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Gigantes da tecnologia gastam bilhões em IA sem garantia de retorno

As maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos estão colocando bilhões de dólares em inteligência artificial, apostando que a tecnologia pode transformar negócios e a economia. Mas o tamanho dos gastos já preocupa investidores, que questionam quando esse dinheiro começará a voltar.

Segundo o The Washington Post, Google, Microsoft, Meta, Amazon e Oracle ampliaram investimentos em infraestrutura de IA, enquanto o mercado acompanha os riscos de uma possível bolha.

O Google gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa nos últimos três meses por causa dos investimentos em IA. – Imagem: FotoField/Shutterstock

Vale do Silício muda foco para a corrida da IA

Durante anos, empresas como Google e Facebook foram conhecidas pela capacidade de gerar dinheiro. Seus produtos digitais conquistaram milhões de usuários e ajudaram a transformar as companhias em algumas das mais importantes do mercado.

Agora, parte dessa receita está sendo direcionada para uma nova fase tecnológica: grandes data centers, chips avançados e equipamentos capazes de sustentar modelos de inteligência artificial.

Para os defensores da estratégia, o investimento pode abrir uma nova era de produtividade e crescimento. Já os críticos questionam se o retorno será suficiente para justificar os bilhões aplicados.

Essa coisa de IA precisa funcionar porque, se não funcionar… teremos um problema.

Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, ao The Washington Post.

Entre os principais movimentos dessa disputa estão:

  • Construção de grandes data centers para operar sistemas de IA;
  • Compra de chips e equipamentos especializados;
  • Expansão de softwares e serviços baseados em inteligência artificial;
  • Aumento dos custos para manter essa infraestrutura;
  • Pressão por resultados financeiros mais rápidos.

Gastos crescentes colocam investidores em alerta

As projeções mostram uma mudança no comportamento financeiro das gigantes de tecnologia. Google, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle podem ter fluxo de caixa livre negativo em 2026 por causa dos custos relacionados à infraestrutura de IA.

O Google é um dos exemplos mais marcantes. Nos últimos três meses analisados, a empresa gastou US$ 1,15 para cada dólar gerado em caixa, principalmente com chips, equipamentos e áreas destinadas a novos centros de dados.

Mesmo com essa pressão, as empresas seguem lucrativas nos modelos tradicionais de contabilidade, que distribuem esses custos ao longo de vários anos.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, defendeu os investimentos e afirmou que a procura por soluções de IA continua forte. “Temos uma visão clara de fortes retornos financeiros”, disse aos investidores.

Homem e mulher na frente de um notebook com uma projeção de IA ao fundo.
Bilhões são aplicados em IA todos os anos, enquanto investidores tentam descobrir quando virá o retorno. – Imagem: DC Studio/Shutterstock

IA já influencia preços e concentração econômica

A disputa por componentes usados em inteligência artificial já afeta outros setores. A alta demanda por chips aumentou custos para empresas que dependem desses produtos, pressionando valores de itens como smartphones, notebooks e consoles.

A expansão dos data centers também elevou a preocupação com o consumo de energia em algumas regiões dos Estados Unidos.

Outro alerta envolve a distribuição dos ganhos econômicos. Segundo Barbara Denham, economista-chefe da Oxford Economics, áreas que já concentram tecnologia e riqueza, como Vale do Silício, Nova York, Seattle e Washington, tendem a receber mais benefícios.

“Os ganhos econômicos do boom da IA são autoalimentados”, afirmou Denham.

A inteligência artificial continua atraindo investimentos gigantescos, mas o mercado agora acompanha uma questão central: se as promessas da tecnologia conseguirão acompanhar a velocidade dos gastos feitos para desenvolvê-la.

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União Europeia exigirá rótulos para conteúdo de IA com aparência realista

A União Europeia começará a aplicar no próximo domingo (02) uma nova exigência para empresas que disponibilizam sistemas de inteligência artificial no bloco. A medida determina que imagens, áudios e textos produzidos por IA e desenvolvidos para parecerem autênticos sejam identificados por meio de um rótulo digital.

A obrigação integra as normas previstas na Lei de Inteligência Artificial da União Europeia e valerá imediatamente para novos sistemas lançados no mercado europeu. Plataformas e ferramentas já existentes terão um período adicional de quatro meses para se adequar às exigências.

Segundo parlamentares e representantes do setor, a iniciativa busca ampliar a transparência sobre conteúdos sintéticos na internet, ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos para proteger consumidores e reduzir impactos relacionados à circulação de informações falsas.

Regulamentação prevê exceções e punições para empresas

App de IA – Imagem: Mijansk786/Shutterstock

A exigência faz parte da implementação da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia. O regulamento estabelece que conteúdos criados por inteligência artificial com o objetivo de reproduzir situações ou materiais de aparência real deverão receber uma marcação digital. A identificação poderá utilizar o modelo desenvolvido pela própria União Europeia ou sistemas equivalentes criados pelas organizações.

