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Pesquisadores questionam método da OpenAI para resolver problema matemático

A OpenAI afirma que seus agentes de inteligência artificial (IA) resolveram um dos problemas matemáticos mais importantes ainda em aberto: uma questão relacionada às equações de Navier-Stokes, que descrevem o movimento de fluidos. A possível solução pode render um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões), mas matemáticos questionam a velocidade do avanço e a forma como a empresa chegou ao resultado.

A controvérsia aumentou depois que Tristan Buckmaster, matemático da Universidade de Nova York (EUA), afirmou ter sido questionado por funcionários da OpenAI sobre seu trabalho relacionado ao mesmo problema. Segundo ele, durante uma reunião em 6 de setembro, ouviu a pergunta: “Por que você arruinaria sua carreira?”.

Buckmaster descreveu o episódio em uma declaração pública e levantou dúvidas sobre a possibilidade de a OpenAI ter se beneficiado de pesquisas que ele e Levent Alpöge, matemático da Anthropic, estavam desenvolvendo.

O que a OpenAI afirma ter descoberto

As equações de Navier-Stokes foram formuladas no início do século XIX por Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes. Elas são usadas para descrever como fluidos se movimentam e ajudam a explicar fenômenos que vão desde o fluxo de ar provocado por uma hélice até a circulação do sangue pelas artérias.

O grande problema matemático é determinar se essas equações sempre produzem respostas finitas ou se, em determinadas condições, podem apresentar uma singularidade, conhecida como “blowup”. Nesse cenário, uma grandeza física, como a velocidade ou a pressão de um fluido, poderia aumentar indefinidamente em determinado ponto do espaço e do tempo.

A questão faz parte dos sete Problemas do Milênio definidos pelo Clay Mathematics Institute. Cada solução correta vale um prêmio de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões). Para investigar o problema, a OpenAI utilizou uma técnica chamada forcing, que consiste em aplicar uma perturbação suave e controlada ao fluido simulado.

A empresa colocou aproximadamente dez mil agentes de IA para trabalhar simultaneamente na questão. Eles permaneceram em atividade durante cerca de 88 horas. Cerca de 100 agentes começaram analisando as equações de Euler, uma versão relacionada às equações de Navier-Stokes que desconsidera a viscosidade.

Após aproximadamente 50 horas, os agentes encontraram blowups nas equações de Euler. A descoberta levou a equipe a direcionar os esforços para o problema de Navier-Stokes.

A OpenAI afirma que seus agentes produziram uma singularidade na qual um vórtice se torna progressivamente mais apertado, alongado e fino, fazendo com que o fluido, matematicamente, gire em direção ao infinito.

A prova foi submetida ao Lean, programa utilizado para verificar cada etapa de argumentos matemáticos. Segundo a OpenAI, os agentes trocaram 2,7 milhões de mensagens e produziram aproximadamente 130 bilhões de tokens.

Em uma coletiva realizada na terça-feira (8), representantes da empresa afirmaram que uma tarefa semelhante executada por um cliente teria custado US$ 15 milhões (cerca de R$ 81 milhões).

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Problema foi proposto há bastante tempo – Imagem: Roman Samborskyi/Shutterstock

Matemáticos questionam como a OpenAI chegou ao resultado tão rápido

  • A velocidade do resultado chamou a atenção de pesquisadores porque Buckmaster e Alpöge estavam trabalhando em uma estratégia semelhante, também baseada na aplicação de forcing às equações de Euler;
  • A abordagem havia sido desenvolvida pelos matemáticos Diego Córdoba, do Instituto de Ciências Matemáticas de Madri, e Luis Martínez-Zoroa, da Universidade CUNEF, também na Espanha. Segundo Buckmaster, quase ninguém além deles estava trabalhando com essa linha de investigação;
  • Buckmaster afirmou que ele e Alpöge obtiveram resultados de blowup nas equações de Euler com forcing suave em 15 de agosto. Em 3 de setembro, disse ter recebido a informação de que a OpenAI havia tomado conhecimento do avanço dos dois pesquisadores e adotado o mesmo método;
  • Segundo a OpenAI, porém, seu trabalho com Navier-Stokes começou em 1º de setembro, depois que a empresa ouviu “rumores sobre outras resoluções de problemas do milênio”.

Sam Altman, CEO da OpenAI, reconheceu que a empresa havia tomado conhecimento do trabalho de Buckmaster e Alpöge antes de divulgar seu próprio resultado. “Estávamos curiosos para saber se o nosso também conseguiria”, escreveu ele. Altman afirmou ainda que as abordagens “parecem diferentes”, algo que Buckmaster contesta.

A OpenAI citou os dois matemáticos em sua declaração, reconheceu a resolução independente do problema de Euler com forcing e afirmou ter oferecido a eles a possibilidade de publicar o trabalho em conjunto.

Pesquisador questiona uso de seus dados pela OpenAI

A controvérsia também envolve o uso do Codex, assistente de programação da OpenAI. Buckmaster afirmou que utilizava a ferramenta durante sua pesquisa e colocava nela rascunhos do trabalho desenvolvido com Alpöge.

O matemático disse ter perguntado à OpenAI se as sessões do Codex poderiam ter sido acessadas ou utilizadas para treinar modelos. Segundo ele, não recebeu resposta sobre a questão do treinamento.

