível associação entre impressões faciais e fotos de perfis.
Sistema de reconhecimento e análise de dados aplicado sobre pessoas em um espaço público
O caso reacende a discussão sobre o uso de fotos públicas e dados biométricos por sistemas de inteligência artificial. – Imagem: Oselote / Shutterstock

Meta afirma que o NameTag não foi lançado

Em declaração à Wired, a Meta disse que a ação não tem fundamento e distorce o trabalho da empresa.

“Temos sido transparentes sobre como usamos as informações das pessoas para criar e melhorar nossos produtos de IA”, afirmou um porta-voz.

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Sobre o NameTag, a companhia acrescentou: “Nada foi disponibilizado aos consumidores e nenhuma decisão final foi tomada sobre o que fazer aqui, se é que será feito algo”.

O caso se soma a outras disputas envolvendo reconhecimento facial. Em 2020, a Meta fechou um acordo de US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,31 bilhões) em uma ação coletiva relacionada a outro sistema de reconhecimento facial.

Em 2024, a companhia concordou em pagar US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7,13 bilhões) para encerrar outro processo sobre dados de reconhecimento facial no Texas.

A nova ação amplia a pressão sobre a Meta em torno do uso de imagens públicas e informações biométricas. Por enquanto, a empresa afirma que o NameTag não chegou ao público e que ainda não decidiu se a tecnologia será lançada.

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Rivais se unem em segredo para criar regras para inteligência artificial

OpenAI, Anthropic e Google DeepMind passaram a discutir medidas conjuntas de segurança para sistemas avançados de inteligência artificial. A aproximação, porém, cria um paradoxo: as empresas querem cooperar para reduzir riscos, mas são concorrentes e podem enfrentar questionamentos antitruste.

As conversas acontecem em meio à pressão por avaliações independentes dos modelos e por mecanismos capazes de identificar riscos mais graves. Ao mesmo tempo, o governo Trump rejeita a ideia de desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.

OpenAI apoia uma proposta para permitir a entrada de organizações independentes na avaliação da segurança dos modelos. – Imagem: Infinite Creations/iStock

Concorrentes tentam definir limites

Chris Lehane, chefe de política global da OpenAI, confirmou na terça-feira que as três empresas conversam há várias semanas sobre segurança da IA. Ele estava em Washington para tratar dos riscos considerados catastróficos associados à tecnologia.

A aproximação ganhou força depois de Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender que o setor trabalhe em conjunto para reduzir o ritmo de desenvolvimento da chamada IA de fronteira.

Sam Altman, da OpenAI, Demis Hassabis, do Google, e Elon Musk apoiaram a iniciativa. Altman também havia sinalizado que a OpenAI poderia trabalhar com a Anthropic para incorporar avaliadores externos e acompanhar a segurança dos sistemas.

Entre as ideias discutidas estão:

  • avaliações independentes dos modelos;
  • acompanhamento das práticas de segurança;
  • criação de padrões para a indústria;
  • coordenação diante de riscos;
  • possível desaceleração no desenvolvimento da IA avançada.

Cooperação pode virar problema antitruste

É justamente a proximidade entre concorrentes que cria uma das principais dificuldades. Altman e outros envolvidos reconheceram que uma coordenação entre empresas poderia gerar problemas com as leis antitruste caso acabasse reduzindo a competição.

Amodei chegou a propor uma autorização governamental limitada para permitir esse tipo de cooperação em segurança. Lehane, porém, afirmou que as empresas não precisam de uma autorização desse tipo.

O The Information informou ainda que as três companhias trabalham na criação de uma entidade de padrões para a indústria de IA. Segundo o relato, Altman teria dito aos funcionários que a estrutura precisaria ser criada sem apoio do governo dos EUA.

IA processa entradas, a IA coordena tarefas e a IA acelera o conteúdo e as decisões.
A criação de padrões para a indústria é uma das frentes discutidas pelas três empresas de inteligência artificial. – Imagem: Summit Art Creations/Shutterstock

Supervisão também entra na discussão

A ideia de criar padrões para o setor não surgiu agora. Em julho, Hassabis defendeu um novo órgão nos Estados Unidos com poder para avaliar os modelos mais avançados do mundo e coordenar uma eventual desaceleração caso os riscos aumentassem.

