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IA vira aliada da NASA na busca por novos segredos do universo

Nesta quarta-feira (22), a NASA anunciou a sua adesão à Genesis Mission, iniciativa nacional dos Estados Unidos criada para ampliar o uso da inteligência artificial em desafios científicos e tecnológicos complexos. A participação busca transformar décadas de dados e conhecimento acumulados pela agência em novas ferramentas de descoberta.

O projeto, liderado pelo Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, reúne mais de 15 órgãos federais norte-americanos e pretende acelerar processos de pesquisa, engenharia e inovação. A NASA participará com seus arquivos de missões, capacidade técnica e experiência em exploração espacial.

A agência espacial informou que pretende aplicar recursos de inteligência artificial tanto no desenvolvimento de sistemas para missões futuras quanto na análise de mais de 150 petabytes de informações coletadas ao longo de décadas. A iniciativa tem como objetivo ampliar a capacidade de encontrar padrões e gerar novos conhecimentos a partir desse acervo.

Inteligência artificial será usada para ampliar descobertas da NASA

Donald Trump – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

A entrada da NASA na Genesis Mission ocorre dentro de um esforço federal lançado por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em novembro de 2025. A determinação estabeleceu uma estratégia nacional para utilizar inteligência artificial como instrumento de avanço científico.

Segundo a agência, a colaboração permitirá unir sua experiência em missões espaciais às capacidades de computação e inteligência artificial do Departamento de Energia dos Estados Unidos. A expectativa é reduzir o tempo necessário entre a criação de conceitos e a preparação de sistemas capazes de operar em ambientes espaciais.

O desafio envolve uma área considerada estratégica pela NASA: desenvolver tecnologias capazes de funcionar em um cenário espacial mais complexo, com aumento da quantidade de atividades e necessidade de integração entre diferentes sistemas. Entre os setores envolvidos estão comunicação, logística, operações em superfície e equipamentos espaciais.

Galáxia em espiral
Via Láctea – Imagem: Triff/Shutterstock

O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a iniciativa representa uma oportunidade para transformar investimentos históricos em ciência e tecnologia em resultados mais rápidos. “A Genesis Mission é uma oportunidade de transformar essa base em ciência mais rápida, engenharia mais forte e melhores resultados de missão”, declarou o chefe da agência espacial americana em comunicado oficial da NASA.

Isaacman também destacou que a parceria pode fortalecer a liderança dos Estados Unidos no espaço e criar novas formas de compreender a Terra e o universo. De acordo com o administrador, a NASA pretende ainda aplicar sua pesquisa e desenvolvimento em outras iniciativas governamentais que tragam benefícios aos contribuintes americanos.

Além das aplicações voltadas à engenharia espacial, a agência pretende explorar o potencial da inteligência artificial para examinar seu vasto conjunto de dados científicos. O material reúne observações produzidas por telescópios, satélites, orbitadores, veículos de pouso e programas de aeronáutica.

A NASA avalia que ferramentas avançadas de IA poderão cruzar informações de diferentes missões, instrumentos, simulações e áreas científicas, ajudando pesquisadores a identificar relações que poderiam permanecer ocultas em análises tradicionais. A tecnologia também poderá aprimorar previsões e revelar descobertas em dados que já foram examinados anteriormente.

Com a Genesis Mission, a agência espacial busca ampliar o retorno de investimentos feitos durante décadas em exploração e pesquisa. A iniciativa representa uma tentativa de transformar seus arquivos históricos em uma fonte ativa para novos avanços científicos e tecnológicos.

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O papel da inteligência artificial nos resgates após o terremoto na Venezuela

Parte da resposta ao terremoto na Venezuela não está acontecendo no chão. Está orbitando a Terra. NASA, Microsoft e União Europeia ativaram sistemas de inteligência artificial e satélites para tentar acelerar o trabalho das equipes de resgate.

E o foco é direto: identificar rapidamente onde o impacto foi maior, explica o Euronews.

“IA e imagens de satélite ajudam a priorizar regiões críticas”, mostram especialistas envolvidos na operação. – Imagem: ollegN/iStock

Corrida contra o tempo começa no espaço

Nos locais atingidos, cada minuto conta. Enquanto equipes ainda buscam sobreviventes entre os escombros, satélites e sistemas de IA analisam o cenário de cima.

