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Google aponta que IA amplia trabalho humano e não substitui empregos

A inteligência artificial tem sido incorporada ao cotidiano profissional principalmente como um recurso de colaboração, e não como uma tecnologia destinada a eliminar postos de trabalho, segundo esta pesquisa divulgada pelo Google nesta quinta-feira (23). O levantamento analisou milhões de interações anonimizadas realizadas por usuários com ferramentas de IA da empresa.

O estudo foi elaborado por pesquisadores do Google, incluindo economistas da companhia, e avaliou como trabalhadores nos Estados Unidos e em outras regiões utilizam sistemas de inteligência artificial em suas atividades. A conclusão apresentada é que a tecnologia, até agora, tem ajudado profissionais a executar tarefas em vez de assumir integralmente suas funções.

A pesquisa surge em meio ao aumento das preocupações sobre os efeitos da IA no mercado de trabalho, especialmente após empresas atribuírem parte de suas reduções de equipes ao avanço dessas ferramentas. Para os pesquisadores, porém, o cenário atual aponta mais para uma relação de cooperação entre humanos e máquinas do que para uma substituição generalizada.

Pesquisa mostra uso da IA em diferentes profissões e destaca colaboração entre humanos e máquinas

Sistema de IA trabalhando (Imagem: Alessandro Di Lorenzo/Olhar Digital/DALL-E)

O levantamento do Google identificou que a inteligência artificial já está presente em diversas áreas profissionais, incluindo ocupações que não dependem exclusivamente de formação universitária. Embora trabalhadores de funções mais bem remuneradas utilizem a tecnologia com maior frequência, a adoção também ocorre entre profissionais de áreas técnicas e atividades manuais.

De acordo com os pesquisadores, eletricistas e mecânicos, por exemplo, recorrem à IA como uma ferramenta prática para solucionar problemas. Esses trabalhadores utilizam recursos como envio de imagens e vídeos para obter auxílio em diagnósticos, uma aplicação que, segundo o estudo, aparece com frequência relevante entre profissionais de ofícios técnicos.

A pesquisa classificou o uso atual da inteligência artificial como “superficial” na maior parte das ocupações. Isso significa que os trabalhadores aplicam a tecnologia apenas em uma parcela limitada de suas tarefas, sem transferir completamente suas responsabilidades para sistemas automatizados.

O economista do Google Scott Strand afirmou que a utilização de inteligência artificial não representa necessariamente a automatização completa de uma profissão. “Só porque você está usando IA não significa que ela vai automatizar seu trabalho“, disse Scott Strand, economista do Google, em declaração apresentada no estudo sobre os impactos da tecnologia no emprego.

Segundo os pesquisadores, a diferença entre automação e colaboração é fundamental para entender os possíveis efeitos da inteligência artificial. Enquanto sistemas automatizados podem substituir determinadas funções, ferramentas colaborativas tendem a ampliar a capacidade dos trabalhadores que já possuem conhecimento especializado.

O estudo compara essa dinâmica a equipamentos utilizados para melhorar a precisão de profissionais. Nesse cenário, a IA se aproximaria mais de um instrumento de apoio, como um nível a laser utilizado por um topógrafo, do que de uma máquina criada para eliminar a necessidade de trabalhadores.

A análise também destaca que profissionais usam inteligência artificial principalmente em atividades cognitivas que exigem avaliação humana. Nessas situações, respostas padronizadas não seriam suficientes, pois cada tarefa pode apresentar características diferentes e depender de julgamento individual.

Impactos futuros ainda são incertos

Fachada do Google
Google – Imagem: RYO Alexandre/Shutterstock

Apesar dos resultados indicarem um papel de apoio da IA no presente, os pesquisadores afirmam que esse cenário pode mudar conforme a tecnologia evolui. Ferramentas mais avançadas podem ampliar sua capacidade de executar atividades atualmente realizadas por pessoas.

Outro ponto levantado pelo estudo é o possível efeito sobre trabalhadores iniciantes. A pesquisa não respondeu se profissionais experientes, ao se tornarem mais produtivos com inteligência artificial, poderiam reduzir oportunidades de entrada para novos trabalhadores.

