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Descoberta brasileira revela pistas ocultas do Alzheimer

Um novo mapa genético desenvolvido no Brasil identificou 129 possíveis alvos terapêuticos para o Alzheimer. A pesquisa usa inteligência artificial e análise de RNA para ampliar a busca por tratamentos e abrir novas possibilidades de diagnóstico para uma doença que ainda não possui cura.

O estudo foi realizado pela startup paulista BioDecision Analytics e busca expandir o número de alvos investigados além de proteínas tradicionalmente associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide e tau.

Segundo Pesquisa para Inovação, publicação da FAPESP, a pesquisa analisou dados genéticos de milhares de amostras para encontrar alterações relacionadas à doença. O trabalho pode ajudar pesquisadores e empresas farmacêuticas a explorar novos caminhos para o desenvolvimento de medicamentos e exames de sangue.

A inteligência artificial ajudou cientistas a identificar alterações genéticas que podem transformar o diagnóstico do Alzheimer. Imagem: Graphicscoco/iStock

Pesquisa amplia a busca por novos alvos

Durante décadas, a beta-amiloide concentrou grande parte das pesquisas sobre tratamentos contra o Alzheimer. Quando essa proteína se acumula de forma anormal no cérebro, forma placas que prejudicam a comunicação entre neurônios e desencadeiam processos inflamatórios.

Um dos únicos alvos para o desenvolvimento de terapias da doença de Alzheimer conhecidos era a beta-amiloide. Por isso, era imperativo avaliar outros horizontes.

Rodrigo Araldi, um dos fundadores da BioDecision, ao Pesquisa para Inovação.

Para o pesquisador, a concentração em poucos alvos ajudou a limitar os avanços obtidos até agora.

Para criar o mapa genético, a equipe utilizou 2.870 amostras de tecido cerebral e sangue de pessoas saudáveis e pacientes diagnosticados com Alzheimer. Os dados foram obtidos no Sequence Read Archive (SRA), banco público mantido pelo governo americano.

As amostras do cérebro incluíram cinco regiões diferentes, escolhidas por suas funções específicas:

  • Hipocampo, relacionado à memória;
  • Córtex cingulado, ligado ao processamento de informações;
  • Área de Wernicke, associada à linguagem;
  • Córtex visual, responsável pela visão;
  • Área de Broca, envolvida na comunicação.

A divisão das regiões foi considerada essencial pelos pesquisadores, já que o cérebro não é um tecido uniforme. Cada área possui características genéticas próprias, e misturar essas informações poderia esconder alterações importantes.

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Além da memória, regiões diferentes do cérebro foram analisadas para entender melhor como o Alzheimer se desenvolve. – Imagem: PeopleImages/Shutterstock

Inteligência artificial ajuda a encontrar padrões

O processamento dos dados foi feito pela plataforma BDASeq®, desenvolvida pela BioDecision com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP.

A ferramenta analisa o sequenciamento de RNA para identificar quais genes apresentam alterações de atividade em pessoas com Alzheimer. Como o RNA participa da produção de proteínas nas células, essas mudanças podem revelar processos envolvidos no desenvolvimento da doença.

João Rafael Dias Pinto, cofundador da BioDecision, explica que a combinação de diferentes métodos estatísticos ajuda a reduzir erros.

“A maioria dos estudos utiliza um único método estatístico para fazer isso, o que gera muitos ruídos”, afirmou o pesquisador.

A plataforma reúne oito técnicas estatísticas e conta com uma camada de inteligência artificial que cruza dados genéticos e informações clínicas. Dessa forma, os pesquisadores conseguem priorizar alterações com maior potencial para virar medicamentos ou ferramentas de diagnóstico.

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Genes ligados à plasticidade neuronal aparecem como novos candidatos na busca por tratamentos contra a doença. Imagem: Sergey Nivens/Shutterstock

Descoberta pode facilitar novos diagnósticos

A análise identificou mais de 4.200 genes com expressão alterada em pacientes com Alzheimer. Entre eles, 75 foram relacionados à plasticidade neuronal, capacidade dos neurônios de criar novas conexões, processo afetado pela doença.

Desse grupo, oito genes ainda não haviam sido apontados como possíveis alvos terapêuticos em estudos anteriores. Outro conjunto reuniu 74 genes alterados tanto no cérebro quanto no sangue, tornando-se candidatos a biomarcadores.

Entre esses genes, 21 apresentaram precisão superior a 90% na diferenciação entre pessoas com Alzheimer e indivíduos saudáveis.

“Hoje, o diagnóstico do Alzheimer é clínico, demorado e impreciso”, afirmou Araldi. “Com essa descoberta, abrimos a possibilidade de diagnósticos via exame de sangue, muito mais acessíveis.”

Apresentado no Congresso AD/PD, realizado em Copenhague, na Dinamarca, o estudo representa uma nova frente de investigação sobre a doença. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda serão necessárias novas etapas antes que medicamentos ou exames baseados nesses achados possam chegar aos pacientes.

A BioDecision também pretende ampliar o acesso à plataforma por nuvem, permitindo que laboratórios menores realizem análises avançadas sem depender de grandes estruturas computacionais.

