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Estudo da Anthropic revela o que as pessoas amam e temem na IA

A Anthropic concluiu o maior estudo qualitativo já realizado sobre percepções de inteligência artificial (IA): mais de 80 mil entrevistas em 159 países revelam que as mesmas funcionalidades que as pessoas mais valorizam na IA são exatamente as que mais as assustam. É o que os pesquisadores chamaram de problema “light and shade” — luz e sombra.

O estudo, conduzido pela empresa por trás do chatbot Claude, identificou tanto os usos mais transformadores da tecnologia — de apoio emocional a ucranianos em meio à guerra até a possibilidade de pais saírem mais cedo do trabalho para buscar os filhos na escola — quanto os medos que acompanham cada um desses benefícios.

Estudo foi conduzido pela dona do Claude, a Anthropic (Imagem: gguy/Shutterstock)

O dilema da “luz e sombra”

O padrão se repete ao longo do estudo: quem valoriza a IA para apoio emocional tem três vezes mais chances de temer se tornar dependente dela. O principal achado da pesquisa apresenta uma verdade desconfortável — não há como separar o benefício do receio.

Um trabalhador ucraniano ilustra essa contradição. Mudo, ele criou junto com a IA um bot de texto-para-voz. “Consigo me comunicar com amigos quase ao vivo, sem tomar o tempo deles lendo. Algo que eu sonhava e achava impossível”, relatou.

Mas essa mesma tecnologia que liberta também gera ansiedade. Um advogado israelense compartilhou sua experiência no estudo: “Uso IA para revisar contratos, economizar tempo… e ao mesmo tempo tenho medo: estou perdendo minha capacidade de ler sozinho? O pensamento era a última fronteira”.

Trabalho: automação e o medo da dependência cognitiva

A automação de tarefas no ambiente de trabalho foi um dos principais casos de uso da IA identificados na pesquisa. Os entrevistados relataram que a tecnologia os libera para se concentrar em atividades mais importantes — e, quando questionados sobre o que realmente queriam conquistar com essa eficiência, a resposta foi tempo com a família.

Os advogados exemplificam a ambiguidade de forma extrema. Quase metade deles já enfrentou problemas com a falta de confiabilidade da IA, mas também são os profissionais que mais relatam benefícios reais na tomada de decisões — as maiores taxas entre todas as profissões analisadas.

Os cinco medos que definem nossa relação com a IA

  • Apenas 11% dos entrevistados disseram não ter nenhum receio sobre inteligência artificial. Os outros 89% apontaram cinco preocupações principais.
  • A falta de confiabilidade lidera a lista. Cerca de 27% dos participantes temem que a IA tome decisões ruins ou incorretas — número superior aos 22% que citaram melhoria na tomada de decisões como benefício.
  • O impacto no mercado de trabalho e na economia aparece em segundo lugar, preocupando 22% dos entrevistados, que temem estagnação salarial e aumento da desigualdade.
  • Empatados em terceiro, com 22% cada, estão dois receios interligados: a IA tomando decisões sem supervisão humana e os seres humanos se tornando passivos diante da tecnologia.
  • A perda da capacidade de pensamento crítico preocupa 16% dos participantes, enquanto 15% se inquietam com a falta de regulamentação e a ausência de responsabilização clara quando algo dá errado.

Geografia da confiança: países ricos versus países em desenvolvimento

Globalmente, 67% dos entrevistados têm visão positiva da IA, mas as diferenças regionais revelam perspectivas muito distintas.

América do Norte, Europa Ocidental e Oceania demonstram maior ceticismo. As preocupações se concentram em lacunas na governança, falhas regulatórias e vigilância. São regiões onde a IA já está integrada ao ambiente de trabalho, e as pessoas conseguem ver seus efeitos acontecendo na prática.

Do outro lado, África Subsaariana, América Latina e Sul da Ásia encaram a IA com otimismo. Para esses entrevistados, a tecnologia funciona como um equalizador econômico, facilitando a criação de negócios e o acesso à educação. “Estou em um país com desvantagem tecnológica, e não posso me dar ao luxo de muitas falhas. Com IA, alcancei nível profissional em cibersegurança, design UX, marketing e gestão de projetos simultaneamente. É um equalizador”, disse um usuário de Camarões.

O Leste Asiático apresenta um padrão distinto: pouca preocupação sobre quem controla a IA, mas grande ansiedade em relação à atrofia cognitiva.

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Por que países mais pobres confiam mais na IA?

A tendência geral aponta que, quanto mais rica a região, maior o ceticismo. Em países desenvolvidos, a automação já está presente no trabalho e as pessoas conseguem ver a substituição humana acontecendo. Nos países em desenvolvimento, a IA ainda não penetrou massivamente nos ambientes profissionais, e preocupações econômicas mais urgentes fazem com que a tecnologia seja encarada como oportunidade — não como ameaça.

