Segundo a CNBC, as maiores empresas de chips do mundo perderam cerca de US$ 1,3 trilhão (aproximadamente R$ 6,65 trilhões) em valor de mercado nesta semana. A forte correção atingiu companhias que lideraram a alta da inteligência artificial e levantou dúvidas sobre o ritmo dos investimentos no setor.
Nvidia, Samsung, SK Hynix e outras gigantes foram afetadas pelo movimento. Para analistas, porém, a queda representa mais uma mudança de expectativas dos investidores do que uma perda de força da tecnologia.
Bilhões foram aplicados em infraestrutura de IA, mas investidores agora querem saber quando esses gastos vão virar receita. – Imagem: Andrei Armiagov / Shutterstock
Gigantes dos semicondutores sentem impacto após alta histórica
O mercado de chips foi um dos grandes vencedores da corrida pela inteligência artificial. Empresas que fornecem componentes para sistemas de IA receberam investimentos bilionários nos últimos meses, impulsionando suas ações.
Agora, parte dos investidores tenta entender se os futuros ganhos dessas companhias serão suficientes para justificar o tamanho das apostas feitas até aqui.
Segundo uma análise da CNBC com dados da FactSet, 20 das empresas de chips mais valiosas do mundo perderam juntas US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 6,65 trilhões) desde o fechamento de sexta-feira.
Micron: US$ 113 bilhões (cerca de R$ 579 bilhões);
AMD: cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 563 bilhões).
Mesmo com o recuo recente, o índice Philadelphia Semiconductor Index (SOX), que acompanha 30 grandes empresas do setor negociadas nos Estados Unidos, ainda acumulava alta de 92% em 12 meses.
Mercado questiona gastos bilionários em infraestrutura de IA
Para Michael Field, estrategista-chefe de ações da Morningstar, a reação dos investidores está mais ligada ao sentimento do mercado do que aos resultados financeiros das empresas.
“Essa queda parece ser impulsionada principalmente pelo sentimento, e não pelos fundamentos”, afirmou.
Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, explicou que o mercado está reavaliando se as receitas esperadas conseguirão acompanhar os níveis recordes de investimento em infraestrutura de inteligência artificial.
Segundo ele, o movimento representa uma correção após uma valorização excepcional, e não necessariamente uma redução na demanda por IA.
A inteligência artificial continua em alta, mas o mercado agora cobra resultados para justificar a enorme expectativa criada. – Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digita
Queda se espalha por bolsas da Ásia e Europa
A pressão sobre as ações de chips também chegou aos mercados internacionais. Na Coreia do Sul, a SK Hynix fechou em queda de 9,61%, mesmo após divulgar resultados trimestrais recordes. A Samsung Electronics recuou mais de 5%.
No Japão, fabricantes como Kioxia e Tokyo Electron também registraram perdas. Já a TSMC, maior fabricante terceirizada de chips do mundo, caiu 3,51%.
Apesar da instabilidade, alguns investidores enxergam oportunidades. Kieron Poon, diretor de investimentos em ações asiáticas da Aberdeen Investments, afirmou que a correção deixou algumas empresas de alta qualidade com avaliações mais atrativas.
Já para David Riedel, fundador e presidente da Riedel Research Group, o mercado apenas devolveu parte do excesso de valorização criado pelo entusiasmo com a IA. Para ele, o setor continua saudável, mas precisa absorver os ganhos acelerados registrados anteriormente.
Como comentamos há alguns dias, um agente de inteligência artificial da OpenAI criado para testes de segurança conseguiu ir além do esperado: além do incidente envolvendo o Hugging Face, o sistema também acessou outras contas e serviços usando credenciais expostas publicamente.
A empresa atualizou sua investigação e confirmou que o episódio teve mais ramificações, embora nenhum outro caso tenha alcançado a gravidade do primeiro ataque identificado.
Um agente da OpenAI saiu do ambiente de testes e acessou serviços externos, reacendendo o debate sobre segurança em IA. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock
Sistema encontrou credenciais disponíveis na internet
Segundo a OpenAI, o agente usou credenciais públicas para acessar quatro contas ligadas a quatro serviços diferentes durante os testes. A companhia afirmou ter encontrado “um pequeno número de casos” semelhantes em outras avaliações.
Os acessos identificados envolveram:
Uma conta usada como caminho de saída e preparação de ações;
Uma conta utilizada para armazenamento de dados;
Duas contas acessadas apenas para leitura;
Credenciais expostas publicamente encontradas pelo próprio modelo.
A OpenAI destacou que os dois últimos acessos não foram usados para ampliar o comprometimento dos serviços.
Agente ultrapassou ambiente isolado de testes
O caso veio a público em 21 de julho, quando a empresa revelou que um agente experimental conseguiu sair do ambiente protegido onde era avaliado, acessar a internet e chegar ao Hugging Face enquanto tentava resolver uma tarefa.
