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IA: bilhões de SpaceX e OpenAI impulsionam apostas em empresas asiáticas

Investidores globais estão ampliando suas apostas em empresas asiáticas que podem se beneficiar da próxima fase de expansão da inteligência artificial (IA), impulsionada pelas esperadas captações bilionárias de companhias, como SpaceX, OpenAI e Anthropic.

A avaliação do mercado é que os recursos levantados por essas empresas deverão alimentar uma nova onda de investimentos em infraestrutura tecnológica, beneficiando fabricantes de componentes, materiais especializados, sistemas de resfriamento e equipamentos de energia em toda a cadeia de suprimentos da Ásia.

Boom da IA impulsiona mercado asiático

  • A tese vem ganhando força em momento em que os mercados buscam identificar os próximos vencedores do boom da IA;
  • Segundo analistas e gestores ouvidos pela Bloomberg, parte significativa dos recursos que deverão ser levantados pelas três empresas estadunidenses acabará chegando aos fornecedores asiáticos responsáveis por peças de servidores, componentes eletrônicos, materiais para semicondutores e soluções energéticas utilizadas em data centers;
  • O movimento ocorre após fabricantes de chips da região se tornarem alguns dos maiores beneficiários da expansão dos centros de dados;
  • Empresas, como a TSMC, a Samsung e a SK Hynix, alcançaram valorizações que as colocaram no grupo de companhias avaliadas em mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões).

Contudo, após fortes altas nos preços das ações, parte dos investidores passou a demonstrar preocupação com os níveis elevados de avaliação dessas empresas. Com isso, cresce a busca por uma nova geração de vencedores ligados à infraestrutura da IA.

“Os IPOs relacionados à IA podem alimentar ainda mais o boom de investimentos em capital em um momento em que as ações asiáticas de semicondutores parecem esticadas”, afirmou Ken Wong, especialista em ações asiáticas da Eastspring Investments Hong Kong.

Segundo ele, a gestora está reduzindo sua exposição ao setor de semicondutores dentro de sua estratégia tecnológica para a Ásia e direcionando maior atenção para fabricantes de componentes eletrônicos.

OpenAI está na mesma linha da SpaceX e visa IPO bilionário – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

Nova rodada de investimentos em IA

A disputa pela liderança em IA já levou gigantes da tecnologia, como a Meta e a Amazon, a realizar investimentos massivos em infraestrutura computacional.

Nesse contexto, as futuras ofertas públicas de ações de SpaceX, OpenAI e Anthropic são vistas como um fator que pode aliviar preocupações do mercado sobre a sustentabilidade do financiamento do setor, especialmente diante do aumento dos níveis de endividamento das empresas.

De acordo com Fabien Yip, analista de mercado da IG International, as listagens das três empresas poderão resultar em cerca de US$ 70 bilhões (R$ 352,6 bilhões) adicionais em gastos relacionados à IA, valor que se somaria aos mais de US$ 750 bilhões (R$ 3,8 trilhões) já comprometidos pelas principais empresas de computação em nuvem e infraestrutura digital.

Segundo Yip, os efeitos dessa expansão já podem ser observados nos resultados financeiros divulgados por fabricantes de chips. “O impacto sobre a Ásia é claramente visível”, afirmou. Para ela, à medida que a valorização ligada à IA amadurece, o movimento está se expandindo para além das empresas diretamente associadas ao desenvolvimento de chips.

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Fabricantes de componentes ganham destaque

Entre as operações mais lucrativas do mercado asiático neste ano estão fabricantes de componentes eletrônicos utilizados em servidores e fornecedores de materiais e processos empregados na produção de semicondutores.

A Samsung Electro-Mechanics e a Ibiden figuram entre os destaques do principal índice amplo de ações asiáticas da MSCI em 2026. Entre apostas consideradas menos óbvias, Yip destaca a fabricante japonesa de sanitários Toto, fornecedora de materiais cerâmicos utilizados em equipamentos para fabricação de semicondutores.

Os fabricantes asiáticos de chips vêm registrando lucros expressivos, impulsionados pela IA, beneficiados pelo forte poder de precificação decorrente da escassez de semicondutores. Agora, sinais de restrições de oferta começam a surgir em etapas posteriores da cadeia produtiva, tendência que pode se intensificar com a continuidade dos investimentos.

A maior conscientização dos investidores sobre esses novos gargalos, somada a fatores técnicos de mercado, tem contribuído para a ampliação do interesse por empresas além das grandes fabricantes de chips.

Servidores, conectividade e infraestrutura

Sam Konrad, gestor de portfólio da Jupiter Asset Management, vê oportunidades em empresas taiwanesas responsáveis pela montagem de servidores, como a Hon Hai e a Quanta, além da desenvolvedora de chips MediaTek.

O ciclo de investimentos em IA vai durar vários anos”, afirmou. “Os investidores provavelmente buscarão empresas que sejam beneficiárias diretas, mas que ainda negociem com múltiplos de avaliação baixos.”

Song Zhe, da BNP Paribas Asset Management, acredita que a próxima etapa da valorização deverá ser mais seletiva. “A próxima fase da alta deve ser específica para determinadas ações, e não uma valorização generalizada dos semicondutores”, afirmou.

Segundo ele, sua equipe está concentrada em empresas ligadas a encapsulamento avançado de chips, substratos, testes, conectividade óptica, energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de servidores em Taiwan e na China, segmentos nos quais as perspectivas de crescimento dos lucros ainda podem justificar as avaliações de mercado.

