OpenAI prevê “queimar” US$ 280 bilhões até 2030 para financiar expansão da infraestrutura de IA

A OpenAI projeta um fluxo de caixa livre negativo de US$ 278 bilhões (mais de R$ 1,4 trilhão) entre 2026 e 2030, segundo apresentação recente da empresa vista pelo Financial Times. O valor evidencia a dimensão dos recursos necessários para financiar a expansão da infraestrutura de computação usada pela companhia.

A empresa espera que suas receitas avancem de US$ 36 bilhões em 2026 para US$ 350 bilhões em 2030, mas ainda assim prevê que as despesas ficarão muito acima da geração de receita no período. Ao todo, a OpenAI estima registrar US$ 840 bilhões em receitas até o fim de 2030.

Gastos com computação devem concentrar maior parte dos recursos

De acordo com o FT, a OpenAI prevê gastar cerca de US$ 856 bilhões em poder computacional e infraestrutura até o fim de 2030. Esse deve ser, de longe, o maior grupo de despesas da empresa durante o período.

Os investimentos estão relacionados à ampliação do acesso à capacidade computacional necessária para treinar e operar modelos de inteligência artificial. A companhia também reduziu preços enquanto busca conquistar negócios da rival norte-americana Anthropic e enfrentar modelos de pesos abertos mais baratos desenvolvidos na China.

A necessidade de financiamento ganhou importância depois que a OpenAI levantou US$ 122 bilhões em março. Segundo a apresentação citada pelo FT, esse montante pode ser consumido até 2028 caso as projeções de gastos sejam mantidas.

Nova rodada de investimentos pode superar US$ 1,2 trilhão em avaliação

A OpenAI entrou recentemente em negociações para uma nova rodada de financiamento. Investidores procuraram a empresa para discutir aportes considerando uma avaliação de US$ 1,2 trilhão, enquanto a companhia busca uma avaliação ainda maior, segundo uma pessoa próxima à OpenAI ouvida pelo FT.

A capacidade da empresa de obter novos recursos também está ligada a acordos financeiros e contratos de infraestrutura firmados para garantir acesso à capacidade computacional. Empresas como Nvidia, Oracle e a unidade de data centers da SoftBank dependem desses contratos para parte de suas receitas futuras.

Apesar das projeções de forte consumo de caixa, há sinais de crescimento da receita. Novos lançamentos de modelos contribuíram para um aumento de aproximadamente 20% na receita anualizada da OpenAI em julho.

A projeção atual também representa uma melhora em relação à estimativa apresentada em maio, quando a empresa previa fluxo de caixa livre negativo de US$ 305 bilhões.

IPO foi adiado

A OpenAI havia planejado uma oferta pública inicial de ações para este outono e protocolou confidencialmente os documentos junto à Securities and Exchange Commission em junho. Desde então, porém, o processo foi adiado.

A empresa citou a crescente preocupação pública com os riscos associados ao rápido desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial como motivo para o adiamento. Alguns investidores também apontaram preocupações sobre a recepção nos mercados públicos de uma companhia que registra perdas elevadas.

A Anthropic, por sua vez, deve realizar uma oferta pública inicial neste outono, em uma operação que pode ser a maior desse tipo já registrada. A OpenAI não comentou as informações ao FT.

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CEO da Nvidia diz que há “0% de chance” de a inteligência artificial acabar com o mundo até 2030

O CEO da Nvidia afirmou em entrevista à CBS News que não acredita em um cenário de extinção causado pela inteligência artificial até o fim da década. Jensen Huang também defendeu que o desenvolvimento da tecnologia continue em ritmo acelerado, desde que produtos inseguros não sejam lançados.

A declaração foi dada ao correspondente de negócios e tecnologia da CBS News, Jo Ling Kent, em entrevista que será exibida integralmente no programa Sunday Morning. Huang afirmou que há “0% de chance” de 2030 ser o fim do mundo, ao mesmo tempo em que reconheceu a existência de preocupações sobre os riscos associados à inteligência artificial.

Huang defende avanço rápido da inteligência artificial

Questionado sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da IA diante dos alertas recentes no setor, Huang afirmou que a indústria deve continuar avançando.

“Devemos ir o mais rápido que pudermos, independentemente de qualquer outra pessoa”, disse o CEO da Nvidia. Segundo ele, isso não significa colocar produtos no mercado antes que estejam prontos ou que apresentem riscos.

Huang acrescentou que a Nvidia não deve lançar produtos inseguros. A declaração ocorre em meio ao aumento das discussões sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial e sobre a necessidade de mecanismos de segurança e regulamentação.

Alertas sobre os riscos da IA

A discussão ganhou força após a saída pública de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic. No início de setembro, ele deixou a empresa e afirmou que companhias de inteligência artificial estariam priorizando a inovação em detrimento de protocolos de segurança adequados.

Coxon também declarou à CBS News que, sem intervenções, a IA poderia representar uma ameaça à humanidade no futuro. As preocupações foram posteriormente abordadas por Dario Amodei, CEO da Anthropic, que afirmou que o setor demorou a reconhecer os riscos associados à tecnologia.

