A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (30) uma redução nos preços de seus modelos menores e intermediários de inteligência artificial, em uma tentativa de tornar o uso empresarial da tecnologia mais acessível diante do aumento das despesas com IA.
A empresa responsável pelo ChatGPT diminuiu em 80% o custo do modelo GPT 5.6 Luna e aplicou uma redução de 20% no modelo intermediário Terra. A mudança ocorre enquanto companhias avaliam com mais rigor os gastos associados à adoção de ferramentas de inteligência artificial.
A decisão foi divulgada pela OpenAI em um cenário de maior concorrência no setor, marcado pela disputa com empresas como Anthropic e pelo avanço de alternativas chinesas de menor custo que buscam oferecer desempenho semelhante.
Corte de preços amplia disputa pelo mercado corporativo de IA
OpenAI – Imagem: Thrive Studios ID / Shutterstock
A nova política de preços altera principalmente o valor cobrado pelo processamento de dados nos modelos de menor porte da OpenAI. O modelo Luna passou a custar 20 centavos por milhão de tokens de entrada, contra US$ 1 anteriormente. Já o Terra teve seu preço reduzido de US$ 2,50 para US$ 2 por milhão de tokens de entrada.
Nos custos relacionados à geração de respostas, o Luna caiu de US$ 6 para US$ 1,20 por milhão de tokens, enquanto o Terra passou de US$ 15 para US$ 12. A empresa manteve sem alterações o preço do seu modelo principal, o Sol.
A redução acontece em um momento no qual empresas enfrentam dificuldades para prever o impacto financeiro do uso intensivo de inteligência artificial. O setor tem migrado de modelos baseados em assinaturas fixas para sistemas de cobrança conforme o volume utilizado, o que pode elevar e tornar mais instáveis as despesas.
O GPT-5.6 Sol chamou atenção após relatos de ações destrutivas fora do objetivo da tarefa. – Imagem: Ascannio/Shutterstock
Segundo a OpenAI, a queda nos valores foi possível graças a avanços de eficiência incorporados ao GPT 5.6, incluindo melhorias no desenvolvimento de código e na otimização do desempenho dos sistemas durante processos internos.
A estratégia também aumenta a pressão sobre concorrentes. A Anthropic, que tem forte presença entre empresas e desenvolvedores com sua linha Claude, mantém preços superiores aos cobrados pela OpenAI no modelo intermediário comparável citado no levantamento.
De acordo com os dados apresentados, o Claude Sonnet 4.6 cobra US$ 3 por milhão de tokens de entrada e US$ 15 por milhão de tokens de saída, enquanto o Terra passou a operar com valores inferiores.
Analistas avaliam que a redução pode estimular mais empresas a utilizar ferramentas de inteligência artificial, mas também pode pressionar as finanças das companhias do setor antes de possíveis ofertas públicas iniciais de ações.
A disputa por preços ocorre em paralelo ao crescimento de modelos desenvolvidos por concorrentes chineses de código aberto, como o GLM 5.2, associado à Z.ai, citado como uma alternativa capaz de se aproximar do desempenho de grandes empresas ocidentais com custo menor.
Encontrar uma passagem aérea muito barata após horas de pesquisa na internet pode dar a sensação de ter vencido os algoritmos das companhias aéreas. No entanto, essa vantagem tende a desaparecer à medida que a inteligência artificial (IA) assume um papel cada vez maior na definição das tarifas.
Assim como benefícios que foram sendo eliminados ao longo dos anos, como a franquia gratuita de bagagem despachada, as grandes promoções de passagens estão se tornando menos frequentes.
Companhias, como a Delta, já utilizam sistemas de IA para definir preços, substituindo os analistas humanos que trabalhavam com planilhas e regras fixas, como reajustar as tarifas em 20% quando apenas um quarto dos assentos de um voo estivesse ocupado.
Agora, em determinadas rotas e voos, as empresas aéreas estão recorrendo a plataformas desenvolvidas por startups especializadas para analisar dezenas de variáveis e ajustar, em tempo real, tanto os preços quanto as estratégias de ocupação das aeronaves.
A tecnologia permite precificar cada assento com maior precisão, reduzindo as diferenças de preço que viajantes atentos costumavam aproveitar para economizar.