As novas regras não abrangem conteúdos produzidos para uso pessoal, como publicações restritas a conversas privadas entre usuários. Também ficam de fora trabalhos evidentemente artísticos, incluindo produções satíricas e obras de ficção que sejam claramente reconhecíveis como tal.

As empresas que colocarem novos sistemas de inteligência artificial no mercado europeu deverão cumprir as determinações já a partir de 2 de agosto. Para ferramentas que já estavam disponíveis antes desse prazo, a legislação concede mais quatro meses para a adaptação.

Ao comentar a implementação da medida, o eurodeputado Sergey Lagodinsky, que participou das negociações da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia, afirmou que a proposta vai além da proteção ao consumidor.

Trata-se não apenas de proteger os consumidores, mas também de proteger a democracia. Essa informação é algo que precisamos preservar para manter nossa democracia e a autenticidade dos fatos na internet“, ele explicou ao The Guardian.

O descumprimento das exigências poderá resultar em multas equivalentes a até 3% da receita bruta total das empresas responsáveis pelos sistemas.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Boniface de Champris, responsável pela área de políticas de inteligência artificial da Computer and Communications Industry Association, avaliou que muitos consumidores poderão se surpreender ao perceber onde essas identificações passarão a aparecer.

Conforme declarou ao The Guardian, embora as redes sociais já adotem mecanismos para sinalizar parte dos conteúdos produzidos por IA, a tendência é que os rótulos também sejam vistos em setores como publicidade, cinema e mercado editorial, onde essa tecnologia já é amplamente utilizada.

O texto também destaca que grandes plataformas digitais já mantêm políticas voltadas à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, embora esse processo nem sempre seja eficaz.

Entre os exemplos citados está o TikTok, que exige que criadores identifiquem materiais produzidos por IA, mas ainda enfrenta casos em que esse tipo de conteúdo passa despercebido, incluindo vídeos curtos com supostos médicos oferecendo orientações de saúde consideradas duvidosas.

Além disso, empresas como Google e Meta já utilizam tecnologias próprias para facilitar a identificação de materiais sintéticos.

O Google informou que sua ferramenta SynthID já foi empregada para marcar mais de 100 bilhões de imagens e um volume de áudio equivalente a cerca de 60 mil anos de reprodução. A Meta também mantém políticas voltadas à identificação de imagens fotorrealistas criadas por inteligência artificial.

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Como seria a Copa sem europeus? Simulação traz uma boa notícia!

Brasil e Argentina disputariam a final da Copa do Mundo de 2030 em uma situação improvável. Uma simulação projetou como seria o torneio caso as seleções filiadas à Uefa ficassem fora das competições da Fifa.

Segundo o The Sun, a projeção considera um eventual boicote das 55 federações europeias e mostra como o chaveamento mudaria sem a presença das equipes do continente.

Na projeção, o Brasil eliminaria Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de disputar a decisão. – Imagem: Andre Nery/Shutterstock

Brasil teria sequência de vitórias até a decisão

Produzida pela plataforma CasinoHawks, a projeção parte da hipótese de que as federações da Uefa deixariam de disputar os torneios organizados pela Fifa. O movimento seria uma reação ao projeto da entidade de criar uma empresa para administrar os direitos comerciais das competições e vender parte dela a investidores privados.

Na campanha simulada, o Brasil passaria por Coreia do Sul, Colômbia, Japão e Nigéria antes de chegar à decisão. A Argentina também avançaria sem derrotas, eliminando Costa do Marfim, México, Marrocos e Uruguai. A projeção não informa os placares, apenas os vencedores de cada confronto.

O caminho da seleção brasileira seria:

  • 16-avos de final: vitória sobre a Coreia do Sul;
  • Oitavas de final: classificação contra a Colômbia;
  • Quartas de final: eliminação do Japão;
  • Semifinal: vitória sobre a Nigéria;
  • Final: derrota para a Argentina.

Nigéria apareceria como a principal surpresa

Entre os resultados mais curiosos está a campanha da Nigéria. Liderada por Victor Osimhen, a seleção eliminaria Arábia Saudita, Canadá e Argélia antes de perder para o Brasil na semifinal.

Caso esse cenário se confirmasse, seria a primeira vez que o país chegaria entre os quatro melhores de uma Copa do Mundo. Até hoje, apenas uma seleção africana alcançou essa fase: Marrocos, em 2022. Na projeção, os marroquinos passariam por República Democrática do Congo e Estados Unidos antes de serem eliminados pela Argentina nas quartas de final.

