A tecnologia promete tornar decisões mais rápidas e melhorar a experiência de torcedores e equipes durante o torneio, explica matéria do Euronews.
A bola Trionda será equipada com sensores de alta frequência capazes de registrar 500 medições por segundo, trazendo mais precisão para lances decisivos. Imagem: Divulgação/Fifa. – Fifa / Divulgação
Tecnologia chega ao coração do jogo
A bola oficial da Copa, a Trionda, contará com um sensor de movimento de 500 hertz, capaz de registrar 500 dados por segundo. Isso permite identificar com precisão toques, passes e até possíveis faltas em tempo quase real.
Além disso, a FIFA pretende reduzir erros de arbitragem ao combinar dados da bola com câmeras e sistemas automatizados de impedimento.
Avatares 3D de todos os jogadores serão criados para auxiliar árbitros e enriquecer transmissões ao vivo com representações digitais detalhadas dos atletas. Imagem: Divulgação/Fifa – Imagem: Divulgação/Fifa
Avatares digitais e decisões mais rápidas
Todos os 1.248 jogadores da competição terão versões digitais criadas por IA. Antes do torneio, cada atleta passará por uma digitalização corporal rápida, gerando modelos 3D usados em análises e transmissões.
Esses avatares ajudam árbitros a entender melhor lances rápidos ou obstruídos, além de aparecerem nas transmissões ao vivo para o público.
Assistente de IA para treinadores e seleções
A FIFA também desenvolveu o Football AI Pro, um assistente inteligente que analisa partidas e gera insights táticos para as equipes.
Entre suas funções estão:
Análise de desempenho individual e coletivo
Sugestões estratégicas para treinadores
Resumos em texto, vídeo e gráficos
Acesso democratizado a dados para todas as seleções
O sistema transforma dados complexos em informações práticas, ajudando equipes a se prepararem melhor para cada confronto.
A IA ajudará a identificar impedimentos e jogadas duvidosas em tempo real, oferecendo suporte mais rápido e preciso para a equipe de arbitragem. Imagem: Marta Fernandez Jimenez/Shutterstock
Experiência de transmissão mais imersiva
Outra novidade é a “Visão do Árbitro”, uma câmera com apoio de IA que mostra o jogo do ponto de vista do juiz de campo. A ideia é aproximar ainda mais os fãs da dinâmica real da partida.
Segundo a FIFA, o objetivo é tornar o futebol mais justo, tecnológico e acessível, sem perder a essência do esporte.
Estamos garantindo que a inovação beneficie todos os jogadores, todas as equipes e todos os torcedores em todo o mundo… e, claro, beneficie o maior esporte de todos, o futebol.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, durante evento em janeiro.
Com a chegada dessas ferramentas, a Copa do Mundo promete ser uma das mais tecnológicas da história, unindo inovação, análise de dados e novas formas de acompanhar o futebol dentro e fora de campo.
Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia usaram modelos de inteligência artificial da OpenAI para analisar mais de 410 mil posts do Reddit ao longo de seis anos, mapeando menções às substâncias ativas semaglutida e tirzepatida — ou aos nomes comerciais dos medicamentos que as contêm, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound — em busca de possíveis efeitos colaterais relatados pelos próprios usuários.
O estudo, publicado na revista Nature Health, aponta que fóruns online podem funcionar como fonte de sinais para investigações clínicas futuras. Os pesquisadores deixam claro, porém, que a análise não substitui ensaios clínicos nem avaliações médicas formais.
Fóruns online como o Reddit foram analisados para identificar padrões de efeitos relatados por pacientes. Imagem: stefamerpik/Freepik
Os efeitos colaterais que chamaram atenção
Segundo o ScienceAlert, entre os relatos que se destacaram como potencialmente não reconhecidos pela literatura médica, dois grupos chamaram atenção: queixas relacionadas à saúde reprodutiva, incluindo irregularidades no ciclo menstrual, e problemas ligados à regulação de temperatura corporal, como calafrios e ondas de calor. Vale notar que esses efeitos estavam longe de ser os mais frequentemente mencionados nos posts.
Para as alterações de temperatura, há um mecanismo conhecido: a forma como o metabolismo queima energia é reconhecida por impactar o equilíbrio térmico do organismo. Para as alterações menstruais, há menos pesquisa disponível sobre como esses medicamentos afetam o ciclo.
A psicóloga Jena Shaw Tronieri, uma das pesquisadoras envolvidas, apontou que esses medicamentos atuam em uma região do cérebro chamada hipotálamo, que ajuda a regular uma ampla variedade de hormônios. “Isso não significa que os medicamentos estejam necessariamente causando esses sintomas, mas pode indicar que relatos de alterações menstruais e flutuações de temperatura corporal merecem ser estudados de forma mais sistemática”, afirmou.