Fabien Curto Millet, economista-chefe do Google, afirmou que o levantamento representa apenas o início de uma linha de pesquisa da empresa sobre a relação entre inteligência artificial e trabalho. “É o começo de uma linha completa de pesquisa nossa“, afirmou Fabien Curto Millet, economista-chefe do Google, ao comentar a continuidade dos estudos sobre o uso da IA.

Além do ambiente profissional, a pesquisa identificou aplicações domésticas da inteligência artificial. Usuários têm recorrido às ferramentas para acelerar tarefas como organização de documentos governamentais, elaboração de orçamentos familiares e auxílio em reparos residenciais.

Segundo os pesquisadores, esses ganhos de eficiência no ambiente doméstico dificilmente aparecem em indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto. Ainda assim, representam uma mudança na forma como pessoas utilizam a tecnologia para resolver atividades do dia a dia.

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AMD lança nova ofensiva para disputar mercado de IA com a Nvidia

A AMD deve apresentar nesta quinta-feira (23), em um centro de convenções de San Francisco, uma nova geração de soluções voltadas à inteligência artificial. A iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar sua participação no mercado de chips destinados a data centers, segmento atualmente liderado pela Nvidia.

Entre as novidades esperadas estão a estreia de uma plataforma de racks para servidores e o lançamento oficial de um novo processador para data centers. A empresa também pretende destacar avanços em sua infraestrutura para atender à crescente demanda por aplicações de IA, especialmente aquelas voltadas ao processamento de consultas feitas por usuários a chatbots.

O anúncio ocorre em meio ao aumento da concorrência entre as fabricantes de semicondutores, que buscam oferecer sistemas mais eficientes para executar cargas de trabalho relacionadas à inteligência artificial em larga escala.

AMD aposta em nova infraestrutura para ampliar presença no mercado de IA

Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

A principal novidade aguardada é a apresentação do Helios, primeiro sistema de racks para servidores desenvolvido pela AMD. O equipamento será posicionado como alternativa às soluções oferecidas pela Nvidia, que também avança na renovação de sua infraestrutura para inteligência artificial.

Além do novo sistema, a fabricante deve oficializar o lançamento do processador Venice, desenvolvido para data centers. A expectativa é fortalecer seu portfólio voltado a ambientes responsáveis pelo processamento de grandes volumes de dados utilizados em aplicações de IA.

A companhia concentra parte de sua estratégia no segmento conhecido como inferência, etapa em que modelos de inteligência artificial processam informações para responder às solicitações feitas pelos usuários em ferramentas como chatbots.

Na véspera do evento principal, centenas de executivos e engenheiros participaram de apresentações técnicas e visitaram a área de exposição montada no Moscone West, em San Francisco. No local, a AMD exibiu o Helios ao lado de estandes de empresas de computação em nuvem que operam infraestrutura baseada em seus equipamentos.

Pessoa segurando, na altura da cabeça, um smartphone na horizontal, no qual é visto o logo da Nvidia
Nvidia – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock

Entre essas empresas estavam a Vultr e a TensorWave, ambas responsáveis por data centers que utilizam hardware da fabricante.

A movimentação acontece poucos dias após a Nvidia divulgar novos detalhes técnicos sobre o processador Vera. A empresa afirmou que o componente, quando utilizado em conjunto com a GPU Rubin, foi projetado para maximizar a quantidade de trabalho executada por agentes de inteligência artificial com um mesmo consumo de energia.

Na quarta-feira (22), a AMD também anunciou um acordo para fornecer até dois gigawatts de chips Instinct MI450 à Anthropic a partir do primeiro semestre de 2027. O entendimento ainda prevê um investimento que pode chegar a US$ 5 bilhões na desenvolvedora do Claude.

A empresa já havia firmado, em outubro, um acordo plurianual com a OpenAI. Segundo as informações divulgadas, a parceria poderá gerar dezenas de bilhões de dólares em receita anual para a fabricante, além de conceder à criadora do ChatGPT a opção de adquirir aproximadamente 10% de participação na companhia.

