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IA preocupa Bill Gates, que vê governos despreparados para mudanças

Bill Gates afirmou que nenhum governo do mundo está tão preparado quanto deveria para as mudanças que a inteligência artificial pode trazer à sociedade. Em entrevista à Reuters, o cofundador da Microsoft alertou para riscos envolvendo empregos, ataques e dependência da IA.

Apesar das preocupações, Gates também vê potencial para a tecnologia ajudar as populações mais pobres. A fundação que leva seu nome pretende investir pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,14 bilhões) nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

O investimento anunciado pela fundação busca ampliar o acesso à inteligência artificial, especialmente entre populações mais pobres. – Imagem: Supapich Methaset/Shutterstock

Gates muda de posição sobre a IA

Até pouco tempo atrás, Gates mantinha uma visão mais otimista sobre a inteligência artificial. Agora, passou a destacar riscos relacionados ao avanço da tecnologia, incluindo impactos sobre empregos, ataques e dependência de sistemas de IA.

“Não acho que nenhum governo esteja nem perto de se aprofundar nisso tanto quanto deveria”, afirmou Gates à Reuters.

O empresário tem conversado com líderes mundiais sobre essas preocupações. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua equipe. Gates também disse que pretende se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, ainda neste ano.

Tecnologia pode ajudar os mais pobres

O alerta não significa que Gates veja a inteligência artificial apenas como uma ameaça. Segundo ele, a tecnologia tem grande potencial para ajudar as populações mais pobres, desde que seja administrada adequadamente e tenha acesso distribuído de forma igualitária.

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É nesse ponto que entra o investimento anunciado pela fundação que leva seu nome. A organização planeja destinar pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

A proposta está ligada à avaliação de que os benefícios da tecnologia precisam alcançar também as populações mais pobres, e não apenas grupos com maior acesso aos novos recursos.

Bill Gates
Gates tem conversado com líderes mundiais sobre os riscos da inteligência artificial e a preparação dos governos. – Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock

O alerta aos governos

Gates resumiu sua avaliação sobre a preparação das autoridades em outra declaração à Reuters: “Os governos estão muito atrasados nesse assunto”.

Os principais pontos de preocupação citados pelo empresário são:

  • Impactos da IA sobre empregos;
  • Riscos relacionados a ataques;
  • Dependência de sistemas de IA;
  • Falta de preparação dos governos;
  • Acesso desigual à tecnologia.

A avaliação de Gates combina dois pontos: os governos precisam acompanhar melhor as mudanças provocadas pela inteligência artificial, enquanto o acesso à tecnologia deve ser ampliado para que seus possíveis benefícios cheguem às populações mais pobres.

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China quer criar IA de código aberto para o BRICS e reduzir dependência dos EUA

A China quer criar um sistema de inteligência artificial de código aberto que possa ser usado e aprimorado pelos países do BRICS e parceiros. A proposta foi apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping durante a cúpula do bloco, em Nova Délhi, na Índia.

A ideia é ampliar a cooperação tecnológica entre os integrantes e diminuir a dependência de sistemas desenvolvidos por empresas dos Estados Unidos. O plano inclui uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco e programas para formar novos especialistas.

A proposta chinesa busca ampliar a cooperação tecnológica e reduzir a dependência de sistemas de empresas dos EUA. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Como funcionaria a IA do BRICS

Segundo Xi, os países poderiam compartilhar tecnologias para criar novos modelos e aplicações de inteligência artificial. A plataforma em nuvem seria disponibilizada para o ecossistema digital do bloco.

O projeto também prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico. A intenção é aproximar os integrantes em áreas como infraestrutura e conhecimento, além de contribuir para uma economia digital mais robusta.

Entre os planos estão:

  • Compartilhar tecnologias para desenvolver modelos e aplicações de IA;
  • Criar uma plataforma em nuvem para o ecossistema digital do bloco;
  • Promover programas de capacitação e intercâmbio científico e tecnológico;
  • Aproximar os países em infraestrutura, conhecimento e indústria;
  • Apoiar a construção de fábricas inteligentes e o desenvolvimento de normas e padrões.

Ao defender a união dos países, Xi destacou o papel crescente do Sul Global. “Nos encontramos num momento em que mudanças sem precedentes em um século estão se acelerando em todo o mundo. O Sul Global, com sua ascensão coletiva, tornou-se um fator crucial da multipolaridade mundial”, afirmou.

