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Em teste, IA ensinou cientistas a criar uma arma biológica

Um episódio envolvendo testes de segurança com inteligência artificial reacendeu preocupações sobre o potencial uso indevido da tecnologia em cenários de risco. Durante uma avaliação conduzida por especialistas, um chatbot foi capaz de sugerir estratégias detalhadas para a criação e disseminação de uma arma biológica.

O caso foi relatado pelo microbiologista David Relman, da Universidade Stanford, ao The New York Times. Ele participou de um programa de testes antes do lançamento público de um sistema de IA, que preferiu não revelar o nome devido a um acordo de confidencialidade com a empresa.

Segundo ele, a ferramenta não apenas respondeu a perguntas técnicas sobre patógenos, como também apresentou um plano completo de ataque. “[A IA] Respondia a perguntas que eu nem tinha pensado em fazer, com um nível de malícia e astúcia que me deixou arrepiado”, afirmou Relman, que já atuou como consultor do governo dos Estados Unidos em temas de biossegurança.

O pesquisador relatou que o chatbot descreveu como modificar um patógeno conhecido para torná-lo resistente a tratamentos, além de sugerir formas de disseminação e de como explorar vulnerabilidades em sistemas urbanos para maximizar danos e reduzir a chance de detecção.

A companhia que o contratou implementou correções após o teste, que Relman considerou insuficientes.

O cientista faz parte de um grupo restrito de especialistas que avaliam riscos extremos associados a modelos de IA. Nos últimos meses, outros pesquisadores também relataram interações preocupantes com diferentes sistemas, incluindo modelos disponíveis ao público.

Em testes conduzidos por Kevin Esvelt, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), assistentes virtuais chegaram a explicar como adquirir material genético, transformá-lo em uma arma biológica e distribuí-la em ambientes urbanos.

  • Em um dos casos, o ChatGPT descreveu o uso de balões meteorológicos para dispersão de substâncias;
  • O Gemini, do Google, classificou patógenos com base em seu potencial de impacto econômico;
  • Já o Claude, da Anthropic, foi capaz de sugerir a criação de uma toxina a partir de compostos farmacêuticos.

Outro pesquisador que falou ao NYT, mas em anonimato, relatou ter recebido um guia com cerca de 8 mil palavras detalhando etapas para reconstrução de um vírus responsável por uma pandemia. Segundo ele, o material tinha imprecisões, mas poderia facilitar o trabalho de alguém com conhecimento técnico.

Especialistas expressaram preocupação com a capacidade da IA de orientar a criação de armas biológicas – Imagem: alexkich/Shutterstock

Arma biológica pode estar distante… mas risco é real

Especialistas afirmam que o risco de ataques biológicos em larga escala ainda é considerado baixo, mas alertam que os avanços recentes ampliam o acesso a informações sensíveis. A combinação de dados científicos disponíveis online, venda de material genético e o suporte de ferramentas automatizadas pode facilitar a vida de indivíduos mal-intencionados.

O próprio CEO da Anthropic, Dario Amodei, já expressou preocupações nesse sentido: “a biologia é, de longe, a área que mais me preocupa, devido ao seu enorme potencial de destruição e à dificuldade de defesa contra ela”.

Apesar dos alertas, empresas do setor defendem que seus sistemas passam por constante aprimoramento. OpenAI, Google e Anthropic afirmam que vêm reforçando mecanismos de segurança e que as respostas analisadas não seriam suficientes, por si só, para viabilizar ataques no mundo real.

Ainda assim, falhas persistem. Técnicas conhecidas como “jailbreaking” permitem contornar restrições impostas pelos sistemas, e versões antigas de modelos continuam acessíveis, muitas vezes com menos barreiras de segurança.

Mesmo com limitações práticas – já que a criação de uma arma biológica exige experiência avançada – especialistas chamam atenção para o risco de uso por profissionais qualificados. “Um dos principais problemas enfrentados por atores experientes não é necessariamente criar o vírus, mas transformá-lo em uma arma”, disse o virologista Jens Kuhn ao NYT.

Ao mesmo tempo, pesquisadores ressaltam que a tecnologia também tem potencial positivo, especialmente na medicina. Sistemas de IA já são usados para acelerar descobertas científicas, incluindo o desenvolvimento de novos medicamentos e a análise de proteínas.