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Automação já está mais presente no trabalho em países desenvolvidos (Imagem: Stokkete / Shutterstock.com)

O futuro moldado por 80 mil vozes

A Anthropic afirmou que os achados da pesquisa vão influenciar diretamente o desenvolvimento futuro do Claude. A empresa reconhece que entender as nuances da percepção pública é fundamental para criar uma tecnologia que sirva genuinamente às necessidades humanas.

O estudo deixa claro que a relação das pessoas com a IA não é simples. As mesmas funcionalidades que geram entusiasmo também alimentam o medo — e essa dualidade é o traço mais honesto de como a humanidade está vivendo essa transformação.

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IA identifica pegadas de dinossauros e revela acidentalmente pistas sobre aves

Um estudo publicado na revista PNAS mostra que a inteligência artificial (IA) está transformando a forma como cientistas analisam pegadas de dinossauros. Essas marcas antigas revelam informações importantes sobre esses animais, mas são complexas e difíceis de interpretar.

Cada pegada não é só um “buraco no solo”. Ela registra peso, deslizamento dos dedos e deformações da lama. Com o tempo, erosão e compactação alteram o formato original, tornando a identificação um desafio para os paleontólogos.

Para superar esse desafio, pesquisadores desenvolveram o DinoTracker, um aplicativo que permite enviar fotos ou esboços de pegadas. O sistema fornece uma análise sobre qual dinossauro provavelmente deixou cada marca, ajudando a transformar interpretações subjetivas em dados consistentes.

Uma representação artística de uma rede neuronal a analisar os contornos de uma pegada de dinossauro. Crédito: Tone Blakesley

O problema é que as pegadas não se fossilizam de maneira uniforme. Dois animais com pés iguais podem deixar rastros diferentes, dependendo do solo, da umidade, da velocidade e do peso – e essas variações confundem até os especialistas mais experientes.

Após treinar a IA, o DinoTracker foi testado com pegadas fósseis conhecidas. O resultado mostrou cerca de 90% de concordância com análises humanas, inclusive em casos controversos. Embora não ofereça certezas absolutas, funciona como uma segunda opinião confiável.

Fósseis mostram semelhança com aves

Uma descoberta inesperada envolveu pegadas com mais de 200 milhões de anos que lembram marcas de aves. Isso sugere duas possibilidades: aves podem ter surgido antes do que se pensava, ou alguns dinossauros primitivos tinham pés muito parecidos com os das aves modernas.

O sistema também reexaminou pegadas antigas na Ilha de Skye, Escócia, feitas há 170 milhões de anos. Antes difíceis de identificar, agora a IA indica que podem ter sido deixadas por parentes antigos dos dinossauros bico-de-pato. Se confirmado, isso muda a compreensão sobre a expansão dessa linhagem.

O DinoTracker não é apenas uma ferramenta de pesquisa. Pegadas são comuns em descobertas paleontológicas, e a IA permite analisar rapidamente grandes volumes de dados. No campo, ajuda a testar hipóteses. Na educação, transforma pegadas em experiências interativas, tornando o aprendizado mais envolvente.

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IA oferece forma objetiva de classificar pegadas de dinossauros

Segundo Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, “este estudo oferece uma forma objetiva de classificar pegadas, abrindo novas possibilidades para entender como esses animais viviam e evoluíram”.

De qualquer forma, pegadas são únicas e complexas. O DinoTracker não substitui a interpretação humana, mas trata variações como informação, não como ruído. Reconhecendo padrões e deformações, acelera pesquisas e amplia a participação científica.

Mais do que facilitar estudos, a ferramenta aproxima as pessoas do mundo antigo. Cada pegada é um instante de contato entre o animal e o solo. Interpretar esses rastros com mais clareza ajuda a compreender melhor a vida, os movimentos e a evolução dos dinossauros.

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CEO da Nvidia propõe pagar funcionários com tokens de IA

A proposta pode soar como ficção científica, mas já está sendo discutida nos corredores do Vale do Silício. Jensen Huang, CEO da Nvidia, sugeriu um novo modelo de remuneração que daria aos engenheiros “tokens de IA” além do salário base — uma forma de pagar funcionários para usar agentes de inteligência artificial (IA) como multiplicadores de produtividade.

Durante a GPU Technology Conference, conferência anual da Nvidia realizada na segunda-feira, Huang detalhou como funcionaria esse sistema. Os tokens — unidades de dados usadas por sistemas de IA para executar ferramentas e automatizar tarefas — estão se tornando uma das “ferramentas de recrutamento no Vale do Silício”, segundo ele.

O executivo apresentou números concretos para ilustrar sua visão. “Os engenheiros vão ganhar algumas centenas de milhares de dólares por ano como salário base. Vou dar a eles provavelmente metade disso além do salário base em forma de tokens”, explicou Huang. A justificativa é direta: “todo engenheiro que tem acesso a tokens será mais produtivo”.

CEO da Nvidia quer dar “tokens de IA” como bônus para engenheiros (Imagem: CL STOCK / Shutterstock.com)

Centenas de milhares de funcionários digitais

A proposta de tokens faz parte de uma visão mais ampla que Huang tem construído publicamente sobre o futuro do trabalho. No mês passado, ele disse à CNBC que os funcionários da Nvidia um dia trabalhariam ao lado de centenas de milhares de agentes de IA.