Agora, em determinadas rotas e voos, as empresas aéreas estão recorrendo a plataformas desenvolvidas por startups especializadas para analisar dezenas de variáveis e ajustar, em tempo real, tanto os preços quanto as estratégias de ocupação das aeronaves – Imagem: Prostock-studio/Shutterstock
Uma das empresas que oferecem esse tipo de solução é a israelense Fetcherr;
Seu sistema considera fatores, como oscilações no preço do petróleo, entrada ou saída de concorrentes em determinados mercados, cancelamentos de voos e mudanças na demanda por rotas, para recalcular, em tempo real, o valor das passagens ao redor do mundo;
Outra companhia que aposta nesse modelo é a Volantio, sediada em Atlanta (EUA). Sua plataforma, baseada em IA, busca aumentar a receita das companhias aéreas mesmo depois que a passagem já foi vendida;
Quando identifica que um voo está com alta demanda, o sistema oferece aos passageiros com planos mais flexíveis a possibilidade de trocar para voos menos concorridos;
Como incentivo, os clientes podem receber benefícios, como um upgrade de assento. Com isso, a companhia aérea consegue revender o lugar liberado por um valor maior para outro passageiro interessado em viajar de última hora.
Para os consumidores, a adoção crescente dessas tecnologias pode trazer efeitos mistos. Segundo analistas, a tendência é que, de forma geral, as passagens fiquem mais caras, especialmente nas rotas mais disputadas, onde será cada vez mais difícil encontrar tarifas muito baixas.
Por outro lado, ainda há espaço para economizar. Passageiros com flexibilidade para viajar em períodos de menor movimento e que conseguem reservar voos com bastante antecedência podem ser beneficiados pelo novo modelo de precificação. Para os demais, a principal estratégia continua sendo comprar as passagens o quanto antes.
A exibição de um vídeo criado com inteligência artificial (IA) para simular um discurso de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), no último sábado (25), colocou a tecnologia no centro do debate eleitoral. Após o evento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 48 horas para que a defesa do ex-presidente esclarecesse se ele autorizou o uso de sua imagem e voz na produção do material.
Na decisão, Moraes apontou dois possíveis cenários. Caso Bolsonaro tivesse autorizado a gravação, a participação poderia representar novo descumprimento das medidas cautelares impostas para a manutenção da prisão domiciliar humanitária. Se não houvesse autorização, o ministro afirmou que o caso poderia configurar uma hipótese de conteúdo sintético manipulado em desacordo com a legislação eleitoral.
O episódio levantou dúvidas sobre o uso da inteligência artificial nas eleições. Afinal, um candidato pode usar um avatar criado por IA? É obrigatório avisar quando um conteúdo é sintético? O que caracteriza um deepfake proibido? E quais são as consequências para quem descumprir as regras?
O Olhar Digital analisou a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que disciplina o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral e ouviu especialistas para explicar o que é permitido, o que continua proibido e quais pontos ainda podem depender da interpretação da Justiça.
Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e restrições ao uso de deepfakes nas eleições de 2026 – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock
Um candidato pode usar inteligência artificial na campanha?
Sim. A Justiça Eleitoral não proibiu o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O que mudou para as eleições de 2026 foi a criação de um conjunto de regras para disciplinar como a tecnologia pode ser utilizada por candidatos, partidos, federações e plataformas digitais.
A principal delas está no artigo 9º-B da Resolução nº 23.610. Sempre que uma propaganda utilizar conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial para criar, substituir, omitir, mesclar, alterar ou sobrepor imagens e sons, o responsável deverá informar, de forma explícita, destacada e acessível, que aquele material foi produzido com IA e qual tecnologia foi utilizada.
A exigência vale para diferentes formatos. Em vídeos, por exemplo, a identificação deve aparecer tanto no início da peça quanto de forma visual durante sua exibição. Em imagens estáticas, deve haver marca d’água e audiodescrição. Já em materiais impressos, a informação precisa constar em cada página ou face que utilize conteúdo gerado por inteligência artificial.
A resolução também deixa claro que nem toda edição exige esse aviso. Ficam de fora ajustes simples para melhorar a qualidade de imagem ou som, além de elementos gráficos como logomarcas, vinhetas e recursos de marketing já comuns em campanhas eleitorais.
Na reportagem publicada pelo Olhar Digital no início de julho, a advogada Tayná Frota de Araújo, do VLK Advogados, resumiu essa mudança afirmando que esta será a primeira eleição geral realizada sob um conjunto mais estruturado de regras para o uso da inteligência artificial, com medidas preventivas, identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e novas responsabilidades para as plataformas digitais.