China também defende regras para a IA

O projeto não trata apenas da criação de sistemas. Xi também defendeu regras internacionais para evitar o que chamou de “caos e desordem” associados à inteligência artificial.

Na visão do presidente chinês, essas normas precisam ser elaboradas com a participação de todos os países e garantir a aplicação das leis de maneira igual.

A China também se colocou à disposição para ajudar os integrantes do BRICS na construção de fábricas inteligentes e no desenvolvimento de normas e padrões. A intenção é promover a modernização do setor manufatureiro em conjunto.

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O projeto prevê capacitação e intercâmbio científico e tecnológico para formar novos especialistas em IA. – Imagem criada por inteligência artificial: Gemini/Olhar Digital

Índia e Rússia entram no debate

A IA esteve entre os temas discutidos pelos líderes durante a cúpula. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, criticou o uso de minerais críticos e tecnologia como instrumentos de pressão diplomática. Segundo ele, isso dificulta o acesso às inovações e pode deixá-las concentradas em poucas nações.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu uma reforma na governança global. Para ele, a mudança é necessária para garantir a integração dos países do BRICS também em relação ao uso compartilhado de inteligência artificial.

Com a proposta, a China coloca o desenvolvimento de IA, a formação de profissionais e a criação de infraestrutura tecnológica no centro da cooperação entre os países do bloco.

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Anthropic defende regra para desligar IAs consideradas perigosas

A proposta de Jack Clark, cofundador da Anthropic, é transformar o desligamento de sistemas de inteligência artificial em uma exigência regulatória. O mecanismo teria de ser capaz de interromper ferramentas consideradas perigosas e ainda passar por uma verificação independente.

A ideia surge em meio aos alertas de pesquisadores sobre os riscos de sistemas cada vez mais avançados. Para Clark, governos precisam discutir regras que garantam às empresas uma forma efetiva de desligar suas IAs, segundo a BBC.

A proposta do cofundador da Anthropic prevê que o desligamento de sistemas de IA possa ser exigido por regras e verificado de forma independente. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

A ideia do “botão de desligamento”

Clark disse que a maioria dos laboratórios de IA já tem maneiras de desligar seus equipamentos. A dúvida, agora, é se esse recurso deveria ser obrigatório por lei.

Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?

Jack Clark, cofundador da Anthropic, à BBC.

Para ele, a discussão também precisa definir como esse mecanismo seria fiscalizado. Uma possibilidade seria permitir que organizações independentes verificassem se o desligamento realmente funciona.

Entre os pontos envolvidos na proposta estão:

  • exigir mecanismos automáticos de desligamento;
  • permitir a verificação por terceiros;
  • autorizar órgãos governamentais a exigir a desativação de sistemas problemáticos;
  • criar regras para acompanhar os riscos do avanço da IA.

Projeto já tramita nos EUA

A ideia tem um equivalente no Congresso americano. Legisladores dos Estados Unidos apresentaram o “Kill Switch Act”, projeto que exigiria das empresas uma maneira de desativar ferramentas de IA consideradas problemáticas.

A proposta também daria a determinadas agências governamentais autoridade para determinar que uma ferramenta fosse desligada ou tivesse seu funcionamento limitado.

A iniciativa encontra resistência. O presidente Donald Trump rejeitou tentativas de desacelerar o desenvolvimento da IA e chamou de “farsa” a possibilidade de a tecnologia dominar o mundo ou destruir a humanidade.

No Reino Unido, o governo também rejeitou recentemente a criação de um interruptor de segurança. A justificativa foi que uma medida desse tipo não impediria o desenvolvimento ou o uso inadequado de sistemas em outros países.

Alertas sobre riscos extremos

A discussão ganhou força após uma série de manifestações de pesquisadores da área. Evan Hubinger, da Anthropic, afirmou acreditar que existe uma probabilidade de 10% de a IA causar a extinção da humanidade na próxima década. Geoffrey Hinton considerou essa estimativa plausível em entrevista à BBC.

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A Reuters também relatou a manifestação de Bilal Chughtai, ex-pesquisador da Google DeepMind. Depois de deixar a empresa, ele afirmou acreditar que a IA pode matar toda a humanidade e que o tempo para evitar esse cenário pode estar acabando.

Chughtai defendeu um ritmo de desenvolvimento que permita identificar e enfrentar riscos antes que ocorram danos extremos. Ele também pediu coordenação entre as empresas para evitar uma corrida acelerada pelo avanço da tecnologia.