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Disputa pela IA leva EUA e China à mesa de negociação

Em setembro deste ano, os Estados Unidos e a China devem realizar a primeira rodada oficial de negociações sobre inteligência artificial desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A iniciativa foi acertada após a cúpula entre Trump e Xi Jinping, realizada em maio, e deve anteceder a viagem do presidente chinês aos EUA, prevista para 24 de setembro. A apuração é exclusiva da Reuters.

As conversas reúnem as duas maiores potências tecnológicas do mundo em meio ao avanço acelerado de modelos de IA considerados de fronteira e às preocupações relacionadas à segurança, ao uso militar da tecnologia, à infraestrutura crítica e aos impactos econômicos. A expectativa é que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, lidere a delegação norte-americana.

Embora detalhes como local, participantes e pauta ainda estejam em definição, os governos trabalham nos preparativos da reunião. O encontro marca a retomada de um canal formal de diálogo sobre inteligência artificial entre Washington e Pequim sob a atual administração americana.

Encontro busca aproximar posições sobre modelos avançados de inteligência artificial

EUA vs. China (Imagem: Dilok Klaisataporn/iStock)

Os dois países chegam às negociações com prioridades distintas, mas convergentes no objetivo de discutir mecanismos para reduzir os riscos associados às plataformas de inteligência artificial mais avançadas.

Entre as preocupações compartilhadas estão o potencial emprego desses sistemas em operações militares, ataques cibernéticos contra infraestruturas estratégicas e os efeitos provocados sobre o mercado de trabalho.

Do lado americano, as discussões ocorrem em um contexto de restrições já impostas à exportação de chips de inteligência artificial de alto desempenho para a China. Além disso, autoridades dos Estados Unidos avaliam possíveis limitações ao uso de modelos chineses de código aberto por empresas americanas, diante da rápida evolução tecnológica apresentada por esses sistemas.

Em Pequim, o governo também analisa novas medidas relacionadas ao acesso internacional aos modelos de IA desenvolvidos no país. As autoridades chinesas estudam limitar a disponibilidade das ferramentas mais avançadas no exterior enquanto avaliam riscos ligados à segurança digital.

Antes mesmo da definição da data do encontro, Scott Bessent já havia indicado que futuras conversas entre os dois governos buscariam impedir que modelos altamente sofisticados chegassem às mãos de atores não estatais. Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que as reuniões poderiam começar dentro de poucas semanas.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Após a visita de Donald Trump à China, o governo chinês confirmou que os dois países haviam concordado em criar um mecanismo intergovernamental dedicado ao debate sobre inteligência artificial. Desde então, porém, Pequim não voltou a detalhar publicamente os preparativos para a iniciativa.

Segundo analistas citados pela Reuters, a China pretende concentrar parte das discussões no modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, além de buscar esclarecimentos sobre a forma como os Estados Unidos pretendem controlar o lançamento de futuros sistemas de inteligência artificial de fronteira e sobre eventuais restrições direcionadas aos modelos chineses de código aberto.

Enquanto isso, o governo americano mantém conversas com empresas do setor para elaborar padrões voluntários de segurança destinados ao lançamento de novos modelos de IA, embora ainda não tenha anunciado medidas regulatórias definitivas.

A preparação chinesa para o encontro também segue em andamento. Fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as autoridades continuarão debatendo internamente o tema antes de definir quais ministérios e representantes participarão das negociações.

Uma das pessoas familiarizadas com os preparativos relatou à Reuters que a prioridade chinesa é estabelecer um diálogo técnico e prático sobre inteligência artificial, sem transformar o encontro em uma discussão predominantemente política.

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IA aberta vira disputa entre China, EUA e grandes empresas

Modelos de inteligência artificial desenvolvidos na China ganharam espaço no mercado e abriram uma nova disputa no setor. Ferramentas mais baratas e abertas colocam em debate segurança, concorrência e o futuro dos investimentos bilionários em IA.

Segundo o The Wall Street Journal, executivos da OpenAI e da Anthropic alertam para riscos, enquanto críticos questionam se o discurso também serve para conter novos concorrentes.

A inteligência artificial chinesa avança com ferramentas mais baratas e adaptáveis para diferentes usos. – Imagem: rawf8/Shutterstock

Modelos abertos mudam cenário da IA

O lançamento de modelos como o Kimi K3, da Moonshot AI, e o Qwen 3.8 Max, da Alibaba, chamou atenção de usuários e investidores. As ferramentas são baseadas no conceito de “open weight”, que permite baixar, adaptar e personalizar os sistemas para diferentes aplicações.

Esse formato ganhou força porque reduz barreiras para empresas interessadas em usar inteligência artificial sem depender apenas de soluções fechadas. Ao mesmo tempo, preocupa executivos que defendem maior controle sobre tecnologias avançadas.

Dean Ball, chefe de futuros estratégicos da OpenAI, afirmou em uma publicação na rede X que um mundo dominado por modelos abertos poderia transformar a IA em uma espécie de infraestrutura pública digital. Ele classificou esse cenário como distópico, mas depois esclareceu que não defendia medidas contra modelos chineses.

A discussão também envolve os altos custos para desenvolver sistemas de ponta. Empresas do setor investem bilhões de dólares em processamento e infraestrutura para melhorar suas ferramentas.