Os relatos mais comuns nos posts incluíam sintomas já conhecidos, como náusea — o que, segundo o cientista da computação Sharath Chandra Guntuku, valida o método. “Alguns dos efeitos colaterais que encontramos, como náusea, são bem conhecidos, e isso mostra que o método está captando um sinal real. Os sintomas sub-relatados são pistas que vieram dos próprios pacientes, de forma espontânea, e os clínicos poderiam potencialmente prestar atenção a eles”, disse.
Sintomas apareceram com maior frequência:
alterações no ciclo menstrual;
calafrios;
ondas de calor;
mudanças na regulação da temperatura corporal;
queixas ligadas à saúde reprodutiva.
Medicamentos atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue. Imagem: grinvalds/iStock
Reddit vira “laboratório” inesperado, mas com limitações
Os modelos GPT da OpenAI foram usados para processar o volume de texto e identificar padrões nos posts. Segundo Guntuku, esse tipo de varredura pode ser concluído rapidamente, o que representa uma vantagem em relação ao ritmo dos ensaios clínicos tradicionais.
Ensaios clínicos são o padrão ouro, mas por design são lentos. Isso não é uma substituição para os ensaios, mas pode se mover muito mais rápido, e essa velocidade importa quando um medicamento passa de nicho para mainstream quase da noite para o dia.
Sharath Chandra Guntuku, cientista da computação e pesquisador, em nota enviada ao Science Alert.
Os pesquisadores reconhecem limitações importantes. Como pouco se sabe sobre o perfil dos usuários que fizeram as postagens, a análise não permite afirmar de forma definitiva que os medicamentos causam os sintomas relatados. Além disso, o Reddit tende a concentrar adultos jovens, do sexo masculino e residentes nos Estados Unidos — o que limita a representatividade da amostra.
Pesquisa aponta que redes sociais podem ajudar a identificar efeitos colaterais ainda pouco estudados, como febre, calafrios e alterações no ciclo menstrual. Imagem: Polina Tankilevitch / Pexels.
Contexto sobre os medicamentos GLP-1
Os medicamentos GLP-1 recebem esse nome por mimetizar o hormônio natural peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Eles atuam limitando o apetite, desacelerando a digestão e estimulando a liberação de insulina pelo pâncreas em resposta a níveis elevados de açúcar no sangue.
Esses tratamentos estão associados a benefícios no controle de peso e no manejo do diabetes, mas pesquisas sobre outros efeitos potenciais ainda estão em andamento. Entre as consequências investigadas estão possível proteção contra o Alzheimer, melhora da saúde cardiovascular e maior risco de pancreatite aguda ou crônica. Também é comum que pacientes recuperem a maior parte do peso após interromper o uso dos medicamentos.
O cientista Lyle Ungar destacou o papel complementar que as redes sociais podem ter nesse contexto. “Ensaios clínicos geralmente identificam os efeitos colaterais mais perigosos dos medicamentos, mas podem deixar de encontrar os sintomas que mais preocupam os pacientes. Mesmo que as redes sociais não sejam necessariamente representativas, uma grande coleção de posts pode refletir preocupações adicionais”, afirmou.
Para Guntuku, a principal vantagem dessa abordagem é a velocidade: “O ponto central desse tipo de abordagem é que ela pode se mover rapidamente, e é exatamente aí que ela é mais valiosa.”
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A Nvidia acaba de acirrar, ainda mais, a disputa com marcas como Apple e Intel após o lançamento do seu primeiro “superchip” de inteligência artificial focado em notebooks pessoais, realizado nesta segunda-feira, 1 de junho. Com ele, será possível executar os agentes de IA tão falados pela companhia. Chamado de RTX Spark, o produto é […]
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A Alphabet anunciou nesta segunda-feira (1º) planos para levantar US$ 80 bilhões por meio da venda de ações. Segundo a controladora do Google, os recursos serão destinados à expansão de sua infraestrutura de computação voltada à inteligência artificial (IA), em resposta ao aumento da demanda por seus produtos e serviços na área.
A operação inclui um investimento de US$ 10 bilhões da Berkshire Hathaway e ocorre em um momento de crescimento dos gastos da empresa com projetos relacionados à IA. A Alphabet afirma que pretende ampliar sua capacidade de atendimento diante de uma procura que já supera a oferta atualmente disponível.
Dona do Google quer expandir investimentos em IA, e vai usar a venda de ações para arrecadar dinheiro – Imagem: Gguy/Shutterstock
Recursos serão usados para ampliar capacidade de IA
Em documento divulgado ao mercado, a empresa informou que o capital captado será utilizado para financiar investimentos em sua infraestrutura de computação para inteligência artificial. A companhia destacou que vem registrando forte demanda por soluções e serviços de IA tanto entre consumidores quanto entre clientes corporativos.