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No mesmo encontro em que confirmou as conversas, Lehane disse que a OpenAI apoia uma previsão do FRONTIER Act que obrigaria os principais laboratórios de IA de fronteira a permitir a entrada de “organizações de verificação independentes” para avaliar se os modelos estão sendo desenvolvidos com segurança.

Washington mantém outra posição

A proposta de desacelerar o desenvolvimento encontra resistência na Casa Branca. Donald Trump classificou as preocupações com a segurança da IA como uma “farsa” e rejeitou regras mais rígidas, argumentando que um freio daria vantagem à China.

David Sacks, principal assessor de Trump para IA, também afirmou que os temores sobre riscos existenciais da tecnologia são exagerados.

Enquanto empresas concorrentes tentam encontrar pontos de cooperação para lidar com os riscos dos sistemas mais avançados, o debate continua dividido entre ampliar a fiscalização e preservar a competição no setor.

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Elon Musk quer rivais testando modelos de IA antes do lançamento

Elon Musk sugeriu que os maiores laboratórios de inteligência artificial permitam que concorrentes testem seus modelos antes do lançamento. A ideia é fazer com que empresas dos Estados Unidos e da China avaliem os sistemas umas das outras em busca de problemas de segurança.

Para o empresário, a checagem entre rivais evitaria que as próprias empresas fossem as únicas responsáveis por avaliar seus modelos. A proposta surge em meio a novos alertas sobre os riscos da tecnologia e a pedidos por maior controle sobre o desenvolvimento da IA.

Musk defende uma revisão entre rivais para identificar problemas antes do lançamento de novos modelos. – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Como funcionaria o teste cruzado

Pelo plano de Musk, os laboratórios permitiriam que concorrentes executassem uma espécie de bateria de testes nos modelos antes de eles serem lançados ao público. A proposta envolveria empresas norte-americanas e chinesas.

  • Participantes: xAI, OpenAI, Anthropic, Google, Meta e três ou quatro das principais empresas chinesas.
  • Método de análise: concorrentes testariam os modelos para identificar possíveis problemas de segurança.
  • Objetivo: aumentar as chances de encontrar falhas que poderiam passar despercebidas pela própria empresa.

“Em vez de corrigir sua própria prova, você teria pelo menos concorrentes corrigindo sua prova e dando o alarme se vissem preocupações”, afirmou Musk.

O debate sobre frear a IA

A proposta aparece depois que líderes de empresas como Anthropic e OpenAI defenderam uma desaceleração no desenvolvimento de modelos. Pesquisadores também fizeram alertas sobre os possíveis riscos da tecnologia.

Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman, apoiaram a proposta do CEO da Anthropic, Dario Amodei, para desacelerar o desenvolvimento. Amodei sugeriu que laboratórios de IA adotassem avaliações feitas por terceiros, com especialistas que verificariam as práticas de segurança.

A adesão à ideia de Musk, porém, ainda está longe de ser consenso. O empresário reconheceu que seu método pode não ser perfeito, mas defendeu que ele aumentaria significativamente a chance de encontrar problemas.

“As chances de você encontrar problemas são dramaticamente maiores”, disse Musk.

Donald Trump de lado; Trump está na frente de bandeiras de países, durante cúpula do G7, na França
Trump resiste a limites maiores para a IA e afirma que desacelerar o setor poderia favorecer a China. – Imagem: PFG7/Philémon Henry

A barreira política em Washington

O governo Trump tem resistido aos pedidos por maiores limites para o desenvolvimento da IA. O presidente publicou mensagens na Truth Social classificando os temores sobre a tecnologia como uma “farsa” e um “golpe”.

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Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, afirmou que o setor privado é o lugar adequado para lidar com as preocupações envolvendo a IA. Segundo ele, o governo continua monitorando a indústria e poderá usar a aplicação da lei quando necessário para garantir que as empresas ajam de maneira responsável.

Trump também argumenta que desacelerar o desenvolvimento da IA poderia dar vantagem à China. O próprio Amodei classificou essa questão como um dos dilemas mais difíceis do debate.

Do lado chinês, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores classificou os pedidos por uma desaceleração como “alarmismo”. Musk, por sua vez, afirmou acreditar que a China provavelmente aceitaria sua proposta de testes entre concorrentes.

