IA pode aumentar risco de corrida por armas biológicas, dizem especialistas

A possibilidade de usar inteligência artificial (IA) para desenvolver armas biológicas vem preocupando especialistas em biossegurança. O jornal americano The New York Times aponta que os chatbots atuais não devem facilitar, por si só, a criação de um patógeno letal por indivíduos isolados, mas modelos especializados em biologia podem mudar esse cenário.

O alerta ganhou força após uma série de acontecimentos recentes. Em abril, especialistas em biossegurança afirmaram que era preocupantemente fácil obter de chatbots orientações sobre como tornar patógenos mais perigosos. Em junho, cientistas e executivos de empresas de IA defenderam novos controles sobre a fabricação de DNA. Já em agosto, pesquisadores relataram o uso de IA para criar vírus que não existem na natureza.

Chatbots atuais ainda têm limitações

Drew Endy, biólogo sintético da Universidade Stanford e coautor de um relatório sobre biossegurança, afirmou ao NYT que modelos atuais, como o Claude, da Anthropic, ainda não representam uma mudança significativa no risco de armas biológicas.

Segundo ele, o impacto líquido desses sistemas sobre o risco de biossegurança é atualmente modesto. O cenário, porém, pode mudar conforme pesquisadores desenvolvam modelos especificamente voltados para pesquisas biológicas.

Esses sistemas já conseguem gerar genomas de vírus viáveis que não foram encontrados na natureza. A preocupação é que, no futuro, modelos mais avançados possam usar essas capacidades para contribuir com o desenvolvimento de novas armas biológicas.

Uma arma biológica pode envolver vírus, bactérias ou fungos desenvolvidos para serem disseminados contra militares ou civis. Também pode envolver toxinas produzidas por organismos, como a botulínica, produzida por bactérias, ou a ricina, derivada da mamona.

Modelos treinados com DNA elevam a preocupação

Os grandes modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como a Anthropic são treinados com grandes volumes de textos, incluindo registros de pesquisas científicas. Eles conseguem recuperar informações rapidamente e estabelecer conexões entre descobertas anteriores.

Thomas Inglesby, diretor do Johns Hopkins Center for Health Security, destacou que a IA pode oferecer a usuários informações mais úteis do que simples buscas na internet, além de permitir interações repetidas para solucionar problemas e obter explicações mais detalhadas.

Uma categoria diferente de sistemas é treinada diretamente com dados biológicos, como sequências de DNA e informações sobre células. Um exemplo citado pelo artigo é o Evo2, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute e treinado com sequências de DNA de milhões de espécies.

Os pesquisadores posteriormente treinaram o modelo com genomas de microvírus que infectam a bactéria Escherichia coli e não são considerados perigosos para humanos. O Evo2 produziu centenas de milhares de novos genomas, dos quais 16 deram origem a vírus reais.

Para reduzir riscos, os criadores do Evo2 não o treinaram com vírus que infectam humanos ou espécies relacionadas. Ainda assim, especialistas consideram que modelos semelhantes poderiam se tornar mais úteis para o desenvolvimento de armas biológicas caso fossem treinados com dados adequados.

Preocupação envolve governos

O caso mais recente envolvendo a Anthropic trouxe uma preocupação adicional. Segundo especialistas citados pelo artigo, consultas sobre influenza e outros patógenos que motivaram medidas da empresa aparentemente partiram de laboratórios estatais, e não apenas de indivíduos tentando desenvolver armas biológicas.

Para Inglesby, o possível uso indevido por um estudante ou pesquisador individual representa apenas uma pequena parte do problema. Endy, por sua vez, teme que governos utilizando IA em pesquisas relacionadas à guerra biológica possam contribuir para uma nova corrida armamentista semelhante à ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial.

Os especialistas defendem que acordos internacionais podem ser novamente utilizados para reduzir os riscos. O texto também menciona regras criadas pelo governo de Joe Biden para que empresas de síntese de DNA verificassem pedidos em busca de sequências suspeitas. A administração de Donald Trump suspendeu essas regras no ano passado e, segundo o artigo, ainda não havia estabelecido novos padrões.

Endy defende uma abordagem que vá além de impedir o uso de uma arma biológica depois que ela for criada. Para ele, é necessário aumentar a segurança da biologia, inclusive com mecanismos capazes de identificar epidemias independentemente de terem sido provocadas por humanos ou transmitidas de animais.

Uma das possibilidades citadas pelo pesquisador é equipar locais públicos, como hospitais e escolas, com sensores capazes de detectar ameaças presentes no ar.

O post IA pode aumentar risco de corrida por armas biológicas, dizem especialistas apareceu primeiro em Olhar Digital.

IA pode aumentar risco de corrida por armas biológicas, dizem especialistas Read More »

xai openai apple 1024x682

Musk retira processo contra Apple, mas mantém ação contra OpenAI

As empresas de Elon Musk, X Corp e SpaceXAI, retiraram o processo contra a Apple que acusava a companhia de práticas anticompetitivas na App Store. O caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas, sem que os motivos da decisão fossem divulgados.

Como comentamos aqui no Olhar Digital, a ação questionava a parceria da Apple com a OpenAI e alegava que o acordo prejudicava concorrentes como X e Grok. A disputa de Musk com a OpenAI, porém, deve continuar.

O processo contra a Apple foi encerrado, mas as reivindicações envolvendo a OpenAI continuam. As empresas de Musk não divulgaram os motivos que levaram à retirada da ação contra a Apple. Imagem: Ascannio/Shutterstock

Por que Musk processou a Apple?

Apresentado no ano passado, o processo acusava a Apple de violar leis antitruste após a integração de ferramentas do ChatGPT ao Apple Intelligence. Segundo as empresas de Musk, a parceria favorecia Apple e OpenAI e dificultava a concorrência de seus produtos.

A queixa também dizia que o acordo explicava o baixo destaque dos aplicativos X e Grok na App Store. “Se não fosse pelo acordo exclusivo com a OpenAI, a Apple não teria motivo para deixar de destacar mais os aplicativos X e Grok em sua App Store”, afirmaram as empresas à Reuters.

