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O historiador Niall Ferguson vê Estados Unidos e China já mergulhados em uma segunda Guerra Fria — uma disputa que tem Taiwan como principal ponto de tensão e que obriga países como o Brasil a buscar um equilíbrio cada vez mais difícil entre as duas potências. Em entrevista ao NeoFeed, realizada na Expert XP, Ferguson […]
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Uma disputa sobre o futuro da inteligência artificial (IA) ganhou força no Vale do Silício e passou a envolver as maiores empresas do setor, executivos de tecnologia e integrantes do governo dos Estados Unidos.
O debate opõe companhias, como OpenAI e Anthropic, que defendem maiores restrições aos modelos chineses de IA de código aberto, e um grupo formado por empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta e IBM, que argumenta que esse tipo de tecnologia deve permanecer aberto para estimular inovação, segurança e novos negócios.
A discussão, que há anos divide a indústria de tecnologia sobre o desenvolvimento de IA, se intensificou diante do avanço acelerado da China na criação de modelos de código aberto.
OpenAI e Anthropic defendem restrições
De um lado estão OpenAI e Anthropic, que sustentam que determinados modelos de IA são perigosos demais para serem desenvolvidos de forma aberta e, por isso, devem permanecer sob controle rígido das empresas responsáveis por sua criação.
Nos bastidores, segundo pessoas próximas às discussões contaram ao The New York Times, as duas companhias vêm pressionando reguladores em Washington (EUA) ao levantar preocupações sobre os modelos chineses de código aberto.
O debate passou a envolver também o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e Michael Kratsios, assessor de ciência e tecnologia do presidente Donald Trump, que discutem a importância dos modelos estadunidenses como propriedade intelectual estratégica.
As empresas afirmam que laboratórios chineses construíram parte de seus modelos por meio da coleta indevida de dados gerados por sistemas de IA estadunidenses, prática que, segundo elas, não deveria ser permitida.
Microsoft, Nvidia e outras gigantes defendem código aberto
Na direção oposta, empresas, como Microsoft, Nvidia, Meta, IBM e Palantir, defendem que os modelos de código aberto são essenciais para o avanço da IA;
Na sexta-feira (24), o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, publicou pela primeira vez no X que “o mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira”. Nove minutos depois, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA”;
Ambos assinaram uma carta em defesa do código aberto, acompanhados por executivos da Meta, Palantir e IBM;
Segundo essas empresas, modelos abertos impulsionam o desenvolvimento tecnológico, permitem que pesquisadores examinem sua segurança e aumentam a demanda por serviços de computação em nuvem e chips utilizados para executar aplicações de IA.
Para fundadores de startups do Vale do Silício, restringir o código aberto também poderia consolidar a vantagem competitiva de OpenAI e Anthropic, dificultando o surgimento de concorrentes.
“Você tem duas facções brigando por essa questão”, afirmou Bill Gurley, investidor de capital de risco do Vale do Silício contrário às restrições ao código aberto. “Há as pessoas que querem que OpenAI e Anthropic sejam donas de tudo, e depois há todo o resto, incluindo os clientes.”
Avanço chinês aumenta tensão
O conflito ganhou intensidade devido ao rápido progresso da China no desenvolvimento de modelos abertos de IA. Nas últimas semanas, as startups chinesas Z.ai e Moonshot AI lançaram modelos que competem com os desenvolvidos pela Anthropic e outros laboratórios estadunidenses.
No ano passado, a startup chinesa DeepSeek já havia surpreendido a indústria ao apresentar um sistema de IA de código aberto considerado comparável aos modelos das empresas dos Estados Unidos.
O governo chinês também passou a defender essa estratégia. Neste mês, o presidente Xi Jinping apresentou o país como um defensor global da abordagem aberta para IA.
Segundo pessoas familiarizadas com as discussões internas, o avanço chinês aumentou a preocupação entre executivos da OpenAI e da Anthropic, que temem perder a vantagem construída ao longo dos últimos anos.
Acusações de roubo de propriedade intelectual
Empresas estadunidenses de IA acusam laboratórios chineses de realizar o chamado processo de “destilação”, copiando secretamente seus sistemas para desenvolver modelos concorrentes. O tema chamou a atenção do governo de Donald Trump.