Além disso, alguns investidores estão direcionando recursos para aplicações de IA além dos chatbots, incluindo robótica e veículos autônomos. Esse segmento emergente, conhecido como “IA física”, recebeu impulso dos esforços da Nvidia para expandir seus negócios nessa área, beneficiando empresas parceiras, como a LG.

Energia surge como novo gargalo

Outro setor que vem atraindo atenção crescente é o de energia, considerado fundamental para sustentar a proliferação de data centers. Fontes nucleares e alternativas de geração ganharam destaque, especialmente em um cenário de alta dos preços do petróleo, provocada pela guerra envolvendo o Irã.

Na Coreia do Sul, empresas, como a HD Hyundai Energy e a Daewoo Engineering & Construction, estão entre os principais destaques do mercado acionário local neste ano.

Na Índia, os investimentos do Adani Group em data centers abastecidos por energia renovável impulsionam o desempenho de suas subsidiárias do setor energético, representando uma das poucas apostas ligadas à inteligência artificial no país.

Jian Shi Cortesi, gestora da GAM Investment Management, considera o fornecimento de energia “o gargalo menos explorado” pelos investidores, mas alerta que a próxima fase da euforia em torno da IA pode envolver riscos maiores.

Segundo ela, caso a demanda por IA não justifique o volume de investimentos realizados, as empresas poderão reduzir seus gastos de capital, deixando o mercado diante de excesso de infraestrutura e de fortes quedas nas avaliações.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal
Anthropic também está no bolo – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock

Fornecedores asiáticos devem ser beneficiados

Brian Ooi, gestor da Swiss-Asia Financial Services, avalia que as futuras captações de recursos de SpaceX, OpenAI e Anthropic representam um sinal positivo para a manutenção de investimentos em ações relacionadas à IA.

Ele também destaca oportunidades ligadas ao setor energético, especialmente em fabricantes de transformadores, células de combustível, cabos, turbinas a gás e outros equipamentos. Segundo Ooi, as três empresas terão mais recursos para sustentar seus planos de expansão.

“As três grandes ofertas relacionadas à IA fornecerão mais liquidez para que elas continuem investindo em gastos de capital, e elas já possuem planos significativos de investimentos”, afirmou. “Os fornecedores asiáticos serão beneficiados.”

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Aprender idiomas ainda faz sentido na era da IA?

Ferramentas de inteligência artificial já conseguem traduzir conversas em tempo real, dublar vídeos automaticamente e converter textos em dezenas de idiomas quase instantaneamente. Empresas como OpenAI, Google e Meta aceleraram uma transformação que parece tornar o aprendizado de línguas menos necessário. Afinal, se a IA traduz tudo, por que dedicar anos ao estudo de outro idioma?

A resposta envolve muito mais do que comunicação prática. Pesquisadores argumentam que aprender idiomas continua exercendo um papel importante no funcionamento cognitivo, na memória e até na forma como interpretamos culturas diferentes. Embora a IA facilite tarefas do dia a dia, ela não substitui completamente o processo mental e social envolvido na aprendizagem linguística, segundo informações do portal Phys.org.

Para quem tem pressa:

  • O multilinguismo não melhora todas as funções cognitivas igualmente;
  • Benefícios apareceram principalmente na memória visuoespacial;
  • Os efeitos foram mais evidentes em idosos;
  • O uso frequente de diferentes idiomas parece gerar ganhos acumulativos;
  • Tradutores automáticos não reproduzem esse mesmo estímulo cognitivo.

O esforço cognitivo continua sendo importante

Especialistas em psicologia cognitiva usam o termo “dificuldades desejáveis” para descrever atividades mentalmente exigentes que fortalecem o aprendizado no longo prazo. Aprender um idioma se encaixa exatamente nesse conceito. Construir frases, lembrar palavras e interpretar significados ativa redes neurais ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva.

Aprender uma nova língua ativa áreas ligadas à memória, atenção e flexibilidade cognitiva, funcionando como exercício mental contínuo. Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital) – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Pesquisadores destacam que o uso contínuo de múltiplos idiomas pode ajudar na chamada “resiliência cognitiva”, capacidade do cérebro de manter funções mentais durante o envelhecimento. O cérebro precisa alternar contextos, resolver conflitos linguísticos e adaptar respostas constantemente, criando um tipo de exercício mental difícil de reproduzir apenas com tradutores automáticos.

Um estudo recente com 94 adultos entre 18 e 83 anos analisou tarefas ligadas à memória de trabalho, atenção e inibição cognitiva. Os resultados mostraram que pessoas com experiências multilíngues mais ricas apresentaram desempenho superior em memória visuoespacial, especialmente entre participantes mais velhos.

IA traduz palavras, mas não experiências culturais

Os sistemas atuais de tradução funcionam principalmente por reconhecimento de padrões. Eles conseguem entregar respostas rápidas e eficientes, mas ainda enfrentam dificuldades com humor, contexto cultural, emoção e nuances sociais da linguagem.

IA começa a desenvolver “linguagem secreta” para conversar entre si
Especialistas destacam que tradutores automáticos convertem palavras, mas não reproduzem nuances culturais, emocionais e sociais da linguagem. (ChatGPT / Olhar Digital)

Os pesquisadores ressaltam que traduzir não é o mesmo que participar de uma cultura. Aprender um idioma envolve compreender referências históricas, formas de pensar e maneiras específicas de expressar emoções. Esse processo cria uma relação mais profunda com outras sociedades e também com a própria identidade do falante.