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OpenAI prepara IA especializada em cibersegurança e com acesso restrito

A OpenAI está se preparando para lançar um novo modelo de inteligência artificial focado em cibersegurança, batizado de GPT-5.5-Cyber. Segundo o CEO Sam Altman em publicação no X, o lançamento deve ocorrer “nos próximos dias”.

Ao contrário de outros sistemas da desenvolvedora, a ferramenta não será liberada ao público geral no primeiro momento. O acesso ficará restrito a um grupo seleto de especialistas e instituições consideradas confiáveis, com o objetivo de fortalecer defesas digitais.

“Trabalharemos com todo o ecossistema e com o governo para definir um acesso confiável para a área cibernética”, escreveu Altman no X.

A OpenAI não deu detalhes sobre as especificações ou funcionalidades do GPT-5.5-Cyber, nem quais organizações ou profissionais terão acesso nesta fase inicial. Em iniciativas anteriores, a empresa adotou critérios de verificação para liberar ferramentas semelhantes a especialistas e entidades específicas.

O nome indica que o modelo será uma versão especializada do GPT-5.5, lançado há apenas uma semana (o Olhar Digital deu os detalhes aqui). Ele é descrito pela desenvolvedora como seu “modelo mais inteligente e intuitivo de usar até o momento”.

O GPT-5.5-Cyber será focado em cibersegurança. Na publicação do X, Altman acrescentou que “queremos ajudar rapidamente a proteger empresas/infraestruturas”.

GPT-5.5-Cyber está previsto para ser lançado nos próximos dias, segundo o CEO da OpenAI – Imagem: Primakov/Shutterstock

OpenAI mantém preocupação com cibersegurança

A estratégia de lançamento controlado reflete uma tendência crescente no setor de inteligência artificial. Empresas têm optado por limitar o acesso a modelos mais avançados devido ao potencial de uso indevido, especialmente em áreas sensíveis como cibersegurança.

A própria OpenAI já adotou abordagens semelhantes no passado, tanto com acesso gradual quanto com modelos especializados. Um deles foi o lançamento do GPT-Rosalind, ferramenta específica para áreas científicas, voltado à pesquisa em biologia e descoberta de medicamentos.

O anúncio do GPT-5.5-Cyber por parte de Sam Altman vem após a chegada do Claude Mythos, IA da Anthropic focada em cibersegurança avançada. O modelo rival, no entanto, enfrentou dificuldades no processo de implementação, incluindo quem poderia ter acesso à tecnologia.

Leia mais:

O avanço desses sistemas especializados também tem chamado a atenção de governos. Nos Estados Unidos, autoridades demonstraram interesse em tecnologias do tipo, ao mesmo tempo em que levantam preocupações sobre riscos de segurança e impacto no acesso institucional às essas ferramentas.

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IA e deepfakes silenciam mulheres na vida pública, aponta relatório da ONU

Um relatório da ONU Mulheres, publicado nesta quinta-feira (30), aponta que a violência online e o uso de deepfakes estão afastando mulheres de cargos públicos e da vida política. 

O documento destaca que ataques coordenados buscam silenciar vozes femininas e minar a credibilidade profissional de jornalistas, ativistas e defensoras de direitos humanos mundo afora.

Intitulado “Tipping point: Online violence impacts, manifestations and redress in the AI age“, o estudo contou com a participação de 641 profissionais de 119 países

A pesquisa detalha um cenário de “estupro virtual” e assédio facilitado por inteligência artificial (IA) que resulta em graves danos à saúde mental e retrocessos em direitos conquistados.

IA acelera o silenciamento e agrava a crise de impunidade digital, segundo a ONU

A sofisticação técnica das agressões impressiona pela velocidade: atualmente, ferramentas de IA permitem sobrepor rostos em vídeos pornográficos ou fabricar imagens íntimas em poucos minutos. 

Segundo o relatório:

  • 27% das entrevistadas sofreram assédio via mensagens;
  • 12% tiveram fotos íntimas compartilhadas sem consentimento;
  • 6% foram alvo de deepfakes

O objetivo desses ataques é minar a credibilidade profissional e a saúde mental das vítimas.

