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IA pode acabar com a humanidade? Especialistas pedem distinção entre ciência e achismos

Especialistas de um painel científico da ONU defenderam nesta segunda-feira (22) mais cautela ao tratar dos riscos da inteligência artificial. A avaliação é que previsões apocalípticas podem misturar evidências, hipóteses e incertezas sobre o futuro da tecnologia.

O alerta surgiu durante um evento em Nova York, realizado à margem da Assembleia Geral da ONU. Os pesquisadores afirmam que é preciso separar aquilo que a ciência já consegue sustentar do que ainda é apenas uma possibilidade.

O debate sobre a IA envolve riscos graves, mas também incertezas que ainda dividem os próprios especialistas. – https://olhardigital.com.br/wp-content/uploads/2026/05/ia_ciberseguranca.jpg

Críticas ao discurso sobre o fim da humanidade

Joelle Barral, executiva do Google DeepMind e integrante do Painel Científico Internacional sobre IA, defendeu que o debate seja guiado pelo conhecimento disponível.

“Como cientistas, é muito importante investir na ciência, para realmente distinguir o que sabemos do que não sabemos, e investir no medo não ajuda muito”, disse Barral.

A declaração veio após uma pergunta da AFP sobre manifestações recentes envolvendo os perigos da IA. No início de setembro, Jacob Coxon, ex-funcionário da Anthropic que também trabalhou na OpenAI, afirmou que desenvolvedores acreditavam que a tecnologia “poderia matar todos nós até o fim da década”.

Um engenheiro de pesquisa que deixou o Google DeepMind em julho fez uma avaliação semelhante. Segundo ele, talvez já fosse “tarde demais para evitar” a extinção da humanidade pela IA.

Especialistas ainda divergem sobre os riscos

Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e jornalista investigativa, também questionou a forma como o tema costuma ser apresentado.

“A verdade, porém, é muito mais complexa e sofisticada”, afirmou Ressa. Na avaliação dela, transformar a discussão em uma questão ideológica prejudica a compreensão do problema.

Os especialistas destacaram alguns pontos para orientar essa discussão:

  • separar evidências científicas de hipóteses;
  • reconhecer as incertezas existentes;
  • considerar a gravidade dos riscos;
  • evitar afirmações excessivamente categóricas;
  • manter uma discussão global baseada em evidências.
Riscos da IA
O discurso oscila entre o pavor irracional de robôs e o total descaso, alerta painel científico. – imagem criada por inteligência artifiicial: Gemini/Olhar Digital

Painel científico foi criado em 2025

O Painel Científico Internacional sobre IA foi criado em 2025, e seus integrantes foram escolhidos em fevereiro de 2026. O grupo busca ampliar a compreensão científica sobre a inteligência artificial e contribuir para as discussões da ONU.

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Yoshua Bengio, considerado um dos pioneiros da IA e copresidente do painel, chamou atenção para uma dificuldade central: separar o que os pesquisadores sabem daquilo que pode ser apenas “extrapolado de forma plausível” a partir das evidências.

Esse limite ainda divide os especialistas. Por isso, Bengio também fez um alerta sobre declarações muito contundentes: “O problema de gritar muito alto é que outra pessoa também pode gritar muito alto”.

Para Bengio, o debate precisa considerar a falta de certezas em parte das previsões sobre a tecnologia. Ele defendeu “uma discussão racional global sobre o que está acontecendo, inclusive sobre a incerteza e sobre a gravidade dos riscos”.

A avaliação apresentada pelos integrantes do painel reforça a necessidade de distinguir o conhecimento científico disponível das projeções feitas a partir dele, especialmente em um campo no qual os próprios especialistas ainda divergem sobre a extensão dos riscos.

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IA preocupa Bill Gates, que vê governos despreparados para mudanças

Bill Gates afirmou que nenhum governo do mundo está tão preparado quanto deveria para as mudanças que a inteligência artificial pode trazer à sociedade. Em entrevista à Reuters, o cofundador da Microsoft alertou para riscos envolvendo empregos, ataques e dependência da IA.

Apesar das preocupações, Gates também vê potencial para a tecnologia ajudar as populações mais pobres. A fundação que leva seu nome pretende investir pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,14 bilhões) nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

O investimento anunciado pela fundação busca ampliar o acesso à inteligência artificial, especialmente entre populações mais pobres. – Imagem: Supapich Methaset/Shutterstock

Gates muda de posição sobre a IA

Até pouco tempo atrás, Gates mantinha uma visão mais otimista sobre a inteligência artificial. Agora, passou a destacar riscos relacionados ao avanço da tecnologia, incluindo impactos sobre empregos, ataques e dependência de sistemas de IA.

“Não acho que nenhum governo esteja nem perto de se aprofundar nisso tanto quanto deveria”, afirmou Gates à Reuters.

O empresário tem conversado com líderes mundiais sobre essas preocupações. Entre eles estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua equipe. Gates também disse que pretende se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, ainda neste ano.

Tecnologia pode ajudar os mais pobres

O alerta não significa que Gates veja a inteligência artificial apenas como uma ameaça. Segundo ele, a tecnologia tem grande potencial para ajudar as populações mais pobres, desde que seja administrada adequadamente e tenha acesso distribuído de forma igualitária.

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É nesse ponto que entra o investimento anunciado pela fundação que leva seu nome. A organização planeja destinar pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos dois anos para ampliar o acesso à IA.

A proposta está ligada à avaliação de que os benefícios da tecnologia precisam alcançar também as populações mais pobres, e não apenas grupos com maior acesso aos novos recursos.

Bill Gates
Gates tem conversado com líderes mundiais sobre os riscos da inteligência artificial e a preparação dos governos. – Imagem: Alexandros Michailidis/Shutterstock

O alerta aos governos

Gates resumiu sua avaliação sobre a preparação das autoridades em outra declaração à Reuters: “Os governos estão muito atrasados nesse assunto”.

Os principais pontos de preocupação citados pelo empresário são:

  • Impactos da IA sobre empregos;
  • Riscos relacionados a ataques;
  • Dependência de sistemas de IA;
  • Falta de preparação dos governos;
  • Acesso desigual à tecnologia.

A avaliação de Gates combina dois pontos: os governos precisam acompanhar melhor as mudanças provocadas pela inteligência artificial, enquanto o acesso à tecnologia deve ser ampliado para que seus possíveis benefícios cheguem às populações mais pobres.

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