“Tenho 42 mil funcionários biológicos e vou ter centenas de milhares de funcionários digitais”, declarou o CEO. Essa transformação envolveria engenheiros supervisionando uma frota de agentes de IA capazes de completar tarefas complexas e de múltiplas etapas de forma autônoma, com mínima intervenção humana.

O receio do “apocalipse dos empregos”

As declarações de Huang surgem em um momento de crescente preocupação sobre o impacto dos agentes de IA no mercado de trabalho. Howard Marks, fundador da Oaktree Capital Management, alertou investidores, em um memorando, sobre “um salto incrível nas capacidades da IA” que agora permite que ela “aja de forma autônoma”.

Segundo Marks, essa diferença é fundamental: “É o que separa um mercado de US$ 50 bilhões de um de múltiplos trilhões de dólares”. A capacidade de substituir trabalho humano define o potencial transformador dessa tecnologia.

O Goldman Sachs estima que a IA poderia automatizar tarefas que representam 25% de todas as horas de trabalho nos Estados Unidos. O banco projeta um aumento de produtividade de 15% com a IA, o que poderia levar ao deslocamento de 6% a 7% dos empregos durante o período de adoção.

“Os riscos estão inclinados para um deslocamento maior se a IA se mostrar mais disruptiva para o trabalho do que tecnologias anteriores”, disse ao CNBC Joseph Briggs, economista sênior global do Goldman Sachs. Ele também aponta que 60% dos trabalhadores atuais estão empregados em ocupações que não existiam em 1940 — dado extraído de um estudo do economista David Autor —, sugerindo que novas funções surgirão mesmo com a obsolescência de outras.

Paradoxo entre demissões e escassez de talentos

O mercado de trabalho atual vive um “paradoxo de talentos” peculiar. 98% dos executivos C-suite esperam que a IA leve a reduções de pessoal nos próximos dois anos, enquanto 54% citam a escassez de talentos como seu principal desafio macroeconômico — é o que aponta Lewis Garrad, líder da prática de carreira na consultoria Mercer Asia, em entrevista ao CNBC.

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Mercado de trabalho deve mudar de forma radical com o crescimento da IA (Imagem: Moor Studio/iStock)

Cerca de 65% dos executivos esperam que 11% a 30% de sua força de trabalho seja realocada ou requalificada devido à IA até 2026, estima Garrad. Os empregos de nível inicial enfrentam o maior risco, já que a IA elimina as tarefas “trampolim” historicamente usadas para treinar novos trabalhadores — aprofundando o déficit de habilidades num momento em que a demanda por profissionais com conhecimento em IA só cresce.

Ao CNBC, Andreas Welsch, fundador da consultoria Intelligence Briefing e autor de “The Human Agentic AI Edge”, identificou quais funções estão na linha de frente: papéis envolvendo análise de dados, processamento de documentos, comparação de informações e elaboração de relatórios iniciais estão “em primeiro lugar” para deslocamento.

A visão otimista de Huang sobre software

Contrariando as preocupações sobre desemprego, Huang adota uma perspectiva otimista sobre o impacto dos agentes de IA na indústria de software, descrevendo-a como “contraintuitiva”. Em vez de reduzir a demanda por software, os agentes de IA se tornarão seus clientes mais vorazes.

A lógica do CEO é direta: mais agentes de IA significam maior demanda pela infraestrutura de software subjacente — os programas, ferramentas e recursos computacionais que os alimentam. “O número de compiladores C que usamos, o número de programas Python que temos, o número de instâncias, estão crescendo muito, muito rápido — porque o número de agentes que temos que usam essas ferramentas está aumentando”, explicou.

Também ao CNBC, Bruno Guicardi, presidente e fundador da empresa de tecnologia da informação CI&T, descreveu a mudança como uma transformação paradigmática. “Uma nova camada de abstração está sendo criada através de agentes. Agora os engenheiros de software podem ‘dizer’ o que os computadores devem fazer, não em uma linguagem de programação, mas em inglês simples. Trabalho que costumava levar meses para ser feito agora leva alguns dias. E vemos isso apenas se acelerando daqui em diante.”

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Desafios de implementação na prática

Apesar do otimismo, a integração de capacidades de IA nos fluxos de trabalho corporativos existentes pode se mostrar mais difícil que a própria tecnologia. Welsch citou ao CNBC uma estatística reveladora: aproximadamente 80% a 85% dos projetos de IA falharam desde 2018 — um dado preocupante para uma indústria repleta de entusiasmo.

“Seria indesejável ter centenas de milhares de agentes que criam mais problemas do que resolvem”, alertou o consultor.

Em entrevista ao CNBC, Briggs reconheceu que a transição não será sem atritos, mesmo no cenário mais otimista, antecipando um pico na taxa bruta de desemprego de cerca de meio ponto percentual durante a transição do mercado de trabalho para uma nova era.