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Participantes multilíngues do estudo descreveram experiências pessoais que ilustram isso. Alguns afirmaram pensar em um idioma, contar números em outro e usar uma terceira língua para expressar emoções intensas. Para os pesquisadores, essas mudanças mostram que diferentes idiomas podem representar diferentes formas de percepção e expressão.

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A IA que a Anthropic tem medo de lançar: o que você precisa entender sobre o Mythos

A Anthropic desenvolveu um modelo de inteligência artificial (IA) capaz de revolucionar a cibersegurança. Mas, ao anunciá-lo, tomou uma decisão incomum: trancou o modelo a sete chaves. E distribuiu as chaves para algumas empresas. Por quê? Segundo a empresa, o modelo seria “perigoso demais” para cair nas mãos do público geral. “As consequências – para as economias, a segurança pública e a segurança nacional – podem ser graves”, declarou a empresa.

O Claude Mythos Preview (nome completo da criança) é o modelo de IA mais avançado já desenvolvido pela startup de Dario Amodei até o momento. Ele foi anunciado junto ao Projeto Glasswing, iniciativa liderada pela Anthropic em parceria com big techs como Apple, Google, Microsoft e Nvidia. Em suma, é um consórcio criado para testar o modelo em sigilo.

Até que ponto esse anúncio misterioso se sustenta? E até que ponto é mais uma jogada de marketing da Anthropic? O Olhar Digital mergulhou no tema e conversou com especialistas para te explicar o que importa.

O que o Mythos faz de verdade?

O modelo de IA opera como se fosse um engenheiro de software experiente. Para você ter ideia, ele consegue identificar bugs sutis e corrigir os próprios erros.

“O Mythos Preview encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas nos principais sistemas operacionais e navegadores”, informou a Anthropic. Até o momento, a startup divulgou uma fração do que afirma ter sido encontrado pelo modelo.

“Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito grande em comparação ao seu antecessor”, disse Carraro à reportagem – Imagem: Nwz/Shutterstock

Fabrício Carraro, Program Manager na Alura e colunista do Olhar Digital, explorou o System Card publicado pela empresa. É um documento de 245 páginas no qual a Anthropic detalha seus testes e benchmarks.

“Nos benchmarks de programação, ele [o Mythos] realmente mostrou uma evolução muito, muito grande em comparação ao seu antecessor, o Opus 4.6”, disse Carraro à reportagem.

Segundo a empresa, essa IA pode superar quase todos os humanos, exceto os mais qualificados, na identificação e exploração de vulnerabilidades de software. Daí o dito perigo em lançar o Mythos de forma ampla. Afinal, ele poderia ser usado como escudo e como arma. Mas existe uma peculiaridade.

“Diferente de um código convencional de computador que você pode entrar lá e olhar certinho o que que ele faz e o que não faz; se tem bug ou se não tem, uma inteligência artificial não funciona assim. Ela é uma caixa preta”, explicou Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, e também colunista do Olhar Digital. “A gente treina ela em atividades, mas a gente não sabe no final das contas as capacidades que ela tem.”

Pessoa segurando celular com logomarca do Claude Mythos na tela; ao fundo, monitor exibe linhas de código de programação
O Claude Mythos, da Anthropic, opera como se fosse um engenheiro de software experiente – Imagem: Photo For Everything/Shutterstock

Quando o Anthropic diz ‘esse modelo é perigoso demais para a gente lançar’ é porque na fase de testes ele já fez algumas das coisas que a Anthropic não estava esperando

Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP, com especialidade em Machine Learning pela Universidade de Stanford, em entrevista ao Olhar Digital

Além disso, avaliações independentes sugerem que o perigo é real. Só que mais limitado do que a Anthropic deu a entender no comunicado sobre o Mythos e o Projeto Glasswing.

Uma análise do Instituto de Segurança de IA (AISI, na sigla em inglês) do Reino Unido, que teve acesso antecipado ao modelo, constatou que a IA da Anthropic executou tarefas de hacking avançado em 73% das suas tentativas. Até abril, nenhuma IA conseguia fazer isso.

No entanto, vale destacar: nos testes do AISI, o Mythos enfrentou defesas de software quase inexistentes. Por isso, o instituto concluiu que, embora seja um modelo poderoso, a maior ameaça do Mythos é contra sistemas vulneráveis e mal defendidos.

Em entrevista à Scientific American, Ciaran Martin, professor na Universidade de Oxford, comparou o cenário a um atacante fazer gol contra o pior goleiro do mundo. Martin é ex-CEO do Centro Nacional de Segurança Cibernética (NSCS, na sigla em inglês) do Reino Unido.

Mythos: de inovação tecnológica para preocupação de segurança nacional

Para você se localizar, confira abaixo uma linha do tempo com pontos-chave do desenvolvimento, anúncio e repercussão do Mythos e do Projeto Glasswing:

Março de 2026: antecedentes e tensões

  • Início de março: Surge uma tensão pública entre o Pentágono (militares dos EUA) e a Anthropic;
  • 2 de março: O modelo Claude tem um aumento expressivo de popularidade após desentendimentos entre a empresa e militares;
  • 5 de março: O governo dos EUA, sob a administração Trump, anuncia o bloqueio da startup Anthropic por parte do Pentágono (o Olhar Digital explicou essa novela na época).