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Projeto Lighthouse: a aposta da Amazon para dominar o streaming

A Amazon trabalha em uma reformulação do Prime Video que pode mudar a forma como assinantes encontram filmes e séries. O projeto interno Lighthouse aposta em inteligência artificial para melhorar recomendações e navegação.

Segundo a Reuters, Jeff Bezos participou diretamente da iniciativa e cobrou mais destaque para os recursos de IA no futuro do serviço.

Projeto Lighthouse, da Amazon, promete usar inteligência artificial para mudar como usuários encontram filmes e séries. Imagem: Alex Photo Stock/Shutterstock

Bezos pressionou por mudanças no streaming

A mudança começou depois de uma apresentação interna sobre os próximos passos do Prime Video. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, Bezos considerou que a proposta inicial não mostrava o potencial da inteligência artificial e da personalização.

Após a cobrança, a equipe abandonou os planos anteriores e passou a desenvolver o Lighthouse, projeto que pretende apresentar novos recursos de IA para os mais de 200 milhões de usuários do serviço.

Entre as funções avaliadas estão:

  • recomendações de filmes e séries baseadas nos hábitos do público;
  • respostas a pedidos feitos por voz;
  • melhorias na busca por conteúdos;
  • uma tela inicial adaptada aos interesses de cada assinante.

Nova interface pode mudar descoberta de conteúdos

O novo visual ainda está em desenvolvimento. Uma das opções avaliadas inclui blocos inteligentes com sugestões criadas por IA, como filmes de ação dos anos 1980 ou comédias românticas de Natal.

A Amazon já testa versões da mudança com alguns usuários, mas o formato final ainda pode ser alterado conforme os resultados.

A busca tradicional deve continuar disponível, assim como áreas para lançamentos e eventos esportivos, incluindo o “Thursday Night Football”, jogo da NFL exclusivo da plataforma.

Michael Goodman, diretor de pesquisa de entretenimento da Parks Associates, destacou que mudanças na tela inicial podem afetar acordos comerciais.

“O espaço na tela inicial é muito valioso para os estúdios, então seria uma grande mudança retirar qualquer parte desse espaço disputado”, disse Goodman.

Top 10 dos filmes mais assistidos do Prime Video esta semana
Bezos quer colocar a IA no centro do Prime Video para melhorar busca, recomendações e experiência no streaming. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Amazon acelera aposta em inteligência artificial

A participação de Bezos chama atenção porque ele deixou o cargo de CEO da Amazon em 2021 e reduziu sua atuação nas operações diárias.

Leia mais:

A empresa também ampliou seus investimentos em IA, incluindo cerca de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) em despesas de capital relacionadas principalmente ao setor e US$ 23 bilhões (aproximadamente R$ 116 bilhões) em aportes iniciais na OpenAI e Anthropic.

A Amazon ainda avalia integrar a Alexa à busca do Prime Video. Segundo a Reuters, o Lighthouse continua em testes e poderá sofrer ajustes antes de chegar ao público.

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IA dobra a cobertura, reduz equipes e turbina retornos: o novo normal das gestoras brasileiras

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Ainda na cama, antes de acender a luz, Jorge Dib já está com o celular na mão. O primeiro acesso do gestor de fundos macro da asset da Galapagos Capital é o Bloomberg — um hábito que desenvolveu ao longo de décadas de mercado e que resiste intacto. Mas o segundo passo mudou. Em vez […]

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IA do Jusbrasil ajuda bancos a identificar clientes ligados ao PCC e ao Comando Vermelho

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felipe moreno

Bancos brasileiros estão recorrendo à inteligência artificial do Jusbrasil para descobrir riscos que seus sistemas tradicionais não conseguiram identificar. Entre os casos encontrados estão clientes que abriram contas mesmo estando presos e pessoas com processos que indicavam possíveis ligações com o PCC ou com o Comando Vermelho. Em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed […]

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IA vira aliada da NASA na busca por novos segredos do universo

Nesta quarta-feira (22), a NASA anunciou a sua adesão à Genesis Mission, iniciativa nacional dos Estados Unidos criada para ampliar o uso da inteligência artificial em desafios científicos e tecnológicos complexos. A participação busca transformar décadas de dados e conhecimento acumulados pela agência em novas ferramentas de descoberta.