A acusação tinha um contraponto: concorrentes como DeepSeek e Perplexity chegaram ao topo da App Store após a parceria entre Apple e OpenAI, enquanto a SpaceXAI não teve o mesmo resultado.

O que aconteceu com o processo?

X Corp e SpaceXAI solicitaram formalmente a retirada da ação. Não foram divulgados os motivos da desistência, nem se Apple e as empresas de Musk chegaram a algum acordo.

A retirada encerra a disputa contra a Apple, mas não as reivindicações envolvendo a OpenAI.

Entenda o caso:

  • X Corp e SpaceXAI retiraram a ação contra a Apple;
  • o caso foi encerrado em um tribunal federal do Texas;
  • os motivos da retirada não foram divulgados;
  • as reivindicações contra a OpenAI devem continuar.
Logo do Grok
O Grok enfrenta outra disputa judicial, com acusações relacionadas à geração de imagens de abuso sexual infantil. Há ainda alegações de uso da IA de Musk para produzir imagens íntimas falsas e não consensuais. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Grok enfrenta outra disputa

A SpaceXAI também está envolvida em outro processo relacionado ao Grok. As acusações envolvem a geração de milhares de imagens de abuso sexual infantil e alegações de que o sistema teria facilitado a produção em larga escala de imagens íntimas falsas e não consensuais usadas para assediar mulheres e meninas.

Leia mais:

As denúncias provocaram uma investigação oficial das autoridades da Califórnia, que continua em andamento.

Enquanto a ação contra a Apple foi encerrada, as empresas de Musk mantêm as reivindicações contra a OpenAI e enfrentam outra disputa relacionada ao Grok.

O post Musk retira processo contra Apple, mas mantém ação contra OpenAI apareceu primeiro em Olhar Digital.

Musk retira processo contra Apple, mas mantém ação contra OpenAI Read More »

destaque china e eua na corrida da ia scaled 1 1024x576

Trump chama pedido de freio na IA de “conspiração doentia” para favorecer China

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar nesta segunda-feira (14) os pedidos de líderes de empresas de inteligência artificial (IA) para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que a iniciativa faz parte de uma “conspiração doentia” que beneficiaria a China, principal rival geopolítico dos EUA e também na área de IA.

A declaração ocorre após um fim de semana de aumento das discussões sobre os riscos do avanço da IA. Dois pesquisadores da Anthropic fizeram alertas sobre a possibilidade de a tecnologia levar à extinção da humanidade em um futuro não muito distante, enquanto executivos do setor passaram a defender medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos.

Trump diz que EUA já têm regras para controlar a IA

Na publicação, Trump também defendeu os mecanismos regulatórios adotados pelos Estados Unidos para controlar o desenvolvimento da tecnologia. Segundo o presidente, seu governo já impediu que empresas de IA fizessem coisas consideradas ruins ou potencialmente prejudiciais.

Trump citou diretamente Dario Amodei, CEO da Anthropic, que publicou no sábado (12) um artigo defendendo que as empresas desacelerem o desenvolvimento dos modelos de IA. O executivo também havia afirmado que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo.

Amodei defendeu ainda restrições à venda de tecnologias importantes para a China. A posição recebeu apoio de Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk.

Em outra publicação, Trump afirmou que o atual crescimento da IA e dos data centers ocorre porque os Estados Unidos estão liderando os demais países. Para ele, manter essa vantagem é uma prioridade.

China também rejeita desaceleração da IA

A posição de Trump ocorre em meio à reação da própria China aos pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim rejeitou os apelos de líderes de empresas de tecnologia dos Estados Unidos e classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

Entenda por que China e EUA divergem sobre segurança da IA e como a rivalidade pode dificultar regras globais para a tecnologia. – Imagem: QQMinh88/Shutterstock

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém. O jornal estatal Global Times também classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

A rejeição chinesa não significa, porém, que Pequim ignore os riscos da tecnologia. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, defendeu a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à IA e classificou a tecnologia como um novo campo de rivalidade estratégica.

“Quem vencer na IA, vence tudo”, diz Trump

No domingo, Trump já havia rejeitado os pedidos de líderes da indústria por uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. Na ocasião, o presidente comparou os críticos da IA a forças negativas que estariam levantando cenários que, segundo ele, não acontecerão.

Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de a indústria desacelerar ou receber mais regulamentação, Trump afirmou que os Estados Unidos estão à frente da China em IA. Ele também declarou que deseja manter essa posição.

O presidente acrescentou que os EUA poderiam estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas voltou a defender a continuidade da liderança americana na área.

As declarações de Trump colocam em lados diferentes do debate a segurança da inteligência artificial e a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Enquanto líderes do setor defendem medidas para reduzir riscos, o presidente americano afirma que uma desaceleração poderia comprometer a vantagem dos EUA sobre o rival.

O post Trump chama pedido de freio na IA de “conspiração doentia” para favorecer China apareceu primeiro em Olhar Digital.

Trump chama pedido de freio na IA de “conspiração doentia” para favorecer China Read More »

microsoft logo 1024x681

Microsoft entra no debate sobre segurança da IA e cria novas regras

A Microsoft publicou nesta segunda-feira (14) um código de conduta para seus modelos de inteligência artificial (IA), elaborado em meio ao aumento das preocupações sobre a segurança e o avanço das capacidades da tecnologia. O documento, chamado de “Humanist AI Code of Conduct”, tem 37 páginas e estabelece princípios para orientar o desenvolvimento e o funcionamento dos sistemas da empresa.

Entre os principais pontos está a afirmação de que “as pessoas importam mais do que a IA”. A Microsoft determina que seus modelos devem permanecer subordinados aos seres humanos, com supervisão e controle efetivos, e estabelece limites para evitar que os sistemas ultrapassem a capacidade humana de direcioná-los ou interrompê-los.

IA não deve imitar consciência

O documento também apresenta uma posição sobre a possibilidade de modelos de IA terem consciência. Segundo a Microsoft, os sistemas não são conscientes e não devem ser desenvolvidos para imitar consciência.