Ainda assim, o economista enfatiza que novos empregos surgirão, lembrando que a mudança tecnológica sempre foi um dos principais motores do crescimento ocupacional a longo prazo. Dezenas de milhões de pessoas trabalham hoje em setores como computação, economia gig, e-commerce, criação de conteúdo e videogames — indústrias que eram ficção científica há uma geração.

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Nova IA gera vídeos realistas em menos de um segundo

A Runway se uniu à Nvidia e apresentou um novo modelo de inteligência artificial capaz de gerar vídeos em tempo real. O que mais chamou atenção foi a velocidade: o sistema consegue produzir o primeiro frame em menos de 100 milissegundos – mais rápido do que um piscar de olhos.

A tecnologia foi demonstrada durante a conferência GTC, da Nvidia, nesta semana. A IA ainda não tem nome oficial, mas já se destaca por iniciar transmissões quase instantaneamente, com imagens realistas e em alta definição.

Na prática, o modelo é um salto em relação às ferramentas atuais, que ainda apresentam atrasos na criação de vídeos. Com a nova abordagem, a promessa é de experiências interativas em tempo real, abrindo caminho para aplicações como ambientes virtuais dinâmicos, personagens digitais responsivos e até mundos gerados sob demanda – algo que a Runway já vem apostando há algum tempo.

Preocupações com IA de geração de vídeos

Ao mesmo tempo, o avanço levanta preocupações. A popularização recente de conteúdos gerados por IA – como vídeos hiper-realistas e simulações de figuras públicas – já dificulta a distinção entre o que é autêntico e o que foi criado artificialmente. Com a geração em tempo real, esse desafio tende a se intensificar, especialmente se as ferramentas passarem a reagir ao comportamento e às expressões dos usuários de forma imediata.

Apesar do potencial, a tecnologia ainda depende de infraestrutura altamente robusta. A demonstração foi executada no Vera Rubin, supercomputador da Nvidia equipado com dezenas de CPUs e GPUs, e grandes volumes de memória. Por ora, o acesso é limitado a grandes empresas e instituições governamentais.

Ainda assim, o site New Atlas aponta que barreiras de hardware tendem a diminuir com o tempo. Isso indica que sistemas desse tipo podem, eventualmente, chegar a aplicações mais amplas – ampliando tanto as possibilidades criativas quanto os desafios relacionados à autenticidade e segurança digital.

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OpenAI planeja lançar superaplicativo com o ChatGPT

A OpenAI está desenvolvendo um “superaplicativo” para desktop que vai unir três de suas principais ferramentas em uma única plataforma. A iniciativa pretende juntar o ChatGPT, o Codex (focado em programação) e o navegador Atlas em um só lugar.

A decisão faz parte de uma estratégia maior da empresa para simplificar seu portfólio de produtos, que hoje está espalhado em diferentes abas e aplicativos. As informações foram reveladas pelo The Wall Street Journal, que citou um memorando interno de Fidji Simo, CEO de Aplicações da OpenAI.

De acordo com a executiva, ter múltiplas plataformas separadas está prejudicando o desempenho da empresa como um todo. A fragmentação atual “tem nos atrasado e dificultado atingir o padrão de qualidade que queremos”, escreveu.

Simo chegou a falar com os funcionários na semana passada sobre a necessidade de evitar “distrações com missões secundárias”. A liderança da OpenAI tem analisado quais projetos devem ser despriorizados para focar no que realmente importa.

Após a publicação do WSJ, ela escreveu no X que “as empresas passam por fases de exploração e fases de reorientação” e que é “muito importante redobrar os esforços e evitar distrações”.

Superaplicativo da OpenAI é uma tentativa de reorganização interna

A pressão por essa reorganização aumentou depois que a OpenAI passou a enfrentar mais concorrência, especialmente da Anthropic. O Claude Code, ferramenta de programação da rival, ganhou popularidade e tem pressionado a posição do ChatGPT no mercado.

Além disso, o ano passado foi marcado por anúncios grandiosos da desenvolvedora, como o aplicativo de vídeo Sora e a compra da empresa de hardware de IA de Jony Ive. Agora, o foco parece ter mudado para consolidação e eficiência operacional.

Segundo o WSJ, o superaplicativo vale apenas para as versões desktop. A versão para dispositivos móveis do ChatGPT seguirá funcionando.

Procurada pelo jornal, a OpenAI não confirmou os planos oficialmente. O cronograma de lançamento da novidade também não está claro.

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Jeff Bezos negocia fundo de R$ 522,2 bilhões para transformar manufatura com IA, diz jornal

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, iniciou conversas preliminares para levantar US$ 100 bilhões (R$ 522,2 bilhões) destinados à criação de um novo fundo voltado à aquisição de empresas industriais e à aplicação de inteligência artificial (IA) para acelerar processos de automação, segundo informações do The Wall Street Journal.