O projeto, liderado pelo Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, reúne mais de 15 órgãos federais norte-americanos e pretende acelerar processos de pesquisa, engenharia e inovação. A NASA participará com seus arquivos de missões, capacidade técnica e experiência em exploração espacial.

A agência espacial informou que pretende aplicar recursos de inteligência artificial tanto no desenvolvimento de sistemas para missões futuras quanto na análise de mais de 150 petabytes de informações coletadas ao longo de décadas. A iniciativa tem como objetivo ampliar a capacidade de encontrar padrões e gerar novos conhecimentos a partir desse acervo.

Inteligência artificial será usada para ampliar descobertas da NASA

Donald Trump – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock

A entrada da NASA na Genesis Mission ocorre dentro de um esforço federal lançado por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em novembro de 2025. A determinação estabeleceu uma estratégia nacional para utilizar inteligência artificial como instrumento de avanço científico.

Segundo a agência, a colaboração permitirá unir sua experiência em missões espaciais às capacidades de computação e inteligência artificial do Departamento de Energia dos Estados Unidos. A expectativa é reduzir o tempo necessário entre a criação de conceitos e a preparação de sistemas capazes de operar em ambientes espaciais.

O desafio envolve uma área considerada estratégica pela NASA: desenvolver tecnologias capazes de funcionar em um cenário espacial mais complexo, com aumento da quantidade de atividades e necessidade de integração entre diferentes sistemas. Entre os setores envolvidos estão comunicação, logística, operações em superfície e equipamentos espaciais.

Galáxia em espiral
Via Láctea – Imagem: Triff/Shutterstock

O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a iniciativa representa uma oportunidade para transformar investimentos históricos em ciência e tecnologia em resultados mais rápidos. “A Genesis Mission é uma oportunidade de transformar essa base em ciência mais rápida, engenharia mais forte e melhores resultados de missão”, declarou o chefe da agência espacial americana em comunicado oficial da NASA.

Isaacman também destacou que a parceria pode fortalecer a liderança dos Estados Unidos no espaço e criar novas formas de compreender a Terra e o universo. De acordo com o administrador, a NASA pretende ainda aplicar sua pesquisa e desenvolvimento em outras iniciativas governamentais que tragam benefícios aos contribuintes americanos.

Além das aplicações voltadas à engenharia espacial, a agência pretende explorar o potencial da inteligência artificial para examinar seu vasto conjunto de dados científicos. O material reúne observações produzidas por telescópios, satélites, orbitadores, veículos de pouso e programas de aeronáutica.

A NASA avalia que ferramentas avançadas de IA poderão cruzar informações de diferentes missões, instrumentos, simulações e áreas científicas, ajudando pesquisadores a identificar relações que poderiam permanecer ocultas em análises tradicionais. A tecnologia também poderá aprimorar previsões e revelar descobertas em dados que já foram examinados anteriormente.

Com a Genesis Mission, a agência espacial busca ampliar o retorno de investimentos feitos durante décadas em exploração e pesquisa. A iniciativa representa uma tentativa de transformar seus arquivos históricos em uma fonte ativa para novos avanços científicos e tecnológicos.

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A Meta demitiu por IA? A resposta pode estar perdida entre algoritmos

Funcionários da Meta Platforms abriram uma ação judicial nos Estados Unidos contra a empresa, alegando que sistemas de inteligência artificial escolheram os funcionários a serem demitidos pela empresa. O processo coloca em debate os obstáculos para comprovar o papel dessas tecnologias em decisões trabalhistas.

A disputa ocorre após cortes anunciados pela companhia e envolve 26 empregados que afirmam ter sido prejudicados por critérios relacionados a deficiência, afastamentos médicos ou licenças familiares. A ação tramita nos EUA e busca impedir temporariamente a conclusão das demissões enquanto os argumentos são analisados.