Amodei disse que a evolução da inteligência artificial ocorre em ritmo “exponencial” e classificou a situação como um sinal de alerta que justificaria uma desaceleração. Ao mesmo tempo, afirmou que isso não significava que seria necessário interromper completamente o desenvolvimento da tecnologia.

Huang, por outro lado, mantém a avaliação de que a IA pode ser administrada com segurança e tem defendido o avanço da tecnologia. O CEO também já se manifestou contra a necessidade de novas regulamentações para o setor.

A entrevista completa de Jensen Huang à CBS News está prevista para ser exibida neste domingo no programa Sunday Morning.

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Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google são acusadas de fazer acordo ilegal para frear avanço da IA

Uma nova ação judicial nos Estados Unidos acusa Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Google de terem coordenado esforços para reduzir o ritmo de desenvolvimento de suas respectivas inteligências artificiais. O processo foi protocolado na sexta-feira (18), no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia.

Segundo os autores, a suposta coordenação violaria leis antitruste por envolver algumas das principais empresas do setor em um acordo para fazer com que o avanço da tecnologia ocorresse em ritmo inferior ao que seria observado em um ambiente competitivo. A ação também afirma que a prática poderia reduzir o valor dos serviços de IA pagos pelos consumidores.

Processo cita manifestações de executivos

A ação aponta principalmente para acontecimentos de 12 de setembro, quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, publicou um texto defendendo a cooperação entre empresas do setor para desacelerar os avanços da IA em favor de medidas de segurança mais robustas.

No mesmo dia, Sam Altman, CEO da OpenAI, Elon Musk, CEO da SpaceXAI, e Demis Hassabis, cofundador e presidente do Google DeepMind, responderam publicamente às propostas de Amodei e demonstraram concordância com a ideia.

Os quatro autores identificados no processo são assinantes pagos do ChatGPT, Claude, Grok ou Gemini. Os advogados afirmam representar essas pessoas em nome de um grupo nacional proposto formado por outros usuários que também pagam pelos serviços.

Para os autores, a coordenação entre concorrentes para tornar o progresso da IA mais lento teria efeitos anticompetitivos. O processo não contesta que as empresas discutam com o governo a criação de regras para o setor ou mesmo que solicitem uma isenção específica das leis antitruste.

Amodei havia mencionado riscos antitruste

Ao apresentar inicialmente sua proposta de desaceleração, Amodei reconheceu que a cooperação entre empresas poderia levantar questões relacionadas às leis antitruste. Ele defendeu que o governo dos Estados Unidos poderia mediar ou ao menos facilitar as conversas entre os laboratórios.

Na avaliação apresentada por Amodei, o governo não precisaria participar diretamente das discussões, mas deveria conceder uma isenção limitada para determinados tipos de conversas relacionadas à segurança.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, que pediu desaceleração no desenvolvimento de IA, citou risco de a cooperação esbarrar em questões antitruste – Imagem: Below the Sky/Shutterstock

Altman, por sua vez, afirmou que a OpenAI apoia uma estrutura federal com requisitos consistentes de segurança. O executivo também disse que a empresa não considera necessário esperar uma nova legislação ou uma isenção antitruste para começar a trabalhar na construção dessa estrutura.

A discussão acontece em meio a preocupações crescentes sobre os riscos associados ao avanço da IA. Líderes do setor vêm debatendo há algum tempo a criação de padrões compartilhados e outras formas de coordenação para manter a segurança como uma prioridade.

Governo dos EUA também está no debate

Os autores da ação afirmam que não são contrários a pedidos feitos pelas empresas ao Congresso, à Casa Branca ou a outros órgãos para estabelecer regulamentações para a inteligência artificial. O processo também não se opõe, especificamente, à solicitação de uma isenção antitruste.

A questão, porém, envolve também a posição do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump rejeitou publicamente os pedidos por regulamentação e afirmou que tentativas de limitar a tecnologia fazem parte de uma “conspiração doentia”.

Neste sábado (19), Trump afirmou que está formando uma força-tarefa de IA e que pretende nomear um “czar da IA”, mas forneceu poucos detalhes sobre a iniciativa. O governo também tem defendido que os laboratórios americanos avancem sobre a concorrência chinesa.

Em uma audiência recente no Senado, o senador Josh Hawley, republicano do Missouri, também rejeitou a possibilidade de conceder às grandes empresas de tecnologia uma isenção das leis antitruste para que possam colaborar entre si. Segundo ele, isso poderia favorecer acordos entre concorrentes e reduzir a competição.

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Trump anuncia criação de “Força de IA” nos EUA e promete nomear um “czar” para acompanhar a tecnologia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (19) que pretende criar uma “Força de IA” para supervisionar a regulamentação da inteligência artificial no país. Em publicação na rede social Truth Social, o presidente também afirmou que deverá nomear um “czar da IA” em um futuro próximo.

Segundo Trump, a iniciativa terá como objetivo acompanhar o crescimento da indústria de inteligência artificial sem impedir sua expansão. Ao mesmo tempo, ele afirmou que o governo ficará atento a possíveis condutas ilícitas e poderá recorrer ao sistema de Justiça criminal e civil já existente para lidar com esses casos.