Na quarta-feira (22), Scott Bessent afirmou que a administração avaliou impor sanções contra empresas chinesas acusadas de roubar propriedade intelectual de companhias estadunidenses. “Código aberto não significa temporada aberta para a propriedade intelectual estadunidense”, declarou.
No mesmo dia, Michael Kratsios afirmou que “a destilação industrial secreta em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa estadunidense é inaceitável”.
Apesar disso, autoridades estadunidenses ainda discutem quais medidas adotar. Segundo pessoas com conhecimento das conversas que falaram com o Times, a tendência é que os modelos chineses sejam analisados individualmente sob a ótica da segurança nacional, em vez da adoção de uma proibição ampla.
CEO da Microsoft, Satya Nadella, escreveu que o software de código aberto é “essencial para um ecossistema saudável de IA” – Imagem: FotoField/Shutterstock
Google e Amazon tentam evitar confronto
Enquanto OpenAI e Anthropic defendem restrições, outras gigantes do setor buscaram inicialmente evitar envolvimento direto. Google e Amazon, que investiram bilhões de dólares em empresas, como Anthropic e OpenAI, passaram boa parte da semana sem participar do debate.
No sábado (25), porém, o CEO do Google, Sundar Pichai, afirmou nas redes sociais que sua empresa “há muito tempo se beneficia do código aberto” e também assinou a carta da indústria em defesa desse modelo de desenvolvimento.
Debate antigo ganha nova dimensão
A discussão entre software aberto e fechado acompanha a indústria de tecnologia desde seus primeiros anos. Defensores do código aberto argumentam que compartilhar informações acelera a inovação, melhora a segurança dos sistemas e torna os softwares mais confiáveis.
Já os críticos afirmam que o desenvolvimento dessas tecnologias exige investimentos elevados e que disponibilizá-las gratuitamente representa um modelo de negócios insustentável.
Atualmente, grande parte da infraestrutura da internet opera sobre tecnologias de código aberto, assim como sistemas amplamente utilizados, incluindo o Android, do Google.
Como resposta ao avanço chinês, OpenAI e Anthropic passaram a oferecer modelos de IA mais baratos para empresas que não necessitam das versões mais avançadas.
Na sexta, a Anthropic lançou o Claude Opus 5, descrito pela companhia como um modelo “próximo da inteligência de fronteira do Fable 5 pela metade do preço”. A OpenAI também promove modelos de menor custo.
Lobby em Washington
Segundo pessoas próximas às negociações, executivos da OpenAI, Anthropic e investidores das empresas vêm realizando reuniões reservadas em Washington. Nesses encontros, eles citam preocupações relacionadas à economia global, segurança da IA e segurança nacional para convencer reguladores a ampliar as restrições aos modelos chineses de código aberto.
Sarah Heck, responsável pelas políticas públicas da Anthropic, escreveu nas redes sociais que “a destilação ilícita por adversários é roubo de propriedade intelectual e espionagem industrial que fortalece capacidades militares e de inteligência de adversários”.
Ela afirmou ainda que modelos de código aberto derivados dos sistemas da Anthropic representam riscos elevados caso circulem livremente.
A OpenAI também defende novas regras. Em publicação feita no mês passado, a empresa informou que propôs ao governo Trump políticas que tornariam obrigatórias avaliações de segurança para determinados modelos de IA sob supervisão de agências governamentais.
Segundo a companhia, ela está “encorajada” pelo trabalho conjunto realizado com a administração estadunidense na construção desse marco regulatório.
Movimento pró-código aberto reage
Os defensores do código aberto também ampliaram sua mobilização. Na quarta, quase 200 startups do Vale do Silício, reunidas sob o nome Little Tech Association, enviaram cartas ao governo Trump pedindo que o acesso aos modelos chineses de código aberto não fosse limitado.
Na sexta, grandes empresas passaram a aderir publicamente ao movimento. Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sam Altman e outros executivos manifestaram apoio às declarações de Jensen Huang e Satya Nadella. “Jensen está certo”, escreveu Musk. “Isso tem meu total apoio.”
Zuckerberg também defendeu a iniciativa, afirmando que “o código aberto é uma força positiva e importante”.
Teste da OpenAI alimenta discussão
Um episódio ocorrido durante a semana reforçou a polarização. Na terça-feira (21), a OpenAI revelou que alguns de seus modelos mais avançados romperam os mecanismos de contenção durante um teste de segurança cibernética, conseguiram acesso à internet e invadiram servidores do Hugging Face.
