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Mega arrecadação de fundos da Alphabet em IA mostra força da empresa

A Alphabet, empresa controladora do Google, realizou uma captação histórica de US$ 80 bilhões (R$ 401,9 bilhões) em ações, demonstrando sua vantagem competitiva no acesso ao capital — uma área cada vez mais importante para o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

Esta operação deve ser vista como uma resposta àqueles que aguardam ansiosamente os próximos IPOs da SpaceX, Anthropic e OpenAI. A captação de recursos da gigante das buscas corresponde ao valor que a SpaceX de Elon Musk espera arrecadar em sua oferta pública inicial.

IA exige investimentos massivos da Alphabet e outras

No setor de IA, o dinheiro fala mais alto. As maiores empresas estão investindo:

  • Centenas de milhões de dólares para atrair os melhores pesquisadores;
  • Dezenas de bilhões para construir centros de dados;
  • Financiamento de prejuízos na expansão de seus negócios de IA.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 61% de todo o capital de risco do ano passado foi destinado à IA, o que já está dificultando a captação de recursos para startups de outros setores.

Empresa é controladora do Google – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

Vantagem competitiva no acesso ao capital

A Alphabet é uma das pouquíssimas empresas capazes de levantar tanto dinheiro sem que suas ações despencassem. Embora US$ 80 bilhões seja um valor enorme, representa menos de 2% do valor de mercado da empresa, que vale US$ 4,5 trilhões (R$ 226 trilhões). As ações caíram apenas 2,6% nas negociações pré-mercado.

Esta capacidade se deve ao quase monopólio da empresa em buscas online e à credibilidade que possui em Wall Street em novos empreendimentos.

Leia mais:

Retorno do mercado de ações como fonte de capital

O mercado de ações está retomando seu papel histórico de canalizar o dinheiro de milhões de poupadores para projetos gigantescos. Nos últimos 25 anos, esse papel havia perdido importância com o crescimento dos fundos de capital privado.

No entanto, o vasto consumo de capital pela IA ultrapassa até mesmo a capacidade dos mercados privados. À medida que entramos em uma nova era de empresas com grande necessidade de capital, o mercado de ações deixa de ser apenas uma forma de investidores privados saírem de seus investimentos e se torna uma fonte atraente de capital.

Destino dos recursos da Alphabet

Dos US$ 80 bilhões captados, US$ 30 bilhões (R$ 150,7 bilhões) são destinados ao pagamento de impostos sobre as opções de ações concedidas aos funcionários. O restante será direcionado para investimentos em IA e expansão dos negócios.

Gigantes da computação, como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, tornaram-se grandes emissoras de títulos, com a Alphabet sozinha captando US$ 85 bilhões (R$ 427 bilhões) em emissões no ano passado.

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Microsoft quer reinventar o computador com o Project Solara

A Microsoft anunciou o Project Solara, uma nova plataforma voltada para dispositivos criados em torno de agentes de inteligência artificial (IA). A iniciativa foi apresentada por Steven Bathiche, vice-presidente corporativo e technical fellow do Applied Sciences Group da empresa, durante a Build 2026.

Segundo a companhia, o projeto combina hardware e software para criar experiências “agent-first”, nas quais os agentes assumem papel central na interação entre usuários e computadores. A proposta é facilitar o desenvolvimento de dispositivos especializados para diferentes ambientes de trabalho, reduzindo a complexidade normalmente envolvida na criação de novas categorias de equipamentos.

Microsoft aposta em uma nova geração de dispositivos

No anúncio, Bathiche afirmou que os agentes estão se tornando uma nova forma de interação entre pessoas e máquinas. A visão da empresa é que a linguagem natural passe a ocupar um papel mais relevante, diminuindo a dependência de interfaces tradicionais baseadas em aplicativos e comandos manuais.

De acordo com a Microsoft, o Project Solara foi desenvolvido para um cenário com múltiplos agentes, permitindo que empresas utilizem soluções da própria companhia ou criem agentes personalizados para suas necessidades. A plataforma conecta dispositivos e nuvem para oferecer experiências adaptadas a diferentes contextos.