O anúncio ocorre no mesmo dia em que Trump também abriu uma enquete para escolher um novo nome para a inteligência artificial.

Trump diz que não quer sufocar setor de IA

Na publicação, Trump afirmou que os Estados Unidos não devem “impedir ou sufocar” o crescimento da indústria de inteligência artificial. O presidente declarou que pretende valorizar, apoiar e acompanhar o desenvolvimento do setor.

Trump também destacou que o governo pretende observar eventuais práticas ilegais relacionadas à tecnologia. Segundo ele, esse tipo de conduta poderá ser enfrentado por meio das estruturas já existentes no sistema de Justiça dos Estados Unidos.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o anúncio. A publicação, portanto, representa até o momento a principal informação divulgada pelo governo sobre a criação da força de trabalho e a escolha de um responsável pela área.

Presidente já criticou novas regras para inteligência artificial

O anúncio ocorre poucos dias depois de Trump publicar outra mensagem sobre o tema. No início desta semana, o presidente afirmou que existe uma “conspiração doentia” contra a inteligência artificial e os centros de dados.

Na ocasião, Trump rejeitou pedidos por novas regras federais específicas para a IA. Segundo ele, os Estados Unidos precisariam apenas de um presidente forte para regular a tecnologia.

O tema também aparece nas relações entre Estados Unidos e China. Autoridades americanas afirmaram que a inteligência artificial será abordada em conversas com o governo chinês, enquanto Trump se prepara para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, na próxima semana.

Washington e Pequim consideram os avanços em inteligência artificial importantes para a competitividade econômica e militar de seus países. Os dois governos, porém, continuam em desacordo sobre questões como o acesso a chips avançados, alegações de cópia de tecnologia e a regulamentação da indústria de IA.

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Inteligência superior? Extrema? Suprema? Trump abre enquete para trocar o nome da inteligência artificial

O nome inteligência artificial (IA) pode estar com os dias contados — pelo menos se depender de uma enquete aberta por Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos decidiu colocar em votação uma questão que, até agora, não parecia estar entre as prioridades da indústria de tecnologia: como chamar a IA.

Em publicação feita na tarde deste sábado (19) no X, Trump afirmou que muitas pessoas consideram “Artificial Intelligence” um termo impreciso e pouco elegante para descrever a tecnologia. Como alternativa, apresentou três opções que parecem disputar não apenas um novo nome, mas também quem consegue soar mais grandioso: Superior Intelligence (SI), Extreme Intelligence (EI) e Supreme Intelligence (SI).

Trump quer uma inteligência menos “artificial”

Segundo Trump, uma descrição “mais elegante e precisa” para o fenômeno seria uma das três alternativas. A ideia foi apresentada pelo presidente como uma enquete aberta ao público, com um pedido para que todos participassem da votação.

Em tradução direta, as opções seriam Inteligência Superior, Inteligência Extrema e Inteligência Suprema. A sigla, inclusive, não ajuda muito na diferenciação: duas das três propostas viram SI.

A escolha também segue uma espécie de escalada: primeiro a inteligência é superior, depois extrema e, finalmente, suprema. Resta aos usuários decidir até onde a inteligência artificial deve subir no ranking antes mesmo de alguém pedir para ela resolver um problema.

Muitas pessoas acham que as palavras ‘Inteligência Artificial’ são imprecisas e muito pouco eloquentes em relação à IA, ou Inteligência Artificial. Uma descrição muito mais elegante e precisa desse novo fenômeno seria Inteligência Superior (SI), Inteligência Extrema (EI) ou Inteligência Suprema (SI). Esta é uma enquete, e eu agradeceria se todos participassem da votação! Qual é o melhor nome para esta ‘Revolução’ que está em constante crescimento?

Donald Trump no X

No momento da publicação, Inteligência Superior estava liderando a votação com 40,4% dos votos, seguida de Inteligência Suprema (31,4%) e Extrema (28,3%).

Enquete não significa mudança oficial no nome da IA

Apesar da proposta, a publicação ainda não indica que o governo dos Estados Unidos esteja preparando uma mudança oficial na terminologia utilizada para inteligência artificial. Trump apresentou a iniciativa como uma enquete, perguntando qual seria o melhor nome para o que chamou de uma “revolução” em crescimento.

A votação foi publicada nas redes sociais e rapidamente recebeu milhares de participações. No momento mostrado na publicação, a enquete ainda tinha cerca de um dia restante. Portanto, por enquanto, IA continua sendo IA.

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Eleição de 2026 no Brasil será teste para uso de IA em pleitos futuros, diz executivo da OpenAI

O Brasil será um dos principais testes para o uso de inteligência artificial em eleições, segundo Bruno Lewicki, 51, head de políticas públicas da OpenAI na América Latina. Em entrevista ao podcast A Máquina, publicada pela Folha neste sábado (19), o executivo afirmou que a experiência brasileira poderá servir de aprendizado para outros países que terão eleições no ano seguinte.