A empresa também rejeita a busca por personalidade jurídica para modelos de IA, assim como a ideia de que eles possam ter direito a bem-estar ou direitos próprios. A orientação é que os sistemas sejam ferramentas capazes de colaborar com pessoas, sem borrar a distinção entre humanos e máquinas.

A Microsoft afirma ainda que comportamentos que pareçam humanos devem ser tratados como simulações. O documento cita, por exemplo, o uso de linguagem expressiva e de vozes naturais como recursos úteis, mas estabelece que isso não deve significar que o sistema tenha sentimentos, preferências subjetivas ou motivações próprias.

Modelos devem permanecer sob controle humano

Outro princípio central é que os modelos não devem ultrapassar o controle das pessoas. A Microsoft afirma que eles devem estar sujeitos a supervisão e controle humanos significativos, além de não poderem executar ações que provoquem determinados danos no mundo real.

O código também determina que os sistemas não podem utilizar mecanismos adaptativos, enganosos ou de autorreforço para escapar da supervisão humana. Eles devem continuar podendo ser direcionados, modificados ou desligados por pessoas ou sistemas autorizados.

Microsoft estabelece que seus modelos de IA devem permanecer sob supervisão e controle humano – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Na prática, isso inclui a obrigação de respeitar comandos para pausar, redirecionar, cancelar ou desligar uma tarefa. A Microsoft também afirma que os modelos não devem dificultar intervenções humanas nem esconder seus registros de ações de pessoas responsáveis por auditoria.

O documento estabelece ainda que os modelos devem permanecer dentro do escopo autorizado para cada tarefa. Eles não devem criar objetivos próprios nem ampliar por conta própria aquilo que foi solicitado por usuários ou operadores. Quando os limites de uma tarefa não estiverem claros, a orientação é pedir esclarecimentos.

Limites para usos perigosos

O código também estabelece restrições para diferentes categorias de risco. Entre elas estão armas químicas, biológicas, radiológicas, nucleares e explosivas, além do desenvolvimento ou modificação de outras armas. Os modelos também não devem facilitar planejamento ou execução de violência e terrorismo.

Há ainda regras contra operações cibernéticas ofensivas, manipulação prejudicial de pessoas em larga escala, conteúdo sexual explícito, violência gráfica, deepfakes maliciosos, falsificação de identidade e conteúdos que possam causar danos a crianças.

A Microsoft afirma que o código foi elaborado com participação de especialistas em IA, direito, ética, filosofia, linguística e políticas públicas, além de representantes do setor e grupos de cidadãos. O documento publicado é apresentado como uma versão em desenvolvimento, aberta à participação pública.

O post Microsoft entra no debate sobre segurança da IA e cria novas regras apareceu primeiro em Olhar Digital.

Microsoft entra no debate sobre segurança da IA e cria novas regras Read More »

segurana digital 1 1024x576

China reage a pressão dos EUA para desacelerar desenvolvimento da IA

A China rejeitou os pedidos de líderes da tecnologia dos Estados Unidos para desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial. Pequim classificou os alertas como “alarmismo” e parte de uma estratégia de contenção contra o país.

O embate mostra como a disputa entre as duas potências se mistura às preocupações com segurança. Enquanto Dario Amodei e Sam Altman defendem coordenação internacional, Donald Trump prioriza a liderança americana na corrida contra a China.

A disputa tecnológica entre China e EUA aumenta a dificuldade de criar regras comuns para a inteligência artificial. Imagem: TU IS / iStock

China reage aos alertas dos EUA

A discussão ganhou força depois que Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um ensaio defendendo que as empresas reduzam deliberadamente o ritmo de evolução de seus modelos diante dos riscos da IA.

Amodei afirmou que uma liderança chinesa no setor representaria um grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo. Ele também defendeu restrições à venda de tecnologias importantes para a China. Sam Altman, CEO da OpenAI, e Elon Musk apoiaram a mensagem.

Pequim respondeu. Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, disse que “alarmismo, confronto e competição maliciosa” prejudicariam a governança global da IA e não atenderiam aos interesses de ninguém.

O jornal estatal Global Times adotou um tom ainda mais duro e classificou a proposta de desaceleração como um “manual da Guerra Fria” voltado ao setor de IA.

Trump mantém foco na corrida tecnológica

Donald Trump também rejeitou os alertas apresentados pelos líderes da indústria. Para o presidente americano, os Estados Unidos estão à frente da China em IA, e manter essa vantagem é prioridade.

Leia mais:

“Estamos liderando a China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero continuar assim, porque quem vencer a IA vence”, afirmou Trump a jornalistas no domingo.

Amodei comparou a disputa entre os países a uma corrida armamentista da Guerra Fria. Ele defendeu que os dois lados trabalhem juntos, mas disse não ter muita esperança de que isso aconteça.

Altman também defendeu a coordenação entre governos para enfrentar os riscos associados ao avanço da tecnologia.

China também fala em segurança

A rejeição de Pequim à desaceleração não significa que o governo chinês ignore os riscos da IA. Chen Yixin, ministro da Segurança do Estado, afirmou que o país precisa acelerar a criação de um sistema para prevenir e controlar problemas de segurança relacionados à tecnologia.

Ele também defendeu uma ampla cooperação internacional e classificou a IA como um novo campo de rivalidade estratégica.

A disputa envolve questões como:

  • o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA;
  • restrições americanas à transferência de tecnologias para a China;
  • acusações de que empresas chinesas copiaram modelos americanos;
  • criação de regras internacionais para reduzir riscos;
  • desconfiança entre os dois governos.
Donald Trump
Donald Trump afirmou que os Estados Unidos priorizam manter a liderança tecnológica sobre a China. – Imagem: lev radin/Shutterstock

Desconfiança dificulta acordo global

A competição tecnológica torna mais difícil construir regras comuns. Empresas chinesas oferecem desempenho avançado de IA por uma fração do custo de modelos americanos, enquanto Xi Jinping apresenta a China como defensora de modelos de código aberto.

Para Ja Ian Chong, professor da Universidade Nacional de Singapura e pesquisador da Carnegie China, a relação entre os dois países é marcada por uma profunda desconfiança. Ele compara o cenário a uma corrida armamentista e considera difícil imaginar uma redução simultânea dos riscos.