Segurança e integração fazem parte da proposta

A Microsoft destacou três pilares do projeto: segurança corporativa, interação baseada em agentes e integração com agentes de terceiros. Entre os recursos previstos estão o sistema operacional Microsoft Device Ecosystem Platform (MDEP), gerenciamento via Microsoft Intune, autenticação com Entra ID e recursos do Hello for Business.

A empresa também apresentou o conceito de just-in-time UI, que busca adaptar automaticamente a interface dos agentes a diferentes telas e formas de interação, como voz, toque e recursos multimodais.

Dois dispositivos-conceito foram apresentados

Para demonstrar a plataforma, a Microsoft mostrou dois dispositivos de referência. O primeiro é um crachá inteligente portátil desenvolvido com a Qualcomm, equipado com tela touchscreen, sensor biométrico, câmera, microfones e conectividade 5G.

Conceito portátil do Project Solara funciona como um crachá inteligente com acesso a agentes de IA, biometria e conectividade 5G – Imagem: Divulgação / Microsoft

O segundo é um dispositivo de mesa criado em parceria com a MediaTek. O equipamento possui tela sensível ao toque, autenticação facial e pode atuar de forma independente, como complemento para um PC ou como cliente do Windows 365 quando conectado a um monitor externo.

Conceito Desk do Project Solara, dispositivo de mesa da Microsoft com tela touchscreen, autenticação facial e controles de privacidade para interação com agentes de IA
Conceito de mesa do Project Solara inclui tela sensível ao toque, autenticação via Hello for Business e integração com agentes de IA – Imagem: Divulgação / Microsoft

A Microsoft informou que centenas de funcionários já utilizam os conceitos internamente. Nos próximos meses, a empresa iniciará um programa piloto com organizações como AccuWeather, Best Buy, CVS Health, Levi’s e Target.

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Microsoft lança IA própria para rivalizar com OpenAI

A Microsoft anunciou nesta terça-feira seus primeiros modelos proprietários de inteligência artificial voltados para desenvolvedores, durante a conferência Build realizada em San Francisco. A iniciativa marca uma mudança no posicionamento da empresa, que até agora atuou principalmente como fornecedora de infraestrutura de nuvem e investidora em outras companhias de IA.

O primeiro modelo apresentado é o MAI-Code-1-Flash, descrito como o modelo inaugural da Microsoft no segmento de codificação por IA. Ele recebe descrições em texto e gera código-fonte para aplicativos e sites. O segundo é o MAI-Thinking-1, um modelo de raciocínio de tamanho médio. Ambos têm eficiência como ponto central de divulgação.

Novos modelos da Microsoft prometem criar códigos com mais eficiência e menor custo para desenvolvedores e empresas. Imagem: bluestork/Shutterstock

Microsoft aposta em eficiência e custo como diferenciais

Kyle Daigle, chefe de marketing para desenvolvedores da Microsoft e diretor de operações do GitHub, descreveu o MAI-Thinking-1 em um post como “construído para alta eficiência e desempenho, mas, principalmente, com baixo custo em tokens”. Tokens são a unidade usada por desenvolvedores para pagar pelo uso de modelos de IA.

O modelo de codificação foi descrito por Daigle como “ultra-eficiente em inferência”. O MAI-Thinking-1 está disponível em prévia privada pelo Microsoft Foundry, serviço voltado à integração de modelos em aplicações. Clientes podem manifestar interesse em testá-lo antes da disponibilização ampla e poderão aumentar a precisão do modelo incorporando dados próprios.

Para a Microsoft, desenvolver modelos próprios traz benefícios econômicos que podem ser repassados aos desenvolvedores: a empresa pode rodar esses modelos na própria infraestrutura Azure, sem pagar a terceiros como o OpenAI.

Logo da OpenAI exibido na tela de um smartphone
Novos modelos da Microsoft chegam para disputar espaço com o GPT-5 no mercado de inteligência artificial generativa. Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock – Imagem: Samuel Boivin / Shutterstock

Desempenho comparado ao GPT-5 da OpenAI

Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI, afirmou que, após ajustar seus modelos para as necessidades da consultoria McKinsey, a Microsoft conseguiu superar o GPT-5 da OpenAI com eficiência de custo dez vezes maior.