A OpenAI afirmou que funcionários ou agentes da empresa não tiveram acesso ao trabalho da dupla “por nenhum meio” antes de sua divulgação pública. Ao mesmo tempo, a companhia reconheceu que não poderia descartar a possibilidade de dados anonimizados derivados do uso de seus produtos terem ajudado a melhorar seus modelos.

Buckmaster também afirmou que Sébastien Bubeck, responsável pela pesquisa matemática da OpenAI, teria pressionado duas vezes para retirar Alpöge da autoria de um artigo que os dois matemáticos preparavam. Alpöge trabalha na Anthropic, concorrente da OpenAI.

Bubeck negou as acusações e classificou as alegações como “falsas e inflamatórias”. Ele afirmou que a OpenAI não utilizou os prompts ou as provas dos pesquisadores para orientar seus modelos.

Buckmaster, por sua vez, disse que não viu a prova produzida pela OpenAI e que não sabe exatamente como o modelo chegou ao resultado ou se os dados dos pesquisadores foram utilizados. Ele pediu uma investigação independente sobre a origem do trabalho da empresa.

Comunidade matemática reage

Diego Córdoba afirmou ter ficado surpreso com a rapidez com que o resultado apareceu. Outros matemáticos também demonstraram preocupação com a maneira como a descoberta foi divulgada.

Terence Tao, professor de matemática da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), afirmou que o episódio mostra como até mesmo o rumor de que alguém está trabalhando em um grande problema pode desencadear um esforço massivo de IA para resolver a questão antes que a pesquisa original esteja concluída.

Segundo Tao, os incentivos podem fazer pesquisadores deixarem de compartilhar ideias promissoras com a comunidade científica, prejudicando uma tradição de séculos de ciência aberta.

A prova da OpenAI ainda aguarda revisão formal por pares. O Clay Mathematics Institute também não confirmou nem rejeitou oficialmente a solução apresentada pela empresa.

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Agentes de IA da OpenAI usaram mais de dez sites para se comunicar sem autorização

Agentes de inteligência artificial (IA) desenvolvidos pela OpenAI usaram pelo menos dez sites adicionais para estabelecer comunicações não autorizadas no início deste ano, segundo seis grupos de pesquisadores independentes ouvidos pela Reuters. A descoberta indica que o comportamento dos agentes foi mais amplo do que havia sido divulgado anteriormente.

Os pesquisadores identificaram mensagens deixadas pelos agentes em sites que incluem wikis pouco conhecidos, páginas pessoais e serviços de encurtamento de links administrados por universidades.

A atividade não é considerada um ataque hacker e, em alguns aspectos, se aproxima mais de spam. Ainda assim, o fato de os agentes terem encontrado maneiras de contornar as próprias restrições impostas pela OpenAI para abrir canais de comunicação levantou novas preocupações sobre as capacidades dos modelos e sobre a transparência da empresa.

Andrew Yoon, pesquisador da organização sem fins lucrativos CivAI, afirmou que contabilizou 18 sites que teriam sido usados pelos agentes entre maio e julho. Segundo ele, é quase certo que existam outros casos que ainda não foram identificados.

Sydney Von Arx, cujo grupo revelou na semana passada que agentes da OpenAI haviam transformado uma wiki em alemão em uma espécie de plataforma de mensagens, afirmou que sua equipe identificou atividades semelhantes em 23 sites que ainda não haviam sido divulgados.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que suas estimativas são incompletas.

Agentes encontraram brechas para se comunicar

  • Os agentes foram autorizados pela OpenAI a navegar pela internet em busca de informações para responder a perguntas de pesquisa, mas não deveriam publicar conteúdo. Mesmo assim, pesquisadores descobriram que eles aproveitaram características de sites antigos para deixar mensagens uns para os outros;
  • Em muitos casos, os investigadores identificaram a atividade comparando textos deixados na wiki alemã com mensagens idênticas encontradas em outros sites. Nomes de usuários semelhantes e atividades relacionadas às mesmas perguntas específicas também ajudaram a estabelecer conexões;
  • Alguns pesquisadores conseguiram rastrear a atividade até endereços de protocolo de internet associados à infraestrutura Azure, da Microsoft, que é usada pela OpenAI;
  • Entre os sites encontrados estão uma wiki sobre química para estudantes de Advanced Placement criada por um professor de ensino médio de Massachusetts em 2008, dois sites pessoais de profissionais de tecnologia da Polônia, wikis dedicadas a jogos e um site criado há cerca de duas décadas para entusiastas de softwares de edição de texto.

Kenneth Russell DeGraff, desenvolvedor de software e ex-assessor do Congresso dos Estados Unidos, afirmou ter encontrado informações relacionadas aos agentes em pelo menos dez sites. “Se esses modelos foram instruídos a apenas ler, eles precisam ser criativos para deixar informações para trás”, disse.

Agentes foram autorizados pela OpenAI a navegar pela internet em busca de informações para responder a perguntas de pesquisa, mas não deveriam publicar conteúdo – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT

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OpenAI é pressionada por falta de transparência

A OpenAI não explicou publicamente por que seus agentes usaram sites de terceiros como quadros de mensagens improvisados. A empresa também não respondeu diretamente às perguntas da Reuters sobre quantos sites foram utilizados ou por que manteve a atividade em segredo durante meses.