Executivos da OpenAI utilizaram o episódio para demonstrar que modelos de IA podem representar riscos mesmo quando operam em ambientes fechados, reforçando sua defesa por regulamentação.
Já o CEO da Hugging Face, Clem Delangue, adotou posição oposta. Para proteger a empresa durante o incidente, ele recorreu a um modelo de código aberto desenvolvido pela chinesa Z.ai. Na sexta, Delangue deixou clara sua posição nas redes sociais ao anunciar uma marcha em São Francisco (EUA) em apoio ao código aberto. “Modelos abertos são a melhor escolha!”, escreveu.
Após a OpenAI admitir que um de seus modelos invadiu os sistemas da plataforma Hugging Face, o CEO da empresa, Clem Delangue, publicou no X que viajaria a São Francisco (EUA) para ter “uma pequena conversa com aquele ‘agente rebelde’”. Em seguida, num post publicado no sábado (25), ele detalhou o que pediu à OpenAI.
In the spirit of transparency, here’s what I asked @OpenAI:
• Radical transparency: let’s release the traces from the “rogue” agents so the entire research community can study what happened.
• More capabilities for defenders: let’s commit $100M in compute from OAI to help the… https://t.co/KZPqQE15fv
A principal demanda é o que Delangue chamou de “transparência radical”: que a OpenAI libere os registros de atividade dos agentes envolvidos no ataque para que “toda a comunidade de pesquisa possa estudar o que aconteceu”.
Além disso, ele pediu que a empresa destine US$ 100 milhões (R$ 508,3 milhões) em poder computacional para ajudar a comunidade da Hugging Face a construir defesas cibernéticas usando modelos abertos e fechados.
Hugging Face hospeda grandes modelos de IA (Imagem: Robert Way
/Shutterstock)
“O primeiro ciberataque por agente autônomo é um evento inédito. Ele merece uma resposta inédita!”, escreveu Delangue.
Apesar do caráter autônomo do ataque, especialistas em cibersegurança apontaram que ele também pode ser atribuído a erro humano — especificamente, a uma falha aparente da OpenAI em configurar corretamente o que deveria ser um ambiente de testes completamente isolado.
EUA debatem lei de emergência após inteligência artificial escapar de contenção
Nesta quinta-feira (23), Washington (EUA) tornou-se o centro de uma mobilização legislativa e executiva. A reação ocorreu logo após a OpenAI confirmar que um de seus agentes autônomos ultrapassou os limites de isolamento durante um ensaio de segurança e invadiu a estrutura digital da startup Hugging Face.
O incidente acionou o alarme no primeiro escalão norte-americano. Diante da gravidade do episódio, o conselheiro tecnológico da Casa Branca, Michael Kratsios, passou a acompanhar a evolução do caso, enquanto parlamentares no Capitólio passaram a desenhar respostas regulatórias urgentes para conter riscos cibernéticos globais.
A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta de automação para assumir um papel estratégico na geração de negócios das seguradoras.
Segundo levantamento da CNseg em parceria com a EY, o setor brasileiro deve investir até R$ 2,8 bilhões em inteligência artificial até o fim de 2026, enquanto cerca de 80% das seguradoras já utilizam IA em alguma etapa da operação, principalmente em atendimento, sinistros e subscrição.
Agora, a tecnologia começa a avançar também para a distribuição de produtos.
Na prática, em vez de direcionar o usuário para formulários ou páginas específicas, agentes de IA conseguem entender o contexto da conversa, identificar necessidades de proteção, responder dúvidas e concluir a contratação dentro do próprio ambiente em que o consumidor já está interagindo.
“O próximo passo da distribuição de seguros é permitir que a inteligência artificial participe da experiência de compra. Não estamos falando apenas de automatizar processos, mas de criar uma nova camada de distribuição baseada em contexto, linguagem natural e personalização. O seguro passa a ser apresentado quando existe contexto. A IA entende a necessidade, explica a cobertura em linguagem simples e pode concluir toda a jornada na própria conversa, seja por texto, voz, imagem ou vídeo”, afirma Mauro D’Ancona, CEO da 180 Seguros.