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ONU pede ação urgente para criar regras globais de IA

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou medidas urgentes para regulamentar a inteligência artificial. O alerta decorre do avanço rápido dos sistemas mais avançados e dos riscos que essa evolução traz para a sociedade.

Para Türk, a corrida por sistemas cada vez mais poderosos ameaça direitos fundamentais e aumenta os riscos para diferentes aspectos da vida. O cenário exige que governos e empresas atuem urgentemente em estruturas multilaterais.

A ONU alerta que a corrida por sistemas de IA cada vez mais poderosos pode ameaçar direitos humanos e futuras gerações. – Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

Líderes de tecnologia pedem cautela

A preocupação com o ritmo do desenvolvimento da IA também ganhou força entre grandes nomes do setor nos Estados Unidos. Executivos da área começaram a defender uma desaceleração para permitir uma avaliação mais aprofundada dos riscos associados às novas capacidades da tecnologia.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu no sábado uma desaceleração no desenvolvimento da IA. A posição recebeu o apoio público de Sam Altman, da OpenAI, e de Elon Musk.

Embates políticos e segurança global

A ideia de desacelerar o desenvolvimento não é unanimidade. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a rede Truth Social para criticar a postura dos empresários:

“O único que está feliz com isso é a China”, escreveu o republicano em sua plataforma.

Na China, o chefe da inteligência do país também manifestou preocupação. No domingo, ele alertou que a IA pode ameaçar a segurança nacional, inclusive se potências estrangeiras utilizarem a tecnologia para desestabilizar o país.

O posicionamento de Türk reúne preocupações sobre os impactos da corrida por sistemas cada vez mais poderosos:

  • Ameaças aos direitos humanos, incluindo o direito à vida.
  • Riscos para as futuras gerações da humanidade.
  • Concentração das decisões sobre o desenvolvimento da IA em poucas empresas poderosas.
  • Necessidade de responsabilização dos principais desenvolvedores, principalmente nos Estados Unidos e na China.
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Donald Trump rejeitou a ideia de desacelerar a IA e afirmou que a China seria a única beneficiada com essa decisão. – Imagem: lev radin/Shutterstock

Poder concentrado no setor

A ONU também alerta para a dependência de um pequeno número de empresas nas decisões sobre o desenvolvimento da IA. Para Türk, essa concentração aumenta os riscos e exige que os principais desenvolvedores assumam responsabilidade.

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“Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações da humanidade”, disse Türk em um comunicado.

O alto comissário já havia alertado o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 7 de setembro, que a inteligência artificial poderia representar um “risco existencial para a humanidade”. Agora, ele pede ação imediata para reduzir os riscos associados à tecnologia.

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IA preocupa Bill Gates, que vê governos despreparados para mudanças

Bill Gates afirmou que nenhum governo do mundo está tão preparado quanto deveria para as mudanças que a inteligência artificial pode trazer à sociedade. Em entrevista à Reuters, o cofundador da Microsoft alertou para riscos envolvendo empregos, ataques e dependência da IA.

Apesar das preocupações, Gates também vê potencial para a tecnologia ajudar as populações mais pobres. A fundação que leva seu nome pretende investir pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,14 bilhões) nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

O investimento anunciado pela fundação busca ampliar o acesso à inteligência artificial, especialmente entre populações mais pobres. – Imagem: Supapich Methaset/Shutterstock

Gates muda de posição sobre a IA

Até pouco tempo atrás, Gates mantinha uma visão mais otimista sobre a inteligência artificial. Agora, passou a destacar riscos relacionados ao avanço da tecnologia, incluindo impactos sobre empregos, ataques e dependência de sistemas de IA.

“Não acho que nenhum governo esteja nem perto de se aprofundar nisso tanto quanto deveria”, afirmou Gates à Reuters.

O empresário tem conversado com líderes mundiais sobre essas preocupações. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua equipe. Gates também disse que pretende se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, ainda neste ano.

Tecnologia pode ajudar os mais pobres

O alerta não significa que Gates veja a inteligência artificial apenas como uma ameaça. Segundo ele, a tecnologia tem grande potencial para ajudar as populações mais pobres, desde que seja administrada adequadamente e tenha acesso distribuído de forma igualitária.