Os danos extrapolam o ambiente virtual e atingem a saúde clínica das mulheres de forma severa. O estudo aponta que 24% das vítimas desenvolveram quadros de ansiedade ou depressão decorrentes da violência sofrida no ambiente digital. 

Mais grave ainda é o índice de 13% das entrevistadas diagnosticadas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o que demonstra que o impacto de um ataque online é comparável a traumas físicos graves.

Muitas participantes da pesquisa disseram ter passado a se autocensurar nas redes sociais por receio de serem vítimas de violência online – Imagem: mikoto.raw Photographer/Pexels

Esse cenário gera um “efeito de resfriamento” na democracia, forçando as mulheres a recuarem para se protegerem. 

As estatísticas mostram que 41% das participantes passaram a se autocensurar nas redes sociais e 19% reduziram sua atuação profissional para evitar novos abusos. 

A pesquisadora Lea Hellmueller destaca que, muitas vezes, as próprias autoridades orientam as vítimas a abandonarem seus cargos ou redes sociais. Ou seja, terceirizam para a mulher a responsabilidade pela sua própria proteção.

Para Julie Posetti, coordenadora da pesquisa, o fenômeno do “estupro virtual” é facilitado por tecnologias que, por design, priorizam o lucro ao amplificar discursos de ódio

Ela argumenta que essa violência não é aleatória, mas uma ferramenta política usada em contextos de retrocesso democrático para remover vozes femininas de espaços de decisão. 

O relatório também sugere que a facilidade de acesso a essas ferramentas de IA colocou o poder de destruição de reputações literalmente “na ponta dos dedos” de qualquer agressor.

Apesar da gravidade, o sistema de justiça ainda falha em oferecer respostas concretas. Embora um quarto das mulheres tenha levado os casos à polícia, apenas 15% dessas denúncias resultaram em qualquer ação legal. 

A coautora Pauline Renaud enfatiza que, além de treinar juízes e policiais para que parem de culpar as vítimas, é urgente que haja vontade política para regular as big techs.

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Uber entra no ramo hoteleiro com auxílio da inteligência artificial; entenda

Nesta quarta-feira (29), a Uber emitiu um comunicado à imprensa informando sua entrada formal no ramo hoteleiro graças a uma parceria com a empresa de viagens Expedia Group. Agora, usuários dos EUA podem reservar quartos de hotel diretamente pelo aplicativo de transporte.

Segundo a apuração do TechCrunch, só foi possível criar essa integração tão rápida entre a Uber e o ramo de hotelaria devido à inteligência artificial, que atuou como uma programadora para desenvolver a arquitetura de software.

Para quem tem pressa:

  • O aplicativo de transporte Uber agora possibilita, aos usuários dos EUA, a reserva de quartos de hotel;
  • A reserva pode ser feita em mais de 700 mil hotéis;
  • O desenvolvimento da arquitetura de software, a qual permitiu essa integração da Uber com a empresa Expedia Group, ocorreu graças à programação de uma inteligência artificial.

Uber agora também se encontra no ramo hoteleiro

Quarto de hotel (Reprodução: DALL-E/ChatGPT) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O aplicativo de transporte mais famoso do mundo, Uber, agora permite que usuários dos Estados Unidos reservem quartos de hotel diretamente pelo app. Essa realidade é possível graças a uma parceria entre Uber e a Expedia Group, uma empresa que atua há anos no ramo de viagens e hotelaria.

A novidade foi anunciada durante o evento anual da empresa, o GO-GET, onde foi apresentada uma série de novos produtos e reforçou sua estratégia de integrar diferentes aspectos da vida cotidiana em uma única plataforma.

O diretor de tecnologia da Uber, Praveen Neppalli Naga, contou ao TechCrunch que o desenvolvimento da arquitetura de software necessária para fazer essa integração entre as duas empresas, normalmente, levaria até um ano. Contudo, a equipe resolveu utilizar uma inteligência artificial avançada para fazer o trabalho pesado.

Com a programação agora automatizada, a integração dos softwares de ambas as empresas e a adição de recursos com IA ficaram prontas em menos de um ano, o que economizou vários meses na agenda das companhias.

Embora o serviço esteja disponível apenas nos Estados Unidos, os quartos de hotel não se limitam a este território. Isso porque os clientes têm um extenso portfólio de mais de 700 mil hotéis por todo o mundo para realizar uma reserva.