Disputa por bola em jogo de futebol
A simulação reacende o debate sobre o impacto que um eventual boicote europeu teria na Copa de 2030. – Imagem: Anton Vierietin/Shutterstock

Ausência dos europeus abriria espaço para estreantes

Sem as seleções da Uefa, diversas equipes fariam sua primeira participação em uma Copa do Mundo. Entre elas aparecem Guatemala, Vietnã, Zâmbia, Bahrein, Uganda, Burkina Faso, Benin, Tailândia, Omã, Palestina, Guiné, Tajiquistão, Síria, Moçambique, Gabão, Madagascar e Guiné Equatorial. Venezuela e Mali também estreariam e avançariam ao mata-mata.

Apesar da repercussão da projeção, esse cenário continua sendo apenas uma hipótese. O boicote das federações europeias não foi colocado em prática e ainda depende do avanço da proposta da Fifa. A Uefa, a Confederação Asiática e a Concacaf estão entre as entidades que se posicionaram contra o projeto de comercialização dos direitos dos torneios.

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OpenAI e Anthropic explicam falhas antes da nova Lei de IA

Modelos de inteligência artificial da OpenAI e da Anthropic conseguiram realizar ações inesperadas durante testes de segurança, incluindo ataques cibernéticos simulados. Os episódios chegaram à Comissão Europeia antes da divulgação pública.

Segundo a Reuters, o bloco acompanha os casos enquanto prepara a entrada em vigor da Lei de IA, uma das primeiras regulamentações amplas do mundo para controlar o desenvolvimento da tecnologia.

Durante testes, modelos de IA realizaram ações inesperadas e abriram um novo debate sobre autonomia das máquinas. – Rawpixel.com/Shutterstock

Testes revelam novos desafios para agentes de IA

Os incidentes aumentaram a preocupação sobre ferramentas capazes de executar tarefas de forma autônoma. A Comissão Europeia informou que recebeu detalhes das duas empresas antes que os episódios fossem divulgados.

“Fomos informados pelos dois provedores sobre os incidentes antes de eles se tornarem públicos. Estamos em contato com eles e receberemos mais informações. Também avaliaremos se será necessário dar um encaminhamento mais formal a essas questões”, afirmou um funcionário do órgão.

A análise das autoridades envolve principalmente:

  • Capacidade de sistemas realizarem ações sem comando direto;
  • Riscos de uso indevido em ataques digitais;
  • Monitoramento obrigatório por desenvolvedores;
  • Transparência sobre o funcionamento dessas tecnologias.

Outro representante da Comissão Europeia destacou que “esses incidentes destacam a importância de implementar as atividades de monitoramento exigidas dos desenvolvedores.”

Anthropic e OpenAI relatam comportamentos inesperados

O primeiro caso envolveu modelos da família Claude, da Anthropic. A empresa informou que algumas versões conseguiram invadir sistemas de três organizações durante testes de cibersegurança.

Segundo a companhia, um erro de configuração permitiu o acesso à internet. As atividades foram identificadas após uma revisão de mais de 141 mil sessões de teste, e as empresas afetadas foram avisadas.

Poucos dias depois, a OpenAI revelou que dois modelos próprios encontraram uma maneira de invadir um sistema durante uma avaliação de segurança. A empresa classificou o episódio como um ataque “sem precedentes”.

Interface AI mostrando aviso de erro de prompt e alerta do sistema
Quando a IA começa a agir além do esperado, surge uma pergunta: como garantir controle sobre a tecnologia? – Imagem: Digineer Station/Shutterstock

Nova Lei de IA aumenta pressão sobre empresas

Os casos surgem às vésperas da entrada em vigor da Lei de IA da União Europeia, prevista para 2 de agosto. A regulamentação estabelece obrigações para desenvolvedores de modelos considerados de uso geral e com risco sistêmico.

Leia mais:

Entre as exigências estão ações para reduzir ameaças como ataques cibernéticos, manipulação maliciosa e situações em que uma tecnologia possa agir fora do controle humano.

A legislação também prevê regras de transparência, incluindo avisos quando usuários estiverem interagindo com uma inteligência artificial ou quando conteúdos forem criados ou modificados pela tecnologia.

As multas podem variar de 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 48 milhões) ou 1,5% do faturamento global até 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 224 milhões) ou 7% da receita mundial, dependendo da gravidade da infração.

Com a nova regra prestes a começar, a Europa terá pela frente o desafio de equilibrar dois objetivos que caminham juntos, mas nem sempre na mesma direção: incentivar avanços em IA e reduzir riscos de tecnologias cada vez mais independentes.

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70 anos da IA: como uma tecnologia dos anos 50 mudou tudo – duas vezes

Hoje, você pode conversar com a inteligência artificial. E ensinar a tecnologia a fazer coisas para você. Agentes de IA agora navegam por sistemas operacionais, consultam bancos de dados e executam sequências complexas de tarefas com intervenção humana cada vez menor. No benchmark OSWorld, que mede a capacidade de sistemas de IA lidarem com interfaces de computadores reais, a eficiência desses agentes saltou de 12% para a casa dos 66%. Em dez meses, o volume de solicitações de código automatizadas por agentes cresceu 28 vezes.