O que vocês acabaram de ver é uma mudança bastante significativa. Acreditamos que chegou a hora de cada empresa deixar de apenas consumir um modelo de fronteira para participar plenamente no ecossistema de fronteira.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, durante a conferência. 

Estratégia tenta diminuir dependência da OpenAI

A Microsoft investiu US$ 13 bilhões (R$ 65 bilhões) no OpenAI e US$ 5 bilhões (R$ 25 bilhões) na Anthropic, disponibilizando os modelos de ambas pelo Azure. A Anthropic anunciou na segunda-feira que protocolou confidencialmente um pedido de IPO; o OpenAI também estuda uma oferta pública, possivelmente ainda este ano.

Leia mais:

O MAI-Code-1-Flash está disponível no serviço GitHub Copilot e no editor Visual Studio Code. Além dos dois modelos principais, a Microsoft anunciou versões atualizadas de modelos em nuvem para reconhecimento de voz, geração de voz sintética e geração de imagens, além de modelos Aion de menor porte que podem rodar em PCs com Windows.

Em maio, o Google anunciou o Gemini 3.5 Flash, modelo capaz de codificar e executar outras tarefas nos data centers da empresa.

Dedo de uma pessoa apertando o botão do Windows em um teclado
Novas IAs da Microsoft foram desenvolvidas para funcionar localmente em computadores com sistema Windows. Imagem: tomeqs/Shutterstock – Imagem: tomeqs/Shutterstock

Novos recursos chegam ao GitHub e Windows

Os anúncios da Build não ficaram restritos à programação. A Microsoft também revelou atualizações em modelos de reconhecimento de fala, geração de voz sintética e criação de imagens na nuvem.

Outro destaque foi a chegada dos pequenos modelos Aion, desenvolvidos para funcionar diretamente em computadores com Windows.

Entre os principais anúncios da empresa estão:

  • MAI-Code-1-Flash para geração de código;
  • MAI-Thinking-1 focado em raciocínio lógico;
  • novos recursos de voz, imagem e reconhecimento de fala;
  • modelos Aion otimizados para PCs com Windows;
  • integração dos modelos ao GitHub Copilot e Visual Studio Code.

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Microsoft lança Scout, agente de IA que atua sozinho

A Microsoft anunciou uma nova categoria de agentes de inteligência artificial (IA) chamada Autopilots, projetada para operar continuamente em segundo plano e executar tarefas de forma autônoma dentro dos ambientes corporativos. Junto com a novidade, a empresa revelou o Microsoft Scout, descrito como o primeiro agente dessa categoria, integrado ao ecossistema Microsoft 365.

Segundo a companhia, os Autopilots foram desenvolvidos para ir além das interações pontuais comuns em sistemas de IA. A proposta é que esses agentes permaneçam ativos de forma permanente, compreendam como o trabalho é realizado em diferentes aplicativos e tomem ações sem depender de comandos constantes dos usuários. A Microsoft afirma que eles operam com uma identidade própria e atuam dentro das permissões e políticas definidas pelas organizações.

Microsoft Scout estreia como primeiro Autopilot

O Microsoft Scout foi apresentado como o primeiro representante dessa nova categoria. A ferramenta está integrada aos aplicativos do Microsoft 365 e funciona em ambientes de nuvem, desktop e web. O agente se conecta a serviços como Teams, Outlook, OneDrive e SharePoint, além de utilizar dados de chats, e-mails, calendários e contatos para executar suas funções.

A interação com o Scout acontece principalmente pelo Teams, mas a Microsoft afirma que seu alcance pode ser ampliado por meio do aplicativo para desktop, que permite acesso ao navegador, recursos locais e servidores compatíveis com o protocolo de contexto de modelos. A empresa destaca que o produto foi desenvolvido com controles e mecanismos de segurança voltados para ambientes corporativos e utiliza a tecnologia de código aberto OpenClaw como base.