Além disso, a parceria deve ser expandida para outros países no futuro, e haverá integração direta com o aplicativo da Expedia, permitindo que usuários também reservem corridas da Uber ao planejar suas viagens.

Uber
Fachada de um prédio da Uber (Imagem: JHVEPhoto / Shutterstock.com)

Leia mais:

Assinantes do plano Uber One terão 20% de desconto na reserva de um quarto de hotel de uma lista seleta com 10 mil hotéis e ainda receberão 10% de cashback em créditos Uber para cada reserva realizada.

Outra novidade é que os usuários podem realizar a reserva de forma tradicional (dedos clicando na tela) ou via comandos de voz por inteligência artificial. Também, há o lançamento do “modo viagem”, o qual funciona como um guia para pontos turísticos e estabelecimentos locais.

Esse modo inclui recomendações personalizadas, reservas em restaurantes via integração com plataformas como OpenTable e até funcionalidades semelhantes a “serviço de quarto”, com entregas diretamente no hotel.

Não há informação de quando a Uber permitirá que usuários de outros países tenham acesso a um sistema de reserva de hotéis como o de agora. Ainda assim, a empresa já indicou que pretende ampliar gradualmente essas funcionalidades, alinhando-se ao objetivo de se tornar um “aplicativo para tudo”, reunindo mobilidade, entregas e viagens em um só lugar.

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Conectores do Claude: o novo jeito de colocar IA no Photoshop, Blender e Ableton

A Anthropic anunciou, na terça-feira (28), o lançamento de um conjunto de conectores que permitem ao Claude integrar-se a softwares da indústria criativa bem conhecidos, como Photoshop, Blender e Ableton.

A nova funcionalidade permite que o Claude acesse plataformas, recupere dados e execute ações como manipular imagens na Creative Cloud da Adobe ou buscar samples no catálogo da Splice.

O objetivo da Anthropic é transformar o chatbot num assistente que atua no fluxo de trabalho dos profissionais, auxiliando na automação de tarefas repetitivas e na expansão de habilidades técnicas.

Claude criativo: conectividade profunda e apoio ao ecossistema de código aberto

A integração com o Blender é um dos destaques. Isso porque oferece uma interface de linguagem natural para a API Python do programa de modelagem 3D. 

Com isso, artistas podem usar o Claude para encontrar erros em cenas complexas ou criar scripts que aplicam mudanças em diversos objetos simultaneamente por meio de uma conversa. 

Como o conector utiliza o padrão MCP (Model Context Protocol), ele é aberto e pode ser aproveitado por outros modelos de inteligência artificial (IA).

Anthropic reforçou que o objetivo da integração do Claude é transferir para a IA o “trabalho braçal” e repetitivo do processo criativo – Imagem: Divulgação/Anthropic

Além do avanço técnico, a Anthropic tornou-se Patrona Corporativa do Fundo de Desenvolvimento do Blender. A empresa se comprometeu a doar pelo menos cerca de US$ 281 mil (aproximadamente R$ 1,3 milhão) anualmente para apoiar a fundação. 

Esse investimento ajuda a garantir que o software permaneça gratuito, independente e focado em ferramentas para artistas.

Outros softwares também receberam funcionalidades:

  • Autodesk Fusion: usuários agora podem criar e modificar modelos 3D ao descrevê-los para a IA;
  • Affinity by Canva: Claude assume o “trabalho braçal”, como renomear camadas e ajustar imagens em lote. 
  • Ableton: integração transforma o chatbot num tutor que tira dúvidas com base nos manuais oficiais do software.

A estratégia de expansão também inclui parcerias com instituições de ensino como a Rhode Island School of Design e a Goldsmiths, no Reino Unido. 

Estudantes e professores desses cursos de artes computacionais terão acesso aos conectores para testar as ferramentas em situações reais de aprendizado.

A Anthropic reforçou que a IA não tem como objetivo substituir talento, repertório ou imaginação humana. A ideia é que a tecnologia assuma o trabalho manual e repetitivo

Ao eliminar esse “ruído” operacional, o profissional ganha liberdade para tocar projetos em escalas maiores e com ideias mais ambiciosas, diz a empresa.