De acordo com a Alphabet, o interesse por essas tecnologias está em níveis que excedem sua capacidade atual de fornecimento. A expansão dos investimentos, segundo a empresa, busca fortalecer sua infraestrutura básica para sustentar as oportunidades de crescimento identificadas no setor.
Plano combina diferentes ofertas de ações
Do total de US$ 80 bilhões previstos na operação, US$ 10 bilhões virão do aporte da Berkshire Hathaway.
Além disso, a Alphabet planeja levantar US$ 30 bilhões por meio de ofertas subscritas. Desse montante, US$ 15 bilhões serão obtidos com “ações depositárias representando ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis”.
Os US$ 40 bilhões restantes deverão ser arrecadados por meio de um programa de oferta de mercado envolvendo ações das classes A e C da companhia. O início dessa etapa está previsto para o terceiro trimestre.
Gastos previstos aumentaram neste ano
O anúncio da captação ocorre após a Alphabet revisar suas projeções de investimentos para 2026. Em abril, a empresa elevou sua estimativa de despesas de capital para um intervalo entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões.
Anteriormente, a previsão era de investimentos entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões ao longo do ano. A atualização reflete o aumento dos gastos relacionados ao desenvolvimento e à expansão de projetos ligados à inteligência artificial.
A Microsoft deve aproveitar a conferência Build desta semana para mostrar até onde pretende levar sua aposta em inteligência artificial. Entre as novidades esperadas estão novos modelos de IA, mudanças importantes no Windows 11 e uma reformulação do Copilot.
O evento acontece em São Francisco em um momento sensível para a empresa, que tenta recuperar a confiança de desenvolvedores após problemas recentes envolvendo Windows e GitHub, afirma o The Verge.
Novo ambiente do Windows 11 promete menos distrações, ferramentas pré-instaladas e mais praticidade para programação. Imagem: aileenchik/Shutterstock
Windows com foco em desenvolvedores
A Microsoft deve apresentar uma experiência otimizada do Windows 11 para desenvolvedores, com ambiente sem distrações, aplicativos pré-instalados, ferramentas e scripts. A empresa também deve detalhar seus esforços para reescrever partes do Windows 11 com o objetivo de melhorar desempenho e experiência geral — um plano apresentado no início deste ano que já gerou melhorias iniciais.
Haverá ainda anúncios sobre como o Windows está se adaptando a novos chips, como o RTX Spark, da Nvidia. Fontes indicam que o evento terá foco maior em modelos de IA rodando localmente no Windows, permitindo que desenvolvedores usem capacidade de processamento local em vez de depender de modelos na nuvem. O chefe do Windows, Pavan Davuluri, havia antecipado na semana passada que “algo novo está chegando para desenvolvedores” no Build.
Durante a keynote, o CEO Satya Nadella deve discutir o anúncio do RTX Spark ao lado do CEO da Nvidia, Jensen Huang. A Qualcomm também deve marcar presença para falar sobre seu trabalho contínuo com a Microsoft no crescimento do Windows em processadores Arm. PCs compactos com RTX Spark da Microsoft e da HP estiveram notavelmente ausentes na lista de fabricantes exibida durante a keynote da Nvidia na Computex.
Build 2026 deve revelar novos modelos de IA da Microsoft para Windows, chips Arm e processamento local. Imagem: TippaPatt / Shutterstock
Novo modelo de raciocínio e outros lançamentos de IA
Mustafa Suleyman, chefe da Microsoft AI, deve apresentar o MAI-Thinking-1, descrito como o primeiro modelo de raciocínio da empresa. De acordo com as fontes, a Microsoft não utilizou destilação para criar esse modelo — ou seja, ele não foi treinado a partir dos resultados de outro modelo de IA. O MAI-Thinking-1 deve ser direcionado principalmente para uso corporativo.
Além do modelo de raciocínio, outros lançamentos esperados incluem:
MAI-Image-2.5;
MAI-Image-2.5-Flash;
Novos modelos locais para Windows;
Recursos voltados para chips Arm;
RTX Spark;
Melhorias para IA executada localmente.
O próprio Suleyman havia antecipado o lançamento do MAI-Image-2.5 na semana passada, prometendo mais detalhes no Build.
Microsoft prepara aplicativo unificado para concentrar recursos de IA do Copilot em um só lugar. Imagem: Mijansk786/Shutterstock – Imagem: Mijansk786 / Shutterstock
Super app do Copilot ainda em desenvolvimento
A Microsoft também deve apresentar seu “super app” do Copilot no evento. A publicação Fortune foi a primeira a reportar o projeto, descrevendo-o como um aplicativo que reúne os diferentes assistentes de IA do Copilot em uma única interface. Fontes confirmam que o desenvolvimento está em andamento, mas indicam que o screenshot vazado na sexta-feira anterior ao evento é apenas um mockup preparado para as demonstrações do Build.