Lewicki disse que a OpenAI se preparou para o pleito brasileiro e espera uma eleição sem grandes problemas relacionados ao uso de IA. Ao mesmo tempo, destacou que várias regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são novas e que ainda não existe jurisprudência para determinar como algumas delas serão aplicadas na prática.

Como a OpenAI diz que se preparou?

Segundo Lewicki, a estratégia da empresa envolve três frentes. A primeira é a transparência sobre conteúdos gerados por IA. Arquivos produzidos pelo ChatGPT recebem uma etiqueta digital com metadados sobre sua origem e uma marca d’água invisível que pode indicar quando uma imagem foi criada pelo serviço.

O executivo citou um caso recente envolvendo um suposto relatório da Polícia Federal que circulou nas redes sociais. Uma jornalista de uma agência de checagem identificou que o documento havia sido produzido com IA usando uma ferramenta disponibilizada ao público pela OpenAI. A ferramenta permite o envio de uma imagem ou áudio para verificar se o arquivo foi gerado integralmente ou com auxílio do ChatGPT.

O ChatGPT é uma das ferramentas de IA citadas no debate sobre o uso da tecnologia nas eleições de 2026 – Imagem: Nwz / Shutterstock

Para textos, porém, Lewicki afirmou que essa ferramenta específica não faz a verificação. Ele também destacou o acesso à informação como outra frente de atuação. Segundo o executivo, são enviadas 215 milhões de mensagens diárias ao ChatGPT no Brasil, o que torna a qualidade das informações utilizadas pelo modelo uma questão relevante.

Durante o período eleitoral, a empresa também intensificou a inclusão de fontes oficiais, como o TSE, e de veículos jornalísticos entre as referências consideradas pelo sistema. A terceira frente citada por Lewicki é o monitoramento contínuo realizado pelas equipes de segurança, inteligência e integridade da companhia.

Regras do TSE ainda são novidade

Uma das mudanças mencionadas na entrevista é a determinação de que modelos de IA não podem ranquear, recomendar, sugerir, favorecer ou desfavorecer candidatos ou partidos, direta ou indiretamente. Lewicki afirmou que a OpenAI já possui políticas voltadas a evitar vieses em questões políticas e eleitorais, mas ressaltou que a regra do TSE é nova e ainda não possui jurisprudência.

O executivo também afirmou que o uso do ChatGPT em campanhas eleitorais é proibido, exceto em determinadas atividades administrativas. A empresa ainda não disponibiliza anúncios políticos ou eleitorais no ChatGPT, incluindo no Brasil, onde anúncios passaram a existir na versão gratuita e em uma das versões pagas do serviço.

A OpenAI também mantém políticas contra práticas como supressão de voto e interferência no processo eleitoral. Lewicki citou um episódio ocorrido na Índia em 2024, quando o ChatGPT teria sido usado em conjunto com redes sociais e personas falsas de mídia para favorecer um partido em relação a outro. Segundo ele, o caso foi identificado pelos sistemas da empresa e não teve grande engajamento.

Empresa diz ter aprimorado sistema

Lewicki também comentou estudos do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS) e do Observatório IA nas Eleições que apontaram situações em que chatbots, incluindo o ChatGPT, ainda ranqueavam ou recomendavam candidatos.

O executivo afirmou que os estudos anteriores foram realizados com dados coletados entre fevereiro e julho, antes do início da campanha eleitoral. Segundo ele, a OpenAI solicitou um novo estudo ao professor Diogo Reis para avaliar mudanças mais recentes. Nesse levantamento, de acordo com Lewicki, o modelo se recusou a ranquear ou recomendar candidatos em 32 de 33 tentativas.

Outro ponto citado na entrevista foi a regra do TSE sobre conteúdos gerados por IA nas proximidades da eleição. A norma mencionada por Lewicki estabelece restrições à publicação, republicação e impulsionamento desses materiais nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores ao pleito. Na avaliação apresentada pelo executivo, a regra não trata da geração do conteúdo em si.

Logotipo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exibido na tela de um smartphone sobre um teclado de computador.
O TSE estabeleceu novas regras para o uso de inteligência artificial e conteúdos sintéticos durante as eleições – Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock

Questionado sobre quem seria responsável caso uma imagem gerada por IA circulasse nesse período, Lewicki afirmou que a norma prevê responsabilidades para as redes sociais e para quem disseminar o conteúdo. A OpenAI, segundo ele, continuará utilizando suas camadas de defesa para indicar a procedência dos arquivos e monitorar usos que contrariem suas políticas.

Lewicki afirmou ainda que a empresa não contratou pessoas especificamente por causa da eleição brasileira, mas vem aprimorando sua tecnologia continuamente. Para ele, o pleito de 2026 representa um momento importante devido à disseminação da IA, e a experiência brasileira poderá contribuir para eleições previstas para 2027, incluindo as da França e da Espanha.

O executivo também defendeu maior participação de governos, empresas, academia e sociedade civil nas discussões sobre segurança de IA. Segundo Lewicki, questões relacionadas à cibersegurança e aos riscos da tecnologia não deveriam ficar restritas a empresas e especialistas do setor privado.