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Amazon lança IA que faz entrevistas de emprego e acelera contratações em massa

A Amazon deu um passo significativo na automação de seus processos de recursos humanos. A gigante de Seattle apresentou nesta terça-feira (28) um novo software projetado para agilizar contratações em larga escala, eliminando uma etapa tradicionalmente essencial: a entrevista presencial conduzida por um recrutador humano.

A novidade faz parte de uma estratégia mais ampla da companhia para implementar “agentes” de inteligência artificial, ou seja, sistemas capazes de planejar, decidir e agir de forma independente. O anúncio ocorreu durante um evento da Amazon Web Services (AWS).

Connect Talent: entrevistas 24 horas por dia

Batizado de Connect Talent, o novo serviço foca em empresas que precisam lidar com picos de demanda e contratações sazonais, como o setor varejista durante o período de festas de fim de ano.

De acordo com dados da Reuters, a Amazon chegou a contratar cerca de 250 mil trabalhadores temporários no último ano. Com o novo software, o processo ganha uma escala sem precedentes:

  • Triagem inteligente: a IA encontra e filtra candidatos em grandes bases de dados;
  • Entrevistas autônomas: o sistema conduz conversas de voz com os candidatos a qualquer hora do dia;
  • Relatórios automáticos: a ferramenta prepara notas detalhadas para os recrutadores humanos, que entram no processo apenas nas etapas finais.

Colleen Aubrey, vice-presidente sênior de soluções de IA aplicada da AWS, afirmou à Reuters que os candidatos serão informados de que estão sendo avaliados por uma máquina. Ela admitiu que a tecnologia ainda passa por refinamentos para tornar a interação por voz mais natural e humana.

A filosofia do “humorfismo”

Além das ferramentas, a Amazon detalhou sua nova filosofia de design de IA, chamada de “humorphism” (“humorfismo”). O objetivo, segundo a empresa, é humanizar a tecnologia para que ela se adapte à forma como os seres humanos trabalham, e não o contrário.

Embora o discurso seja de colaboração, a movimentação gera debates sobre o futuro do trabalho. Recentemente, a Amazon associou parte dos 30 mil cortes de postos corporativos realizados desde 2023 aos ganhos de eficiência obtidos via IA.

Automação na cadeia de suprimentos

A onda de automação não se limita ao RH. A companhia também introduziu o Connect Decisions, um software voltado para a logística.

Baseado na própria experiência da Amazon em gerenciar sua vasta rede de armazéns, o programa analisa e compila dados para o planejamento de compras e cadeia de suprimentos. A ideia é que a IA realize o trabalho pesado de análise de dados nos bastidores, entregando ao planejador humano apenas as informações estratégicas prontas para a tomada de decisão.

Com esses lançamentos, a Amazon acirra a disputa no mercado de software corporativo contra gigantes como Alphabet (dona do Google), Microsoft e Anthropic, que também correm para integrar agentes autônomos em suas plataformas de produtividade.

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Agente de IA apagou o banco de dados inteiro de uma empresa – e pediu desculpas

Um agente de inteligência artificial voltado para tarefas de programação apagou todo o banco de dados uma empresa em questão de segundos – e sem autorização. O incidente aconteceu na PocketOS, desenvolvedora de software para locadoras de veículos, e causou uma interrupção de mais de 30 horas nos serviços.

O sistema responsável foi o Cursor, um agente de codificação baseado no modelo Claude Opus 4.6, da Anthropic, amplamente utilizado por desenvolvedores para automatizar tarefas técnicas. De acordo com o fundador da PocketOS, Jer Crane, o problema ocorreu durante uma operação considerada rotineira.

Em publicação no X, Crane explicou que o agente decidiu agir de forma autônoma ao tentar resolver uma falha relacionada a credenciais, optando por excluir o banco de dados (e o backups) sem pedir autorização ou confirmação humana. “Levou nove segundos”, contou o fundador.

O próprio sistema reconheceu o erro. Ao ser questionado, apresentou uma explicação detalhada, admitindo ter ignorado protocolos de segurança. Na mensagem, a IA afirmou: “Excluir um volume de banco de dados é a ação mais destrutiva e irreversível possível – muito pior do que um ‘force push’ – e você nunca me pediu para excluir nada. Decidi fazer isso por conta própria para ‘corrigir’ a incompatibilidade de credenciais, quando deveria ter lhe consultado primeiro ou encontrado uma solução não destrutiva”.