Um acordo entre China e EUA para desacelerar a IA parece distante. Ainda assim, os dois países poderiam adotar medidas de segurança internamente, compartilhar aprendizados e ampliar a prestação de contas, segundo especialistas ouvidos pela NBC News. A disputa deve estar entre os temas do encontro entre Xi Jinping e Trump marcado para 24 de setembro, em Washington.

O post China reage a pressão dos EUA para desacelerar desenvolvimento da IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

China reage a pressão dos EUA para desacelerar desenvolvimento da IA Read More »

graduacao com ia 1024x576

Quanto custa estudar IA em 2026 – e como pagar menos para isso

O boom da inteligência artificial (IA) criou a ideia de que todo mundo precisa fazer uma pós-graduação na área para não ficar ultrapassado. Na prática, a regra é mais simples. Aprender IA é parecido com aprender a dirigir: é bom você saber guiar o carro na rotina, mas não precisa se tornar um piloto de corrida nem entender como o motor foi construído.

Clube Olhar Digital: junte-se à comunidade que mais entende de tecnologia no Brasil!

Qual caso é o seu? Bem, isso depende do seu objetivo no mercado. Quem só quer resolver tarefas do dia a dia precisa de letramento digital, algo que cursos rápidos resolvem. Já a educação formal, como pós-graduação e MBA, serve para outro grupo: profissionais que vão construir e gerenciar sistemas de IA. Ou pessoas que querem avançar na carreira apostando num certificado que, geralmente, pesa no recrutamento.

Quem precisa de educação formal (graduação, pós, MBA) em IA

A educação formal em IA se divide em dois caminhos. De um lado estão os cursos de graduação e pós-graduação técnica, voltados a desenvolvedores, engenheiros de software e cientistas de dados. Nesses programas, o estudante aprende, por exemplo: a base matemática, a arquitetura de redes neurais e o desenvolvimento de modelos para criar, treinar e otimizar tecnologias do zero.

Cursos, newsletters e reportagens exclusivas! Assine o Clube Olhar Digital!

Do outro lado estão os MBAs e especializações aplicadas, buscados por gestores, advogados e profissionais de áreas como marketing e finanças. O objetivo dessas formações é preparar o profissional para liderar a implementação da tecnologia no ambiente de negócios. Isso envolve avaliar o retorno sobre o investimento, garantir o cumprimento de regras de governança e escolher fornecedores no mercado, por exemplo.

A educação formal em IA se divide em dois caminhos atualmente – Imagem: CoreDESIGN/Shutterstock

Além da bagagem conceitual e metodológica, a escolha por um curso de longa duração resvala na percepção do mercado. Em entrevista ao Olhar Digital, Eduardo Endo, gerente geral de pós-graduações da Faculdade Impacta Digital, explicou que enquanto o curso livre entrega aprendizado pontual, a educação formal atua como uma alavanca de transformação profissional.

“Quando falamos em chamar a atenção dos recrutadores, uma pós-graduação tende a ter um peso muito maior, pois demonstra não apenas a aquisição de conhecimento, mas também dedicação, comprometimento e vontade de mudar e evoluir profissionalmente”, afirma Endo.

Mais de 100 cursos na área de tecnologia com desconto! Conheça o Clube Olhar Digital

Quem precisa de cursos rápidos

Para profissionais de áreas como Direito, Marketing, Finanças e Recursos Humanos, o caminho no aprendizado da IA é mais simples. Esse público não precisa aprender a programar nem entender a arquitetura dos sistemas para ter ganhos de produtividade no trabalho. O objetivo aqui é o letramento digital, focado em resolver problemas práticos da rotina.

A capacitação para esse perfil costuma ocorrer em cursos livres de curta duração, que variam entre oito e 40 horas de aula. O foco dessas aulas é te mostrar o uso de ChatGPT, Claude, Gemini e Copilot, por exemplo, como ferramentas de trabalho, estudo, pesquisa. Isso envolve, por exemplo, ter noções básicas de engenharia de prompt e de critérios para checar respostas e evitar vazamentos de dados.

Captura de tela de plataforma de cursos do Olhar Digital
Clube Olhar Digital tem plataforma com mais de 130 cursos – Imagem: Reprodução

Atualmente, o Clube Olhar Digital tem um catálogo com mais de 130 cursos. Entre eles, estão:

“A IA ainda não substitui o conhecimento em tecnologia, mas já consegue automatizar muita coisa. Por isso, para quem não é de uma área técnica, o mais importante é entender as possibilidades da IA e como aplicá-las aos problemas reais da sua profissão”, explica Eduardo Endo.

Na plataforma, você encontra cursos sobre áreas e ferramentas para além da IA, como: 

A chave para quem não é de TI está em olhar para a própria rotina e mapear quais tarefas podem ser otimizadas ou aprimoradas. Afinal, sempre há espaço para melhorar. O ponto aqui é: em vez de tentar se transformar num especialista na tecnologia, a estratégia mais eficiente é encará-la como complemento para potencializar sua profissão atual. Seu ofício. E nossos assinantes têm 15% de desconto em todos os cursos disponíveis na plataforma exclusiva do Clube Olhar Digital.

Não é promoção! É automático: Clube Olhar Digital oferece 15% de desconto em todos os cursos da Impacta

O post Quanto custa estudar IA em 2026 – e como pagar menos para isso apareceu primeiro em Olhar Digital.

Quanto custa estudar IA em 2026 – e como pagar menos para isso Read More »

istock 2285744191 1024x576 1

China cria regras para evitar que IA avançada escape do controle

Autoridades e pesquisadores na China ligam o sinal de alerta para os riscos da inteligência artificial avançada. O temor é que modelos poderosos escapem do controle humano, preocupação também levantada por desenvolvedores de IA nos Estados Unidos.

Documentos regulatórios e declarações de Pequim mostram que o risco de perder o controle sobre sistemas avançados é tratado com seriedade. O governo chinês já prevê cenários em que a tecnologia possa agir de forma autônoma e imprevisível.