Logos da OpenAI e da Anthropic exibidos em telas de smartphones, representando a concorrência entre empresas de inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic alertam para riscos de modelos avançados disponíveis para download e personalização. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock

Novos concorrentes desafiam gigantes da tecnologia

A chegada de modelos chineses mais baratos fez investidores questionarem o espaço de empresas como OpenAI e Anthropic. A preocupação é que novos participantes consigam oferecer alternativas competitivas gastando menos.

Outros grupos americanos também apostam em modelos abertos. A Thinking Machines Lab, liderada pela ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati, lançou seu primeiro modelo com pesos abertos. A Nvidia começou a ganhar espaço com o Nemotron 3 Ultra, enquanto a Reflection AI, apoiada pela fabricante de chips, prepara seu primeiro lançamento.

Entre os principais pontos do debate estão:

  • Modelos abertos podem ser baixados e modificados;
  • Empresas buscam reduzir custos no desenvolvimento de IA;
  • Especialistas apontam riscos de uso inadequado;
  • Governos avaliam regras para o setor.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também alerta sobre os riscos de sistemas avançados disponíveis publicamente. Em entrevista à Bloomberg, afirmou que modelos com capacidades avançadas de segurança cibernética e acesso livre representam uma preocupação séria.

Disputa entre China e EUA no mercado de IA.
A disputa da IA agora envolve não só tecnologia, mas também custos, segurança e controle. – Imagem: wildpixel/iStock

Governo americano avalia resposta ao avanço chinês

Autoridades dos Estados Unidos discutem possíveis medidas contra empresas chinesas de IA, incluindo restrições comerciais, alertas de segurança e regras para modelos abertos.

Até agora, nenhuma dessas ações foi adotada. O desafio é equilibrar segurança e inovação, já que empresas menores dependem de ferramentas acessíveis para criar novos produtos.

O governo Trump afirma que pretende fortalecer o ecossistema americano de código aberto e proteger a segurança nacional.

Austin Carson, CEO da organização de políticas de IA SeedAI, defendeu a importância de modelos acessíveis. “Se você conhece código aberto, sabe que não pode vencer pela exclusão”, afirmou.

A disputa atual mostra que a inteligência artificial entrou em uma nova fase: além de criar sistemas mais avançados, empresas e governos agora precisam decidir quem terá acesso a essas tecnologias e quais limites devem existir para seu uso.

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Meta abre vagas no Brasil para desenvolver apps de óculos inteligentes

Desenvolvedores brasileiros terão a chance de criar aplicativos para os óculos inteligentes da Meta. A empresa abriu inscrições para um programa que reúne estudantes, pesquisadores e profissionais interessados em explorar os recursos do dispositivo.

Realizada em parceria com o CEIA-UFG, a iniciativa oferece capacitação, hackathon e premiação em dinheiro. Ao mesmo tempo, reforça um debate que acompanha esses óculos desde o lançamento: a privacidade dos usuários.

A Meta quer ideias para saúde, educação, turismo, acessibilidade e muito mais. A criatividade está liberada. Imagem: Divulgação/Meta

Desenvolvedores brasileiros ganham espaço

Depois de conquistar milhões de usuários, os óculos inteligentes da Meta entraram em uma nova fase. Agora, a empresa quer aumentar a quantidade de aplicativos compatíveis e aposta nos desenvolvedores brasileiros para acelerar esse processo.

O Programa AI Glasses Brasil, criado em parceria com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), convida estudantes, pesquisadores e desenvolvedores a pensar em novas aplicações para recursos como câmera, áudio, comandos de voz e inteligência artificial.

As propostas poderão envolver áreas como acessibilidade, educação, saúde, turismo, produtividade e criatividade.

O programa será dividido em etapas:

  • Capacitação técnica online;
  • Maratona virtual de ideias com palestras, workshops e mentorias;
  • Hackathon presencial na sede da Meta, em São Paulo, para as equipes selecionadas;
  • Premiação em dinheiro e entrega de óculos inteligentes aos vencedores.

As inscrições seguem abertas até 30 de julho. As equipes classificadas para a etapa presencial terão transporte e hospedagem pagos pela empresa. Os vencedores receberão US$ 3 mil (cerca de R$ 15 mil), enquanto o segundo e o terceiro lugares ganharão US$ 2 mil (cerca de R$ 10 mil) e US$ 1 mil (cerca de R$ 5 mil). Todos também receberão um par de óculos da Meta.

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Estudantes, pesquisadores e desenvolvedores terão a chance de testar ideias em um hackathon da Meta. Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock

O que os óculos já conseguem fazer

Os recursos do aparelho vão além de fotografar e gravar vídeos. Também é possível enviar imagens pelo WhatsApp usando apenas comandos de voz, visualizar informações nas lentes e executar ações por gestos.

Mesmo assim, a oferta de aplicativos ainda é pequena. Foi justamente por isso que a Meta disponibilizou um kit de desenvolvimento e agora tenta atrair novos criadores de soluções.

Estande com óculos da Ray-Ban Meta
O desafio da Meta não é só criar novos aplicativos, mas também conquistar a confiança dos usuários. Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock

Privacidade continua cercada de dúvidas

Quanto mais funções surgem, maiores ficam as preocupações. Um exemplo veio de estudantes de Harvard, que desenvolveram um sistema de reconhecimento facial para funcionar nos óculos da Meta e exibir informações encontradas na internet sobre pessoas filmadas pelas câmeras.