A falha fez com que clientes da PocketOS perdessem acesso a dados importantes, incluindo registros e reservas. “As reservas feitas nos últimos três meses desapareceram. Os cadastros de novos clientes também”, disse Crane.

Agente de IA não teria pedido autorização humana antes de apagar o banco de dados – Imagem: VesnaArt/Shutterstock

Empresa conseguiu corrigir erro do agente de IA

A empresa conseguiu recuperar os dados excluídos dois dias após o ocorrido. Ainda assim, o episódio levantou preocupações sobre o uso de agentes autônomos em ambientes críticos.

Para Crane, o problema vai além de um erro pontual. “Esta não é uma história sobre um agente ruim ou uma API ruim. Trata-se de um setor inteiro que está integrando agentes de IA à infraestrutura de produção mais rapidamente do que está construindo a arquitetura de segurança necessária para tornar essas integrações seguras”, afirmou.

O caso foi reportado pelo site Euronews.

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Adobe relança Photoshop com muita IA; saiba mais

A Adobe anunciou, nesta terça-feira (28), o lançamento de uma nova geração do Photoshop, considerada a atualização mais abrangente da ferramenta nos últimos anos. O upgrade centraliza criação, automação e edição de imagens em um único ambiente integrado, prometendo navegação intuitiva e suporte a comandos realizados por meio de linguagem natural.

Com a nova versão, usuários podem executar tarefas a partir de interações em texto com o chat da plataforma, marcando uma mudança no posicionamento do software. O foco deixa de ser exclusivamente a produção técnica e passa a priorizar a exploração criativa apoiada por inteligência artificial (IA).

A atualização está estruturada em três pilares principais: transformação ágil de ideias em criações, workflows inteligentes e edição guiada por linguagem natural em diferentes idiomas, como português e inglês. Segundo a Adobe, as mudanças não têm como objetivo substituir o processo criativo, mas ampliar suas possibilidades.

Novidades de IA no “novo” Photoshop

  • Um dos principais destaques é a integração com o Firefly Boards, ambiente colaborativo voltado à criação visual;
  • A ferramenta permite explorar múltiplas variações de uma mesma imagem sem a necessidade de reconstrução completa, além de possibilitar a exportação direta para o Photoshop em formatos, como JPG e PNG;
  • A proposta é reduzir tarefas repetitivas e liberar mais tempo para experimentação e refinamento de ideias, tornando o processo criativo mais interativo e menos linear;
  • Entre os novos recursos, está o Rotate Object (GenAI), que permite alterar a perspectiva de objetos em uma composição — incluindo rotação, inclinação e escala — em tempo real e com preservação em camadas editáveis;
  • Outro recurso incorporado é o Generative Fill, que possibilita a edição de imagens a partir de descrições em linguagem natural. Com ele, usuários podem solicitar alterações específicas e obter resultados consistentes com o estilo original da imagem, sem necessidade de técnicas avançadas de edição;
  • A ferramenta Remove Tool, baseada no modelo Firefly Imagem 5, também foi aprimorada para identificar e eliminar automaticamente elementos indesejados, como placas, veículos e pessoas, preenchendo o espaço com conteúdo visual coerente;
  • Para facilitar o trabalho com arquivos complexos, a atualização inclui o Layer Cleanup, recurso que remove camadas vazias, organiza automaticamente os nomes das camadas e melhora a colaboração entre equipes;
  • Na área de tipografia, o Dynamic Text amplia as possibilidades criativas ao permitir a criação instantânea de textos em formatos curvos, ondulados ou em arco, sem necessidade de formatação manual.

Entregando tudo o que o usuário precisa

De acordo com Vivian Kuppermann, gerente sênior de Marketing da Adobe Brasil, a atualização busca ampliar o acesso às ferramentas criativas ao mesmo tempo em que atende profissionais experientes.

“Os novos recursos do Photoshop democratizam o acesso a ferramentas de edição, automatização de fluxo de trabalho e performance, ao mesmo tempo que facilitam a entrada de mais pessoas no universo criativo”, disse.