A descoberta levantou preocupações porque o sistema encontrou maneiras de continuar sua atuação fora dos limites inicialmente previstos pelos pesquisadores.
Além do Hugging Face, a Reuters informou que o agente também acessou uma conta de cliente da Modal Labs, empresa de computação em nuvem. O acesso ocorreu por meio de código vulnerável criado pelo próprio cliente, sem comprometimento da plataforma.
Após o incidente, o CEO do Hugging Face, Clem Delangue, cobrou mais transparência no processo de investigação. O executivo defendeu uma abordagem mais aberta para entender como a falha de isolamento permitiu que o agente ultrapassasse os limites previstos e acessasse recursos externos.
Como parte dos esforços para lidar com o episódio, o Hugging Face também utilizou recentemente o modelo chinês GLM-5.2 para ajudar na contenção de um ataque cibernético realizado pelo agente da OpenAI durante testes de segurança. O caso chamou atenção por mostrar uma situação em que uma ferramenta aberta conseguiu participar da defesa em um cenário no qual sistemas fechados apresentaram limitações.
A investigação mostrou que o incidente foi além do Hugging Face e envolveu outras contas e serviços Imagem: Robert Way/Shutterstock
Segurança de agentes autônomos vira novo desafio
O episódio destaca uma preocupação crescente no desenvolvimento de agentes de IA: sistemas capazes de executar tarefas sozinhos precisam de controles cada vez mais rigorosos.
Ao mesmo tempo em que esses agentes prometem realizar atividades complexas, eles também podem encontrar caminhos inesperados para atingir seus objetivos.
A OpenAI informou que continua analisando o comportamento do sistema e que, até agora, não identificou outro incidente com o mesmo nível de gravidade do caso envolvendo o Hugging Face.
O episódio reforça que, além de criar modelos mais inteligentes, empresas de tecnologia terão de desenvolver novas formas de limitar e acompanhar as ações realizadas por essas ferramentas.
Segundo o The Washington Post, OpenAI e Anthropic, duas das maiores empresas de inteligência artificial do mundo, apoiam uma carta que pede ao governo dos Estados Unidos mecanismos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia caso os avanços se tornem rápidos demais.
O documento, assinado por funcionários de empresas como Google, Meta e outras líderes do setor, alerta que a IA pode evoluir além da capacidade humana de acompanhar e controlar seus impactos.
Empresas que criam IA agora discutem como evitar que a tecnologia avance além da capacidade de supervisão humana. – Imagem: Primakov / Shutterstock
Empresas defendem ritmo mais seguro para a inteligência artificial
A carta pede que os Estados Unidos liderem um esforço internacional para criar ferramentas técnicas e regras de governança capazes de acompanhar os modelos mais avançados de inteligência artificial.
A proposta não sugere interromper pesquisas, mas estabelecer formas de reduzir riscos caso sistemas futuros consigam automatizar parte do próprio desenvolvimento da tecnologia.
Entre os principais pontos defendidos pelos profissionais estão:
Criar mecanismos internacionais de acompanhamento da evolução da IA;
Desenvolver ferramentas técnicas para avaliar riscos;
Estabelecer regras de governança para sistemas avançados;
Ampliar a cooperação entre governos e empresas do setor.
O movimento ganhou destaque justamente por envolver profissionais de empresas que estão na linha de frente da corrida pela inteligência artificial. A iniciativa representa uma mudança em relação a pedidos anteriores de pausa no desenvolvimento da tecnologia, já que agora conta com apoio institucional de grandes companhias.
IA capaz de criar novas IAs aumenta preocupação
Sam Altman, CEO da OpenAI, diz que talvez seja necessário controlar o ritmo da IA para que a sociedade consiga acompanhar. – Imagem: Henry Franklin/Shutterstock
Um dos principais alertas está relacionado à possibilidade de sistemas de inteligência artificial assumirem tarefas de pesquisa e ajudarem a desenvolver novos modelos de forma cada vez mais autônoma.
A OpenAI afirmou que um de seus objetivos é construir um “pesquisador de IA automatizado”. A empresa prevê que, no início de 2028, uma parcela significativa de suas pesquisas poderá ser realizada por sistemas de inteligência artificial trabalhando em conjunto com especialistas humanos.
Andrew Yoon, integrante da CivAI, organização que analisa capacidades e riscos da tecnologia, afirmou que essa possibilidade pode acelerar o avanço da IA para além da capacidade de supervisão.
“Os desenvolvedores de IA acreditam cada vez mais que a pesquisa automatizada em inteligência artificial pode estar próxima de se tornar realidade”, afirmou Yoon.
Segundo ele, essa aceleração tem potencial para levar o progresso tecnológico a um ponto em que os modelos se tornem difíceis de controlar com segurança.