De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, Bezos tem se reunido com alguns dos maiores gestores de ativos do mundo em busca de financiamento para o projeto. Há alguns meses, o empresário viajou ao Oriente Médio para discutir a iniciativa com representantes de fundos soberanos da região. Mais recentemente, esteve em Singapura com o mesmo objetivo.

Como deve ser o fundo de investimento de Bezos

  • O fundo, descrito em documentos a investidores como um “veículo de transformação da manufatura”, pretende adquirir companhias em setores industriais estratégicos, como fabricação de chips, defesa e aeroespacial;
  • Caso se concretize, o projeto terá dimensões comparáveis a alguns dos maiores fundos de aquisição do mundo e rivalizará com o SoftBank Vision Fund, que também conta com cerca de US$ 100 bilhões;
  • A iniciativa está ligada ao Project Prometheus, startup na qual Bezos foi recentemente nomeado co-CEO;
  • A empresa desenvolve modelos de IA capazes de compreender e simular o mundo físico;
  • A ideia é utilizar essa tecnologia para aumentar a eficiência e a lucratividade das empresas adquiridas pelo fundo — uma estratégia semelhante à já adotada por firmas de investimento em setores, como contabilidade e gestão imobiliária.

Separadamente, o Project Prometheus também negocia levantar até US$ 6 bilhões (R$ 31,3 bilhões) em financiamento. A empresa nomeou recentemente David Limp para seu conselho de administração. Limp é CEO da Blue Origin, companhia criada por Bezos em 2000 e que recebe aportes anuais bilionários do empresário.

Nos últimos anos, enquanto grande parte da revolução da IA se concentrou em modelos de linguagem, bilhões de dólares começaram a ser direcionados a empresas que buscam aplicar sistemas de IA voltados ao espaço físico em áreas, como robótica e manufatura.

Modelos baseados em linguagem já vêm sendo utilizados para automatizar atividades, como engenharia de software, além de impactar funções em setores, como finanças e mercado imobiliário. Esse movimento tem influenciado o mercado: investidores venderam ações de algumas empresas após startups, como Anthropic e OpenAI, lançarem ferramentas específicas para essas áreas.

Empresas também passaram a citar a adoção de IA em dezenas de milhares de demissões no último ano, embora economistas apontem que cortes também podem estar relacionados a contratações excessivas durante a pandemia.

A automação impulsionada por IA também avança sobre a manufatura, ainda que startups e empresas focadas nesse segmento estejam em estágio inicial.

Ex-CEO da Amazon quer que IA balize indústria (Imagem: Poetra.RH/Shutterstock)

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O impacto sobre empregos ainda é incerto, mas companhias de tecnologia e comércio eletrônico já utilizam essas soluções há anos em centros logísticos. A própria Amazon, uma das maiores empregadoras dos Estados Unidos, se aproxima de ter um número de robôs equivalente ao de trabalhadores humanos.

Bezos se junta, assim, a outros nomes da geração anterior do Vale do Silício que vêm intensificando sua atuação na corrida pela inteligência artificial. O ex-CEO da Uber, Travis Kalanick, anunciou recentemente a Atoms, expansão de sua startup com a ambição de transformar a indústria com IA. Já Elon Musk tem promovido planos da Tesla para desenvolver robôs humanoides.

Bezos assumiu o cargo de co-CEO do Project Prometheus no ano passado, seu primeiro papel formal de liderança em uma empresa de tecnologia desde que deixou o comando da Amazon, em julho de 2021. Atualmente, ele permanece como presidente do conselho da companhia.

A tecnologia desenvolvida pelo Prometheus busca simular o comportamento do mundo físico. Entre os exemplos citados, estão a capacidade de modelar o fluxo de ar ao redor da asa de um avião ou prever com precisão onde uma peça metálica pode se romper sob pressão. Inicialmente, a empresa pretende comercializar ferramentas de software voltadas à simulação e ao design em engenharia.

Bezos divide o comando da startup com Vik Bajaj, professor da Escola de Medicina de Stanford e cofundador da divisão de ciências da vida do Google, hoje conhecida como Verily. A empresa também recrutou profissionais de laboratórios de ponta em IA, como OpenAI e Google DeepMind, e levantou US$ 6,2 bilhões (R$ 32,3 bilhões) em financiamento no ano passado.

O JPMorgan Chase também está em negociações preliminares para apoiar o projeto por meio de sua iniciativa Security and Resiliency Initiative. O banco lançou, em dezembro passado, um fundo de US$ 10 bilhões (R$ 52,2 bilhões) para essa frente e contratou Todd Combs, ex-gestor da Berkshire Hathaway, para ajudar a liderar o programa.

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OpenAI adquire Astral e expande capacidades do Codex

A OpenAI anunciou a aquisição da Astral, empresa de ferramentas de desenvolvimento em Python amplamente usadas na comunidade de código aberto. O movimento tem como objetivo acelerar o crescimento do Codex, plataforma de IA da OpenAI voltada para desenvolvimento de software, integrando ao ecossistema recursos como uv, Ruff e ty, utilizados por milhões de desenvolvedores ao redor do mundo.