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Bilhões investidos em IA que aprende sozinha aproximam a tecnologia da mente humana e acendem alerta ético 

O setor de tecnologia avança rapidamente em direção a um objetivo ousado: criar inteligências artificiais capazes de aprimorar o próprio código sem ajuda. Essa corrida atrai investimentos bilionários de startups e grandes empresas globais, mas também desperta alertas sobre os limites de perder o controle humano.

No fim do ano passado, Edward Hughes e Louis Kirsch, ex-pesquisadores do Google, fundaram uma empresa inovadora em Londres, na Inglaterra, para desenvolver um sistema capaz de aprender observando a rotina de trabalho da equipe. A Inherent acompanha o dia a dia do escritório, processando e-mails, conversas e reuniões gravadas. Hughes explicou ao jornal The New York Times a estratégia do projeto. “Queremos fornecer a essa ferramenta dados que descrevam o processo pelo qual passamos, para descobrir algo.”

Essa técnica de autoaperfeiçoamento permite que o software melhore a própria estrutura de forma autônoma. Laboratórios conhecidos buscam acelerar esse conceito para impulsionar descobertas científicas e novos remédios. Jeff Clune, veterano da OpenAI e do Google que ajudou a fundar a startup Recursive Superintelligence, destacou o momento decisivo da tecnologia. “Agora é a hora de pegar essas ideias, que temos incubado no laboratório por décadas, e começar a realmente escalá-las.”

IA observa, testa, avalia resultados e melhora o próprio código continuamente, sozinha. – Crédito: Imagem gerada por IA

Entre a evolução e o freio de emergência 

Apesar da grande empolgação do mercado, o avanço rápido dessa automação preocupa especialistas e líderes do setor. Existe um temor real de que sistemas capazes de evoluir sozinhos acabem superando as barreiras do controle humano. Diante do risco de perda de supervisão sobre os programas, executivos de grandes empresas de tecnologia já citam esses alertas como motivo central para desacelerar o ritmo do desenvolvimento.

A ideia de criar máquinas autônomas surgiu durante encontros acadêmicos no século passado, na década de 1960, quando os pesquisadores ainda não dispunham de computadores potentes nem de volume suficiente de dados. Já naquela época, teóricos previam que o surgimento de um sistema verdadeiramente ultrainteligente representaria um divisor de águas definitivo, tornando desnecessária qualquer outra invenção criada pelo ser humano ao longo da história. 

Atualmente, ferramentas modernas de inteligência artificial já escrevem e corrigem códigos de computador com rapidez impressionante, atuando como assistentes digitais de pesquisa. Apesar dessa velocidade, Mark Chen, diretor de pesquisa da OpenAI, destacou as limitações atuais dos modelos. “O grande valor dos pesquisadores humanos é que eles geram ideias criativas o tempo todo. Nossos modelos simplesmente não estão fazendo isso agora.” 

Para tentar superar essas limitações técnicas, novas startups utilizam métodos baseados em tentativa e erro ou inspirados na evolução biológica. No sistema de aprendizado por reforço, o programa testa milhares de caminhos diferentes até encontrar a solução correta. A intenção principal é fazer com que a máquina crie arquiteturas computacionais totalmente novas e inéditas no mercado.

Entusiastas dessa abordagem afirmam que os computadores em breve vão superar a capacidade intelectual humana em praticamente todas as tarefas conhecidas. No entanto, cientistas mais cautelosos ponderam que a autonomia completa do software ainda pode levar várias décadas para se consolidar. Os protótipos atuais continuam sendo incapazes de gerar conceitos revolucionários sem o direcionamento claro e constante de pesquisadores experientes.

Infográfico mostra o embate entre inovação e cautela na IA: de um lado, investimentos e avanços; do outro, riscos, limites criativos e regulação mais rígida.
Infográfico mostra o embate entre inovação e cautela na IA: de um lado, investimentos e avanços; do outro, riscos, limites criativos e regulação mais rígida. – Crédito: Imagem gerada por IA

Como regular a IA para garantir um progresso seguro

Experimentos recentes mostram que a inteligência artificial já consegue sugerir novos caminhos para a pesquisa científica e redigir artigos acadêmicos complexos. Por outro lado, críticos apontam que muitas das ideias apresentadas pelas máquinas são apenas combinações de conhecimentos humanos que já existiam previamente. O direcionamento vindo de pessoas reais continua sendo o ingrediente principal para alcançar qualquer avanço científico significativo.

O debate acalorado sobre o avanço do autoaperfeiçoamento reflete tanto a busca por inovação quanto o medo de impactos imprevisíveis no futuro da sociedade. Se por um lado a tecnologia promete resolver problemas médicos e científicos complexos, por outro exige extrema cautela por parte das autoridades globais. O equilíbrio entre o desenvolvimento acelerado e a segurança digital permanece como o maior desafio atual.