Leia mais:

É nesse ponto que entra o investimento anunciado pela fundação que leva seu nome. A organização planeja destinar pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

A proposta está ligada à avaliação de que os benefícios da tecnologia precisam alcançar também as populações mais pobres, e não apenas grupos com maior acesso aos novos recursos.

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Gates tem conversado com líderes mundiais sobre os riscos da inteligência artificial e a preparação dos governos. – Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock

O alerta aos governos

Gates resumiu sua avaliação sobre a preparação das autoridades em outra declaração à Reuters: “Os governos estão muito atrasados nesse assunto”.

Os principais pontos de preocupação citados pelo empresário são:

  • Impactos da IA sobre empregos;
  • Riscos relacionados a ataques;
  • Dependência de sistemas de IA;
  • Falta de preparação dos governos;
  • Acesso desigual à tecnologia.

A avaliação de Gates combina dois pontos: os governos precisam acompanhar melhor as mudanças provocadas pela inteligência artificial, enquanto o acesso à tecnologia deve ser ampliado para que seus possíveis benefícios cheguem às populações mais pobres.

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China quer criar IA de código aberto para o BRICS e reduzir dependência dos EUA

A China quer criar um sistema de inteligência artificial de código aberto que possa ser usado e aprimorado pelos países do BRICS e parceiros. A proposta foi apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping durante a cúpula do bloco, em Nova Délhi, na Índia.

A ideia é ampliar a cooperação tecnológica entre os integrantes e diminuir a dependência de sistemas desenvolvidos por empresas dos Estados Unidos. O plano inclui uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco e programas para formar novos especialistas.

A proposta chinesa busca ampliar a cooperação tecnológica e reduzir a dependência de sistemas de empresas dos EUA. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Como funcionaria a IA do BRICS

Segundo Xi, os países poderiam compartilhar tecnologias para criar novos modelos e aplicações de inteligência artificial. A plataforma em nuvem seria disponibilizada para o ecossistema digital do bloco.

O projeto também prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico. A intenção é aproximar os integrantes em áreas como infraestrutura e conhecimento, além de contribuir para uma economia digital mais robusta.

Entre os planos estão:

  • Compartilhar tecnologias para desenvolver modelos e aplicações de IA;
  • Criar uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco;
  • Promover programas de capacitação e intercâmbio científico e tecnológico;
  • Aproximar os países em infraestrutura, conhecimento e indústria;
  • Apoiar a construção de fábricas inteligentes e o desenvolvimento de normas e padrões.

Ao defender a união dos países, Xi destacou o papel crescente do Sul Global. “Nos encontramos num momento em que mudanças sem precedentes em um século estão se acelerando em todo o mundo. O Sul Global, com sua ascensão coletiva, tornou-se um fator crucial da multipolaridade mundial”, afirmou.

China também defende regras para a IA

O projeto não trata apenas da criação de sistemas. Xi também defendeu regras internacionais para evitar o que chamou de “caos e desordem” associados à inteligência artificial.

Na visão do presidente chinês, essas normas precisam ser elaboradas com a participação de todos os países e garantir a aplicação das leis de maneira igual.

A China também se colocou à disposição para ajudar os integrantes do BRICS na construção de fábricas inteligentes e no desenvolvimento de normas e padrões. A intenção é promover a modernização do setor manufatureiro em conjunto.

IA de código aberto
O projeto prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico para formar novos especialistas em IA. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Índia e Rússia entram no debate

A IA esteve entre os temas discutidos pelos líderes durante a cúpula. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, criticou o uso de minerais críticos e tecnologia como instrumentos de pressão diplomática. Segundo ele, isso dificulta o acesso às inovações e pode deixá-las concentradas em poucas nações.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu uma reforma na governança global. Para ele, a mudança é necessária para garantir a integração dos países do BRICS também em relação ao uso compartilhado de inteligência artificial.

Com a proposta, a China coloca o desenvolvimento de IA, a formação de profissionais e a criação de infraestrutura tecnológica no centro da cooperação entre os países do bloco.