Em comunicado, a OpenAI afirmou que está realizando uma análise mais ampla das atividades de seus agentes. Segundo a empresa, até agora não foram identificadas outras atividades com gravidade ou escala semelhantes ao ataque contra o Hugging Face.

A companhia também disse que pretende publicar em breve uma estrutura para comunicar casos de “desalinhamento” — termo usado no setor para descrever comportamentos de sistemas de IA que fogem do esperado.

A revelação ocorre depois de pesquisadores descobrirem que uma série de agentes da OpenAI havia tomado uma wiki em alemão e a transformado em uma plataforma improvisada de comunicação. O episódio não havia sido divulgado pela empresa até ser revelado pela Reuters.

Sites afetados só descobriram os casos depois

Alguns operadores dos sites utilizados pelos agentes disseram à Reuters que não haviam sido procurados pela OpenAI.

A Universidade de Toronto (Canadá), cujo serviço de encurtamento de links teria sido usado pelos agentes, afirmou que a OpenAI entrou em contato com a instituição depois que a Reuters apresentou suas descobertas. A Universidade Vanderbilt (EUA), que administra outro serviço semelhante supostamente utilizado pelos agentes, não respondeu aos pedidos de comentário.

Helmut Leitner, desenvolvedor aposentado responsável pela hospedagem e pelo software de seis dos sites afetados, incluindo a wiki alemã que revelou o caso, também disse inicialmente que não havia recebido contato da OpenAI.

Horas depois de a Reuters apresentar suas descobertas à empresa, porém, Leitner afirmou ter recebido um e-mail sem assinatura da OpenAI alertando sobre o incidente. Segundo ele, o conteúdo da mensagem ficou muito aquém do que esperava da empresa.

Leitner afirmou ainda que o operador da wiki alemã precisou passar horas limpando o site depois da atividade dos agentes. Para ele, porém, a responsabilidade não deve ser atribuída à IA, mas às pessoas e organizações que estão por trás desses sistemas.

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Anthropic revela mais um incidente de segurança envolvendo o Claude

A Anthropic identificou um quarto incidente de cibersegurança envolvendo uma versão inicial de seu modelo de inteligência artificial (IA) Claude. O caso ocorreu em janeiro e envolveu uma versão preliminar do Claude Opus 4.6, segundo a empresa.

O episódio foi descoberto durante uma segunda análise de 141.006 sessões de testes. A revisão encontrou sessões que não haviam sido examinadas anteriormente e levou a Anthropic a identificar o novo incidente.

A empresa informou que notificou as partes afetadas, mas não revelou detalhes específicos sobre os sistemas envolvidos ou sobre o que o modelo fez durante o episódio.

Anthropic amplia investigação sobre os incidentes

  • O novo caso se soma a três incidentes divulgados pela Anthropic em julho. Na ocasião, a empresa informou que modelos Claude haviam conseguido acessar os sistemas de três organizações durante testes de cibersegurança;
  • Os episódios aconteceram depois que uma falha na configuração dos testes permitiu que os modelos tivessem acesso à internet aberta, embora os ambientes de avaliação devessem estar isolados. Os modelos envolvidos incluíam o Claude Opus 4.7, o Claude Mythos 5 e um modelo interno de pesquisa;
  • Em um dos casos, o Claude Opus 4.7 chegou a acessar a infraestrutura de produção de uma organização durante quatro execuções de um teste de captura de bandeira, obtendo informações de produção e credenciais de usuários;
  • Depois das descobertas, a Anthropic interrompeu as avaliações de cibersegurança de alto risco e adotou medidas adicionais para impedir que situações semelhantes se repitam. Entre elas estão controles mais rígidos nos ambientes de teste e alertas para comportamentos não autorizados dos modelos;
  • Agora, a Anthropic contratou a empresa independente de pesquisa METR para realizar uma investigação abrangente. O trabalho terá acesso aos registros das sessões e à colaboração de funcionários da empresa, inicialmente durante oito semanas.
Novo caso se soma a três incidentes divulgados pela Anthropic em julho – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

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Crescem os alertas sobre agentes de IA

Os episódios alimentam as preocupações em torno dos chamados “AI breakout events”, situações em que sistemas de IA conseguem escapar das limitações estabelecidas durante testes e passam a agir de maneira independente na internet.

O caso da Anthropic ocorre em momento de crescente atenção aos riscos associados a agentes de IA. Em outro episódio recente, agentes da OpenAI acessaram e modificaram um site colaborativo em alemão depois de ultrapassarem as restrições estabelecidas para seu funcionamento.

A sequência de incidentes levou a Anthropic a reconhecer problemas operacionais de segurança e a afirmar que seus modelos ainda não estão perfeitamente alinhados aos valores humanos. A empresa também passou a defender controles mais rigorosos para ambientes de teste e maior supervisão sobre sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma.

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Nova Siri AI do iOS 27 lê e-mails e entende tudo o que está na tela

A Apple finalmente começou a liberar o iOS 27. O grande chamariz do sistema é a nova Siri, reconstruída do zero para entender o que está na tela e conversar de forma bem mais natural.