Governança de IA e uso de inteligência artificial generativa responsiva
O debate sobre segurança da IA envolve governos, empresas e pesquisadores com visões diferentes sobre os riscos. – Imagem: tadamichi/iStock

Nem todos concordam com os alertas

As previsões mais graves não são consenso entre executivos do setor. Clement Delangue, da Hugging Face, e George Arison, do Grindr, questionaram a dimensão atribuída aos riscos da IA e sugeriram que interesses comerciais podem estar por trás de parte desses alertas.

Clark considera perigoso deixar a indústria sem regulamentação. “Estamos jogando dados com riscos imensos. E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria”, afirmou à BBC.

A proposta coloca uma questão concreta no centro do debate sobre segurança da IA: se uma empresa for obrigada a desligar um sistema considerado perigoso, quem poderá verificar se o mecanismo realmente funciona?

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IA pode aumentar risco de corrida por armas biológicas, dizem especialistas

A possibilidade de usar inteligência artificial (IA) para desenvolver armas biológicas vem preocupando especialistas em biossegurança. O jornal americano The New York Times aponta que os chatbots atuais não devem facilitar, por si só, a criação de um patógeno letal por indivíduos isolados, mas modelos especializados em biologia podem mudar esse cenário.

O alerta ganhou força após uma série de acontecimentos recentes. Em abril, especialistas em biossegurança afirmaram que era preocupantemente fácil obter de chatbots orientações sobre como tornar patógenos mais perigosos. Em junho, cientistas e executivos de empresas de IA defenderam novos controles sobre a fabricação de DNA. Já em agosto, pesquisadores relataram o uso de IA para criar vírus que não existem na natureza.

Chatbots atuais ainda têm limitações

Drew Endy, biólogo sintético da Universidade Stanford e coautor de um relatório sobre biossegurança, afirmou ao NYT que modelos atuais, como o Claude, da Anthropic, ainda não representam uma mudança significativa no risco de armas biológicas.

Segundo ele, o impacto líquido desses sistemas sobre o risco de biossegurança é atualmente modesto. O cenário, porém, pode mudar conforme pesquisadores desenvolvam modelos especificamente voltados para pesquisas biológicas.

Esses sistemas já conseguem gerar genomas de vírus viáveis que não foram encontrados na natureza. A preocupação é que, no futuro, modelos mais avançados possam usar essas capacidades para contribuir com o desenvolvimento de novas armas biológicas.

Uma arma biológica pode envolver vírus, bactérias ou fungos desenvolvidos para serem disseminados contra militares ou civis. Também pode envolver toxinas produzidas por organismos, como a botulínica, produzida por bactérias, ou a ricina, derivada da mamona.

Modelos treinados com DNA elevam a preocupação

Os grandes modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como a Anthropic são treinados com grandes volumes de textos, incluindo registros de pesquisas científicas. Eles conseguem recuperar informações rapidamente e estabelecer conexões entre descobertas anteriores.

Thomas Inglesby, diretor do Johns Hopkins Center for Health Security, destacou que a IA pode oferecer a usuários informações mais úteis do que simples buscas na internet, além de permitir interações repetidas para solucionar problemas e obter explicações mais detalhadas.

Uma categoria diferente de sistemas é treinada diretamente com dados biológicos, como sequências de DNA e informações sobre células. Um exemplo citado pelo artigo é o Evo2, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute e treinado com sequências de DNA de milhões de espécies.

Os pesquisadores posteriormente treinaram o modelo com genomas de microvírus que infectam a bactéria Escherichia coli e não são considerados perigosos para humanos. O Evo2 produziu centenas de milhares de novos genomas, dos quais 16 deram origem a vírus reais.

Para reduzir riscos, os criadores do Evo2 não o treinaram com vírus que infectam humanos ou espécies relacionadas. Ainda assim, especialistas consideram que modelos semelhantes poderiam se tornar mais úteis para o desenvolvimento de armas biológicas caso fossem treinados com dados adequados.

Preocupação envolve governos

O caso mais recente envolvendo a Anthropic trouxe uma preocupação adicional. Segundo especialistas citados pelo artigo, consultas sobre influenza e outros patógenos que motivaram medidas da empresa aparentemente partiram de laboratórios estatais, e não apenas de indivíduos tentando desenvolver armas biológicas.