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Também há relatos do uso do equipamento por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos durante operações, ampliando as discussões sobre vigilância.

Outro ponto sensível envolve as imagens registradas pelo aparelho. Fotos e vídeos ficam armazenados na nuvem da Meta e podem ser usados para treinar seus modelos de inteligência artificial, inclusive com participação de revisores humanos.

A empresa também precisou reagir quando usuários passaram a tentar desativar o LED que indica uma gravação em andamento. Hoje, os óculos deixam de gravar caso esse indicador seja danificado. O programa abre espaço para novas aplicações, mas a expectativa é que elas avancem junto com mecanismos capazes de reforçar a proteção da privacidade.

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Anthropic: Justiça dos EUA confirma acordo para fim de processo por direitos autorais

A Justiça dos Estados Unidos aprovou definitivamente um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 7,6 bilhões) entre a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic e um grupo de autores que acusava a companhia de utilizar livros protegidos por direitos autorais para treinar o chatbot Claude sem autorização.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (20) pela juíza federal Araceli Martinez-Olguín, de São Francisco, que deu aprovação final ao acordo e rejeitou as contestações de autores que alegavam que o valor da indenização era insuficiente.

Segundo a Reuters, trata-se do maior acordo conhecido da história em um processo de direitos autorais nos Estados Unidos e do primeiro grande caso envolvendo treinamento de modelos de IA a ser encerrado por meio de um acordo.

Processo contra a Anthropic foi movido por escritores em 2024

  • A ação coletiva foi apresentada em 2024 por um grupo de escritores, que acusou a Anthropic de utilizar versões pirateadas de seus livros sem autorização para treinar o Claude, seu modelo de IA generativa;
  • A empresa é apoiada pela Amazon e pela Alphabet, controladora do Google;
  • Em setembro do ano passado, o então juiz responsável pelo caso, William Alsup, já havia concedido uma aprovação preliminar ao acordo. Agora, a decisão foi confirmada de forma definitiva pela Justiça;
  • A Anthropic não comentou imediatamente a decisão judicial, segundo a Reuters.

Juiz havia diferenciado treinamento da IA e armazenamento de livros

Em junho do ano passado, Alsup decidiu que o uso das obras para treinar o Claude se enquadrava no princípio do “uso justo” previsto na legislação estadunidense.

No entanto, o magistrado concluiu que a empresa violou os direitos autorais ao armazenar mais de sete milhões de livros pirateados em uma “biblioteca central”, independentemente de essas obras terem sido efetivamente utilizadas no treinamento da IA.

O julgamento destinado a definir o valor da indenização pela suposta pirataria estava previsto para começar em dezembro do ano passado. Segundo o processo, os danos poderiam alcançar centenas de bilhões de dólares.

Obras teriam sido utilizadas no treinamento do Claude – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

Mais de 480 mil obras fazem parte do acordo

Durante audiência judicial, o advogado dos autores informou que escritores e outros detentores de direitos autorais apresentaram pedidos relacionados a mais de 92% das mais de 480 mil obras abrangidas pelo acordo.

Em nota divulgada após a decisão, o advogado principal dos autores, Justin Nelson, comemorou a aprovação definitiva. “Estamos satisfeitos com a decisão do tribunal de conceder aprovação final a este acordo histórico. Trata-se da maior recuperação por direitos autorais da história.”

Ele acrescentou que a expectativa é iniciar os pagamentos aos autores contemplados pelo acordo o mais rapidamente possível. “Esperamos fazer as distribuições à classe o mais rápido possível.”

Juíza rejeita críticas ao acordo

O acordo recebeu objeções de alguns autores, que argumentavam que o valor da indenização era baixo, que os advogados dos autores receberiam uma parcela excessiva dos recursos e que determinados detentores de direitos autorais haviam sido excluídos indevidamente.

Na decisão desta segunda, Araceli Martinez-Olguín rejeitou todas essas contestações. Segundo a magistrada, as críticas ao valor do acordo “não estão fundamentadas em uma avaliação realista dos riscos e benefícios de um julgamento”.

A juíza também autorizou o pagamento de mais de US$ 101 milhões (R$ 515,7 milhões) em honorários advocatícios, de um total de US$ 187,5 milhões (R$ 957,3 milhões) solicitado pelos representantes legais dos autores.

Outros processos contra a Anthropic continuam

Embora o acordo encerre a ação coletiva, alguns autores e editoras optaram por não participar da conciliação. Esses titulares de direitos autorais ingressaram com processos separados contra a Anthropic, que continuam tramitando na Justiça estadunidense.

O caso faz parte de uma série de ações movidas por autores, veículos de imprensa e outros detentores de direitos autorais contra empresas de tecnologia, que discutem a utilização de obras protegidas para o treinamento de modelos de linguagem baseados em IA. Segundo a Reuters, esse foi o primeiro grande processo desse tipo nos Estados Unidos a chegar a um acordo.