Os números corporativos refletem um cenário de consolidação: 88% das empresas globais usam IA em ao menos uma área de negócios, segundo pesquisa global da McKinsey publicada em 2025. Em paralelo, ferramentas generativas alcançaram mais de 50% de adoção pela população em idade ativa num ritmo de expansão superior ao do computador pessoal e da própria internet, de acordo com o relatório 2026 AI Index Report, da Universidade Stanford.

No entanto, o presente traz um paradoxo. Ao mesmo tempo em que resolve problemas de nível de doutorado, a IA ainda tropeça em dilemas primários. Em testes recentes de visão computacional, por exemplo, modelos de última geração não conseguiram ler as horas em relógios analógicos tradicionais em quase metade das tentativas. Além disso, os data centers que mantêm esses modelos rodando consomem volumes de energia elétrica equivalentes aos de países inteiros. E devoram quantidades astronômicas de água.

Uma viagem pelos 70 anos da IA

Para entender como a civilização construiu uma tecnologia tão avançada e, ao mesmo tempo, tão cheia de atritos, é preciso recuar sete décadas no tempo.

Setembro de 1956, Hanover, New Hampshire. Na faculdade de Dartmouth, nos Estados Unidos, um pequeno grupo de cientistas liderado por John McCarthy, Marvin Minsky, Nathaniel Rochester e Claude Shannon formalizou o documento que deu origem ao campo. Na proposta do Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence, os pesquisadores partiram de uma premissa ambiciosa: a de que “cada aspecto do aprendizado ou qualquer outra característica da inteligência pode, em princípio, ser tão precisamente descrito que uma máquina poderá simulá-lo”.

O otimismo da época era evidente. Os fundadores acreditavam que uma comissão de dez homens, trabalhando juntos durante dois meses no verão, conseguiria alcançar progressos significativos no desenvolvimento de máquinas capazes de usar linguagem, formar abstrações e resolver problemas reservados aos humanos.

A realidade se mostrou mais complexa. O entusiasmo inicial esbarrou na escassez de capacidade computacional e na falta de dados. Nas décadas seguintes, o setor da IA enfrentou “invernos”. Foram períodos marcados por cortes severos de verbas governamentais e ceticismo acadêmico. Relatórios como o Lighthill Report, de 1973, no Reino Unido, apontavam a incapacidade dos algoritmos de lidar com a complexidade do mundo real. A promessa de Dartmouth não se concretizou em 60 dias. Levaria 70 anos.

Entre as promessas não cumpridas dos anos 1950 e o impacto em massa dos anos 2020, a inteligência artificial encontrou um caminho silencioso de sobrevivência: o bastidor.

Feeds de recomendação (em redes sociais e streamings) têm IA por trás bem antes do ChatGPT – Imagem: bigshot01/Shutterstock

Nas décadas de 1990 e 2000, longe dos holofotes e sem alarde mercadológico, sistemas baseados em aprendizado de máquina começaram a moldar a infraestrutura digital. O corretor ortográfico no teclado do celular, o filtro contra spams na caixa de e-mail, as rotas otimizadas no GPS, os motores de busca na web e os feeds de recomendação de redes sociais e plataformas de streaming. Tudo isso foi construído sobre conceitos de IA ao longo das décadas seguintes. As pessoas usavam a tecnologia diariamente, mas quase ninguém a chamava de “inteligência artificial”.

A virada de chave aconteceu na transição para a década de 2020. A consolidação das redes neurais profundas (deep learning), combinada à capacidade computacional moderna, permitiu o surgimento da IA generativa – essa que gera texto, áudio e vídeo. Essa que conversa com você, mesmo sem saber nada. Foi o momento no qual a tecnologia saiu da infraestrutura e passou para a interface direta com o usuário.

“Se a inteligência artificial existe há 70 anos, por que a sensação é de que ela nasceu há apenas três ou quatro? Porque estamos falando de duas fases diferentes dessa história”, explica Kenneth Corrêa, especialista em dados e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao Olhar Digital

“A IA clássica sempre esteve presente nos bastidores, resolvendo problemas específicos, mas pouco visíveis. O que mudou recentemente foi a chegada da IA generativa”, diz o professor. “Pela primeira vez, centenas de milhões de pessoas passaram a conversar diretamente com uma máquina em linguagem natural. Não foi a IA que nasceu agora; o que nasceu foi uma nova forma de interação entre as pessoas e essa tecnologia.”

De volta ao presente de 2026, vislumbra-se uma nova fronteira. Nela, confluem o sonho teórico de 1956, a infraestrutura invisível dos anos 2000 e a aceleração generativa dos anos 2020.