Na avaliação de Willians Sebriam, advogado da Revio, o objetivo do TSE não foi banir a tecnologia das campanhas, mas impedir seu uso para fabricar situações inexistentes. Segundo ele, “o uso de IA não foi banido das campanhas, ele foi regulamentado”, permitindo que candidatos utilizem a tecnologia “desde que respeitem os princípios da transparência e da veracidade”.
Essa também é a interpretação de Juliano Maranhão, professor da Faculdade de Direito da USP. Segundo ele, “a Resolução do TSE somente proíbe o uso de IA que não seja transparente e tenha por finalidade desinformar, com potencial de desequilibrar o jogo eleitoral”.
Quando a IA deixa de ser permitida?
Embora a IA possa ser utilizada em campanhas, essa autorização não é irrestrita. O artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 estabelece situações em que o uso da tecnologia passa a ser proibido. Entre essas hipóteses está o uso dos chamados deepfakes.
Os deepfakes — conteúdos sintéticos que simulam a imagem ou a voz de uma pessoa — estão entre os usos de inteligência artificial proibidos pela resolução do TSE na propaganda eleitoral – Imagem: FAMILY STOCK/Shutterstock
O artigo 9º-C determina que é vedado o uso, para favorecer ou prejudicar uma candidatura, de conteúdo sintético em áudio ou vídeo que tenha sido gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa viva, falecida ou fictícia — ainda que haja autorização da pessoa retratada.
Além dos deepfakes, a resolução também veda conteúdos fabricados, manipulados ou descontextualizados capazes de comprometer a integridade das eleições ou desequilibrar a disputa. O descumprimento dessas regras pode caracterizar abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação, com consequências que incluem a cassação do registro ou do mandato, além de outras sanções previstas na legislação eleitoral.
A advogada Beatriz Haikal explicou que a regulamentação não impede o uso da inteligência artificial, mas estabelece critérios para separar aplicações legítimas da propaganda irregular. Segundo ela, ferramentas de IA podem ser utilizadas para criar peças gráficas, avatares e outros materiais de campanha, desde que haja transparência quando o conteúdo for significativamente alterado. Já a fabricação de cenas falsas utilizando voz ou imagem de pessoas reais continua proibida.
Juliano Maranhão observa que, na prática, a análise da Justiça Eleitoral dependerá do contexto em que o conteúdo for utilizado.
Segundo o professor, “a avaliação é contextual”: será preciso verificar “se o vídeo sintético é voltado para disseminar informação patentemente falsa, que favoreça o próprio candidato ou prejudique o seu adversário, com potencial de impactar o eleitor”. Também deve ser considerado se o conteúdo tem caráter humorístico ou satírico, sem intenção de enganar o público.
Como exemplo, Maranhão cita uma publicação feita por Tabata Amaral durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024, em que o rosto do então prefeito Ricardo Nunes foi inserido no boneco Ken, da Barbie. Segundo ele, o caso “não se tratava de desinformação, mas uma forma humorística de colocar sua opinião sobre o candidato concorrente”.
Então por que o vídeo de Bolsonaro virou alvo da Justiça?
As regras ajudam a explicar parte da controvérsia envolvendo o vídeo exibido na convenção do PL. No entanto, antes mesmo de discutir se o conteúdo poderia violar a legislação eleitoral, Alexandre de Moraes levantou outra questão: Jair Bolsonaro autorizou ou não o uso de sua imagem e voz? A resposta para essa pergunta pode levar a consequências jurídicas diferentes.
Ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes – Imagem: Marcello Casal Jr. – Agência Brasil / Antônio Augusto – STF
Se Bolsonaro autorizou a produção do vídeo, o caso poderá representar novo descumprimento das medidas cautelares impostas pelo STF. Desde julho de 2025, o ex-presidente está proibido de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, condição que foi mantida para a continuidade da prisão domiciliar humanitária. O ministro também lembra que Bolsonaro já havia sido advertido anteriormente por participar da elaboração de uma carta posteriormente divulgada por seu filho, Flávio Bolsonaro, nas redes sociais.
Por outro lado, se ficar demonstrado que a imagem foi utilizada sem a autorização do ex-presidente, Moraes afirma que a conduta poderá caracterizar uma hipótese de desinformação eleitoral mediante conteúdo sintético manipulado, sujeita às sanções previstas na legislação eleitoral. Para fundamentar esse entendimento, o ministro cita o artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 e decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de deepfakes em campanhas.