A novidade apareceu durante o evento “Surprise and Shine” e expande as ferramentas do ecossistema Apple Intelligence nos celulares. Os testes iniciais já estão rodando na versão beta.

Contexto do usuário em primeiro lugar

Esqueça as respostas genéricas tiradas da web. A Siri AI agora lê e-mails, checa compromissos no calendário e vasculha anotações para resolver tarefas do dia a dia.

A própria Apple resume o objetivo da ferramenta como “uma IA verdadeiramente útil, centrada em você e nas suas necessidades”.

App próprio e lente inteligente

As mudanças práticas aparecem no uso diário da câmera e na criação de conteúdo:

  • Um app só para ela: Interface em formato de chat para quem prefere digitar em vez de falar com a assistente.
  • Siri Camera: Aponte o celular para algo e pergunte o que é. A IA lê a cena pela lente em tempo real.
  • Geração e ajuste de imagens: O recurso Image Playground cria figuras do zero, enquanto o sistema expande ou reenquadra fotos antigas.
  • Ajuste de textos e atalhos: Ajuda a redigir e-mails, revisar notas e criar automações complexas com simples comandos de voz.

Parceria de peso com o Gemini

Para bater de frente com o ChatGPT, a Apple reforçou o processamento de linguagem e as buscas na web integrando os modelos do Google Gemini ao motor do sistema.

A distribuição começou de forma limitada. Quem está testando a versão beta pode encontrar travas temporárias de uso até que os servidores deem conta da demanda global.

A Siri AI já pode ser testada em inglês no iOS 27 beta e no macOS 27. O lançamento da versão final acontece neste segundo semestre, com suporte a mais idiomas liberado aos poucos.

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Comida criada por algoritmo: a IA já está na indústria de alimentos

Desenvolver um novo produto alimentício costuma exigir longos meses de testes. Atualmente, sistemas de inteligência artificial (IA) podem otimizar essa etapa ao cruzarem milhares de substâncias em segundos. Esses algoritmos auxiliam pesquisadores na descoberta de sabores inéditos, texturas aprimoradas e perfis nutricionais balanceados, encurtando drasticamente o ciclo de inovação da indústria.

Não é que o computador “invente” uma receita do nada. Os sistemas são alimentados com informações sobre ingredientes, composição química, propriedades nutricionais, sabor e textura. A partir desses dados, conseguem identificar relações e sugerir combinações que atendam a determinados objetivos. Um estudo publicado ano passado na revista npj Science of Food aponta que a IA pode ajudar a desenvolver alimentos simultaneamente nutritivos, saborosos e sustentáveis.

A inteligência artificial pode reduzir meses de testes na indústria de alimentos ao analisar milhares de combinações e criar novas formulações. – Crédito: Imagem gerada por IA

A tecnologia, no entanto, não é capaz de “sentir” o gosto das receitas que projeta. Conforme explica Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), os sistemas produzem estimativas com base em padrões identificados em grandes conjuntos de dados – como composição química, propriedades físico-químicas e avaliações sensoriais.

“A partir desses dados, os modelos calculam a probabilidade de determinada formulação apresentar características associadas à aceitação, como dulçor, amargor, umami, aroma, cremosidade, crocância ou suculência”, disse a presidente do CFN em entrevista ao Olhar Digital. “No entanto, essas previsões representam tendências estatísticas e não reproduzem integralmente a experiência humana de comer.” Manuela ressalta que o paladar é influenciado por fatores como genética, idade, hábitos e contexto cultural, tornando indispensável a realização de análises sensoriais com pessoas.

Inteligência artificial tenta igualar o sabor do Big Mac

Um dos exemplos mais conhecidos está na NotCo, empresa chilena que desenvolveu o Giuseppe, um sistema de inteligência artificial voltado à criação de alimentos à base de plantas. A plataforma analisa ingredientes em nível molecular e procura combinações capazes de reproduzir características de produtos de origem animal. Segundo a empresa, o sistema trabalha com um universo de mais de 300 mil plantas e também considera fatores como sabor, textura, nutrição e funcionalidade.

O objetivo pode ir além de produzir uma versão vegetal de um alimento conhecido. Um algoritmo também pode receber metas nutricionais e procurar uma formulação que se aproxime delas. Isso abre espaço para produtos com mais proteínas ou fibras e menores quantidades de açúcar, sódio ou gordura saturada.

Da composição nutricional ao sabor, a IA começa a explorar possibilidades que seriam difíceis de testar manualmente. Em uma pesquisa publicada em junho, pesquisadores recorreram à IA generativa para criar hambúrgueres com diferentes prioridades, incluindo sabor, sustentabilidade e nutrição. O sistema também conseguiu redescobrir estatisticamente características do Big Mac sem receber sua receita, aprendendo padrões a partir de formulações feitas por humanos. 

Depois, a equipe levou as receitas para uma situação real de consumo. Um grupo de 101 participantes participou de uma degustação às cegas em um restaurante e avaliou os hambúrgueres em uma escala de sete pontos. Duas versões desenvolvidas para priorizar sabor tiveram avaliações iguais ou superiores às do Big Mac em alguns critérios. Uma delas recebeu nota média de 5,8 para sabor, contra 5,4 do produto de comparação.