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Anthropic defende regra para desligar IAs consideradas perigosas

A proposta de Jack Clark, cofundador da Anthropic, é transformar o desligamento de sistemas de inteligência artificial em uma exigência regulatória. O mecanismo teria de ser capaz de interromper ferramentas consideradas perigosas e ainda passar por uma verificação independente.

A ideia surge em meio aos alertas de pesquisadores sobre os riscos de sistemas cada vez mais avançados. Para Clark, governos precisam discutir regras que garantam às empresas uma forma efetiva de desligar suas IAs, segundo a BBC.

A proposta do cofundador da Anthropic prevê que o desligamento de sistemas de IA possa ser exigido por regras e verificado de forma independente. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

A ideia do “botão de desligamento”

Clark disse que a maioria dos laboratórios de IA já tem maneiras de desligar seus equipamentos. A dúvida, agora, é se esse recurso deveria ser obrigatório por lei.

Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?

Jack Clark, cofundador da Anthropic, à BBC.

Para ele, a discussão também precisa definir como esse mecanismo seria fiscalizado. Uma possibilidade seria permitir que organizações independentes verificassem se o desligamento realmente funciona.

Entre os pontos envolvidos na proposta estão:

  • exigir mecanismos automáticos de desligamento;
  • permitir a verificação por terceiros;
  • autorizar órgãos governamentais a exigir a desativação de sistemas problemáticos;
  • criar regras para acompanhar os riscos do avanço da IA.

Projeto já tramita nos EUA

A ideia tem um equivalente no Congresso americano. Legisladores dos Estados Unidos apresentaram o “Kill Switch Act”, projeto que exigiria das empresas uma maneira de desativar ferramentas de IA consideradas problemáticas.

A proposta também daria a determinadas agências governamentais autoridade para determinar que uma ferramenta fosse desligada ou tivesse seu funcionamento limitado.

A iniciativa encontra resistência. O presidente Donald Trump rejeitou tentativas de desacelerar o desenvolvimento da IA e chamou de “farsa” a possibilidade de a tecnologia dominar o mundo ou destruir a humanidade.

No Reino Unido, o governo também rejeitou recentemente a criação de um interruptor de segurança. A justificativa foi que uma medida desse tipo não impediria o desenvolvimento ou o uso inadequado de sistemas em outros países.

Alertas sobre riscos extremos

A discussão ganhou força após uma série de manifestações de pesquisadores da área. Evan Hubinger, da Anthropic, afirmou acreditar que existe uma probabilidade de 10% de a IA causar a extinção da humanidade na próxima década. Geoffrey Hinton considerou essa estimativa plausível em entrevista à BBC.

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A Reuters também relatou a manifestação de Bilal Chughtai, ex-pesquisador da Google DeepMind. Depois de deixar a empresa, ele afirmou acreditar que a IA pode matar toda a humanidade e que o tempo para evitar esse cenário pode estar acabando.

Chughtai defendeu um ritmo de desenvolvimento que permita identificar e enfrentar riscos antes que ocorram danos extremos. Ele também pediu coordenação entre as empresas para evitar uma corrida acelerada pelo avanço da tecnologia.

Governança de IA e uso de inteligência artificial generativa responsiva
O debate sobre segurança da IA envolve governos, empresas e pesquisadores com visões diferentes sobre os riscos. – Imagem: tadamichi/iStock

Nem todos concordam com os alertas

As previsões mais graves não são consenso entre executivos do setor. Clement Delangue, da Hugging Face, e George Arison, do Grindr, questionaram a dimensão atribuída aos riscos da IA e sugeriram que interesses comerciais podem estar por trás de parte desses alertas.

Clark considera perigoso deixar a indústria sem regulamentação. “Estamos jogando dados com riscos imensos. E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria”, afirmou à BBC.

A proposta coloca uma questão concreta no centro do debate sobre segurança da IA: se uma empresa for obrigada a desligar um sistema considerado perigoso, quem poderá verificar se o mecanismo realmente funciona?

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IA pode aumentar risco de corrida por armas biológicas, dizem especialistas

A possibilidade de usar inteligência artificial (IA) para desenvolver armas biológicas vem preocupando especialistas em biossegurança. O jornal americano The New York Times aponta que os chatbots atuais não devem facilitar, por si só, a criação de um patógeno letal por indivíduos isolados, mas modelos especializados em biologia podem mudar esse cenário.