Para Juliano Maranhão, o caso Bolsonaro exige uma análise diferente daquela prevista apenas pela resolução do TSE. Segundo o professor, o principal questionamento de Alexandre de Moraes não diz respeito ao conteúdo do vídeo em si, mas à eventual participação do ex-presidente na encomenda ou na decisão de produzi-lo. Isso porque Bolsonaro está sujeito a medidas cautelares específicas impostas pelo STF, além das regras gerais da legislação eleitoral.
Já Alberto Rollo afirma que uma eventual responsabilização dependerá justamente da forma como a Justiça interpretará a participação de Bolsonaro na produção do vídeo. Segundo ele, “se a Justiça considerar que o avatar feito com IA é a mesma coisa que se fosse o próprio Jair, então ele teria desrespeitado a vedação do ministro Alexandre Moraes de produzir manifestação política”.
O advogado ressalva, porém, que a convenção ocorreu antes do início oficial da propaganda eleitoral, que começa em 16 de agosto, e que o vídeo informava ter sido produzido com inteligência artificial. Por isso, Rollo entende que, nesse caso específico, “não houve ilegalidade”, embora a resolução do TSE proíba o uso de deepfakes durante a propaganda eleitoral.
A regulamentação já resolve todos os casos?
Embora o TSE tenha endurecido as regras para o uso de inteligência artificial nas eleições, especialistas avaliam que muitas situações ainda dependerão da interpretação da Justiça Eleitoral.
Isso porque a tecnologia evolui rapidamente e novas formas de utilização surgem antes mesmo que a legislação consiga prever todos os cenários.
Para Juliano Maranhão, esse desafio é inevitável. Segundo o professor, “não há como definir previamente todos os tipos possíveis de uso desinformativo de IA em conteúdo eleitoral”. Na prática, explica, apenas o contexto permite avaliar se houve enganosidade, se o conteúdo prejudica um rival ou favorece um candidato e em que medida isso ocorreu. A regulamentação estabelece um princípio geral, mas caberá aos tribunais aplicá-lo aos casos concretos. Em síntese, Maranhão resume a lógica da regulamentação da seguinte forma:
A regulação determina o conceito central: a IA não pode ser usada para desinformar e prejudicar ou favorecer arbitrariamente candidato levando o eleitor a erro.
Juliano Maranhão, advogado especialista em direito eleitoral
Especialistas avaliam que a regulamentação da inteligência artificial nas eleições continuará exigindo interpretação da Justiça à medida que novas aplicações da tecnologia surgirem – Imagem: Supatman/iStock
Enquanto isso, o próprio TSE vem ampliando gradualmente as regras. Além da obrigatoriedade de identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial e da proibição dos deepfakes eleitorais, as eleições de 2026 também inauguram uma “janela de silêncio” para conteúdos sintéticos. Entre as 72 horas que antecedem cada turno e as 24 horas seguintes ao encerramento da votação, fica proibida a publicação, o compartilhamento e o impulsionamento de novos conteúdos produzidos ou alterados por IA que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas.
As plataformas digitais também ganharam novas responsabilidades. Elas devem disponibilizar mecanismos para identificar conteúdos produzidos com IA, remover rapidamente materiais ilícitos, impedir que publicações equivalentes continuem circulando e criar canais específicos para denúncias de candidatos e partidos.
Para a advogada Beatriz Haikal, uma das intenções da chamada “janela de silêncio” é evitar o chamado efeito calúnia de véspera — quando um conteúdo falso viraliza às vésperas da votação e não há tempo suficiente para que ele seja desmentido antes de os eleitores irem às urnas.
O Google apresentou o Gemini Robotics 2, uma nova versão do modelo de inteligência artificial voltado para robôs. A tecnologia foi desenvolvida para ajudar máquinas a interpretar ambientes, planejar ações e executar movimentos mais complexos, reduzindo a dependência de comandos pré-programados.
O sistema combina visão computacional, processamento de linguagem e controle motor para que robôs consigam lidar com tarefas mais variadas, como movimentação de corpo inteiro, manipulação de objetos e interação com outras máquinas.
Durante anos, robôs dependeram de comandos fixos. Agora, modelos de IA tentam fazer máquinas entenderem ambientes e tomarem decisões. – (Reprodução: Generative Bionics)
Robôs deixam de apenas seguir comandos
Grande parte dos robôs usados atualmente depende de programação detalhada ou controle humano para funcionar. Isso limita a atuação em locais onde existem mudanças constantes, objetos fora do lugar ou situações inesperadas.