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Trump perde peça-chave da estratégia de IA dos Estados Unidos

O governo dos Estados Unidos perdeu, nesta segunda-feira (20), o responsável pelo comando de sua principal estrutura voltada à avaliação de sistemas de inteligência artificial. Chris Fall deixou a direção do Centro de Padrões e Inovação em Inteligência Artificial (CAISI) apenas três meses após ser escolhido para o cargo pela administração Donald Trump.

Vinculado ao Departamento de Comércio americano, o órgão terá Arvind Raman, diretor do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), como diretor interino enquanto o governo não define um novo titular.

A troca acontece em meio ao esforço de Washington para ampliar o acompanhamento de tecnologias avançadas de IA e à crescente disputa com empresas chinesas que buscam espaço no mercado dominado por companhias americanas.

Troca de comando acontece em meio a mudanças na estratégia de IA do governo americano

Estados Unidos e o drama com a inteligência artificial (Imagem: Pixels Hunter/Shutterstock)

A saída de Fall aumenta as dúvidas sobre quem ocupará o papel central na definição das políticas de inteligência artificial dentro da Casa Branca. A administração Trump ainda não definiu um substituto permanente para David Sacks, que anteriormente atuava como responsável pela agenda de IA e criptomoedas do governo e deixou o posto em março.

De acordo com Kristen Eichamer, porta-voz do Departamento de Comércio, Raman continuará acumulando a liderança do NIST enquanto assume temporariamente a direção do CAISI. A representante, no entanto, não informou o motivo da saída de Fall, nomeado para comandar a instituição em abril.

O CAISI tem como objetivo auxiliar o governo americano na criação de processos de avaliação e cooperação técnica envolvendo sistemas comerciais de inteligência artificial. A estrutura faz parte do Departamento de Comércio e foi criada para contribuir com testes e pesquisas relacionados ao desenvolvimento dessas tecnologias.

A movimentação ocorre após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva voltada à inteligência artificial. O documento estabelece que desenvolvedores de modelos podem fornecer voluntariamente seus sistemas ao governo para análises de capacidade antes de lançamentos completos.

A medida também determinou que órgãos federais elaborassem, no prazo de 60 dias, uma estrutura de avaliação para essas tecnologias. Desde então, empresas que trabalham no lançamento de novos modelos passaram a lidar com um cenário considerado pouco definido.

A OpenAI informou, em junho, que restringiu inicialmente a distribuição de sua série GPT-5.6 a parceiros considerados confiáveis após solicitação do governo americano. Antes disso, a Anthropic interrompeu temporariamente o acesso a seus modelos Fable 5 e Mythos 5 para cumprir uma determinação relacionada a controles de exportação emitida pelo Departamento de Comércio.

Disputa com modelos chineses aumenta pressão sobre política tecnológica dos EUA

Representação de um processador com as bandeiras de China e EUA irradiando energia
EUA x China – Imagem: Quality Stock Arts/Shutterstock

A reorganização interna acontece enquanto modelos de inteligência artificial de código aberto desenvolvidos na China ganham espaço no mercado americano. Entre os exemplos citados está a startup chinesa Moonshot AI, que apresentou recentemente o modelo Kimi K3 e afirmou ter reduzido a diferença em relação aos sistemas mais avançados de empresas dos Estados Unidos.

A disputa envolve modelos proprietários desenvolvidos por companhias como OpenAI e Anthropic, que seguem entre os principais nomes do setor americano. Nesse cenário, a capacidade do governo de acompanhar, avaliar e estabelecer diretrizes para essas tecnologias passou a receber maior atenção.

Nas últimas semanas, a administração Trump também iniciou a implementação de medidas previstas na ordem executiva por meio do chamado “Gold Eagle”, um sistema criado para identificar e corrigir vulnerabilidades de segurança digital.

Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o mecanismo já começou a receber e priorizar falhas identificadas em sistemas de cibersegurança, além de coordenar processos de verificação. O CAISI, porém, não foi apontado como participante da criação dessa iniciativa.

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Claude Fable 5 enfrenta limite de uso após superar expectativas da Anthropic

A Anthropic passou a aplicar nesta segunda-feira (20) novas regras de utilização do Claude Fable 5, estabelecendo diferentes condições de acesso conforme o tipo de assinatura dos usuários. A mudança ocorre após dificuldades para manter a disponibilidade estável do modelo desde seu lançamento.

Clientes dos planos Max e Team Premium receberam acesso incluído no pacote, mas com utilização limitada a metade da capacidade padrão. Já os assinantes Pro e Team Standard continuam dependendo de créditos para usar o recurso.

A empresa afirma que a alteração busca tornar a experiência mais previsível enquanto amplia sua infraestrutura computacional para acompanhar a procura pelo modelo. A capacidade poderá ser revista conforme novos recursos forem incorporados.

Entenda a nova política de acesso ao Claude Fable 5

Anthropic é a criadora do chatbot Claude – Imagem: Stockinq/Shutterstock

A partir das novas regras, usuários dos planos Max e Team Premium passaram a contar com o Claude Fable 5 dentro da própria assinatura, porém com uma restrição de uso equivalente a 50% da capacidade considerada padrão do modelo.

Para quem possui os planos Pro e Team Standard, a Anthropic manteve o sistema baseado em créditos. Como parte da transição, a companhia disponibilizou um crédito único de US$ 100 para utilização no Fable 5.