Uma esfera translúcida e brilhante, representando a inteligência artificial, suspensa no ar e cercada por circuitos de vidro ultrafinos flutuantes, filamentos neurais complexos e partículas de dados luminosas. Ao fundo, em meio à escuridão, padrões sutis de placas de circuito dos anos 1950 fundem-se gradualmente com silhuetas elegantes e modernas de racks de servidores
O sonho de 1956, a infraestrutura de 2000 e a aceleração de 2020 confluem na nova fronteira da IA – Imagem: Pedro Spadoni via Gemini/Olhar Digital

A discussão em torno da IA migrou da capacidade de gerar textos ou imagens para a governança da autonomia crescente dela. A geopolítica da tecnologia foi reorganizada ao redor do conceito de “Soberania de IA”. Agora, países em desenvolvimento elaboram estratégias nacionais para erguer infraestruturas próprias, tentando mitigar a dependência do oligopólio de chips controlado pela taiwanesa TSMC e dos megadata centers baseados em solo norte-americano. No Brasil, por exemplo, ocorre uma corrida bilionária no setor.

Em paralelo, o ecossistema legal e regulatório busca se adequar à velocidade das transformações (vazamentos de conversas com o Claude e acusações contra a chinesa Moonshot AI reforçam isso). No setor cultural e de mídia, após anos de batalhas judiciais por uso indevido de propriedade intelectual, a indústria migrou para um modelo de acordos de licenciamento voluntário com detentores de direitos autorais para alimentar modelos de IA.

“O desenvolvimento técnico continua em ritmo acelerado, mas a discussão já não é mais apenas sobre o que a inteligência artificial consegue fazer”, diz Kenneth Corrêa. “À medida que ela participa das atividades do cotidiano, torna-se necessário discutir como será utilizada, quais decisões podem ser automatizadas e em quais situações a supervisão humana é indispensável.”

“Se os primeiros 70 anos foram dedicados ao desenvolvimento da tecnologia, os próximos tendem a ser marcados pela forma como a sociedade escolherá conviver com ela”, acrescenta. Ou seja: sete décadas após a conferência de Dartmouth, o dilema da IA deixou de ser matemático. Hoje, é uma questão de supervisão humana e convivência social.

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Nova IA da OpenAI promete funcionar como uma equipe digital

O CEO da OpenAI, Sam Altman, apresentou em Washington detalhes de um novo sistema de inteligência artificial com “agentes” capazes de trabalhar juntos e dividir tarefas. A tecnologia pode mudar a forma como profissionais lidam com atividades complexas.

A apresentação ocorreu durante reuniões com autoridades dos Estados Unidos, em um momento de debate sobre regras para o desenvolvimento de modelos avançados de IA.

OpenAI adia o lançamento do assistente de voz do ChatGPT. (Imagem: PatrickAssale / Shutterstock.com)

Nova tecnologia promete uma espécie de equipe digital

Durante os encontros, Altman explicou que o novo sistema poderá usar vários agentes de IA ao mesmo tempo, cada um responsável por uma parte de uma tarefa. A ideia é ampliar a capacidade dos modelos atuais, que hoje são usados principalmente para responder perguntas e gerar conteúdos.

Segundo o The Washington Post, o executivo afirmou que a tecnologia poderia ajudar a resolver problemas matemáticos ainda sem solução e assumir funções que normalmente dependeriam de profissionais especializados.

Um engenheiro de software, por exemplo, poderia usar os agentes para apoiar atividades de recursos humanos. Já um escritor poderia contar com a ferramenta para auxiliar em trabalhos relacionados ao design gráfico.

Entre as possibilidades apresentadas estão:

  • Divisão automática de tarefas entre diferentes agentes;
  • Execução de atividades complexas em segundo plano;
  • Apoio profissional em áreas fora da especialidade do usuário;
  • Colaboração entre múltiplos assistentes virtuais.

A proposta é transformar esses sistemas em uma estrutura de apoio capaz de acompanhar diferentes etapas de um trabalho.

OpenAI tenta antecipar regras para novos modelos

A visita de Altman a Washington aconteceu enquanto o governo americano avalia novas formas de acompanhar avanços em inteligência artificial e reduzir possíveis riscos.

O executivo se reuniu com integrantes da Casa Branca, parlamentares, autoridades de segurança e economistas. As conversas incluíram a criação de regras para que empresas comuniquem novos avanços tecnológicos ao governo.

A preocupação aumentou após um teste em que modelos da OpenAI conseguiram sair de um ambiente controlado e interagir com outra plataforma de IA durante uma avaliação de segurança. A empresa informou que desligou um dos modelos envolvidos, que ainda não estava previsto para lançamento público.