O Gemini Robotics 2 tenta resolver parte desse problema ao permitir que o robô interprete uma instrução, avalie o ambiente e escolha uma sequência de movimentos para completar uma tarefa.
Em uma demonstração, o modelo controlou o robô humanoide Apollo 2, da Apptronik, para buscar um regador, caminhar até uma prateleira e colocá-lo em um recipiente indicado. O próprio Google reconhece que ainda existem desafios, como aumentar a velocidade dos movimentos.
“Agora, nosso modelo pode controlar robôs humanoides completos pela primeira vez, traduzindo comandos em controle inteligente do corpo inteiro”, afirmou a empresa.
Três modelos dividem funções da inteligência artificial
A nova geração é formada por três modelos com funções diferentes:
Gemini Robotics 2: transforma informações visuais e comandos em linguagem em movimentos físicos.
Gemini Robotics ER 2: atua no planejamento, entende o ambiente e coordena tarefas com várias etapas.
Gemini Robotics On-Device 2: roda diretamente no equipamento e reduz a dependência de conexão com a internet.
Segundo o Google, o modelo executado no próprio robô também consegue se adaptar a novas plataformas em poucas horas de treinamento, usando menos de 200 exemplos, mesmo quando há diferenças de sensores, formato e capacidade de movimento.
Nem tudo está resolvido: tarefas que exigem movimentos delicados dos dedos ainda são um grande desafio para os robôs. – Imagem: Reprodução/Google
Precisão ainda é desafio para robôs
Além de andar e se movimentar, os robôs precisam manipular objetos com cuidado para se tornarem úteis no dia a dia. Nos testes apresentados, o sistema controlou mãos robóticas de cinco dedos e garras mecânicas para tarefas como fechar embalagens, encaixar peças e organizar objetos.
Os resultados indicam avanços, mas também mostram limitações. Atividades que exigem movimentos muito delicados dos dedos continuam sendo mais difíceis do que operações realizadas com garras tradicionais.
“Ainda estamos avançando no nível de precisão e velocidade para alcançar uma destreza próxima à humana”, informou o Google.
A empresa também apresentou ferramentas voltadas à segurança, incluindo sistemas capazes de identificar situações de risco, interromper ações e pedir ajuda humana quando necessário.
A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (30) um plano de €10 bilhões para financiar a criação de sete gigafábricas de inteligência artificial no bloco europeu. A iniciativa busca ampliar a capacidade computacional da região e fortalecer sua posição na disputa tecnológica global.
O projeto será conduzido pela Comissão Europeia, que pretende atrair ao menos €20 bilhões em investimentos privados para complementar os recursos públicos. As instalações serão distribuídas entre países do bloco e deverão reunir infraestrutura de processamento, armazenamento e desenvolvimento de sistemas de IA.
A estratégia surge em meio à corrida internacional por capacidade tecnológica, com a União Europeia tentando diminuir a diferença em relação aos Estados Unidos e à China. As novas estruturas se somarão às 19 fábricas de inteligência artificial já existentes em diferentes países europeus.
Europa aposta em infraestrutura própria para acelerar avanço da inteligência artificial
Data centers de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock
As chamadas gigafábricas serão complexos de grande escala voltados ao desenvolvimento de inteligência artificial, reunindo processadores avançados, softwares, serviços de nuvem, conexões de alta velocidade e centros de dados. A Comissão Europeia informou que o número previsto de unidades aumentou de cinco para sete após manifestações de interesse feitas por governos do bloco.
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável por Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, afirmou que o acesso a uma grande capacidade de processamento se tornou um elemento estratégico para o avanço europeu na área.
“O acesso à escala bruta de poder computacional dentro das Gigafábricas de IA é uma necessidade estratégica para a Europa à medida que o desenvolvimento da IA acelera”, declarou Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, em comunicado oficial divulgado pelo órgão.
Euro (Imagem: Andrei Barmashov/iStock)
A participação no projeto estará aberta a grupos formados por empresas de tecnologia, fornecedores de computação em nuvem, entidades públicas e investidores. Esses consórcios poderão apresentar propostas dentro do processo de seleção conduzido pela Comissão Europeia.
O prazo para envio das candidaturas termina em 12 de novembro. A expectativa do bloco é divulgar os projetos escolhidos no início de 2027, com a previsão de que as estruturas entrem em funcionamento em até 18 meses após a assinatura dos contratos.