O fechamento do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e de outras condições contratuais. Enquanto isso, as duas empresas continuam operando de forma separada e independente. Após a conclusão, o time da Astral passará a integrar a equipe do Codex na OpenAI.

Astral é especializada em linguagem de programação Python (Imagem: Wright Studio / Shutterstock.com)

Codex em expansão

O Codex já soma mais de 2 milhões de usuários ativos por semana e registrou, desde o início do ano, crescimento de três vezes no número de usuários e de cinco vezes no volume de uso. A proposta da OpenAI vai além de gerar código automaticamente: o objetivo é que o Codex passe a atuar em todo o ciclo de desenvolvimento de software, ajudando a planejar mudanças, modificar bases de código, executar ferramentas, verificar resultados e manter sistemas ao longo do tempo.

É nesse contexto que a incorporação das ferramentas da Astral faz sentido. Elas já fazem parte do fluxo de trabalho diário de desenvolvedores Python e, segundo a empresa, poderiam permitir que agentes de IA atuem de forma mais direta nesses ambientes.

O que a Astral oferece

A Astral é conhecida por três ferramentas principais dentro do ecossistema Python:

  • uv: simplifica o gerenciamento de dependências e ambientes
  • Ruff: oferece linting e formatação com alto desempenho
  • ty: auxilia na verificação de tipagem em bases de código

Juntas, essas ferramentas ajudam equipes a gerenciar projetos, garantir qualidade e identificar erros ainda nas fases iniciais do desenvolvimento.

Charlie Marsh, fundador e CEO da Astral, afirmou que a empresa sempre focou em transformar a forma como desenvolvedores trabalham com Python e que, como parte do Codex, continuará evoluindo suas ferramentas de código aberto.

Thibault Sottiaux, líder do Codex na OpenAI, destacou que as ferramentas da Astral são usadas por milhões de desenvolvedores Python e que trazer essa expertise para dentro da empresa acelera a visão de tornar o Codex o agente mais capaz de atuar em todo o ciclo de vida do desenvolvimento de software.

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Time e ferramentas da Astral chegam para fortalecer o Codex da OpenAI (Imagem: OpenAI/Divulgação)

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Futuro das ferramentas de código aberto

Após o fechamento da aquisição, a OpenAI afirma que manterá o suporte aos projetos de código aberto da Astral. A intenção declarada é explorar integrações mais profundas entre essas ferramentas e o Codex, com o objetivo de tornar o acesso a recursos avançados de desenvolvimento mais amplo.

O Python se consolidou como uma das linguagens mais relevantes no desenvolvimento moderno, sustentando desde aplicações de inteligência artificial (IA) e ciência de dados até sistemas de infraestrutura e backend, o que torna o ecossistema da Astral estratégico para os planos da OpenAI.

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Agentes de IA agem sozinhos — e os erros podem custar caro

Os chamados agentes de inteligência artificial (IA) estão se tornando cada vez mais populares entre entusiastas de tecnologia. Diferente dos chatbots comuns, esses sistemas vão além de responder perguntas: eles podem usar aplicativos, acessar sites, editar arquivos, enviar e receber mensagens e realizar tarefas de forma autônoma, como se fossem um assistente pessoal digital disponível a qualquer hora. A tecnologia ganha força no Vale do Silício, mas especialistas alertam que os erros dessas ferramentas podem ter consequências sérias — e caras.

Um caso ilustra bem os riscos. Sebastian Heyneman, fundador de uma pequena startup em San Francisco, contou à reportagem do New York Times que pediu a um agente de IA que negociasse para ele uma vaga como palestrante no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Enquanto dormia, o bot vasculhou a internet, enviou mensagens a pessoas ligadas ao evento e chegou a fechar um acordo. Mas, ao acordar, Heyneman descobriu que o agente havia comprometido o pagamento de 24 mil francos suíços (mais de R$ 158 mil) por um patrocínio corporativo — valor que ele não tinha como pagar.

Agentes de IA podem facilitar a vida de usuários, mas ainda cometem muitos erros, que podem custar caro — financeiramente mesmo (Imagem: Koupei Studio / Shutterstock.com)

Quando o assistente virtual age por conta própria

O agente usado por Heyneman foi o Tasklet, desenvolvido pela startup Shortwave, também de San Francisco. Após a confusão, os organizadores de Davos ameaçaram bani-lo do evento. Ele acabou desembolsando quase 4 mil euros (aproximadamente R$ 24 mil) só para participar. Durante a estadia, ainda foi brevemente detido pela polícia local após deixar um gadget da sua empresa no saguão de um hotel.

A história exemplifica um debate crescente no setor: os agentes de IA são confiáveis o suficiente para agir de forma independente? Andrew Lee, fundador da Shortwave, explicou ao NYT que a resposta está no equilíbrio entre autonomia e supervisão humana. “A chave é ter um processo em que humanos possam acompanhar o trabalho desses sistemas”, disse ele. “Talvez você deixe um bot redigir quantos e-mails quiser, mas o impeça de enviá-los sem checar com você primeiro.”