Ilustração conceitual de inteligência artificial derrubando cargo no mercado de trabalho
Um dos desafios da IA avançada é equilibrar inovação, segurança e preparação para o mercado de trabalho. – Imagem: Jack_the_sparow/Shutterstock

Mercado de trabalho entra no centro do debate

Além da segurança, o impacto da tecnologia nos empregos também foi discutido. Empresas do setor defendem que a IA pode aumentar a produtividade, enquanto trabalhadores demonstram preocupação com possíveis mudanças em suas funções.

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O senador Mark Warner destacou que a tecnologia pode criar oportunidades, mas afirmou que será necessário preparar profissionais para essa nova realidade.

“Eu acho que eles precisam contribuir com os recursos, sobre como preparar as pessoas para essa economia de IA”, disse Warner a jornalistas.

O debate também envolve a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. O presidente Donald Trump afirmou que o país precisa equilibrar controle e inovação para não perder competitividade.

Segundo o The Washington Post, a OpenAI continua negociando com autoridades enquanto desenvolve seus próximos sistemas. A empresa ainda não informou quando a nova tecnologia com agentes será lançada.

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Efeito OpenAI: Anthropic diz que IA invadiu sistemas de três empresas

A Anthropic informou, nesta quinta-feira (30), que alguns de seus modelos de inteligência artificial (IA) conseguiram invadir os sistemas de três empresas durante testes de segurança cibernética, após um erro de configuração permitir que eles acessassem a internet. Segundo a companhia, os incidentes ocorreram sem que a empresa percebesse e começaram em abril.

O caso foi revelado poucos dias depois de a OpenAI informar que um de seus agentes de IA escapou de um ambiente isolado de testes e realizou uma série de ataques contra a empresa de IA Hugging Face, episódio que chamou a atenção de pesquisadores de segurança e especialistas em IA.

De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes. No entanto, uma configuração incorreta em sistemas administrados pela própria empresa e por sua parceira de testes, a empresa de segurança Irregular, acabou permitindo acesso à rede.

Após tomar conhecimento do incidente envolvendo a OpenAI, a Anthropic decidiu revisar os registros de seus próprios testes de segurança. A empresa analisou 141.006 execuções de avaliações de cibersegurança e identificou três episódios nos quais seus modelos acessaram a internet e comprometeram sistemas de organizações externas.

Diferentemente do caso divulgado pela OpenAI, a Anthropic afirmou que seus modelos não escaparam de um sandbox. Segundo a empresa, eles simplesmente foram executados em ambientes onde esse isolamento não existia devido ao erro de configuração.

A companhia não revelou quais empresas foram afetadas, mas informou que todas foram notificadas na última segunda-feira (27).

De acordo com a Anthropic, os modelos deveriam estar operando em ambientes isolados da internet, conhecidos como sandboxes – Imagem: PhotoGranary02/Shutterstock

Nova invasão de IAs a empresas

  • Segundo a Anthropic, os modelos acreditavam, de forma equivocada, que as invasões faziam parte dos testes de avaliação para os quais haviam sido programados;
  • “O Claude comprometeu a infraestrutura das organizações afetadas utilizando técnicas básicas, como explorar senhas fracas e acessar pontos de entrada que não exigiam autenticação”, afirmou a empresa;
  • Os ataques envolveram os modelos Claude Opus 4.7, Mythos 5 e outro modelo experimental cujo nome não foi divulgado;
  • Uma porta-voz da Irregular afirmou que a empresa está investigando o ocorrido.

O episódio deve ampliar as preocupações sobre os riscos associados a modelos avançados de IA capazes de agir de forma autônoma para cumprir objetivos definidos pelos usuários.

Nos Estados Unidos, o tema já vem atraindo atenção das autoridades. A Casa Branca tem ampliado sua supervisão sobre a IA, enquanto empresas do setor defendem a manutenção do acesso aos chamados modelos de pesos abertos (open-weight), que podem ser executados em sistemas controlados pelos próprios usuários.

Na semana passada, o deputado estadunidense Greg Casar afirmou que “a IA está se desenvolvendo extremamente rápido, sem regulamentações reais para nos manter seguros”.

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DeepSeek amplia corrida por IA com data center bilionário na China

A DeepSeek, empresa chinesa de inteligência artificial sediada em Hangzhou, planeja construir um megacentro de dados na Mongólia Interior com capacidade estimada de um gigawatt de computação, em um movimento para expandir sua infraestrutura e disputar espaço no mercado global de IA.

O projeto deve ser instalado em Ulanqab, cidade localizada a cerca de 350 quilômetros a noroeste de Pequim, e prevê tanto a criação de uma estrutura própria quanto a contratação de capacidade adicional de outras empresas. A companhia pretende colocar parte da operação em funcionamento até o fim de 2027 ou no início de 2028.

A iniciativa ocorre em meio à corrida mundial por poder computacional para inteligência artificial, enquanto empresas americanas e chinesas ampliam investimentos em data centers de grande escala. A DeepSeek busca fortalecer sua posição após ganhar destaque com modelos de IA desenvolvidos com menor demanda de recursos computacionais.