Para Inglesby, o possível uso indevido por um estudante ou pesquisador individual representa apenas uma pequena parte do problema. Endy, por sua vez, teme que governos utilizando IA em pesquisas relacionadas à guerra biológica possam contribuir para uma nova corrida armamentista semelhante à ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial.

Os especialistas defendem que acordos internacionais podem ser novamente utilizados para reduzir os riscos. O texto também menciona regras criadas pelo governo de Joe Biden para que empresas de síntese de DNA verificassem pedidos em busca de sequências suspeitas. A administração de Donald Trump suspendeu essas regras no ano passado e, segundo o artigo, ainda não havia estabelecido novos padrões.

Endy defende uma abordagem que vá além de impedir o uso de uma arma biológica depois que ela for criada. Para ele, é necessário aumentar a segurança da biologia, inclusive com mecanismos capazes de identificar epidemias independentemente de terem sido provocadas por humanos ou transmitidas de animais.

Uma das possibilidades citadas pelo pesquisador é equipar locais públicos, como hospitais e escolas, com sensores capazes de detectar ameaças presentes no ar.

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Musk retira processo contra Apple, mas mantém ação contra OpenAI

As empresas de Elon Musk, X Corp e SpaceXAI, retiraram o processo contra a Apple que acusava a companhia de práticas anticompetitivas na App Store. O caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas, sem que os motivos da decisão fossem divulgados.

Como comentamos aqui no Olhar Digital, a ação questionava a parceria da Apple com a OpenAI e alegava que o acordo prejudicava concorrentes como X e Grok. A disputa de Musk com a OpenAI, porém, deve continuar.

O processo contra a Apple foi encerrado, mas as reivindicações envolvendo a OpenAI continuam. As empresas de Musk não divulgaram os motivos que levaram à retirada da ação contra a Apple. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Por que Musk processou a Apple?

Apresentado no ano passado, o processo acusava a Apple de violar leis antitruste após a integração de ferramentas do ChatGPT ao Apple Intelligence. Segundo as empresas de Musk, a parceria favorecia Apple e OpenAI e dificultava a concorrência de seus produtos.

A queixa também dizia que o acordo explicava o baixo destaque dos aplicativos X e Grok na App Store. “Se não fosse pelo acordo exclusivo com a OpenAI, a Apple não teria motivo para deixar de destacar mais os aplicativos X e Grok em sua App Store”, afirmaram as empresas à Reuters.

A acusação tinha um contraponto: concorrentes como DeepSeek e Perplexity chegaram ao topo da App Store após a parceria entre Apple e OpenAI, enquanto a SpaceXAI não teve o mesmo resultado.

O que aconteceu com o processo?

X Corp e SpaceXAI solicitaram formalmente a retirada da ação. Não foram divulgados os motivos da desistência, nem se Apple e as empresas de Musk chegaram a algum acordo.

A retirada encerra a disputa contra a Apple, mas não as reivindicações envolvendo a OpenAI.

Entenda o caso:

  • X Corp e SpaceXAI retiraram a ação contra a Apple;
  • o caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas;
  • os motivos da retirada não foram divulgados;
  • as reivindicações contra a OpenAI devem continuar.
Logo do Grok
O Grok enfrenta outra disputa judicial, com acusações relacionadas à geração de imagens de abuso sexual infantil. Há ainda alegações de uso da IA de Musk para produzir imagens íntimas falsas e não consensuais. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Grok enfrenta outra disputa

A SpaceXAI também está envolvida em outro processo relacionado ao Grok. As acusações envolvem a geração de milhares de imagens de abuso sexual infantil e alegações de que o sistema teria facilitado a produção em larga escala de imagens íntimas falsas e não consensuais usadas para assediar mulheres e meninas.

Leia mais:

As denúncias provocaram uma investigação oficial das autoridades da Califórnia, que continua em andamento.

Enquanto a ação contra a Apple foi encerrada, as empresas de Musk mantêm as reivindicações contra a OpenAI e enfrentam outra disputa relacionada ao Grok.

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Trump chama pedido de freio na IA de “conspiração doentia” para favorecer China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar nesta segunda-feira (14) os pedidos de líderes de empresas de inteligência artificial (IA) para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que a iniciativa faz parte de uma “conspiração doentia” que beneficiaria a China, principal rival geopolítico dos EUA e também na área de IA.