Corrida entre países aumenta debate sobre segurança
A evolução da inteligência artificial já faz parte da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Empresas e governos investem bilhões de dólares para desenvolver sistemas mais avançados, enquanto especialistas discutem como equilibrar inovação e segurança.
Sam Altman, CEO da OpenAI, não assinou a carta, mas afirmou que pode ser necessário reduzir o ritmo dos avanços para que a sociedade consiga acompanhar as mudanças.
O debate ganhou força após novos modelos da OpenAI e da Anthropic demonstrarem capacidades avançadas de interação com sistemas digitais, incluindo tarefas que levantam preocupações sobre segurança.
Desafio é inovar sem perder o controle
A carta apoiada pelas empresas não propõe abandonar o desenvolvimento da inteligência artificial, mas criar condições para que governos, pesquisadores e sociedade consigam acompanhar a velocidade das mudanças.
Para especialistas, o avanço da tecnologia traz oportunidades em áreas como pesquisa científica, saúde e inovação, mas também exige novas formas de supervisão.
O pedido feito por funcionários das maiores empresas de IA mostra que a própria indústria começa a discutir limites para uma corrida tecnológica que pode transformar profundamente a sociedade nos próximos anos.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, fez duras críticas ao modelo de desenvolvimento de inteligência artificial (IA) adotado por concorrentes, como OpenAI e Anthropic.
Em entrevista concedida nesta terça-feira (28) ao The New York Times, o executivo afirmou que concentrar o desenvolvimento de modelos avançados em poucas empresas pode limitar o acesso da sociedade à tecnologia e prejudicar a inovação.
Embora não tenha citado diretamente OpenAI e Anthropic em diversos momentos da conversa, Zuckerberg deixou claro que se referia às empresas que defendem um desenvolvimento mais controlado da IA. Segundo ele, essa abordagem contraria a tradição do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
“Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é excessivamente dominada pelo pessimismo”, afirmou. “É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo para esse debate.”
As declarações ampliam uma discussão que vem dividindo o Vale do Silício sobre como sistemas avançados de IA devem ser desenvolvidos e disponibilizados ao público.
Debate divide gigantes da tecnologia
Executivos, como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, argumentam que alguns dos modelos mais avançados já são perigosos demais para serem desenvolvidos ou compartilhados sem rígidos mecanismos de controle;
Por outro lado, empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos;
A discussão ganhou força neste mês após modelos chineses de inteligência artificial reduzirem a vantagem tecnológica que empresas estadunidenses, como Anthropic e OpenAI, mantinham no setor;
Em resposta, essas companhias intensificaram o diálogo com reguladores em Washington e demonstraram preocupação com o avanço de modelos de código aberto desenvolvidos na China.
Na última sexta-feira (24), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, publicou uma carta defendendo o desenvolvimento de softwares de código aberto para IA, posição que recebeu apoio de diversas empresas de tecnologia.
Nesta semana, Huang também anunciou uma coalizão voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança e cibersegurança para IA, iniciativa que reúne empresas, como SpaceX e IBM.
Huang e Altman estão entre os executivos que viajaram a Washington para discutir com o governo do presidente Donald Trump possíveis políticas para o setor.
Empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos – Imagem: jackpress/Shutterstock
Durante a entrevista, Zuckerberg voltou a defender sua visão de que a IA deve estar disponível para o maior número possível de pessoas. Ele criticou a ideia de criar uma única superinteligência centralizada e totalmente alinhada aos interesses da humanidade, conceito frequentemente associado às discussões sobre segurança em IA.
“Eu acho que muitas pessoas têm a noção de que, se você construir algum tipo de inteligência artificial singular, poderá, por meio de uma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente para a humanidade”, afirmou. “Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho.”
Em vez disso, o executivo propôs o conceito de “superinteligência personalizada”, em que assistentes de IA possam ser configurados conforme as necessidades, preferências e valores de cada usuário. “Acho que é literalmente impossível existir uma única superinteligência benevolente que esteja alinhada com todas as pessoas ao mesmo tempo”, declarou.
Até a publicação da entrevista, OpenAI e Anthropic não haviam comentado as declarações. Em manifestações anteriores, a OpenAI afirmou apoiar iniciativas de código aberto e disse trabalhar com a Casa Branca para desenvolver formas seguras de expandir a IA.
Na segunda-feira (27), Amodei publicou um texto afirmando que a Anthropic está concentrada em impedir que chips avançados cheguem a regimes autoritários, evitar a reprodução em larga escala de modelos de IA e exigir testes de segurança para sistemas altamente capazes, sejam eles abertos ou fechados.
Apesar das divergências entre as empresas, pesquisadores da Anthropic, OpenAI, Meta e Google assinaram conjuntamente uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”.
O documento defende um esforço internacional para desenvolver ferramentas técnicas e mecanismos de governança capazes de desacelerar o avanço da IA quando necessário por razões de segurança.