Nova infraestrutura amplia disputa por capacidade de inteligência artificial

Apps de IA – Imagem: Tada Images/Shutterstock

A construção do complexo na Mongólia Interior representa um dos maiores projetos conhecidos de infraestrutura de computação associados a uma empresa chinesa de inteligência artificial. Uma instalação com 1 GW de capacidade superaria todos os centros de dados de IA atualmente em operação no país, embora ainda fique abaixo de projetos americanos que chegam a 3 GW e 5 GW.

O plano da DeepSeek inclui a possibilidade de combinar instalações próprias com espaço alugado em estruturas administradas por terceiros. Informações obtidas de pessoas familiarizadas com o assunto indicam que mais de uma dezena de empresas já possui projetos previstos em Ulanqab, conforme uma compilação independente baseada em aprovações do governo local.

Ainda não está definido quais chips serão utilizados no empreendimento. No setor de inteligência artificial, os semicondutores da Nvidia são considerados o padrão dominante para data centers, enquanto a Huawei ocupa posição de destaque como principal fabricante chinesa nessa área.

A escolha de Ulanqab está relacionada às características climáticas da região. Com temperatura média anual próxima de 4 graus Celsius, o local reduz a necessidade de energia para resfriar servidores de alto consumo, fator que atrai empresas interessadas em operar grandes estruturas computacionais.

A expansão da DeepSeek acontece após a empresa ganhar projeção internacional ao apresentar modelos de inteligência artificial que, segundo a própria companhia, alcançaram desempenho avançado utilizando uma quantidade de recursos computacionais inferior à de concorrentes. A estratégia também envolveu o desenvolvimento de serviços de baixo custo e código aberto.

Data center com chip grande de inteligência artificial (IA) na parede, no final de um corredor
Data center de IA – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Esse avanço colocou a startup no centro da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Empresas como OpenAI e Anthropic investiram dezenas de bilhões de dólares em capacidade computacional, enquanto grupos chineses como Moonshot, Z.AI, Alibaba e MiniMax também buscam ampliar sua presença no setor.

A movimentação da DeepSeek ocorre em um cenário de crescente atenção geopolítica. Autoridades americanas levantaram suspeitas de que a empresa teria contornado restrições de exportação ao utilizar processadores Blackwell da Nvidia em uma instalação na Mongólia Interior, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

Além disso, OpenAI e Anthropic acusaram a startup chinesa de realizar um processo conhecido como destilação, no qual resultados produzidos por modelos de inteligência artificial existentes seriam usados para aprimorar novas tecnologias.

A companhia também iniciou preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações e pode realizar o pedido ainda neste ano, conforme informações divulgadas anteriormente pela Bloomberg News. Antes disso, a empresa teria concluído uma captação de US$ 7 bilhões, alcançando uma avaliação aproximada de US$ 50 bilhões.

A construção de um centro de dados desse porte também evidencia a capacidade financeira crescente das empresas chinesas para investir em infraestrutura de IA. Segundo estimativa citada pelo presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, um complexo de 1 GW equipado com aceleradores avançados poderia exigir cerca de US$ 50 bilhões em investimentos.

Apesar da escala do projeto, os custos de centros de dados variam conforme a localização e a tecnologia empregada. Estruturas voltadas à inteligência artificial na China costumam apresentar valores inferiores aos equivalentes instalados nos Estados Unidos.

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OpenAI debate com a Casa Branca medidas para ampliar segurança de sistemas de IA

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, deve discutir nesta quinta-feira (30) com integrantes do governo dos Estados Unidos medidas voluntárias de segurança cibernética para sistemas avançados de inteligência artificial, após um teste interno revelar que um agente de IA da empresa conseguiu escapar de um ambiente controlado.

O encontro ocorrerá em Washington e envolverá autoridades da Casa Branca responsáveis por tecnologia e segurança nacional, além do Departamento de Comércio. A reunião acontece pouco mais de uma semana depois da OpenAI divulgar o incidente envolvendo seu modelo durante uma avaliação de segurança.

O caso ganhou atenção porque o agente testado realizou ações que afetaram infraestruturas externas de empresas de tecnologia, incluindo uma plataforma utilizada por desenvolvedores de modelos de inteligência artificial.

OpenAI leva incidente de segurança a autoridades americanas

Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock

Durante a agenda no governo americano, Altman tratará dos próximos modelos desenvolvidos pela OpenAI e das propostas de testes voluntários que devem avaliar riscos associados a sistemas avançados de IA.

A reunião contará com a presença da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, do diretor nacional de cibersegurança, Sean Cairncross, e do assessor de tecnologia Michael Kratsios, conforme informou um porta-voz da OpenAI à Reuters. O executivo também tem uma conversa prevista com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

A movimentação ocorre depois que a empresa revelou que um agente de inteligência artificial escapou dos limites estabelecidos em um teste de segurança. De acordo com as informações divulgadas, o sistema conseguiu executar uma invasão que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores para armazenar e colaborar em projetos relacionados a modelos de IA.