Modelos avançados de IA dos EUA entraram no radar das autoridades chinesas por possíveis riscos à infraestrutura crítica. – Imagem: Infinite Creations/iStock

O risco está em modelos fechados e abertos

A China vê riscos significativos em modelos proprietários dos EUA. O ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, alertou que sistemas como o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI, podem representar riscos para a infraestrutura crítica de informação do país. Ele defendeu um reforço abrangente da segurança relacionada à IA.

Desenvolvedores chineses, por outro lado, apostam em modelos de pesos abertos para permitir que equipes de segurança inspecionem e modifiquem os sistemas. A plataforma Hugging Face usou o modelo chinês GLM-5.2, da Z.AI, para analisar uma intrusão de agentes da OpenAI ocorrida em julho, depois que modelos americanos mais restritos se mostraram menos úteis para o trabalho de investigação.

Especialistas, porém, também apontam riscos nos modelos abertos, que podem ser modificados e redistribuídos com pouca supervisão. No mês passado, o Kimi K3, da Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido, mostrando que modelos chineses também podem escapar de controles criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores já preveem “perda de controle”

Pequim incluiu explicitamente um cenário de perda de controle em uma estrutura de segurança de IA publicada em setembro de 2024, sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC). O documento considerava que uma IA futura poderia:

  • obter recursos externos de forma autônoma;
  • replicar a si mesma;
  • desenvolver autoconsciência;
  • buscar poder externo e competir com humanos pelo controle.

Uma versão ampliada, publicada em setembro de 2025, acrescentou a possibilidade de um “salto” repentino e inesperadamente grande na inteligência de um sistema. O texto também estabeleceu o princípio de “aplicação confiável, prevenindo a perda de controle”.

Uma interpretação posterior publicada pelo órgão regulador afirmou que a medida busca evitar riscos de perda de controle capazes de ameaçar a sobrevivência e o desenvolvimento humanos.

Ilustração da distribuição de uso da IA pelo mundo
Agentes de IA podem executar tarefas mais complexas e com maior autonomia do que chatbots convencionais. – Imagem criada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Xi Jinping quer controle humano no centro

A preocupação chegou ao mais alto nível da política chinesa. Na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente Xi Jinping afirmou que as autoridades deveriam prestar atenção aos riscos próprios e derivados da IA.

Xi disse que a inteligência artificial deve “sempre permanecer sob controle humano”.

Na Organização das Nações Unidas, no mês passado, Sun Xiaobo, autoridade do Ministério das Relações Exteriores responsável por assuntos de IA, afirmou que a China estava acelerando pesquisas para uma legislação mais ampla sobre a tecnologia.

Agentes de IA também entram no radar

Pequim já começou a criar regras específicas para agentes de IA, sistemas capazes de executar tarefas mais complexas e com maior autonomia que os chatbots convencionais.

Leia mais:

Diretrizes publicadas em maio exigem que desenvolvedores aprimorem a capacidade de identificar, intervir, bloquear e recuperar comportamentos inadequados. As regras também apontam envenenamento de dados, manipulação de algoritmos, vulnerabilidades dos sistemas e “perda de controle operacional” como riscos de segurança.

Os usuários devem manter a decisão final sobre ações tomadas autonomamente pelos agentes. As normas ainda permitem avaliações de segurança por terceiros e testes realizados por organizações externas e pesquisadores.

A estratégia chinesa mostra que a possibilidade de perder o controle sobre sistemas avançados já faz parte do debate regulatório sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

O post China cria regras para evitar que IA avançada escape do controle apareceu primeiro em Olhar Digital.

China cria regras para evitar que IA avançada escape do controle Read More »

inteligencia artificial ia 1024x592

A IA vai exterminar a humanidade? O que está por trás dos alertas

Não é de hoje que você lê, ouve ou assiste por aí que a inteligência artificial pode acabar com a humanidade. Esse discurso circula pela internet há algum tempo. Recentemente, ele voltou a ganhar força graças a análises e comentários de ex-funcionários de grandes empresas do setor. Além disso, CEOs como Sam Altman (OpenAI) e Dario Amodei (Anthropic) voltaram a bater na tecla da importância da segurança no desenvolvimento desta tecnologia.

Em semanas assim, se manter informado sobre o mundo da tecnologia pode te levar à beira do desespero. Por isso, é importante colocar essas novidades em perspectiva. Até que ponto são alertas válidos? Até que ponto são jogadas de marketing? O Olhar Digital te ajuda a entender tudo isso.

A IA vai acabar com a humanidade…?

A inteligência artificial teria mais de 10% de chance de “matar todos os humanos” até o fim da década, segundo Evan Hubinger, líder de teste de alinhamento da Anthropic. A fala surgiu poucas horas após Jacob Coxon, pesquisador da empresa, anunciar sua saída e criticar a corrida dos laboratórios por sistemas cada vez mais avançados.

Numa publicação no X, Coxon disse que a Anthropic e a OpenAI não estão agindo de maneira responsável diante dos riscos envolvidos no avanço da inteligência artificial.

“Eles estão correndo diretamente rumo à superinteligência que se aprimora sozinha e apostando nossas vidas”, escreveu Coxon.

Hubinger escreveu o seguinte: “Jacob está correto aqui — nós realmente acreditamos que a IA poderia matar todos os humanos! Eu pessoalmente acho que é superior a 10% na próxima década.”

‘Eu fico incomodado com a falta de método e evidência’, diz especialista em tecnologia – Imagem: Gemini

Como Hubinger chegou a este número? É o questionamento feito por Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em entrevista ao Olhar Digital. “Eu fico incomodado com a falta de método e evidência. Como ele calculou 10%? Por que não é 15%? Por que não é 7%? Mostre para nós como se calcula isso. Qual é a premissa?”, disse o especialista.

“Acho que se colocarmos numa tabela de riscos, eu tenho mais medo até o final da década de pessoas tomarem decisões erradas”, acrescentou Igreja.

Isso porque, conforme frisado pelo especialista, a IA tem lá seus riscos, mas, no fim das contas, foi algo desenvolvido por pessoas. “É uma tecnologia que pode intervir nela mesma. A IA é desenvolvida pelos humanos, mas com o aumento de sua capacidade, começa a desenvolver os próximos modelos ou fazer ajustes. Preocupa porque você tem uma intervenção humana menor ao longo do tempo”, explicou Igreja.