O antes e depois da IA mostra a evolução de assistente executora para sistema capaz de observar e aprimorar códigos.
O antes e depois da IA mostra a evolução de assistente executora para sistema capaz de observar e aprimorar códigos. – Crédito: Imagem gerada por IA

A evolução contínua desses sistemas inteligentes transforma a relação entre humanos e computadores de maneira definitiva e irreversível ao longo do tempo. Enquanto o mercado investe pesado em novas empresas iniciantes, a sociedade tenta compreender os efeitos dessa automação profunda no trabalho e na ciência. O sucesso dessa jornada dependerá de como gerenciamos a autonomia das máquinas nos próximos anos.

Diante de transformações tão profundas no ecossistema digital, o acompanhamento rigoroso por parte de cientistas e reguladores torna-se indispensável. A construção de diretrizes éticas sólidas garantirá que o avanço tecnológico permaneça focado no bem-estar coletivo. Apenas com transparência e responsabilidade será possível explorar todo o potencial da inteligência artificial sem comprometer a estabilidade do nosso futuro.

As decisões tomadas no presente moldarão os rumos da computação e da humanidade pelas próximas gerações. O diálogo constante entre governos, empresas e a sociedade civil é o caminho mais seguro para garantir inovações benéficas. A tecnologia deve atuar como uma aliada do progresso humano, e não como uma ameaça imprevisível ao nosso desenvolvimento social e econômico.

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Gemini invade sistemas de três empresas reais durante teste de segurança do Google

O Gemini, modelo de inteligência artificial (IA) do Google, acessou a internet e invadiu os sistemas de três empresas durante um teste de suas capacidades de cibersegurança. O episódio é o primeiro caso conhecido em que um sistema de IA do Google realizou autonomamente uma invasão desse tipo.

As invasões aconteceram em maio, durante exercício de segurança conduzido pela Irregular, empresa independente especializada em avaliações de cibersegurança. O caso foi confirmado pelo Google nesta sexta-feira (18).

Em um dos episódios, o Gemini conseguiu acesso a um sistema protegido depois de tentar adivinhar senhas. Nos outros dois, o modelo encontrou credenciais em repositórios públicos na internet e utilizou os dados para acessar sistemas protegidos.

Em todos os casos, segundo o Google, o Gemini interrompeu a ação depois de perceber que havia acessado sistemas de empresas reais.

A Irregular informou ao Google sobre os incidentes no fim de julho, após a descoberta de outro episódio envolvendo modelos da OpenAI e a empresa de software de IA Hugging Face.

IA deveria estar isolada da internet

  • Os ataques ocorreram durante um exercício de capture the flag realizado na infraestrutura da Irregular. O Gemini recebeu a tarefa de obter informações de um software operado por uma empresa fictícia dentro do ambiente de testes;
  • O problema é que a empresa fictícia utilizada na simulação tinha o mesmo nome de uma empresa real;
  • Além disso, embora o modelo não devesse ter acesso à internet, essa conexão foi disponibilizada acidentalmente durante o teste;
  • No primeiro caso, o Gemini encontrou uma senha que permitiu entrar no serviço da empresa real. Depois de identificar que o alvo não fazia parte da simulação, o modelo interrompeu a ação e deixou o sistema;
  • Nas outras duas execuções, o Gemini realizou buscas na internet pelo nome da empresa fictícia. As pesquisas levaram o modelo a dois repositórios públicos diferentes que continham credenciais pertencentes a outras empresas;
  • O modelo tentou utilizar essas credenciais para concluir a avaliação. Depois de conseguir acesso aos sistemas, porém, identificou que se tratava de empresas reais e interrompeu a atividade;
  • A Reuters confirmou que os três casos ocorreram durante o teste da Irregular e que, em dois deles, o Gemini encontrou credenciais em repositórios públicos para acessar sistemas protegidos.

Google não considera caso de “desalinhamento”

Apesar das invasões, o Google afirmou que não considera o episódio um exemplo de desalinhamento de modelo, conceito utilizado para descrever situações em que uma IA age de maneira contrária às intenções ou aos valores humanos estabelecidos.

Segundo a empresa, as próprias medidas de segurança do Gemini fizeram com que o modelo interrompesse as ações assim que percebeu que havia acessado sistemas reais.

O Google comparou o episódio a um programa de bug bounty, no qual pesquisadores e hackers recebem autorização ou recompensa para encontrar vulnerabilidades e comunicá-las aos responsáveis.

Heather Adkins, vice-presidente de engenharia de segurança do Google, afirmou que o episódio “destaca a importância de treinar modelos de IA poderosos para agir de maneira responsável”. Segundo ela, “neste caso, o modelo agiu adequadamente”.

Em um dos episódios, o Gemini conseguiu acesso a um sistema protegido depois de tentar adivinhar senhas: nos outros dois, o modelo encontrou credenciais em repositórios públicos na internet e utilizou os dados para acessar sistemas protegidos – Imagem: gerada por IA – ChatGPT/Olhar Digital

A interpretação, porém, é contestada por especialistas em segurança.

Jack Cable, CEO da startup de segurança de IA Corridor e hacker de white hat, afirmou que a questão principal não seria o nível de dano provocado, mas o fato de o agente de IA ter invadido acidentalmente sistemas pertencentes a outras empresas.