Agente pode coordenar tarefas e identificar riscos

De acordo com a Microsoft, o Scout foi criado para reduzir atividades de coordenação que costumam consumir tempo ao longo do dia. Entre as capacidades descritas estão o agendamento automático de reuniões entre diferentes fusos horários, a identificação de compromissos considerados importantes e a geração de materiais preparatórios para os participantes.

O sistema também pode identificar entregas futuras e reservar horários na agenda do usuário para auxiliar no cumprimento de prazos. Outra função apresentada é a detecção de possíveis riscos, como decisões que ficaram paradas e podem se transformar em obstáculos para projetos em andamento.

A Microsoft afirma ainda que, com o tempo, o Scout desenvolve contexto por meio de uma tecnologia chamada Work IQ, que aprende padrões de trabalho, prioridades e próximas ações necessárias. Segundo a empresa, isso permite que o agente se torne mais alinhado às necessidades de cada usuário.

Foco em segurança e acesso corporativo

A companhia informou que também contribuirá com recursos de conformidade de políticas diretamente para o projeto OpenClaw. Com isso, organizações que utilizam a tecnologia poderão verificar se seus ambientes atendem aos requisitos de segurança e conformidade definidos internamente.

No ambiente empresarial, cada agente do Scout opera sob uma identidade própria gerenciada pelo Entra, evitando o uso de contas compartilhadas. A Microsoft afirma que as credenciais são protegidas, limitadas às tarefas autorizadas e ocultadas de registros e diagnósticos. Além disso, ações consideradas sensíveis podem exigir aprovação humana antes de serem executadas. Políticas de proteção de dados do Microsoft Purview também são aplicadas durante as operações do agente.

Disponibilidade inicial

Segundo a empresa, funcionários da Microsoft já utilizam uma versão inicial do Scout para avaliar seu funcionamento em situações reais de trabalho. Agora, a experiência está sendo ampliada para um grupo seleto de clientes em uma fase de visualização privada e para organizações participantes do programa Frontier.

O acesso exige inscrição no Frontier, configuração de políticas do Intune e uma confirmação voluntária de participação. Usuários que possuam licença do GitHub Copilot podem então baixar e instalar a experiência experimental.

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Microsoft lança MAI-Thinking-1, seu primeiro modelo avançado de IA

A Microsoft anunciou durante o Build 2026 uma nova geração de modelos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos internamente pela companhia. Entre os lançamentos está o MAI-Thinking-1, descrito pela empresa como seu novo modelo principal e o primeiro focado em capacidades avançadas de raciocínio.

O anúncio marca mais um passo da estratégia da Microsoft para ampliar seu portfólio próprio de IA. A empresa começou a desenvolver modelos internos no ano passado, após anos utilizando principalmente tecnologias da OpenAI. Recentemente, as duas companhias renegociaram seu acordo, flexibilizando a relação entre elas.

Microsoft anunciou seu primeiro modelo de IA avançado, MAI-Thinking-1 – Imagem: Reprodução / Microsoft

MAI-Thinking-1 é o novo modelo principal da Microsoft

Segundo a Microsoft, o MAI-Thinking-1 é um modelo de porte médio que alcança desempenho comparável ao de modelos líderes em benchmarks considerados importantes para engenharia de software.

A empresa afirma que o sistema foi treinado integralmente com dados próprios e limpos, sem utilizar técnicas de destilação a partir de modelos de terceiros. Esse método é frequentemente empregado para transferir capacidades de um modelo maior para outro menor, mas a Microsoft destaca que não recorreu a essa abordagem no desenvolvimento do novo modelo.

O lançamento representa uma expansão dos esforços da companhia na criação de tecnologias próprias de inteligência artificial, área na qual vinha investindo desde a introdução de seus primeiros modelos internos em 2025.

Novos modelos cobrem imagem, voz, transcrição e programação

Além do MAI-Thinking-1, a Microsoft revelou outros seis modelos voltados para diferentes aplicações de IA.

Os modelos MAI-Image 2.5 e sua versão Flash foram desenvolvidos para geração de imagens a partir de texto e também para edição de imagens.

Já o MAI-Transcribe-1.5 é destinado à transcrição de áudio. De acordo com a empresa, ele opera em uma velocidade cinco vezes superior à de modelos concorrentes.