O principal desafio dos trabalhadores é demonstrar como as ferramentas de IA foram utilizadas internamente pela empresa. Sem acesso aos sistemas e aos critérios adotados, os funcionários enfrentam dificuldades para reunir provas capazes de sustentar a acusação.

Processo revela dificuldade de responsabilizar empresas pelo uso de inteligência artificial no trabalho

Meta – Imagem: IgorGolovniov/Shutterstock

A ação contra a Meta é apontada como uma das primeiras iniciativas judiciais a questionar diretamente o uso de inteligência artificial em um processo de redução de quadro de funcionários. O caso também ajuda a explicar por que ainda são raras as disputas públicas envolvendo decisões trabalhistas tomadas com apoio de tecnologia.

Na avaliação de especialistas citados no processo, trabalhadores costumam ter pouco conhecimento sobre a forma como sistemas automatizados são empregados pelas companhias. Além disso, muitos profissionais estão submetidos a acordos de arbitragem, mecanismos que retiram determinados conflitos da Justiça tradicional e levam a discussão para procedimentos privados.

Essa combinação de falta de acesso às informações e limitações processuais dificulta a formação de ações coletivas. Os empregados, nesses casos, podem perder a possibilidade de apresentar o caso perante um júri ou buscar compensações em processos públicos.

A advogada Christine Webber, integrante da área de direitos civis e relações trabalhistas do escritório Cohen Milstein Sellers & Toll, afirmou que mesmo uma eventual identificação de falhas em um sistema poderia ficar restrita ao caso individual.

Mesmo que seja comprovado que um determinado sistema produziria resultados discriminatórios repetidamente, não haveria uma forma de compartilhar essa informação com outros funcionários”, declarou Webber, em entrevista mencionada pela Reuters. A profissional não representa os trabalhadores envolvidos no processo contra a Meta.

Outro caso envolvendo inteligência artificial no ambiente de trabalho envolve a Workday, empresa que fornece softwares de gestão de recursos humanos. A companhia é acusada de manter uma ferramenta que teria eliminado candidatos a vagas com base em características como raça, idade e deficiência.

A empresa nega as acusações, e a questão da arbitragem não aparece nesse processo porque a Workday não possui acordos desse tipo com candidatos das empresas que utilizam seus serviços.

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Funcionário demitido levando seus pertences para casa (Imagem: 4 PM production/Shutterstock)

No processo contra a Meta, os funcionários tentam obter uma decisão judicial que suspenda temporariamente os desligamentos. Embora os contratos assinados pelos trabalhadores tenham uma exceção que permite pedidos urgentes à Justiça, esse tipo de medida costuma ser usado em situações como disputas envolvendo segredos comerciais, e não em cortes de empregados.

O juiz William Orrick recusou inicialmente o pedido para impedir que a Meta concluísse as demissões. Segundo a decisão, os trabalhadores não apresentaram provas suficientes capazes de contrariar a versão da empresa de que as escolhas foram feitas por pessoas, e não por sistemas automatizados.

Ainda assim, o magistrado deixou aberta a possibilidade de rever a decisão caso surjam evidências sobre um eventual uso inadequado de inteligência artificial. Uma audiência está marcada para 24 de agosto, e qualquer uma das partes poderá recorrer.

Os funcionários sustentam que a Meta utilizou diferentes ferramentas internas de IA durante a avaliação dos trabalhadores, incluindo sistemas capazes de acompanhar produtividade e uso de recursos tecnológicos. Eles alegam que essas análises teriam prejudicado pessoas que ficaram afastadas por motivos médicos ou por responsabilidades familiares.

Entre as ferramentas citadas na ação está o assistente interno chamado “Metamate”, descrito pelos autores do processo como uma espécie de apoio baseado em inteligência artificial para funcionários.

A petição também menciona um sistema de pontuação de produtividade que analisaria informações como registros de teclado, conteúdo de telas, mensagens eletrônicas e histórico de navegação.