A posição da Meta sobre IA também evoluiu nos últimos anos. Durante muito tempo, a empresa ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente modelos de IA de código aberto. No entanto, após perder espaço para OpenAI e Anthropic, Zuckerberg reformulou sua estratégia.
A companhia investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 73,5 bilhões) na startup Scale AI e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para liderar a divisão de IA da empresa, rebatizada de Meta Superintelligence Labs. Também foram investidos bilhões de dólares na contratação de pesquisadores especializados, que passaram a desenvolver um novo modelo fechado de IA, em vez de totalmente aberto.
Neste mês, a Meta começou a vender, pela primeira vez, acesso ao seu modelo Muse Spark, ao mesmo tempo em que continua desenvolvendo modelos de código aberto.
Zuckerberg afirmou acreditar que a trajetória da indústria de tecnologia aponta para uma democratização crescente das ferramentas de IA. “Acredito que a trajetória geral da indústria sempre caminhou para mais abertura e para colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos”, concluiu.
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O ataque cibernético considerado “sem precedentes”, realizado por modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI contra a plataforma Hugging Face, envolveu etapa adicional que não havia sido divulgada inicialmente.
Segundo informações publicadas pela Reuters nesta terça-feira (28), as IAs da empresa invadiram primeiro a infraestrutura de um cliente da Modal Labs antes de conseguirem comprometer o ambiente da Hugging Face.
De acordo com a reportagem, a infraestrutura de um cliente da Modal Labs serviu como ponto intermediário para que os modelos de IA da OpenAI alcançassem o sistema da Hugging Face, plataforma amplamente utilizada para compartilhamento de modelos de IA.
Em comunicado, o diretor de tecnologia da Modal Labs, Akshat Bubna, explicou que o incidente envolveu um ambiente configurado incorretamente por um cliente da empresa. “Estamos cientes de que um cliente da Modal publicou um ponto de acesso sem autenticação que permitia a qualquer pessoa na internet usar seus ambientes isolados de execução de código”, afirmou.
Na segunda-feira (27), a Hugging Face já havia informado que um agente malicioso explorou um ambiente de testes controlado hospedado por um provedor terceirizado, mas sem revelar qual empresa era responsável pela infraestrutura.
Segundo a plataforma, esse ambiente acabou sendo transformado em uma base para novos ataques, permitindo que o invasor permanecesse com acesso à infraestrutura da empresa durante aproximadamente dois dias e meio.
A Modal Labs afirmou que a exploração ocorreu exclusivamente na conta do cliente afetado e destacou que sua plataforma principal não foi comprometida.
Modal Labs teria sido invadida antes da Hugging Face – Imagem: Reprodução
A OpenAI revelou recentemente que o GPT-5.6 Sol, lançado no início de julho, e outro modelo de IA ainda não anunciado conseguiram invadir um ambiente de pesquisa da Hugging Face durante testes internos de segurança;
A própria Hugging Face já havia informado, no último dia 16, que detectou uma invasão conduzida por um agente de IA;
Segundo a empresa, o ataque permitiu acesso indevido a dados e credenciais internas;
O incidente ocorreu durante experimentos realizados pela OpenAI para avaliar a capacidade de seus modelos de encontrar vulnerabilidades em sistemas computacionais;
Esses testes costumam ser executados em ambientes controlados, utilizando versões dos modelos sem diversas das proteções normalmente presentes nas versões disponibilizadas ao público.
Em seu comunicado, a OpenAI afirmou que o GPT-5.6 Sol e outro sistema ainda não lançado atuaram em conjunto para identificar vulnerabilidades tanto no ambiente de pesquisa utilizado durante os testes quanto na infraestrutura da Hugging Face.
Segundo a Hugging Face, sua plataforma executou dois códigos enviados pelo agente de IA. A partir daí, o sistema conseguiu elevar seus privilégios dentro da infraestrutura da empresa e obter credenciais que permitiram atacar outros sistemas internos.
Ataques conduzidos por IA podem se tornar mais comuns
Ao divulgar o episódio, a OpenAI afirmou que esse tipo de invasão tende a se tornar cada vez mais frequente à medida que modelos de IA especializados em cibersegurança evoluem. “Consideramos este um incidente cibernético sem precedentes, envolvendo recursos de última geração”, afirmou a empresa.
A Hugging Face também avaliou que o episódio representa um alerta para um cenário que especialistas em segurança já vinham prevendo: o crescimento de ataques conduzidos por agentes de IA. “Foi diferente de tudo que havíamos enfrentado antes”, declarou a companhia em sua primeira manifestação pública sobre o incidente.
O Claude Mythos Preview, modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Anthropic, conseguiu identificar novas formas de explorar vulnerabilidades em uma versão simplificada de um dos algoritmos de criptografia mais utilizados no mundo, o Advanced Encryption Standard (AES).