A imagem vazada também mostra uma prévia do Microsoft Scout, descrito como um novo agente de IA baseado no trabalho interno da Microsoft chamado OpenClaw. O super app do Copilot não estará disponível durante o Build, já que a empresa ainda está no processo de criação. A previsão é que ele chegue em prévia somente no final do verão no hemisfério norte.
GitHub sob pressão
O GitHub também deve ser tema no Build. A plataforma enfrenta uma série de problemas: onda de saídas, instabilidades e incidentes de segurança, com desenvolvedores de alto perfil passando a levantar alertas sobre a situação. Parte da organização do Build está sendo conduzida pela equipe do GitHub, e a expectativa é de que a Microsoft aborde os problemas da plataforma durante o evento.
Uma startup criada por estudantes de Stanford quer mudar a forma como o mundo acompanha a previsão do tempo. A WindBorne Systems lançou nesta semana o WeatherMesh 6, modelo de inteligência artificial que promete previsões mais rápidas e precisas do que sistemas tradicionais usados atualmente na Europa, explica o TechCrunch.
O novo sistema chamou atenção por desafiar diretamente o ECMWF, centro meteorológico europeu considerado uma das maiores referências globais em previsões climáticas. Segundo a empresa, o avanço veio da forma como os dados dos sensores são processados pela IA.
Startup americana usa IA e dados atmosféricos para melhorar previsões meteorológicas. Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil.
Como a IA está mudando a previsão do tempo
A WindBorne nasceu em 2019 com uma proposta bem mais simples: desenvolver balões meteorológicos modernos para vender dados climáticos. Só que a evolução dos modelos de inteligência artificial voltados à meteorologia acabou mudando os rumos da empresa.
Com a chegada dessas ferramentas em 2022, a startup decidiu criar também seu próprio modelo de previsão. O resultado foi o WeatherMesh, que chega agora à sexta versão trazendo melhorias importantes na precisão das análises.
O WeatherMesh 6 é tão preciso com cinco dias de antecedência quanto uma previsão tradicional é no dia anterior.
Kai Marshland, diretor de produtos da WindBorne Systems ao TechCrunch.
Outro ponto que chama atenção é a velocidade. Enquanto modelos tradicionais costumam gerar previsões a cada seis horas, o WeatherMesh 6 atualiza os dados de hora em hora. Em regiões como Europa e Estados Unidos continentais, a resolução alcança 3 quilômetros.
Sistema da WindBorne usa IA e dados atmosféricos para prever o tempo com mais eficiência. Imagem: Aree_S/Shutterstock
Balões viraram vantagem competitiva
Hoje, a empresa mantém cerca de 400 balões meteorológicos em operação simultânea, lançados de 15 locais ao redor do mundo. Esses equipamentos coletam dados atmosféricos continuamente e ajudam a alimentar o sistema de IA da companhia.
Boa parte da aposta da WindBorne está justamente aí: controlar a própria coleta de informações meteorológicas. Segundo John Dean, CEO da startup, esse diferencial pode ser decisivo no futuro do setor.
Previsões atualizadas a cada hora;
Resolução de até 3 km;
Cerca de 400 balões em operação;
Coleta de dados em 15 locais do mundo;
Modelo baseado em arquitetura Transformers.
“Pessoalmente, não entendo o modelo de negócios de uma empresa de meteorologia baseada em IA sem uma vantagem em termos de conjunto de dados”, disse Dean ao TechCrunch.
A empresa afirma que as melhorias mais recentes surgiram justamente da forma como esses dados são inseridos diretamente no modelo. Antes, grande parte dos sistemas de IA dependia de informações já processadas por órgãos como o ECMWF e a NOAA.
Balões meteorológicos coletam dados em tempo real para modelo de IA da WindBorne. Imagem: CC0/Px Here
Startup também enfrentou turbulência
A expansão da WindBorne passou por um episódio delicado no ano passado. Um avião da United Airlines colidiu com um dos balões da empresa durante um voo. Apesar do susto, ninguém ficou ferido e os danos foram leves.
Depois do incidente, a startup adicionou transponders ADS-B aos balões. O sistema transmite a localização em tempo real para redes globais de monitoramento aéreo, numa tentativa de reduzir o risco de novos acidentes.
Além do avanço tecnológico, a empresa também vem crescendo financeiramente. A WindBorne já captou US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões) e alcançou uma avaliação estimada em US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 26 milhões) em 2024.
Hoje, a startup vende dados meteorológicos para a NOAA, além da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos. A empresa também comercializa previsões para investidores e negociadores de commodities, embora continue priorizando o desenvolvimento do modelo e da infraestrutura de dados.
Com a inteligência artificial avançando rapidamente no setor meteorológico, empresas como a WindBorne tentam mostrar que previsões climáticas cada vez mais detalhadas podem chegar mais rápido, e depender menos dos sistemas tradicionais que dominaram essa área nas últimas décadas.