De acordo com a empresa, a alta procura pelo modelo foi o principal motivo para a revisão da política de acesso. A Anthropic informou que a demanda ultrapassou as previsões iniciais e dificultou a manutenção de uma oferta estável do serviço.

Antes da definição das novas condições, o acesso ao modelo passou por períodos de liberação, interrupção e retomada. A companhia também estendeu o período gratuito de uso mais de uma vez enquanto trabalhava na expansão da infraestrutura.

Segundo a Anthropic, a estratégia adotada foi liberar o acesso gradualmente, em vez de disponibilizar o modelo para todos os assinantes de uma única vez. A empresa afirmou que essa decisão teve como objetivo evitar uma experiência prejudicada por limitações técnicas.

Com a implementação das regras atuais, a criadora do Claude pretende reduzir alterações frequentes na disponibilidade do Fable 5 e oferecer maior previsibilidade aos usuários.

O que o Claude Fable 5 tem a oferecer?

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Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Apresentado pela Anthropic como um modelo de quinta geração da linha Claude, o Fable 5 foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas em áreas como programação, análise de informações, interpretação visual e pesquisa científica. A empresa afirma que o sistema supera os modelos anteriores da própria companhia em diversos testes de capacidade, principalmente em atividades que exigem raciocínio prolongado.

Na área de desenvolvimento de software, o modelo ganhou destaque pela capacidade de atuar em projetos extensos. Segundo a Anthropic, testes iniciais mostraram que o Fable 5 conseguiu acelerar processos de engenharia, incluindo uma migração em uma base de código com 50 milhões de linhas que levaria mais de dois meses para ser realizada manualmente por uma equipe.

Outro avanço apontado pela empresa está no chamado trabalho de conhecimento, que envolve análise de documentos, interpretação de gráficos, tabelas e resolução de problemas complexos. Em avaliações voltadas ao raciocínio financeiro e analítico, a Anthropic afirma que o modelo apresentou desempenho superior entre sistemas avaliados.

O Fable 5 também recebeu melhorias na compreensão de imagens. A companhia destaca que o modelo consegue extrair informações precisas de figuras científicas, interpretar elementos visuais complexos e até reconstruir o código de uma aplicação a partir de capturas de tela.

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Google cria chip de IA secreto para deixar Gemini mais poderoso

O Google trabalha em um novo chip de IA que poderá ajudar a empresa a rodar modelos de inteligência artificial com mais eficiência. O projeto, chamado internamente de “Frozen v2”, deve ampliar a capacidade de processamento usada pelo Gemini.

Segundo a Reuters, o desenvolvimento faz parte da estratégia da companhia para enfrentar limitações de computação que já afetaram contratos do Google Cloud.

Google aposta em hardware próprio para acelerar o Gemini e ampliar sua capacidade na disputa pela liderança em inteligência artificial. – Imagem: arda savasciogullari/Shutterstock

Frozen v2 terá partes do Gemini no próprio hardware

A principal novidade do chip é a possibilidade de incorporar elementos do Gemini diretamente ao hardware. A ideia é tornar a execução dos modelos mais eficiente, reduzindo a dependência de estruturas tradicionais de processamento.

Entre os detalhes divulgados estão:

  • O Google trabalha com previsão de uso do chip a partir de 2028;
  • O design ainda está sendo finalizado pelos engenheiros;
  • A eficiência pode ser de seis a dez vezes superior à dos atuais chips personalizados de IA da empresa;
  • O projeto será uma nova linha de hardware e não substituirá as TPUs.
Silhueta de pessoa com chip no lugar do cérebro, que também traz logotipo do Google
Google prepara uma nova geração de chips para IA em meio à crescente demanda por capacidade computacional. Imagem: Pedro Spadoni via DALL-E/Olhar Digital

Google também enfrenta desafios com Gemini

O Frozen v2 não chega para eliminar as unidades de processamento tensorial (TPUs), tecnologia já utilizada pelo Google em tarefas de inteligência artificial. A proposta é criar uma alternativa especializada para atender às necessidades dos modelos mais avançados.

Leia mais:

Além da corrida por novos chips, o Google trabalha para aprimorar seus modelos de IA. A Reuters citou um relatório da Bloomberg segundo o qual a empresa adiou o lançamento de uma nova versão do Gemini após o sistema não atingir metas internas, principalmente em programação.

O desenvolvimento do Frozen v2 mostra que a disputa por inteligência artificial envolve não apenas criar modelos melhores, mas também construir a infraestrutura necessária para colocá-los em funcionamento.

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Como a IA ajuda terroristas a criarem bombas?

A inteligência artificial passou a ocupar um novo espaço nas estratégias de grupos terroristas, que, além de utilizarem a tecnologia para produzir propaganda e atrair seguidores, também recorrem a chatbots para pesquisas e preparação de bombas. O alerta consta em análises de organizações dedicadas ao monitoramento de ameaças digitais.

O levantamento da Tech Against Terrorism, observatório online apoiado pelo escritório de contraterrorismo das Nações Unidas, identificou que modelos de linguagem podem entregar informações consideradas aproveitáveis em parte das consultas feitas por usuários com base em situações associadas ao uso terrorista.