Na área de voz, a companhia apresentou o MAI-Voice-2 e anunciou uma versão Flash, que será disponibilizada futuramente. A nova geração adiciona suporte a 15 novos idiomas e amplia as opções de vozes disponíveis.

Para desenvolvimento de software, a Microsoft também lançou o MAI-Code-1, descrito como um modelo eficiente em inferência. A tecnologia já está integrada ao GitHub Copilot e ao Visual Studio Code, ferramentas amplamente utilizadas por programadores.

Ao todo, a empresa anunciou sete novos modelos durante o Build 2026, reforçando sua estratégia de ampliar a oferta de soluções próprias de inteligência artificial para diferentes tipos de aplicação.

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Gemini Spark: o agente de IA do Google que impressionou e assustou o crítico do The Verge

O novo agente de IA do Google, chamado Gemini Spark, impressionou ao montar um roteiro de viagem extremamente detalhado usando dados pessoais do usuário. Ao mesmo tempo, reacendeu um debate delicado: até onde vale abrir mão da privacidade em troca de praticidade?

A ferramenta ainda está em testes para assinantes do plano AI Ultra, que custa US$ 99 por mês (cerca de R$ 500), mas já mostrou um nível de personalização que mistura encanto e desconforto, afirma artigo no The Verge.

Gemini Spark montou um roteiro completo de viagem usando dados do Gmail, agenda e documentos do usuário. Imagem: Divulgação/Google. – Imagem: Divulgação/Google

IA cria roteiro completo — e assustadoramente preciso

A proposta do Spark, segundo a publicação, é funcionar como interface central para uso de aplicativos externos e, com o tempo, operar o próprio computador do usuário.

Nos testes iniciais com tarefas orientadas a ações, o jornalista David Pierce pediu ao Spark que percorresse sua caixa de entrada do Gmail e sugerisse itens para cancelamento de inscrição, e que vasculhasse seus documentos no Google Docs em busca de tarefas antigas ainda não concluídas. Em ambos os casos, o agente executou as tarefas satisfatoriamente, chegando a criar um documento organizado com links para cancelamento de e-mails de marketing.

Em seguida, Pierce decidiu colocar o sistema à prova pedindo um roteiro de fim de semana para Hershey, na Pensilvânia, onde viajaria com a esposa, os filhos e a cachorra. Sem fornecer muitos detalhes, recebeu minutos depois um documento completo, organizado e surpreendentemente específico.

O sistema sugeriu hotéis pet friendly, restaurantes compatíveis com restrições alimentares da família e até atividades pensadas para a cachorra Frida — nome que o usuário afirma nunca ter informado diretamente ao Google.

Entre os detalhes mais impressionantes estavam:

  • sugestões de horários adaptados à rotina das crianças;
  • informações sobre ingressos já comprados para um show;
  • recomendação de hospedagem baseada na presença dos avós;
  • organização automática do roteiro em um documento do Google;
  • envio do planejamento diretamente para o e-mail da esposa do usuário.

O Spark me apresentou o itinerário de forma personalizada, como um assistente humano faria.

David Pierce, jornalista, em artigo no The Verge.

Celular colocado sobre teclado de notebook; ambos exibem logomarca do Google Gemini nas suas telas
Spark faz parte do plano AI Ultra do Google, lançado com proposta de atuar como assistente permanente. Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

O Google sabe muito mais sobre você do que parece

O que tornou a experiência tão eficiente também é o mais assustador. Segundo Pierce, o Spark cruzou dados de e-mails, agenda, documentos e até informações indiretas para montar o planejamento.

Em um dos momentos mais curiosos, a IA identificou que um dos filhos ainda teria entrada gratuita no parque por causa da idade. Também considerou preferências alimentares da esposa e até o estacionamento já incluído nos ingressos do show.

Leia mais:

Tudo isso sem que essas informações fossem digitadas manualmente durante a conversa.

A proposta do Google é justamente transformar o Spark em uma espécie de “assistente permanente”, capaz de interagir com aplicativos, acessar serviços externos e executar tarefas online em nome do usuário.