Mais de 220 startups estadunidenses que atingiram avaliações bilionárias durante o boom de investimentos entre 2020 e 2022 perderam o status de “unicórnio“, com algumas empresas perdendo até 82% de seu valor. Segundo dados exclusivos da PitchBook fornecidos à CNBC, quase metade das 857 startups unicórnio dos Estados Unidosnão conseguiu levantar novos investimentos nos últimos três anos.
As empresas que captaram recursos pela última vez em 2021 valem em média 68% menos hoje, enquanto aquelas que levantaram fundos em 2022 sofreram queda de 52% em suas avaliações. Entre os “unicórnios caídos” estão marcas conhecidas, como Glossier (queda de 45%), Calendly (-74%), Savage X Fenty (-61%) e AG1 (-47%).
O principal catalisador dessa transformação foi o boom da inteligência artificial (IA) que canalizou mais de US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) para empresas, como OpenAI e Anthropic, redefinindo as avaliações de categorias inteiras de startups. A chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT“.
Engenharia transformada pela IA generativa
“O momento ChatGPT foi quando as pessoas disseram: ‘Caramba, a próxima geração de empreendedores tem como linguagem de programação o inglês falado’”, disse Samir Kaul, sócio da Khosla Ventures e investidor inicial da OpenAI. Segundo Kaul, agora, 50 engenheiros conseguem fazer o trabalho que exigiria 500 profissionais cinco anos atrás, forçando uma reavaliação completa de como valorizar empresas.
Cinco anos atrás, capitalistas de risco investiam massivamente em startups estadunidenses de todos os setores, desde assinaturas de lingerie até software de agendamento, concedendo avaliações bilionárias antes mesmo da maioria gerar lucros. Era uma era efervescente alimentada por dinheiro barato e demanda impulsionada pela pandemia.
Mesmo após o Federal Reserve (FED) começar a elevar juros em 2022, muitos fundadores acreditavam que cresceriam o suficiente para justificar suas avaliações inflacionadas. Então chegou o ChatGPT, transformando completamente o cenário.
Startups presas entre dois mundos
Enquanto ações de empresas públicas de software, como Salesforce, ServiceNow e Workday foram duramente atingidas pela ameaça da IA, um ajuste silencioso ocorreu nos mercados privados;
Centenas de startups construídas antes de 2022 ficaram encalhadas — cortadas do financiamento venture capital devido a avaliações inflacionadas e tecnologia desatualizada, mas insuficientemente lucrativas para abrir capital;
“Muitas dessas empresas são pré-IA, não apenas em estrutura de custos, mas também em produtos”, disse Immad Akhund, CEO da Mercury, que oferece serviços bancários a um terço das empresas estadunidenses apoiadas por venture capital;
“Definitivamente estão numa situação difícil. Toda atenção está na IA, então, se você não é uma empresa AI-first, precisa de números muito fortes para levantar recursos.”
Chegada do ChatGPT em novembro de 2022 marcou o que investidores chamam de “momento ChatGPT” – Imagem: Diego Thomazini/Shutterstock
Software empresarial no epicentro da crise
As mais atingidas são empresas de software empresarial, que representam a maior categoria entre os unicórnios caídos. Há 75 empresas de software-como-serviço (SaaS) na lista da PitchBook — o dobro das fintechs, segundo maior grupo. Isso reflete tanto as enormes avaliações que startups de software comandaram em 2021 quanto o grau em que a IA generativa desestabilizou o setor.
David Zhu, ex-chefe de engenharia do DoorDash, prevê mudanças sísmicas: “A tese que eu tinha era que todas as empresas SaaS empresariais orientadas por fluxo de trabalho serão interrompidas ou mortas na próxima década“. O modelo SaaS, baseado em cobrança por usuário, é especialmente ameaçado pela ascensão de agentes autônomos.
Após deixar o DoorDash, onde liderou mais de 200 engenheiros, Zhu fundou a Reevo, plataforma de IA que automatiza equipes corporativas. Segundo ele, empresas pré-IA estão sobrecarregadas por modelos de pessoal inchados e software inadequado, dificultando transformações.
A maioria das empresas destacadas não respondeu pedidos de comentário da CNBC. Um porta-voz da Skydio, fabricante de drones cuja avaliação despencou de US$ 2,5 bilhões (R$ 12,6 bilhões) para US$ 509 milhões (R$ 2,6 bilhões) segundo a PitchBook, chamou as estimativas de “especulação falsa“.
Para empresas sem financiamento desde 2021-2022, é improvável conseguir novos recursos, segundo investidores. Sem acesso a venture capital ou perspectiva de IPO, a saída mais provável é aquisição por fração da avaliação anterior.