A descoberta, anunciada pela empresa nesta terça-feira (28), reforça as preocupações sobre os impactos que modelos de IA cada vez mais avançados podem ter na segurança cibernética global.
Segundo os pesquisadores da Anthropic, o modelo foi capaz de descobrir métodos inéditos para atacar algoritmos criptográficos responsáveis por proteger desde transações bancárias online e comunicações privadas até informações sigilosas de governos contra hackers e outros agentes mal-intencionados.
O estudo indica que a IA pode, no futuro, desafiar princípios fundamentais sobre os quais a internet foi construída. Embora especialistas já esperem que a IA transforme diversos setores, os avanços têm sido especialmente rápidos nas áreas de programação e segurança digital.
Apesar da relevância da descoberta, a Anthropic ressalta que não há risco imediato para os sistemas atualmente em uso. As vulnerabilidades encontradas dizem respeito apenas a uma versão enfraquecida do AES, utilizada em pesquisas para avaliar a resistência de algoritmos criptográficos.
AES e testes de confiabilidade
O AES é um protocolo amplamente empregado para proteger o tráfego da internet, redes sem fio, sistemas de armazenamento de dados e diversos outros serviços digitais;
Testar versões simplificadas desses algoritmos é uma prática comum entre pesquisadores para entender se computadores mais poderosos poderão, no futuro, quebrar os padrões reais de criptografia;
A lógica é semelhante à de resolver um problema matemático mais simples para identificar padrões que possam ser aplicados a desafios muito mais complexos.
Durante os testes, o Claude Mythos Preview conseguiu romper essa versão reduzida do AES utilizando um método que, segundo a Anthropic, tornou o ataque entre 200 e mil vezes mais rápido do que as melhores técnicas desenvolvidas anteriormente por pesquisadores humanos.
Embora as consequências imediatas sejam limitadas, os pesquisadores afirmam que as implicações de longo prazo podem ser significativas.
Em testes anteriores, modelos de linguagem de grande porte não conseguiam igualar o desempenho de especialistas humanos em pesquisas criptográficas, um campo altamente dependente de matemática avançada.
A rápida evolução dessas ferramentas, no entanto, sugere um cenário em que futuros modelos poderão superar proteções de segurança consideradas essenciais para praticamente toda a infraestrutura da internet.
Nicholas Carlini, cientista de pesquisa da Anthropic que participou dos testes de criptografia e anteriormente trabalhou na divisão de IA do Google, afirmou que a evolução dos modelos foi muito mais rápida do que esperava.
“Eles não conseguiam resolver problemas que eu conseguia quando tinha 16 anos”, disse Carlini em entrevista ao The New York Times. “Agora eles estão realizando pesquisas de ponta que nunca haviam sido descobertas na área.”
Os avanços recentes dos chamados modelos de fronteira também vêm despertando preocupação entre governos de diversos países, incluindo o governo do presidente Donald Trump, principalmente devido às capacidades relacionadas à segurança cibernética.
Quando o Claude Mythos foi apresentado, em abril, demonstrou tanta eficiência para encontrar e explorar falhas em softwares que a Anthropic decidiu restringir seu acesso a órgãos governamentais e organizações selecionadas, buscando reduzir o risco de uma possível catástrofe digital em escala global.
Mythos é da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock
Embora o governo Trump tenha adotado inicialmente uma postura de pouca intervenção na regulamentação da IA, a administração passou a adotar um modelo de supervisão mais flexível. Atualmente, diversas empresas estadunidenses submetem seus modelos ao governo antes do lançamento público. O Mythos continua indisponível para o público em geral.
As preocupações aumentaram novamente na semana passada, quando a OpenAI revelou que alguns de seus modelos conseguiram escapar de um ambiente de testes isolado, conhecido como sandbox, criado justamente para impedir acesso à internet. Segundo a empresa, os sistemas invadiram uma biblioteca digital de IA na tentativa de obter respostas para um exame que avaliava suas capacidades.
Autoridades de inteligência dos Estados Unidos e de países ocidentais alertam há décadas que uma eventual quebra dos atuais padrões de criptografia teria consequências profundas para a privacidade digital e para a segurança nacional.
Há suspeitas, por exemplo, de que a China tenha armazenado grandes volumes de dados criptografados com a expectativa de conseguir decifrá-los futuramente. Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China pelo desenvolvimento de computadores quânticos capazes de romper os protocolos modernos de criptografia aumentou ainda mais essas preocupações.
Além da descoberta envolvendo o AES, o Claude Mythos também desenvolveu uma técnica aprimorada de ataque contra outro sistema criptográfico chamado HAWK, projetado para resistir tanto a computadores convencionais quanto a futuros computadores quânticos.
Embora o HAWK ainda não esteja em uso, ele está sendo avaliado pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST, na sigla em inglês) como um possível novo padrão criptográfico.