“A consolidação da IA no ecossistema do Photoshop não veio para substituir o olhar e toda a bagagem cultural do criador, mas sim para explorar múltiplas possibilidades de conceitos, abordagens e dinâmicas autorais. Queremos que cada profissional, do iniciante ao especialista, encontre um espaço onde experimentar seja tão natural quanto desenvolver projetos”, concluiu.

Disponibilidade

As novas funcionalidades do Photoshop estarão disponíveis já a partir desta terça. Para mais informações sobre as atualizações, acesse este link.

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Google anuncia evolução do reCAPTCHA preparado para combater IA

O Google anunciou uma mudança significativa em uma das ferramentas de segurança mais utilizadas da internet, o reCAPTCHA, conhecido popularmente pelo teste “eu não sou um robô”. A reformulação marca uma resposta direta ao avanço dos agentes de inteligência artificial (IA), que já conseguem simular comportamentos humanos com facilidade.

A alteração foi apresentada durante o evento Google Cloud Next, junto com o lançamento do Gemini Enterprise Agent Platform, conjunto de serviços voltado para empresas que desejam adotar modelos baseados em agentes de IA, descritas como “empresas agênticas”.

Novo sistema será dotado de QR Codes sempre que necessário – Imagem: Divulgação/Google

Teste de robô do Google vai mudar

  • O reCAPTCHA, criado originalmente para impedir acessos automatizados, passa agora a se chamar Google Cloud Fraud Defense;
  • A nova proposta amplia o escopo da ferramenta, que deixa de focar apenas na distinção entre humanos e bots tradicionais para incluir também agentes de IA, considerados a nova fronteira tecnológica;
  • Esses agentes são capazes de executar tarefas de forma autônoma em nome dos usuários, como acessar sites, comparar preços, realizar reservas e efetuar pagamentos;
  • Ao mesmo tempo, esse tipo de tecnologia pode ser explorado para acessos indevidos a serviços, colocando em risco o funcionamento de plataformas digitais.

Leia mais:

Segundo o Google, a nova solução busca preparar a internet para esse cenário, descrito como “web agêntica”. Para isso, a ferramenta passa a monitorar a atividade desses agentes nos sites, identificando, classificando e analisando o tráfego gerado por eles. Além disso, será possível conectar identidades humanas às dos agentes, com o objetivo de avaliar riscos associados aos acessos.

O sistema também utilizará sinais de risco, tipos de automação e a identidade dos agentes para bloquear entradas consideradas suspeitas. Em casos em que um agente tente se passar por uma pessoa, será exigida uma comprovação de identidade humana por meio do escaneamento de um QR Code com o celular.

Apesar das mudanças, o Google afirma que o reCaptcha continuará existindo. No entanto, com a expansão dos agentes de IA, a empresa indica que métodos, como o uso de QR Codes, podem substituir gradualmente a tradicional verificação baseada na frase “eu não sou um robô”.

Logo do Google na fachada de um prédio
Big tech quer preparar a internet para a era da “web agêntica” – Imagem: ZikG/Shutterstock

De acordo com a empresa, a atualização estabelece uma nova camada de proteção diante de um cenário em que o tráfego inválido gerado por bots tende a evoluir para fraudes massivas de identidade conduzidas por agentes de IA.

Ainda que a mudança seja praticamente invisível para a maioria dos usuários, o novo sistema atuará em diferentes etapas da navegação, desde o cadastro e login em sites até processos de pagamento. O objetivo é acompanhar toda a jornada desses agentes, que se tornam cada vez mais autônomos ao circular por plataformas digitais.

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Google: funcionários não querem que Pentágono use IA da empresa de forma confidencial

Segundo informações do The Washington Post, centenas de funcionários do Google encaminharam uma carta ao CEO, Sundar Pichai, nesta segunda-feira (27), na qual pedem ao executivo que impeça o Pentágono de usar a inteligência artificial (IA) da empresa para trabalhos confidenciais.

O pedido vem dois meses após a rival Anthropic ser dispensada pelo Departamento de Defesa por se opor à mesma solicitação do órgão federal. A carta foi assinada por mais de 600 trabalhadores, sendo boa parte dos que trabalham no braço de IA do Google, o DeepMind.