“Quando vemos empresas não levantando recursos, é uma bandeira vermelha”, disse Andrew Akers, analista da PitchBook, explicando que geralmente significa crescimento fraco ou negativo. “Por baixo da superfície, acho que há muitos dominós para cair.”
O colapso do piso de avaliações
Alguns resets já ocorreram em 2026. Em fevereiro, o app de investimentos Stash foi adquirido pela Grab de Singapura por US$ 425 milhões (R$ 2,1 bilhões) — abaixo dos cerca de US$ 660 milhões (R$ 3,3 bilhões) que investidores colocaram na empresa.
No mesmo mês, a fintech Step foi comprada pelo YouTuber MrBeast por valor não divulgado, com investidores especulando preço bem inferior aos aproximadamente US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) que a startup havia levantado.
“Muitos desses negócios simplesmente não valem mais tanto, razão pela qual você os vê sendo adquiridos com grandes descontos”, disse Ryan Falvey, da Restive Ventures. As avaliações despencaram cerca de seis vezes desde o pico de 2021, quando chegavam a 50 vezes a receita futura, significando que uma empresa com a mesma receita vale cerca de 85% menos no mercado atual.
Antes do reset, startups podiam ser vendidas para empresas de tecnologia maiores por cerca de US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) por programador, segundo Kaul. Uma empresa com 100 engenheiros valeria pelo menos US$ 200-300 milhões (R$ 1 bilhão-R$ 1,5 bilhão). Mas essa suposição, que fornecia um piso para avaliações durante o boom, evaporou após ferramentas de IA permitirem que equipes menores construíssem produtos.
Startups pós-ChatGPT superam predecessoras
O resultado é que startups pós-ChatGPT estão superando competidoras mais antigas, segundo Falvey. Ele considera investimentos dos últimos três anos “indiscutivelmente os melhores” que sua empresa fez: “Notamos em 2023 que as empresas em que investimos pós-ChatGPT já estavam ganhando mais dinheiro que a maioria das empresas pré-ChatGPT.”
A IA generativa pode reduzir o capital necessário para construir empresas de software bem-sucedidas, desafiando premissas centrais do boom venture da última década. O impacto reverberará por todo ecossistema de financiamento empresarial, de venture capital a crédito privado até gigantes públicas.
Empresas de software mais antigas ainda dependem de modelos baseados em cobrança por número de funcionários usando produtos — abordagem que Kaul acredita que a IA minará conforme empresas automatizam mais trabalho de escritório. Fornecedores de software precisarão migrar para modelos de precificação baseados em resultados e infraestrutura nativa de IA para sobreviver.
“A pergunta que faço toda vez que uma delas apresenta é: por que OpenAI, Anthropic ou Google não podem fazer isso?”, disse Kaul. “Para a maioria delas, a resposta é: ‘Eles podem‘.”
Usar inteligência artificial (IA) para avaliar a idade de jovens que pediram asilo pode levar crianças a acabarem em prisões ou centros de detenção para adultos. É o que apontou uma coligação de mais de 100 organizações de apoio a crianças refugiadas.
O alerta vem após o governo do Reino Unido anunciar um contrato para implementar tecnologia baseada em IA para estimar a idade de jovens com pedidos de asilo que acabaram contestados.
Organizações beneficentes alertam sobre uso de IA para analisar refugiados no Reino Unido
Um relatório do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes alerta para os riscos do uso de reconhecimento via IA sobre jovens que não se enquadram nos padrões de idade para a sua faixa etária.
O consórcio, cujas organizações membros trabalham para promover e proteger os direitos de crianças refugiadas e migrantes, afirma que questões como trauma, subnutrição e jornadas angustiantes percorridas pelos jovens refugiados para chegarem vivos ao país podem confundir a avaliação feita pela IA.
O relatório, intitulado Benchmarks and Borders: the use of facial age estimation to assess the age of unpanied young people seeking asylum, não descarta completamente o uso de IA. Mas alerta para os riscos de se confiar exclusivamente nela. E reforça que a tecnologia não deve substituir avaliações de idade feitas por assistentes sociais.
O documento insta o Ministério do Interior a usar a IA de forma consultiva, e não determinante, com uma série de salvaguardas incorporadas, incluindo o acesso a um adulto responsável, aconselhamento jurídico e o direito de contestar as decisões.
O relatório também insta o governo a não substituir os erros humanos cometidos em alguns casos de avaliação de idade por erros de máquina. O documento ainda não foi publicado. Mas o jornal The Guardian teve acesso a ele.
Riscos de colocar IA na avaliação de idade de refugiados
“Por muito tempo, migrantes adultos que declaram idades falsas têm explorado o sistema e desviado apoio vital de crianças em situação de risco”, disse o ministro da Segurança de Fronteiras e Asilo, Alex Norris. “É por isso que estamos implementando tecnologia de IA para pôr um fim a isso, garantindo que aqueles que manipulam o sistema sejam identificados, detidos e deportados sem demora, e que aqueles que merecem apoio e proteção os recebam.”