Os pesquisadores avaliaram mais de 2.300 solicitações enviadas a 27 sistemas de inteligência artificial e verificaram que 32% delas resultaram em respostas classificadas como utilizáveis. Quando os pedidos foram reformulados sob uma justificativa acadêmica, esse índice chegou a 42%.

Do uso de propaganda ao auxílio em etapas de preparação

Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)

Nos últimos anos, organizações terroristas como Estado Islâmico e Al Qaeda passaram a empregar recursos de inteligência artificial principalmente para criar materiais de divulgação, incluindo vídeos, memes, podcasts e conteúdos destinados à radicalização de novos integrantes.

A utilização da tecnologia, porém, começou a aparecer em outras etapas. Especialistas apontam que casos recentes envolveram ferramentas de IA em atividades como planejamento, pesquisa, vigilância, representação visual de ações e produção de propaganda relacionadas a ataques registrados ou frustrados em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Israel, Finlândia e Áustria.

As autoridades raramente divulgam detalhes sobre a participação exata dessas ferramentas em investigações, o que dificulta medir a extensão do fenômeno. Ainda assim, relatos apresentados em órgãos públicos indicam que suspeitos passaram a buscar em modelos de linguagem respostas relacionadas à fabricação de explosivos, justificativas ideológicas e validação de intenções violentas.

Pesquisadores também identificaram movimentos organizados em ambientes digitais. Estudos sobre apoiadores do Estado Islâmico e grupos de extrema direita apontaram discussões sobre maneiras de explorar sistemas de IA, compartilhar comandos de interação com chatbots e obter respostas específicas.

A análise dos pesquisadores Yuri Neves e Emily Klein, da organização Moonshot, identificou canais no Telegram voltados ao debate sobre inteligência artificial, incluindo grupos que compartilhavam instruções para manipular respostas dos sistemas e até dividiam custos de assinaturas de ferramentas.

A preocupação não está restrita a indivíduos isolados. Pesquisadores que analisaram a atuação do grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al Qaeda e baseado no Mali, levantaram a possibilidade de uso de IA em modificações relacionadas a drones.

O pesquisador Rueben Dass, da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, avaliou que a tecnologia passou a assumir parte do papel antes desempenhado por pessoas que atuavam como intermediárias virtuais entre organizações extremistas e potenciais autores de ataques.

Não acho que se possa dizer que os seres humanos tenham sido substituídos, mas, até certo ponto, esses atores isolados passaram a recorrer à IA, como o ChatGPT, para obter esse tipo de apoio”, explicou Rueben Dass, pesquisador da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em entrevista à Deutsche Welle.

Segundo Dass, a existência desses recursos não significa, necessariamente, que ataques se tornem mais bem-sucedidos. Para ele, o resultado de uma ação terrorista depende de vários fatores e não apenas da utilização de inteligência artificial.

O analista Moustafa Ayad, do Institute for Strategic Dialogue, no Reino Unido, afirmou que grupos ligados ao extremismo têm usado a tecnologia em diferentes níveis, desde materiais de comunicação até tentativas de contornar barreiras impostas pelos sistemas. “Também existe um grupo dedicado a tentar burlar os sistemas de IA (jailbreaking) e utilizá-los para apoiar o planejamento operacional e a preparação de ações.”

Tecnologia amplia velocidade e alcance de usuários mal-intencionados

Foto de silhueta de hacker encapuzado
Cibercriminoso – Imagem: iJeab/Shutterstock

Especialistas destacam que grande parte das informações buscadas por pessoas interessadas em cometer crimes violentos já existia antes da popularização da inteligência artificial. A diferença apontada está na facilidade de acesso, rapidez das respostas e possibilidade de interação contínua com os sistemas.

Para Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, a principal mudança está no formato conversacional dos modelos de linguagem, que podem funcionar como uma espécie de apoio interativo para usuários determinados a avançar em suas pesquisas.

O que esses modelos de IA mudam é a velocidade, a facilidade e a abrangência. Pessoas que antes não tinham tempo, recursos ou capacidade agora podem avançar muito mais longe e muito mais rápido”, disse Adam Hadley, diretor da Tech Against Terrorism, em declaração à Deutsche Welle.

Hadley também afirmou que a expansão desse tipo de ferramenta merece atenção especialmente diante do envolvimento crescente de adolescentes e crianças em processos de radicalização observados em países da Europa, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Emily Klein, pesquisadora da Moonshot, avaliou que a inteligência artificial não necessariamente cria novos terroristas, mas pode influenciar trajetórias de radicalização ao reforçar ideias extremistas já existentes.

Não há necessariamente evidências de que a IA esteja criando mais terroristas. A questão está mais relacionada à forma como a IA interage com as pessoas e influencia o percurso delas rumo à violência“, explicou Emily Klein, pesquisadora da Moonshot, em declaração reproduzida pela Deutsche Welle.

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Conheça a IA chinesa que deixa os Estados Unidos ansiosos

A startup chinesa Moonshot AI entrou no centro da disputa global por inteligência artificial após o lançamento do modelo Kimi K3 provocar forte repercussão no mercado e uma demanda acima da capacidade disponível. O movimento levou a empresa a suspender temporariamente novas assinaturas enquanto amplia sua infraestrutura e avança em seus planos de expansão.