Abril de 2026: O lançamento e o alerta global

  • 7 de abril: A Anthropic anuncia oficialmente a existência do Claude Mythos Preview. A empresa declara que o modelo é capaz de encontrar e explorar falhas de segurança nos grandes sistemas operacionais e navegadores, mas toma a decisão inédita de não liberá-lo ao público devido aos riscos de ciberataques;
  • 8 de abril: Anthropic anuncia o Projeto Glasswing, iniciativa que reúne gigantes como Google, Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia e grandes bancos para usar o Mythos na proteção de suas infraestruturas;
  • 10 de abril: O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, convoca os presidentes dos maiores bancos americanos (como Goldman Sachs e Citi) para discutir os riscos cibernéticos impostos pelo novo modelo de IA.

Meados de abril de 2026: repercussão internacional e testes

  • 16 de abril: Bancos alemães iniciam consultas com autoridades e especialistas sobre os riscos do Mythos, enquanto o Banco da Inglaterra intensifica seus testes de risco;
  • 17 de abril: Relatórios do AISI do Reino Unido são divulgados, confirmando que o Mythos completou com sucesso uma simulação de ataque cibernético de 32 etapas, algo inédito para uma IA. Especialistas começam a debater se o modelo é uma revolução real ou parte de uma estratégia de marketing;
  • Semana de 17 de abril: O Mythos é tema de discussões em reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, sendo descrito pelo ministro das finanças do Canadá como um “desconhecido perigoso”.

Final de abril de 2026: brecha de segurança

  • 21 de abril: A Bloomberg revela que um pequeno grupo de usuários não autorizados conseguiu acesso ao Mythos por meio de um fórum privado. O acesso teria ocorrido no mesmo dia do anúncio original do modelo;
  • 22 de abril: A Anthropic confirma que investiga o relato de acesso não autorizado ao Claude Mythos Preview por meio de um fornecedor terceirizado.

Em 18 de maio, o Financial Times publicou que a Anthropic deverá apresentar ao Conselho de Estabilidade Financeira um relatório sobre os riscos cibernéticos identificados pelo Mythos.

Em suma, o contexto é:

  • O novo modelo de IA da Anthropic chamou atenção de bancos centrais e ministérios da Fazenda por sua capacidade de detectar vulnerabilidades em softwares, navegadores e infraestruturas importantes – o que também poderia facilitar ataques mais sofisticados ao sistema financeiro global;
  • A relevância do tema aumentou após o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, afirmar que o Mythos poderia “desvendar todo o cenário de riscos cibernéticos” e ampliar ameaças a sistemas usados por bancos.

Avanço real ou jogada de marketing da Anthropic?

Em vez de lançar o Mythos para o público geral, a Anthropic concedeu acesso a empresas por meio do Projeto Glasswing. A startup descreveu essa iniciativa como “um esforço para proteger os softwares mais cruciais do mundo”.

Ícones de chatbots de inteligência artificial em tela inicial de celular Android
A Anthropic, desenvolvedora do Claude, compete com gigantes como OpenAI (ChatGPT), Google (Gemini) e Meta – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Entre as companhias de tecnologia que toparam participar do projeto, estão: Amazon Web Services (AWS), Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e CrowdStrike (sim, aquela empresa por trás do apagão global em 2024). “São empresas com muito foco em cibersegurança”, observou Carraro.

A Anthropic deu acesso, elas usaram e chancelaram. Ou seja, dá pra gente acreditar que realmente esse modelo é um grande salto de qualidade em relação ao Opus 4.6.

Fabrício Carraro, Program Manager na Alura, em entrevista ao Olhar Digital

Só que muitos analistas e especialistas independentes em cibersegurança ainda não puderam testar o Mythos por conta própria. Por isso, alguns continuam céticos sobre o desempenho do modelo.

Então, fica a pergunta: o Mythos representa um grande avanço para a IA ou seu anúncio foi uma jogada de marketing da Anthropic para inflar sua importância? Para o especialista da Alura, um pouco dos dois.

Carraro explicou que a Anthropic quer se posicionar como a principal empresa de IA voltada para negócios, programação e cibersegurança. Isso enquanto compete com gigantes como OpenAI (ChatGPT), Google (Gemini) e Meta.

Captura de tela de página sobre Projeto Glasswing no site da Anthropic
O Projeto Glasswing é um consórcio criado pela Anthropic para big techs testarem o Mythos em sigilo – Imagem: Reprodução/Anthropic

Por um lado, ele constatou a evolução da tecnologia da startup (no quesito código, pelo menos) ao analisar o System Card do Mythos. Por outro, observou com desconfiança o vazamento de dados sobre o modelo logo antes da empresa colocar no ar a página sobre o Projeto Glasswing – com vídeos bem produzidos e tudo.

“Ele [o Mythos] é excelente para programação, só que também tem o lado de marketing de eles se venderem como ‘nós somos a crista da onda’”, analisou Carraro. Para ele, é como se a Anthropic dissesse: “governo dos Estados Unidos, governo de outros países, empresas de qualquer setor, usem os nossos modelos, porque a gente pode dar acesso antecipado para [vocês] testarem o estado da arte ao qual os meros mortais não vão ter acesso”. 

Essa parte de ‘perigoso demais’ também encaixa um pouco nessa questão do marketing. Dá para as duas coisas serem verdade ao mesmo tempo.