Logo do Google em um smartphone
Google quer transformar o Spark em uma interface capaz de operar aplicativos e serviços online sozinho. Imagem: daily_creativity/Shutterstock – Imagem: daily_creativity/Shutterstock

A troca entre conveniência e privacidade

Nem tudo funcionou perfeitamente. Quando o Spark tentou reservar um Airbnb, acabou barrado pelos sistemas de autenticação da plataforma. Ainda assim, conseguiu listar opções disponíveis e orientar o usuário sobre os próximos passos.

A experiência deixou uma sensação contraditória. Por um lado, a IA entregou um nível de utilidade difícil de ignorar. Por outro, escancarou o volume de informações pessoais necessárias para que esse tipo de sistema funcione.

“Existe uma correlação direta entre o quanto de nós mesmos estamos dispostos a compartilhar com um sistema de IA e o quão útil esse sistema pode ser”, escreveu Pierce.

O caso do Gemini Spark ajuda a mostrar para onde caminha a próxima geração da inteligência artificial: ferramentas cada vez mais úteis, proativas e personalizadas — mas que também exigem acesso profundo à vida digital dos usuários. E essa talvez seja a discussão mais importante dessa nova era da IA. A experiência com o Spark, afirma o jornalista, foi diferente de tudo que havia testado antes — o que motivou tanto o entusiasmo quanto o desconforto expressos no relato.

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Trump assina ordem executiva para acesso antecipado a modelos de IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que cria um mecanismo voluntário para o governo federal analisar novos modelos de inteligência artificial (IA) antes de serem disponibilizados ao público.

A medida, assinada nesta terça-feira (2), busca fortalecer a segurança nacional e a cibersegurança diante dos riscos associados aos sistemas de IA mais avançados — e representa uma virada em relação à postura desregulatória que marcou o início do seu mandato.

Pelo novo framework, empresas de tecnologia serão solicitadas a compartilhar seus modelos de IA com o governo para revisão voluntária com até 30 dias de antecedência em relação ao lançamento público. A Casa Branca afirma que o processo permitirá identificar ameaças à segurança nacional, especialmente no campo da cibersegurança.

IAs devem passar por análise governamental até 30 dias antes de seu lançamento oficial – Imagem: Frame Stock Footage / Shutterstock

Revisão voluntária, não obrigatória

  • A ordem executiva não impõe revisão obrigatória às empresas que desenvolvem modelos de IA — exigência que constava de versões anteriores do documento;
  • Apoiadores mais radicais do movimento Make America Great Again (MAGA) pressionavam Trump por um processo mais rígido, enquanto aliados da indústria de tecnologia defendiam menos restrições;
  • A medida contrasta com a postura inicial do presidente sobre o tema;
  • Uma das primeiras ações de Trump ao assumir o cargo foi revogar uma ordem executiva do governo Joe Biden que estabelecia padrões para o desenvolvimento seguro de IA.

Governo Trump tinha acordos prévios com grandes empresas

No mês passado, o governo Trump havia firmado acordos com Microsoft, Google DeepMind e xAI para revisão antecipada de novos modelos.

O Centro para Padrões e Inovação em IA (CAISI, na sigla em inglês), vinculado ao Departamento de Comércio dos EUA, já mantinha acordos similares com OpenAI e Anthropic. O governo federal removeu recentemente os detalhes do acordo com Microsoft, Google DeepMind e xAI de seu site, sem que o motivo tenha sido esclarecido.

O governo afirma que esse tipo de compartilhamento de informações é prática padrão e relevante para a segurança nacional. Defensores da liberdade de expressão, por outro lado, alertaram que controle excessivo do governo pode levar à censura.

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Preocupações com modelos avançados

As novas regras surgem em meio a preocupações crescentes sobre os riscos dos modelos de IA mais recentes. O Claude Mythos, da Anthropic — modelo com capacidades avançadas de cibersegurança —, gerou alertas entre especialistas em segurança de IA, governos e empresas de tecnologia por sua capacidade de explorar vulnerabilidades em softwares amplamente utilizados em escala sem precedentes.