“IA enfrenta os mesmos problemas de viés e imprecisão que a tomada de decisões humanas tem”, disse a copresidente do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes, Kamena Dorling – Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital
No entanto, a copresidente do Consórcio para Crianças Refugiadas e Migrantes, Kamena Dorling, disse que “as propostas do governo são profundamente preocupantes”. “A IA não consegue levar em conta os fatores que podem afetar significativamente a aparência de um jovem após fugir de conflitos e perseguições e enfrentar jornadas perigosas, incluindo traumas, desnutrição e exaustão.”
“As evidências existentes também mostram que a IA enfrenta os mesmos problemas de viés e imprecisão que a tomada de decisões humanas, com padrões de erros semelhantes”, acrescentou Kamena.
Kama Petruczenko, analista sênior de políticas do Conselho para Refugiados e membro do consórcio, disse que “os próprios dados do governo já mostram que centenas de crianças estão sendo tratadas erroneamente como adultos devido a avaliações visuais falhas na fronteira, com consequências devastadoras para sua segurança e bem-estar”.
“A inteligência artificial e a tecnologia de estimativa de idade facial não são uma solução simples ou isenta de riscos para esses problemas antigos”, apontou Kama. “A baixa qualidade da imagem e o viés nos conjuntos de dados também podem afetar a precisão.”
A analista acrescentou que “há um risco real de que essa tecnologia crie uma falsa sensação de certeza em decisões que já são extremamente difíceis de acertar”. “Se avaliações falhas forem simplesmente automatizadas, mais crianças poderão acabar erroneamente em alojamentos para adultos, centros de detenção ou até mesmo prisões.”
O governo do Reino Unido informou que a IA estimará a idade de um indivíduo em segundos, analisando fotografias faciais já tiradas de pessoas que chegam em pequenas embarcações a Dover.
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Casado com uma brasileira e fã de bossa nova, o francês Julien Delbourg tem o Brasil como um dos seus destinos mais frequentes. Mas essas passagens e conexões locais vão muito além de sua vida e gostos pessoais. E do português que ele já entende bem, mas um pouco fala – ainda. Desde março de […]
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Investidores globais estão ampliando suas apostas em empresas asiáticas que podem se beneficiar da próxima fase de expansão da inteligência artificial (IA), impulsionada pelas esperadas captações bilionárias de companhias, como SpaceX, OpenAI e Anthropic.
A avaliação do mercado é que os recursos levantados por essas empresas deverão alimentar uma nova onda de investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiando fabricantes de componentes, materiais especializados, sistemas de resfriamento e equipamentos de energia em toda a cadeia de suprimentos da Ásia.
Boom da IA impulsiona mercado asiático
A tese vem ganhando força em momento em que os mercados buscam identificar os próximos vencedores do boom da IA;
Segundo analistas e gestores ouvidos pela Bloomberg, parte significativa dos recursos que deverão ser levantados pelas três empresas estadunidenses acabará chegando aos fornecedores asiáticos responsáveis por peças de servidores, componentes eletrônicos, materiais para semicondutores e soluções energéticas utilizadas em data centers;
O movimento ocorre após fabricantes de chips da região se tornarem alguns dos maiores beneficiários da expansão dos centros de dados;
Empresas, como a TSMC, a Samsung e a SK Hynix, alcançaram valorizações que as colocaram no grupo de companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).
Contudo, após fortes altas nos preços das ações, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com os níveis elevados de avaliação dessas empresas. Com isso, cresce a busca por uma nova geração de vencedores ligados à infraestrutura da IA.
“Os IPOs relacionados à IA podem alimentar ainda mais o boom de investimentos em capital em um momento em que as ações asiáticas de semicondutores parecem esticadas”, afirmou Ken Wong, especialista em ações asiáticas da Eastspring Investments Hong Kong.
Segundo ele, a gestora está reduzindo sua exposição ao setor de semicondutores dentro de sua estratégia tecnológica para a Ásia e direcionando maior atenção para fabricantes de componentes eletrônicos.
OpenAI está na mesma linha da SpaceX e visa IPO bilionário – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Nova rodada de investimentos em IA
A disputa pela liderança em IA já levou gigantes da tecnologia, como a Meta e a Amazon, a realizar investimentos massivos em infraestrutura computacional.
Nesse contexto, as futuras ofertas públicas de ações de SpaceX, OpenAI e Anthropic são vistas como um fator que pode aliviar preocupações do mercado sobre a sustentabilidade do financiamento do setor, especialmente diante do aumento dos níveis de endividamento das empresas.