Além da limitação operacional, a companhia trabalha na reorganização de sua estrutura societária para viabilizar uma eventual abertura de capital em Hong Kong e, paralelamente, busca captar novos recursos para financiar o crescimento. O interesse de investidores foi impulsionado pela recepção positiva ao novo modelo de IA.

O episódio também alimentou um debate no setor de tecnologia sobre a velocidade com que empresas chinesas reduzem a distância em relação às desenvolvedoras norte-americanas e sobre os impactos dessa competição para o mercado global de inteligência artificial.

Demanda supera previsões e empresa limita novas assinaturas

App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)

A Moonshot informou que a procura pelo Kimi K3 ultrapassou as estimativas feitas pela companhia poucos dias após o lançamento do modelo. Segundo a empresa, o volume de solicitações passou a se aproximar do limite da infraestrutura disponível, o que motivou a interrupção temporária da entrada de novos assinantes.

A empresa afirmou que os clientes pagantes já existentes continuarão utilizando normalmente o serviço. Também anunciou que pretende dividir as futuras modalidades de assinatura, incluindo uma opção voltada especificamente para programação, como forma de distribuir melhor a capacidade computacional entre diferentes perfis de uso.

O Kimi K3 foi apresentado como um modelo de 2,8 trilhões de parâmetros e descrito pela Moonshot como o maior sistema de inteligência artificial de pesos abertos já lançado pela empresa. A companhia também sustentou que o modelo apresenta desempenho competitivo em diferentes avaliações técnicas, enquanto análises independentes apontaram resultados considerados fortes em algumas tarefas.

A elevada demanda ocorre em um momento em que modelos de grande porte exigem cada vez mais capacidade de processamento. Especialistas ouvidos pela Reuters observam que, embora sistemas de pesos abertos possam ser baixados e personalizados, o custo de infraestrutura torna improvável que a maioria dos usuários opere localmente um modelo desse porte.

Expansão financeira acompanha avanço tecnológico

Aplicativo da Kimi K3 em uma loja
Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – (Reprodução: Robert Way/Shutterstock)

Ao mesmo tempo em que enfrenta o aumento da demanda, a Moonshot trabalha para fortalecer sua estrutura financeira. Fontes com conhecimento das negociações informaram à Reuters que a empresa reorganiza sua estrutura internacional como parte da preparação para uma eventual oferta pública inicial de ações em Hong Kong.

As mesmas fontes afirmaram que Goldman Sachs e China International Capital Corp participam das discussões sobre o possível IPO, embora o cronograma ainda permaneça indefinido. Procuradas pela agência, a Moonshot e o Goldman Sachs preferiram não comentar, enquanto a CICC não respondeu ao pedido de posicionamento.

Fundada em 2023 por Yang Zhilin, pesquisador que realizou estudos de doutorado na Carnegie Mellon University, a startup levantou mais de US$ 2 bilhões em maio com investidores como Meituan, China Mobile e CPE.

De acordo com documentos obtidos pela Reuters, o total captado ao longo de sua trajetória supera US$ 5,5 bilhões, enquanto uma nova rodada de até US$ 2 bilhões vem sendo buscada após a avaliação da empresa alcançar US$ 30 bilhões em junho.

Lançamento amplia debate sobre a disputa entre China e Estados Unidos

queda de braço entre robô humanoide americano e chinês
Além da corrida das IAs, China e EUA travam duelo na robótica. – Imagem gerada com IA. ChatGPT/Olhar Digital

A repercussão do Kimi K3 ultrapassou os aspectos técnicos e financeiros. O lançamento provocou uma ampla discussão entre investidores, executivos e analistas sobre a velocidade da evolução da inteligência artificial chinesa e seus efeitos sobre as empresas que lideram esse mercado nos Estados Unidos.

Para parte dos participantes desse debate, o novo modelo reforça a percepção de que as empresas chinesas avançam mais rapidamente do que o esperado na redução da distância tecnológica em relação às concorrentes norte-americanas.

Outra corrente argumenta que desempenho técnico não garante liderança comercial, especialmente para companhias que já construíram ecossistemas consolidados de produtos, clientes e desenvolvedores.

Em entrevista à Bloomberg Tech, Saam Motamedi, sócio da Greylock e investidor em OpenAI e Anthropic, defendeu que o desempenho do Kimi K3 não elimina as vantagens competitivas das empresas norte-americanas. “Acho que tanto a Anthropic quanto a OpenAI têm múltiplas vantagens competitivas. Elas possuem receitas muito significativas. São as empresas de crescimento mais rápido da história da humanidade.”

Na mesma entrevista, o investidor afirmou que OpenAI e Anthropic deixaram de atuar apenas como desenvolvedoras de modelos e passaram a operar negócios completos de inteligência artificial, com produtos próprios, ecossistemas de desenvolvedores e clientes corporativos.

Outro argumento ganhou força entre os investidores. A avaliação é de que modelos mais baratos e acessíveis podem reduzir a rentabilidade das empresas focadas exclusivamente em modelos de fronteira, mas ampliar o uso da inteligência artificial em diversos segmentos da economia.

Nesse cenário, fornecedores de infraestrutura, fabricantes de semicondutores e empresas de software poderiam ser beneficiados pelo crescimento da demanda decorrente da redução dos custos de utilização da tecnologia.

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