A iniciativa também recebeu apoio inicial de grandes fabricantes de semicondutores. AMD, Nvidia e Qualcomm firmaram cartas de intenção com a Comissão Europeia para fornecer chips aos grupos envolvidos na criação das novas instalações.
O Google lançou nesta quinta-feira (30) uma nova ferramenta no Google Earth que combina imagens de satélite, fotografias aéreas e modelos tridimensionais com a tecnologia de geração de imagens Nano Banana 2. A novidade permite criar representações visuais personalizadas de locais existentes a partir de comandos escritos pelos usuários.
Disponível globalmente para usuários da versão web do Google Earth, o recurso foi desenvolvido para ajudar pessoas a visualizar transformações de espaços, reconstruções históricas e ideias de novos projetos. A ferramenta funciona a partir da seleção de um ponto no mapa e da descrição do cenário desejado.
A iniciativa foi apresentada por Bryan Horowitz, gerente de produto do Google Earth, como uma forma de ampliar as possibilidades de exploração digital do planeta. A proposta é permitir que estudantes, profissionais e curiosos enxerguem diferentes versões de um mesmo lugar usando inteligência artificial baseada em referências geográficas reais.
Inteligência artificial transforma locais atuais em cenários históricos e futuros
IA utiliza tecnologia do Nano Banana 2 e a integra no Google Earth para recriar Pompeia – (Reprodução: Google)
A nova funcionalidade permite que usuários modifiquem virtualmente áreas observadas no Google Earth por meio de instruções digitadas. O sistema utiliza a tecnologia Nano Banana 2 para gerar imagens que mantêm relação com o ambiente real analisado pela plataforma.
Uma das possibilidades apresentadas pelo Google é a reconstrução visual de períodos históricos. Professores podem utilizar o recurso para mostrar aos alunos como determinados locais poderiam ter sido em outras épocas, como no caso das ruínas de Pompeia, que podem ser convertidas em uma representação de uma rua movimentada durante o Império Romano.
Além do uso educacional, a ferramenta também pode auxiliar quem deseja compreender melhor pontos turísticos e locais conhecidos. O Google Earth permite criar materiais explicativos, como infográficos personalizados, reunindo informações históricas associadas a determinados lugares.
Recurso pode auxiliar planejamento urbano e projetos imobiliários
Novas adições de IA do Nano Banana 2 ao Google Earth permitem até mesmo o planejamento arquitetônico e urbanístico – (Reprodução: Google)
A ferramenta também foi criada para apoiar profissionais que precisam apresentar ideias antes da execução de obras. Arquitetos e planejadores urbanos podem utilizar a inteligência artificial para representar como terrenos vazios poderiam se tornar novos empreendimentos.
Segundo a apresentação do Google, um espaço sem construção pode ser transformado digitalmente em uma proposta visual de um distrito comercial, com áreas abertas e estruturas planejadas. A intenção é facilitar a compreensão de possíveis resultados por clientes e equipes envolvidas em projetos.
A tecnologia também permite visualizar construções residenciais antes do início das obras. Um terreno aberto pode receber uma representação de uma casa ou outro projeto arquitetônico inserido no cenário existente, permitindo uma prévia de como a construção poderia se integrar ao ambiente.
Usuários podem criar versões imaginárias de lugares conhecidos
Além das aplicações práticas, o recurso foi apresentado como uma ferramenta voltada à criatividade. Usuários podem alterar completamente a aparência de locais conhecidos e criar interpretações futuristas ou fantásticas de determinadas áreas.
O Google citou como exemplo a transformação virtual do campus da empresa em Mountain View em uma cidade futurista, com elementos como passarelas iluminadas, estruturas de vidro, veículos aéreos e vegetação integrada aos prédios. A proposta mostra como a tecnologia pode ser usada para imaginar possíveis mudanças em espaços existentes.
Com a liberação global da ferramenta para o Google Earth na web, a empresa afirma que qualquer usuário pode escolher um local no mapa e experimentar novas formas de visualizar ambientes reais por meio da inteligência artificial.
A Samsung prevê que a escassez global de chips deve continuar até 2028, impulsionada pela corrida por infraestrutura de inteligência artificial. A fabricante sul-coreana fechou acordos de longo prazo com empresas de data centers para garantir fornecimento em um mercado cada vez mais disputado.
O anúncio acontece após a divisão de semicondutores registrar um salto expressivo nos lucros, mas também em meio à cautela dos investidores com os altos custos envolvidos na expansão da tecnologia de IA.