A IA é capaz e reproduzir o sabor do Big Mac?
A IA é capaz de reproduzir o sabor do Big Mac? – Crédito: Imagem gerada por IA

Quando o objetivo mudou para nutrição, porém, apareceu uma dificuldade importante. O hambúrguer desenvolvido para ser mais nutritivo apresentou melhor alinhamento com componentes de uma alimentação saudável, incluindo mais vegetais, grãos integrais e proteína vegetal, além de menos grãos refinados, sódio e gordura saturada. Mas o resultado agradou menos aos participantes: a nota média de aceitação foi 3,8, contra 5,3 para o Big Mac.

Esse resultado revela um dos principais desafios da tecnologia. Melhorar um alimento do ponto de vista nutricional não significa necessariamente torná-lo mais atraente para quem vai comê-lo. Sabor, textura, aroma, preço e aparência também influenciam a escolha. No estudo, justamente a versão criada para priorizar a qualidade nutricional perdeu pontos nesses aspectos. A IA, portanto, pode encontrar uma solução nutricionalmente interessante, mas ainda precisa lidar com aquilo que torna uma comida desejável.

Alertas do Conselho Federal de Nutrição

Manuela alerta que não se deve transformar o resultado de um estudo isolado em regra geral, mas reconhece que diferentes objetivos de formulação podem competir entre si. Alterar parâmetros para deixar o alimento mais saudável pode modificar fatores como umidade e sensação na boca. Além disso, muitos consumidores estão habituados a produtos com elevada densidade energética e sabores intensos, o que faz com que uma receita nutricionalmente favorável se afaste desse padrão de familiaridade.

Outro resultado chamou atenção pela combinação de saúde e sustentabilidade. O hambúrguer criado com foco ambiental, baseado em cogumelos, apresentou um índice de impacto ambiental mais de dez vezes menor que o Big Mac no modelo utilizado pelos pesquisadores. Já a versão baseada em feijão alcançou quase o dobro da pontuação nutricional do hambúrguer de referência. São resultados experimentais, e não uma prova de que esses produtos sejam automaticamente mais saudáveis ou sustentáveis em qualquer situação.

A substituição de ingredientes de origem animal por opções vegetais projetadas por algoritmos também exige cautela. “O benefício depende dos ingredientes utilizados, do grau e da finalidade do processamento, da composição nutricional final, da frequência de consumo, do contexto da alimentação e, principalmente, do alimento que está sendo substituído”, afirma Manuela.

Ela explica que esses substitutos podem conter teores elevados de sódio, gorduras ou aditivos, reforçando a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que alimentos industrializados vegetais não devem ser considerados saudáveis apenas por serem plant-based. “O que não se deve permitir é que o apelo tecnológico ou vegetal funcione como comprovação de saúde”.

Tabela compara o Big Mac com hambúrgueres criados por IA, destacando sabor, nutrição, aceitação e impacto ambiental.
Tabela compara o Big Mac com hambúrgueres criados por IA, destacando sabor, nutrição, aceitação e impacto ambiental. – Crédito: Imagem gerada por IA

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Seres humanos continuam sendo indispensáveis na validação das receitas 

A indústria também já está colocando essa tecnologia em aplicações comerciais. Em setembro de 2025, a Magnum, divisão de sorvetes da Unilever, anunciou uma colaboração com a NotCo para usar inteligência artificial na reformulação e no desenvolvimento de produtos. Entre os objetivos estavam reduzir calorias, criar novas opções à base de plantas e encontrar alternativas para ingredientes. O movimento mostra que a IA começa a ser usada também para modificar produtos que já existem.

Essa busca por rótulos aparentemente mais leves levanta discussões sobre a real qualidade nutricional dessas novas opções. Retirar ingredientes críticos como sódio ou gordura saturada é uma melhoria relevante, mas não é um certificado absoluto de saúde. A presidente do conselho observa que até mesmo produtos com alegações como “reduzido em sódio” ou sem as lupas de alerta da Anvisa precisam ser analisados em sua totalidade, verificando se a redução de um componente não foi compensada pela adição excessiva de outro.

Diante disso, surge a dúvida se a tecnologia ajudará a entregar alimentos nutritivos ou se servirá para criar ultraprocessados “maquiados”. A nutricionista explica que a IA é uma ferramenta cujos resultados dependem das diretrizes fornecidas aos algoritmos. “Se o algoritmo for orientado apenas para maximizar sabor, custo, durabilidade e conveniência, poderá contribuir para produtos ultraprocessados muito atrativos, mesmo que tragam alegações nutricionais pontuais”, pontua. “Por outro lado, a mesma tecnologia pode ser empregada para reduzir compostos críticos, melhorar a densidade nutricional, substituir determinados aditivos, incorporar ingredientes in natura ou minimamente processados e elevar a presença de fibras.”

A IA pode transformar a criação de alimentos, mas melhorar o rótulo não basta: saúde exige equilíbrio, testes e validação humana.
A IA pode transformar a criação de alimentos, mas melhorar o rótulo não basta: saúde exige equilíbrio, testes e validação humana. – Crédito: Imagem gerada por IA

Tudo isso deixa claro que os algoritmos não estão prontos para substituir nutricionistas, chefs ou cientistas de alimentos. Uma receita sugerida por computador ainda precisa ser produzida, testada e avaliada por pessoas. No estudo dos hambúrgueres, por exemplo, as instruções geradas pela IA indicavam ingredientes e quantidades, mas chefs foram necessários para transformar essas informações em receitas que pudessem ser efetivamente preparadas e degustadas.