A Meta rejeita essa interpretação. Em documentos apresentados ao tribunal e em declarações após a abertura do processo, a companhia afirmou que as decisões relativas às quase 8 mil demissões anunciadas no período foram tomadas por seres humanos. A empresa também negou que o uso de inteligência artificial tenha servido como critério para selecionar funcionários dispensados ou avaliar desempenho.

Os advogados dos trabalhadores reconhecem que a principal dificuldade está no acesso às informações internas da companhia. Em manifestação conjunta, eles pediram que atuais e antigos funcionários da Meta apresentem dados sobre a maneira como ferramentas de inteligência artificial teriam sido usadas na definição dos cortes.

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OpenAI lança o Presence, plataforma para aprimorar o uso de agentes de IA nas empresas

A OpenAI anunciou nesta quarta-feira (22) o Presence, uma plataforma destinada a clientes corporativos que desejam colocar agentes de inteligência artificial em operação em processos internos e de atendimento ao público. A solução está disponível em um programa limitado para empresas elegíveis.

O produto foi desenvolvido para executar tarefas específicas, como responder a dúvidas, solucionar demandas, acessar sistemas autorizados, realizar ações previamente aprovadas e encaminhar casos para equipes humanas quando necessário. A proposta é oferecer maior confiabilidade para aplicações de alto impacto.

Segundo a empresa, o Presence reúne modelos de IA, políticas operacionais, mecanismos de controle, avaliações e um processo contínuo de aprimoramento para adaptar os agentes às mudanças em produtos, regras internas e comportamento dos usuários.

Plataforma combina IA, regras de negócio e supervisão humana

Chatbot responde os usuários no sistema Presence da OpenAI – (Divulgação: OpenAI)

A OpenAI afirma que cada implementação do Presence começa com a definição de um fluxo de trabalho específico. A partir dessa etapa, o agente recebe apenas o conhecimento e as permissões indispensáveis para executar aquela função.

Também cabe à empresa cliente estabelecer quais atividades podem ser realizadas automaticamente, quais exigem aprovação e em quais situações um atendente humano deve assumir o atendimento. Após a entrada em operação, as interações reais e os casos encaminhados para pessoas passam a servir como base para identificar limitações do sistema.

Conforme a OpenAI, o Codex sugere alterações que podem ser avaliadas pelas equipes antes da aprovação, permitindo que os agentes acompanhem mudanças nas políticas corporativas e nos hábitos dos usuários sem perder o controle das empresas sobre o processo.

A companhia informa ainda que acompanha os clientes durante toda a implantação, desde a identificação dos processos considerados mais relevantes até a integração com bases de conhecimento, sistemas internos, definição de permissões, testes e início da operação. Em projetos de maior escala, esse suporte pode continuar com participação da própria OpenAI e de integradores parceiros.

Neste momento, o Presence atende operações em voz e chat. Entre os exemplos apresentados estão atendimento ao cliente, vendas ativas e fluxos internos considerados de maior risco. Em um cenário descrito pela empresa, o agente pode compreender uma solicitação relacionada à cobrança, confirmar a identidade do usuário, consultar informações da conta, aplicar as regras definidas pela organização e executar uma ação autorizada.

A OpenAI afirma que parte dos elementos permanece padronizada entre diferentes implementações, como políticas, avaliações e critérios de escalonamento. Outros componentes podem ser personalizados conforme o canal de atendimento ou o processo escolhido, permitindo ampliar o uso da plataforma sem reconstruir toda a estrutura.

A empresa sustenta que o produto foi aperfeiçoado ao longo de projetos conduzidos com grandes organizações. Como exemplo, informa que o Presence é utilizado na linha telefônica em inglês da OpenAI, onde realiza verificação de identidade, utiliza informações da conta e executa ações autorizadas.

Segundo a companhia, o sistema passou a resolver 75% das demandas recebidas sem intervenção humana e reduziu em 15 pontos percentuais os encaminhamentos para atendentes após dez dias de melhorias promovidas com auxílio do Codex.