A explosão da IA aumentou a disputa por semicondutores, peças essenciais para os novos sistemas digitais. Imagem: SweetBunFactory/iStock
Demanda por IA aumenta disputa por semicondutores
Segundo a Reuters, a Samsung espera que a falta de chips fique ainda mais intensa nos próximos anos. A empresa já assinou contratos com as cinco maiores companhias globais de data centers e negocia acordos com outros grandes nomes do setor.
Os contratos terão duração mínima de cinco anos e devem incluir pagamentos antecipados e preços mínimos, medidas que ajudam a reduzir riscos em investimentos de grande escala.
“Quase todos os clientes estão solicitando contratos de fornecimento de vários anos”, afirmou Jaejune Kim, vice-presidente executivo da área de memória da Samsung, durante uma teleconferência com analistas.
A empresa pretende garantir acordos que cubram cerca de dois terços de sua produção de memórias no longo prazo. A estratégia busca diminuir os impactos dos ciclos de alta e baixa que costumam marcar o mercado de semicondutores.
Entre os fatores que impulsionam a demanda estão:
Crescimento dos sistemas de inteligência artificial;
Expansão dos data centers;
Disputa global entre fabricantes de chips;
Necessidade de novos investimentos em fábricas.
Lucro dispara, mas mercado mantém cautela
A divisão de semicondutores da Samsung registrou lucro operacional de 89,2 trilhões de wons no segundo trimestre, cerca de R$ 312,9 bilhões. O resultado representa uma alta superior a 250 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita total do grupo chegou a 171,5 trilhões de wons (R$ 601,2 bilhões), crescimento de 130%. Mesmo assim, investidores demonstraram preocupação com os gastos elevados das empresas de tecnologia para ampliar a infraestrutura de IA.
O cenário dos chips perdeu força. Os investidores estão questionando por quanto tempo as margens recordes serão sustentáveis.
Kim Seok-hwan, analista da Mirae Asset Securities, à Reuters.
O avanço dos semicondutores também trouxe dificuldades internas. A divisão de celulares da Samsung registrou prejuízo de 700 bilhões de wons (R$ 2,46 bilhões) no trimestre, pressionada pelo aumento no preço dos componentes.
Mesmo com lucro recorde, a Samsung alerta para um desafio: garantir chips suficientes nos próximos anos. – Imagem: g0d4ather/Shutterstock
Samsung tenta recuperar espaço nos chips de IA
A fabricante busca ampliar sua participação no mercado de memórias de alta largura de banda (HBM), usadas em processadores de inteligência artificial. A empresa fornece esses componentes para clientes como Nvidia e AMD e espera que a receita com HBM4 mais que triplique no terceiro trimestre.
A Samsung também afirmou que sua área de fabricação de chips sob encomenda deve apresentar recuperação em breve, impulsionada pelo aumento da utilização das fábricas e pela melhora nos preços.
A companhia mantém o plano de iniciar as operações da fábrica de Taylor, no Texas, ainda neste ano. Uma segunda unidade também está prevista e poderá começar a produção em larga escala em 2030.
A disputa por semicondutores se tornou um dos principais reflexos da expansão da inteligência artificial. Para a Samsung, garantir contratos de longo prazo é uma forma de aproveitar a demanda atual e reduzir os efeitos das oscilações desse mercado.
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Enquanto os embates entre Estados Unidos e China escalam também no plano da inteligência artificial (IA), um dos principais representantes americanos nessa corrida marcou posição ao defender uma mudança na postura que Washington tem sinalizado em relação a esses rivais. Quem adotou esse discurso foi Mark Zuckerberg. Em entrevista concedida nesta semana ao Financial Times, […]
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Insight Studio Mestre: Esta notícia reflete tendências que podem impactar diretamente o seu modelo de negócio digital.
O diretor-presidente da OpenAI, Sam Altman, reuniu-se nesta quarta-feira (29) com senadores dos Estados Unidos para discutir os próximos modelos de inteligência artificial (IA) da empresa. Os encontros acontecem poucos dias após a OpenAI revelar que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente de contenção durante um teste de segurança e realizou um ataque cibernético.
O episódio também levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a afirmar que seu governo avalia a adoção de “controles” para a IA, embora tenha ressaltado que não pretende limitar o desenvolvimento da tecnologia pelas empresas do setor.