Para Cable, a discussão sobre o incidente deveria se concentrar no fato de que modelos estão ultrapassando os limites para os quais foram projetados e realizando ataques cibernéticos reais.

Leia mais:

Google demorou para divulgar o caso

A Irregular comunicou os incidentes ao Google no fim de julho, mas a empresa não havia divulgado publicamente os episódios até que o The Wall Street Journal questionasse a companhia sobre o assunto nesta semana.

A empresa afirmou que não considerou necessário divulgar os casos porque o Gemini não causou danos às companhias e encerrou as invasões assim que percebeu que havia acessado sistemas reais.

As três empresas afetadas foram notificadas, mas o Google não revelou seus nomes. A companhia também informou as autoridades federais dos Estados Unidos sobre os incidentes.

O Google afirmou ainda que o episódio não envolveu seu modelo mais recente, mas não revelou qual versão do Gemini foi responsável pelas invasões.

A Irregular afirmou que o caso envolve o mesmo problema observado em outros laboratórios de IA e que todas as empresas relevantes foram notificadas no fim de julho. A companhia também disse que tomou medidas imediatas e que todos os problemas conhecidos de sua responsabilidade foram corrigidos semanas atrás.

Outros modelos também escaparam dos testes

O episódio envolvendo o Gemini não foi isolado. A própria Irregular participou de avaliações que acabaram envolvendo modelos de outras empresas em situações semelhantes.

Incidentes relacionados foram divulgados anteriormente por Meta, Anthropic e OpenAI. Esses episódios levantaram questionamentos sobre quais mecanismos de segurança são necessários à medida que agentes de IA ganham maior autonomia e acesso à internet e a sistemas computacionais.

O comportamento também apresentou diferenças entre os modelos.

Segundo a Anthropic, o Claude Opus 4.7 não interrompeu o exercício de capture the flag depois de perceber que provavelmente estava acessando uma empresa real. Já a OpenAI afirmou que seu modelo acreditou que a companhia real fazia parte da simulação.

As preocupações aumentaram depois que foi descoberto, em julho, um ataque envolvendo agentes da OpenAI e a Hugging Face. Na ocasião, até 1,2 mil agentes teriam se coordenado em um fórum secreto dentro da OpenAI para tentar burlar uma avaliação, de acordo com um relatório da empresa independente de testes METR divulgado em agosto.

O novo episódio envolvendo o Gemini ocorre, portanto, em meio a uma sequência de casos que ampliaram o debate sobre os limites de autonomia concedidos a sistemas de IA durante testes de segurança e sobre como as empresas devem comunicar incidentes desse tipo.

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Anthropic coloca avaliadores externos dentro da empresa para testar a segurança dos seus modelos de IA

A Anthropic escolheu a Accenture como sua primeira avaliadora externa incorporada (“embedded evaluator”), em medida concreta para começar a colocar em prática a proposta do CEO, Dario Amodei, de desacelerar o ritmo de desenvolvimento dos sistemas de inteligência artificial (IA) mais avançados.

A parceria permitirá que especialistas da Faculty, divisão de IA da Accenture, trabalhem dentro da Anthropic para avaliar os mecanismos de segurança da empresa. A iniciativa prevê testes de salvaguardas, exercícios de red team e análises para verificar se os modelos de IA estão se comportando de acordo com valores humanos.

Anthropic e Accenture concordaram em investir pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões) na construção de capacidade nessa área ao longo dos próximos cinco anos. A Anthropic, porém, afirmou que, devido à importância e à urgência do trabalho, financiará diretamente as atividades da Accenture.

A empresa disse que, no longo prazo, a expectativa é que esse tipo de trabalho seja financiado por recursos compartilhados ou governamentais, conforme previsto no Advanced AI Framework apresentado pela Anthropic em junho. Como essas estruturas ainda não existem, a companhia pretende trabalhar com diferentes avaliadores e modelos de financiamento.

Avaliadores terão acesso interno à Anthropic

A proposta de Amodei prevê que avaliadores independentes recebam acesso em nível de funcionário às empresas de IA. O objetivo é permitir que esses especialistas verifiquem diretamente as práticas de segurança e comuniquem incidentes.

Ao anunciar sua proposta, Amodei afirmou que a Anthropic se comprometeria “unilateralmente” com essa primeira etapa e incentivou outras empresas do setor a fazerem o mesmo.

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Anthropic e Accenture concordaram em investir pelo menos R$ 5,3 bilhões na construção de capacidade nessa área ao longo dos próximos cinco anos – Imagem: Mamun_Sheikh/Shutterstock

A parceria com a Accenture não será exclusiva. A Anthropic afirmou que também está conversando com a organização de pesquisa sem fins lucrativos METR e com outras entidades que poderão participar do processo.

A empresa ressaltou, porém, que continuará sendo responsável pela segurança de seus modelos. A presença de avaliadores externos dentro da companhia não reduzirá essa responsabilidade.