De acordo com Fabien Yip, analista de mercado da IG International, as listagens das três empresas poderão resultar em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 352,6 bilhões) adicionais em gastos relacionados à IA, valor que se somaria aos mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões) já comprometidos pelas principais empresas de computação em nuvem e infraestrutura digital.
Segundo Yip, os efeitos dessa expansão já podem ser observados nos resultados financeiros divulgados por fabricantes de chips. “O impacto sobre a Ásia é claramente visível”, afirmou. Para ela, à medida que a valorização ligada à IA amadurece, o movimento está se expandindo para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento de chips.
Entre as operações mais lucrativas do mercado asiático neste ano estão fabricantes de componentes eletrônicos utilizados em servidores e fornecedores de materiais e processos empregados na produção de semicondutores.
A Samsung Electro-Mechanics e a Ibiden figuram entre os destaques do principal índice amplo de ações asiáticas da MSCI em 2026. Entre apostas consideradas menos óbvias, Yip destaca a fabricante japonesa de sanitários Toto, fornecedora de materiais cerâmicos utilizados em equipamentos para fabricação de semicondutores.
Os fabricantes asiáticos de chips vêm registrando lucros expressivos, impulsionados pela IA, beneficiados pelo forte poder de precificação decorrente da escassez de semicondutores. Agora, sinais de restrições de oferta começam a surgir em etapas posteriores da cadeia produtiva, tendência que pode se intensificar com a continuidade dos investimentos.
A maior conscientização dos investidores sobre esses novos gargalos, somada a fatores técnicos de mercado, tem contribuído para a ampliação do interesse por empresas além das grandes fabricantes de chips.
Servidores, conectividade e infraestrutura
Sam Konrad, gestor de portfólio da Jupiter Asset Management, vê oportunidades em empresas taiwanesas responsáveis pela montagem de servidores, como a Hon Hai e a Quanta, além da desenvolvedora de chips MediaTek.
“O ciclo de investimentos em IA vai durar vários anos”, afirmou. “Os investidores provavelmente buscarão empresas que sejam beneficiárias diretas, mas que ainda negociem com múltiplos de avaliação baixos.”
Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, acredita que a próxima etapa da valorização deverá ser mais seletiva. “A próxima fase da alta deve ser específica para determinadas ações, e não uma valorização generalizada dos semicondutores”, afirmou.
Segundo ele, sua equipe está concentrada em empresas ligadas a encapsulamento avançado de chips, substratos, testes, conectividade óptica, energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de servidores em Taiwan e na China, segmentos nos quais as perspectivas de crescimento dos lucros ainda podem justificar as avaliações de mercado.
Além disso, alguns investidores estão direcionando recursos para aplicações de IA além dos chatbots, incluindo robótica e veículos autônomos. Esse segmento emergente, conhecido como “IA física”, recebeu impulso dos esforços da Nvidia para expandir seus negócios nessa área, beneficiando empresas parceiras, como a LG.
Energia surge como novo gargalo
Outro setor que vem atraindo atenção crescente é o de energia, considerado fundamental para sustentar a proliferação de data centers. Fontes nucleares e alternativas de geração ganharam destaque, especialmente em um cenário de alta dos preços do petróleo, provocada pela guerra envolvendo o Irã.
Na Coreia do Sul, empresas, como a HD Hyundai Energy e a Daewoo Engineering & Construction, estão entre os principais destaques do mercado acionário local neste ano.
Na Índia, os investimentos do Adani Group em data centers abastecidos por energia renovável impulsionam o desempenho de suas subsidiárias do setor energético, representando uma das poucas apostas ligadas à inteligência artificial no país.
Jian Shi Cortesi, gestora da GAM Investment Management, considera o fornecimento de energia “o gargalo menos explorado” pelos investidores, mas alerta que a próxima fase da euforia em torno da IA pode envolver riscos maiores.
Segundo ela, caso a demanda por IA não justifique o volume de investimentos realizados, as empresas poderão reduzir seus gastos de capital, deixando o mercado diante de excesso de infraestrutura e de fortes quedas nas avaliações.
Anthropic também está no bolo – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
Fornecedores asiáticos devem ser beneficiados
Brian Ooi, gestor da Swiss-Asia Financial Services, avalia que as futuras captações de recursos de SpaceX, OpenAI e Anthropic representam um sinal positivo para a manutenção de investimentos em ações relacionadas à IA.
Ele também destaca oportunidades ligadas ao setor energético, especialmente em fabricantes de transformadores, células de combustível, cabos, turbinas a gás e outros equipamentos. Segundo Ooi, as três empresas terão mais recursos para sustentar seus planos de expansão.
“As três grandes ofertas relacionadas à IA fornecerão mais liquidez para que elas continuem investindo em gastos de capital, e elas já possuem planos significativos de investimentos”, afirmou. “Os fornecedores asiáticos serão beneficiados.”