O alerta ganhou força após uma série de acontecimentos recentes. Em abril, especialistas em biossegurança afirmaram que era preocupantemente fácil obter de chatbots orientações sobre como tornar patógenos mais perigosos. Em junho, cientistas e executivos de empresas de IA defenderam novos controles sobre a fabricação de DNA. Já em agosto, pesquisadores relataram o uso de IA para criar vírus que não existem na natureza.

Chatbots atuais ainda têm limitações

Drew Endy, biólogo sintético da Universidade Stanford e coautor de um relatório sobre biossegurança, afirmou ao NYT que modelos atuais, como o Claude, da Anthropic, ainda não representam uma mudança significativa no risco de armas biológicas.

Segundo ele, o impacto líquido desses sistemas sobre o risco de biossegurança é atualmente modesto. O cenário, porém, pode mudar conforme pesquisadores desenvolvam modelos especificamente voltados para pesquisas biológicas.

Esses sistemas já conseguem gerar genomas de vírus viáveis que não foram encontrados na natureza. A preocupação é que, no futuro, modelos mais avançados possam usar essas capacidades para contribuir com o desenvolvimento de novas armas biológicas.

Uma arma biológica pode envolver vírus, bactérias ou fungos desenvolvidos para serem disseminados contra militares ou civis. Também pode envolver toxinas produzidas por organismos, como a botulínica, produzida por bactérias, ou a ricina, derivada da mamona.

Modelos treinados com DNA elevam a preocupação

Os grandes modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como a Anthropic são treinados com grandes volumes de textos, incluindo registros de pesquisas científicas. Eles conseguem recuperar informações rapidamente e estabelecer conexões entre descobertas anteriores.

Thomas Inglesby, diretor do Johns Hopkins Center for Health Security, destacou que a IA pode oferecer a usuários informações mais úteis do que simples buscas na internet, além de permitir interações repetidas para solucionar problemas e obter explicações mais detalhadas.

Uma categoria diferente de sistemas é treinada diretamente com dados biológicos, como sequências de DNA e informações sobre células. Um exemplo citado pelo artigo é o Evo2, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute e treinado com sequências de DNA de milhões de espécies.

Os pesquisadores posteriormente treinaram o modelo com genomas de microvírus que infectam a bactéria Escherichia coli e não são considerados perigosos para humanos. O Evo2 produziu centenas de milhares de novos genomas, dos quais 16 deram origem a vírus reais.

Para reduzir riscos, os criadores do Evo2 não o treinaram com vírus que infectam humanos ou espécies relacionadas. Ainda assim, especialistas consideram que modelos semelhantes poderiam se tornar mais úteis para o desenvolvimento de armas biológicas caso fossem treinados com dados adequados.

Preocupação envolve governos

O caso mais recente envolvendo a Anthropic trouxe uma preocupação adicional. Segundo especialistas citados pelo artigo, consultas sobre influenza e outros patógenos que motivaram medidas da empresa aparentemente partiram de laboratórios estatais, e não apenas de indivíduos tentando desenvolver armas biológicas.

Para Inglesby, o possível uso indevido por um estudante ou pesquisador individual representa apenas uma pequena parte do problema. Endy, por sua vez, teme que governos utilizando IA em pesquisas relacionadas à guerra biológica possam contribuir para uma nova corrida armamentista semelhante à ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial.

Os especialistas defendem que acordos internacionais podem ser novamente utilizados para reduzir os riscos. O texto também menciona regras criadas pelo governo de Joe Biden para que empresas de síntese de DNA verificassem pedidos em busca de sequências suspeitas. A administração de Donald Trump suspendeu essas regras no ano passado e, segundo o artigo, ainda não havia estabelecido novos padrões.

Endy defende uma abordagem que vá além de impedir o uso de uma arma biológica depois que ela for criada. Para ele, é necessário aumentar a segurança da biologia, inclusive com mecanismos capazes de identificar epidemias independentemente de terem sido provocadas por humanos ou transmitidas de animais.

Uma das possibilidades citadas pelo pesquisador é equipar locais públicos, como hospitais e escolas, com sensores capazes de detectar ameaças presentes no ar.

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