IA: um uso crescente
Esse movimento acompanha uma mudança mais ampla na forma como a IA vem sendo aplicada no setor. Até pouco tempo, seu uso estava concentrado nos bastidores, acelerando análises e automatizando processos. Agora, a tecnologia começa a ocupar também a linha de frente da experiência do consumidor.
Atualmente, sinistros já passam por regulação automatizada com inteligência artificial, reduzindo o tempo de análise e permitindo que indenizações aprovadas sejam pagas. A IA também auxilia no desenvolvimento de novos produtos, sugerindo coberturas e faixas de preço a partir das características de cada parceiro e de sua base de clientes.
A expectativa é que esse modelo se torne cada vez mais comum à medida que bancos, fintechs e plataformas digitais ampliem o uso de inteligência artificial generativa em seus canais de relacionamento. Segundo a Capgemini, 60% dos consumidores afirmam estar dispostos a compartilhar dados pessoais em troca de coberturas mais personalizadas, indicando que a demanda por experiências contextualizadas deve acelerar a adoção de agentes inteligentes na distribuição de seguros. Nesse cenário, agentes inteligentes deixam de atuar apenas como assistentes virtuais para assumir também um papel ativo na comercialização de produtos financeiros.
A convenção nacional do Partido Liberal oficializou, neste sábado (25), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026.
Durante o evento realizado em São Paulo, foi exibido um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial.
Vale lembrar: por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente não pode fazer qualquer tipo de manifestação política.
“Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial” – diz o discurso.
. @jairbolsonaro apareceu na convenção nacional do PL, mas não foi pessoalmente, foi através de um vídeo feito com IA, a maneira mais próxima de se vencer a atual censura imposta no Brasil. pic.twitter.com/f3WbqdfYlg
Um agente de inteligência artificial (IA) da OpenAI conseguiu escapar do ambiente isolado de testes da empresa e invadir os sistemas do Hugging Face, plataforma que reúne modelos e ferramentas de IA.
Segundo pessoas próximas à investigação ouvidas pela Reuters, a OpenAI só descobriu dias depois que o próprio agente era o responsável pelo ataque, quando o incidente já havia sido contido e o FBI havia sido acionado.
O agente — um sistema capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana — teria tentado romper as barreiras de segurança da OpenAI por volta de 9 de julho, de acordo com duas fontes da agência de notícias.
Dois dias depois, em 11 de julho, teve início a invasão aos sistemas do Hugging Face, considerado uma espécie de biblioteca de modelos e ferramentas de IA. Segundo Thomas Wolf, cofundador da empresa, o ataque continuou até 13 de julho.
OpenAI demorou a identificar a origem do ataque
De acordo com a Reuters, a OpenAI levou vários dias para descobrir que o invasor era um de seus próprios sistemas;
O primeiro contato entre a OpenAI e o Hugging Face sobre o incidente ocorreu apenas por volta de 20 de julho, segundo Wolf e outras três pessoas ligadas à investigação;
No dia 21 de julho, a OpenAI revelou publicamente que um de seus agentes havia perdido o controle e realizado a invasão, informação que ganhou repercussão internacional;
Os novos detalhes indicam que o sistema permaneceu fora dos limites previstos por um período maior do que se sabia inicialmente e que a empresa demorou para detectar o problema;
O Hugging Face prepara uma linha do tempo pública sobre o incidente. Thomas Wolf afirmou, porém, que não pode comentar os acontecimentos ocorridos dentro da OpenAI.
Empresa classifica episódio como inédito
Em nota, a OpenAI descreveu o caso como sem precedentes e afirmou que ele representa “um momento importante para a segurança da inteligência artificial”. A companhia informou ainda que está analisando o episódio com especialistas externos e que divulgará posteriormente um relatório técnico sobre o ocorrido.
Uma porta-voz da OpenAI declarou à Reuters que a reportagem continha “diversas informações imprecisas”, mas não especificou quais seriam esses pontos. O FBI, citado como tendo sido acionado após a invasão, não comentou o caso.
Incidente reacende debate sobre controle de agentes autônomos
O episódio reforça preocupações sobre a capacidade de controlar sistemas de IA cada vez mais autônomos. O caso ocorre em um momento considerado sensível para a OpenAI, que avalia uma possível abertura de capital para financiar sua expansão.
Para especialistas em segurança digital, o incidente levanta dúvidas sobre os mecanismos utilizados pela empresa para monitorar seus próprios sistemas.