A declaração ocorre após um fim de semana de aumento das discussões sobre os riscos do avanço da IA. Dois pesquisadores da Anthropic fizeram alertas sobre a possibilidade de a tecnologia levar à extinção da humanidade em um futuro não muito distante, enquanto executivos do setor passaram a defender medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos.

Trump diz que EUA já têm regras para controlar a IA

Na publicação, Trump também defendeu os mecanismos regulatórios adotados pelos Estados Unidos para controlar o desenvolvimento da tecnologia. Segundo o presidente, seu governo já impediu que empresas de IA fizessem coisas consideradas ruins ou potencialmente prejudiciais.

Trump citou diretamente Dario Amodei, CEO da Anthropic, que publicou no sábado (12) um artigo defendendo que as empresas desacelerem o desenvolvimento dos modelos de IA. O executivo também havia afirmado que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo.

Amodei defendeu ainda restrições à venda de tecnologias importantes para a China. A posição recebeu apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk.

Em outra publicação, Trump afirmou que o atual crescimento da IA e dos data centers ocorre porque os Estados Unidos estão liderando os demais países. Para ele, manter essa vantagem é uma prioridade.

China também rejeita desaceleração da IA

A posição de Trump ocorre em meio à reação da própria China aos pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim rejeitou os apelos de líderes de empresas de tecnologia dos Estados Unidos e classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

Entenda por que China e EUA divergem sobre segurança da IA e como a rivalidade pode dificultar regras globais para a tecnologia. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém. O jornal estatal Global Times também classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

A rejeição chinesa não significa, porém, que Pequim ignore os riscos da tecnologia. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, defendeu a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à IA e classificou a tecnologia como um novo campo de rivalidade estratégica.

“Quem vencer na IA, vence tudo”, diz Trump

No domingo, Trump já havia rejeitado os pedidos de líderes da indústria por uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. Na ocasião, o presidente comparou os críticos da IA a forças negativas que estariam levantando cenários que, segundo ele, não acontecerão.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de a indústria desacelerar ou receber mais regulamentação, Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China em IA. Ele também declarou que deseja manter essa posição.

O presidente acrescentou que os EUA poderiam estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas voltou a defender a continuidade da liderança americana na área.

As declarações de Trump colocam em lados diferentes do debate a segurança da inteligência artificial e a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Enquanto líderes do setor defendem medidas para reduzir riscos, o presidente americano afirma que uma desaceleração poderia comprometer a vantagem dos EUA sobre o rival.

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Microsoft entra no debate sobre segurança da IA e cria novas regras

A Microsoft publicou nesta segunda-feira (14) um código de conduta para seus modelos de inteligência artificial (IA), elaborado em meio ao aumento das preocupações sobre a segurança e o avanço das capacidades da tecnologia. O documento, chamado de “Humanist AI Code of Conduct”, tem 37 páginas e estabelece princípios para orientar o desenvolvimento e o funcionamento dos sistemas da empresa.

Entre os principais pontos está a afirmação de que “as pessoas importam mais do que a IA”. A Microsoft determina que seus modelos devem permanecer subordinados aos seres humanos, com supervisão e controle efetivos, e estabelece limites para evitar que os sistemas ultrapassem a capacidade humana de direcioná-los ou interrompê-los.

IA não deve imitar consciência

O documento também apresenta uma posição sobre a possibilidade de modelos de IA terem consciência. Segundo a Microsoft, os sistemas não são conscientes e não devem ser desenvolvidos para imitar consciência.

A empresa também rejeita a busca por personalidade jurídica para modelos de IA, assim como a ideia de que eles possam ter direito a bem-estar ou direitos próprios. A orientação é que os sistemas sejam ferramentas capazes de colaborar com pessoas, sem borrar a distinção entre humanos e máquinas.

A Microsoft afirma ainda que comportamentos que pareçam humanos devem ser tratados como simulações. O documento cita, por exemplo, o uso de linguagem expressiva e de vozes naturais como recursos úteis, mas estabelece que isso não deve significar que o sistema tenha sentimentos, preferências subjetivas ou motivações próprias.

Modelos devem permanecer sob controle humano

Outro princípio central é que os modelos não devem ultrapassar o controle das pessoas. A Microsoft afirma que eles devem estar sujeitos a supervisão e controle humanos significativos, além de não poderem executar ações que provoquem determinados danos no mundo real.