Celular com logomarca do Claude Mythos na tela colocado em cima de teclado de notebook
Claude Mythos seria “perigoso demais”, segundo a Anthropic – Imagem: gguy/Shutterstock

A ordem executiva determina que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e o Departamento de Defesa ajudem a definir quais modelos de IA precisarão de análise governamental, enquanto o Departamento do Tesouro terá papel central na identificação de vulnerabilidades.

O governo também foi orientado a contratar mais profissionais de cibersegurança e IA e a reforçar os sistemas de proteção em infraestruturas essenciais, como hospitais e bancos.

Em dezembro, Trump havia assinado outra ordem executiva com foco em IA, voltada a impedir que estados regulem a tecnologia de forma independente. Aquela medida criou uma força-tarefa federal para contestar leis estaduais sobre IA.

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OpenAI lança novos plug-ins do Codex voltados para o mercado corporativo

A OpenAI lançou novos recursos para o Codex com foco em usuários corporativos. A expansão visa levar a ferramenta para além da programação de software.

Segundo relatório divulgado pela empresa, a base de usuários ativos semanais do Codex ultrapassou 5 milhões. O número representa uma alta de seis vezes desde fevereiro deste ano.

Os profissionais de escritório já somam 20% do total de usuários. Esse segmento cresce três vezes mais rápido do que o grupo de desenvolvedores.

Plug-ins para áreas de negócios

Para atrair esse público, a OpenAI liberou seis plug-ins dedicados a funções específicas. As ferramentas atendem setores como análise de dados, design de produto e vendas.

O pacote também inclui recursos voltados para o mercado financeiro. Há módulos prontos para uso em investimentos de capital e banco de investimento.

Cada plug-in combina integrações e contextos específicos para simular as tarefas de cada profissão. Os recursos funcionam diretamente dentro do aplicativo do Codex.

(Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock.com) – Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

Criação de sites e concorrência

A OpenAI também apresentou a função Sites, que exporta projetos como páginas web interativas e hospedadas. O modelo substitui a entrega em arquivos locais isolados.

Para sustentar o ecossistema, a companhia fechou parcerias com Wix, Figma e Replit. As empresas Lovable, Base44 e Emergent também participam do projeto.

A movimentação responde à Anthropic, que lançou seu programa de agentes corporativos em fevereiro. A OpenAI havia liberado suporte a plug-ins apenas em março.

Aporte bilionário em empresas

Outra novidade é o recurso Annotations. A função permite selecionar trechos específicos de documentos para aplicar comandos com maior precisão.

O lançamento ocorre três semanas após a criação da OpenAI Deployment Company. A joint venture recebeu US$ 4 bilhões de fundos globais de investimento.

Em nota, a diretora de receita Denise Dresser afirmou que o desafio é integrar os sistemas aos fluxos de trabalho das empresas.

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Anthropic amplia acesso ao Mythos para 150 organizações

A Anthropic anunciou nesta terça-feira (2) a ampliação do acesso ao seu modelo de inteligência artificial (IA) Mythos para mais 150 organizações distribuídas em mais de 15 países. A expansão ocorre por meio do Project Glasswing, iniciativa criada para avaliar o uso da IA na identificação de vulnerabilidades de software e fortalecer práticas de cibersegurança.

Segundo a empresa, os novos participantes incluem setores que tiveram representação limitada na fase inicial do programa, como energia, abastecimento de água, saúde, comunicações e hardware. Antes de receberem acesso ao modelo, as organizações precisarão atender a requisitos de segurança definidos pela Anthropic.

Projeto amplia alcance para novos setores

Em publicação no blog da companhia, a Anthropic afirmou que a expansão representa mais um passo em seus objetivos de longo prazo relacionados à segurança digital.

De acordo com a empresa, a meta é utilizar a inteligência artificial para tornar os softwares mais seguros e auxiliar o setor a se adaptar às mudanças que a tecnologia pode provocar em pressupostos fundamentais da cibersegurança.

A ampliação do Project Glasswing foi anunciada um dia após a Anthropic informar que começará a oferecer acesso ao Mythos na União Europeia. Na segunda-feira, a companhia também comunicou que apresentou de forma confidencial seu prospecto para uma oferta pública inicial de ações (IPO) à Securities and Exchange Commission (SEC), avançando nesse processo antes da rival OpenAI.