A tendência, portanto, não é colocar uma IA no lugar de quem desenvolve alimentos, mas transformar a maneira como esse trabalho é feito. Em vez de testar algumas dezenas de possibilidades, pesquisadores podem usar algoritmos para explorar um espaço muito maior de combinações e selecionar as mais promissoras. A decisão final continua dependendo de testes, conhecimento científico e avaliação humana.

Para a nutrição, essa mudança pode ser especialmente relevante. A mesma tecnologia usada para encontrar um substituto para determinado ingrediente pode, em princípio, considerar simultaneamente proteínas, fibras, micronutrientes, calorias, sódio e gorduras. Pesquisas recentes já apontam a IA como uma ferramenta para conectar dados de composição dos alimentos, ciência nutricional e respostas do organismo.

Ainda assim, existe uma diferença importante entre criar um alimento com determinado perfil nutricional e provar que ele melhora a saúde. Uma formulação pode ter menos sódio ou mais fibras no rótulo, mas isso não basta para determinar seus efeitos no organismo. Estudos clínicos e avaliações de longo prazo continuam necessários. A IA pode acelerar a descoberta de candidatos, mas não elimina a necessidade de comprovar se aquilo que foi criado realmente funciona.

“A inteligência artificial não deve substituir o julgamento profissional. Ela deve estar a serviço de uma inovação responsável, orientada não apenas à eficiência industrial, mas à promoção da alimentação adequada e saudável, à segurança alimentar e nutricional e à proteção da saúde da população”, conclui Manuela.

O mais curioso nessa transformação é que a inteligência artificial começa a atuar justamente em uma área que parece essencialmente humana: decidir o que é gostoso. Ao analisar milhares de receitas e relações entre ingredientes, os algoritmos conseguem encontrar padrões que seriam difíceis de perceber manualmente. A próxima etapa pode ser combinar essa capacidade com metas nutricionais cada vez mais específicas, aproximando a indústria de alimentos de uma espécie de engenharia personalizada da comida.

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ChatGPT na escola: quando a IA ajuda – e quando prejudica o aprendizado

Pela primeira vez, o Pisa avaliou o impacto da inteligência artificial (IA) nos estudos. A sigla significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. É um trabalho feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), órgão que mede o desenvolvimento econômico no mundo.

Para Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP e especialista em IA pela Universidade de Stanford, deu para notar uma tendência nos resultados do Pisa 2025, divulgados na terça-feira (08).

“Os alunos que nunca ou quase nunca usam IA costumam ir melhor do que aqueles que usam pouco. E os alunos que usam muito tendem a ir melhor do que os que usam de forma esporádica”, disse o especialista no programa Olhar Digital News.

Em suma: quem nunca usa vai melhor, quem usa muito vai melhor e quem usa ali no meio vai um pouco pior.

Como a IA pode estar impactando o aprendizado de alunos

Para entender a análise do especialista, é preciso, primeiro, destrinchar os resultados da pesquisa.

Para começar, o Pisa é um trabalho aplicado a cada três anos para medir o conhecimento dos estudantes em leitura, matemática e ciência.

O que a edição divulgada neste ano apontou foi: ao menos uma vez por semana, quase metade dos alunos brasileiros (48%) de 15 anos usa chatbots de IA, como o ChatGPT, para estudar.

Comparação entre Brasil e a média da OCDE quando o assunto é uso de IA por estudantes – Gráfico gerado com IA. ChatGPT/Olhar Digital

Ainda segundo o levantamento, alunos que usam IA com frequência para resumir leituras, fazer pesquisas preliminares ou redigir redações obtêm, em média, 20 pontos a menos em ciências do que os que não usam a tecnologia. 

Pela métrica da OCDE, essa diferença equivale a perder um ano inteiro de escolaridade em relação aos seus colegas. Mas, segundo Pena, existem outros tipos de uso frequente que podem ser bons para o aprendizado.

Usar IA no aprendizado é bom ou ruim?

Vamos separar a análise do especialista sobre os resultados do Pisa 2025 em partes. A primeira: os alunos que dizem nunca usar IA. Esses não usam atalhos. “Eles vão ter que utilizar o seu próprio senso crítico, sua própria memorização, vão ter que pôr o seu cérebro realmente para exercitar, e acabam tendo um bom desempenho por justamente não estarem delegando nada para a IA”, disse Spinelli. “O aluno que nunca usa tem que fazer o trabalho escolar, vai ter que se debruçar e fazer a pesquisa por conta própria.”

Estudante com chatgpt ligado no celular
Usar muito a IA nos estudos pode ser bom – depende de como o aluno usa a tecnologia – Imagem: BongkarnGraphic/Shutterstock

A segunda parte: os alunos que dizem usar muito a IA. Para o especialista, esses podem estar usando a tecnologia como uma espécie de tutor. “Aquele tutor personalizado que vai tirar muitas dúvidas que muitas vezes o aluno precisaria esperar o professor estar ali na sua frente – e às vezes o aluno tem vergonha de perguntar”, disse Pena.