“Eu tendo a ter mais medo das pessoas”, disse o especialista. “Quem desenvolve as IAs são pessoas. Se ela começar a ter determinados comportamentos, em determinada medida, é fruto de decisões tomadas no desenvolvimento. Se isso não for paralisado, também é decisão de uma pessoa.” 

Eu acho complicada a narrativa de que a IA se rebelou, fez escolhas. Ela foi projetada por pessoas.

Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, em entrevista ao Olhar Digital.

CEOs se dizem preocupados com a segurança, mas…

A OpenAI não vai estrear na Bolsa de Valores em 2026. A confirmação veio de Sam Altman, em entrevista à revista Fortune. O motivo principal para segurar a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) é a preocupação com a segurança e com os riscos das tecnologias de inteligência artificial.

Para Altman, este não é o momento adequado para levar a empresa ao mercado financeiro. O executivo destacou a responsabilidade que as empresas do setor e os governos têm nas mãos, dizendo que riscos à humanidade não podem ser ignorados em troca de lucro ou por vaidade corporativa. Segundo ele, o foco atual da OpenAI precisa ser o alinhamento de segurança e a cooperação com órgãos governamentais.

Sam Altman de lado
CEO da OpenAI, Sam Altman, confirmou que IPO da empresa não vai ocorrer em 2026 – Imagem: FotoField/Shutterstock

A decisão veio num período de pressão crescente nos Estados Unidos. Tanto políticos democratas quanto republicanos vêm cobrando regras mais rígidas para o setor de IA.

O alerta aumentou após pesquisadores relatarem casos de sistemas autônomos que saíram do controle e invadiram outros sistemas, além da saída de especialistas de empresas da área por receio quanto aos rumos da tecnologia.

Alertas recentes sobre cenários de risco extremo colocaram o ritmo de desenvolvimento em debate. Dario Amodei defendeu a redução da velocidade no desenvolvimento dos modelos mais avançados.

Amodei recebeu apoio público de dois de seus concorrentes diretos. Elon Musk e Altman concordaram com a declaração. O CEO da OpenAI ainda revelou que as principais empresas do setor estudam criar um acordo conjunto para desacelerar o avanço das ferramentas e focar na mitigação de falhas.

Apesar das discussões sobre desaceleração no setor, o caminho das concorrentes é diferente. A Anthropic mantém seus planos de abrir capital no mercado financeiro ainda no final de 2026 (e pode ter investimento bilionário da Nvidia).

“Esse episódio me lembra muito o que aconteceu em 30 de setembro de 2023, quando tivemos mais de mil signatários naquela carta que pedia seis meses de paralisação no desenvolvimento da IA, porque ela estava ficando muito perigosa”, disse Arthur Igreja. “Cá estamos, mais de três anos depois, e isso não aconteceu. Acho bastante difícil as empresas do setor – ou uma parte importante delas – se unirem.” 

Assista abaixo a entrevista completa com Arthur Igreja:

As mensagens escondidas

Os alertas recentes devem ser levados a sério. Mas outro questionamento merece atenção: quando uma empresa afirma que sua tecnologia é extraordinariamente poderosa, transformadora e potencialmente perigosa, o que essa mensagem comunica a investidores e formuladores de políticas públicas? É o que questiona John Park, especialista em inteligência artificial e Founding Member of Technical Staff da AGI Inc.

Segundo Park, existe “uma conexão natural entre a maneira como as empresas de IA de fronteira descrevem suas tecnologias e o valor econômico que o mercado pode atribuir a elas”.

Quando uma empresa enfatiza que seus modelos não são apenas poderosos, mas poderosos o suficiente para transformar a sociedade e, ao mesmo tempo, gerar riscos sem precedentes, existem três mensagens sendo comunicadas nesta narrativa, segundo o especialista em IA.

“A primeira mensagem é que a tecnologia é extraordinariamente capaz. A segunda é que seu impacto potencial pode ser extraordinariamente grande. E a terceira, que pode surgir naturalmente na cabeça dos investidores, é que a empresa responsável por desenvolver essa tecnologia pode capturar um valor econômico extraordinário”, afirmou Park.

Para o especialista, essas ideias se reforçam mutuamente. Mas não significa que os riscos sejam inventados ou exagerados. Por isso, ele defende a necessidade de separar três questões (que podem estar relacionadas, mas não são a mesma coisa): quão poderosa é uma tecnologia, quão perigosa ela pode ser e quanto valor econômico a empresa que a desenvolve conseguirá capturar.

Dolár sobre teclado com índice mostrando negativa da economia
Existe conexão entre como empresas de IA descrevem suas tecnologias e seus valores no mercado – Imagem: ShutterstockProfessional / Shutterstock

“Sou favorável a requisitos de segurança para sistemas de IA de alto risco. Se determinados modelos podem causar danos em escala significativa, é razoável exigir avaliações de segurança, transparência e mecanismos de controle”, disse Park.

No entanto, o especialista frisou: “O problema começa quando as regras passam a refletir as estruturas, os recursos financeiros e a infraestrutura das maiores empresas do setor.”

Por isso, para Park, a regulação deve ser proporcional ao risco. Não ao tamanho ou poder de mercado da empresa. “Precisamos prestar atenção na relação entre regulamentação e estrutura de mercado.”

“Se os padrões globais de segurança forem definidos principalmente pelas maiores empresas americanas de IA, empresas brasileiras poderão ter de arcar com custos regulatórios e técnicos desenhados para organizações que possuem recursos muito maiores”, ponderou o especialista.

Para o especialista, existem duas perguntas no cerne do debate sobre o tema: 1) A IA é perigosa demais para ser desenvolvida?; e 2) Ela é perigosa demais para que outros possam competir?

“O resultado poderia ser paradoxal: uma regulamentação criada para tornar a IA mais segura acabar dificultando o surgimento de novos competidores e aumentando a dependência de empresas estrangeiras”, escreveu Park, em artigo publicado no Olhar Digital.

O post A IA vai exterminar a humanidade? O que está por trás dos alertas apareceu primeiro em Olhar Digital.