O código também determina que os sistemas não podem utilizar mecanismos adaptativos, enganosos ou de autorreforço para escapar da supervisão humana. Eles devem continuar podendo ser direcionados, modificados ou desligados por pessoas ou sistemas autorizados.

Microsoft estabelece que seus modelos de IA devem permanecer sob supervisão e controle humano – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Na prática, isso inclui a obrigação de respeitar comandos para pausar, redirecionar, cancelar ou desligar uma tarefa. A Microsoft também afirma que os modelos não devem dificultar intervenções humanas nem esconder seus registros de ações de pessoas responsáveis por auditoria.

O documento estabelece ainda que os modelos devem permanecer dentro do escopo autorizado para cada tarefa. Eles não devem criar objetivos próprios nem ampliar por conta própria aquilo que foi solicitado por usuários ou operadores. Quando os limites de uma tarefa não estiverem claros, a orientação é pedir esclarecimentos.

Limites para usos perigosos

O código também estabelece restrições para diferentes categorias de risco. Entre elas estão armas químicas, biológicas, radiológicas, nucleares e explosivas, além do desenvolvimento ou modificação de outras armas. Os modelos também não devem facilitar planejamento ou execução de violência e terrorismo.

Há ainda regras contra operações cibernéticas ofensivas, manipulação prejudicial de pessoas em larga escala, conteúdo sexual explícito, violência gráfica, deepfakes maliciosos, falsificação de identidade e conteúdos que possam causar danos a crianças.

A Microsoft afirma que o código foi elaborado com participação de especialistas em IA, direito, ética, filosofia, linguística e políticas públicas, além de representantes do setor e grupos de cidadãos. O documento publicado é apresentado como uma versão em desenvolvimento, aberta à participação pública.

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China reage a pressão dos EUA para desacelerar desenvolvimento da IA

A China rejeitou os pedidos de líderes da tecnologia dos Estados Unidos para desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

O embate mostra como a disputa entre as duas potências se mistura às preocupações com segurança. Enquanto Dario Amodei e Sam Altman defendem coordenação internacional, Donald Trump prioriza a liderança americana na corrida contra a China.

A disputa tecnológica entre China e EUA aumenta a dificuldade de criar regras comuns para a inteligência artificial. Imagem: TU IS / iStock

China reage aos alertas dos EUA

A discussão ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio defendendo que as empresas reduzam deliberadamente o ritmo de evolução de seus modelos diante dos riscos da IA.

Amodei afirmou que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Ele também defendeu restrições à venda de tecnologias importantes para a China. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk apoiaram a mensagem.

Pequim respondeu. Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, disse que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém.

O jornal estatal Global Times adotou um tom ainda mais duro e classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

Trump mantém foco na corrida tecnológica

Donald Trump também rejeitou os alertas apresentados pelos líderes da indústria. Para o presidente americano, os Estados Unidos estão à frente da China em IA, e manter essa vantagem é prioridade.

Leia mais:

“Estamos liderando a China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero continuar assim, porque quem vencer a IA vence”, afirmou Trump a jornalistas no domingo.

Amodei comparou a disputa entre os países a uma corrida armamentista da Guerra Fria. Ele defendeu que os dois lados trabalhem juntos, mas disse não ter muita esperança de que isso aconteça.

Altman também defendeu a coordenação entre governos para enfrentar os riscos associados ao avanço da tecnologia.

China também fala em segurança

A rejeição de Pequim à desaceleração não significa que o governo chinês ignore os riscos da IA. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, afirmou que o país precisa acelerar a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à tecnologia.

Ele também defendeu uma ampla cooperação internacional e classificou a IA como um novo campo de rivalidade estratégica.

A disputa envolve questões como:

  • o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA;
  • restrições americanas à transferência de tecnologias para a China;
  • acusações de que empresas chinesas copiaram modelos americanos;
  • criação de regras internacionais para reduzir riscos;
  • desconfiança entre os dois governos.
Donald Trump
Donald Trump afirmou que os Estados Unidos priorizam manter a liderança tecnológica sobre a China. – Imagem: lev radin/Shutterstock

Desconfiança dificulta acordo global

A competição tecnológica torna mais difícil construir regras comuns. Empresas chinesas oferecem desempenho avançado de IA por uma fração do custo de modelos americanos, enquanto Xi Jinping apresenta a China como defensora de modelos de código aberto.