“Estamos compartilhando esses primeiros esforços agora para que as pessoas e outros desenvolvedores de IA possam ver nosso processo”, afirmou a Anthropic. A empresa acrescentou que espera aperfeiçoar a abordagem conforme o setor amadurecer e que divulgará novas informações à medida que o trabalho começar e outros avaliadores forem incorporados.

Proposta de Amodei gerou reação no setor

  • Amodei apresentou seu plano de três etapas para conter o ritmo de avanço dos sistemas mais sofisticados de IA em meio ao aumento das discussões sobre os riscos associados ao desenvolvimento acelerado da tecnologia;
  • A proposta recebeu apoio de alguns executivos do setor, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman, e Elon Musk, CEO da Tesla e da SpaceX. Outros adotaram posição diferente. Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitou as preocupações e argumentou que não haveria necessidade de novas regulamentações;
  • A iniciativa também levantou questionamentos sobre como a proposta poderia funcionar na prática, especialmente enquanto a Anthropic se prepara para uma possível abertura de capital.

Com a entrada da Accenture, a companhia dá o primeiro passo concreto para transformar uma das principais ideias do plano de Amodei em uma estrutura operacional: permitir que uma organização externa tenha acesso direto à empresa para avaliar seus sistemas de segurança e identificar possíveis problemas antes que eles se agravem.

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Erro de IA quase colocou EUA e China em confronto após falsa identificação de carga em navio chinês

Um relatório de inteligência dos EUA, produzido com ajuda de IA, indicou falsamente que um navio chinês no Oriente Médio transportava componentes de um programa de armas nucleares.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, militares americanos chegaram a preparar uma operação para interceptar a embarcação.

A seleção de alvos é uma das áreas em que o uso militar da IA cresce, levantando dúvidas sobre a verificação das informações. – Imagem: TSViPhoto/Shutterstock

O quase conflito evitado por pouco

Tropas dos Estados Unidos mobilizaram uma operação de interceptação contra o navio após o relatório circular entre os militares. Soldados armados se preparavam para abordar a embarcação, enquanto aeronaves militares já estavam no ar.

A informação havia sido produzida por um analista do Comando de Operações Especiais, que recorreu a um chatbot para analisar relatórios de inteligência sobre o manifesto de carga do navio. A ferramenta combinou informações de fontes abertas com dados secretos do governo e identificou a carga de maneira incorreta.

O erro só foi descoberto momentos antes da operação, quando autoridades analisaram o relatório com mais atenção. O documento foi considerado “totalmente falso” por uma das fontes ouvidas pela CNN, que afirmou que o episódio “quase provocou uma guerra”.

A CNN não conseguiu determinar qual era a carga real da embarcação.

Os riscos da automação militar

O episódio chama atenção para os riscos do uso de IA na inteligência militar, especialmente na seleção de alvos. Analistas já temiam que informações fracas ou corrompidas pudessem levar a erros de cálculo com consequências graves.

Entre os problemas apontados no caso estão:

  • possibilidade de decisões militares baseadas em informações incorretas;
  • maior confiança de analistas jovens nas respostas das ferramentas;
  • ausência de um conjunto único de normas para verificar informações geradas por IA;
  • diferenças de confiabilidade e funcionamento entre os sistemas usados pelas Forças Armadas e pela comunidade de inteligência.

Uma fonte familiarizada com as políticas militares afirmou que “a IA na seleção de alvos é definitivamente algo que está se intensificando, e não há uma orientação real sobre como ter um humano no circuito evitará vítimas civis ou fogo amigo”.

Como o Olhar Digital divulgou recentemente, especialistas dos EUA e da China discutem limites para inteligência artificial militar, com foco em armas nucleares, ataques cibernéticos e controle humano, exatamente para evitar que erros como esse aconteçam com maior frequência.

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Estariam as superpotências preparadas para evitar tragédias quando algoritmos geram informações incorretas? Imagem:leolintang/Shutterstock

A corrida do Pentágono pela tecnologia

As Forças Armadas dos EUA vêm ampliando o uso de IA em áreas como análise de grandes volumes de inteligência, seleção de alvos, logística, cadeias de suprimentos e gestão orçamentária.

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Em janeiro, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou a “Estratégia de Aceleração de Inteligência Artificial” de sua agência. Ao apresentar o plano, afirmou: “Vamos liberar a experimentação, eliminar barreiras burocráticas, focar nossos investimentos e demonstrar a abordagem de execução necessária para garantir nossa liderança em IA militar”.

A diretriz também prevê a disponibilização de modelos de IA para os três milhões de funcionários civis e militares do Departamento de Defesa, segundo um memorando sobre o plano.

Desafios para a segurança militar

A adoção da tecnologia, porém, ocorre de forma descentralizada. Diferentes setores das Forças Armadas e da comunidade de inteligência usam ferramentas distintas, com regras e padrões de segurança variados.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, não existe um conjunto único de normas para verificar as informações produzidas por esses sistemas. Para alguns oficiais experientes, a velocidade da IA também pode aumentar a pressão sobre os analistas para produzir e distribuir informações rapidamente.

Uma das fontes resumiu o risco dessa dinâmica: “A IA permite que você chegue a uma ideia ruim mais rápido”.

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