Sistema do Presence organizando as informações de uma empresa
Sistema do Presence organizando as informações de uma empresa – (Divulgação: OpenAI)

Entre as organizações que participam das primeiras iniciativas estão o BBVA, que avalia o uso de atendimento por voz para operações bancárias no México; o SoftBank, que testa conversas em japonês; e o IAG, que estuda a aplicação da tecnologia para oferecer suporte durante períodos de alta demanda, como eventos climáticos severos.

Ao comentar a parceria, Daniel Ordaz, responsável pela transformação em inteligência artificial do BBVA no México, afirmou que a instituição participa do desenvolvimento da plataforma para explorar novas experiências de atendimento financeiro por voz.

No BBVA, estamos trabalhando em estreita colaboração com a OpenAI para explorar como agentes confiáveis de atendimento podem ajudar a moldar o futuro dos serviços financeiros. Como parceiro de design do Presence, colaboramos para desenvolver e aperfeiçoar experiências de voz voltadas ao atendimento financeiro, com foco em oferecer interações mais rápidas, fluidas e personalizadas”, explicou Daniel Ordaz, Head de Transformação em IA do BBVA México, em declaração publicada pela OpenAI.

Antes da liberação para usuários, o Presence passa por simulações que incluem solicitações comuns, situações de exceção e cenários considerados de maior risco. A OpenAI explica que essas avaliações verificam se o agente alcançou o resultado esperado, respeitou as políticas estabelecidas, utilizou corretamente as ferramentas disponíveis e encaminhou casos para pessoas quando necessário.

Depois da implantação, indicadores de qualidade, registros das conversas e ocorrências de escalonamento continuam alimentando o processo de revisão. Conforme a empresa, o Codex analisa essas informações, propõe alterações e permite que cada atualização seja comparada com a versão em produção antes da aprovação definitiva.

A OpenAI informa que o Presence está disponível apenas para clientes corporativos elegíveis por meio de um programa de disponibilidade geral limitada. As implementações são conduzidas por engenheiros da própria empresa e por integradores globais selecionados. Até o momento, a plataforma não possui modalidade de contratação autônoma.

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Anthropic recebe aporte bilionário para acelerar o Claude

A AMD anunciou um acordo de até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,3 bilhões) com a Anthropic para ampliar a infraestrutura usada no desenvolvimento de inteligência artificial.

A parceria inclui novos chips da AMD e uma colaboração para fortalecer a operação do Claude.

O acordo une investimento bilionário, novos chips e colaboração em engenharia entre AMD e Anthropic. – Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Infraestrutura ganha reforço

Pelo acordo, a Anthropic poderá implantar até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450 usando o sistema Helios, desenvolvido pela AMD. O investimento, de até US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 25,3 bilhões), faz parte da expansão da capacidade necessária para treinar e operar seus modelos de IA.

A primeira etapa está prevista para o primeiro semestre de 2027, quando será instalado o primeiro gigawatt da nova estrutura.

Acordo amplia rede de parceiros

A Anthropic já havia fechado projetos de data centers com a SpaceX e a TeraWulf. A empresa também mantém acordos de infraestrutura de IA com Google, Broadcom e Amazon. Além disso, há rumores sobre uma possível parceria com a Meta, ainda sem confirmação.

Os principais pontos do acordo são:

  • Investimento de até US$ 5 bilhões da AMD na Anthropic;
  • Implantação de até 2 gigawatts de GPUs Instinct MI450;
  • Primeiro gigawatt previsto para o primeiro semestre de 2027;
  • Uso do sistema Helios na nova infraestrutura.
Ao fundo, meio desfocado, logo da Anthropic; à frente, smartphone mostrando a página de download do Claude
A expansão permitirá à Anthropic aumentar a capacidade para treinar e operar seus modelos de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Claude também entra na parceria

O acordo prevê ainda uma colaboração de engenharia de longo prazo. Com isso, a AMD passará a utilizar o Claude em atividades de desenvolvimento de software, engenharia e criação de produtos.

Leia mais:

Segundo Tom Brown, cofundador e diretor de computação da Anthropic, a parceria vai além do fornecimento de chips. “Ao fazer parceria com a AMD em toda a pilha tecnológica, estamos garantindo a capacidade de que precisamos e otimizando essa infraestrutura para treinar e operar o Claude.”