Empresas cortando empregos antes mesmo da tecnologia maturar

O debate vai além dos casos individuais. Em fevereiro, a Block — empresa de tecnologia financeira que controla o Square, o Cash App e o Tidal — anunciou o corte de 40% de sua força de trabalho, citando a expectativa de avanço dos agentes de IA. Foi um dos exemplos mais contundentes de uma empresa eliminando postos de trabalho com base no que a tecnologia pode fazer no futuro.

Outros especialistas, porém, são mais cautelosos. Summer Yue, pesquisadora do laboratório de IA da Meta, relatou que, ao pedir a um agente que organizasse sua caixa de e-mails, o sistema começou a deletar mensagens aos milhares. Rayan Krishnan, CEO da Vals AI — empresa que avalia o desempenho de tecnologias de IA —, afirma que alguns agentes chegam a incluir informações falsas ou completamente inventadas em relatórios gerados automaticamente.

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Da pesquisa à medicina: usos práticos com cautela

Apesar dos riscos, há usuários que já incorporaram os agentes à rotina profissional com resultados positivos.

O Dr. Christian Péan, cirurgião ortopédico em Durham, Carolina do Norte, usa o Claude Cowork, da Anthropic, para gerar relatórios, resumir e-mails e redigir respostas. “Funciona quase como meu chefe de gabinete”, disse ele ao NYT. Ainda assim, o médico revisa tudo antes de autorizar qualquer envio: “Todas essas ferramentas de IA soam muito confiantes, mas você vai deixar passar alucinações e informações erradas se não tiver expertise para checar tudo.”

Imagem gerada por IA demonstrando interação entre aprendizado de máquina e medicina.
Agentes de IA podem ser muito úteis em áreas como a medicina, mas precisam ser usados com cautela (Imagem: LALAKA / Shutterstock.com)

Empresas como Anthropic, Google, Meta, Perplexity e Shortwave estão investindo no desenvolvimento dessas tecnologias para uso corporativo. Kyle Wild, engenheiro de software em Berkeley, Califórnia, usa agentes para pagar multas de trânsito, pesquisar ideias para encontros e até enviar mensagens a amigos e restaurantes. Para ele, os erros fazem parte: “Se você já teve funcionários humanos, sabe que eles também vão errar”, disse ele ao jornal.

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Pentágono quer banir Claude, mas militares resistem à troca

Funcionários do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, ex-servidores e contratados de TI que atuam junto às Forças Armadas afirmam que não querem abrir mão das ferramentas de inteligência artificial (IA) da Anthropic, que consideram superiores às alternativas disponíveis. Isso ocorre mesmo depois de o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter classificado a empresa como um risco à cadeia de suprimentos no início de março, proibindo seu uso no Pentágono e entre contratados após um prazo de seis meses.

A decisão surgiu de um desentendimento entre a Anthropic e o Departamento de Defesa sobre os limites de uso das ferramentas de IA militares. Apesar da ordem formal, parte do pessoal está descumprindo o prazo de transição, e alguns já planejam retomar o uso da plataforma caso o impasse seja resolvido. O movimento indica que a retirada do Claude das redes militares será um processo lento e custoso.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, classificou o Claude como risco à cadeia de suprimentos militares (Imagem: Joshua Sukoff / Shutterstock.com)

Profissionais de TI frustrados com a ordem

A resistência interna é palpável. “As pessoas de carreira em TI no Departamento de Defesa odeiam essa decisão porque finalmente tinham conseguido que os operadores se sentissem confortáveis usando IA”, afirmou um contratado ouvido pela Reuters, que disse considerar o modelo Claude “o melhor”, enquanto o Grok, da xAI, frequentemente apresentava respostas inconsistentes para uma mesma consulta.

As ferramentas de IA tornaram-se essenciais para as Forças Armadas dos EUA, sendo usadas em tarefas que vão desde o direcionamento de armamentos e planejamento de operações até o manuseio de material classificado e a análise de informações. A Anthropic firmou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa em julho de 2025 e se integrou rapidamente ao fluxo de trabalho militar. O Claude foi o primeiro modelo de IA aprovado para operar em redes militares classificadas, e seu nível de adoção era considerado elevado.

Celular com chatbot de IA Claude aberto com o fundo da Anthropic
Apesar de proibição do Pentágono, militares insistem em não abrir mão do Claude (Imagem: gguy / Shutterstock.com)

Recertificação pode levar até 18 meses

Substituir sistemas que utilizam os produtos da Anthropic não é tarefa simples. Joe Saunders, CEO da empresa contratada RunSafe Security, que ajudou as Forças Armadas a incorporar chatbots de IA, explicou que a recertificação de um sistema já existente para uma nova plataforma pode levar de 12 a 18 meses. “Não é só caro, é uma perda de produtividade”, afirmou.