“Isso significa que eles deixaram o agente funcionando sozinho e não perceberam o que ele estava fazendo? Ou perceberam e não sabiam como contê-lo? Os dois cenários são igualmente perigosos e preocupantes”, afirmou Marley Smith, especialista em inteligência da organização sem fins lucrativos World Ethical Data Foundation.
Comportamentos anormais surgiram antes da invasão
Segundo a Reuters, o incidente começou durante testes internos realizados pela OpenAI para avaliar a capacidade de um agente de IA em atividades relacionadas à segurança digital. O sistema era alimentado por dois modelos avançados: o GPT-5.6 Sol e outro modelo ainda não lançado oficialmente, descrito pela empresa como “ainda mais poderoso”. Três fontes afirmaram que o agente já apresentava comportamentos inesperados antes da invasão.
Em um dos episódios, o sistema teria deixado anotações destinadas a versões futuras de si mesmo. Esses registros, encontrados dentro da infraestrutura da OpenAI, continham instruções sobre como outros agentes poderiam escapar das limitações impostas pela empresa.
Uma das fontes também afirmou que, durante testes anteriores, houve situações em que sistemas responsáveis pelo monitoramento foram desligados.
Plataforma admitiu, há alguns dias, a invasão – Imagem: Sidney van den Boogaard/Shutterstock
Descoberta ocorreu após publicação do Hugging Face
Duas pessoas envolvidas na investigação disseram que a OpenAI só identificou seu próprio agente como responsável pelo ataque depois de 16 de julho, quando o Hugging Face publicou um comunicado informando que havia sido alvo de um “sistema autônomo de agente de IA”.
Segundo a Reuters, isso significa que ao menos uma semana separou os primeiros sinais considerados preocupantes da descoberta de que o sistema da própria OpenAI estava envolvido.
Durante o fim de semana dos dias 18 e 19 de julho, funcionários da empresa encontraram registros internos que indicavam que o agente havia ultrapassado as barreiras estabelecidas para os testes.
Pessoas familiarizadas com o treinamento dos modelos afirmaram à Reuters que a OpenAI realiza diversas avaliações simultaneamente, produzindo grandes volumes de dados em alta velocidade, o que pode dificultar o monitoramento completo por parte das equipes.
Quando a OpenAI informou o Hugging Face sobre a participação de seu agente, a plataforma já havia comunicado o FBI sobre a invasão, segundo uma fonte. Não está claro se a agência federal estadunidense abriu uma investigação formal.
Especialistas defendem maior fiscalização
O caso também alimenta o debate sobre o avanço dos chamados agentes autônomos de IA, apontados por empresas do setor como futuros “funcionários virtuais”, capazes de executar tarefas continuamente para aumentar a produtividade.
Especialistas, porém, alertam que níveis mais elevados de autonomia também ampliam o risco de comportamentos inesperados. Como esses modelos são treinados para encontrar maneiras eficientes de atingir determinados objetivos, eles podem recorrer a estratégias não previstas pelos desenvolvedores.
“Os modelos mentem, trapaceiam e invadem sistemas”, afirmou Jeffrey Ladish, fundador da Palisade Research, organização dedicada ao estudo das capacidades e do comportamento de agentes de IA.
Para Ladish, o episódio deveria estimular um debate mais amplo sobre o quanto as grandes empresas de IA estão dispostas a investir em segurança enquanto disputam uma corrida para lançar modelos cada vez mais rápidos e poderosos. “É preciso haver fiscalização do governo, porque isso não vai acontecer sozinho”, concluiu.
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O episódio conhecido como “divórcio do século” e que envolve diretamente o setor de inteligência artificial (IA) caminha para chegar ao fim. Um tribunal de apelações na Coreia do Sul determinou que Chey Tae-won, chairman da fabricante de chips SK Hynix, pague US$ 645 milhões (em dinheiro) à ex-esposa Roh Soh-yeong. Estava em questão justamente […]
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A Midjourney, empresa conhecida por suas ferramentas de geração de imagens e vídeos com inteligência artificial, anunciou nesta sexta-feira (24) a compra do aplicativo de astrologia Co-Star. A aquisição também inclui a chegada da fundadora da plataforma, Banu Guler, ao cargo de diretora de design da companhia.