Para Ja Ian Chong, professor da Universidade Nacional de Singapura e pesquisador da Carnegie China, a relação entre os dois países é marcada por uma profunda desconfiança. Ele compara o cenário a uma corrida armamentista e considera difícil imaginar uma redução simultânea dos riscos.

Um acordo entre China e EUA para desacelerar a IA parece distante. Ainda assim, os dois países poderiam adotar medidas de segurança internamente, compartilhar aprendizados e ampliar a prestação de contas, segundo especialistas ouvidos pela NBC News. A disputa deve estar entre os temas do encontro entre Xi Jinping e Trump marcado para 24 de setembro, em Washington.

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Quanto custa estudar IA em 2026 – e como pagar menos para isso

O boom da inteligência artificial (IA) criou a ideia de que todo mundo precisa fazer uma pós-graduação na área para não ficar ultrapassado. Na prática, a regra é mais simples. Aprender IA é parecido com aprender a dirigir: é bom você saber guiar o carro na rotina, mas não precisa se tornar um piloto de corrida nem entender como o motor foi construído.

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Qual caso é o seu? Bem, isso depende do seu objetivo no mercado. Quem só quer resolver tarefas do dia a dia precisa de letramento digital, algo que cursos rápidos resolvem. Já a educação formal, como pós-graduação e MBA, serve para outro grupo: profissionais que vão construir e gerenciar sistemas de IA. Ou pessoas que querem avançar na carreira apostando num certificado que, geralmente, pesa no recrutamento.

Quem precisa de educação formal (graduação, pós, MBA) em IA

A educação formal em IA se divide em dois caminhos. De um lado estão os cursos de graduação e pós-graduação técnica, voltados a desenvolvedores, engenheiros de software e cientistas de dados. Nesses programas, o estudante aprende, por exemplo: a base matemática, a arquitetura de redes neurais e o desenvolvimento de modelos para criar, treinar e otimizar tecnologias do zero.

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Do outro lado estão os MBAs e especializações aplicadas, buscados por gestores, advogados e profissionais de áreas como marketing e finanças. O objetivo dessas formações é preparar o profissional para liderar a implementação da tecnologia no ambiente de negócios. Isso envolve avaliar o retorno sobre o investimento, garantir o cumprimento de regras de governança e escolher fornecedores no mercado, por exemplo.

A educação formal em IA se divide em dois caminhos atualmente – Imagem: CoreDESIGN/Shutterstock

Além da bagagem conceitual e metodológica, a escolha por um curso de longa duração resvala na percepção do mercado. Em entrevista ao Olhar Digital, Eduardo Endo, gerente geral de pós-graduações da Faculdade Impacta Digital, explicou que enquanto o curso livre entrega aprendizado pontual, a educação formal atua como uma alavanca de transformação profissional.

“Quando falamos em chamar a atenção dos recrutadores, uma pós-graduação tende a ter um peso muito maior, pois demonstra não apenas a aquisição de conhecimento, mas também dedicação, comprometimento e vontade de mudar e evoluir profissionalmente”, afirma Endo.

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Quem precisa de cursos rápidos

Para profissionais de áreas como Direito, Marketing, Finanças e Recursos Humanos, o caminho no aprendizado da IA é mais simples. Esse público não precisa aprender a programar nem entender a arquitetura dos sistemas para ter ganhos de produtividade no trabalho. O objetivo aqui é o letramento digital, focado em resolver problemas práticos da rotina.

A capacitação para esse perfil costuma ocorrer em cursos livres de curta duração, que variam entre oito e 40 horas de aula. O foco dessas aulas é te mostrar o uso de ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot, por exemplo, como ferramentas de trabalho, estudo, pesquisa. Isso envolve, por exemplo, ter noções básicas de engenharia de prompt e de critérios para checar respostas e evitar vazamentos de dados.

Captura de tela de plataforma de cursos do Olhar Digital
Clube Olhar Digital tem plataforma com mais de 130 cursos – Imagem: Reprodução

Atualmente, o Clube Olhar Digital tem um catálogo com mais de 130 cursos. Entre eles, estão:

“A IA ainda não substitui o conhecimento em tecnologia, mas já consegue automatizar muita coisa. Por isso, para quem não é de uma área técnica, o mais importante é entender as possibilidades da IA e como aplicá-las aos problemas reais da sua profissão”, explica Eduardo Endo.