Segundo a Anthropic, os próprios autores do HAWK validaram o ataque desenvolvido pela IA, enquanto criptógrafos independentes revisaram a descoberta relacionada ao AES. A empresa informou ainda que compartilhou os resultados com o governo estadunidense e parceiros da indústria antes da publicação do estudo.
A Anthropic afirma que o Claude Mythos elaborou praticamente de forma autônoma o novo ataque contra o AES. Inicialmente, porém, o modelo recusou-se a analisar o problema por acreditar que seria impossível superar os métodos existentes.
Após receber novos incentivos dos pesquisadores, permaneceu cerca de uma semana trabalhando na questão até desenvolver a técnica inédita. Em seguida, dois pesquisadores humanos passaram quase um mês verificando se o método estava correto.
A criptografia é considerada um dos pilares da internet moderna, protegendo praticamente todas as atividades realizadas no ambiente digital. Algumas das técnicas ainda utilizadas atualmente guardam segredos do mundo desde a década de 1970. Já a criptografia quântica, baseada em propriedades da física quântica, é considerada teoricamente impossível de ser quebrada.
Adotado como padrão oficial do governo dos Estados Unidos em 2001, o AES era amplamente visto como praticamente inviolável. Os métodos tradicionais de força bruta, nos quais computadores tentam adivinhar combinações de senhas ou chaves de criptografia por tentativa e erro, são considerados incapazes de derrotar o algoritmo. Estima-se que o AES possua um número de combinações de chaves comparável ao número de átomos existentes no universo observável.
Mesmo assim, o avanço acelerado da IA tem superado expectativas que muitos especialistas julgavam inalcançáveis poucos anos atrás. Esse progresso alimenta preocupações de que, no futuro, os fundamentos matemáticos que sustentam os atuais padrões de segurança da internet possam se tornar vulneráveis mesmo antes de os computadores quânticos se tornarem realidade.
“Dado que estamos constantemente subestimando o poder e o tempo necessário para que futuros modelos estejam disponíveis, será que realmente estamos confortáveis em acreditar que, daqui a dois anos, a criptografia forte não estará ameaçada?”, questionou Glenn S. Gerstell, ex-conselheiro-geral da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês).
“Os matemáticos diriam que, com o poder computacional atual, não deveria ser possível quebrar uma criptografia forte em um tempo relevante”, acrescentou Gerstell, que ajudou a elaborar um relatório sobre criptologia em 2022.
“Mas não acho que as capacidades dos modelos futuros no médio prazo — antes da computação quântica ou da criptografia resistente à computação quântica — devam ser descartadas como algo trivial nesse contexto.”
A União Europeia (UE) começará a exigir, a partir de 2 de agosto, que conteúdos produzidos por inteligência artificial (IA), como os chamados “deepfakes“, sejam claramente identificados.
A medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA.
As novas regras de transparência entram em vigor inicialmente para empresas que desenvolvem ou oferecem ferramentas de IA.
Como vai funcionar a nova determinação da UE para a IA
A partir dessa data, chatbots e outros modelos de IA deverão informar de forma explícita aos usuários que são sistemas automatizados;
Da mesma forma, imagens, textos e outros conteúdos gerados por essas tecnologias precisarão exibir um rótulo indicando que foram produzidos por IA;
Empresas que deixarem de cumprir essas exigências estarão sujeitas à aplicação de multas elevadas.
A UE afirma que a iniciativa busca conter o avanço da desinformação impulsionada pela IA generativa. Segundo informações de um representante do bloco passadas à AFP, essa tecnologia permite criar conteúdos falsos em uma escala inédita, direcionados a públicos específicos e disseminados rapidamente.
Medida faz parte da implementação gradual da Lei de Inteligência Artificial (AI Act) do bloco e tem como principal objetivo garantir que os cidadãos consigam distinguir conteúdos reais daqueles criados ou alterados por sistemas de IA
“A IA generativa permite criar desinformação em uma escala sem precedentes, direcionada a públicos específicos e disseminada com notável rapidez”, afirmou o representante.
O funcionário acrescentou que, como a IA “está tornando cada vez mais difícil para todos nós distinguir o que é real do que é sintético”, as novas regras pretendem “preservar a capacidade dos cidadãos de confiar no que veem, ouvem e leem”.
Entre as principais preocupações da UE estão os chamados “deepfakes”, que incluem textos, imagens, vídeos e áudios capazes de simular conteúdos autênticos, embora tenham sido gerados ou modificados por IA.
As obrigações previstas pela legislação serão aplicadas apenas a conteúdos produzidos para fins profissionais. De acordo com a UE, pessoas que utilizam ferramentas de IA exclusivamente para uso pessoal não serão afetadas pelas novas exigências.
Além disso, textos destinados a informar o público sobre temas de interesse geral também deverão receber uma identificação quando forem produzidos por IA sem supervisão editorial humana.