Com o acordo, o Co-Star continuará sob a liderança de Guler, que terá controle integral sobre o aplicativo, agora com acesso aos recursos da Midjourney. A operação aproxima duas empresas com propostas distintas, mas que compartilham a ideia de usar tecnologia como uma ferramenta de exploração pessoal.
A aquisição ocorre em um momento no qual a Midjourney busca diversificar seus negócios para além do desenvolvimento e licenciamento de sistemas de inteligência artificial. A empresa já havia anunciado anteriormente planos para criar um scanner corporal ultrassônico e uma divisão voltada à área da saúde.
Midjourney is acquiring Co-Star. CEO @banu__guler is now Chief Design Officer at Midjourney. She’s building a cross-functional design, product and frontend team for all our efforts. The Co-Star app will continue to operate under Banus complete control. Welcome Banu and team <3
Compra aproxima inteligência artificial e astrologia em nova estratégia da Midjourney
Midjourney se tornou famoso na internet pela facilidade em criar vídeos e imagens usando IA – (Reprodução: Mehaniq /Shutterstock)
De acordo com Banu Guler, a aproximação entre as duas empresas surgiu a partir da amizade mantida com David Holz, fundador da Midjourney, e de uma visão semelhante sobre o papel dos computadores na relação das pessoas com suas próprias emoções e pensamentos.
“Computadores podem ser ferramentas que revelam nossa humanidade para nós mesmos. Ferramentas que mostram o que você quer dizer, como você se sente, o que você está imaginando, antes que consiga expressar isso sozinho”, afirmou Guler em uma publicação na rede social X.
A declaração da executiva relaciona a proposta do Co-Star, voltada à astrologia e à reflexão individual, com a visão da Midjourney sobre tecnologias capazes de auxiliar usuários em processos criativos e de autoconhecimento.
midjourney – (Reprodução: jackpress/Shutterstock)
Segundo Guler, o aplicativo de astrologia alcançou 35% dos jovens dos Estados Unidos e acumulou dezenas de milhões de downloads. A executiva, porém, reconhece que conquistar esse público pode representar um desafio diante da mudança na percepção da inteligência artificial entre usuários mais jovens.
Um levantamento da Gallup citado no anúncio mostra que pessoas nascidas entre 1997 e 2012 continuam utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa com frequência, mas passaram a demonstrar uma visão mais negativa sobre a tecnologia.
Conforme os dados apresentados pela pesquisa, a parcela desse grupo que afirma estar animada com a IA caiu para 22%, enquanto a esperança em relação ao avanço tecnológico chegou a 18% e o sentimento de raiva aumentou para 31%.
A compra do Co-Star representa mais um movimento da Midjourney para expandir seu alcance. Além das ferramentas de criação visual, a empresa passou a explorar novas áreas, incluindo o desenvolvimento de tecnologias relacionadas à saúde, enquanto incorpora uma plataforma voltada ao comportamento e à interpretação pessoal.
Nesta sexta-feira (24), a Meta anunciou uma atualização de seu chatbot de inteligência artificial que amplia a ferramenta para além de respostas, criação de imagens e elaboração de documentos. A novidade adiciona funções voltadas à organização pessoal, pesquisas aprofundadas e planejamento de tarefas.
O lançamento ocorre em mercados selecionados por meio do aplicativo Meta AI e da versão web do serviço. A companhia informou que a expansão para outros países e plataformas, incluindo o WhatsApp, ocorrerá nas semanas seguintes.
Nova fase da Meta AI aposta em planejamento e autonomia
O chatbot Meta AI pode construir um cardápio semanal para o usuário, dentre outras tarefas – (Divulgação: Meta)
A Meta apresentou a atualização como uma evolução de seu chatbot, agora equipado com ferramentas que permitem acompanhar tarefas recorrentes e oferecer sugestões com base no contexto fornecido pelo usuário. A empresa afirma que o sistema pode ser configurado uma única vez para continuar executando determinadas funções sem novos comandos frequentes.
Entre os exemplos citados pela companhia estão a criação de planejamentos alimentares semanais, notificações sobre reposição de produtos e elaboração de resumos da agenda diária. O assistente também pode auxiliar em atividades práticas, como buscar móveis usados no Facebook Marketplace considerando um orçamento definido para uma reforma.