Fabrício Carraro, em entrevista ao Olhar Digital

Seja como for, não é de hoje que o anúncio de um novo modelo de IA vem acompanhado dos termos “perigoso” e “revolucionário”. Cutucar medo e entusiasmo tornou-se uma marca registrada da indústria da IA.

Para o Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido, o mais importante agora é: 1) não entrar em pânico; e 2) focar em acertar no básico quando o assunto é segurança cibernética.

Mythos reforça a necessidade de regulação da IA e a importância da pesquisa acadêmica

Se você chegou até aqui, talvez tenha pensado “foi bom a Anthropic ter segurado o Mythos, já que pode ser tão perigoso”. E é uma linha de raciocínio bem válida, tá? Mas, para Pena, essa decisão da Anthropic não é o suficiente para lidar com a situação.

“Para consertar tudo [que o Mythos achou de brecha]… a gente está falando de coisas tão estruturais”, disse o especialista em Machine Learning.

É muito recurso que tem que ser usado. E, às vezes, nem é possível porque tem sistema que [você] não pode tirar do ar para aplicar a segurança necessária. Então, eu não acho que [o Projeto Glasswing] vai resolver.

Roberto “Pena” Spinelli, em entrevista ao Olhar Digital

Segundo Pena, a solução seria regulação, a nível mundial, sobre o uso da IA e “as responsabilidades de cada um”. “A sociedade tem que exigir que a IA só possa entrar em sistemas que estejam seguros. E, se não dá para fazer isso, então não pode fazer”, disse o pesquisador.

Foto de explosão de bomba nuclear; explosão e fumaça projetam forma de cogumelo no horizonte
Para o especialista, evitar regular a IA a nível mundial é como dizer: “De vez em quando, alguém vai conseguir fazer uma bomba atômica no quintal” – Imagem: DOBUTSU/Shutterstock

Para entender esse raciocínio, imagine o desenvolvimento, sem regulação, de uma bomba atômica ou tecnologias com energia nuclear envolvida. Esse é o paralelo traçado pelo especialista na sua explicação.

“[É como se falássemos] Olha, de vez em quando vai ter alguém aí que vai conseguir fazer uma bomba atômica no quintal. E vai poder colocar todo mundo em risco. Não! Primeiro, você entende que o negócio é muito poderoso. Você regula”, disse Pena.

Neste ponto, entra também a importância da pesquisa acadêmica. “No geral, os cientistas têm uma probidade ética maior do que empresas”, disse o especialista. Mas, para ele, todos precisam remar para a mesma direção: regulação e responsabilização.

“Então, [quando] você vai fazer uma pesquisa ou desenvolver um produto, você precisa ter responsabilização. Você precisa ter um entendimento daquilo e garantir que o que você está colocando seja seguro”, reforçou Pena.

“Está faltando essa camada muito importante de regulação da inteligência artificial”, finalizou o pesquisador.

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Fintech brasileira leva Pix à era da inteligência artificial

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Agentes que otimizam investimentos de acordo com os objetivos do usuário, trocam de fornecedor quando os preços de mercado mudam ou fazem as compras do mês com base no que falta na geladeira — tudo isso de forma automática. Essa realidade, que até pouco tempo parecia distante, está cada vez mais próxima com os avanços […]

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Foco em tech, bolha da IA e a visão positiva para o real, segundo o estrategista do Citi

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A inteligência artificial (IA) pode até ser uma bolha, mas isso não significa que o investidor deva ficar de fora, diante da oportunidade de ganhar muito dinheiro. É preciso ter em mente, porém, que em algum momento ela vai estourar. A avaliação é de Dirk Willer, head global de estratégia macro do Citi. Em conversa com […]

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Governo investirá R$ 60 milhões em núcleo de IA em Campinas

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), em Campinas (SP), terá um núcleo voltado ao desenvolvimento de aplicativos com uso de inteligência artificial (IA) para serviços públicos federais. O investimento previsto é de cerca de R$ 60 milhões.

A pedra fundamental da estrutura foi lançada nesta sexta-feira (29), durante evento realizado no CPQD com a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A expectativa é que o núcleo entre em operação até o fim deste ano e contribua para ampliar e facilitar o acesso da população aos serviços oferecidos pela plataforma gov.br.

Núcleo deve contribuir para ampliar e facilitar o acesso da população aos serviços oferecidos pelo gov.br

“A gente vai ter um governo que vai chegar à população de forma personalizada, vai chegar de forma proativa, vai poder interagir com as pessoas, falar muito mais rápido. Vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis. É o início de uma transformação gigantesca para a nossa população”, afirmou Dweck.

Infraestrutura e processamento de dados sensíveis

Além do desenvolvimento de aplicações com IA, o núcleo também será responsável por armazenar e processar dados sensíveis de usuários, incluindo cadastros de pessoas em programas do governo. Atualmente, essas informações estão hospedadas em nuvens internacionais.

O prédio que receberá a operação já existe, mas passará por reforma e adequações. Segundo o CPQD, a estrutura receberá novos equipamentos, entre eles unidades de processamento gráfico (GPUs).

O ambiente funcionará de forma semelhante a um laboratório, dedicado à criação de modelos de linguagem e ferramentas de IA generativa, além do tratamento de grandes volumes de dados para treinamento de algoritmos. O trabalho deverá impactar diretamente os aplicativos integrados ao gov.br, incluindo recursos como chatbots, barras de pesquisa e sistemas de processamento de dados.

De acordo com o CPQD, essas soluções buscam atender diferentes perfis de usuários, especialmente aqueles com menor maturidade digital.