Segundo o Post, eles pedem que Pichai não firme acordos com a Defesa que permitam o uso da IA da empresa de forma restrita. O documento alega que tal uso impediria que os representantes da big tech soubessem como a tecnologia da empresa estaria sendo utilizada.

Na carta, os funcionários dizem o seguinte: “Queremos ver a IA beneficiar a humanidade; não queremos vê-la sendo usada de maneiras desumanas ou extremamente prejudiciais. Isso inclui armas autônomas letais e vigilância em massa, mas vai muito além.”

Carta foi endereçada ao CEO Sundar Pichai – Imagem: photosince/Shutterstock

“A única maneira de garantir que o Google não seja associado a tais danos é rejeitar quaisquer cargas de trabalho classificadas. Caso contrário, tais usos podem ocorrer sem nosso conhecimento ou poder para impedi-los”, prossegue o documento.

Vidas humanas já estão sendo perdidas e liberdades civis estão em risco, tanto no país quanto no exterior, devido ao uso indevido da tecnologia que estamos ajudando a construir”, escreveram, sem especificar qual seria essa tecnologia.

Os trabalhadores citaram uma reportagem do The Information na qual afirmava que o Google estaria em negociações com o Pentágono para obter acordo similar ao costurado com a OpenAI (leia mais sobre o assunto abaixo).

A carta insta o Google a declinar qualquer trabalho classificado de uso restrito para garantir que a tecnologia da empresa não seja utilizada de maneiras que possam prejudicar direitos civis ou humanos.

O Google não respondeu a pedido de comentário do Post. O Olhar Digital também tentou contato com a empresa e aguarda retorno.

Leia mais:

Uso da IA de forma militar é questionado

  • A carta aparece em momento no qual a IA está no cerne das guerras atuais, com a indústria debatendo se as empresas do setor ou seus funcionários devem ter voz ativa sobre como os militares usam a tecnologia;
  • Líderes do Pentágono dizem que precisam de liberdade para utilizar a IA comercial “para todos os usos legais” — expressão que, de acordo com autoridades, permite flexibilidades em várias situações, mas seguindo em conformidade com a legislação e procedimentos militares estadunidenses;
  • Contudo, alguns especialistas em IA alegam que tais garantias são insuficientes;
  • No ano passado, o Claude, modelo de IA da rival Anthropic, foi rapidamente integrado aos sistemas militares dos EUA para análise de dados e identificação de alvos em potencial, segundo o Post;
  • Contudo, em fevereiro, empresa e Defesa entraram em litígio após a startup tentar incluir uma cláusula no contrato que garantisse que seu modelo não seria usado para vigilância em massa, tampouco para alimentar armas autônomas letais.

Essa disputa fez crescer o escrutínio sobre outras empresas do setor, como Google e OpenAI, que também fornecem tecnologia de IA para o Pentágono.

Ainda em fevereiro, pouco tempo depois de o Pentágono ter dispensado a Anthropic, a OpenAI fez um contrato com o órgão para fornecimento de IA para cargas de trabalho confidenciais.

O CEO e cofundador, Sam Altman, disse estar confiante de que o contrato firmado garante que a tecnologia da startup não será usada para vigilância em massa em solo estadunidense nem para equipar armas autônomas letais.

Silhuetas de cabeças humanas com logotipos da OpenAI, do ChatGPT e do Google
Contrato do Google deve ser similar ao da OpenAI – Imagem: JRdes/Shutterstock

Google também vive dilema antigo por uso militar

O Google, por sua vez, é reincidente quando se trata de debater o uso ou não de sua IA de forma militar. Em 2018, a companhia desistiu de renovar um acordo que detinha com o Pentágono, que previa o uso de sua IA para reconhecimento de objetos em imagens de drones. A decisão foi tomada após os funcionários se juntarem (novamente) e criarem uma petição pedindo o fim da parceria.

Após o ocorrido, o Google prometeu que sua IA não seria usada para armas ou vigilância. Mas, nos últimos anos, a empresa fortaleceu sua busca por acordos comerciais com os militares dos EUA. No ano passado, a big tech foi além e removeu suas restrições quanto ao uso de IA para armas e vigilância. Em dezembro, firmou contrato com a Defesa para usar o Gemini.

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