A NASA entrou em ação com seu programa de resposta a desastres, em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon. A estratégia é comparar imagens de radar feitas antes e depois do terremoto.

O objetivo é detectar mudanças no solo e nas construções. Simples na teoria, complexo na prática.

Uma estimativa inicial aponta cerca de 59 mil estruturas possivelmente danificadas ou destruídas. O número ainda pode mudar.

Satélites europeus entram como base do sistema

Boa parte dessa análise depende do Copernicus, programa europeu de observação da Terra. Os satélites Sentinel-1, operados pela União Europeia e pela Agência Espacial Europeia, capturam imagens de alta precisão.

Essas imagens conseguem identificar até pequenas alterações no terreno — deslocamentos de centímetros.

Depois disso, entra a inteligência artificial. Ela organiza o volume enorme de dados e transforma tudo em mapas mais fáceis de entender.

  • imagens de radar dos satélites Sentinel-1
  • detecção de deslocamentos mínimos no solo
  • identificação de alterações estruturais em edifícios
  • apoio na criação de mapas de risco
Bombeiros trabalhando em escombros após terremoto
Dados do espaço são transformados em mapas de risco quase em tempo real para apoiar equipes de resgate. – Imagem: Frame Stock Footage/Shutterstock

Microsoft usa IA para organizar o caos

A Microsoft participa por meio do laboratório “AI for Good”. Lá, foram criados modelos de visão computacional que analisam milhares de imagens automaticamente.

Esses sistemas não “decidem” nada sozinhos. Eles apenas classificam estruturas com maior ou menor chance de dano.

Isso ajuda a priorizar regiões que precisam de atenção primeiro.

“Essas ferramentas não substituem a inspeção presencial, mas ajudam a orientar o trabalho em campo com mais precisão”, destacam especialistas.

Ilustração mostra inteligência artificial em um smartphone diante de gráfico financeiro em queda.
Informações integradas ajudam governos e ONGs a coordenar respostas mais rápidas em meio à crise. – Imagem: Sergio Photone / Shutterstock

Dados chegam às equipes em terra

Tudo isso é centralizado no Centro de Dados Humanitários (HDX), da ONU. É lá que governos, ONGs e equipes de emergência acessam mapas quase em tempo real.

Leia mais:

Funciona como uma espécie de painel comum para todos os envolvidos na resposta ao desastre.

Ainda assim, há um ponto importante que não muda: a checagem final precisa ser feita no local. A tecnologia ajuda a enxergar o cenário mais rápido. Mas não substitui quem está lá dentro, lidando com ele de perto.

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NASA usa IA para proteger os astronautas da missão Artemis 2 da radiação solar

Enquanto a cápsula Orion se afasta da Terra em direção à Lua, os astronautas da missão Artemis 2, lançada na última quarta-feira (1) pela NASA, vão perdendo parte da proteção natural do planeta: o campo magnético que ajuda a desviar a radiação solar. 

O maior risco das missões espaciais não são falhas técnicas ou micrometeoroides, mas partículas carregadas lançadas pelo Sol durante erupções e explosões solares. Para enfrentar esse perigo, a NASA monitora previsões de radiação com o auxílio de inteligência artificial (IA), desenvolvidas por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, com o objetivo de alertar a tripulação antes que tempestades de partículas alcancem a nave, dando tempo para ações de proteção.

Em resumo:

  • Radiação solar é o maior risco no espaço profundo;
  • Partículas do Sol podem danificar DNA e células;
  • Nave da missão Artemis 2 tem blindagem, mas precauções ainda são necessárias;
  • Ferramenta de IA prevê tempestades solares com até 24 horas;
  • Modelos físicos estimam o impacto e duração da radiação;
  • Isso permite planejar e aplicar estratégias eficazes de proteção.
Lançamento da missão Artemis 2 à Lua, em 1º de abril de 2026 – Crédito: NASA/Aubrey Gemignani

NASA testa modelos de IA para alertar astronautas

O Grupo de Análise de Radiação Espacial (SRAG) da NASA acompanha essas previsões durante a missão. A Artemis 2 ocorre no pico do ciclo solar, quando manchas e erupções são mais frequentes. Recentes erupções lembram que os riscos são reais: prótons acelerados podem viajar quase à velocidade da luz e atingir a nave em minutos.