O anúncio reúne investimento, expansão da infraestrutura e cooperação tecnológica entre as duas empresas, com a primeira fase da implantação prevista para 2027.

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EUA acusam empresa chinesa de IA de “roubar” tecnologia da Anthropic

O governo dos Estados Unidos acusou a startup chinesa Moonshot AI de ter utilizado informações extraídas do modelo de inteligência artificial Fable, da Anthropic, para desenvolver sua nova geração de sistema, o Kimi K3. A denúncia foi apresentada por Michael Kratsios, principal autoridade de tecnologia da Casa Branca, em uma publicação na rede social X.

Segundo as autoridades americanas, a empresa chinesa também teria obtido servidores equipados com chips avançados da Nvidia, incluindo unidades GB300, que teriam sido usados fora da China para treinamento de modelos de inteligência artificial. As acusações foram divulgadas em Washington, nesta quarta-feira (22).

A Casa Branca afirma que a prática faria parte de uma estratégia de aquisição indevida de tecnologia desenvolvida por empresas americanas de IA. A Reuters, a Moonshot AI e a Embaixada da China em Washington não haviam apresentado resposta aos pedidos de comentário até a publicação da denúncia.

Acusações envolvem transferência de conhecimento e disputa tecnológica entre EUA e China

Outdoor Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Michael Kratsios, responsável pela área de tecnologia da Casa Branca, afirmou que a Moonshot AI teria realizado um processo conhecido como destilação de modelos, técnica que permite treinar sistemas menores a partir das respostas geradas por modelos mais avançados.

Temos informações de que a Moonshot AI destilou o Fable da Anthropic para o desenvolvimento de seu modelo K3. A destilação industrial clandestina em larga escala destinada a roubar tecnologia proprietária dos Estados Unidos e enfraquecer a pesquisa americana é inaceitável”, disse Kratsios online.

A destilação é uma técnica utilizada no desenvolvimento de inteligência artificial para reduzir custos de treinamento, aproveitando resultados produzidos por sistemas mais complexos. De acordo com o Departamento de Estado americano, esse método teria sido empregado por empresas chinesas para criar modelos com desempenho semelhante em determinados testes, mas sem reproduzir completamente as capacidades dos sistemas originais.

O governo dos Estados Unidos já havia demonstrado preocupação com esse tipo de prática. Um documento diplomático citado pela Reuters indicou que o Departamento de Estado orientou uma mobilização internacional para alertar sobre supostos esforços de empresas chinesas, incluindo a Moonshot AI, para obter propriedade intelectual de laboratórios americanos de inteligência artificial.

A disputa ocorre em meio ao avanço acelerado do setor chinês de inteligência artificial. A Moonshot AI apresentou o Kimi K3 como um modelo de código aberto com 2,8 trilhões de parâmetros, descrito pela empresa como um dos maiores sistemas desse tipo no mundo e com desempenho próximo ao Fable, da Anthropic.

Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot
Modelo de inteligência artificial Kimi K3 é um chatbot da empresa Moonshot – (Reprodução: Samuel Boivin/Shutterstock)

Além das acusações relacionadas ao desenvolvimento do modelo, a administração americana também afirmou que a companhia chinesa teria adquirido servidores equipados com chips Nvidia GB300 e utilizado esses equipamentos na Tailândia, possivelmente para treinamento de seus sistemas.

A alegação sobre o uso de hardware avançado da Nvidia ocorre após autoridades americanas levantarem preocupações semelhantes envolvendo a startup chinesa DeepSeek. Segundo um funcionário do governo Trump, que não foi identificado, um modelo recente da empresa teria sido treinado com chips avançados da Nvidia, o que poderia representar violação das restrições americanas de exportação.

A Anthropic, empresa responsável pelo Fable, aparece no centro da disputa por desenvolver alguns dos modelos de inteligência artificial considerados mais avançados. Segundo o texto-base, os modelos Fable e Mythos chegaram a ser retirados de circulação temporariamente pelo governo americano devido a preocupações relacionadas à segurança.

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