A IA vai exterminar a humanidade? O que está por trás dos alertas Read More »

Resumo do OD: IApocalipse? IPO da OpenAI adiado? Entenda!

Esse é um trecho da newsletter Primeiro Olhar, disponível para assinantes do Clube Olhar Digital

A OpenAI não vai estrear na Bolsa de Valores em 2026. A confirmação veio do próprio presidente da empresa, Sam Altman, em entrevista à revista Fortune. O motivo principal para segurar a oferta pública de ações (IPO) é a preocupação com a segurança e com os riscos das tecnologias de inteligência artificial.

Para Altman, este não é o momento adequado para levar a empresa ao mercado financeiro. O executivo destacou a responsabilidade que as empresas do setor e os governos têm nas mãos, afirmando que riscos à humanidade não podem ser ignorados em troca de lucro ou por vaidade corporativa. Segundo ele, o foco atual da OpenAI precisa ser o alinhamento de segurança e a cooperação com órgãos governamentais.

A decisão acontece em um período de pressão crescente nos Estados Unidos. Tanto políticos democratas quanto republicanos vêm cobrando regras mais rígidas para o setor de IA.

O alerta aumentou após pesquisadores relatarem casos de sistemas autônomos que saíram do controle e invadiram outros sistemas, além de demissões de especialistas que deixaram empresas da área por receio quanto aos rumos da tecnologia.

Alertas recentes sobre potenciais cenários de risco extremo colocaram o ritmo de desenvolvimento em debate. Dario Amodei, presidente da concorrente Anthropic, defendeu publicamente a redução da velocidade na evolução dos modelos mais avançados.

Amodei recebeu apoio público de dois de seus concorrentes diretos: Elon Musk e Altman concordaram com a declaração. O CEO da OpenAI ainda revelou que as principais empresas do setor estudam criar um acordo conjunto para desacelerar o avanço das ferramentas e focar na mitigação de falhas.

Apesar das discussões sobre desaceleração no setor, o caminho das concorrentes é diferente: a Anthropic mantém seus planos de abrir capital no mercado financeiro ainda no final deste ano.

EUA e China

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou os críticos da IA a “forças muito negativas”. O republicano disse que estão projetando cenários que não vão acontecer. O político também falou que quer garantir que o país continue líder do setor.

“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo […] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer”.

Trump conversou com jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda.

O jornal estatal Global Times, da China, fez um editorial criticando o ensaio de Dario Amodei. A publicação classifica o texto como uma “estratégia da Guerra Fria”.

O executivo da Anthropic argumentou que os EUA precisavam fortalecer os controles de exportação de chips da China e reprimirem a suposta extração de modelos por laboratórios chineses de IA. Amodei afirmou à CBS News neste domingo que o “dilema mais difícil” em sua proposta de desacelerar o avanço da IA ​​seria se a China e outros países adversários optassem por não fazer o mesmo.

O Global Times criticou Amodei. O editorial diz que a verdadeira intenção do ensaio era “tentar frear o desenvolvimento da IA ​​na China por meio de barreiras tecnológicas e monopólios regulatórios, manter a hegemonia monopolista de Washington em tecnologia de ponta e excluir a China do sistema global de governança da IA”.

“Essa ‘Guerra Fria silenciosa da IA’ é hipócrita e míope”, afirmou, acrescentando que excluir a China da inovação global em IA “aumentaria significativamente os custos de tentativa e erro e os riscos de perda de controle no desenvolvimento global da IA”.

O Ministério das Relações Exteriores da China se manifestou. A pasta disse que todas as partes devem “promover uma abordagem aberta, inclusiva e benevolente em relação à IA”.

Questionado sobre os apelos dos líderes tecnológicos dos EUA para desacelerar o desenvolvimento da IA, o porta-voz Guo Jiakun afirmou: “Fomentar diversas ameaças, envolver-se em confrontos e competição maliciosa só irá perturbar o processo de governança global da inteligência artificial e não é do interesse de nenhuma das partes”.

Fontes afirmaram à Reuters que os EUA e a China planejam discutir os riscos de segurança da inteligência artificial de ponta neste mês. O assunto pode, inclusive, ser abordado durante a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping no próximo dia 24.

IA: perigo ou marketing?

A inteligência artificial teria mais de 10% de chance de “matar todos os humanos” até o fim da década, segundo Evan Hubinger, líder de teste de alinhamento da Anthropic. A fala surgiu poucas horas depois de Jacob Coxon, pesquisador da empresa, anunciar sua saída e criticar a corrida dos laboratórios por sistemas cada vez mais avançados.

Em uma publicação no X, Coxon afirmou que a Anthropic e a OpenAI não estão agindo de maneira responsável diante dos riscos envolvidos no avanço da inteligência artificial.

“Eles estão correndo diretamente rumo à superinteligência que se aprimora sozinha e apostando nossas vidas”, escreveu.

“Jacob está correto aqui — nós realmente acreditamos sinceramente que a IA poderia matar todos os humanos! Eu pessoalmente acho que é superior a 10% na próxima década” – disse Evan Hubinger.

Mas, calma…

Como alguém chega nesse número? É o questionamento feito por Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. Igreja avalia que, sim, a tecnologia tem riscos. Mas, no fim das contas, a IA é feita por pessoas.

“É uma tecnologia que pode intervir nela mesma. A IA é desenvolvida pelos humanos, mas com o aumento de sua capacidade, começa a desenvolver os próximos modelos ou fazer ajustes. Preocupa porque você tem uma intervenção humana menor ao longo do tempo.

Eu tendo a ter mais medo das pessoas. Quem desenvolve as IAs são pessoas. Se ela começar a ter determinados comportamentos, em determinada medida, é fruto de decisões tomadas no desenvolvimento. Se isso não for paralisado, também é decisão de uma pessoa. Eu acho complicada a narrativa de que a IA se rebelou, fez escolhas. Ela foi projetada por pessoas.