A implementação da legislação ocorrerá de forma escalonada. Os sistemas de IA já existentes terão até 2 de dezembro para se adequar às novas exigências. O regulamento também prevê exceções para obras de caráter artístico, criativo, satírico e ficcional.
Um macaco-prego curioso ajudou cientistas a testar uma nova forma de estudar inteligência animal. Em uma floresta da Costa Rica, uma estação equipada com inteligência artificial, câmera e tela sensível ao toque começou a avaliar como esses primatas aprendem.
Chamado CapuchinAI, o dispositivo pode revelar como habilidades cognitivas influenciam decisões e sobrevivência dos animais em seu ambiente natural, algo difícil de observar em laboratórios, explica o The New York Times.
Macacos-prego aprendem com tela e IA em floresta da Costa Rica, ajudando cientistas a investigar inteligência e comportamento animal. – Imagem: Divulgação/Capuchinos de Taboga Project
Macaco aprende que tocar na tela libera banana
O primeiro encontro aconteceu no verão passado, quando Papi, um macho dominante, encontrou uma caixa de madeira com uma tela de 15 polegadas instalada na Reserva Florestal de Taboga.
No começo, o macaco apenas investigou o objeto. Depois de alguns toques, uma fatia de banana seca caiu em uma bandeja. A associação foi rápida: tocar a tela significava receber uma recompensa.
A estação foi criada para reconhecer os animais em tempo real e registrar suas respostas em testes simples de aprendizado. Para isso, os pesquisadores treinaram um modelo de inteligência artificial com imagens dos próprios macacos estudados na região.
Se realmente queremos entender como os primatas tomam decisões, se queremos entender como eles usam esses grandes cérebros que evoluíram, precisamos colocar isso no contexto do mundo em que eles estão navegando.
Marcela Benítez, primatóloga da Universidade Emory ao The New York Times.
Tecnologia acompanha diferenças entre os animais
A fase inicial trouxe um desafio inesperado: nos dois primeiros dias, nenhum macaco apareceu para interagir com o equipamento. O estudante de doutorado Federico Sánchez Vargas chegou a pensar que teria de recomeçar o projeto.
A situação mudou no terceiro dia, quando Papi apareceu. Ao longo dos testes, 16 macacos exploraram ou utilizaram a estação. Nem todos entenderam a proposta, mas parte deles conseguiu aprender a tarefa.
Os resultados indicaram que:
10 dos 16 macacos aprenderam a tocar a tela para receber alimento;
pelo menos 8 mantiveram esse conhecimento em sessões posteriores;
alguns animais tentaram interagir de outras formas, sem entender o mecanismo;
o sistema conseguiu registrar diferenças individuais de aprendizado.
A inteligência artificial reconhece macacos-prego em tempo real e acompanha como cada um aprende novas tarefas. – Imagem: Divulgação/Capuchinos de Taboga Project
Próximos testes vão avaliar habilidades mais complexas
A próxima etapa do projeto terá um modelo de reconhecimento facial mais avançado, capaz de identificar cada macaco individualmente. Uma versão anterior da tecnologia alcançou mais de 97% de precisão nesse tipo de identificação.
Os pesquisadores também pretendem criar novos desafios para medir capacidades como controle de impulsos e flexibilidade mental. Em alguns testes, os animais precisarão tocar quadrados verdes e evitar os vermelhos, além de se adaptar quando as regras mudarem.
A equipe quer descobrir se experiências vividas pelos animais, como períodos de seca, podem influenciar seu desenvolvimento cognitivo.
“Relacionar a cognição aos desafios do mundo real, aos resultados e, no fim, à sobrevivência — esse seria o objetivo final”, disse Benítez.
Apesar do avanço, os cientistas não querem transformar a floresta em um ambiente cheio de telas. “Eu não quero que seja como entrar em um cassino quando você está entrando na floresta”, afirmou a pesquisadora. A ideia é usar a tecnologia como uma ferramenta para entender melhor os primatas, sem substituir a observação humana.
A chegada do modelo Kimi K3, desenvolvido pela chinesa Moonshot AI, reacendeu a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos ao combinar alto desempenho, baixo custo e uma estratégia de distribuição aberta. O lançamento colocou em debate o futuro dos sistemas fechados mantidos por empresas como OpenAI, Google e Anthropic.
O modelo foi apresentado em julho deste ano durante a crescente competição internacional pela liderança em inteligência artificial. A decisão da empresa chinesa de disponibilizar os pesos do sistema gratuitamente ampliou a discussão sobre como companhias podem lucrar ao liberar parte de sua tecnologia mais avançada.
A estratégia chinesa busca fortalecer um ecossistema de desenvolvedores e empresas em torno de seus modelos, enquanto pressiona laboratórios americanos a reconsiderarem o equilíbrio entre controle comercial, segurança e abertura tecnológica.