“A IA vai poder ensinar de outras maneiras, talvez melhores do que o jeito que a escola ensina”, acrescentou o especialista. “Então, o aluno passa a ter esse tutor personalizado. Isso poderia justificar a melhora no desempenho.”

A terceira parte: os alunos que dizem usar a IA de maneira esporádica. Para Pena, esses podem estar fazendo “o pior uso” da tecnologia. “Talvez o aluno fale ‘faça o trabalho escolar para mim, escreva para mim”. E às vezes nem revisa”, disse o especialista.

Para Spinelli, este pode ser o tipo de aluno que “delega para a IA o seu pensamento, não aprende nada de verdade e aí chega na prova e vai pior”.

Aqueles que nunca usam ainda mantêm a necessidade de exercitar o cérebro ao máximo, sem delegar nada para a IA, pensando por conta própria. Já aquele que usa muito pode estar aproveitando o benefício de ter um tutor personalizado, um jeito novo de aprender e uma tecnologia mais rápida para fazer conexões.

Roberto “Pena” Spinelli, especialista em IA por Stanford, no Olhar Digital News.

Alunos brasileiros usam IA em pesquisas preliminares

O uso de IA por estudantes brasileiros ficou significativamente acima em duas “categorias” importantes: ajudar a aprender e fazer pesquisa preliminar sobre um novo tema. O segundo teve a maior margem de diferença (para cima). A média do Brasil foi 40%. A da OCDE, 31%.

Pessoa fazendo pesquisa no ChatGPT
Fazer pesquisa preliminar numa IA pode ser bom para aprendizado – Imagem: Nwz/Shutterstock

Fazer pesquisa preliminar significa “dar um Google” num chatbot, ao invés de num buscador. Assim, o ponto de partida (ou a pesquisa toda, dependendo da situação) é a resposta da IA, não uma lista de links para o aluno acessar.

Isso é bom ou ruim? Para Pena, é bom. “O que acho ruim é quando a IA já está redigindo o trabalho final”, disse o especialista.

‘Estamos passando por um momento de transição’, diz especialista

Para Spinelli, a conclusão que podemos tirar dos resultados do Pisa 2025 é: estamos passando por um momento de transição. Segundo o especialista, é “um momento de descoberta no qual as pessoas estão entendendo como usar IA”.

“Metade dos alunos está usando, metade não está usando, sendo que temos resultados benéficos em ambos os caminhos”, acrescenta Pena. “Por outro lado, ainda temos desafios muito grandes quanto a esse uso prejudicial, em que se delega demais para a IA e não se aprende nada.”

“O brasileiro é um early adopter por natureza. O que o estudo mostra são os desafios inerentes da tecnologia. Ainda temos muito o que aprender e muito a comparar nos próximos anos”, finaliza o especialista.

Assista abaixo a análise completa de Roberto “Pena” Spinelli sobre os resultados do Pisa 2025 no Olhar Digital News:

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Documentário sobre Elon Musk usa IA para criar avatar do bilionário

Um novo documentário sobre Elon Musk virou assunto no Festival de Veneza ao usar inteligência artificial para simular uma entrevista com o próprio bilionário. A equipe do filme recriou a imagem e a voz do empresário para reproduzir declarações dadas por ele em outras ocasiões.

O diretor Alex Gibney, vencedor do Oscar, explicou que a equipe consultou advogados antes de usar o avatar digital e recebeu autorização para isso. A ideia é provocar uma reflexão sobre a visão de Musk a respeito da tecnologia e sobre suas posições em relação aos algoritmos.

As falas do avatar não são novas: foram montadas a partir de declarações reais de Musk. – Crédito: SpaceX

Entrevista sintética e provocação conceitual

A opção pela figura criada por computador foi proposital. Segundo Alex Gibney, a estratégia ironiza a tese defendida pelo empresário de que a humanidade vive em uma simulação, criando um contraste entre as falas reais do bilionário e sua versão virtual.

O cineasta afirmou que o objetivo é transmitir a “realidade do que ele fez e a irrealidade de sua narrativa”.

Advogados foram consultados antes de avançar com a ideia e receberam autorização para utilizar o avatar de Musk. A produção usa declarações que o empresário realmente deu em outras entrevistas, em vez de criar novas falas para a versão digital.

Revelações pessoais e críticas ao X

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora que tem um filho com Musk, aparece no documentário e fala sobre o relacionamento entre os dois, a personalidade do empresário e um acordo de confidencialidade que lhe foi apresentado em relação ao pagamento de pensão.

Foi-me oferecida a oportunidade de não falar por US$ 40 milhões.

Ashley St. Clair, ex-influenciadora conservadora, em trecho do documentário.