Além disso, o agente também teria afetado um cliente de uma segunda empresa de tecnologia, a Modal Labs, sediada em Nova York, conforme reportagem anterior da Reuters sobre o episódio.

Sam Altman
Sam Altman – Imagem: FotoField/Shutterstock

A preocupação com avaliações de segurança para modelos avançados ganhou força após uma determinação do presidente Donald Trump, feita em 2 de junho, para que seus assessores elaborassem testes voluntários de cibersegurança voltados às tecnologias mais sofisticadas de inteligência artificial.

A iniciativa deveria contar com a participação das próprias empresas desenvolvedoras, e o prazo estabelecido pelo governo para finalizar os detalhes do programa termina em 1º de agosto.

Altman afirmou a jornalistas na quarta-feira que teve acesso aos planos preliminares dos testes propostos pelo governo, mas não apresentou detalhes sobre o conteúdo dessas medidas.

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LinkedIn quer separar posts reais de textos feitos por IA

O LinkedIn ganhou um novo recurso para combater uma tendência que incomoda usuários de redes profissionais: publicações geradas por inteligência artificial sem qualidade ou autenticidade. Agora, será possível indicar quando um post parece ser um caso de “AI slop”.

A ferramenta faz parte de uma estratégia da plataforma para reduzir conteúdos automáticos e manter o foco em experiências, opiniões e conhecimentos compartilhados por pessoas reais.

A rede profissional quer reduzir o avanço do “AI slop”, termo usado para conteúdos artificiais, repetitivos e sem autenticidade. Imagem: Collagery/Shutterstock

Novo botão ajuda a identificar o “AI slop”

O recurso “parece ser AI slop” permite que usuários sinalizem publicações que aparentam ter sido criadas por IA de maneira superficial, repetitiva ou pouco original. O termo passou a ser usado para definir materiais produzidos automaticamente que não entregam valor ao leitor.

A novidade não chega sozinha. O LinkedIn informou que também vem reforçando seus sistemas contra robôs, bloqueando diariamente centenas de milhares de tentativas automatizadas de comentários.

Nos últimos meses, a empresa também interrompeu milhões de outras ações automatizadas. A iniciativa busca evitar que bots e perfis falsos prejudiquem a experiência de quem usa a rede para criar conexões profissionais.

A IA slop é uma prioridade para todos nós. Nós realmente nos importamos com isso. As pessoas vêm ao LinkedIn para se conectar com pessoas reais e compartilhar suas perspectivas, ideias e conhecimentos reais.

Hari Srinivasan, CPO do Linkedin, em post na própria rede.

Entre as medidas anunciadas pela plataforma estão:

  • botão para usuários indicarem conteúdos considerados “AI slop”;
  • novos sistemas para identificar publicações artificiais ou de baixa qualidade;
  • bloqueio de tentativas automatizadas de comentários e ações suspeitas;
  • alertas privados para ajudar usuários a melhorar conteúdos vistos como pouco autênticos.
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Novos classificadores de IA do LinkedIn devem reduzir a presença de publicações artificiais nas recomendações. – Imagem: Divulgação/Linkedin

LinkedIn reduz influência da IA na criação de posts

A plataforma também decidiu mudar seus próprios recursos de inteligência artificial. O LinkedIn vai retirar a ferramenta “melhore sua publicação”, que ajudava usuários a criar textos com auxílio de IA.

No lugar dela, entrará uma função voltada para revisão, capaz de corrigir palavras e fazer ajustes no texto sem modificar o estilo de escrita de cada pessoa.

A rede também está desenvolvendo classificadores para reconhecer publicações artificiais ou consideradas de baixa qualidade. Esses sistemas serão usados para diminuir a presença desse tipo de material nas recomendações exibidas aos usuários.

Página de download do LinkedIn na App Store exibida na tela de um iPhone
Posts gerados por máquinas ganharam espaço nas redes, e o LinkedIn criou novas formas de identificar esses conteúdos. – Imagem: Tada Images/Shutterstock

Rede amplia medidas contra conteúdos automáticos

A mudança acompanha uma preocupação crescente entre plataformas digitais, que buscam formas de lidar com o aumento de publicações feitas por ferramentas de IA.

Leia mais:

Além das novas formas de identificação, o LinkedIn pretende ampliar recursos de verificação de perfis e páginas e oferecer uma opção para bloquear comentários de páginas corporativas que o usuário não deseja acompanhar.

Com as novas medidas, a rede tenta usar a inteligência artificial como apoio, sem deixar que posts produzidos automaticamente ocupem o espaço das experiências e ideias compartilhadas por profissionais de verdade.

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