Se atingirem a tripulação, essas partículas podem causar danos celulares e aumentar risco de câncer a longo prazo. Em casos extremos, segundo a agência, podem provocar sintomas imediatos, como náuseas. Para reduzir riscos, a cápsula Orion foi construída com blindagem avançada, mas a NASA treina a tripulação para reforçar a proteção da cabine quando necessário.

Durante situações de risco elevado, os astronautas podem reorganizar equipamentos e usar partes da nave como barreira extra. Esse procedimento aumenta a proteção sem interromper o trabalho a bordo, permitindo que experimentos e operações continuem mesmo sob ameaça de radiação.

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Imagem ilustra partículas energéticas solares espiralando para fora do Sol após uma erupção de plasma. A NASA monitorará as previsões dessas partículas durante a missão Artemis 2 para proteger os astronautas da radiação – Crédito: Laboratório de Imagens Conceituais do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA.

A primeira ferramenta testada é um modelo de aprendizado de máquina. De acordo com um comunicado, ele estima a probabilidade de tempestades solares perigosas com até 24 horas de antecedência. Para isso, utiliza imagens da superfície e da coroa solar obtidas pelo Observatório de Dinâmica Solar (SDO), da NASA, e pelo Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), uma parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA).

Esses registros históricos de radiação e atividade solar, que remontam a décadas, treinam o algoritmo para reconhecer sinais de erupções iminentes. Segundo Lulu Zhao, pesquisadora do Centro CLEAR, projeto da NASA que prevê radiação solar, o modelo monitora o Sol 24 horas por dia, observando sua evolução magnética e eventos que possam liberar energia extra.

Uma limitação do sistema é que ele fornece probabilidades, não detalhes sobre intensidade ou duração da tempestade. Por isso, a equipe complementa o aprendizado de máquina com um modelo físico que simula a propagação das partículas solares.

NASA prevê impacto da radiação com modelo físico

O modelo físico calcula quando erupções gerarão tempestades de partículas na Terra e na Lua, e quanto tempo a radiação ficará elevada. Ele acompanha o comportamento das partículas na coroa solar, região onde são aceleradas, oferecendo previsões mais precisas que métodos simplificados.

Baseado em pesquisas de 2014 da Universidade de Michigan, o modelo permite estimar rapidamente a exposição à radiação. Quando uma erupção ocorre, medições da velocidade das partículas são enviadas ao banco de dados da NASA, alimentando o sistema para calcular os riscos de forma imediata.

Para garantir rapidez, a equipe da Zhao teve acesso a três mil unidades de processamento no supercomputador da NASA. Sem essa capacidade, atrasos poderiam colocar os astronautas em risco, pois partículas solares podem atingir a nave muito rapidamente após uma explosão.

Combinando o modelo físico e a IA, a NASA consegue monitorar condições em tempo real, aumentando a segurança da tripulação enquanto a Artemis 2 se afasta da bolha protetora da Terra.

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A tripulação da Artemis 2 deixará o escudo magnético terrestre rumo à Lua. Para garantir a segurança dos astronautas contra a radiação de erupções solares perigosas, a NASA vai monitorar previsões espaciais, permitindo precauções a tempo – Crédito: Estúdio de Visualização Científica da NASA.

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Alertas de radiação orientam operações em tempo real

Os operadores do SRAG já acompanham sensores de radiação na Orion. Eles podem alertar o Controle da Missão se os níveis subirem rapidamente, permitindo ajustes imediatos. O maior benefício das previsões é o tempo: algumas horas extras podem fazer toda a diferença na proteção dos astronautas.

A Artemis 2 não testa apenas foguetes, cápsulas ou navegação. Ela também avalia a capacidade da NASA de “ler o Sol” em tempo real, testando novas ferramentas de previsão de radiação.

O sucesso dessas previsões é essencial para futuras missões à Lua e além. Combinando IA e modelos físicos, a NASA melhora a segurança da tripulação e reduz riscos de exposição à radiação no espaço profundo.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

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