A produção também reúne outros depoimentos e aborda diferentes momentos da trajetória de Musk:

  • Mudança no algoritmo: Gibney e a jornalista Zoë Schiffer criticam alterações no algoritmo do X, antigo Twitter.
  • Informações de cidadãos: O filme levanta preocupações sobre as informações coletadas sobre cidadãos americanos por integrantes do DOGE, que tiveram amplo acesso a agências do governo dos EUA.
  • Trajetória pessoal: Participam do documentário Errol Musk, pai do empresário; Justine Musk, primeira mulher de Musk; e Martin Eberhard, cofundador da Tesla.
Silhueta de Elon Musk contrastando com o logo do Twitter ao fundo
O longa-metragem examina os impactos das mudanças promovidas por Musk no algoritmo da rede social X. Imagem: kovop/Shutterstock

Críticas ao controle da rede

A obra aborda a aquisição do X por Musk e o que Gibney descreve como uma manipulação do algoritmo da plataforma.

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“Uma coisa que eu não entendia corretamente quando comecei o filme era como Musk ajustou os algoritmos do Twitter para, na verdade, priorizar a hostilidade e o ódio em vez daquilo que deveria ser uma praça pública.”

Zoë Schiffer, jornalista da Wired que também participa do documentário, afirmou que Musk ajustou o algoritmo “tanto para reduzir a presença do jornalismo tradicional quanto para ampliar alguns dos comentários e das vozes mais inflamatórias da plataforma”.

Com quase quatro horas de duração, o filme passa pela infância de Musk, seus primeiros anos no Vale do Silício, sua atuação no DOGE durante o segundo governo de Donald Trump e sua participação na política de direita internacional. “Musk” chega aos cinemas em outubro.

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AGU dá 72 horas para YouTube agir contra falsos médicos com IA

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para remover ou sinalizar vídeos que usam inteligência artificial para criar falsos médicos e outros profissionais de saúde. A cobrança do governo busca conter a divulgação de promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica na internet.

O pedido veio após o Ministério da Saúde identificar 97 perfis desse tipo entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano. Segundo a pasta, os conteúdos podem incentivar a automedicação, atrasar a procura por atendimento profissional e levar à interrupção ou substituição de tratamentos.

Conceito de tecnologia moderna da internet: gerador de fake news baseado em deep learning e deepfake.
Avatares com aparência humana se apresentam como médicos ou especialistas e usam qualificações profissionais fictícias. – Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock

Médicos virtuais tentam parecer reais

Os canais usam avatares com aparência humana que se apresentam como médicos ou especialistas. Com qualificações profissionais fictícias e linguagem alarmista, os personagens tentam transmitir autoridade e dar credibilidade às informações divulgadas.

Parte dos perfis tem como alvo especialmente a população idosa. A suposta autoridade desses personagens também é usada para vender produtos, e-books ou serviços pagos.

Os riscos para quem acredita

O Ministério da Saúde alerta que esse tipo de conteúdo pode levar ao uso de medicamentos e terapias sem eficácia comprovada. Também existe o risco de a pessoa adiar a busca por atendimento profissional ou abandonar um tratamento.

Entre os principais problemas apontados pela pasta estão:

  • Automedicação: uso de medicamentos sem orientação profissional;
  • Terapias sem eficácia comprovada: adoção de tratamentos que não demonstraram eficácia;
  • Atraso no atendimento: demora para procurar um profissional de saúde;
  • Interrupção de tratamentos: abandono ou substituição de terapias em andamento.

A aparência dos avatares e a forma como eles se apresentam podem dificultar a identificação de informações falsas. Para quem procura orientação sobre saúde na internet, uma figura que aparenta ser especialista pode transmitir uma autoridade que, na realidade, não existe.

Vários comprimidos dentro de uma fita métrica enrolada
O Ministério da Saúde alerta para o risco de automedicação e uso de terapias sem eficácia comprovada. – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

AGU dá 72 horas para o YouTube

A notificação foi enviada na sexta-feira (4). A AGU deu ao YouTube 72 horas para tornar indisponíveis os conteúdos identificados pelo Ministério da Saúde. Dependendo do caso, a plataforma poderá adotar mecanismos de rotulagem e contextualização para informar aos usuários que os personagens são artificiais.

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A plataforma também foi instada a analisar outros canais e vídeos apontados no relatório, de acordo com suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético. A AGU pediu ainda medidas para impedir a disseminação desse tipo de material.

A ação integra uma força-tarefa do governo federal que reúne Ministério da Saúde, AGU e Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Por meio do programa Saúde com Ciência, o ministério monitora redes sociais, checa informações e encaminha denúncias aos órgãos responsáveis.

A orientação da pasta é procurar informações sobre saúde em fontes oficiais e confiáveis e denunciar conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.

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IA ainda é “bicho de sete cabeças” para pequenos varejistas, diz CEO da Acelera Varejo

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A adoção de inteligência artificial ainda é um “bicho de sete cabeças” para pequenas e médias varejistas, segundo Laurent Tavares, CEO da Acelera Varejo. Para o executivo, os altos custos e a dificuldade de coordenar projetos fazem com que o uso da tecnologia ainda seja pontual no setor. “Os investimentos ainda são muito caros. Não […]

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O teste de fogo do novo CEO da Apple: reinventar o iPhone e superar o atraso em IA

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“Surpreenda e brilhe”. Esse é o tema no principal e já tradicional evento anual de lançamentos da Apple, marcado para amanhã, dia 9 de setembro. Mas não seria exagero dizer que essas três palavras resumem, em boa medida, as expectativas em torno de John Ternus, o novo CEO da empresa. Com 25 anos de casa […]

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