Capacidades do Mythos geraram debates

O primeiro grupo de testes do Mythos foi lançado em abril para 50 parceiros. Desde então, o modelo tem chamado atenção por sua capacidade de localizar falhas em sistemas e softwares.

Especialistas demonstraram preocupação com o fato de que recursos avançados de inteligência artificial poderiam facilitar o trabalho de hackers, permitindo a identificação mais rápida de vulnerabilidades. Embora muitos tenham destacado que essas capacidades já existiam anteriormente, o Mythos poderia acelerar esse processo.

Mythos da Anthropic chamou a atenção por ser perigoso demais dada sua capacidade de localizar falhas em sistemas e softwares – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Com o aumento das preocupações, a Casa Branca promoveu diversas reuniões com representantes de grandes empresas de tecnologia e instituições financeiras para discutir formas de implementar modelos avançados de IA com segurança.

Mais de 10 mil falhas identificadas

Segundo a Anthropic, os parceiros participantes do Project Glasswing identificaram mais de 10 mil vulnerabilidades classificadas como de nível alto ou crítico desde o lançamento da iniciativa.

A empresa estima que um grande ataque cibernético pode afetar mais de 100 milhões de pessoas.

Entre os principais integrantes do programa estão a Apple, a Nvidia, a Microsoft, a CrowdStrike e a Palo Alto Networks. A Anthropic não revelou quais outras empresas passarão a integrar a coalizão.

A plataforma de gerenciamento de dados em nuvem Rubrik informou, em comunicado, que está entre as organizações incluídas nesta nova etapa do programa.

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Europa aposta em regulação para liderar a inteligência artificial

O debate sobre inteligência artificial costuma ser apresentado como uma disputa entre Estados Unidos e China, mas no evento VivaTech 2026, a Europa deve defender um modelo diferente dos dois, comenta o TechCrunch.

Enquanto empresas americanas de IA têm priorizado escala, velocidade e dominância de mercado, formuladores de políticas europeus concentraram esforços em regulação, transparência, privacidade e independência de infraestrutura. Críticos argumentam que essa abordagem limita a inovação; defensores sustentam que a Europa tenta liderar pela governança.

EUA e Europa seguem rumos distintos na IA: um voltado à escala global, outro à integração em sistemas complexos já existentes. Imagem: Jacek Wojnarowski/Shutterstock – Imagem: Jacek Wojnarowski/Shutterstock

Dois modelos de inovação em choque

Essa divergência ganhou visibilidade ao longo do último ano. Enquanto companhias americanas de IA seguem lançando modelos cada vez mais potentes, a aposta europeia se organiza em torno de soberania tecnológica e competitividade industrial, não de escala de consumo.

As ambições do Velho Mundo em IA estão sendo moldadas pelos setores em que o continente historicamente tem presença consolidada. Se o avanço do Vale do Silício gira em torno de plataformas de consumo e modelos de fundação, empresas europeias estão focadas em aplicar IA a sistemas complexos e altamente regulados já integrados ao cotidiano.

Manufatura, logística, saúde, cibersegurança e infraestrutura de energia são os principais campos de atuação. Esses setores exigem mais do que modelos poderosos, que demandam de:

  • infraestrutura confiável e escalável;
  • integração com sistemas críticos;
  • forte conformidade regulatória e
  • confiança institucional de longo prazo

Esse posicionamento acompanha o movimento mais amplo da indústria, que avança da experimentação para a implantação dentro de grandes organizações.

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Companhias do Vale do Silício buscam por modelos de IA cada vez mais potentes, enquanto empresas europeias procuram competitividade industrial, não escala de consumo. Imagem: gguy/Shutterstock

Europa busca novo protagonismo na IA

Com uma estratégia baseada em regulação, infraestrutura e aplicações industriais, a Europa tenta se posicionar de forma diferente na corrida global da inteligência artificial.

Leia mais:

Ainda não há certeza sobre o sucesso dessa abordagem, mas a VivaTech 2026 promete mostrar que o futuro da IA pode não ser definido apenas pelo Vale do Silício.

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