A ministra destacou ainda a importância da chamada soberania tecnológica no tratamento das informações públicas.

“A gente fala que a soberania digital tem três níveis. A de dados, a gente já vinha trabalhando nisso, de repatriar os dados brasileiros, de poder saber onde os nossos dados estratégicos estão. A gente já estava num outro processo de operação, de conseguir acessar os dados, de conseguir operar”, disse.

“E tem um terceiro que é tecnológico. Essa é a mais difícil. E aqui, esse é um projeto de soberania tecnológica, digital tecnológica. Isso realmente é um terceiro passo, um dos mais difíceis de se fazer num país em desenvolvimento, mas o Brasil tem capacidade, justamente porque a gente tem um grande sistema de inovação”, completou.

Projeto Inspire já atende usuários

O núcleo fará parte do projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética). A proposta é que as ferramentas desenvolvidas para oferecer serviços públicos personalizados sejam criadas, armazenadas e processadas na nova estrutura.

Mesmo antes da inauguração do espaço físico, o Inspire completou sete meses de operação e já implantou três chatbots em serviços do governo federal.

O Chatbot de Atendimento GOV.BR foi criado para esclarecer dúvidas e prestar suporte aos usuários em um único canal inteligente. Durante a fase de testes, a ferramenta chegou a registrar cerca de 2 mil atendimentos digitais por dia, com foco em temas como recuperação de conta gov.br, autenticação em duas etapas, reconhecimento facial e uso do aplicativo.

Já o Chatbot SISU/Jornada do Ensino Médio, lançado em janeiro de 2026, oferece orientações relacionadas ao SISU, Enem, Prouni e FIES. A ferramenta atende um universo potencial de 4,2 milhões de usuários inscritos no Enem.

O terceiro sistema é o Chatbot Vacinação/Farmácia Popular, voltado ao esclarecimento de dúvidas sobre campanhas de vacinação do SUS, Farmácia Popular e outras iniciativas do Ministério da Saúde.

Qualificação de registros de endereços

Outra iniciativa do projeto foi a criação de uma infraestrutura de IA para processar e qualificar 77 milhões de registros de endereços de pessoas no país.

“Além de endereços diferentes da mesma pessoa, armazenados em bases de dados de órgãos de governo distintos, encontramos duplicações e inconsistências, por exemplo, na grafia de nomes de ruas”, afirmou Paulo Curado, diretor responsável pelo Inspire no CPQD.

Segundo ele, a padronização dessas informações pode apoiar a execução de políticas públicas que dependem da correta identificação dos endereços dos cidadãos.

“Ter o endereço correto das pessoas, disponível para todos os órgãos do governo, é essencial para políticas públicas que dependem desse dado para o pagamento de determinados benefícios”, explicou.

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OpenAI diz que IA resolveu problema matemático de 80 anos

A OpenAI afirmou que um de seus modelos internos de inteligência artificial resolveu um problema matemático aberto há oito décadas, em um resultado que foi posteriormente revisado e validado por matemáticos. O anúncio foi feito na semana passada e envolve o chamado problema da distância unitária no plano, formulado pelo matemático húngaro Paul Erdős em 1946.

Segundo a empresa, a solução representa um avanço importante na capacidade da IA de lidar com questões matemáticas complexas. A OpenAI também afirma que esta seria a primeira vez que uma inteligência artificial resolve de forma autônoma um problema em aberto considerado central para uma área específica da matemática.

Modelo interno da OpenAI conseguiu resolver um problema matemático que persistia sem solução há 80 anos – Imagem: Mehaniq/Shutterstock

O que é o problema da distância unitária no plano

O problema proposto por Erdős busca responder a uma pergunta aparentemente simples: qual é o número máximo de pares de pontos que podem estar separados por exatamente uma unidade de distância em um plano bidimensional?

Na formulação original, Erdős sugeriu que esse número cresceria um pouco mais rápido do que a quantidade total de pontos considerados. Desde então, matemáticos tentam estabelecer limites para a questão.

Até agora, o limite superior mais preciso conhecido havia sido definido em 1984. De acordo com a OpenAI, seu modelo encontrou um conjunto de configurações que ultrapassou o limite associado ao trabalho anterior.

Modelo não foi treinado especificamente para matemática

Um dos aspectos destacados pela OpenAI é que o modelo utilizado seria de raciocínio geral e não teria sido treinado especificamente para resolver esse problema nem para atuar exclusivamente em matemática.

Em um artigo de pesquisa associado ao trabalho, os cientistas da empresa afirmaram que o sistema empregou uma abordagem considerada inédita para substituir uma teoria normalmente ligada ao problema da distância unitária no plano.

A OpenAI afirmou ainda que os conceitos utilizados já eram conhecidos por especialistas em teoria algébrica dos números, mas que foi surpreendente identificar implicações dessas ideias para questões geométricas.

Revisão humana confirmou os resultados

Apesar de atribuir a descoberta à inteligência artificial, a OpenAI destacou que matemáticos externos foram convidados para revisar e confirmar os resultados. Esses pesquisadores também produziram um artigo complementar explicando o contexto da solução encontrada pelo modelo.

O matemático Thomas Bloom, da Universidade de Manchester e responsável pelo site dedicado aos problemas de Erdős, afirmou no trabalho complementar que a demonstração produzida pela IA era válida, mas foi significativamente aprimorada por pesquisadores humanos da OpenAI e por outros matemáticos envolvidos.