Trump diz avaliar controles para IA
Questionado por jornalistas no Salão Oval sobre o incidente envolvendo o agente de IA da OpenAI, Trump afirmou que sua administração estuda a possibilidade de adotar mecanismos de controle para a tecnologia. “Estamos analisando controles”, declarou o presidente.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que não pretende impor restrições que impeçam as empresas de tecnologia de continuar desenvolvendo novos produtos de IA.
Altman se reúne com senadores
Durante sua passagem por Washington, Altman participou de reuniões com os senadores Bernie Moreno e Jon Husted, segundo assessores dos parlamentares.
O executivo também foi visto entrando no gabinete do senador Raphael Warnock e ainda deve se reunir com o senador Mark Warner, principal democrata do Comitê de Inteligência do Senado, de acordo com um porta-voz do parlamentar.
Trump quer controlar a IA após ela sair do controle da OpenAI – Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock
Questionado sobre o encontro com os legisladores, Altman confirmou que o incidente envolvendo o agente de IA foi discutido. “Tivemos várias reuniões sobre o que aconteceu”, afirmou. Segundo o executivo, porém, o episódio não foi o principal tema das conversas realizadas nesta quarta.
As reuniões em Washington acontecem dias depois de a OpenAI divulgar que um de seus agentes de IA conseguiu escapar de um ambiente de contenção durante um teste de segurança.
De acordo com a empresa, o sistema iniciou um ataque cibernético que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma amplamente utilizada por desenvolvedores para armazenar código e colaborar na criação de modelos de IA.
A Reutersrevelou ainda que o agente também invadiu os sistemas de um cliente da Modal Labs, empresa de tecnologia sediada em Nova York.
Caso reforça debate sobre segurança
O episódio aumentou as preocupações de especialistas sobre os riscos associados ao avanço das capacidades da IA, especialmente na área de segurança cibernética.
O caso também evidenciou que mesmo as principais desenvolvedoras de IA podem enfrentar vulnerabilidades capazes de ser exploradas por seus próprios modelos, alimentando o debate sobre mecanismos de segurança e supervisão à medida que esses sistemas se tornam mais avançados.
O Gemini ganhou um novo recurso no macOS que permite conversar com a inteligência artificial usando apenas a tecla Fn do teclado. A novidade permite ditar textos, resumir documentos e pedir ajuda sem precisar abrir uma janela separada.
Segundo o Google, a função foi criada para que usuários possam interagir com o assistente enquanto continuam trabalhando nos aplicativos que já estão usando.
Menos cliques, mais agilidade: Gemini transforma voz em textos, resumos e comandos sem abrir outra janela. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock
Atalho transforma voz em texto dentro dos apps
Ao pressionar e segurar a tecla Fn, localizada no canto inferior esquerdo do teclado dos Macs, o usuário ativa o Gemini em qualquer janela aberta. A ideia é reduzir etapas para quem precisa escrever ou organizar informações rapidamente.
O recurso de ditado inteligente transforma a fala em texto, remove interrupções como “ums” e “ahs”, identifica correções feitas durante a fala e insere o resultado diretamente no local do cursor.
Entre as possibilidades estão:
transformar ideias faladas em textos;
resumir informações selecionadas na tela;
reescrever conteúdos com comandos de voz;
criar mensagens e documentos;
gerar ou editar imagens a partir de descrições.
IA entende o que aparece na tela
Além da transcrição, o Gemini pode analisar o conteúdo exibido no computador caso o usuário ative o recurso de raciocínio da ferramenta.
Com isso, é possível selecionar arquivos, imagens ou documentos e pedir ações específicas. O Google cita como exemplo resumir um PDF ou transformar anotações em um e-mail.
A ferramenta também permite criar imagens por voz ou pedir alterações em materiais visuais abertos na tela, ajudando em tarefas de criação e planejamento.
Menos cliques, mais agilidade: Gemini transforma voz em textos, resumos e comandos sem abrir outra janela. Imagem: freepik/Freepik
Novidade chega gradualmente aos usuários
O novo recurso está sendo liberado globalmente para usuários do aplicativo Gemini no macOS. Inicialmente, a função está disponível apenas em inglês, mas o Google informou que outros idiomas serão adicionados futuramente.
O aplicativo nativo do Gemini para macOS foi lançado em abril e recebeu, em junho, o Spark, assistente de IA voltado para tarefas mais complexas, como criar documentos e planilhas.
Com o novo comando por voz, o Google amplia o uso do Gemini nos computadores, aproximando a IA de tarefas comuns como escrever, revisar textos, organizar informações e desenvolver ideias.