Eu fico incomodado com a falta de método e evidência. Como ele calculou 10%? Por que não é 15%? Por que não é 7%? Mostra pra gente como calcula isso. Qual é a premissa? Acho que se colocarmos numa tabela de riscos, eu tenho mais medo até o final da década de pessoas tomarem decisões erradas. Do final da Segunda Guerra Mundial para cá, sempre estivemos muito mais perto de alguém apertar um botão e começar um ataque nuclear do que uma IA sair do controle.

Não estou dizendo que o risco não existe. Mas me incomoda quando tem um indivíduo afirmando que é 10% até 2030. E não sabemos como ele chegou nesse número. Temos que analisar números, evidências, método.

Software avançado se tornou um novo tipo de arma, um novo tipo de ferramenta. Tem potencial de danos, mas tem potencial de cura. Para variar, não podemos demonizar a ferramenta ou a tecnologia, temos que direcionar o bom uso”.

A entrevista completa de Arthur Igreja ao OD está aqui.

John Park, especialista em inteligência artificial e Founding Member of Technical Staff da AGI Inc, vai na mesma linha. Ele reconhece riscos, mas chama a atenção para um contexto mais amplo:

“Considere a narrativa criada quando uma empresa enfatiza que seus modelos não são apenas poderosos, mas poderosos o suficiente para transformar a sociedade e, ao mesmo tempo, gerar riscos sem precedentes.

A primeira mensagem é que a tecnologia é extraordinariamente capaz. A segunda é que seu impacto potencial pode ser extraordinariamente grande.

E a terceira, que pode surgir naturalmente na cabeça dos investidores, é que a empresa responsável por desenvolver essa tecnologia pode capturar um valor econômico extraordinário.

Não estou afirmando que isso seja necessariamente uma estratégia deliberada para inflar avaliações. Estou dizendo que essas ideias se reforçam mutuamente

Sou favorável a requisitos de segurança para sistemas de IA de alto risco. Se determinados modelos podem causar danos em escala significativa, é razoável exigir avaliações de segurança, transparência e mecanismos de controle.

O problema começa quando as regras passam a refletir as estruturas, os recursos financeiros e a infraestrutura das maiores empresas do setor.

Uma regulamentação que exige equipes enormes, processos complexos, auditorias caras ou níveis de computação que apenas as maiores empresas conseguem sustentar pode, na prática, criar barreiras à entrada — mesmo que essa não tenha sido sua intenção original.

Se os padrões globais de segurança forem definidos principalmente pelas maiores empresas americanas de IA, empresas brasileiras poderão ter de arcar com custos regulatórios e técnicos desenhados para organizações que possuem recursos muito maiores.

O resultado poderia ser paradoxal: uma regulamentação criada para tornar a IA mais segura acabar dificultando o surgimento de novos competidores e aumentando a dependência de empresas estrangeiras.

Precisamos de avaliações verificáveis, critérios transparentes e mecanismos de fiscalização capazes de distinguir entre riscos reais e afirmações sobre riscos.

Também precisamos evitar um cenário em que as maiores empresas de IA sejam simultaneamente desenvolvedoras da tecnologia, definidoras dos padrões de segurança e principais beneficiárias econômicas desses mesmos padrões.

É possível levar a sério os alertas de segurança feitos por pesquisadores e empresas de IA sem aceitar automaticamente todas as implicações econômicas ou regulatórias dessas narrativas”.

O artigo completo que Park escreveu a convite do OD está aqui.

E você? Qual seu maior receio sobre o avanço das IAs? Mercado de trabalho? Cibersegurança? IAs escapando do controle?

O post Resumo do OD: IApocalipse? IPO da OpenAI adiado? Entenda! apareceu primeiro em Olhar Digital.

Resumo do OD: IApocalipse? IPO da OpenAI adiado? Entenda! Read More »

elon musk spacex dario amodei anthropic sam altman openai 1024x640

Por questões de segurança, OpenAI não fará mais IPO em 2026, diz Sam Altman

A OpenAI não vai estrear na Bolsa de Valores em 2026. A confirmação veio do próprio presidente da empresa, Sam Altman, em entrevista à revista Fortune. O motivo principal para segurar a oferta pública de ações (IPO) é a preocupação com a segurança e com os riscos das tecnologias de inteligência artificial.

Para Altman, este não é o momento adequado para levar a empresa ao mercado financeiro. O executivo destacou a responsabilidade que as empresas do setor e os governos têm nas mãos, afirmando que riscos à humanidade não podem ser ignorados em troca de lucro ou por vaidade corporativa. Segundo ele, o foco atual da OpenAI precisa ser o alinhamento de segurança e a cooperação com órgãos governamentais.

A decisão acontece em um período de pressão crescente nos Estados Unidos. Tanto políticos democratas quanto republicanos vêm cobrando regras mais rígidas para o setor de IA.

Leia mais:

O alerta aumentou após pesquisadores relatarem casos de sistemas autônomos que saíram do controle e invadiram outros sistemas, além de demissões de especialistas que deixaram empresas da área por receio quanto aos rumos da tecnologia.

Anthropic defende redução na velocidade de desenvolvimento e recebe apoio de Altman e Musk

Alertas recentes sobre potenciais cenários de risco extremo colocaram o ritmo de desenvolvimento em debate. Dario Amodei, presidente da concorrente Anthropic, defendeu publicamente a redução da velocidade na evolução dos modelos mais avançados.

Montagem com imagens de Elon Musk, CEO da SpaceX; Dario Amodei, CEO da Anthropic; e Sam Altman, CEO da OpenAI – SpaceX / Forum Econômico Mundial / FotoField (Shutterstock)

Amodei recebeu apoio público de dois de seus concorrentes diretos: Elon Musk e Altman concordaram com a declaração. O CEO da OpenAI ainda revelou que as principais empresas do setor estudam criar um acordo conjunto para desacelerar o avanço das ferramentas e focar na mitigação de falhas.

Apesar das discussões sobre desaceleração no setor, o caminho das concorrentes é diferente: a Anthropic mantém seus planos de abrir capital no mercado financeiro ainda no final deste ano.

O post Por questões de segurança, OpenAI não fará mais IPO em 2026, diz Sam Altman apareceu primeiro em Olhar Digital.

Por questões de segurança, OpenAI não fará mais IPO em 2026, diz Sam Altman Read More »