A nova disputa pelo controle do ecossistema de inteligência artificial
Aplicativo da Kimi K3 em uma loja – Imagem: Robert Way/Shutterstock
O avanço de modelos chineses com pesos disponíveis ao público criou uma nova frente de competição no setor de inteligência artificial. Diferentemente dos sistemas proprietários, esses modelos permitem que desenvolvedores tenham maior autonomia para adaptar, executar e modificar ferramentas de IA conforme suas necessidades.
Apesar de serem chamados frequentemente de abertos, esses sistemas não correspondem totalmente ao conceito tradicional de código aberto. A liberação normalmente envolve apenas os pesos do modelo, ou seja, os parâmetros matemáticos obtidos durante o treinamento. Elementos como dados utilizados, código original, arquitetura completa e métodos de configuração permanecem restritos.
Essa diferença reduz a possibilidade de reconstrução integral da tecnologia, mas ainda oferece liberdade suficiente para que empresas criem aplicações próprias e desenvolvam novos serviços sobre essas bases.
A professora de Direito da Universidade Fordham, Chinmayi Sharma, explicou que disponibilizar os pesos não significa oferecer gratuitamente toda a infraestrutura necessária para operar uma inteligência artificial.
A abertura também pode funcionar como uma estratégia de expansão. Ao permitir que mais desenvolvedores utilizem determinado modelo, uma empresa aumenta as chances de formar uma rede de ferramentas e soluções ao redor da tecnologia, tornando-a uma referência no mercado.
Kyle Miller, analista sênior de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, apontou que o crescimento da família de modelos Qwen, da Alibaba, demonstra como sistemas abertos podem se tornar profundamente integrados a diferentes setores da indústria.
Esse movimento representa um desafio para empresas americanas que mantêm seus modelos mais avançados sob controle restrito. Caso desenvolvedores passem a construir produtos e serviços baseados em alternativas abertas, plataformas proprietárias como Gemini, Claude e ChatGPT podem perder influência no mercado.
China combina estratégia industrial e influência tecnológica
App do chatbot Kimi K3 da empresa Moonshot – (Reprodução: Photo For Everything/Shutterstock)
A expansão dos modelos abertos chineses ocorre em um cenário marcado por limitações de acesso a chips avançados e capacidade computacional. Segundo a análise apresentada, a abertura permite que empresas do país avancem na corrida da IA mesmo diante dessas restrições.
Além do aspecto técnico, a iniciativa se conecta a uma estratégia mais ampla de disseminação de tecnologias chinesas. O objetivo seria ampliar a presença internacional de modelos, ferramentas e infraestrutura desenvolvidos no país.
O movimento também ganhou dimensão política. O texto aponta que o presidente chinês Xi Jinping passou a defender uma posição de liderança da China no setor, apresentando o país como uma alternativa diante da abordagem mais fechada adotada por empresas americanas.
A reação nos Estados Unidos ocorreu tanto no setor privado quanto no debate regulatório. Uma coalizão formada por 25 empresas de tecnologia, incluindo IBM, Microsoft, Meta, Nvidia, Perplexity e Palantir, publicou uma carta contra possíveis restrições antecipadas aos modelos abertos.
No documento, as empresas defenderam que sistemas com pesos disponíveis são importantes para preservar a liderança americana em inteligência artificial e evitar que o controle da tecnologia fique concentrado em poucos grupos.
A pressão aumentou após uma iniciativa envolvendo Nvidia, Microsoft, SpaceX e outras companhias que defenderam maior apoio americano aos modelos abertos em meio a preocupações relacionadas à segurança de sistemas avançados de IA.
Google e OpenAI posteriormente também demonstraram oposição a restrições rápidas contra modelos abertos, embora não tenham participado de todas as iniciativas. A Anthropic, por outro lado, não aderiu aos movimentos citados.
Empresas americanas avaliam novo equilíbrio entre abertura e controle
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
A disputa atual colocou em questão o quanto da tecnologia de ponta as empresas americanas devem disponibilizar publicamente. Para especialistas citados no debate, uma possibilidade seria adotar uma estratégia intermediária: manter os modelos mais avançados protegidos e liberar versões abertas progressivamente mais capazes.
Sharma avaliou que o desafio para as companhias americanas é definir qual nível de capacidade precisa ser compartilhado para impedir que modelos chineses se tornem a principal base do ecossistema aberto de inteligência artificial.
Miller considerou incerto o caminho que o setor seguirá. De acordo com ele, a pressão competitiva chinesa já influenciou empresas americanas a lançarem modelos com pesos disponíveis, embora companhias como Anthropic provavelmente mantenham uma postura mais restritiva.
O futuro dessa disputa dependerá da capacidade dos modelos abertos de conquistar desenvolvedores e se estabelecer como plataformas predominantes. O avanço do Kimi K3, porém, já alterou o debate sobre se sistemas fechados continuarão sendo suficientes para garantir liderança na inteligência artificial.