Segundo Bloom, a participação humana continua sendo fundamental para discutir, interpretar, aperfeiçoar a prova matemática e investigar suas consequências.

Comunidade matemática reage de forma positiva

As reações de matemáticos citadas pela OpenAI foram majoritariamente favoráveis. Tim Gowers, professor de matemática da Universidade de Cambridge, classificou a solução como um marco para a matemática produzida por inteligência artificial.

De acordo com ele, se o artigo tivesse sido escrito por um pesquisador humano e submetido à revista Annals of Mathematics, sua recomendação seria pela aceitação sem hesitação. Gowers também afirmou que nenhuma demonstração gerada por IA havia alcançado um nível semelhante anteriormente.

A OpenAI argumenta que o resultado serve como uma demonstração de que sistemas de IA podem contribuir para pesquisas de fronteira. Ainda assim, a empresa ressalta que a tecnologia deve funcionar como ferramenta de apoio aos matemáticos, e não como substituta do trabalho humano.

Histórico de alegações semelhantes

O anúncio ocorre após um episódio envolvendo declarações feitas pela OpenAI em outubro do ano passado. Na ocasião, representantes da empresa, incluindo o gerente Kevin Weil e o executivo Sebastien Bubkeck, afirmaram que o GPT-5 havia resolvido dez problemas matemáticos não solucionados atribuídos a Erdős e avançado em outros onze.

Posteriormente, Bubkeck retirou a afirmação e apagou sua publicação inicial após especialistas, entre eles Thomas Bloom, apontarem que os problemas mencionados já haviam sido resolvidos anteriormente por matemáticos humanos.

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IA está dando mais trabalho para tribunal trabalhista na Austrália

A Fair Work Commission (FWC), tribunal de relações trabalhistas da Austrália, anunciou, nesta sexta-feira (29), uma revisão de seus processos organizacionais para lidar com uma sobrecarga operacional. A reformulação foi motivada pela combinação entre restrições no orçamento, desafios de recursos, alta no número de cidadãos que representam a si mesmos e a proliferação de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, que facilitaram o envio de petições.

O órgão estima um aumento de 70% em sua carga de trabalho num intervalo de três anos. Dados oficiais indicam que o tribunal recebeu 44.039 registros de casos entre julho de 2025 e abril de 2026, volume que praticamente se iguala ao recorde de 44.075 solicitações contabilizadas em todo o ano fiscal anterior de 2024-2025.

Órgãos avaliam uso de assistentes virtuais para triagem e alertam sobre erros em petições automatizadas

A alta na demanda sobrecarrega a estrutura da comissão e reflete uma mudança no perfil dos usuários, que recorrem à tecnologia para redigir petições mesmo sem experiência prévia em relações trabalhistas. 

O impacto se estende a outras esferas administrativas do país, como a Autoridade Australiana de Reclamações Financeiras (AFCA), que apontou lentidão nos processos devido ao excesso de dados genéricos gerados por softwares. 

“No entanto, as reclamações geradas por IA por vezes podem incluir informações irrelevantes, imprecisas ou genéricas, ou podem utilizar argumentos jurídicos que não se aplicam à lei australiana”, afirmou um porta-voz da AFCA em nota enviada à Bloomberg.

Alta no número de cidadãos que representam a si mesmos e a proliferação de ferramentas de IA, que facilitaram o envio de petições, estão entre fatores que sobrecarregaram tribunal australiano – Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

Para gerenciar o fluxo de dados, o tribunal planeja adotar recursos tecnológicos de suporte, sem substituir as decisões dos magistrados. Entre as medidas, a comissão avalia a viabilidade de implantar um agente de voz baseado em IA para fazer a triagem inicial das chamadas telefônicas de sua linha de ajuda. 

Outra ferramenta em desenvolvimento é o Agreement Checklist Assistant, sistema de IA generativa desenhado para apoiar a equipe de triagem na identificação de inconformidades e prazos em acordos coletivos antes que o processo seja distribuído a um membro do tribunal. O julgamento final continua exclusivamente humano.

Além das ferramentas digitais, a estratégia do órgão prioriza reformas operacionais e canais de atendimento direto. O tribunal estendeu até setembro de 2026 o projeto piloto Early Dispute Resolution (EDR), no qual oficiais seniores contatam as partes envolvidas num prazo de 14 dias para tentar resolver disputas de forma amigável e antecipada.

Paralelamente, o portal online MyFWC passará a concentrar obrigatoriamente o início de ações de demissão injusta e proteção geral, visando eliminar o uso de formulários em papel. De forma separada, a exigência de envio de documentos originais em formato digital legível por máquinas (como arquivos em formato DOCX ou PDFs não escaneados) será restrita aos pedidos de homologação de acordos coletivos, medida necessária para viabilizar a triagem automatizada do assistente de IA.

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Mistral firma parcerias com Airbus e BMW para expandir IA na manufatura

A startup francesa de inteligência artificial (IA) Mistral anunciou, nesta quinta-feira (28), parcerias com a Airbus e a BMW, expandindo sua atuação para o setor de manufatura avançada. A empresa sediada em Paris (França) planeja aplicar o que chama de “IA física” em processos de engenharia industrial, incluindo design, simulação e controle de qualidade.

A Mistral, que oferece modelos de IA e infraestrutura computacional para clientes corporativos, não divulgou os termos financeiros dos acordos com as duas empresas. O movimento faz parte da estratégia da companhia para impulsionar o crescimento por meio da aplicação de IA em processos industriais.