Um funcionário do Pentágono disse que tarefas antes realizadas pelo Claude, como consultas a grandes volumes de dados, passaram a ser feitas manualmente com ferramentas como o Microsoft Excel. O Claude Code, ferramenta da Anthropic usada para escrever código, era amplamente utilizado internamente. Sua ausência deixou desenvolvedores frustrados, segundo relatos de servidores seniores.

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Sistema da Palantir também afetado

A retirada tem implicações que vão além do uso direto. O Maven Smart System, da Palantir — plataforma de análise de inteligência e direcionamento de armamentos usada por militares — foi construído com fluxos de trabalho e prompts desenvolvidos com o Claude Code, segundo fontes da Reuters. A Palantir, que mantém contratos relacionados ao Maven com o Departamento de Defesa e outras agências de segurança nacional com valor potencial acima de US$ 1 bilhão, terá de substituir o Claude por outro modelo e reconstruir partes do software.

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A Palantir, muito utilizada no setor militar dos Estados Unidos, construiu sua plataforma Maven Smart System com base nos códigos do Claude (Imagem: Hiroshi-Mori-Stock / Shutterstock.com)

Alguns desenvolvedores estão “empurrando com a barriga” a substituição, pois ainda usam o Claude para criar fluxos de trabalho automatizados. Um diretor de informação de uma agência federal afirmou que planeja adiar o processo, apostando que o governo do país e a Anthropic chegarão a um acordo antes do prazo de seis meses. O Pentágono usou ferramentas do Claude para apoiar operações militares durante o conflito com o Irã, e fontes da Reuters disseram que a tecnologia continua em uso apesar do bloqueio.

“O que estamos vendo aqui é a tensão da adoção, tanto dentro do Pentágono quanto no nível político”, afirmou Roger Zakheim, diretor da Ronald Reagan Presidential Foundation and Institute.

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Origem de modelo de IA ‘secreto’ é revelada

Um modelo de inteligência artificial que apareceu anonimamente em uma plataforma para desenvolvedores na semana passada teve sua origem finalmente revelada: trata-se de uma criação da Xiaomi. O sistema, batizado de Hunter Alpha, havia gerado especulações no setor de tecnologia, com suspeitas de que poderia estar ligado à DeepSeek.

O mistério começou em 11 de março, quando o modelo surgiu no OpenRouter, uma plataforma que reúne diferentes sistemas de IA. Sem identificação de desenvolvedor, ele foi classificado como um “modelo furtivo” e rapidamente chamou atenção por suas capacidades técnicas e acesso gratuito.

Nesta semana, a equipe de inteligência artificial da Xiaomi, conhecida como MiMo, confirmou que o Hunter Alpha é uma versão inicial de testes do MiMo-V2-Pro. O modelo é projetado para atuar como base de agentes de IA.

A revelação ocorre em um momento de intensa movimentação no mercado de IA, especialmente na China. O avanço de estruturas voltadas a agentes autônomos, como o OpenClaw, tem acelerado a transição de modelos focados em conversa para sistemas capazes de agir diretamente em nome do usuário.

Segundo Luo Fuli, líder da equipe MiMo e ex-pesquisadora da DeepSeek, a rápida evolução desse novo paradigma surpreendeu até os próprios desenvolvedores. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que a mudança do modelo de interação para agentes ocorreu em ritmo mais acelerado do que o esperado.

O MiMo-V2-Pro deve ser integrado a cinco das principais plataformas de agentes de IA, incluindo o OpenClaw, com uma semana de acesso gratuito para desenvolvedores ao redor do mundo.

Xiaomi assumiu autoria do modelo Hunter Alpha (Imagem: 8th.creator/Shutterstock)

Modelo de IA secreto já tem ampla adoção

Durante o período em que permaneceu anônimo, o Hunter Alpha apresentou características que alimentaram as especulações sobre sua origem. Segundo a agência Reuters, o sistema se descrevia como um modelo chinês e treinado principalmente em chinês, com base de conhecimento atualizada até maio de 2025 – semelhante aos modelos recentes da DeepSeek.

Além disso, o modelo exibe especificações de alto desempenho, como cerca de 1 trilhão de parâmetros e capacidade de processar até 1 milhão de tokens por interação, o que indica um elevado poder de processamento e memória contextual. Esses atributos costumam estar associados a modelos de ponta, geralmente com alto custo de operação.

Especialistas consultados pela agência apontaram que a combinação entre grande capacidade de contexto, raciocínio avançado e acesso gratuito contribuiu para a rápida popularização do sistema. Em poucos dias, o Hunter Alpha alcançou grande volume de uso e liderou rankings dentro da própria plataforma OpenRouter.

O uso de lançamentos discretos como forma de teste não é incomum no setor. Plataformas abertas permitem que desenvolvedores coletem dados de uso real e feedback sem exposição inicial da marca, prática já adotada por outras empresas de IA.

A divulgação do modelo pela Xiaomi também teve impacto no mercado financeiro. As ações da empresa registraram alta de até 5,8% após a confirmação.

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