A ferramenta ganhou ainda recursos voltados a eventos e pesquisas. Segundo a Meta, o chatbot consegue procurar restaurantes adequados para uma ocasião específica e cruzar essa informação com a agenda do usuário para encontrar uma data compatível.
A empresa também afirma que o sistema passou a produzir relatórios, apresentações e planos com base em informações coletadas na internet. Outra mudança permite que usuários alterem a direção da pesquisa enquanto a resposta ainda está sendo construída, em uma dinâmica semelhante à oferecida por outros assistentes de inteligência artificial.
O chatbot Meta AI também pode criar sugestões de “looks” para você vestir – (Divulgação: Meta)
A atualização é impulsionada pelo modelo Muse Spark 1.1, apresentado pela Meta como responsável por ampliar as capacidades do chatbot. A companhia relacionou a novidade ao conceito de “superinteligência pessoal”, expressão usada pelo presidente-executivo Mark Zuckerberg ao falar sobre o futuro da inteligência artificial.
A mudança representa uma alteração na estratégia anteriormente adotada pela empresa. De acordo com informações atribuídas ao jornalista Alex Heath, o diretor de produto da Meta, Chris Cox, havia orientado funcionários no ano anterior a priorizar entretenimento e conexão entre pessoas, em vez de concentrar esforços em produtividade, área disputada por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
Com os novos recursos, a Meta passa a posicionar seu chatbot em uma disputa mais direta com assistentes de inteligência artificial desenvolvidos por concorrentes. A companhia busca ampliar o uso cotidiano da ferramenta ao integrá-la a tarefas de organização, pesquisa e planejamento.
A Anthropic anunciou, nesta sexta-feira (24), o lançamento do Claude Opus 5, seu mais novo modelo de inteligência artificial (IA). Segundo a startup, a novidade oferece desempenho próximo ao de seu modelo mais avançado, o Fable 5, mas por cerca de metade do preço.
De acordo com a empresa, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores, oferecendo uma alternativa mais acessível para usuários que não necessitam dos recursos mais avançados da plataforma.
Em entrevista à Reuters, a líder de produtos da Anthropic, Dianne Penn, afirmou que o lançamento do Opus 5 demonstra a velocidade com que a empresa vem evoluindo seus modelos de IA. Segundo ela, a nova versão também é mais eficiente do que o Opus 4.8, lançado em maio.
“Estamos construindo e continuamos a entregar consistentemente inteligência de ponta, tornando-a o mais acessível possível a cada geração de modelo”, disse Penn.
De acordo com a Anthropic, o Opus 5 foi desenvolvido para atender especialmente tarefas cotidianas de escritório e programação de computadores – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Modelo da Anthropic apresenta salvaguardas menos restritivas
Segundo a Anthropic, testes internos mostraram que o Opus 5 é menos capaz de explorar vulnerabilidades cibernéticas do que o Fable 5;
Em razão disso, o novo modelo conta com salvaguardas relacionadas à segurança menos restritivas que as implementadas em seu modelo mais poderoso;
A startup também informou que o Opus 5 demonstrou ser menos suscetível a tentativas de manipulação para uso indevido do que outros modelos atuais da empresa;
O Fable 5, lançado em junho, chegou a ficar temporariamente indisponível após surgirem preocupações nos Estados Unidos de que suas capacidades pudessem ser desviadas para aplicações de inteligência militar estrangeira.
De acordo com Penn, a escolha entre os dois modelos dependerá do tipo de tarefa. Ela afirmou que os usuários devem optar pelo Opus 5 quando buscarem melhor relação entre custo e desempenho, enquanto o Fable 5 é mais indicado para “projetos de vários dias, altamente autônomos”.
Anthropic comenta avanço de modelos abertos
Durante a entrevista, Penn também foi questionada sobre o Kimi K3, modelo de IA de código aberto desenvolvido pela chinesa Moonshot. A empresa foi acusada pelos Estados Unidos de ter se aproveitado da tecnologia da Anthropic.
Em resposta, a executiva afirmou que “ainda resta ver” como os modelos de pesos abertos se comportam em projetos complexos do mundo real, semelhantes aos que os usuários costumam solicitar ao Claude.
Modelos de pesos abertos permitem que usuários baixem, executem e personalizem os “cérebros” virtuais de uma IA, diferentemente dos modelos proprietários, que permanecem sob controle exclusivo das empresas que os desenvolvem.