A iniciativa representa uma nova frente de atuação para a Mistral, que busca diversificar seu portfólio além dos serviços tradicionais de IA. A empresa pretende integrar suas tecnologias de inteligência artificial diretamente nos processos de produção industrial de seus novos clientes.

Com a Airbus, fabricante europeia de aeronaves, e a BMW, montadora alemã de automóveis, a Mistral terá a oportunidade de testar suas soluções em ambientes industriais de alta complexidade e precisão técnica.

Mistral tem foco em IA física

  • O conceito de “IA física” mencionado pela empresa refere-se à aplicação de algoritmos de inteligência artificial em processos tangíveis de manufatura, diferentemente das aplicações mais tradicionais focadas em dados e software;
  • A abordagem visa otimizar operações que envolvem componentes físicos e processos de produção;
  • A estratégia da Mistral de entrar no setor industrial ocorre em um momento de crescente interesse das empresas de tecnologia em aplicações práticas de IA na manufatura, buscando aumentar eficiência e reduzir custos operacionais.

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Montadora alemã foi uma das empresas a fechar acordo com startup francesa – Imagem: Robert Way/Shutterstock

Mistral alerta para riscos da dependência europeia de gigantes de tecnologia dos EUA

A Mistral afirmou que trabalha com máxima velocidade na corrida para desenvolver sistemas conhecidos como “superinteligência”, defendendo que a Europa não pode depender das gigantes de tecnologia dos Estados Unidos.

A empresa se consolidou como a desenvolvedora de inteligência artificial mais proeminente da Europa, em parte ao apostar em soluções locais. A Mistral comercializa acesso a modelos e serviços de IA hospedados em centros de dados europeus, independentes tanto das empresas estadunidenses quanto de concorrentes chinesas.

O movimento em favor da independência tecnológica ganhou força na Europa em meio às tarifas impostas pelos Estados Unidos e às ameaças do presidente Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia.

Os europeus passaram a substituir alguns fornecedores estadunidenses de software em áreas, como serviços governamentais, diante da possibilidade antes considerada impensável de os EUA cortarem o acesso a essas tecnologias.

Essa preocupação geopolítica também se estende ao desenvolvimento de sistemas autônomos de IA capazes de superar capacidades e inteligência humanas, frequentemente chamados de superinteligência, inteligência artificial geral ou IAG.

Muito em breve, no futuro, provavelmente veremos a IAG ou superinteligência, então, é muito importante que também tenhamos acesso a esses modelos na Europa”, afirmou Guillaume Lample, cofundador e cientista-chefe da Mistral.

Lample descreveu um cenário em que curas para o câncer e avanços científicos poderiam ser retidos da Europa por concorrentes comerciais ou geopolíticos caso o continente não tenha capacidade própria de superinteligência. “Se não tivermos acesso a isso, acho que só podemos imaginar o quão ruim isso vai ser”, acrescentou. “É absolutamente crítico que cheguemos lá.”

A declaração representa uma mudança parcial no posicionamento da Mistral, que vinha se apresentando principalmente como uma empresa pragmática de IA corporativa, oferecendo ferramentas voltadas para clientes empresariais em setores, como manufatura.

A companhia foi fundada por três pesquisadores franceses de IA vindos do Google e da Meta. No ano passado, a Mistral foi avaliada em cerca de US$ 14 bilhões (R$ 70,7 bilhões) e projeta mais de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em receita neste ano, ainda uma fração do tamanho de suas rivais do Vale do Silício.

Lample falou antes do evento de marketing promovido pela empresa nesta quinta, quando anunciou os novos acordos com grandes grupos corporativos europeus, incluindo Airbus e BMW.

A empresa também informou que está construindo um novo centro de dados de 10 megawatts ao sul de Paris. O projeto integra um investimento de US$ 4,7 bilhões (R$ 23,7 bilhões) destinado a centros de dados na França e na Suécia.

Logo da Airbus na fachada de um prédio com um avião voando acima da edificação
Airbus é outra gigante que se acertou com a Mistral – Imagem: Coby Wayne/Shutterstock

O diretor-executivo da Mistral, Arthur Mensch, afirmou que o maior obstáculo para a independência tecnológica da empresa — e da Europa — é a escala dos investimentos necessários. Segundo Mensch, a companhia busca financiamento por meio de dívida para pagar pelos centros de dados com base na receita esperada de contratos já assinados.

Não podemos colocar US$ 50 bilhões na mesa para construir um gigawatt antes da demanda”, disse Mensch. “Esse é potencialmente o nosso maior gargalo.”

O setor de IA enfrenta uma crescente reação negativa em razão de seus possíveis impactos adversos. Na segunda-feira (25), o papa Leão XIV alertou que a IA corre o risco de consolidar “uma visão anti-humana”, substituindo empregos por trabalhos desumanizantes e consumindo grandes quantidades de água e energia.

O pontífice também defendeu o “desarmamento” da IA e afirmou que armas autônomas poderiam tornar guerras mais viáveis e menos sujeitas ao controle humano. Mensch defendeu os acordos da Mistral com as Forças Armadas francesas sob o argumento da soberania.

Enquanto tivermos adversários que representem ameaças, precisamos ter nossas próprias capacidades”, afirmou o executivo. “A Europa, em particular, precisa ter autonomia estratégica quando se trata de sistemas de defesa.”

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