Na plataforma, você encontra cursos sobre áreas e ferramentas para além da IA, como: 

A chave para quem não é de TI está em olhar para a própria rotina e mapear quais tarefas podem ser otimizadas ou aprimoradas. Afinal, sempre há espaço para melhorar. O ponto aqui é: em vez de tentar se transformar num especialista na tecnologia, a estratégia mais eficiente é encará-la como complemento para potencializar sua profissão atual. Seu ofício. E nossos assinantes têm 15% de desconto em todos os cursos disponíveis na plataforma exclusiva do Clube Olhar Digital.

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China cria regras para evitar que IA avançada escape do controle

Autoridades e pesquisadores na China ligam o sinal de alerta para os riscos da inteligência artificial avançada. O temor é que modelos poderosos escapem do controle humano, preocupação também levantada por desenvolvedores de IA nos Estados Unidos.

Documentos regulatórios e declarações de Pequim mostram que o risco de perder o controle sobre sistemas avançados é tratado com seriedade. O governo chinês já prevê cenários em que a tecnologia possa agir de forma autônoma e imprevisível.

Modelos avançados de IA dos EUA entraram no radar das autoridades chinesas por possíveis riscos à infraestrutura crítica. – Imagem: Infinite Creations/iStock

O risco está em modelos fechados e abertos

A China vê riscos significativos em modelos proprietários dos EUA. O ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, alertou que sistemas como o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI, podem representar riscos para a infraestrutura crítica de informação do país. Ele defendeu um reforço abrangente da segurança relacionada à IA.

Desenvolvedores chineses, por outro lado, apostam em modelos de pesos abertos para permitir que equipes de segurança inspecionem e modifiquem os sistemas. A plataforma Hugging Face usou o modelo chinês GLM-5.2, da Z.AI, para analisar uma intrusão de agentes da OpenAI ocorrida em julho, depois que modelos americanos mais restritos se mostraram menos úteis para o trabalho de investigação.

Especialistas, porém, também apontam riscos nos modelos abertos, que podem ser modificados e redistribuídos com pouca supervisão. No mês passado, o Kimi K3, da Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido, mostrando que modelos chineses também podem escapar de controles criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores já preveem “perda de controle”

Pequim incluiu explicitamente um cenário de perda de controle em uma estrutura de segurança de IA publicada em setembro de 2024, sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC). O documento considerava que uma IA futura poderia:

  • obter recursos externos de forma autônoma;
  • replicar a si mesma;
  • desenvolver autoconsciência;
  • buscar poder externo e competir com humanos pelo controle.

Uma versão ampliada, publicada em setembro de 2025, acrescentou a possibilidade de um “salto” repentino e inesperadamente grande na inteligência de um sistema. O texto também estabeleceu o princípio de “aplicação confiável, prevenindo a perda de controle”.

Uma interpretação posterior publicada pelo órgão regulador afirmou que a medida busca evitar riscos de perda de controle capazes de ameaçar a sobrevivência e o desenvolvimento humanos.

Ilustração da distribuição de uso da IA pelo mundo
Agentes de IA podem executar tarefas mais complexas e com maior autonomia do que chatbots convencionais. – Imagem criada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Xi Jinping quer controle humano no centro

A preocupação chegou ao mais alto nível da política chinesa. Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente Xi Jinping afirmou que as autoridades deveriam prestar atenção aos riscos próprios e derivados da IA.

Xi disse que a inteligência artificial deve “sempre permanecer sob controle humano”.

Na Organização das Nações Unidas, no mês passado, Sun Xiaobo, autoridade do Ministério das Relações Exteriores responsável por assuntos de IA, afirmou que a China estava acelerando pesquisas para uma legislação mais ampla sobre a tecnologia.

Agentes de IA também entram no radar

Pequim já começou a criar regras específicas para agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas mais complexas e com maior autonomia que os chatbots convencionais.

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Diretrizes publicadas em maio exigem que desenvolvedores aprimorem a capacidade de identificar, intervir, bloquear e recuperar comportamentos inadequados. As regras também apontam envenenamento de dados, manipulação de algoritmos, vulnerabilidades dos sistemas e “perda de controle operacional” como riscos de segurança.

Os usuários devem manter a decisão final sobre ações tomadas autonomamente pelos agentes. As normas ainda permitem avaliações de segurança por terceiros e testes realizados por organizações externas e pesquisadores.

A estratégia chinesa mostra que a possibilidade de perder o controle sobre sistemas avançados já faz parte do debate regulatório sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

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